02 junho 2009

Interesses, inveja, política.

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Finalmente os portugueses deram com Marinho e Pinto. Porém, apontar-lhe como defeito exactamente aquilo que acho que é a sua virtude, é tornar a concordância à volta do seu discurso num diálogo de surdos, porque não basta concordar acrescentando um “mas”, ao contrário, é precisamente esse “mas” a mais valia. Marinho e Pinto teve o condão de estiolar o sacro santo discurso desta falsa sociedade que impõe o tom de voz à razão, e o polimento do comportamento como verniz social ao suor que a força da verdade cria, isto, está ele finalmente a fazer com coragem, porque tem sido o arremesso dessas regras de meninos de coro bem comportados que tem castrado qualquer discurso de revolta. Em Portugal e nos portugueses, há ainda uma sociedade bafienta, retrógrada e conservadora, onde o engravatamento e o pedantismo se impõem surdamente como medos sociais para os acarneirar, para que outra espécie de sordidez verbal exista noutros moldes em circuito fechado. E é também nas erupções dos malfadados corporativismos das nossas classes profissionais que ele se manifesta, quer sejam médicos, magistrados, jornalistas, professores ou as tias da Quinta da Marinha, onde só se entra com santo e senha. Mas preparem-se, ele continuará a ser atacado por essa Direita elitista e mais estranho, é sê-lo também por gente ligada à Esquerda com ataques despudorados que mais parecem ciumeira. Sabem os que vos digo? Contra o castramento da revolta que nem pecisa de armas, viva a Maria da Fonte, porque o que mais temos são Cabrais. Aqui fica Baptista-Bastos, no DN Opinião em 27 de Maio, que pergunta: Quem tem medo de Marinho e Pinto?

"Não pode deixar de causar perplexidade os ataques de que Marinho Pinto (ou Marinho e Pinto) tem sido alvo. Ele não fala baixinho, não sussurra, não vive dos seus próprios venenos, e em nada contribui para garantir a quietude das águas palustres. Vai-nos revelando, com estremecedor vozeirão e gestos a condizer, que muitos componentes da sociedade portuguesa, criminais e legais, estão imbricados uns nos outros. E tem exigido que sejam submetidas a controlos reais algumas veneráveis instituições e suas actividades peculiares.

Não me parece que Marinho Pinto haja sido tocado pela desonestidade, pela indecência, pela indignidade, ou movido por interesses cavilosos. Querem-no brunido, direitinho, ajeitado, dentro da esquadria: um artesão formal da aplicação das leis e seu complacente vigilante. Ele é, definitivamente, o contrário dessa banalização precaucionista que atingiu todo o tecido social e garantiu a instauração da indiferença, do abandono cívico e, finalmente, da coisificação do medo.

As velhas classificações foram recuperadas do pó dos armários ideológicos: populista, esquerdista radical, chavezista; e apontado, acriticamente, à execração popular, entre maliciosas meias-frases, silêncios ambíguos e sorrisos equívocos. O homem fala alto e grosso, enfrenta situações perigosas porque, nitidamente, está a mexer em áreas historicamente inamovíveis e diz-nos de uma justiça, na sua opinião "miserável" e desprovida dos "valores mais elementares."

O discurso do bastonário da Ordem dos Advogados exige uma reflexão profunda e uma discussão alargada, não o aluvião de injúrias e de insultos de que ele tem sido objecto. Na minha opinião, o que Marinho Pinto tem vindo a afirmar quebrou uma espécie de solidariedade aldeã, ou seja: aquilo que nos era apresentado como poderoso bloco, inabalável na coesão, sem ferrugem e sem mácula, um dos pilares da democracia, não passava de uma farsa avariada. Ele tem ou não razão? Ele mente ou diz a verdade? Ele é, ou não, um homem sério? Conhecem-se-lhe desígnios menos claros do que os sabidos da opinião pública? A exigência ética que proclama é a afirmação individual de um combate ou a máscara de uma fatal incoerência?

O problema complica-se, ainda mais, quando se evoca a "cadeia" da justiça, tal como a compreende o comum dos mortais. Contudo, o comum dos mortais é diariamente confrontado com a desconstrução do que deveria ser o grande edifício democrático.

