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18 julho 2009

Cidadãos por Lisboa na CML

O "acordo coligatório” dos Cidadãos por Lisboa, com a candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa, é não só uma mais valia para a cidade como para a candidatura do PS. Todos reconhecem que Helena Roseta marcou nestes dois anos a diferença no estilo a que estávamos habituados. Basta entrar na página oficial dos CPL para se verificar como foram importantes as suas acções.

Não foi no entanto uma decisão fácil, porque este Movimento recusa entrar no calculismo dos jogos partidários. Quem ali está fartou-se do espartilho do modelo actual de participação cívica, nos partidos, onde a liberdade é claustrofóbica, e dificilmente volta a alinhar naqueles jogos. Mas o importante para os Cidadãos por Lisboa no momento da decisão, foi a governança da cidade, e a possibilidade de vir a ser desgovernada pela populismo de Santana Lopes, ficando a sobrevivência do Movimento suspensa do que vier a acontecer no próximo futuro.

Mas para que se perceba que não foi uma assimilação pelo PS, aqui ficam os termos do acordo. Mais uma vez a Esquerda não se entende e continua a preferir o estatuto de oposição, mostrando assim falta de coragem para agarrar a gestão da coisa pública. Alguma vez terá que ser, não? Ou só lá vão em maioria?
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23 maio 2008

Que Parque das Nações?

Foi aprovada pela CML, com votos contra do BE e dos Cidadãos por Lisboa, a construção de uma torre de 23 andares para o Parque das Nações. Porquê mais esta - ou só mais esta - ou virão mais? Não vou por em dúvida o prestígio dos projectos do gabinete do Arquitecto Bofill, mas quando ele fala da grande qualidade das condições naturais de Lisboa e daquela linha contínua do Tejo, onde deve apetecer construir coisas, não nos está obviamente a descobrir nada que os portugueses não conheçam já. A prova foi que a Expo 98 mereceu o inicio da transformação daquela zona da cidade. Mas talvez os elogios tenham enfeitiçado quem aprovou o projecto, por ter confundido essas condições únicas com o projecto apresentado, como se isto fizesse aquilo. Nós temos o direito de não querer edifícios por muito bonitos que sejam em locais onde podem vir a transformar-se em enormes monstros que vamos ter que aturar durante vidas, estragando definitivamente perspectivas de eleição por interposição, subtraindo-as ao usufruto colectivo.
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O estuário de Lisboa e a sua luz é seguramente uma das mais bonitas zonas da Europa com enquadramento para fazer brilhar o projecto de qualquer arquitecto. Bofill tem toda a razão, a nossa burocracia administrativa atrapalha qualquer desenvolvimento, mas não se sirva deste argumento para nos dizer que aquela torre tem que ser construída ali, ou que tem de ter aquela cota e volumetria e ainda por cima com aquela larga fachada virada para o rio.

Fotos de: Skyscrapercity.com

22 maio 2008

O que vão fazer do Tejo?

Há alguns anos atrás esteve em preparação uma acção sobre a zona ribeirinha de Lisboa, chamada POZOR, que um acto cívico encabeçado por Miguel Sousa Tavares, ao qual terei sido porventura um dos primeiros a escrever a dar apoio e pedir o seu maior empenhamento, acabou por salvar da barbaridade que ía cometer-se naquela frente de Lisboa. Se analisarmos os motivos que levavam àquele retalhamento da frente ribeirinha, verificamos facilmente que estavam em jogo interesses económicos/imobiliários e não urbanísticos, e em cuja fotografia a Administração do Porto de Lisboa e um tal Ministro do Mar Azevedo qualquer coisa, ficaram muitíssimo mal. Conseguimos o redimensionamento daquilo tudo e salvamos a frente de rio.

Voltam agora a haver preocupações com algumas opções definitivamente estruturantes daquela zona, que legitimamente deveremos voltar a questionar, porque na maior parte das vezes, os poderes que elegemos, se deixam contaminar por um lobby que não dorme na intoxicação dos valores que importam mais á comunidade do que à sobrevivência dos seus interesses especulativos.

Tenho por Helena Roseta o respeito que me merecem as pessoas que se dedicam às causas em que acreditam, e as germinam por vezes muito tempo no alheamento e inacção de um povo que se habituou nessa falta de participação cívica. Helena Roseta é arquitecta, já foi presidente de uma Câmara, foi Bastonária da sua Ordem, deputada e agora vereadora, e pelo que conheço dela, uma apaixonada pelas tarefas em que se empenha. É inegável que com este curriculum não confunda qualquer nuvem por Juno e uma preocupação sua em matéria urbanística possa ser por nós entendida como um sinal de alerta e merecedora do nosso apoio.

Por economia de post e para vos poupar, deixo aqui este link: O que vão fazer do Tejo?, retirado da página dos Cidadãos por Lisboa que é obrigatório ler, avisando que ainda voltarei ao mesmo tema. Não é preciso ser habitante de Lisboa para nos interessarmos pela gravidade do que nos pode acontecer naquela zona, devido ao secretismo e falta de debate público democrático que acompanham normalmente estas acções. É o nosso dinheiro e o usufruto da cidade que estão em jogo.
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