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07 março 2011

90 anos! ...


O partido tem de ter uma visão mais alargada da sociedade portuguesa e ser um «partido político», em vez de uma «central sindical», considerou, defendendo que o PCP deve «negociar» propostas” (…)

Há, como se vê, mais gente que acha que este Partido Comunista não cativa eleitorado de esquerda, e a razão explicou ontem muito bem Carlos Brito à TSF. Aceda no link em cima, à entrevista, e ouça como o PC bem podia estar a comemorar o seu aniversário com uma outra forma de fazer política. O PC não deve ter medo de se assumir como um partido de poder, mas para isso tem que mostrar às pessoas que quer e pode governar. Não pode continuar à espera de revoluções que à força lhe abram caminho. Se a sua luta é justa, só pode torná-la consequente se for governo. O eleitorado sentirá quando a política que propõe deixará de ser um jogo de toca e foge, para ser uma intenção credível. Querer cavalgar a onda sindical a todo o custo mesmo se ela representa o mais abjecto dos corporativismos, contra a opinião da opinião pública, é uma espécie de jogo arriscado como utilizar o crédito dos fornecedores para manter a tesouraria. O PC continua a não entusiasmar como partido de esquerda e a sua febre em querer crescer à custa do PS, parecendo por vezes mais próximo do PSD, revela-se uma das suas piores estratégias porque o ódio com que o faz assusta qualquer eleitor que à esquerda não queira votar PS, mas isso só se fará com outra gente porque o que ouvimos nestas comemorações continua a ser mais do mesmo, e assim a malhar na esquerda nunca irão a lado nenhum.

28 junho 2008

Custos da nossa impotência

Sugiro a leitura deste post e comentários, no Ponte Europa, de onde importei o recorte.
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Certo. Já todos fizemos o diagnóstico e a maioria concorda que é um escândalo o que se passa. Mas, ... e agora? Como pode o país sair desta? Assistimos e arrepelamo-nos por estar a ver nas nossas barbas o assalto ao celeiro onde guardamos as reservas de toda a comunidade, em que de uma só vez alguns tiram, legalmente, o sustendo que bastaria a milhares de famílias. Sabemos que ninguém vai mudar nada porque os que o podem também vão aproveitar no futuro, por isso, assistimos a este silêncio que se segue às denúncias que todos os dias se fazem e nos caem no correio, porque eles sabem que é assim que o sistema funciona: ... é preciso deixar marinar, com o tempo passa, é uma questão de inveja. Como já ouvi. Já é um processo que vem de longe e o Eça emoldurou isso muito bem. Os deputados calam, os governos assobiam e os tais gestores tão premiados e responsáveis pela trampa desta economia, disfarçam. Seria até estranho, estão a ver algum destes senhores desatar a tirar a ricos para dar a pobres? Que coisa bizarra! Como se pode então mexer numa trama de interesses assim montada? Esbarra-se sempre no argumento da questão do Estado de Direito, hipotético digo eu, que não nos permite agora argumentar a sua violação, porque é mesmo disso que se trata, quando ele Estado, permite que nele se constitua assim um Direito, quanto mais um Estado. Isto é um pouco kafkiano. Só vejo uma saída, mas estarmos na Europa complica tudo e seria dramática, mas era remédio santo. Os sinais que por aí há já são preocupantes. Depois, virão perguntar porquê e não faltarão novamente Delgados e Goebbeis a fazer-nos vomitar com a propaganda que suporta tudo isto.

Entretanto, visitamos o Papa que ele dá-nos uma bênção, e impotentes, como numa Idade Média vamos assistindo ao saque por esta nova espécie de oligarquias, até que nos peçam outra vez para gostarmos deles, e que novos sorrisos surumbáticos coloquem num próximo 10 de Junho, mais medalhas nas lapelas de quem se distinguiu, e nos virão outra vez falar na porra da nossa “Raça”.


04 junho 2008

Os diálogos abertos - II

Foram três belíssimos discursos de Esquerda, de José Soeiro (BE), Isabel Allegro Magalhães (Independente) e Manuel Alegre (PS), daqueles que andamos a precisar ouvir e nos fazem acreditar ainda um pouco.