Dizem que ele acusa sem nomear. Mas, os que dizem, nomeiam-no sem rigorosamente o acusar de coisa alguma. Convém interrogarmo-nos sobre o que nos não tem sido dito."

Post-Scriptum: Não sei se reparam, já restituiram o braço e a arma à Maria da Fonte!...

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31 maio 2009

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Serralves em festa

Fui em tempos a Serralves e no mesmo dia à Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, ver uma exposição única e irrepetivel do nosso naturalista Souza Pinto. Serralves e a Gulbenkian transpiram sossego, ambiente e cultura. Serralves é lindíssima. Serralves está neste momento a fazer “uma directa”: festa non stop durante 40 horas. Muita festa! Mas imagino o que seria neste momento, se Serralves oferecesse àquela gente – quem sabe quantos, pela primeira vez a vê-la – a festa desta exposição:


Não posso deixar de pensar naquilo (a arte (!) obviamente) sempre que falo agora de Serralves. Não sou um vanguardista – até porque verdadeiros, há poucos – estou apenas preparado para os interpretar, porque se há uma coisa que não quero é perder-me no caminho, e porque quero estar no grupo dos que conseguiram ver antes. Mas parece que esse condão nem sempre passa por mecenatos.

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30 maio 2009

26 maio 2009

A Coreia e o Mundo

Enquanto a Coreia do Norte faz miséria armando-se até aos dentes desafiando a opinião pública mundial – e se são arrepiantes os limites de veneração daquele povo, e a apetência pela exibição bélica daquela gente! - aqui fica uma surpreendente simulação da porra da esperança que ainda nos resta, ainda que publicitária que importa agora.
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Gostava de ouvir outra vez o deputado do PC, Bernardino Soares. Acreditamos os dois em utopias mas não são só ligeiramente diferentes.
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22 maio 2009

Marinho arrasa Moura Guedes

(Reeditado por inclusão de novo vídeo. E agora, fica em acabamentos porque o tema merece)
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Finalmente, alguém teve a coragem de desmontar em directo o embuste jornalístico que é a Manuela Moura Guedes nos telejornais da TVI. Só podia ser o Dr. Marinho e Pinto. Esta senhora, quase tem o condão de nos fazer defender o que acusa. Estar ao contrário dela, é meio caminho para estar certo.

A forma como o Dr. Marinho e Pinto rebateu a Manuela foi soberba e foi o triunfo da Justiça de uma forma inesperada, mas não faltarão agora os tais puristas do costume, os mesmos que a mantêm refém entre as teias de aranha dos seus imobilismos, a vir atacá-lo pela veemência utilizada na defesa das acusações despudoradas que a Moura Guedes lhe fazia. Que coragem aquela! Que orgulho tenho estar entre as pessoas que mais o admira neste país. Faço daqui um apelo aos advogados que o elegeram: não desistam deste Bastonário, porque nunca como hoje senti que um advogado pode fazer tanto pela Justiça que nos falta, e devem perguntar-se porque razão colecciona inimigos tão poderosos. É um momento único para a advocacia portuguesa, aceitem fazer parte das transformações que este país precisa. Veja no link em baixo:
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Post-Scriptum I - As ondas deste episódio continuam na net e tenho lido textos e comentários fantásticos de apoio ao Dr. Marinho e Pinto, vou seleccionar este, por ser de alguém que o conhece das lides académicas, pela qualidade do autor e pela sua capacidade de síntese. Clique no link abaixo e vá ler o resto do comentário de: e-pá! - de Dom, 02:57 PM, que subscrevo:

(...) “Desde o dia da sua eleição que começou no interior da corporação uma impiedosa "guerrilha", a que não são estranhos os grandes escritórios de advogados. Estes tem acesso - quando querem - aos media e, em momentos críticos, intensificam a guerrilha e ameaçam-no com a destituição.” (...)
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Made in Portugal - II

A propósito do post interior, e do que escrevi aqui neste, aquela notícia pode bem ser o indicador de uma mudança de paradigma que possa estar a operar-se de uma forma menos visivel. É a leitura que faço dela e dos exemplos que a TSF nos relata quase todas as manhãs, neste programa, Made in Portugal. Abra o link e veja em qualquer exemplo se aquilo não são excelentes notícias. O de ontem dia 21/05, falava-nos de válvulas portuguesas a funcionar por esse mundo, e o de hoje 22, dá o exemplo de uma fábrica numa aldeia do Norte, já com patentes registadas e com uma exportação de 99% da sua produção, mas os exemplos estão lá e são muitos. Vamos ou não recusar-nos atirar a toalha ao chão antes de tempo? Esqueçam lá as Susan Boyle e outras com que os media nos encharcam.

