24 outubro 2008

"The World According to Monsanto"

A Terra e a Humanidade já foram conduzidas pelo homem a coisas terríveis como o Nazismo, o Fascismo, o Holocausto, a Poluição, etc., mas a esperança é sempre não deixarmos que essas monstruosidades se voltem a repetir. O problema, é que esses males voltarão noutros formatos perversos para causar desgraça e encontrarão sempre entre nós gente desatenta que os ouve.
..
.
.
Acabo de ver um documentário verdadeiramente aterrador para a Humanidade e para o Planeta, no DOC Lisboa, sobre o poder da industria de biotecnologia Norte Americana, consubstanciada na Monsanto, a tal empresa dos Transgénicos, os OGM. À semelhança da crise financeira actual vinda daquele lado do Atlântico este, é mais uma vez um problema derivado da ganância pelo lucro à escala global e da falta de controlo da/na sociedade americana que limita o seu escrutinio ao voto, e mesmo esse é com os resultados que se conhecem. Tenho pena que este filme não passe em horário nobre em todas as televisões do Mundo porque a sua mensagem é de tal forma urgente que é preciso que todos conheçam o mal que se estão a fazer às sementes que nos alimentam, e tudo isto com a conivência e a mentira dos governantes americanos, conforme provam os excelentes documentos que esta realizadora francesa nos mostra. Julgava que conhecia este problema, mas fiquei boquiaberto com o universo da maldade por detrás dele. Fixem este filme e esta Realizadora: Marie-Monique Robin, porque talvez ele tenha o mesmo impacto da “Verdade Incoveniente” de Al Gore.

Entretanto por cá, vamos tendo gentinha desatenta e preocupada com a destruição de meia dúzia de pés de milho transgénico lá para o Alentejo, só porque a lei é assim, mas é assim que o problema está a ser criado e não sabemos se desta vez haverá retorno.

Procure esclarecer-se, a informação está toda na Net. É urgente criar uma forte corrente de opinião à escala global. Por mim estou a fazê-lo. Deixei em cima um resumo pequeno comentado pela realizadora, mas fica aqui o total do filme encontrado no Google. Mesmo sem legendas, clique e veja:
.
Mas basta fazer uma pesquisa a transgénicos, para obtermos estas reacções por aí:
Etc.
.

19 outubro 2008

A Praga dos Pombos

.
Os responsáveis por nos livrarem da merda de pombo e pela manutenção a nível suportável, segundo os padrões de higiene urbana inscrito nos programas de candidatura - que não cumprem - ainda não perceberam que não é gastando o dinheiro em milho caro jogado fora nas suas praças, que resolvem este problema do merdelim de pombo? Informem-se Sexas como se faz e verificarão que não são programas angélicos, caros em esperas e prejuízos, que resolvem a questão. Alguém os está a enganar e a ganhar. Para Sexas este é um não problema porque não vivem em bairros populares onde grassa a degradação. O problema, é que para seu sossego e nosso mal, a porra dos populares já se habituou a tanta caca, e o deficit de cidadania que os mantém em silêncio dá imenso jeito.

Que medo têm do tratamento que Beja lhes deu, que é aquele que recomendo há muito? Os pombos já são uma praga e as pragas têm um tratamento, e a CML não sabe combatê-la. Lisboa, para além dos devolutos e grafitis, é também deste ponto de vista, uma cidade decrépita pela degradação nojenta de tanta caca nos parapeitos, nos carros e nos passeios. Não me digam que não sentem no Rossio o cheiro do merdelim ensopada quando caem os primeiros chuviscos? Provavelmente não, porque Sexas não o sabem reconhecer, mas aquilo é cheiro de merda molhada!... Fui malcriado com Sexas, concordo. Retiro a merda, a caca, o merdelim e substituo por excremento. Perde o impacto mas ganha em polimento.
.
Amplie para leitura. Recorte obtido do jornal "O Metro".

.

18 outubro 2008

O Zé Calmeirão

Estando perto ou estando longe,
Tu pra nós estás sempre à mão...

Porque és o Zé Calmeirão!

Seja cedo ou seja tarde,
Tu nunca dizes que não...

Porque és o Zé Calmeirão!

Mesmo que não seja muito,
Tu dás-nos sempre o teu pão...

Porque és o Zé Calmeirão!

Nunca te vimos zangado,
Nem cor de camaleão...

Porque és o Zé Calmeirão!

Vens mesmo que não te apeteça.
Nem que saibas quantos são...

Porque és o Zé Calmeirão!

Gostamos de ti assim,
E vês isso em nós. Ou não?

Porque és o Zé Calmeirão!

17 de Outubro de 2008

17 outubro 2008

Os Contentores em Alcântara

(Reeditado para inclusão de link de audição)
Os Lisboetas andam mais preocupados com as ondas de choque da crise financeira do que com negociações herméticas sobre o futuro da cidade, mas elas vão penalisar mais do que o problema dos buracos que os atormentam hoje. Só uma percentagem diminuta se está a aperceber do enfeudamento que a renegociação do contrato da exploração do terminal de contentores em Alcântara, vai originar. Para além das dúvidas sobre a forma como tudo se está a passar, segundo as notícias dos links:

PSD acusa Governo de favorecer empresa da Mota-Engil com concessão ilegal.
O Governo e Jorge Coelho.
Secretária de Estado defende negócio com Liscont.
PSD acusa Governo de beneficiar empresa da Mota-Engil.
Liscont e APL assinam contrato para alargar concessão.
Cidadãos por Lisboa.

será também mais uma machadada nas aspirações dos lisboetas quanto ao usufruto das margem do Tejo, a tal Zona Ribeirinha. O Governo poderá estar a atascar a Câmara de Lisboa e os lisboetas ao assinar este contrato, e mais, se tiverem de haver indemnizações milionárias, devido ao repensar de toda a estratégia para a margem que obriguem ao cancelamento do contrato. E é agora que cabe perguntar: quem vai preso se isso acontecer? Ninguém como de costume. É que estamos fartos de assistir a esta espécie de negócio paralelo que são as indemnizações por quebras de contrato. Uma coisa é certa, serão Lisboa e os lisboetas que perderão com as coisas feitas desta maneira. Não me custa desta vez concordar com o PSD, perante tanta dúvida porque não cede o Governo e torna as coisas transparentes? Helena Roseta disse ontem, atónita na SIC, que já não sabe o que pode fazer mais. Foi desta forma, ouça AQUI.
.

13 outubro 2008

Lisboa em Debate.

... a que não quero,

... e a que não gosto.
.
Aos "Cidadãos por Lisboa": Estão ligitimados pelo meu voto para, em meu nome, apresentarem propostas no orçamento participativo para 2009 que respeitem estes direitos que há muito reclamo.
.

11 outubro 2008

DOC Lisboa

Está aí outra vez em Lisboa a sexta edição do Festival Internacional do Filme Documental. São mais de 150 filmes que fugindo à lógica do circuito comercial trazem grandes obras baseadas no testemunho ou na pesquisa dos factos. Só o descobri o ano passado, mas veio para ficar. Sejam rápidos se querem ter bilhete. Por mim vou estar numa maratona de dois a três filmes por dia.
.
Podemos ver debatidas questões como esta do filme em que aposto: The World According to Monsanto, de Marie-Monique Robin, 108´ França-Canadá-Alemanha 2008.
.
"Implantada em mais de quarenta países à volta do globo, a Monsanto tornou-se a líder mundial dos OGM (Organismos Geneticamente Transformados, também conhecidos como Transgénicos) e uma das mais controversas empresas da história. Partindo de documentos inéditos e dos testemunhos surpreendentes de algumas vítimas, políticos e cientistas, este documentário reconstitui a ascensão de um verdadeiro império económico. A autora revela as estratégias obscuras das multinacionais para mudar as leis nos Estados Unidos – o que permite finalmente camuflar a verdade sobre os efeitos dos transgénicos nos seres humanos."
.

