25 janeiro 2008

Vamos defender o Bastonário

“... se não pudermos fazer nada, dizer que sabemos que as coisas se passam, é uma forma de combater. Nós estamos aqui e estamos conscientes» (16/03/07).

Do livro de Lídia Jorge "Combateremos a Sombra", referido por MMCarrilho, aqui.
.
A legião de revoltados com as declarações do Bastonário dos Advogados Dr. Marinho e Pinto, a propósito da criminalidade grave nas altas esferas do estado, e por detentores de cargos na administração pública, não é surpreendente, é antes reveladora do mau estar que causam sempre estas generalizações na área dos atingidos. Ou seja, todos sabem que existe mas só pode ser sabido à boca calada, é proibido referi-lo publicamente, porque não há provas, porque não se concretiza, por causa do labéu, etc., etc.. Preferem manifestar a sua ofensa em uníssono, por causa da vulnerabilidade (!) do povo, em vez de disponibilizar a ajuda preciosa, por isso ainda hoje lemos o ranking que analisava a credibilidade das principais profissões e infelizmente lá estava a má notícia para os políticos. A "fatiota" não serve evidentemente a todos, mas serve a muitos e alguns passam-nos pela Internet de email em email. Custa-me esta defesa esfarrapada dos políticos que elegi, e senti-los assim todos conluiados nesta omertá, apoquenta-me. Não seria mais prudente ouvirem o povo pela voz de quem se afoita, do que se apressarem a acender a fogueira de mais uma pira que dará o exemplo a quem se atrever na imprudência das palavras?
.

23 janeiro 2008

Saramago, cada vez mais.

Digo isto, porque dá indicações de recuperar da convalescença em que se encontra projectando recomeçar o livro que está a escrever, em Abril, e também, para que fique claro que as minhas divergências profundas com as suas opções iberistas, são apenas isso: divergências profundas.

21 janeiro 2008

A BANDEIRA NACIONAL - II

Caro Egas, face ao deserto que é a falta de comentários dos amigos que convoquei para esta questão, o desenvolvimento generoso que deste ao teu comentário, é uma honra. Responder de forma clara, tornaria a caixa de comentários uma estopada e retiraria o efeito mais visível que acho que a resposta merece. Porque não é matéria onde é fácil convencer alguém a mudar de opinião, limito-me apenas a justificar porque vejo a nossa bandeira assim, embora fosse desnecessário uma vez que dizes “compreender”.

Certamente que não duvidas da intensidade com que gosto do nosso País/Nação, porque já leste aqui o suficiente para verificar que essa é aliás uma tónica de grande parte do que escrevo. Isto, não quer dizer que goste da mesma forma do meu País/Região ou de tudo o que o represente, porque ambos sabemos reconhecer o muito mau de algumas coisas que nos representam. O paradoxo é que temos que reconhecer que nos representam bem, porque representam infelizmente uma parte do que somos. Assim o escalpe da minha reflexão sobre a Bandeira, não deve ser entendido de outra maneira que não seja a análise fria daquela representação “formal” de Portugal, porque, o conteúdo dessa representação estará sempre salvaguardado pela matriz a que me orgulho pertencer. Mas vejamos:

“...São símbolos quase sagrados que existem num nimbo etéreo”. - Ainda bem que não o são totalmente, porque senão teríamos aí um problema. Mas, sagrados?! Os Estados do Ocidente são laicos! Surpreendes-me porque, mesmo sendo religioso nunca deverias atribuir ao um símbolo estatuto desses: nem sagrado, nem profano!

“... se não mesmo uma traição à História Nacional...” - ( ! ) Por momentos a palavra assustou-me, Egas. Deduzo então que quando D. Manuel alterou, traiu a História Nacional, igualmente quando a República alterou, traiu a História Nacional, se no 25 de Abril – uma revolução - tivéssemos alterado, teríamos traído a História Nacional, e todos os réis que mexeram na bandeira andaram a trair a História Nacional? A Espanha anda desde 1931 a trair a sua História Nacional: já leva cinco alterações,
vê aqui. Francamente, não me parece que as coisas possam ser ditas desse modo.

“ ... uma certa associação da Bandeira Nacional ao Estado Novo.” - Tu és um filho do 25 de Abril, nasceste em plena liberdade. Nunca viste aquela bandeira apropriada por uma doutrina castradora, porque todas as que viste na tua juventude irradiar à tua volta eram o resultado do efeito daquela garrafa de champanhe. Aquela bandeira para ti estava limpa, era uma bandeira com a liberdade agarrada. Ao contrário, eu nasci em pleno Estado Novo, os ideais da implantação estavam mortos e nada me diziam. Nasci numa terra e com gente com uma forte consciência das liberdades a que tinha direito. Tive familiares próximos, presos por acharem que lhes cortavam as suas liberdades. A minha escola foi feita com livros onde aquela bandeira era empunhada por meninos fardados com o verde e os símbolos da ditadura nos cintos e nos bonés e a saudação era feita de braço no ar. Vi colegas em formatura desmaiarem ao sol, numa cerimónia oficial com todos os símbolos do fascismo ali misturados. Não me peças que limpe esta imagem que tenho desde a infância. A instauração da República não sei o que foi, sei o que foi a perpetuação da Ditadura enrolada nesta bandeira.

“...A Bandeira Nacional espelha a nação que representa, sendo, por isso, um compêndio da sua História....” - Felizmente que as coelhinhas do Playboy não foram nenhum símbolo representável daquela época, senão teríamos que os aturar agora na bandeira, ou então que a representação da escravatura não era um símbolo elegível para a bandeira, senão teríamos hoje que andar a esconder a bandeira. Eu não me orgulho de tudo quanto fizemos na nossa história, e não vejo que uma bandeira tenha que ser um compêndio da sua História,
verifica aqui estas. Quanto aos símbolos religiosos da bandeira remeto para o que disse mais acima.

“...o vermelho será o sangue e a esfera a representação da epopeia dos descobrimentos, e com ela tudo o que de mau os portugueses fizeram durante essa época (genocídio, escravatura, etc) ...” - Dito desta forma irónica parece estares a negar a existência da escravatura, o que nem acredito.

“... E porquê o verde-azeitona? Só por ser mais compatível? Porquê os louros?!, símbolo que não apresenta qualquer associação próxima com Portugal.” - Agora achas que inventei alguma coisa, mas remeto-te
aqui para esta imagem onde podes ver que não inventei verdes nem louros, já existem e fazem parte do chamado Estandarte da Bandeira Nacional e são exibidos pelo mundo fora pelo Exército Português.
.
P.S. - Aqui fica um trabalho de Josh Parsons, " The world's flags given letter grades " com algum interesse, sobre as bandeiras mundiais, que tem o mérito de ter partido de uma metodologia préviamente criada e responde a algumas das questões que aqui levantei.