É urgente resolver o problema dos que vivem nos limites da pobreza, nesta sociedade que insiste em achar normal, por exemplo, que a empregada de limpeza de um Banco, contratada por uma empresa de trabalho temporário, ganhe dois euros e quarenta e dois cêntimos por hora, a entrar às seis da manhã, enquanto o gestor vai para casa descansar com trinta e cinco mil euros por mês. Estamos a criar ghettos que explodirão de alguma forma a seu tempo, se não soubermos encontrar caminhos. E o que a Esquerda quer dizer, é que esta disparidade não faz sentido e não tem que ser a fatalidade que a Direita dá como a resposta, quando fala do insucesso dos pobres. Hoje o fosso alarga-se não só porque os pobres são os mais vulneráveis pela ausência de verdadeiros planos de erradicação da pobreza, mas porque todos conhecemos a força com que o poder económico impõe a receita neo-liberal, e a dependência que a necessidade de garantir um posto de trabalho cria desse modelo perverso e nos tolhe o protesto às injustiças.
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Falou-se apenas disto, e de uma vontade grande de um novo discurso de Esquerda, que como diz Alegre, adicione Esquerda à Esquerda. Os socialistas que ali estiveram viram a sua esperança revitalizada e não foi preciso que ninguém abdicasse daquilo em que acredita. Era o que mais faltava. Como dizia a canção: Foi bonita a festa, pá!

12 maio 2008

Encontro com o PR? Recusava.

Cavaco queixou-se do afastamento dos jovens, intrigando-se sobre o seu afastamento da política. Hoje, estranhamente dá uma parte da resposta e mostra-nos como ele próprio é parte do problema, argumentando com questões protocolares, exactamente as mesmas para as quais os jovens se estão nas tintas e que os afasta da política, ao não convidar os jovens que existem no Bloco de Esquerda para uma reunião no Palácio de Belém. Arrisca-se este PR que se lhe diga que prefere apenas o diálogo com a betinhagem bem comportada e estatutariamente enquadrada, numa atitude institucional rasca contra uma juventude cada vez mais à rasca. Os que lá forem, perderão uma grande hipótese de ser uma juventude digna se não voltarem para trás, recusando este encontro coxo.

20 abril 2008

Feios, Porcos e Maus!

Quem não pode estar em desacordo com esta loucura que se passa no país, onde já se interiorizou que o tempo lava tudo porque a memória do povo é curta? Só o PSD pelo vistos e alguns oportunistas movidos por geoestratégia pessoal, exptuando dois ou três amigos. É esta falta de altivez e nobreza comportamental que me entristece. Parece faltar-nos na matriz um código de honra, ou de conduta que nos guie nas decisões que farão escola às gerações que assistem à nossa governança. Temos medo do rigor. Por medo da adversidade, escolhemos o caminho fácil como faz a avestruz. Amanhã já ninguém se lembrará do desempenho destes actores. Eles voltarão de tacha arreganhada e bateremos todos palmas, como naquela mesa onde se celebra a alegria familiar com os dotes da flatulência de cada um.

26 fevereiro 2008

A "Aurora" da Madeira

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Um mal-estar diferente.

Ferreira Fernandes, escreveu no DN: “Olha a novidade: ele há mal-estar...” leia o link.

Caro Ferreira Fernandes, todos percebemos o que diz e não queremos aqui medir a intensidade do mal-estar de cada época, o que me parece é que desta vez haverá diferenças substanciais em relação às épocas anteriores. Em qualquer uma delas, esse povo de então, teve menos consciência dos seus direitos democráticos e a evolução cultural e política é hoje uma realidade bem diferente. Assim, a forma como hoje me revolto tem por base um reconhecimento mais amplo das injustiças que sobre mim são exercidas, do que em qualquer uma das épocas a que refere. E talvez pela primeira vez o alvo não seja exactamente o Poder, nesse sentido lato, ou pelo menos, não aquele que o exerce no momento, mas antes o conjunto difuso de uma classe dominante que entendeu poder atribuir a si própria regras de auto-remuneração e progressão vitalícias que escandaliza os portugueses de cada vez que têm que pagar mais imposto, para a sustentação dessa ostentação. Não é por uma questão de inveja, mas nunca como hoje nos sentimos tão revoltados com a capa de corporativismo silencioso que encobre muitas destas aberrações. E este corporativismo é bem mais perigoso porque ele ancorou para sua protecção noutras corporações, cobrindo assim várias áreas onde o silencio é a melhor forma de protecção de classe. Junte-lhe agora o percepção e o conhecimento que hoje temos face àquelas épocas, do amiguismo e corrupção e ainda a falta de xelindró para toda essa gente que nos entra em casa pela TV e veja a enorme diferença que pode haver nesse “ele há mal-estar...” que escreveu.
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25 fevereiro 2008