08 outubro 2008

Da Realidade à Ficção

"A Galiza, devido aos tempos da penúria tinha achado graça ao Minho e a província já era maioritariamente galega. Os problemas não paravam entre a minoria dos portugueses e a maioria galega do Minho.

Em Guimarães falava-se mais galego do que português, e os galegos minhotos não paravam de reclamar o direito a decidirem do seu próprio destino por serem maioria, reclamando a independência da província.

Andou tudo à chapada e a raiva deu para barbaridades étnicas.

Depois de muito barulho os portugueses vêem-se confinados e obrigados a recuar da província. Os galegos minhotos decidem a independência de parte do Minho, e Guimarães passa a ser a sua capital.

Os portugueses ficam confinados numa linha para cá de Braga. A Comunidade Europeia e outros amigos de porte duvidoso acha que sim senhor, está bem feito e os portugueses vêem assim roubado por apropriação alheia o chão onde viram nascer o país."

Faltou acrescentar na história que havia "alguém" que achava que os portugueses estavam a empreender em segredo uma temerária reedição dos Descobrimentos a partir do rio Douro, e queria estar próximo para os impedir. O incentivo dissimulado dado aos galegos minhotos foi a solução que encontraram. Dali, passaram a poder espreitar melhor os lunáticos dos portugueses.
.

O Fim ou o Início?

Não ando com muita curiosidade para ler o que se vai dizendo por aí na blogosfera, numa altura em que a crise financeira, ou do capitalismo, deverá estar a dar tanto motivo para escrever. Mas se houver honestidade no que se diz, a conclusão comum não poderá ser outra que não seja a de que: a auto regulação dos mercados é qualquer coisa em que dificilmente voltaremos a acreditar - voltaremos, aqueles que nela acreditavam!. Parece estar a provar-se que a tal autofagia de que acusávamos o sistema começa a ser verdadeira.

Ouvir Joe Berardo pedir na SIC o fim das Off-shore’s a nível mundial (ONU !), depois de confessar que também lá anda por uma questão de competitividade, dá uma medida da dimensão das alterações a que vamos ter que assistir. Era agora que gostaria de ver alguns fundamentalistas que ouvi, vir a público defender a continuação destes paraísos bizarros. Uma coisa é certa, estamos no fim de qualquer coisa e não me parece que seja só de um ciclo. Se for o início de outra que seja rápido, porque o pior de tudo é a duvida desta espera.
.

05 outubro 2008

Ter ou não ter opinião.

Vocês têm sempre uma opinião formada e fundamentada sobre tudo? Isto é, não há nada sobre o qual não têm ou não queiram ter uma opinião pública, ou mesmo privada? Não sentem o desconforto de ter que opinar porque, ou não têm pura e simplesmente opinião porque ela não se formou devido a lutas intestinas ou ausência das vossas confrontações internas com o problema, ou porque não querem mesmo pensar na questão?

Amanhã são confrontados por exemplo, com uma nova lei para regular uma determinada matéria. Mandam as regras da cidadania que o cidadão não se alheie da coisa pública. Apenas pública para regulamentação, mas que pode muito bem ser do foro privado de cada um. A matéria daquela lei nunca vos apelou a algum tipo de opinião, pró, neutra ou contra, por ser até ali como um neutrino quase sem massa que vos atravessou sem darem por isso. Porque razão, não sendo homens do ofício em que é fundamental ter opinião sobre tudo, têm que ter a vossa?

Pergunto isto porque me parece que estamos a atravessar um período em que nos vemos confrontados com o dilema de ter mesmo que decidir em relação a coisas para as quais nos estamos nas tintas. O problema não está na decisão correcta a tomar, porque essa, procura-se nos modelos urbanos de desenvolvimento das sociedades modernas que tendem todas para a homogeneidade e decide-se de acordo com esses cânones, o problema está mesmo é na nossa verdadeira opinião, aquela que ainda não apanhou esse comboio e que subjugamos constantemente ao poder da massificação que nos uniformiza o pensamento colectivo.

Quero dizer com isto que, por força de convivermos com o mercantilismo de tantos ciclos rápidos que a ditadura da Moda nos impõe em todas as áreas das actividades que nos cercam, possamos também aqui estar a ser vítimas desta nova pressão da sociedade que criamos.
.
Porque não me quero pressionar, concedo-me o direito de não ter uma opinião sobre isso! Não é a Independência do Kosovo! Embora a tenha.
.

29 setembro 2008

Ticket to Heaven

Não deixem de ouvir o melhor de Mark Knopfler, no meu gosto. Para partilhar este céu com vocês, retiro a música residente.

.

19 setembro 2008

Inconsistências Neoliberais

Reeditado por inclusão deste oportuno carton que o TACCI não me recusou. Dizem eles:
- Temos de nos lembrar de mandar arrancar esta alcatifa.


Volto a referir o que ouvi em tempos a Alçada Baptista depois da queda do Muro de Berlim: “... que não deveríamos ficar sossegados, porque se aquele mundo que derrubamos não servia, este que estava a triunfar também não era justo e não era a solução.”

A prova está aí desde a queda do muro. O triunfo do neoliberalismo autofágico está a dar nisto. Se os regimes totalitários existentes dão mostras das suas incongruências ao quererem o melhor de dois mundos antagónicos na sua filosofia, os regimes baseados na actual economia de mercado, onde é o capital que domina as nações e não a política eleita, copiam as medidas que consideram totalitárias nos outros, e fazem também lembrar constantemente a previsão de Karl Marx, que apontava para a ruína das fundações do sistema capitalista, afirmando que haveria de soçobrar sobre as suas próprias estruturas. Na verdade, o que se passa mais parece ser o equilíbrio instável de uma velha construção super lotada. Resistirá ao próximo abalo? Ou andamos a enganar-nos para não causar mais depressão? É urgente refazer esta velha construção com betão e novas fundações anti-sísmicas, deixando apenas a fachada para memória futura. É preciso reinventar novas políticas, uma nova Economia e porque não uma nova filosofia de vida, antes que o céu nos caia em cima da cabeça.


.

18 setembro 2008

"O Bando do Liceu"


“... quando, nas indolentes tardes passadas no Café Rádio, dissertava enfaticamente sobre as suas apaixonadas intervenções no tribunal, em defesa de réus inocentes, vítimas das tenebrosas e kafkanianas teias da Justiça, tendo ficado célebre na cidade aquela em que, dirigindo-se ao juiz, e tendo citado energicamente, e com toda a convicção de que foi capaz, um determinado enunciado de um artigo do Código Civil, este lhe respondeu, oh, senhor doutor, mas isso que o senhor está a dizer não vem aqui escrito no código! Não vem!? Não está aí escrito no código!? Mas devia estar, senhor doutor juiz.”

É um excerto das memórias do Alexandre nesta crónica bem conseguida, sobre a sua juventude em Lamego, onde se detecta a influência de boas leituras, provavelmente escrito com a ajuda de uma boa flute de espumante da sua terra, certamente um dos melhores da Europa.
Foi uma boa (meia) surpresa.