13 janeiro 2008

A BANDEIRA NACIONAL

.







UMA NOVA IMAGEM.

A MESMA BANDEIRA
.
em 2010


Comemoração dos 100 anos da Implantação da Republica e
Comemoração dos 900 anos da Fundação da Nacionalidade


Esta proposta da remodelação da bandeira é apenas a adaptação do estandarte de formato quadrado em uso pelas Forças Armadas Portuguesas, ao projecto da Nova Bandeira Nacional que se deveria efectuar nas comemorações a realizar em 2010, para com esta alteração homenagear:

- A República que comemora os 100 anos da sua implantação em 1910.
- E Portugal que vai comemorar os 900 anos da sua fundação em 1110.

Esta imagem resulta visualmente mais equilibrada, e a razão para a apresentar é tão nobre que não teremos tão breve uma data tão significante. São apenas cinco alterações, mantendo-se identificada a bandeira, uma vez que é difícil justificar neste contexto, alterações mais profundas:

- As cores passam a ter a proporção igual na bandeira.
- O verde altera para o tom azeitona, mais compatível com o vermelho.
- A esfera armilar é envolvida com a coroa de louros do estandarte.
- A simbologia deveria ser revista por manifesta desadequação à actualidade.
.
Porque a fita que envolve o escudo tem uma inscrição que pertence às Forças Armadas, nessa recomposição deveria ser analisado em conjunto o sentido das diversas simbologias inscritas no brasão de armas, como os castelos ou as chagas por exemplo, que têm uma representação que já não faz nenhum sentido hoje. A inclusão dos louros resolve o problema da limitação daquela isolada esfera armilar e do seu perdido efeito visual no centro da actual bandeira. Basta atentar na nova imagem da proposta e na manutenção da identidade que ela continua a representar, para se tomar este projecto como derradeiro face ao momento para que se propõe.

2007 – Proposta da Portugal Europe’s West Cost (recusada)


Esta bandeira azul, foi a proposta de alteração apresentada pela campanha actualmente em curso sobre Portugal, mas não considerada ou recusada. Todos sabemos que há com Portugal um problema de imagem, mas todos sabemos da dificuldade dessa inversão, temos bons vinhos, bons sapatos, bons produtos etc., mas falta de imagem, porque são outros factores que pesam na sua modificação. Vemos também com alguma frequência outros países fazer essa publicidade, não sendo por isso errado tentar por esta via comunicar outra imagem que altere o estereotipo que alguns têm de nós. Mas o erro não foi só este projecto de bandeira aparecer neste contexto. Tão errada foi a alteração proposta, porque a cor azul apresentada seria retomar o inicio a o fim das cores da Monarquia que tiveram bandeiras azuis, e azul total é também a bandeira da União Europeia! Uma campanha publicitária, apesar da sua qualidade, não é um motivo suficiente para alterar uma bandeira.

1910 – Implantação da República


1110 – Fundação da Nacionalidade

A nova imagem proposta não foi outra, por se conhecer o pensamento reticente e conservador dos portugueses nesta matéria, e para se mostrar que é possível, manter a nossa identidade com a bandeira sem uma alteração radical. Não me referi muito às alterações da simbologia, mas chamo a atenção para a análise que Fernando Eloy faz de Macau, aqui neste post, que subscrevo. As bandeiras nascem a maior parte das vezes no seguimento de acontecimentos ou revoluções profundas, e isso faz com que passem a exibir representações relacionadas, mas uma bandeira deverá ser um símbolo unificador.

Concordo por isso que se analise a questão dos símbolos, embora sejam pequenos detalhes numa visão global da bandeira, porque também não gosto de ver lá os troféus do sangue que fizemos aos mouros e outros, numa falta de respeito por esses povos, ou os símbolos que nada têm a ver com o Estado laico que somos, e nos quais não me revejo nem um pouco, parecendo que aquela bandeira é só dos portugueses com uma determinada crença religiosa.


Assine a: PetitionOnline
.
.

10 janeiro 2008

Os Amigos e o Emails

Certamente concordam que o email trouxe às nossas tarefas diárias uma redução do tempo disponível. Todos os dias há que abrir, limpar, reciclar, guardar, responder, enfim uma trabalheira, alguns dias sem abrir e o trabalho é a multiplicar pelos dias que passaram. Eles chegam com as mais variadas vulgaridades, e também motivos de interesse. Mas chegam também replicados pelos diversos amigos da lista que querem ter a bondade de nos manter informados das últimas cambalhotas e anedotas que já lemos várias vezes nos últimos tempos. O problema, põe-se quando queremos mesmo comunicar com o amigo por este meio. Que título vamos dar ao nosso email? Se não tivermos cuidado, vamos correr o risco de lhe dar um nome e o amigo diga: Ah pois Assunto Importante! O que tu queres sei eu!... E zás ,lá vamos parar à reciclagem. Ou então, escolhemos um nome mais sério e estamos a ver o amigo: Ah pois Reformulação da Bandeira!... Brincadeiras, o que tu queres sei eu! E pronto novamente lixo. Começo a ficar confuso, mas repugna-me ter que titular um email com a única hipótese de ser lido, mas não há alternativa, o próximo vai ser: Calendário Pirelli 2008.

73


Notícias e/ou Anedotas

Um médico espanhol vociferando na Televisão contra o facto de não o deixarem conduzir a sua viatura, de matricula espanhola e de ser obrigado a mudar a matricula para Portugal:

- Só se vier de burro!...

Não, cuidado! Nós preferíamos de médico!...Os burros cá, estão em vias de extinção e são levados para quintas de preservação da espécie.
.
.
.
Ouvido na TSF hoje. A venda da antiga Prisão de Setúbal, foi efectuada a um ex-sócio do Ministro da Justiça numa sociedade de advogados, parece que tudo numa operação legal. Claro, nem duvidamos!

Oh, lembrei-me agora desta! Sabem aquela do alentejano que é apanhado pela Guarda com um porco roubado às costas?

- Ó compadre está preso porque leva aí um porco roubado.
- Aondi?
- Aos ombros!
- Hum! Xô porco...
.

07 janeiro 2008

Cá pra nós, Tio. Ok?