A Praça Pública

Quando editei aqui o post Os nosso senhores – II, com desenvolvimento nos seguintes, estava longe de pensar que em tão pouco tempo teria uma espécie de eco vindo de tantos lados e o facto de não estar só torna a preocupação ainda maior. Primeiro foi o General Garcia Leandro que cometeu apenas o pecado na forma como o disse, depois foi Manuel Alegre que o sublinhou, ouviram-se depois mais vozes e agora vem a SEDES pela voz de Henrique Neto, dizer mais ou menos o mesmo.

O que torna aquela minha preocupação diferente é que ela não é de carácter político, ou seja, não acho que seja concretamente por causa desta ou da anterior política, é mais grave, porque é sentir que os portugueses estão finalmente a perceber - e nalgum sentido perigosamente - que estão a ser vítimas de uma casta de senhores que deixaram criar e que os tornaram portugueses de segunda. Não estão a achar justo que dos seus fracos proventos saiam as contribuições que vão suportar os tais vencimentos e auto-promoções, as mordomias e aposentações que durante estes anos de democracia criaram para si, sem que o povo desse conta, com o tal argumento de que os bons têm que ser pagos, enquanto nos vão afundando em todas as estatísticas competitivas.

Com a Internet vamos agora sabendo tudo o que a Comunicação Social, não quer, não pode ou não deixa dizer, e grave é sabermos que não está na classe política a ajuda. Sabemos agora como se pode ter um vencimento altíssimo incluindo outras mordomias e como se pode acumular com três pensões do Estado que rendem mais 10.000,00 Euros mensais, quase 120.000,00 Euros/ano. Mas não são os jornais que o podem dizer. Nenhum português entende e pode aceitar, no momento em que lhe falam de Segurança Social para o penalizar, que isto possa ser normal e que não tenha que ser alterado. O povo só entende que racionar, é tirar onde há excesso.

Gerando-se depois nas pessoas um sentimento de impotência para poder alterar isto e todas as corrupções que por aí vão e que agora sabem que atinge em cheio partidos e políticos, e não havendo a habitual válvula de escape da greve, a situação é para ser tomada em conta, é a minha leitura das entrelinhas do tempo que o diz, disso não tenho dúvidas.

Mas noto já outros sinais de mal estar que alguns estão a dar conta, porque se ouve já o discurso queixoso preparador, até a Comunicação Social, referindo o ”populismo”, a “difamação” e ai Jesus, o cair na “praça pública”! O tal medo da praça pública pois é, o único local que o povo tinha como referência da Justiça quando os senhores lha negavam. Mas não deveria ser antes quem não deve não teme?
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24 fevereiro 2008

Agora é o Casino?

Isto só pode ser coincidência, então não é que agora anda um tal Inspector Geral de Jogos a dizer coisas sobre a atribuição da propriedade definitiva do edifício do Casino de Lisboa à Estoril-Sol, o tal que ninguém sabe quem deu, mas todos sabem quem recebeu! E a falar de José Luís Arnaut, do PSD, o tal que foi arquivado no post anterior?! E agora também a Arquitecta Helena Roseta, aqui nos Cidadãos por Lisboa com esta contundência?

Isto é perseguição ou quê?!....
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20 fevereiro 2008

Dolo ou má fé vs. Desleixo

“Pese embora não tenha havido dolo ou má fé... tenha antes havido desleixo”.