13 setembro 2008

Jesus Camp - II

Ao reenviar-vos no post anterior para o documentário Jesus Camp que passou no DOC Lisboa de 2007, verifiquei que o thriller da Magnólia Films já não está activo. Porque o considero um documento importante para percebermos o que se passa numa grande parte dos Estados Unidos, na questão tão sensível como é a mistura da política com a religião, aqui fica o filme completo que encontrei no YouTube dividido em nove partes. Vejam o convidado surpresa e o fanatismo ao rubro na parte VI e VII. Não se arrependem se forem até ao fim, não está legendado mas uma imagem vale mais que mil palavras. Ponham em ecran total e façam de conta que estão no DOC.
.
.

12 setembro 2008

Guerra?! "Talvez sim"


O mundo tem estado mais entregue a loucos do que a loucas, mas só nos faltava agora esta senhora Palin: “... sim a uma declaração de guerra à Rússia se não sei quantos um qualquer ajuste de contas lá entre eles acontecer, mas a perda da virgindade das nossas filhas até ao casamento, não, ah... isso não!...” Então isto não é gente tola? E a Europa? Anda a dar ouvidos a estas companhias? Já convivemos com os Russos à séculos, não será já altura de percebermos como funcionam? Sabendo sempre que eles não admitem misturas e que gostam muito de sentir que são respeitados e temidos? Porque razão insistimos em fazer-lhes crer que já não metem medo a ninguém? Que nos interessa isso? Provocando-os exactamente dessa forma? Eles têm lá aquele tique, deixai-os ruminar as suas fantasias. Mas aceitar que venham agora senhoras com iluminações divinas, forjadas em retiros evangélicos fanáticos como aqueles que aqui referi em Jesus Camp, não muito diferentes daqueles que se realizam nas madrassas que invadem à procura de talibans, dizer-nos, ou por outra, obrigar-nos a ir prá guerra com os Russos só por causa dos amigos que nos querem impingir, e que depois teríamos que ir defender, é não perceber que à Europa nunca podem estar reservados papéis destes no Mundo, e que os europeus também não o querem. Estes senhores estão doidos e o problema é que já os temos na Europa: Sarkosy é “um filho” americano.

31 agosto 2008

O que é isto?!...

Toda a planta envolvida. É estratégia de uma aranha simples, ou ficou da Expo e é agora mutante? Que grande arquitecta!

.

29 agosto 2008

Entretanto, outra realidade.

Parei junto à banca dos jornais para olhar as primeiras páginas e lentamente aproximou-se do escaparate lateral das revistas cor-de-rosa, uma senhora de cabelos brancos, e com uma doce calma, alheia à barbaridade das notícias do dia, olhando para uma foto no canto da revista, perguntou-me:

- A Fátima Lopes nunca mais apareceu. O que lhe terá acontecido?

Apanhado de surpresa, lá juntei o nunca mais a muito tempo, e respondi-lhe:

- Olhe, se calhar foi gravidez e está com o bebé em casa!...
- Credo! E aquilo era lá barriga para bebé?!

Meio entupido por tanta falta de lógica e conhecimento de coisas óbvias, respondi-lhe:

- Então olhe não se preocupe devem ser férias.
- Ah pois, devem ser. Olhe, o que é preciso é saúde prás gozar, que é aquilo que eu não posso, porque nunca as tive.

Meditativa na foto da revista, lá ficou de cabelitos brancos a esvoaçar e a digerir aquela dúvida.
.

23 agosto 2008

100


.

Soltos para a barbárie

Acabou a nossa presença nos jogos mas não o nosso hábito de ligar a Rádio e a TV para saber novidades, agora é para saber quantos ourives baleados, quantas bombas assaltadas, quantas caixa roubadas ou quantos velhinhos violentados e mortos. Fica-me no ouvido a notícia, com um contentamento mal disfarçado, do quase linchamento que não passou de uns borrachos aplicados pela populaça, enquanto a polícia não foi levantar o meliante de um assalto. Mas esta notícia dos dois velhinhos de hoje foi o copo de água e está a por a nu a capa civilizada que me cobre e a tornar-me primário na aplicação da Justiça. Tenho que reflectir melhor sobre isto, porque me preocupa saber que por mais voltas que dê, acabo sempre por cair nos métodos sumários, como forma de alerta aos desgraçados que deixaram de ser os coitados que não tiveram as mesmas oportunidades que eu, para passarem a ser os criminosos abjectos pouco merecedores da minha misericórdia. Baseio a auto-despenalização que me atribuo, por este raciocínio que não me conheciam, na constatação de que estes facínora são apenas uma ínfima percentagem dos pobres e infelizes que não tiveram as mesmas oportunidades que eu. Rechaço por isso o tal discurso compreensivo da procura dos motivos que levam esta gente à barbárie, porque tem que ter um interior podre de mais, quem opta pela violência gratuita e liquidação de velhinhos desprotegidos.

Depois, há uma outra questão, que passa pela apreensão que esta gente tem de que os nossos brandos costumes deram nisto e estão a entrar por aqui como faca em manteiga. É a Justiça ou a aplicação dela que deixa todos perplexos. Os princípios podem estar bem mas alguma coisa faz com que eles não estejam e se ainda não estamos em condições de os aplicar por falta de organização que não sejam as pessoas a pagar com a vida essa brandura que acaba por voltar a deixá-los à solta para a barbárie.
.

De olhos em bico - V

Acabou mais uma presença nossa num evento internacional de relevo, mas infelizmente com a repetição de polémicas anteriores que nos deixaram um sabor amargo na participação. Temos esta tendência para comportar-nos mal sempre que saímos de casa, é uma pena. Mais uma vez volta a ser um problema de chefia. Em todos os casos anteriores foi a falta de organização e coordenação que potenciaram os problemas, o que pode indicar falha grave nas escolhas que fazemos de quem nos dirige nestas coisas. Por mim, já me arrependi de ter vindo logo para aqui teclar quando ouvi o Marco Fortes falar na caminha depois do seu falhanço, mas apenas porque fiz parte do coro onde estiveram os dirigentes que não souberam tratar internamente a questão, a mim, competia-me brincar com a situação. Mais uma vez, que os erros nos sirvam de aprendizagem e já agora, vejam lá se da próxima vão mais bem vestidos.
.

22 agosto 2008

Tua fora dos carris

Porque só agora se descarrila no Tua? Não acredito na teoria da conspiração, quanto aos acidentes na linha e a sua relação com os interesses na futura barragem, porque é mau de mais para ser verdade. Proponho antes que se sigam análises comparativas de linhas com as mesmas características para se verificar o que nelas é diferente. Por exemplo, houve hoje uma questão que retive, enquanto via aquela espécie de autocarro , empoleirado em cima daqueles carris e depois vi os seus interiores vazios, com muito espaço para lugares em pé. A diferença que encontro, não comum a todas as outras, é uma questão de peso e volumetria. Fica a ideia que se trata de um veículo leve com uma deficiente relação com o volume. Em principio, composições únicas em circulação só conheço aquelas famosas automotoras de passageiros e essas como se sabe são mais compridas e baixas, e bastante mais pesadas. As outras são aquelas locomotivas robustas com uma tonelagem de respeito. Se existirem pequenos desnivelamentos provocados pela desagregação do lastro da linha, será muito mais fácil a composições pesadas, como eram os comboios antigos que lá passavam, fazerem com o seu peso o ajuste necessário para que não haja trepidação do carril. Com aquela (provável) falta de peso e fraca lotação, e deficiente aero-dinamismo, talvez não seja um veiculo com grande capacidade para se manter seguro se houver alguma irregularidade na suspensão da linha, conjugada com ventos laterais. Foi esta ideia de uma certa falta de robustez que me transmitiu a imagem que vi.
.
Reedição: Dito isto, talvez não seja por acaso que ouço agora o Presidente da C.M.Mirandela perguntar à Refer e à Metro se aquele será o tipo de veiculo indicado para aquela linha.
.