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21 maio 2009

O jornalismo que temos

Não fui eu que vi, foi um amigo que me chamou a atenção para o facto. A notícia deste link para o vídeo do Diário Económico, só veio publicada na 29ª página do Diário de Notícias do dia 20. Vigésima nona!... Até lá, foi o passar pelo chorrilho do costume. Estou-me nas tintas para quem beneficia das boas notícias nacionais, o que me importa é se elas são ou não boas para o meu país e se contribuem ou não para o optimismo que tanta falta nos faz.

19 maio 2009

Nunca será cá!

Reeditado.
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A forma como o parlamentar britânico Michael Martin vai acabar politicamente a sua carreira, fez lembrar-me os casos dos nossos turbo-deputados e as célebres viagens-fantasma que por cá deram em nada, e ainda, o recente pedido de justificativos do Tribunal de Contas às despesas dos nossos grupos parlamentares. Se juntarmos a irupção dos isaltínicos desvarios que o nosso povo premeia na política com o voto, ficamos com a medida do nosso nível de exigência e rigor, e com um quadro confrangedor do nosso subdesenvolvimento ético.

Só por cá é que não há drama, tudo é intriga e trama.
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17 maio 2009

O fecho do Dona Estefânia

O Dr. Gentil Martins é a nível mundial uma referência nacional de que deveremos orgulhar-nos. É por isso muito importante a sua posição sobre o encerramento do Hospital de Dona Estefânia. Veja aqui porque é contra o modelo que se propõe, porque no nosso país insistimos em andar ao arrepio de processos já em desuso noutros. Mas o “Fecho de Hospitais Civis de Lisboa rende 175 milhões de Euros ao Estado”. Claro, lá tinha que vir o negócio com a Saúde pelo meio!
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Não se fique por isto que diz a Dra. Teresa Sustelo: “o hospital pediátrico individualizado está contra o mais moderno que se está a fazer no mundo” e “Hospitais do futuro vão ser multi disciplinares com biólogos e até matemáticos e concentrados ao invés de unidades especialidades e isoladas”, e veja a excelente resposta dos médicos do Hospital de Dona Estefânia: “Apresentamos alguns exemplos de imagens de Hospitais Pediátricos que estão a ser construídos em todo o mundo. De facto o mundo anda ás avessas do nosso Ministério da Saúde. Propomos assim que a Administração do Centro Hospitalar notifique a Google por transmitir informação desactualizada". Clique no link e veja os modernos hospitais dedicados à criança que a Dra. Teresa diz que afinal já não se constroem, para achar que é o seu modelo que é válido, mas que afinal enferma é disto: - Confunde “Modernidade” em construções hospitalares, com o “Modelo Tecnológico Monobloco” hoje considerado desumanizado de que o actual plano funcional do futuro Hospital de Todos os Santos é exemplo e já está ultrapassado há cerca de vinte anos.
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14 maio 2009

Versões do Capitalismo

Resisto sempre a replicar aqui os email que vão chegando e que acho mais graça, mas não resisto a este recebido do Alexandre. Então, o capitalismo é assim :

CAPITALISMO IDEAL - Tu tens duas vacas. Vendes uma e compras um boi. Eles multiplicam-se, e a economia cresce. Tu vendes a manada e aposentas-te. Ficas rico!

CAPITALISMO AMERICANO - Tu tens duas vacas. Vendes uma e forças a outra a produzir o leite de quatro vacas. Ficas surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO JAPONÊS - Tu tens duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois crias desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO - Tu tens duas vacas. As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS - Tu tens duas vacas. Elas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO - Tu tens duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que tu querias mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO - Tu tens duas vacas. Conta-as e vês que tens cinco. Contas de novo e vês que tens 42. Contas de novo e vês que tens 12 vacas. Tu paras de contar e abres outra garrafa de vodka.