Foi desta forma que um dirigente do PSD comentou o caso do financiamento indirecto ao partido, por uma empresa de construção que pagou a factura da Agência de Comunicação nas eleições no valor de 233.415 mil Euros. Claro que sim, mas quem duvida? Nós somos lá gente para duvidar das vossas altruistas intenções? E lá estão outra vez as tais adoráveis empresas de Comunicação, aquelas que nos vêm explicar as coisas porque nós somos imbecis e não percebemos. O Tribunal Constitucional deu uma vassourada e correu tudo com multas que vão dos 10.000 aos 600.000 Euros. Ninguém pestanejou! Será que os ganhos cobriram os custos?

A propósito, o tal senhor José Luis Arnaut, o das Rendas que andava afanosamente nervoso e ruborizado na conclusão da Lei dos Despejos (vidé. Proprietários – Imobiliárias – Construção) e que também não andava a legislar em causa própria, viu nesta questão do financiamento ilícito o seu processo arquivado pelo Tribunal Constitucional. Aleluia, faça-se justiça!

- Desta já nos safemos...
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12 fevereiro 2008

Mais ecos.

As desigualdades na distribuição da riqueza e na distribuição dos sacrifícios são muito grandes...”

E o Kaos disse a propósito do Prós e Contras na RTP e da prestação arrasadora de Paulo Morais sobre a corrupção, que deixou todos de boca aberta:

“...Gostava que nem sempre fosse assim e por isso peço a todos que se inicie um corrente de indignação, um não calar as nossas vozes aqui, na rua, em todo o lado onde seja necessário. Temos que lhes mostrar que ou eles mudam isto (o que não acredito), ou temos de ser nós a ir lá e correr com eles (parece-me cada dia mais urgente). Assim as coisas não podem continuar”

Mas cuidado, é preciso perceber que a gravidade do que se passa não é assim no imediato de ordem política, nem o problema é Sócrates, a questão é bem mais funda como se percebeu no programa Prós e Contras, isto é, quem vier a seguir não tem capacidade para mudar um sistema que afinal está legal!.. . As mudanças que Portugal precisa estão quase ao nível do arrasar para construir de novo, porque ninguém vai abrir mão dos privilégios adquiridos legalmente. As situações aberrantes foram sendo criadas aos poucos, paulatinamente, profissionalmente, sem que tenhamos dado por isso fomos sendo roubados. Com a Justiça neste estado, até mesmo o arrasar para construir, está votado ao insucesso com este guião e os mesmos actores. Quando um artista ganha mais não sei quantos milhares que o seu homólogo americano e nos vem falar da contenção salarial por causa da porra do déficit das contas, e não sente vergonha por isso, não há política nova que resulte. Só mesmo fazendo tábua rasa de tanta mordomia que o país não tem capacidade de suportar, conseguiriamos E a corrupção? E os direitos de superficíce já conquistados? E as reformas douradas? Poderão mudar se mudarmos as moscas? O mal está feito! Que Estado de Direito pode mudar este paradigma? Só se os levarmos todos a tribunal com o argumento de que andaram todos a legislar em causa própria.

11 fevereiro 2008

Um eco estranho.

Depois de editar aqui “Os nossos senhores – II”, um amigo alertou-me para o facto do texto ir ao encontro de um artigo que o General Garcia Leandro publicou nesse último Expresso. Como não sou comprador do jornal não tive oportunidade de o ler, e só agora, depois de MSTavares ter comentado o assunto e a questão estar a ser debatida, é que o consegui ver aqui na net. Um excerto do que escreveu o general:
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“... Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.

Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.

Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.

É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria. ...”

Talvez estejamos a empolar o que ele escreveu acabando a leitura por ser condicionada por esta postura de salvador de pátrias que o general nos apresenta, quando diz que já foi convidado. Daquela forma, cheira mesmo a maiorias silenciosas de muito má memória, porque aquela espécie de paternalismo de alguns militares os portugueses dispensam, embora muitos tenham saudade. Rectifique lá o que escreveu General, porque o Senhor sobreviveu ao 25 de Abril e fica-lhe mal confessar-nos que teve esses convites.
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Mas aquele texto deixou-me um pouco incrédulo, porque o carácter premonitório do meu post tinha em dois ou três dias um eco estranho, dado que foi escrito sem o conhecimento daquela notícia. O que então disse, e em muito é semelhante, foi apenas o resultado da leitura que faço do momento social e não político que vivemos, feito mais com os sensores da pele do que com outros sentidos. Não nego que me causou desconforto aquele eco e também por verificar que há quem pense que o que escrevi, pode ocorrer. É alarmismo? Antes seja, porque sou o primeiro a querer estar errado.
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08 fevereiro 2008

A Política Criativa

Há muito que não gosto deste jornal e do seu director, mas aqui fica o link da notícia: Deputado do PS quer saber nomes dos políticos que quiseram manter rendimentos secretos.