20 agosto 2008

Queiroz e os Jornalistas

Reeditado. Pela foto, por motivos óbvios.

Já lhe desculpei o chá que em tempos tomou com Cavaco nos jardins de S.Bento, numa demonstração de amizades antigas e que este aproveitou soberanamente através de reportagem com jornalistas e tudo. Sou então dos que entende que Carlos Queiroz já deveria ter regressado há mais tempo a Portugal porque os resultados da revolução que fez no futebol jovem chegaram ao fim, com o fim da carreira dos grandes jogadores que lançou. Não lhe peço melhores resultados do que Scollari teve, peço apenas que não se deixe influenciar pelos ambientes que facilmente se criam à volta do nosso futebol, quer pelos jogadores, quando mal dirigidos, quer pelos dirigentes, alguns já dinossauros com muito más provas dadas, mas também pela Comunicação Social. Refiro como exemplo esta polémica logo de entrada: uma maioria de jornalistas, deu-se ares de mal tratada pelo seleccionador e exigiam ser informados como entendiam sobre a convocação dos jogadores, e parecem não estar muito pelos ajustes de novos formatos. Ontem continuava a ouvir na TV argumentos anti-Queiroz, por um daqueles comentadores que é muito convidado, ainda mesmo antes de Queiroz ter sequer dirigido o primeiro treino. Isto parece configurar que existem enormes interesses à volta das notícias do futebol que têm que ser afanosamente alimentados por todos, nos media, revelando laivos de corporativismo porque não vejo contradição, sem que se tenha a noção, ou que se importem com os efeitos que isso produz na estabilidade do trabalho de técnicos e atletas.

O respeito que me merece a actividade de informar não implica que tenha que concordar com os métodos que mais não fazem do que pouco a pouco ir criando os factos, que vão levando à notícia, que é preciso continuar a dar no futuro. Revoltem-se contra a falta de independência do patrão que lhes paga e lhes corta essa liberdade de acção que vemos todos os dias, não contra os actores que estão no palco.

As próximas semanas dirão onde nos leva esta espécie de braço de ferro. Prescindirá Queiroz de querer fazer as coisas como acha que deve, sem que isso tenha que ser menos respeito pela actividade de informar?
..

18 agosto 2008

De olhos em bico - IV

Caro Marco Fortes. Quando ouvi as tuas declarações e as transcrevi aqui, foi mais pelo estilo descuidado, é certo, e pela graça que provocaram aqui em casa, do que para te acusar de falta de espírito olímpico, porque não conhecendo o teu esforço não a posso medir por uma simples mas infeliz declaração. Verifico agora que o assunto já está a dar polémica com acusações a alguns atletas e com muito falatório pelo burgo. O teu azar foi não termos ainda alguma medalhita para por bandeiras à janela, porque tu sabes como isto funciona. Oxalá que saia mais do que a prata da Vanessa, porque de outra forma, dá-nos a depressão e começa tudo a investigar as origem do falhanço, esquecendo todos que durante quatro anos os olímpicos objectivos deste país foram o futebol e a cor dos apitos, e que no Ensino mal nos entendemos como fazer estudantes, quanto mais como fazer atletas.
.
.

16 agosto 2008

Alcochete, já!

Alguém inventou um percurso novo hoje. Nunca tinha visto uma aproximação à pista da Portela desta forma. A aproximação faz-se normalmente por cima da Penha de França, mas hoje quase vimos os passageiros no Boeing que não devem ter achado graça à inclinação da curva que foi preciso fazer para corrigir o alinhamento com a pista, já com os edifícios à sua vista para lá da Praça do Areeiro, depois de ter feito quase uma paralela pela Av. Almirante Reis e estar a apontar para a Av. Gago Coutinho. Por sim e por não, despachem-se lá com Alcochete!
.

De olhos em bico - III

Meu caro Obikwelu. Os portugueses já estão habituados à simbologia das nossas participações olímpicas. Não é por achares que falhaste o teu projecto e não teres concretizado as nossas aspirações de nos conseguires uma medalha, que os portugueses te vão deixar de acarinhar. Aquilo que mais apreciamos, é gente que o faça com o empenho que tu demonstras, através da vergonha que te deu para achares que nos deverias pedir desculpa. Sabemos que o teu coração é verde neste momento, isso desculpamos nós, porque sabemos que se espreitarmos lá dentro ele é também vermelho. Aquilo que não te perdoamos é se deixares de competir por achares que não consegues ser o melhor. Só não te perdoamos isso.
.

Nacionalidades, Etnias, Clubes.


Lido aqui no: Pensamentos, mas não deixe de ler o artigo no DN porque este, já é um extracto do extracto.

A minha amiga estava triste e exasperada porque fora publicamente apelidada de Racista. Foi assim. O Banco tinha uma fila única para três caixas de atendimento. Chegaram duas moças e colocaram-se junto de uma caixa. Foram avisadas cordialmente que tinham de ir para o fim porque existia “bicha” única. Saíram risinhos sarcásticos, claro! Mas inamovíveis e risonhas, continuaram prontas para passar à frente de todos. Quando a caixa ficou livre, atacaram. Gera-se a confusão com quem estava à espera, até que foi preciso explicar a alguém em voz alta que as culpadas eram aquelas duas meninas: - Quais? - Aquelas duas meninas brasileiras que ali estão, que não perceberam que tinham que respeitar a sua vez de ser atendidas.

Pronto! Caldo entornado. A partir dali a minha amiga já não se sentiu à vontade de sair para a rua com tanta acusação de: - Racista! Tu é uma racista! Sua racista.

Que injustos são tantas vezes os brasileiros connosco depois de nos chamarem toda a vida de, “padeiros”. Somos na Europa o povo com menos episódios de racismo. Para completar veio-me então à memória aquele relato do Mário Crespo e a polémica gerada com a resposta do Embaixador Brasileiro. Que comportamentos ditam quem é Racista? Que atropelos deveremos silenciar para evitar sair acusados de Racismo? Que estratégia deve um cidadão atónito e alheio a todos estes ódios seguir, sem que tenha que anular a sua conduta cívica? Peçam-nos os homens honestos de qualquer nacionalidade, etnia ou clube tudo, menos o silêncio ou a proibição da identificação de qualquer “besta”, só porque ela é de outro clube, tem outro tom de pele ou sotaque. Silenciá-lo, isso sim, é que pode configurar a existência de Racismo pela manutenção permanente desse crivo. E os telejornais começam já a reflectir esse problema, escamoteando dados dos factos, que muitas vezes só identificamos se existem imagens. Não confundam a interpretação com a verdade da notícia. Quem a relata só tem que se ater a uma delas, e parecem-me estar em causa alguns principios por sossobrarem ao arremesso do Racismo como chantagem.
.

15 agosto 2008

De olhos em bico - II

Marco Fortes, depois do lançamento do peso a 18,05 metros, 37º lugar entre 45 concorrentes:

- Ehh nã!..., ê de manhã já cheguei à conclusão que só tou bem é na caminha...
.

12 agosto 2008

99


.

Intervir na Habitação

Na Área Metropolitana de Lisboa existem 213.000 casas para vender e não estão incluídos os 4681 prédios inteiros devolutos só em Lisboa, dos quais 322 são da Câmara, o que daria mais umas boas dezenas de milhares de casas habitáveis. Resultado: um mercado distorcido e empolado que têm favorecido este caos na habitação, enquanto os nossos filhos se vêem obrigados a ir morar para o “Samôco”. Se o mercado não funciona o que se espera para intervir?

