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19 junho 2009

A oportunidade das lutas.

Custa dizer isto, porque sabemos que alguns empresários aproveitam a maré para tirar ganhos ilegítimos, mas deixa-me confuso o problema da recusa do acordo laboral pelos trabalhadores na Auto Europa, numa altura em que recebemos email com fotografias de filas intermináveis de automóveis novos alinhados em portos, aerogares, terminais ferroviários e até autódromos por esse mundo fora, aguardando quem os compre, e numa altura em que assistimos à fusão das grandes marcas para evitar a catástrofe. A diferença que gerou a recusa foi de apenas uma centena de trabalhadores que votou o não acordo. Não sabemos que tipo de trabalhadores fez a diferença, qual é a sua consciência política, profissional e cívica, mas a avaliar pelos vv de vitória à saída do plenário, pela firme determinação como defendem os seus postos de trabalho devem ser gente mais corajosa e esclarecida do que eu, embora saiba que esta é uma velha questão que entronca com a luta e a firmeza dos trabalhadores, mas também com a solidariedade forçada e sofrida dos que não têm emprego e gostariam de ter, e olham de fora estas lutas com outros olhos.

Se a Auto Europa falhar como falhou a Quimonda, não teremos todos, os que vamos pagar esses enormes prejuízos que olhar para a coragem e para esclarecimento daquela centena de trabalhadores com outros olhos? Ou então, a responsabilidade de um qualquer grupo de cem trabalhadores de uma PME, pode ser considerada em termos nacionais, igual à de cem trabalhadores na Auto Europa? Isto não são certezas, são dúvidas.
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