Um dia destes saberemos como te chamas, talvez seja a tua figurita a determinar o nome, e convenhamos, é mais adequado porque podes vir mais bonito que o nome e depois não há remédio, por enquanto, basta-nos saber-te afadigado em descanso, porque o poder da vida se encarrega desse abono, uma pêra doce para ti, consciência que ainda não tens mas, mais depressa do que pensarias se já pensasses, virias a ter. Mas vai ser assim ainda muito tempo, só peço que não te distraias, quando chegar uma altura em que te sintas desconfortável e empurrado, é sinal que está na hora e estão a correr contigo. Não tenhas medo do aparato cá fora, aquilo são só ajudas, nem vais cair no chão, despacha-te! Ok? Zac...

06 janeiro 2008

05 janeiro 2008

72



Vencimentos e Mordomias

Finalmente o país fala oficialmente no escândalo da disparidade de vencimentos entre gestores e trabalhadores. Paradoxalmente é Cavaco Silva a abordar esta questão, no que foi uma jogada de mestre com olho na popularidade, mas não é por ela que tudo isto vai mudar. Nem os trabalhadores vão passar a ganhar mais, nem os senhores que se auto-renumeram vão baixar os seus vencimentos, ponto final.

Mas Cavaco foi redutor nos alvos, não são apenas os Gestores os maus da fita, porque os portugueses desconhecem os valores escandalosos de outros vencimentos e aposentações, onde podemos encontrar desde políticos a magistrados, por isso, não ouvimos ninguém manifestar-se, porque um dia chegará a sua vez!... A disparidade é gritante, na Alemanha aquelas diferenças são da ordem de 10 vezes mais, em Portugal ganham 32 vezes mais do que os trabalhadores!... Em dinheiro de caixa no final do ano, na Alemanha levam para casa cerca de 170.000 Euros, em Portugal levam 257.000 Euros!... Um absurdo, um abuso, uma vilania! Terceiro Mundo.

Recupero aqui os links de três abordagens do assunto: "Uma resposta" - "Oligarquias & Sinecuras" - "Os Apaniguados"

01 janeiro 2008

71



Até o tempo parece cansar-se da espera e da suspensão de tudo. A lembrança do que esteve na origem da Lenda de manhãs de nevoeiro, deveria por-nos a salvo da ingenuidade com que ciclicamente entregamos o destino em mãos alheias, porque só temos uma vida.

Façam o possível para termos todos um melhor 2008.

29 dezembro 2007

70


.
MÚSICA NO BLOG
.
Ouve tempos em que não gostava que me dessem música sem aviso. Agora o gosto é outro e passei a entender que só ouço se quero. Prometo não deixar ficar cada estilo musical muito para além do aceitável.

27 dezembro 2007

69


.
Ponte Romana em Alter do Chão. Monumento Nacional. Século I.

Resiste há séculos suportando todo tráfego entre Ponte de Sôr e Alter do Chão, no Alentejo, até quando? Só chegaremos à conclusão de que o limite de velocidade exigida e a passagem de um veículo de cada vez não foram suficientes, quando a degradação se tornar irreversível. Não seria altura de a dignificarmos, aliviando definitivamente a carga rodoviária e projectando-lhe as luzes da ribalta que merece?

26 dezembro 2007

Os Ingleses. Outra vez!...

Cretinos como Tony Parsons continuam a encontrar apoio na orientação panfletária de jornais como o Daily Mirror para atacar Portugal, a polícia, os jornais e os portugueses em geral, numa sanha persecutória xenófoba e racista que merece da nossa parte a devida resposta.

Joana Morais atenta à pulhice destes bastardos alerta-nos aqui neste post: Tony Parsons and Daily Mirror, para mais este ataque que não devemos deixar passar em branco. Vá lá e faça o seu protesto nos links incluídos no post.

E oficialmente, alguém faz alguma coisa? Não há nada para reparar? Temos que ser só nós aqui a prestar este serviço à Nação?

25 dezembro 2007

Troca de Presentes


" Há algum tempo atrás, um homem castigou a sua filhinha de três anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado.

O dinheiro era pouco naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina a embrulhar uma caixinha com aquele papel e a colocá-la debaixo da árvore de Natal.

Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menina levou o presente ao seu pai e disse: “isto é para ti papá!”

Ele sentiu-se envergonhado da sua reacção furiosa, mas voltou a “explodir” quando viu que a caixa estava vazia .

Gritou e disse: “Tu não sabes que quando se dá um presente a alguém, se coloca alguma coisa dentro da caixa?”

A menina olhou para cima, com lágrimas nos olhos, e disse: “Oh, papá, não está vazia. Eu soprei beijos para dentro da caixa. Todos para ti, papá”

O pai quase morreu de vergonha, abraçou-a e suplicou-lhe que o perdoasse.

Dizem que o homem ainda hoje guarda a caixa e sempre que está triste, mal-humorado ou deprimido pega nela e tira de lá um daqueles beijos imaginários.


Desta forma simples, mas sensível, cada um de nós já tem recebido uma destas caixinhas douradas de pais, filhos, irmãos, avós, tios, primos, amigos...

Esta não é dourada mas lá dentro tem um presente muito especial para quem a receber.

Muitos sussuros de votos de Bom Natal e óptimo 2008! "
.
Este caixinha com estes votos, calhou-me a mim na troca de presentes de amigos neste Natal. Obrigado Zé e Mili, foi melhor do que se tivesse vindo cheia.

Autor do conto trazido pela Mili, desconhecido.

23 dezembro 2007

Ainda sobre Saramago

Aditamento e resposta a comentário no post Saramago, cada vez menos.

Quer se queira quer não a importância da territorialidade é uma imanência do mundo animal, anterior portanto aos alvores do Homem. A invasão e derrube das demarcações entendidas por cada um à sua maneira, é ainda um dos principais motivos dos seus desentendimentos.

Fazer parte de um grupo ou de um povo é também partilhar um património que pode até ser imaterial, como a Língua. Sentir a perda desse património pela indução de qualquer pressão, conflitua naturalmente com a matriz inscrita em cada individuo, a uns mais do que a outros, porque não somos todos iguais. Deve ser por este principio, a que sou alheio, que rejeito pertencer a um grupo que à cerca de 900 anos vive um território e um património diferentes dos meus e a abdicar, apenas pelo jeito que dava, a chamar ao meu povo pelo nome da península. Continuo assim a entender que não é a importância de um Nobel que legitima que se passe a escrever tudo quanto ele diz sob esta matéria.

