Confesso é para mim um tema incómodo.
Primeiro achei-lhe perfil de Salazar em 1975. Depois, votei nele para Presidente da República. Mais tarde achei que Mário Soares não terá andado bem com ele, não sei ainda se, mais por desejo de protagonismo de Soares, do que mérito de Eanes. Aos poucos fui-me desiludindo. Os últimos braço-dado com Cavaco foram o ponto final. Mas isto, não deixa de fazer com que Eanes não seja para mim um questão incómoda para discutir.
Nem de propósito, um email recebido esta semana, dá-me uma ajuda na leitura do livro de cabeceira do momento: Os Espanhóis e Portugal, de José Freire Antunes. Diz-nos o amigo Alexandre:
"Ramalho Eanes – Doutoramento (Opus-Dei)
Em defesa da instituição Presidente da República, alguém já afirmou que o General Eanes não se deveria ter exposto a um exame universitário, principalmente numa universidade estrangeira e, ainda por cima, acrescento eu, da Opus Dei. A ser verdade que ele não pertence nem nunca pertenceu, como afirmou, a esta instituição secreta da Igreja Católica, obscenamente ligada ao regime de Franco e aos seus crimes contra os democratas e republicanos espanhóis, e actualmente um dos grandes sustentáculos financeiros do Vaticano, a par do Santuário de Fátima, a escolha da universidade, a ter de fazer-se, teria de ser outra.
Se, pelo contrário, o General pertence ou pertenceu à Opus Dei, encobrindo a sua filiação, tal como o rigoroso secretismo da seita impõe aos seus membros, e escolheu a Universidade de Navarra em conformidade com esta sua identificação, então a opacidade de alguns comportamentos políticos está explicada. Não nego ao General Eanes, como não nego a qualquer cidadão, o direito às suas opções ideológicas, políticas e religiosas. Mas, exijo aos detentores dos altos cargos da República, quer os do presente, quer os do passado recente, uma postura de transparência em relação a eventuais ligações com organizações secretas, cuja história não as recomenda. E a Opus Dei não é uma organização recomendável.
Alexandre de Castro"
E diz então J. F. Antunes no seu livro: “...O Opus Dei edificou uma rede escolar, com destaque para a Universidade de Navarra (Pamplona)...”. Diz também que para a cerimónia de canonização de Escrivá de Balaguer, foram como representantes de Portugal para além de Mota Amaral o antigo presidente da Republica Eanes e a mulher, entre outros.
Confirma-se assim e eu desconhecia, a origem e orientação da Universidade de Navarra e as proximidades de Eanes à Opus, ou ao que tem a ver com a Opus. Isto não incrimina Eanes de nada, mas definitivamente confirma que Eanes foi para mim durante algum tempo, um engano.