Instabilidade no Cáucaso

Quem deu o primeiro passo? E o que fazem os americanos à porta dos Russos? Porque razão é americano o material bélico Georgiano? Putin pergunta: Porque é Genocídio se for um Saddam e não é se for Saakasvilli. É uma “invasão inaceitável no século XXI” claro, mas porquê só esta Senhor Bush? E porque deve merecer mais credibilidade o que diz Bush do que o que diz Putin? E entre um e outro não é melhor que venha o diabo e escolha?
.
(Reeditado para deixar link para este artigo de Vicente Jorge Silva, nos Blogs do Sol. A ler.)
.
Mapa RTP

De olhos em bico.

Atenção portugueses! Andamos a ser "repescados". Sabíamos o que temos andado a ser, mas ... repescados? Francamente!
.

10 agosto 2008

Sem Rei nem Roque

As cidades são um conjunto de interesses e usufruto tão colectivos que só alguns individuais se lhes deveriam poder sobrepor. Estão nesta situação, o panorama visual criado pelo conjunto arquitectónico dos edifícios que formam algumas das artérias e praças de Lisboa. A Praça do Areeiro por exemplo, toda edificada na mesma traça em meados do século passado, deveria obrigatoriamente ver as sua manutenção feita de uma única operação, apesar da estratificação da sua propriedade. O resultado é este: acentua-se o desleixo e a degradação do restante e descaracteriza-se tudo. Imaginam a Praça do Comércio ou a do Rossio pintadas a prestações? Não faz nenhum sentido e estes são pequenos pormenores que evidenciam a nossa falta de organização colectiva, aqui ao nível das cidades. Produzimos legislação trolha e somos muito maus em coisas simples. Temos medo do rigor e adoramos as meias tintas. Pintem aquela porra duma vez!
.

07 agosto 2008

Um silêncio angustiante.

.
.
Retirado daqui, do Ponte Europa.
.

O projecto "Magalhães"

Carta a um amigo a propósito do email que já circula por aí:

Caro Amigo. Ok, é verdade, também não concordo com o formato de apresentação do novo portátil para as crianças, o “Magalhães”. Foi espalhafato a mais. Mas em função do objectivo, concordo em absoluto com o conteúdo do projecto. Importar-me-ia com toda a história paralela ao Magalhães e as denúncias sobre a Intel que se fazem no email, se houvessem por ali dinheiros sangrentos dos povos, ou da droga, ou coisas afins menos éticas, o resto são as competições internacionais das empresas das novas tecnologias, as quais são todas iguais, os processos não serão diferentes de umas para outras, o objectivo é o lucro e não o bodo aos pobres, sabemos disso. É verdade que ele não é português, é montado em Portugal, mas eu fui um dos atentos que não me deixei enganar, porque estava a ver a Intel também na assinatura do projecto, mas muita gente terá entendido aqueles 100% de uma outra forma. Sobre isto aliás há um comentário num daqueles link que nos pergunta se há algum Peugeot, Mercedez ou BMW que seja integralmente fabricado no país de origem, os blocos de motor são fundidos no Japão, as cabolagens e os moldes em Portugal e outras peças noutros países e finalmente o carro é montado num único sítio. Depois, este email com tantos link para consultar, dez (!), talvez tenha sido aprontado por quem está muito por dentro do problema, o que pode configurar-se como sendo algum dos operadores da área que não tenha sido contemplado, ou apenas alguém com vontade de o criticar.

Subscrevo aquela parte do mesmo comentário que diz: “...Mas em Portugal é assim infelizmente, se houver alguém que tente fazer qualquer coisa de diferente é criticado porque faz, se não faz é porque não tem ideias. “

Quero continuar a preservar a minha capacidade de poder criticar, mas para isso tenho que saber distinguir quando devo ou não. Andar a esmiuçar para arranjar uma forma de dizer qualquer coisa, não me parece ser a melhor atitude. Lembro-me do Ciência Viva, do tempo do Guterres, um dos projectos mais interessantes que se fez em Portugal na área da Ciência, porque envolvia e motivava as crianças, um projecto a longo prazo, pois a Direita queria que aquilo falhasse e quando foi Poder logo fez os possíveis para lhe cortar verba. Nós somos assim, incapazes de procurar a parte boa das coisas, o nosso adversário não pode ter boas ideias, por isso é que falhamos. Uma das características mais dramáticas do povo português é a inveja, somos terrivelmente invejosos e não nos apercebemos disso porque o misturamos com as nossas opções políticas ou modos de vida. Desconta lá a demagogia à volta do projecto e olha para ele de outra forma. A acusação não é para ti, porque sei que não és invejoso.

24 julho 2008

Chavez

Entre Bush e Chavez não tenho a mínima dúvida na escolha, mas não me peçam que justifique, porque talvez encalhasse nos motivos. Com muita frequência deixo o coração comandar e não me parece um erro, porque o considero em bom estado. Se ele me recusar um traste porque razão deve o cérebro impingi-lo? Descubram.

Eduardo Moniz: TVI vs RTP

A propósito da vitória da RTP na transmissão dos jogos da Liga de 2008/2009: “A RTP é o braço armado do Governo”. E ele, é o braço armado de quem? Por mim entre portugueses e espanhóis não tenho dúvidas. E vocês?

23 julho 2008

A pressão ao Bastonário

O Dr. Carlos Pinto de Abreu, Presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, assinou uma Carta Aberta de resposta à que o Bastonário escreveu aos Advogados, que pode ler neste link: Carta Aberta ao Dr. António Marinho e Pinto.

Actualmente jogo pouco xadrez, mas uma das regras básicas que aprendi, é que a melhor forma de me defender é com ataque a uma pedra ou posição de valor superior. É o que estamos a assistir neste momento, em que os ataques ao Dr. Marinho e Pinto vêm de alvos que atingiu genericamente: Magistrados, Conselhos Distritais da Ordem e alguma“classe”, ataques estes agora de formato diferente, porque têm um endereço concreto: o Bastonário.

Se não dissequei a carta do Bastonário, não o vou fazer com esta do Dr. Abreu, não só pela condição de observador externo, mas porque a acho provavelmente enquadrada em pelo menos dois dos alvos atingidos. Ressalto no entanto o facto de ser igualmente uma resposta em texto simples, sem a atrapalhação dos tais gongorismos inúteis, que se saúda, mas sublinho algumas afirmações que poderão falar por si:

“... parece que a eleição nada garante senão a conjuntural “vontade da maioria”. Parece?! Mas nem sempre o que parece, é! Não é Doutor?

“... o que nem sempre é sinónimo da prossecução da “vontade geral” e do bem comum...”. Porquê? Anteriormente com as “outras maiorias” e porque eram outras, já foi isso?

“... Nós, advogados, não aceitamos generalizações abusivas,...”. Sim, está bem! Mas ainda que aqui neste caso alguns achem que os afloramentos de Corporativismo revelados possam ser do “bom”, como o colesterol, eu tenho-os para mim sempre, como uma chaga na Democracia.

“...E, para além de outra fixação...”, e “... a eterna obsessão em colocar...”. Quando a conversa não agrada porque se tocam nas feridas, é preciso desviar a atenção com o argumento mais à mão, e aqui sim, denegrir é a melhor forma, tratando as opiniões dos outros como ”fixações” e ”obsessões”. Conhecem-se os métodos.

