08 dezembro 2011

Greves corporativas

A greve fascista dos camionistas no Chile, em 1973, paralisando totalmente o país, foi, como não era difícil de prever, a porta de entrada para a ditadura sangrenta de Pinochet. Por esse terrível resultado, nunca mais assinei de cruz o apoio a qualquer greve, só porque é um direito dos trabalhadores. Devemos, por escrúpulo democrático, e porque o egoísmo é uma característica latente no ser humano, ser contra qualquer forma de aproveitamento corporativista das lutas dos trabalhadores.

A TAP é uma empresa por nós suportada por ter o Estado como principal accionista. O Estado está exausto e exangue, com uma massa de desempregados que um dia destes vira uma horda. Os pilotos TAP pressionam o Estado e vão fazer mais oito dias de greve. É preciso dizê-lo sem medo: os pilotos TAP, têm tido uma postura tão insolentemente corporativa que nos confunde, mas se dissermos que é porque está em causa no processo de privatização, a sua reclamação numa participação de até 20% no capital da companhia, percebe-se melhor a razão do seu desassossego e da ganância que têm vindo a demonstrar comparativamente ao resto dos trabalhadores, como que assumindo a postura de que só eles fazem voar os aviões. Uma aeronave não voa sem o contributo de muitos outros especialistas. A sua atitude é elitista e corporativa, e numa outra análise jurídica - se algo de mais grave acontecer por via destas paralisações - talvez passível de a podermos acusar de não olhar a meios para alcançar os fins, não só deve ser combatido como denunciado. Publicamente!

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