(Desculpem interromper (...) Estava o Luis Delgado, na SIC, e tive que ir desligar o som) Uffa!

Pouco direito moral temos para lamentar este país e os nossos bizarros comportamentos, se não nos mexermos na cadeira para o contrariar. Saúdo por isso o deputado Galamba por este pedido ao TC e o amigo que me enviou o email que transcrevo. Obrigado AC.

"Agora é que se vai ver se o Tribunal Constitucional está à altura das suas obrigações e responsabilidades. Se não aceder ao pedido efectuado pelo deputado António Galamba, do PS, (e aqui fica, para ele, a nossa humilde homenagem), poderemos concluir, como dizia o Eça, que este país é uma choldra. Este é um exemplo paradigmático da natureza dos políticos portugueses. Iluminados como sempre, na órbita da defesa dos seus interesses mesquinhos, descobriram a política criativa, à la carte. Já tínhamos a contabilidade criativa para nos baralhar as contas. Faltava-nos agora a política criativa, ao inventar-se e ao subscrever-se que, aquilo que por lei é público, a declaração de interesses, é ao mesmo tempo secreto, mesmo que se perverta a lógica natural das coisas, já para não falar da moral, que esta, há muito tempo, se revela como um mero apêndice residual no pensamento e nos comportamentos de muitos políticos portugueses, que se atascam cada vez mais nos meandros lodosos da favorecimento pessoal.
AC"

07 fevereiro 2008

Os Nossos Senhores - II

O que disse Joel Costa neste link do post anterior pode ser o resumo do que vemos escrito aqui na blogosfera e por aí nas tais conversas de café que o outro senhor não gosta, ou seja, começa a ser preocupante a sintonia entre muita gente de diversos quadrantes.

Nunca como agora desde o 25 de Abril achei que alguma coisa pode vir a correr mal. Este fosso que se cava entre nós, não é já só uma questão de ricos e pobres, é agora uma fratura entre Eles e o Povo e o que é grave, a meu ver, é que andam todos distraídos, parecendo não perceber que temos agora mais informação da injustificação dos seus ganhos escandalosos, excepto quando o secretismo que envolve os seus rendimentos não o permite. Chamo a atenção para aquela questão do vencimento anual do Governador do BP, comparada com a dos EUA. Alguma coisa deve ser feito e quando penso nestas injustiças vejo até efeitos rectroactivos para correcção dessas aberrações. É impossível a Nação e a democracia suportarem indefinidamente este estado de coisas, a que alguém chamou de “fartar vilanagem”, sem que isso não traga outras consequências. Mas Eles continuam calados e parece haver um pacto de silêncio. O cidadão começa a não entender e a revoltar-se com a discrepância entre as suas misérias e o suporte das injustiças a que é forçado. Os acontecimentos que íam incendiando França há pouco tempo são o aviso de algo que pode explodir de outra forma se não for acautelado. No nosso caso, qualquer alteração política mesmo que justificada num quadro reformador, pode fazer perder a paciência e num dado momento ser aproveitada e potenciadora. A prudência não é acabar com o fogo, prudente é não lhe chegar a pólvora. O que começa a ser preocupante já não é a situação do povo é o autismo dos nossos senhores, mas cuidado, de todos!

05 fevereiro 2008

Os Nossos Senhores

Aproveitei para este post o título do programa Questões de Moral, de Joel Costa, na Antena 2 que pode ouvir neste link: Os nossos senhores. O programa é longo, mas pode minimizar o Media Player enquanto trabalha, vale a pena ouvir.

Quando o Cavaquismo emergiu, previa-se que seria para durar porque a direita acabava de ter o acréscimo eleitotal da juventude com a alteração do voto para os 18 anos e se rebelava agora contra a geração de Abril. Cavaco iria ter a seu favor o resultado da contracção a que Soares nos acabava de sujeitar para reduzir a divida externa. As contas em ordem, a quebra dos preços do petróleo e as primeiras remessas dos subsidios da UE, iriam fazê-lo perdurar e poder usufruir do clima favorável.