CAPITALISMO SUÍÇO - Tu tens 500 vacas, mas nenhuma é tua. Tu cobras para guardares as vacas dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL - Tu tens muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO BRASILEIRO - Tu tens duas vacas. E reclamas porque o rebanho não cresce...

CAPITALISMO HINDU - Tu tens duas vacas. Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS - Tu tens duas vacas. Foram compradas através do Fundo Social Europeu. O governo cria O IVVA - Imposto de Valor Vacuum Acrescentado. Tu vendes uma vaca para pagar o imposto. Um fiscal vem e multa-te, porque embora tu tenhas pago correctamente o IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que tu tenhas 200 vacas. Para te livrares do sarilho, tu dás a vaca que resta ao inspector das finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho... E vida alegre !!!
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Santarém

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Aqui, há duas concepções de património lado a lado. Tão perto que se vigiam. Uma pena!


07 maio 2009

Superbe!

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Uma amiga da bonita região da Normandia acaba de me surpreender, com a oferta deste belíssimo pastel com 65 x 50, que me deixou sem palavras. Primeiro, porque é um excelente trabalho, segundo, porque me alegra ver uma amiga ao fim de todos estes anos revelar-se com uma qualidade que eu desconhecia, terceiro, porque confirma o que já disse aqui várias vezes: muitos desconhecem vocações por nunca as terem testado. Depois, porque me passa a bola ao responder ao desafio que lhe fiz. Aqui fica para ela o agradecimento e o elogio público, e para vocês o desafio.

Merci Claudine!
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06 maio 2009

Desejo-lhes a falência!

Depois do espanhol El Corte Inglês que arruinou grande parte do comércio de Lisboa, os espanhóis da Chamartín abrem amanhã o maior Centro Comercial do país, um dos maiores da Europa – claro, tinha que ser - área <> 12 campos de futebol, é o Dolce Vita Tejo entre Amadora e Odivelas. Só quem não conhece a pressão sobre o comércio de rua e a ruína que causam à dinâmica da vida das cidades poderá passar a fazer dele o seu passeio de domingo. No final do ano havia mais 57 centros para abrir em todo o país. Solução: não os frequentar até falirem e correr através do voto com os autarcas que possibilitam isto. De outra maneira acabamos com as nossas cidades como as conhecemos, passarão a ser ruas desertas para marginais. Por mim, estou a contraria-los, só compro nas ruas da cidade.

BPP: claro, oportunismo!

Um amigo tem feito chegar-me a sua indignação por email, sobre que se prepara no caso BPP:

“Carlos Tavares, o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), ao defender o recurso ao fundo de garantia de depósitos para o reembolso das aplicações dos clientes do BPP, esqueceu-se de considerar que as respectivas taxas de juro oferecidas por este banco eram muito superiores às praticadas no mercado bancário para os normais depósitos a prazo, o que configura a existência de uma concorrência desleal, por parte do BPP, também já denunciada pelo presidente do BPI. E é essa concorrência desleal que Carlos Tavares está a defender, tentando premiar, com o dinheiro dos impostos dos portugueses, o claro oportunismo daqueles clientes, que se julgaram mais espertos do que os outros. Por outro lado, aquelas aplicações foram reguladas por um contracto escrito, onde numa das cláusulas aparece a referência ao risco assumido na operação, o que à partida retira àquelas aplicações a característica formal de um depósito bancário normal, constituindo uma razão mais do que suficiente para não serem incluídas no balanço do banco e não poderem ser, por uma mera manobra contabilística, cobertas pelo fundo de garantia disponibilizado pelo Estado (impostos dos portugueses) para os depósitos insolventes dos bancos. Se este cenário, avançado por Carlos Tavares, viesse a verificar-se, com a conivência do Banco de Portugal e por decisão governamental, consumar-se-ia mais uma grande imoralidade, com mais um esbulho dos dinheiros públicos, aprofundando-se assim, mais uma vez, a crescente e promíscua relação entre os bancos e o Estado, e que já está a tornar-se obscena.