Fala-me do povo galego e do transmontano e ainda bem, porque aí, trata-se de um património imaterial quase comum. Peço-lhe que dê um vista neste Portal Galego da Língua para ler sobre aquele bem comum e dos sentimentos de proximidade de que se fala ali. Esta, é a mesma que eu sinto por eles apesar da distância, e não sinto com a Espanha da Estremadura aqui ao lado, apesar de vizinho. Porém, até hoje ainda nenhum cidadão espanhol superou a cordialidade do meu trato.

Eu também não tenho respostas certas para nada e registo a humildade com que diz que também não as sabe e que é para si uma questão em aberto, o que é prova de sabedoria.

P.S. – Quanto ao tal apoio mútuo nas invasões francesas, acabou por resultar na perda, ou melhor, na não devolução de Olivença, como sabe! Sobre isto, peço-lhe que aceite mais esta sugestão de leitura onde pode verificar que as coisas não foram assim.

19 dezembro 2007

Em Portugal não vemos isto!

Isto vem a propósito de uma Petition Online para a: Não à implementação das novas medidas de higiene alimentar da A.S.A.E., já!

O estrangeiro sempre foi para nós uma bitola de aferição dos nossos atrasos ou daquilo que fazemos mal, sendo frequente ouvirmos a queixa: Lá fora não vemos isto! Descontando a falta de convergência económica, estamos agora a evoluir e a esbater diferenças, conseguindo até fazer melhor, e tem havido marcos recentes a partir do quais esse paradigma se alterou. Portugal está em alguns aspectos a forçar mudanças de mentalidades que são sempre reticentes e mais lentas que o próprio progresso.

Os portugueses são na sua higiene pessoal asseados, mas bastante negligentes em termos de higiene pública. A mudança necessária só podia ser feita compulsivamente, porque de nada serviram as normas e os modelos anteriores Nós éramos ainda há pouco o país onde vi turistas fotografarem para recuerdo, numa praça, a bancada do peixe de um ângulo arrasador: uma balança de ferro, os pesos enferrujados e uma rodilha escura suja e ensopada, eram o encosto de peixes mal amanhados. Essa, é agora uma imagem cada vez mais rara.

As cozinhas dos restaurantes, já nos vão dando agora mais confiança no que comemos, quanto mais não seja por receio da fiscalização. E muitas irregularidades eram apenas problemas decorrentes da incúria. Já vamos entrando agora nos lavabos sem ter o autoclismo avariado ou a falta de sabão e papel, e sem sairmos de lá com os pés duvidosamente encharcados e mal cheirosos.

São já muitos os exemplos que podem atestar mudanças positivas, e quanto às Bolas de Berlim que estão a servir de bandeira, conheço por aí algumas Helenas que vomitavam as que tinham comido se vissem algumas das unhecas que as fabricam. É tempo de acabarmos com os copos passados por um alguidar para servir o cliente seguinte. Um amigo dizia-me ter visto à pouco no estrangeiro uma cena de venda de alimentos na rua de forma anormal e que a expressão que lhe saiu foi esta: Em Portugal não vemos isto! Podemos estar em vias da mudança do discurso. Então em que ficamos? Queremos ou não superá-los? Agora que começamos a por ordem e nos deixamos da javardisse em que temos sido pródigos em termos de higiene pública, já achamos que assim não vale? Ou lá porque estamos a fazer melhor que os outros e que os excedemos, já somos tolos? Não será isto falta de confiança em nós próprios? E porque deve o cidadão normal que beneficia destas medidas apoiar o seu boicote?

14 dezembro 2007

67


Ota ou Alcochete?

Poucos de nós terão o conhecimento necessário para ter em relação à localização de um aeroporto uma opinião incontornável. Opinar assim, pouco mais é do que, eu acho que.

Contudo, cada vez mais começa a parecer que a opção Ota não era a única possível, nem a mais barata, nem a mais aconselhável. A maior parte dos pareceres técnicos e opiniões começam a coincidir, porque as diferenças são enormes vistas de todos os ângulos, fazendo assim sentido aquela opção que todos achavam estranho não estivesse a ser equacionada, de cada vez que se olhava para aquela área tão plana e natural para a exigência de um projecto com aquelas necessidades. Alcochete é mais do que uma alternativa, começa a ser uma certeza difícil de descartar que ninguém perceberá se vier a ser chamado a pagar mais não sei quantos mil milhões pela diferença. Mas isto, posso ser eu também a achar que.

12 dezembro 2007

Música de Natal

Compensando os postais de Natal que não recebam, fica aqui durante esta quadra uma boa colectânea de Natal que encontrei. Aguarde apenas uns segundos.

Bom Natal a todos.

07 dezembro 2007

65


O Postal de Natal

Os poucos que o faziam por correio perderam a tradição. O postal é agora virtual e sem magia e vai para uma lista de endereços apenas num clique.

Cumprimos agora um ritual cada vez mais longe dos afectos que a nossa memória ainda nos trás, julgando cumprir o Natal, mesmo aqueles para quem esta quadra é um dogma de Fé. Compete-nos então escolher que tradições não queremos perder com a voracidade da evolução dos tempos.

Faço votos para que a memória vos traga um velhinho postal de Natal.

05 dezembro 2007

64


Saramago, cada vez menos.

O recente documentário da SIC sobre Saramago, é uma entrada na sua vida privada e centra-se na sua aparição pública apesar de doente e muito debilitado, na inauguração da exposição sobre a sua vida, e de uma Casa museu. Ao mesmo tempo, ficamos a saber que está a ser acompanhado há mais de ano por um operador com uma câmara em permanência, para corresponder a um projecto cinematográfico de Pedro Almodôvar, cujo título ou tema julgo ter ouvido bem, é a União Ibérica. Isto, depois de termos tido o espanhol Carlos Saura a levar só da Câmara de Lisboa um milhão de euros, mais não sei quanto do Turismo de Portugal, para nos fazer um filme sobre o fado que só consigo ver na sala 2 do espanhol El Corte Inglês, é obra!

Se juntarmos todas as declarações que têm sido produzidas, também por ele, neste espaço de tempo, verificamos que alguma coisa tem andado a ser “trabalhada” para produzir esse efeito do levantamento da questão Ibérica, e a inauguração agora de uma casa de cultura portuguesa em Lanzarote com parte dos seus bens pessoais, por um ministro espanhol, é, em termos culturais, uma cena patética.

