27 outubro 2012

"Pertenço a um povo de príncipes"



Se levarmos em conta o momento, não é possível ouvi-lo sem evitar que um frémito tente desabar-nos nos olhos: Eu tenho tanto orgulho em ser português. António Lobo Antunes, na TSF. Leve o som até dos 24’30”, mas ouça toda a entrevista se puder.

25 outubro 2012

Recorte achado entre pornografias.


Juro que tentei fazer um texto para acompanhar este recorte perdido no caixote - do faz de conta - da pornografia, mas apagava tudo à primeira linha. Desisti. Nada do que dizia se adaptava à leitura deste cabeçalho do CM. Se eu fico assim, como raio ficaria a senhora que faz aquelas alheiras de caça, naquela aldeia remota de Trás-os-Montes? Ficaria talvez como no Alentejo ficou a minha tiazinha velhinha, que confrontada com a chegada das americanos à Lua nunca até morrer acreditou que tivesse sido verdade. Não sei se isto também não é verdade, porque parece que até pode ser mais. O Banco está com o ex-presidente em tribunal a dirimir a questão, isso quer dizer que pelo menos há fumo. Uma coisa é certa: há um tipo de enormidades que têm o efeito de nos bloquear a adrenalina da revolta.  Conclui-se com isto que somos de um certo ponto de vista um ser perfeito, porque se assim não fosse, se acima de um determinado limite de afrontamento não existissem bloqueadores na rede neuronal da nossa cabecinha, o que não teria já acontecido?

Teríamos batido com a cabeça na parede, uns, e atirado ao Tejo e ao Douro outros, o resto dos que ainda não andassem tontos?

19 outubro 2012

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Vai-te embora Relvas!



Para revolta já basta a que temos, quanto mais ter que te ouvir dizer-nos da tribuna do Parlamento que “não há espaço para profissionais da desistência”. Isso é um atentado à nossa capacidade de resistir a invadir desvairados qualquer púlpito de onde fales para acabar de vez com o suplício. Não sei como podemos gritar daqui o asco que causa a tua permanência, já não no Governo, mas nas proximidades de alguma coisa que dê acesso à política, tal é o perigo da insídia de gente como tu.

Não me perdoo ter-te deixado passar no crivo da análise, porque tinhas afinal outro perfil por detrás desse ar naif e apalermado. Falhei ao subestimar-te.

16 outubro 2012

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Todos previram afinal...



Os cata vento políticos eFeMIsados, giram agora a agulha na direção da aragem que sopra e começam a declarar repúdio pelas desastrosas políticas de seguidismo troikiano que nos arruina. É um regalo ouvi-los. Que pena não ter feito por precaução, uma lista de quem disse o quê e quando, porque nos confunde tanta concordância de última hora. Nesta tragédia nacional, a Esquerda parece ter afinal razão, mas pelo estado do barco veremos se não é póstuma.

13 outubro 2012

A propósito de Audis e de Clios.



De um comentário que deixei por aí: “Tenho duas opiniões sobre a polémica frase de Assis porque só posso exigir rigor se for rigoroso: uma, que o condena se de facto disse aquilo, outra, que não o pode condenar se diz que não o disse. Pense-se o que se quiser de Assis, por mim, não o tenho com a falta de coragem suficiente para não assumir. Mas de facto, há um debate que falta fazer quando nos acusam de populismo, porque a acusação vem sempre de sopetão sem direito a contraditório. É uma forma de estigmatizar quem se aventura, de maneira que ninguém se sinta confortável a debater a questão. Eu sou de esquerda e começa a fazer-me confusão que a esquerda tenha pruridos em abordar o problema, esquecendo que essa pode ser uma forma de deixar que o debate se inquine. Todos sabemos qual é o ranking do país em matéria de riqueza: não somos um país rico, mas se não somos um país pobre, pouco nos falta. Ora, é populismo evidenciarmos os ganhos de alguns dos nossos comparados aos ganhos dos outros, os ricos? É populismo falarmos dos vencimentos e pensões do Catroga? Do ex-administrador do BdP, o banco de um país a caminhar para a pobreza e os compararmos com o do banco sueco? E dos deputados? É populismo fazermos circular aquele vídeo sobre as não-mordomias dos deputados suecos? Só se for porque ele evidencia uma filosofia de serviço público que está muito longe de ser a que existe entre nós? Talvez se compreenda que não convenha que estas coisas sejam evidenciadas, mas se nos lembrarmos que nada disto se sabia antes e que foram esses secretismos que originaram os desmandos que aconteceram na legislação que se produziu em causa própria, naquela assembleia, talvez se perceba melhor a tentação de falar disto. Ou já se esqueceram da pouca vergonha das reformas antecipadas e das obscenas pensões vitalícias? Coisas só recentemente abolidas? Populismo era se eu lhes chamasse ladrões, mas nunca chegarei aí. Há uma coisa de que não tenho medo, é do uso das palavras, porque sei usá-las. Façam-me um favor, sejam justos comigo e não me chamem nomes. Já somos crescidos e sabemos onde nos pode levar a questão do populismo mas não é por isso que temos que varrer o lixo para debaixo do tapete."