Que parece estar a concretizar-se:

“Tal como eu previra, uma nova manobra está a ser urdida para reembolsar, com o dinheiro de todos nós, os clientes do BPP, cujos investimentos, aplicados por grosso na especulação bolsista, lhes proporcionaram reembolsos de mais valias, superiores à remuneração obtida pelos depósitos a prazo normais. Esses investimentos, designados por depósitos de capital garantido, mas que contratualmente assumiam o respectivo risco inerente às operações a que se destinavam, não podiam fazer parte do balanço do banco, o que levou governo, e muito bem, há dois meses atrás, a excluí-los do fundo de garantia criado para os clientes titulares dos tradicionais depósitos a prazo, no caso de ser declarada a insolvência da instituição.

Agora, aparece uma proposta de viabilização do banco, desenhada pela nova administração, onde o que se destaca é o pedido de mais dinheiro ao Estado para reembolsar aqueles clientes, constituindo o tal megafundo, o que, a verificar-se, constitui mais um escândalo. Não bastava já o escândalo do BPN, onde o Estado injectou biliões de euros para salvar os accionistas e todo o tipo de depositantes, deixando incólume as empresas do universo da Sociedade Lusa de Negócios, confrontamo-nos agora com este despautério e com esta injustiça de, provavelmente, virmos a assistir ao negligente e descarado esbanjamento do dinheiro dos impostos dos portugueses, para premiar especuladores.

O protesto e a indignação, perante esta imoralidade, é um direito que nos assiste e um dever imperativo que se impõe.
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03 maio 2009

Branqueamento do Estado Novo?

(Reeditado)
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Mário Crespo foi o único correspondente da RTP acreditado na Casa Branca. O FBI investigou-lhe a vida toda para que o pudesse ser. Isto é, este senhor nunca fez ondas, um bom indício para os Americanos e para muita gente. Eu tenho outra opinião.

Disse no JN: "(...) É a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo (...)" via Pátio das Conversas.

Escrever nestes termos sobre a nossa Democracia para compará-la com o Estado Novo é insultuoso, e uma vergonha que como jornalista não tenha pejo de o fazer, apenas para atingir o seu objectivo. Dizer isto desta forma, obriga-nos a perguntar ao MC, onde é que estava quando fizemos a Revolução, para conseguir falar com esta leviandade sobre a censura do Estado Novo. Que horrível desconstrução se permite fazer no interesse da sua prosa. Como pode explicar aos descendentes, o que foi viver no Estado Novo? Será uma baralhação, porque da comparação ganha o Estado Novo. Já não são muitos os jornalistas que podem testemunhar o que foram os horrores do lápis e o cerceamento da liberdade, mas sentirão a indignidade desta declaração e deste claro branqueamento duma ditadura de 50 anos. Branqueamento do Estado Novo! É isso mesmo, é estranho o que está despudoradamente a fazer, e como cidadão que senti na pele a falta da liberdade e o medo daquele Estado, não lhe admito.

O que terá o FBI investigado, que o abonou!?
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Em 04/05: Faz agora todo o sentido esta virulência de Mário Crespo na comparação da nossa democracia com o Estado Novo, depois de lermos isto. Bem me parecia que tinha ficado subitamente azedo, uma faceta que não lhe conhecia.
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02 maio 2009

Alguma Esquerda

É uma tristeza que isto se passe na Esquerda que gostaria de ver reconstruída. Afinal estou longe, muito longe desta gente, destes dirigentes, deste sectarismo doentio. Como podem estes senhores sorrindo, apontar-me utopias que me convidem ao caminho, para me desancarem no virar da esquina se achar que me enganei? É que estamos longe da Calábria! Ou são reacções irreflectidas por alguma espécie de omertá que os limita? Sempre achei que até no debate a consanguinidade é um perigo. Estas faltas de tolerância tentam empurrar-me de onde estou, mas não será bíblia nenhuma que em nome destas barbaridades me fará calar ou arredar.
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Aqueles dirigentes já esclareceram, à maneira de: alguém está a vitimizar-se e só têm que pedir desculpa! Assim mais ou menos: coma e cale! Qual emenda, qual soneto?
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01 maio 2009