Saramago deixa em Espanha um produto cultural português que deveria ter curado de deixar em Portugal. Não lhe perdoo mais esta, como não lhe tinha perdoado declarações anteriores, porque não foram os espanhóis que se ofenderam com as afrontas de Sousa Lara, ministro de Cavaco Silva, mas sim os portugueses que manifestaram essa revolta, como aqui, “... o que temos sabido fazer, é correr com gente boa só porque alguma pretensa sujidade se lhes pegou. São tantos os exemplos que é mau dizer, para não excluir, mas ainda assim não posso deixar de referir três nomes: Saramago. Prémio Nobel. Foi corrido por um farçola de um tal Sousa Lara que desde aí, o que tem feito é andar com a justiça à perna ...”, ou aqui, “...estas “personalidades” que ajudei a dignificar, bramindo contra os odientos Laras dos consulados Cavaco, os tais que lhe vedaram então o acesso há Europa." , pelo menos até ao momento em que começou a iberizar o discurso e a revelar muito pouco sentido da Pátria em que nasceu. Já era tempo de deixar de se sentir perseguido, o Lara já cá não anda há muito e Cavaco já deve estar arrependido.

02 dezembro 2007

63





Parabéns Dr. Marinho e Pinto

A sua eleição a Bastonário dos adovagos é também uma vitória daqueles que acreditaram em si, como eu aqui: ao Dr. Ant. Marinho e Pinto, no O Envelope 9, e O Envelope 9 – II.

Porque falo de si, se nada tenho a ver com a sua área e não tenho interesses directos na forma como gerir os destinos dos advogados? É porque o tenho como um lutador por causas e não se acomoda como todos à sombra da protecção política ou de grupos instalados, fazendo isso de peito aberto, correndo os riscos que ninguém ousa neste país, onde o importante é garantir o sustento não afrontando poderes, e isso merece ser evidenciado.

01 dezembro 2007

O 1º de Dezembro


.

" A expressão Iberismo significa a tendência para integrar Portugal num todo peninsular. Tratando-se de um aspecto de carácter político sendo, por isso, uma questão que não tem existência ao nível popular, pois que a massa da Nação há muito deu provas de não sentir qualquer desconforto com a independência e constituir já uma individualidade tão fortemente estruturada que só manisfesta espanto ou indignação perante o artificialismo do problema." Esta definição encontra-se exposta no Palácio da Indepência.
.
Recebido por email, hoje: Rafael Valladares, historiador espanhol, no seu recente livro sobre a independência de Portugal, diz: "Quando digo a alguém que em Portugal não gostam que a companhia aérea espanhola se chame Ibéria, porque Ibéria é toda a península, eles ficam surpreendidos, porque pela primeira vez compreendem que Ibéria não é um nome justo. Ou, quando se pede a uma criança para desenhar um mapa de Espanha, ela desenha a Península Ibérica, e temos que lhe dizer que é preciso separar Portugal. Mas são actos inconscientes."
.
Nem todos os espanhóis são iguais, há alguns diferentes. Uma chapelada a Valladares.
.
Post reeditado

28 novembro 2007

Pub. Comunicação e Notícia

Agências de Publicidade, Agências de Comunicação, Agências de Notícias! Não gosto do estado a que deixamos chegar a mensagem. Sinto-me usado, ofendido e muitas vezes enganado. Deixamos mercenarizar a palavra. A Publicidade é descarada e invasora, a Comunicação é sibilina e camufla-se por vergonha, e a Notícia é ingénua e julga-se muitas vezes fiel ao facto. Nada tenho contra a Publicidade e a Comunicação enquanto não se travestirem e se fizerem passar por Notícia. Mas é aqui que tudo começa a ser subvertido. Apesar das regras, ainda é possível ler num jornal a notícia de que já voltaram os peixes ao rio X só porque as senhoras desataram todas desalmadas a usar o detergente Y. Ou então, que num período eleitoral o político Z bateu um record de palestras e entrevistas sem que conseguíssemos tão pouco ver onde estava a assistência ou qual foi a audiência. Mas desespero sobretudo, é quando me esbugalho pela Notícia e ela está convertida em duas linhas num canto abandonado, para que o espaço possa conter as promoções relacionadas com o grupo do proprietário dos media que a publica.

27 novembro 2007

O Financial Times


Que pena que os McCann não nos tenham saído Escoceses ou Irlandeses.
.
Nada disto teria acontecido. Aqueles pais não teriam cometido o crime de abandonar as crianças para se enfrascarem nos copos, teriam tido o cuidado de chamar primeiro a polícia em vez de avisar a imprensa, não teriam deixado ficar a nossa polícia com dúvidas respondendo a todas as perguntas e teríamos tido jornais e jornalistas inteligentes e não estes analfabetos do Financial Times que não conhecem o país com o qual têm uma das alianças mais antigas da Europa. Uma vergonha esta cultura hooligan.
.
O Algarve, segundo os ignorantes do Financial Times de 13 de Outubro.

23 novembro 2007

22 novembro 2007

60


Estradas de Portugal

De Portugal, por enquanto.

Esta das Estradas de Portugal e dos 75 anos e não sei mais que coisas difíceis de aceitar, nem eu percebi e foi para mim de todas a mais estranha. Porque 75 anos?!... Nem os meus netos vão assistir ao fim desta concessão que a páginas tantas vai virar empresa privada! Duvido que a Direita se permitisse fazer isto! Aquilo não se auto sustenta? Bom, mas então assim vai começar a dar lucro? E quem paga? O negócio está avaliado em 11 500 000 000,00 de Euros. Não sabe ler? Dou uma ajuda, são 11,5 mil milhões de Euros. Tssst!... como diz o outro. Estraaanho ...

Nem de propósito, os espanhóis subiram hoje a sua participação na Brisa para quase 20%. Estraaanho...

19 novembro 2007

De Rerum Natura

Fazendo-lhe apenas visitas a espaços, cometo com ele a maior injustiça perante a importância da sua contribuição no engrandecimento da blogosfera portuguesa. Mas aquela velocidade de produção, é uma pena, não tenho tempo para tudo. Ganhará quem tiver e for fiel. Aqui fica o reparo, na escolha aleatória deste post: ABCiência na RTP e do link permanente ali ao lado, que obviamente não espera nem quer retribuições, é apenas uma homenagem atrasada.

14 novembro 2007

Outra Humilhação Inglesa

(Post em actualização)

.
.Meus Caros, não admito o vosso alheamento da revolta com o caso que segue. Acabo agora de ouvir a notícia e estou completamente estarrecido e indignado, não só com o que ouvi, como com a forma com que os nossos responsáveis encaram mais esta afronta ultrajante, não só à nossa Polícia, como à Pátria, seja qual for o conceito que cada um de nós tenha dela. Leiam primeiro a notícia que já anda na comunicação social, mas pode ser lida aqui: PortugalDiário, ou aqui: DN Online, ou até no PRAVDA, por exemplo, ou no UOL (Brasil), na Sky News etc.etc.