“... ? (Pontos de interrogação)...” Contei 58! Cinquenta e oito pontos de interrogação na carta aberta do Dr. Abreu. Oxalá o Dr. Marinho e Pinto não enverede pelo mesmo estilo e responda com a duplicação em pontos de exclamação! E fico por aqui.

Nota final. A meu ver, o Bastonário não terá, como ex-jornalista, percebido que estava a cair num engodo da Comunicação Social e na sua ânsia de fazer passar a mensagem em grandes audiências, terá sido vítima dela, porque era óbvio que o fogo viria de vários lados. Já desde o Eça que “este país é uma choldra”, e não me espanta que tudo se conjugue para que o Bastonário fique isolado e os poderes que pretende afrontar triunfem como triunfaram até aqui, não ajudando este país e mantendo-o mergulhado neste caldo de cultura que só interessa aos que dele podem e se sabem aproveitar. O que está em jogo, embora seja matéria exclusiva destes operadores da Justiça Portuguesa, diz-nos também respeito, daí o interesse com que acompanho estas evoluções e é errado considerar-se que a tensão destas linhas de força deve ser-nos escondida. Ao contrário, o que desconheço, é que me traz insegurança. Temos o direito de conhecer a saúde dos organismos em que confiamos. Não é por haverem opiniões divergentes e formas novas de encarar os problemas existentes que vou ficar com “imagens de anarquia e desgoverno”. Do que tenho medo é do que não me permitem que conheça. E como já não sou novo, ainda me lembro como foi nesse tempo.
.

20 julho 2008

O Perigo do Pombos



A Revista DN Magazine deste Domingo publica uma razoável e oportuna reportagem sobre a praga dos pombos na cidade Lisboa, com o titulo “O perigo está no ar”. Leiam se possível.
.
Em 2005 e 2006 editei aqui estes textos: Os pombos e as suas merdas e, As doenças dos pombos, no seguimento da minha demanda com a Câmara Municipal de Lisboa para tentar ver-me livre desta peste que nos enfernezia a vida com o emporcalhamento dos locais que habitamos. Descubro também através do Sitemeter deste bloque que há mais gente preocupada porque muitas consultas tem sido feitas no Google a estes textos, através da frase: Doenças dos Pombos e outras com teor de preocupação sobre o excesso de pombos.

(Aspecto do meu carro numa zona de Arroios)

Troquei com a CML algum correio, mas nada consegui de efectivo a não ser algumas respostas pedindo-me paciência para aguardar o tempo necessário para que a política de administração de milho aditivado produzisse o efeito no controlo das várias posturas. Passaram três anos com a paciência nos limites e não só o controlo não foi conseguido, como as colónias se têm multiplicado pelo bairro, através de algumas idosas que dão ostensivamente alimento nas nossas barbas a qualquer hora, sem que algum polícia camarário as incomode. Vejo é muito carro com as rodas bloqueadas, isso sim, mas não digo que esteja mal, apenas comparo o zelo.!...

(Aspecto do passeio na esquina da avenida)

Acuso a CML de negligência no controlo da praga dos pombos, por não o ter conseguido e as actuais medidas serem ineficientes. Não entendo como se pode continuar a falar de forma tão cândida, como alguns (algumas) responsáveis o fazem perante a seriedade deste problema. O que fazemos com os ratos e as baratas é exterminação pura e simples e não é por isso que vamos acabar com eles na natureza, os pombos deverão começar a ser tratados da mesma forma. É assim aliás que se faz em algumas cidades da Europa: exterminação pura e simples. Já o aqui afirmei, na cidade de Malmo, na Suécia, por exemplo, onde não se pode dar um tiro num pássaro, existem atiradores especiais a controlarem desta forma o seu numero.

(Aspecto do passeio na outra esquina da avenida)

Para além dos prejuízos que causam a todos os cidadãos que têm que se proteger com sistemas anti-pombos e muita lavagem de viaturas, é legítimo perguntar: quanto gasta a Câmara anualmente, em milho tratado que é jogado fora porque os pombos não lhe tocam? Quanto custa ao cidadão esta política negligente de ocupar funcionários, viaturas e uma estrutura própria, para nada? Quem ganha no negócio dos pombos? Se ninguém ganha, porque não acabar com eles fazendo “efectivamente” capturas e tantas quanto as necessárias. É que eu vivo rodeado deles na zona entre Anjos e Arroios e não vi em todos estes anos uma única tentativa.

(Aspecto do passeio depois da alimentação ilegal)

E depois, se o ambiente à volta dos pombos é nojento, desde a quantidade de fezes que voam sobre a nossa cabeça, até à quantidade enorme de parasitas e larvas de varejeiras que eclodem nos que morrem, e não havendo alguns que se incomodem com isto, porque razão têm que sacrificar a maioria da população, com o receio de afrontar este exército porco de gente marginal em matéria de asseio? Sejam velhas ou novas, as pessoas têm que começar a pagar pela sua irresponsabilidade. Viver em sociedade tem regras e não é por ser-se inimputável que se está isento. Afectem-se os recursos policiais à fiscalização e penalização dos infractores como nos bloqueamentos das rodas nas viaturas e o assunto vai resolver-se.

(Resultado da limpeza na varanda de casa)
.
Isto não são imposições autoritárias de civismo ou correcções de Educação a pessoas com este déficit, é apenas fazer cumprir uma lei que existe por uma boa causa, a do bem comum.
.
Exijo que a façam cumprir, se podem. Se não podem, só conheço um caminho.


.

17 julho 2008

A Carta do Bastonário

Espreitei a recente carta do Bastonário aos Advogados e considero-a um documento importante para os operadores dos Direitos, mas arrisco em dizer que deveria ter um formato de Carta Aberta, porque a comunidade utente da justiça deveria conhecer as razões de algumas ineficiências, muitas das quais passam pelas denúncias ali apresentadas. Diria que tem em termos formais a vantagem de um texto simples e directo, claro para todos como aquele que se reconhece nas suas intervenções públicas, longe dos textos gongóricos e pedantes tão ao gosto de muitos – vide este exemplo/carta escolhido ao acaso, que: Illuminatuslex transcreveu, mas poderia ser outro, porque nem sei quem é o Dr. Maçarico, transcrito – e que não farão bem a ninguém a não ser apenas aos próprios.

Muitas daquelas denúncias já as tínhamos percebido: alguma Comunicação Social; os Ex-Bastonários; a conferência de imprensa patética do Conselho Distrital de Faro com aquele senhor a dizer barbaridades num estilo que deveria envergonhar, este sim, os advogados, e muitas outras movimentações tendentes ao mesmo.

Ficou para mim claro que estão aqui dois modelos em competição: um, a ver-se como casta a operar no universo do acesso à Justiça, e outro, a ver na aplicação da Justiça e na demolição dessa estratificação a razão de ser da sua força. Os advogados deveriam sentir orgulho por terem finalmente um bastonário que está a abrir as portas para renovar o ar daquela instituição e finalmente se equacionar a vida de tantos que por logro lá foram parar.
Reeditado em 23/07/08.
.

15 julho 2008

Em Notre Dame...

Feche a porta e levante esse som até ao suportável. Só estará bom quando lhe fizer ressonância na “alma”. O objectivo é mesmo esse, tremer por dentro.

Força. E não desista antes do fim...
.
.
..

E foram nossos Juízes!...

Numa altura em que alguns exigem explicações, é bom lembrar o que aconteceu e que ainda inculca o espírito de algumas paredes, ou se preserva como a natureza se guarda na semente. Leia a notícia integral do estudo no Público:

“Divulgado primeiro estudo sobre funcionamento dos tribunais plenários que julgava os opositores ao Estado Novo ...”