Em nome de um país melhor para dali a 10 anos, decidi que engoliria um sapo vivo se isso representasse um país melhor para os filhos e se ganhassem com esse sacrificio político que teria que fazer.

Não foi fácil, ter que aturar o período áureo da explosão das tias e dos tios deste país, dos Jeeps e da moda Gucci e de toda a afectação e tiques na fala que contagiou até a mulher a días e deu excelentes rábulas ao Herman José. Saber que aquela juventude partidária, tomava à custa do erário público enormes pequenos almoços em hoteís para onde íam fazer reflexões sobre a forma como conseguir fintar os Fundos Europeus, era um desespero para um democrata que acreditou em Abril.

Passado todo aquele tempo de esbanjamento de oportunidades e incuria, a Europa continuava inacessível porque a base que elegeu Cavaco apenas queria mais-valias imediatas, e nem a confiança de um homem de mão no poder convenceu os tios a investir no país, pelo contrário, divertiram-se com a especulação na Bolsa, os Ferraris, as fraudes com os Fundos e os montis no Alentejo. Portugal divertia-se mas demagógicamente “era um oásis” e até tinhamos no eucalipto o “nosso petróleo verde”, só não tinhamos ainda o nosso Bolo Rei. Com isso hipotecamos o suor que nos sairá do corpo quando a torneira fechar já amanhã. Nunca houve verdadeiros projectos empresariais para o pais. O resto, foi o que se viu, até ao actual governo de Sócrates.

Esta classe empresarial, a pior de todas e a mais mal preparada da Europa, salvo excepções, vem conquistando aos trabalhadores tudo o que reivindica e só já lhe falta agora a última: o resto da liberalização total do mercado de trabalho, para despedir quando e como quizer, para tudo ficar na mesma. Nessa altura o tecido social que compõe a nossa economia passará a ser uma precaridade definitiva. Estes senhores não conseguiram ler os sinais da adesão à Europa, não se formaram, não se prepararam, não jogaram no futuro, é uma classe de senhores sem classe que aproveita agora a úlima chance: vender aos espanhóis.

01 fevereiro 2008

A Jornalista e o Bastonário

Vou ter que rever o meu conceito de Populismo, depois daquela loura que entrevistou o Bastonário ter levado a noite a perguntar-lhe: quem?, tendo como objectivo principal obter uma caixa jornalistica, esquecendo a entrevista. A provocatória foi constante nas perguntas e a acusação de populismo que pôs em cima da mesa foi o golpe soez na boa fé de Marinho e Pinto, que sentiu a vilania da intenção. Como eu o entendi naquele momento.

Há neste círculo pequeno que é Portugal uma moda de usar e estar na política. Mexer neste status quo provoca a injeva dos incomodados. Entrar neste clube de elite onde todos se conhecem, sem ser convidado e alterar as regras do clã, será sempre um suicídio porque as desavenças esbatem-se todas no afã de proteger a casta. Percebo agora melhor o que pode ser a poderosa arma da acusação de Populismo. Vejo agora que não vão faltar acusadores, porque este clube tem tentáculos infiltrados por todo o lado. Para além deste universo partidário, estão também familiarmente na Comunicação Social onde temos cada vez mais mercenários da palavra e uma confrangedora falta de Jornalistas, estão na Finança, no Estado, no Autárquico, estão por aí a beneficiar desse condomínio fechado que todos se afanam em proteger. Desanima porque acreditei neles, vê-los correr a apagar este fogo, misturando-se naquela mole de vendidos, o problema é que muitos não se dão conta que já foram assimilados pelo monstro que julgam combater.

Não tirem alguns leitura errada deste post, porque não perdi ainda esperança nos ideais desta República.

29 janeiro 2008

Conversa de Café? Reeditado

E a si que já foi a sufrágio e o vi sair com o rabo entre as pernas por ter tido apenas os votos da sua rua? Que credibilidade - nesta questão do Bastonário - nos merece, do alto da sua arrogância intelectual, quando disse na televisão?:

- São declarações ao nível da conversa de café!