É a primeira vez que abordo esta questão da Madeleine dos McCann e não é preciso referir, como nos envolvemos todos sentimentalmente neste caso, e nos envergonhamos agora de não ter feito o mesmo com as crianças e as famílias portuguesas que tiveram a mesma tragédia, aí sim, fomos “estrangeiros duvidosos” e a isso, respondeu a bestialidade e a arrogância inglesa com a costumeira agressão verbal. Só me refiro agora a este caso, porque finalmente, estou FARTO! Já nos bastou o enxovalho de Beresford! Estou farto da arrogância e vilanía daqueles grunhos que não sabendo beber cerveja, deveriam beber merda, e estou farto do chá que bebem de dedo espetado no ar para cheirar a caca que restou do cu da galinha. Merda também para a reciprocidade portuguesa que leva o nosso Ministro da Justiça a desqualificar esta porra destas declarações, subscritas depois pelo eurodeputado inglês Knapman, dizendo que o assistente Piers Marchant falou em seu nome. (!...) Haveremos de descobrir turistas que nos permitam usufruir do Algarve sem termos que nos sentir fora de casa. De cu para o ar, é que não. Ninguém pede ao menos demissão daqueles bastardos. E vocês, vão ficar parados a olhar para o que leram?
.
.
Uma sugestão aqui: AutoHoje fórum
.
Alertas importantes, aqui: Censuras & Difamação I, e em todo o blog de Joana Morais que está empenhadamente a defender-nos da cretinisse britânica.
.

10 novembro 2007

57


Dificuldades de Comunicação

Os portugueses comunicam muito bem no plano individual mas muito mal no colectivo, com um Estado pelo meio, que não sabe falar connosco. Vem isto a propósito dos fogos inéditos de São Martinho. Fiz em Setembro uma viagem pelo Norte e verifiquei a grande existência de queimadas por todo o lado. Havia ainda alguma humidade residual das chuvas que haviam caído e o fogo não pegava por isso, mas estamos agora em Novembro sem mais pinga de chuva e todos os agricultores sabem da secura das suas terras. Fica assim muito claro que a continuação daquelas queimadas só poderia resultar nisto.

Falhando a comunicação individual que fizesse circular a prudência nos fogachos, deveria haver uma forma de todos perceberem ao mesmo tempo aquilo que o bom senso mandava que não se fizesse. Mas nada. Se lá for agora, veremos o mesmo rastilho para os incêndios de amanhã, que vai por em risco mais património que é de todos, e mais vidas que morrem pela negligência de uma sociedade que fala muito mas não se entende.

09 novembro 2007

56


Os Sem-Abrigo - Parte II

As necessidades destas pessoas vão muito além de uma sopa, basta olhar para qualquer uma para se perceber que precisam de mais higiene pessoal, precisam de ter acesso a consultas médicas que os recuperem de males de simples tratamento por vezes, precisam de um tecto e de roupas de agasalho no Inverno, precisam de ter zonas onde possam repousar sem ter que vaguear de arcada em arcada, colidindo constantemente com a sociedade que não pode e não sabe conviver com estes problemas, havendo já de prova suficientes conflitos, precisam de ter zonas onde possam ter um convívio possível e até, locais onde possam ainda experimentar a sua utilidade para a sociedade e quem sabe, a sua reinserção. Fazer com eles uma festa de vez em quando como acontece, se bem que louvável, é tapar o sol com a peneira e esquecer que há mais 364 dias. Na impossibilidade da resolução deste problema a montante, uma das hipótese de atenuar os seus efeitos sobre os atingidos e a sociedade, seria a concretização de um projecto nestes moldes:

1 - Ele tem que ser desenvolvido num local que possa reunir todas as condições para implementação de todas as necessidades atrás descritas em conjunto e não se confinar a uma reconversão do actual refeitório mantendo a mesma estrutura.

2 - Esse espaço, amplo, deveria ser obviamente dentro da cidade e de uso exclusivo. A sua dimensão deveria ser suficiente para poder acolher um projecto integrado.

3 - Deveria ser num local com alguma arborização e zonas verdes, de acesso fácil e livre mas condicionado. Este acesso condicionado resultaria melhor num espaço com entrada e saída única.

4 - Deveria ter estruturas de apoio privadas para os funcionários da Instituição, a pessoal médico, para-médico e de vigilância/segurança.

5 - A gestão e o suporte financeiro, para além do que actualmente suporta o que funciona actualmente na Av. Almirante Reis, ao Jardim dos Anjos, deveria ser encontrado numa parceria entre a Santa Casa e com outras Instituições de grande credibilidade como as que já citei e estou convencido o próprio cidadão de Lisboa não descartaria a ajuda intermitente ou permanente no apoio aos seus “Sem-Abrigo”.

6 - A construção de um projecto de raiz colocaria várias questões. Desde as de carácter financeiro ao da própria exequibilidade do projecto, em função da aplicação de um método para a resolução de um problema cujas perguntas não têm respostas definitivas, por estarmos a lidar com franjas que insistem na sua marginalidade à sociedade, daí a necessidade de integrar todos os que se dedicam ao problema

7 - O procura e o aproveitamento de estruturas disponíveis na cidade, pela Câmara Municipal de Lisboa em conjunto com o Governo e até instituições que historicamente se tem dedicado à assistência social, deveria encontrar soluções que financeira e logísticamente se enquadrassem nos requisitos, podendo nascer daqui uma Instituição exclusiva que aproveitasse as mais valias dos conhecimentos que a integrassem.

8 - Em tempos falou-se na desafectação do perímetro onde está instalado o Hospital Júlio de Matos e transferi-lo para outro local, aqui está agora uma boa razão para manter espaços destes dentro da cidade. Uma estrutura daquele tipo seria o modelo ideal a procurar e aquele que se enquadraria totalmente num projecto com a utilidade destes. A única alteração que lhe faria, admitindo a transferência do Hospital, seria a substituição daqueles muros por separador alto que permitisse a visibilidade igual ao existente no Ministério da Marinha no Terreiro do Paço e do Museu da Electricidade.

De qualquer forma a Sopa dos Podres prova ainda a sua utilidade, mas a manutenção dos seus métodos e a repetição diária daquele cenário e o seu desenquadramento temporal precisam de urgente e radical alteração sob pena de provarmos que pouco evoluímos desde aqueles tempos de penúria.