“...Durante a apresentação deste estudo, no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa (precisamente na sala onde eram realizadas os julgamentos do plenário), Rosas criticou que a maioria dos magistrados que pertenceram a estes tribunais tenham ficado impunes. Os autores do estudo referem que apenas os juízes que estavam nos plenários em 25 de Abril de 1974 foram aposentados compulsivamente. Os restantes acabaram a sua carreira no Supremo Tribunal de Justiça sem nunca terem sido julgados ...”
.
Notícia agradecida ao Alexandre.
.

13 julho 2008

Luis Represas

Se uma coisa não me causa engulhos é reconhecer nos outros, o mérito. Faço-o sempre com gosto, ao invés do esforço em que vejo muitos enredarem-se ou evitarem-no e outros por vezes mais petulantes, roubarem-no. Como a Carminda teve o mérito pelo bom gosto de ter-nos trazido esta excelente canção do Luís Represas, aqui fica o reconhecimento, mas também a cópia descarada da ideia. Obrigado Carminda, vou fazer um intervalo na minha música residente:

Luís Represas foi um dia a Cuba e disse quando regressou que a experiência do contacto com aqueles músicos e a sua a paz, a aceitação e alegria sofrida daquele povo o tinham marcado definitivamente: não se era o mesmo depois daquela experiência. Talvez esta canção como outras, já depois disso, sejam parte dessa influência, mas haveremos de ter mais certamente.
.

Os Sete Magníficos

Continuo a ter que pesquisar o resultado dos jogos na página da Federação, se os quiser saber, porque para os nossos media o importante é o pé do Ronaldo e o inglês do Scolari. Uma feliz conjugação de um bom lote de jogadores e um seleccionador como Tomaz Morais está a catapultar o nosso rugby, mas infelizmente a cultura desportiva da nossa informação, é rasca.

Os resultados, só vitórias, dos cinco jogos realizados hoje no Circuito de Seven de Hannover: à Roménia 38-0, à Espanha 28-5, à Alemanha 14-12, à Rússia 45-5 e Geórgia 26-12. Isto deu acesso à meia-final com a Irlanda, às 13H40, e provavelmente à vitória no Circuito a disputar com outro, às 16H25, para finalmente estarmos no Dubai. E para os que não sabiam, dominamos esta variante do rugby desde 2002, o que esteve certamente na base do último grande feito que foi o apuramento para o recente Mundial de 15 em França.
Aqui fica mais uma fonte de informação: o Blog do Aguilar que é um dos excelentes jogadores que está neste momento a participar no apuramento.

Actualização de resultados às 15H00: mais uma vitória nas Meias-Finais contra a Irlanda 14-12 e atingimos a Final com o País de Gales, às 16H25. Já volto.
.
E pronto, somos novamente campeões europeus, contra Gales por 26-12. Próxima etapa de fundo, em 2009 no Campeonato do Mundo no Dubai. Fiquem atentos, talvez agora apareça por aí algum orgão de informação que se digne dar notícias do rugby. Uma vergonha.

Farwest em Loures

.

11 julho 2008

For he's a jolly good fellow

Claro Tacci, neste blog também se bebe, de qualidade sempre que possível e que o preço justifique, mas com moderação, porque a quantidade diminui na razão directa da precaução.
.
Não sou um entendido, mas recentemente deu-me para pesquisas. Neste momento exploro a península de Setúbal - Casa Ermelinda de Freitas, em Fernando Pó - depois da descoberta do premiado Syrah 2005 e da aventura para o conseguir. Acabo agora de experimentar um parente, este Touriga 2006, mas o próximo a testar será o Leo D’Honor, que só é rotulado em anos garantidos para não lhe aviltar o nome.
Aqui fica a foto, enquanto aguarda oportunidade. Se houve uma área onde Portugal evoluiu, foi na forma de produzir vinho e isso merece também o nosso aplauso.

10 julho 2008

Portugueses de Excelência

(Reeditado)
Actualização dos portugueses de excelência, depois da entrevista de Marinho e Pinto a Judite de Sousa:
Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Mário Viegas, Amália Rodrigues, Manuel Alegre, **************, e Dr. Marinho e Pinto.
.
Muita inveja e preocupação há por aí, com estes portugueses fantásticos. Alguns já cá não estão e não tiveram em vida o tratamento que mereciam. Os outros, estão a ter o mesmo tratamento, mas impedi-lo depende de nós.

Mais uma vez o Dr. Marinho e Pinto mostrou a razão porque foi eleito: é a pessoa que melhor defende publicamente os Direitos Humanos e o cidadão, das injustiças da nossa Justiça. Seremos todos cúmplices se não o apoiarmos na pedagogia notável que está a fazer, ao afrontar de peito aberto a "corporação" mais fechada do país. A única que não foi tocada pelos “malefícios” da revolução e manteve assim a sua “pureza” de princípios!... Os exemplos que nos dá são suficientes para se perceber onde está o mal. Um livro já li e sei do que fala – só aquela senhora loura parecia não perceber - o outro, vou procurar ler.



09 julho 2008

O Bastonário Marinho e Pinto

Continua a ser interessante verificar até onde se pode resistir neste país quando se luta por fora de um sistema há muito instituído. Eleito pelas bases, tem sofrido a pressão pela sua ousadia e por falar de Justiça mesmo nas situações mais incómodas, independentemente da qualidade do utente. Agora a pressão vem das Delegações Regionais e hoje li num jornal que os ex-Bastonários estiveram reunidos. Não deve ter sido para comer pipocas.
Entrevista amanhã, dia 10 à noite, na RTP1. A ver.

Campos e Cunha

Agora diz que o Governo está a ficar molinho e anda a governar para eleições. Deveria querer mais sangue - que o povo aguenta apesar dos salários de miséria e das vergonhas no ranking. Mas basta fazer uma busca “Campos e Cunha reforma” e lá aparecem as perfomances deste senhor: “...O ministro de Estado e das Finanças acumula o seu ordenado com a reforma do cargo de vice-governador do Banco de Portugal. Luís Campos e Cunha recebe por mês, no total, cerca de 15 mil euros - oito mil de reforma e 6759 por ser ministro....” no Público, ou por exemplo: “...Campos e Cunha por ter sido vice-governador do Banco de Portugal durante apenas 6 anos, conseguiu aos 49 anos de idade, obter uma pensão desta instituição no valor de 114 784,00 €uros anuais (cerca de 8.000,00 €uros mensais), o que feitas as contas, significa que se, este impoluto cidadão, ex-governador do BdP, ex- Ministro das Finanças do governo de Sócrates, viver até aos 85 anos, arrancará ao Estado Português 1 milhão de contos - não, não é gralha, é mesmo 1 milhão de contos - só com esta reforma...” no Portugal Descrente, etc..

Por mim, foi personna non grata no goveno, tal era o ar macambúzio e mal disposto. Agora anda pela SEDES, cuja origem e matizes se conhecem. Eu lá tinha as minhas razões!... É mais um dos efémeros que com o tempo, passam, mas são dos que coloco na minha galeria de horrores pelo dinheiro que nos custam. Para estes não há caducidade de direitos adquiridos?
.

07 julho 2008

Portugal: um País, dois Mundos

(Reeditado)
Finalmente, Fernando Ulrich, do BPI, acabo de ouvir no telejornal, teve pelo menos o condão de ser o primeiro a reagir e a perceber que quando as coisas se agravarem perdem todos. Mas aquilo não chega. Aceita que se crie um escalão IRS para os vencimentos mais elevados.