Onde fala você com credibilidade? Na casa de banho? Onde a conversa se compõe numa descarga com cheiro a alfazema? São desprezos destes pelo cidadão que me fazem perder a fé numa grande parte dos políticos. O cidadão para si é um verme de encher, gente reles que se assume também no direito de pensar. Nada daquilo que dissermos na mesa do café faz parte das suas preocupações, de tal forma anda distraído. Mal empregado o sustento mensal que lhe damos, porque são políticos com a credibilidade já sufragada como a sua que nos inquinam o sistema e que lá no fundo não deixarão de fazer também parte da justa preocupação do Bastonário.

Post Scriptum, em 31-01-08. Sobre este tema, vale a pena ler esta crónica de José Júdice, no Jornal Metro, de 30-01-08: "O segredo do chinelo".

Post Scritum, em 01-02-08. E digo-lhe mais, depois da entrevista do Bastonário e daquela conversa dos sobreiros, faz agora mais sentido e entendo o porquê dessa “conversa de café”. Percebo então que ele seja para si um alvo a abater.

25 janeiro 2008

Vamos defender o Bastonário

“... se não pudermos fazer nada, dizer que sabemos que as coisas se passam, é uma forma de combater. Nós estamos aqui e estamos conscientes» (16/03/07).

Do livro de Lídia Jorge "Combateremos a Sombra", referido por MMCarrilho, aqui.
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A legião de revoltados com as declarações do Bastonário dos Advogados Dr. Marinho e Pinto, a propósito da criminalidade grave nas altas esferas do estado, e por detentores de cargos na administração pública, não é surpreendente, é antes reveladora do mau estar que causam sempre estas generalizações na área dos atingidos. Ou seja, todos sabem que existe mas só pode ser sabido à boca calada, é proibido referi-lo publicamente, porque não há provas, porque não se concretiza, por causa do labéu, etc., etc.. Preferem manifestar a sua ofensa em uníssono, por causa da vulnerabilidade (!) do povo, em vez de disponibilizar a ajuda preciosa, por isso ainda hoje lemos o ranking que analisava a credibilidade das principais profissões e infelizmente lá estava a má notícia para os políticos. A "fatiota" não serve evidentemente a todos, mas serve a muitos e alguns passam-nos pela Internet de email em email. Custa-me esta defesa esfarrapada dos políticos que elegi, e senti-los assim todos conluiados nesta omertá, apoquenta-me. Não seria mais prudente ouvirem o povo pela voz de quem se afoita, do que se apressarem a acender a fogueira de mais uma pira que dará o exemplo a quem se atrever na imprudência das palavras?
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22 novembro 2007

Estradas de Portugal

De Portugal, por enquanto.

Esta das Estradas de Portugal e dos 75 anos e não sei mais que coisas difíceis de aceitar, nem eu percebi e foi para mim de todas a mais estranha. Porque 75 anos?!... Nem os meus netos vão assistir ao fim desta concessão que a páginas tantas vai virar empresa privada! Duvido que a Direita se permitisse fazer isto! Aquilo não se auto sustenta? Bom, mas então assim vai começar a dar lucro? E quem paga? O negócio está avaliado em 11 500 000 000,00 de Euros. Não sabe ler? Dou uma ajuda, são 11,5 mil milhões de Euros. Tssst!... como diz o outro. Estraaanho ...

Nem de propósito, os espanhóis subiram hoje a sua participação na Brisa para quase 20%. Estraaanho...

17 maio 2007

Afinidades Cívicas

Dito isto aqui, eu arriscaria que há também uma validação das nossas novas convicções, através do teste por que passam nessas afinidades, como se isso resultasse numa espécie de aprendizagem que nos permite da mesma forma fazer parte de uma familia politica, sem o sufoco da falta de liberdade que este sistema não resolve.

O PS não percebeu ainda a mais valia de ter um Movimento de reflexão como este e com estas virtualidades e lá vamos ter outra vez o tal Sr.da Silva aos saltos num comício, invectivando nestas autárquicas como o fez nas presidenciais, esquecendo que daqui a mais dois ou três anos já ninguém se lembra do Sr. Silva e ao contrário, a nossa memória guardará quem tiver estatuto para isso.