12 outubro 2012

O detonador: Rendas e IMI.



A liberalização que me vai obrigar a rasgar um contrato de arrendamento feito de mútuo acordo e boa fé em 1977, e os aumentos absurdos do IMI que se perspetivam, não serão em si a bomba, serão o detonador, não de uma revolução mas de uma revolta. Potenciadora do quê? Não sabemos, mas os falcões do ocidente só permitirão que o que quer que seja só tenha uma cor: a de todas as ditaduras que sempre apoiaram na sombra. O estranho desta reflexão, é que sem querer tenha apontado alguma coerência à forma estapafúrdia como o governo tem lançado estes estranhos esbulhos ao povo. Uma coisa é certa: espanta-os até a eles.

Aqui fica um exemplo de aumento do imposto: de 65,80 para 1337,45 Eur.


 

10 outubro 2012

A propósito do Congresso das Alternativas



Sempre militei por aí, sem partido, para que um dia fosse possível uma grande convergência das Esquerdas numa qualquer coisa de útil, como esta que tenta o Congresso. Em vão, porque o comportamento dos partidos com os simpatizantes tem sido comparável ao da galinha a chocar ovos. A minha desilusão é tal, que passei a comparar a preocupação dos partidos pelas suas metas eleitorais, com a preocupação de uma empresa comercial com as suas vendas: ou seja, quanto mais votos, mais verba vem da dotação orçamental anual.

Tenho feito dos meus ativismos à esquerda, um permanente pragmatismo, porque sei que o mundo não é a preto e branco. Ora, as manobras que cada partido faz para inviabilizar o sucesso de uma qualquer ação à esquerda, que não seja sua, chegam a lembrar-me os comportamentos dissuasores das ditaduras de outros tempos: sobrepõem-se para eclipsar, fazendo ruído para inviabilizar a audição do outro. Tudo, menos a solidariedade ativa que reclamam, porque essa só vale quando são eles a pedi-la. Um partido assim é uma coisa com cio. Como resultado, extremam-se as minhas posições e começo a achar lógica na estiolação deste modelo. Hoje, acho que o sistema parlamentar está a precisar de uma refundação, porque não vejo maneira de entregar o meu voto, não a um partido, mas já a um sistema que se representa assim. Alguém falou outro dia de uma configuração parlamentar que talvez resultasse: uma câmara composta de duas coroas de representação, uma partidária e outra de representação uninominal. Já não sei se sim, talvez.

Quero no entanto repelir com veemência, o discurso que tem por vezes uma configuração de chantagem por cada vez que falamos dos males de que enferma o sistema, porque essa, pode muito bem transformar-se numa forma de castrar e direcionar o debate, tutelando-o logo ali. É que o povo diz e bem que não há fumo sem fogo.

Não duvido que este Congresso das Alternativas tenha tido valor e trazido esperança, o que duvido é que lá tenham estado aqueles que precisavam ouvir o que lá foi dito, porque esses, alguns sabem tudo, outros, sabem-na toda.

Post Scriptum: Ver ontem Alberto Martins e António Capucho, fazerem um evidente sorriso cúmplice e simultâneo quando Mário Crespo acusou o sistema de ter criado mordomias parlamentares vitalícias, quando falavam das reformas antecipadas que foram permitidas a políticos, pode ser o reconhecimento de que alguma coisa foi mal feita entre eles ao ponto de lhes arrancar agora aquele sorriso.