07 novembro 2007

55




Os Sem-Abrigo - Parte I

Não sou técnico no acompanhamento de problemas relacionados com a Droga, Prostituição, Marginalidade, ou dos Sem-Abrigo, mas isso não implica que não pense estas questões em voz alta no intuito de juntar elementos ao debate que é urgente. Estas pessoas vivem em Lisboa, com maior incidência neste bairro e a cidade não pode deixar de ter uma resposta para elas e para nós que convivemos com elas.

São problemas que tendem a aparecer juntos por alguma razão mas aqui, provavelmente terão alguma razão histórica. Abordarei apenas os Sem-Abrigo, não deixando de referir que para os outros existem experiências internacionais de quem se adiantou já nestes processos e bastaria para isso analisar esses resultados e actuar, perdendo as nossas vergonhas e estilhaçando os comportamentos conservadores que mais não são do que permanentes objectores de consciência à mudança.

Lisboa mudou muito desde a época em que o Sidónio Pais fundou nos campos de Arroios a instituição que provia a sopa à pobreza que grassava nos finais do século XIX em Lisboa. Os pobres que a procuravam eram aqueles portugueses que falharam no seu projecto de vida, porque vindos dos meios rurais também não conseguiram ser urbanos e naquela época já não haviam epopeias marítimas onde embarcar e o ouro do Brasil que nunca tinha servido ao povo, já não servia agora nobreza.

A localização da cantina da Sopa dos Pobres era na altura, na periferia do centro da cidade e na proximidade dos bairros operários da Mouraria e do Socorro. Com o tempo e o melhor desenvolvimento social do país, os campos viraram ruas e avenidas e a Sopa dos Pobres ficou no centro da cidade. O perfil dos seus utentes passou do pobre típico daquela época que tinha sido o objectivo da sua criação para o dos “Sem-Abrigo” que são agora uma outra derivação da pobreza existente, a nova geração de excluidos, não justificando esta, por si, a forma actual de funcionamento desta instituição nestes moldes. A prova disto são alguns programas bem sucedidos de outras instituições de apoio que o fazem diferente, como por exemplo a AMI Centro Porta Amiga, O Banco Alementar, a Associação CAIS, Comunidade Vida e Paz etc. que prestam um apoio com outras valências na medida em que o fazem sem que os auxiliados se desinsiram do seu meio e tenham que vaguear pelas ruas e redondezas da instituição que os auxilia.

Por muito que nos custe tê-los com os seus andrajos a dormir à soleira da porta, onde exercitam práticas que tentamos esconder às crianças, não temos o direito de os empurar dali para nenhum ghetto, porque já basta o ghetto pessoal em que vivem. Mas isto não implica que não se procurem alternativas que substituam uma solução que vem de outra época e que serviu outra realidade social. Achar que este problema está resolvido, mantendo esta estrutura simples de um refeitório e uma sala que abre e fecha a porta para dar umas sopas mantendo nos intervalos uma série de necessitados no engôdo salivar de outra refeição, é ter menos visão do que Sidónio e nada ter aprendido com a evolução das ciências sociais.

Partindo do principio que estas situações não se conseguem resolver com o apoio domiciliário, há que procurar uma fórmula de consenso, que inclua as polivalências necessárias para um bom tratamento do problema. Quando digo polivalência, refiro-me à procura das tais soluções integradas que não passem por ter farrapos humanos vaguendo pela avenida, excretando no passeio entre viaturas e dormindo pelas arcadas dos prédios.

(Continua)

01 novembro 2007

A Manga...

- A Manga é de origem espanhola? Esta indicação está correcta?
- Está chim!

Fruta tropical?!... Pouco convencido com a resposta da vendedora chinesa, por ali fiquei. No dia seguinte ouvindo uma entrevista na Rádio, feita num viveiro de árvores de fruto, obtive a resposta:

- Então diga-me, quem é que vem aqui aos viveiros a Miranda do Corvo comprar estas árvores de fruto?
- Os espanhóis.
( ! )

Estava explicado, a Espanha é já um produtor de duas variedades deste fruto tropical no sul da Europa. Vendemos a cana para lhes comprar depois o peixe.

Entretanto por cá, dizem-nos que o problema são os trabalhadores e a culpa é a baixa produtividade, por isso, vá de mandá-los para a escola com os dinheiros que ai vêm. Mas quem deveria recomeçar na primária, eram a maioria dos nossos empresários e governantes, porque nada têm feito com o alvará que pediram e o mandato que a Nação concedeu. Desculpem, mas a culpa não é nossa, é do vosso imobilismo e falta de jeito.

30 outubro 2007

Civilizações...

Terão as sociedades uma percepção ou consciência colectiva do seu desenvolvimento civilizacional? Ou podemos falar em sociedades que incorporam mecanismos de retardamento desse desenvolvimento, como forma de perpetuação de costumes e valores nunca discutidos, entre os quais podemos incluir as Religiões? E que efeitos pode ter o desejo de desenvolvimento económico rápido, sobre um desenvolvimento civilizacional lento?

O sangue e a barbárie das imagens destes vídeos deixam muitas interrogações. Ver os vídeos sob reserva, são imagens chocantes.

A barbaridade de uma Civilização sobre a Mulher. a)
A indignidade do Homem sobre o Animal.
O alheamento e a impunidade de uma Civilização. No DARFUR.

Perante isto, os recuos civilizacionais existem ou é uma contradição nos termos?
.
a) Crédito do link ao Alexandre.

27 outubro 2007

A Doença Russa

É um filme/documento impressionante que vi convencido que já sabia o que se tinha passado. Afinal, é mais complexo e diria que a morte de Litvinenko e agora este filme, "Rebelion: The Litvinenko case", do seu amigo Nekrasov, contribuirão em definitivo para nos alertar para o que possa estar a acontecer outra vez de errado na Rússia. Feito em grande parte com a entrevista a Litvinenko antes dos acontecimentos, ficamos a perceber melhor o que levou ao seu desaparecimento. É uma bomba que amplia o efeito da sua morte e nos revela dados inteiramente novos. Saí de lá preocupado com aquele bloco de equilíbrio do poder mundial, porque não era aquele o que julgava existir.

A Saúde Americana

Vem aí Michael Moore. Desta vez, com “Sicko” dá um murro no estômago da protecção social americana e põe a nu a debilidade do seu sistema de saúde, colocando-o abaixo de países da América Latina. Por estas indesejáveis denúncias e outras aventuras que levantou no seu filme, acabou sendo investigado.

