Mostrar mensagens com a etiqueta Santos Populares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Santos Populares. Mostrar todas as mensagens

14 junho 2009

Melhorar o Arraial - II


Disse aqui há dois anos que era possível melhorar as Festas dos Santos Populares, mas a evolução vai no mau sentido. Verifica-se que o aproveitamento dos profissionais do torresmo e do courato estão a matá-las e a fazer delas um evento sem graça e sem matriz, que tinha tudo para ser um postal típico de Lisboa. Ver estranhos aos bairros populares entrar por ali para fazer comércio, todos ao molho, numa algazarra igual à que montam nos arredores dos estádios de futebol, é desvirtuar tudo. Competiria à Câmara disciplinar, impor regras, formatar até o que fosse possível, chamar os moradores ou os seus representantes e empenhá-los, apelar ao asseio de tudo aquilo, à decoração, dar efectivamente o ar popular que as fez nascer excluindo o que já não toleramos agora, e não a oferta do cenário que vi entre o Limoeiro e o Largo da Graça, o mesmo que podemos ver amanhã ou depois numa qualquer feira sem um pingo de tradição. Não é destes Santos Populares que tenho boas memórias, e quem nos visita leva uma imagem distorcida da origem de tudo isto.
.

26 junho 2007

47


Melhorar o Arraial

A má experiência do ano passado numa das noites de Santos Populares num local onde não devia ter comido sardinhas nem bebido sangria, levou-me a partir dali a achar que seria possível fazer com que esta forma tradicional de fazer arraiais pudesse ser melhorada sem lhes tirar o cariz popular que os caracterizam.

A minha proposta, deixando que tudo ocorra no seio da iniciativa popular, apela no entanto para uma “entidade” que publicamente evidenciasse as boas práticas da oferta, sem imposições e sem perda da genuinidade dos festejos de cada bairro, de cada rua ou de cada pátio. Os bons exemplos distinguidos passariam a ser emitados pelo resto da comunidade. Essa distinção, tendo já o prémio de ser pública, não precisaria de outros prémios para não distorcer o carácter popular da mesma, funcionando mais como um motivo de orgulho para a zona ou para o promotor, não invalidando que não fosse criada uma atestação (uma espécie de bandeira azul) passada pela entidade que acompanhou e aconselhou nos festejos.

A ideia é que com pequenas intervenções e aconselhamentos se consiga com relativa facilidade corrigir hábitos enraizados que não faz sentido esperar que seja o tempo a mudá-los. São os alguidares de àguas turvas, o peixe maltratado antes de assado e o trapo sujo que vira pano. Mas também, a comunidade que não é chamada a ter outros cuidados no tratamento da sua zona, da sua banca, da sua porta, janela, estendal etc.. Os nossos bairros populares têm aquela condição especial para a festa da proximidade entre os cidadãos. Torná-la mais urbana, através de cuidados de que hoje se nota a falta, não a mataria, pelo contrário talvez a recolocasse de outra forma no roteiro turítico interno e externo. Melhorar é possível, mas parece haver quem não saiba como.