Bonitas mas Perigosas

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Ajudando uns amigos, decidimos arrancar aquela planta do centro do jardim por ser cada vez mais um empecilho com a suas folhas em serrilha. A odisseia deixou-nos de rastos porque aquela aparente erva de caniços altos vai construindo suporte na terra e crescendo em circular sobre si própria, transformando o pequeno ancoramento num enorme caule com várias braças de perímetro. Um tronco de madeira serra-se, mas um tronco fibroso com diversos camadas de resistências diferentes põe-nos à beira de um ataque de nervos, resistiu à serra, ao serrote, ao machado e ao que havia de mais contundente, resistiu ao fogo porque era verde, quem não resistiu fomos nós. Largamos a malvada, descaniçada, mas definitivamente alapada no formato que lhe permitiria continuar a dar caniços quando voltássemos as costas. Espécie terrível esta que até hoje lhe desconhecia o nome! Só a força brutal de uma máquina a demoveu, deixando uma cratera.

Um mês depois, vejo numa visita ao Norte que não havia leira de cultivos abandonados que não estivesse engalanada e coberta com aqueles elegantes penachos. Lá pus a questão aos amigos com que ia mas ninguém sabia do que falava. Conheciam aquilo como uma planta decorativa. A praga alastrou e vejo agora os arredores de Lisboa com a mesma invasão. Só hoje finalmente conheci aqui no De Rerum Natura o seu nome, e confirmei tratar-se de uma das cinco mais graves infestantes que temos: é a Erva-das-Pampas ou Penacho. Livrem-se dela.
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29 abril 2009

A Frota Parlamentar

Lá estou outra vez na inveja social, mas se é verdade que o discurso que se subentende neste vídeo serve que nem ginjas a um qualquer caciquismo anti-parlamentar, não há também dúvida que o nosso parlamento se pôs a jeito. Dificilmente o povinho entenderá o excesso nestas mordomias. Quase nem parecem simples e comuns mortais com estes luxos, alguns vitalícios. Espanta-me que alguns dos beneficiados não as recusem, mas não há bela sem senão e também sempre disse que não acreditava em homens providenciais, já que dos partidos que suportam isto, a minha deriva começou há muito. Uma chapelada a Nuno Melo, ao seu gesto e ao seu Triumph.

Sobreiros abaixo: Covilhã

A saga da destruição do sobreiro, para implementação de redundantes rotundas por esse país, não pára. Ensandeceram todos e agora a doença espalha-se para Norte. Tenho pelo sobreiro um respeito quase reverencial, talvez por estar-me impregnado na matriz que vem de longe, e tenho aqui denunciado ou antes, lamentado, porque não me resta outra hipótese, tanto atentado à nobreza desta árvore, da qual somos um dos maiores representantes mundiais. A notícia caiu-me ontem em cima, pela TV: "... mais uma Câmara etc. etc. etc."

Fiquei sem palavras. Sobreviveu apenas aquela sensação de nojo por esta gente que domina o nosso panorama autárquico, pela falta de cultura, de respeito, de consciência ambiental, de tudo. De tudo. Só me resta o p.q.o.p.
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A Gripe Suina

Do Inquietude Permanente do Prof. João Vasconcelos Costa, recebi de um amigo um email com novos alertas para esta questão da variante da gripe, agora Suína, ou Mexicana. O Prof. JVC exerce a sua actividade profissional em Biologia Molecular e Virologia, e tem nestas questões uma opinião exterior à oficial que nos é dada a conhecer. Vejam-se os textos sobre a Gripe. Aguarda-se mais informação com esta credibilidade.
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Reedição: E assim aconteceu, o Prof. JVC está numa atitude responsável a acescentar mais informação sobre o problema.
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27 abril 2009

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As nossas limitações

Um exercício em que temos dificuldades, é despir convicções e preconceitos para entendermos o outro. Se falharmos uma audição hoje, dificilmente teremos de alguém amanhã uma opinião isenta porque, sem que nos dêmos conta, o nosso filtro só deixou ver e ouvir o que os nossos sentidos quiseram.

21 abril 2009

Foi em Abril


... e o que foi bom há 35 anos, é poder dizer hoje que assim como fiz este cravo, também inventei e fiz Revolução.
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20 abril 2009

O nosso cão e D. Nuno

Ora bolas, então agora que os portugas andavam felizes com um cão de água português na Casa Branca, e afinal é considerado pelos espanhóis um cão ibérico!