A solução que admito, tem mais carácter de revolução tal é o encadeado de regalias privilégios e mordomias com que empenharam os nossos salários futuros para os sustentar, que não haverá lugar nem justiça económica para os suportar. Mas aquele desabafo está longe ainda de nos por a salvo do risco “da rua como campo de batalha” de que nos fala aqui “e-pá” e para o qual há muito venho alertando. São muitos os que sentem a injustiça de suportar a barbárie económica que despudoradamente os assalta. Suponho até que há, a quem custe mais suportar a injustiça de contribuir para vencimentos com tantos dígitos, do que olhar para a miséria dos poucos que leva para casa. É a honra que começa a ser afectada.

Não gosto muito deste discurso mas infelizmente começa a aparecer demasiado nas minhas reflexões: É, esperava mais da nossa classe política. Também eles me parecem estar desfasados nisto tudo. Olho aquela Assembleia e sinto que não merecem o que pago por eles. Acho-os caros. Bastante caros. E acho-os muitos. Demasiados, para o que de lá saí. Há ali muita gente anónima que me parece estar apenas para cumprir o número, o quorum. Metade dava bem conta do recado. Até as forças políticas fossilizam no discurso gasto e só dois ou três querem abanar o cenário. A impaciência e o desalento estão a tornar-me reaccionário, tenho que ter cuidado. Mas há muito por fazer em Portugal, e já vem de antes do Eça. Parece um ciclo (ou circo?) infindável e o paradigma é que todos nos sentimos a assistir a ele. Impávidos. Resquícios do feudalismo? Mas isso já foi há tanto!
.

06 julho 2008

Petição pelo D.Estefânia

O Hospital de D. Estefânia tem hoje mais valências do que quando o utilizei há anos com os filhos e continua a ser a melhor referência da Pediatria Portuguesa merecendo por isso devido reconhecimento internacional. Sensibiliza-me que a sanha demolidora que nos caracteriza se vire agora para este Hospital disfarçando o apetite que a rentabilização daquele enorme espaço exerce sobre qualquer gestão economicista, com argumentos que foram rebatidos assim: “...O princípio utilizado para justificar a implantação do HTS "Fomentar a centralização e partilha de recursos", é um conceito genérico abstracto apropriado a qualquer gestão de meios parcimoniosa e inteligente. Este princípio contudo quando é hiper valorizado e descontextualizado de uma visão de uma carta de serviços hospitalares, pode, como se prevê no HTS, transformar-se num instrumento de retrocesso cientifico e assistencial....”

“...Alguém poderá deixar de perceber o significado histórico, científico e cultural que é pactuar com a destruição do HDE, berço da Pediatria Portuguesa, tomando a titulo de exemplo de integração a comparação do HDE com a dum Hospital como o do Desterro, que dispunha na ocasião do seu encerramento de apenas duas valências de referência, já pré-existentes noutros hospitais do grupo !!?...”

“...Senhores, não se confundam nem esperem confundir-nos! O que se passa é que vocês, talvez inconscientemente, estão objectivamente a destruir o berço da pediatria portuguesa e o único Hospital que lhe é dedicado da Zona Sul do País !...”


Façam entrar ali uma equipa de jardinagem e outra com um plano de reabilitação hospitalar bem pensado, recuperem aqueles muros e gradeamentos, e Lisboa só terá que se orgulhar por não ter perdido o Hospital de D.Estefânia, só porque alguém se lembrou de vender os anéis.
.

04 julho 2008

Portugal mete Águas

O Grupo Águas de Portugal, cujo accionista único é o Estado, deve cerca de 1,7 mil milhões de euros à Banca e este número representa 1% do PIB português. A notícia está aí e pode ser lida na TSF, RTP, Diário Económico etc..

Que tenham havido investimentos desastrosos no âmbito da cooperação do Estado Português com outros, ainda podemos argumentar com a falta de jeito do Estado para escolher negócios ou para escolher gestores, o que já não se compreende é que parte desta ruína se deva a actos de gestão como este: “Este tribunal criticou ainda a gestão do grupo e apontou várias irregularidades como a acumulação de funções dos administradores do grupo que também executam funções junto dos Conselhos de Administração das empresas participadas.”... “Os gastos de 2,5 milhões de euros em viaturas atribuídas a administradores entre 2004 e 2006 constituiu outras das críticas feitas nesta auditoria, onde se diz que esta foi uma opção de difícil explicação considerando a fraca saúde financeira do grupo”.

Ora aqueles 2,5 milhões de euros em pópós da Administração, para termos uma noção de grandeza são, em dois anos, 501 mil contos! Mas vejamos também a nuance do argumento do Tribunal de Contas: “...uma opção de difícil explicação considerando a fraca saúde financeira do grupo” isto é, só é difícil de explicar por causa da fraca saúde financeira do Grupo ( ! ). Estão a ver isto? Até o TC tem pruridos em chamar os bois pelos nomes e se sente obrigado a suavizar dizendo que é só “pela fraca saúde financeira” do Grupo, porque se não fosse, estava explicado! É esta a mentalidade de quem nos governa.

Conhecemos a forma principesca como em Portugal se remuneram as Administrações, se ainda ao menos essa fosse uma remuneração que incluísse uma taxa de risco, assim à maneira de um seguro: Pagamos bem mas aceitas o risco de tribunal se meteres a mão na massa, ainda valeria o custo, mas nada disto sucede, saltam de um lado para o outro sem nódoa no currículum. Gostaria muito de ver explicados aqueles 2,5 milhões em carrinhos pagos com o nosso suor. Se virem, digam.

.

03 julho 2008

"Instrumentos do Diabo"

O recebimento deste link com esta proibição estapafúrdia que o Alexandre me fez chegar, leva-me a enquadrá-la da seguinte forma.

É provável que a justificação das restrições, penitências e regras de comportamentos individuais que as religiões impunham aos seus crentes, fosse a única forma possível de difundir, massivamente, naquelas épocas, ensinamentos úteis às comunidades congregadas, cuja finalidade a sociedade do Conhecimento mais tarde descodificou. Foram o caso das abstinências ou jejum que curiosamente tem como significado: dieta, e era a prescrição da “privação da carne” em determinados dias. Encontraríamos exemplos mais bizarros, com outros significados mas um mesmo objectivo, a coberto do cumprimento das boas práticas espirituais e religiosas de um crente.

Continuará a fazer sentido hoje que as religiões mantenham ainda alguns destes preceitos? Para mim e neste contexto, fazem mais sentido os preceitos do que as religiões, o que já não faz sentido, é que a prescrição dessas privações se faça ainda à luz dos moldes que enformaram a divulgação de algum conhecimento. Conhecendo o mau uso de algumas das tecnologias que os nossos jovens têm ao seu dispor, diria que o erro não está no fundamentalismo do facto mas na mensagem que ele transmite, vide: «instrumentos do diabo para levar as pessoas a pecar», ou «só procuram levar a população de Israel a pecar através dos vídeos e outras abominações». Concluindo, acho muito boa a ideia de os mandar pregar para o deserto e converter camelos.
.

29 junho 2008

O Rugby outra vez

A falta de notícias e relevo a esta modalidade obriga-me a fazer de gazeta desportiva. Continuam a não ouvir falar dela, mas agora vencemos outra vez categoricamente na segunda prova do Circuito Europeu, em Moscovo. Vejam aqui os resultados: 64-00 à Eslovénia; 63-07 ao Mónaco; 26-00 à Polónia; 19-15 à Moldávia; 19-00 à Ucrânia e na final 21-19 à Rússia, na sua capital. Segue-se a prova de Hannover, em Julho. Se quiz saber a notícia tive que procurá-la directamente na página da Federação!
.