Isto é a síntese do que consegui saber na TV no programa da Oprah, porque a sessão para festival DOC Lisboa já estava esgotada há quinze dias, mas o filme vai estar aí no circuito comercial. A não perder, especialmente por neoliberais indefectíveis da privatização e esvaziamento do nosso Serviço Nacional de Saúde.

24 outubro 2007

50


As Árvores de Faro

A degola de algumas árvores em Faro, para implantação das tendas de uma feira, são reveladores do nosso destrambelhamento em organização e gestão urbanas de que o Algarve foi um foco permanente e não posso por isso deixar de lhe dar o devido relevo, para que soluções aberrantes não se imponham a alternativas bem pensadas e criativas que uma região turística como esta merecia.

Efectivamente, podar árvores deixando-lhes apenas os troncos a meia altura, para poderem caber debaixo das lonas das tendas da venda de traquitanas é uma coisa que não deve lembrar a muitos autarcas e que indigna qualquer munícipe. A minha dúvida é se tudo aquilo foi feito com consentimento superior ou foi uma inspiração momentânea ditada por interesses económicos com prejuízo evidente, até da imagem da cidade.

E a pergunta é legítima: Responder apenas pelo prejuízo material não compensará o disparate?
.
Aguardo as fotos Zé! ...

21 outubro 2007

Jesus Camp (Reeditado)

.
.
É aterradora a marcha do fundamentalismo religioso dos Cristãos Evangélicos nos Estados Unidos, os tais do Criacionismo, aqueles que se confirma dominam a Casa Branca. Ver crianças enviadas pelos pais para um campo de férias, para ali serem completamente massacradas pela mais alienante forma de catequizar, com o nome sugestivo de "Kids on Fire", é não só assustador como talvez, um caso de que os Direitos Humanos se deveriam ocupar. O que é grave é que a percentagem de votos desta gente já é suficiente para eleger os presidentes que quer e para onde quer. Começar a ouvir falar da união da Igreja com Estado, numa nação não islâmica, é qualquer coisa que nos deixa de boca aberta. Ali é dito, que para eles há dois tipos de pessoas: as que "são" e as que "não são". Assim mesmo.

O mundo tem que saber o que se está a passar naquele país, porque começa a fazer sentido muita coisa que não bate certo. Não digo só para ver, digo, é obrigatório ver. Candidato ao Oscar para o melhor documentário, deixa-nos uma esperança: a denúncia é feita por americanos, mas uma desesperança: estes são minoritários. Lá por fora já há reacções, aqui.
Pode ser revisto no DOC Lisboa.

19 outubro 2007

Malalai Joya


Não é publicidade ao DOC Lisboa se vos aconselho a passarem pela Culturgest ou pelo Cinema Londres e ver a repetição da história de Malalai Joya, candidata às primeiras eleições à Assembleia Nacional Afegã, em 30 anos, e que o documentário “Enemies of Happiness” registou. A corajosa luta pela Democracia e pelos direitos da mulher no país das burkas, desta lutadora, merece o reconhecimento internacional e todo o nosso apoio. A página oficial que se criou, Defend Malalai Joya, serve para que lhe possam fazer chegar as mensagens e segundo a realizadora, existem dificuldades financeiras na família motivadas pelo inevitável cerco, podendo a contribuição ser feita na mesma página, onde se sugerem outras formas de ajuda urgente.

São dois grandes olhos negros num espanto de mulher, cuja única arma é a coragem num país cuja cultura quase a proíbe. Dê uma vista nos link da página e mesmo que isto não seja como o Free Burma, faça alguma coisa.


17 outubro 2007

49




A Escola

A verdade é que Este conto já deixou de ser ficção na América. Por cá, os nossos jovens estão a enfrentar problemas iguais que são um desafio às suas instáveis seguranças e por vezes a corda parte, a diferença, é só um problema de escala e muitos de nós seremos sem saber os pais desses silenciosos, o que é a outra parte dramática do problema.
.
Já deixamos passar para a escola os efeitos da furiosa competição que arrasa os mais nobres objectivos da nossa formação, as prioridades que nos enformaram estão cilindradas por frias e economicistas cartilhas neoliberais e outras, cujos efeitos se manifestam da forma mais bizarra e esta pode ser uma delas. Há um monstro que avança desgovernado porque o poder político sucumbiu ao económico, a génese de todos bullyings e frustrações como estas que nos entram todos os dias em casa.

14 outubro 2007

Que Che?

Respondendo ao comentário que me deixou sobre o Che e à luz do debate que tem havido, pouco me importa a matéria de que são feitas as estátuas porque, igualmente como o Vitor, também não as venero. Outra coisa é o respeito pela memória, porque ele não foi ídolo só da minha juventude, mas da maior parte “daquela” juventude, a do do Maio de 68. Daquela que não tenho dúvidas o Vitor teria feito parte - se é que o conheço pelo que escreve - descontando no entanto a certeza de que não o tería visto de “molotov” na mão...

Analisar o Che a esta distância, vivendo em Democracia, desconhecendo a sede e a ânsia de liberdade que se sentia vivendo em Ditadura e não tendo podido sentir a força que representou o aparecimento de um rosto que nos dizia que os ditadores também podíam ter pés de barro, pode ser redutor para a análise, porque, se ganha por um lado com o distanciamento histórico, perde por outro, pelo que foi não ter vivido aquele confronto geracional que nos apontava também outra forma de lidar com as Ditaduras e que a rebeldia de Che vinha corporizando.

Não confundo no entanto a sua opinião, com o que tenho lido por aí, vindo de outros sectores, porque reconheço a estrutura em que baseia o seu escalpe de Che. Mas enquanto escrevia isto, lembrei-me do quanto fui injusto, por pouco tempo, na época, com os heróis do assalto ao Paquete Santa Maria. Bastou que me visse um pouco mais tarde do outro lado para ter deles agora outra memória.

E quem terá razão? Os que protestam no Brasil perante uma campanha para desvirtuar o guerrilheiro ou os que lhe atribuem agora o sangue que não ouvimos na altura? O que sabemos de Che é pouco e pouco tempo, perante o muito que conhecemos de Fidel e do bloqueio Americano e isto não deveria servir para extrapolar em seu prejuízo.

10 outubro 2007

48

.

.
.
Uma pequena máquina compacta foi resolvendo a questão das fotos do blog, tendo sido tudo prata da casa com as excepções identificadas. Agora, é provável que uma Reflex Digital marque a diferença se houver por aqui algum engenho e arte.

Aqui vai o inicio, no Minho, com uma espécie de adaptação da fotografia à Escola da Pintura Holandesa ...