“La mascota del presidente de EEUU es autóctona de la Península Ibérica. Es de la misma familia que el perro de agua español, pero más grande. Originariamente, recibía el nombre de 'turco andaluz' y era perro de pastores. No suelta pelo y es perfecto para alérgicos, como la hija pequeña de Obama." Daniel G. Lifona

E D. Nuno Álvares Pereira? Também não escapa, os convites para a canonização em Roma foram misteriosamente impressos com o nome do santo portuga guerreiro transformado no espanhol “Alvarez”. Mas nada destas coisas são intencionais! Não. Isto são é as minhas lucubrações anti-iberistas. Leia: “Gafe” no Vaticano?!...

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15 abril 2009

Marinho e Pinto, sem medo.

“...o legado do medo que nos deixou a ditadura não abrange apenas o plano político.”

“... Porque na sociedade portuguesa actual, o medo, a reverência, o respeito temeroso, a passividade perante as instituições e os homens supostos deterem e dispensarem o poder-saber não foram ainda quebrados por novas forças de expressão da liberdade....”
José Gil em: "Portugal, Hoje – O Medo de Existir".

O povo deste país tem de há muito uma espécie de temores reverenciais, que por insistência histórica tem originado que muito pouco se inscreva na vida dos portugueses, o que de certa forma alimenta um poder que o tolhe e lhe sonega a Justiça. Isto acaba também por estar na base do que fez com que José Gil desse ao seu livro aquele título.

Vem isto a propósito da entrevista de ontem à TSF e do apoio que tenho dado ao Bastonário Marinho e Pinto, porque acredito que como ele diz, é a liberdade plena que move o seu espírito na procura da Justiça e quem não o entender, ou não quiser, dificilmente estará com ela de corpo e alma - isso não seria pecado, porque há muito quem cumpra o seu desempenho apenas de corpo presente - mas ao contrário, Marinho e Pinto está com a sua convicção e a verdade que lhe lemos no que diz, a romper com o discurso formal e a ousar entrar no castelo da Justiça tentando que se alterem regras internas de poder e domínio que fizeram da nossa Justiça aquilo que vemos.
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Hoje, quase gostaria de ter feito uma licenciatura em Direito, para poder ter o prazer de o ajudar com o meu voto. Mas, trazer um cidadão externo como eu, para a causa da Justiça, é já uma mais valia que nenhum outro se pode orgulhar. Continuo porém a temer, pela poderosa corporação que está a enfrentar, se a grande base que o elegeu vacilar no seu apoio.

Não vale a pena dissecar aqui a sua excelente entrevista de ontem à TSF, basta ouvi-lo neste link, abrindo depois o comando do som e fazendo pause neste blogue.

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09 abril 2009

"They are heros of a kind"


que fala dos heróis desconhecidos deste excelente documentário feito há décadas por canadianos, sobre a aventura dos portugueses na pesca do bacalhau nos mares do Norte do Atlântico, quando um telejornal traz a imagem do “Argus”, que apesar de ferrugento e mal tratado foi resgatado num leilão num porto das Antilhas por um empresário português. E como diz o narrador, “they are heros of a kind”. Um país também se constroi com a memória.
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07 abril 2009

L'Aquila, Itália.

Tenhamos ainda fé no Homem. O cenário, são os destroços do terramoto e muita gente voluntária de coletes reflectores vestidos, empenhados em ajudar os que sobreviveram e o desespero na tentativa de novos resgates. Um fragilizado cidadão de L’Aquila, com tudo esboroado à sua volta, dizia ao repórter da TV, com a voz a embargar, mais ou menos neste italiano:

- La gente non si aspettava questo. Sono fantastici. Un vero esercito di angeli.

Depois, foram o silêncio e as lágrimas, a única forma possível de agradecer.
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06 abril 2009

A Suiça e o Segredo

Basta uma pesquisa como esta para ver o que se diz sobre as off shore e o segredo bancário em vigor em países tão respeitáveis como a Suíça. Como se sabe, um dos seus sustentos é aquele negócio de viver com o dinheiro sujo que lhes chega, grande parte desviado de países pobres de todo o Mundo, pela corrupção, pela guerra, pela droga, e ninguém se questiona pelo sangue e pelo sujo que o mancha. Há alguns anos atrás os Suíços respondendo sobre sobre o tema, disseram sem a menor dúvida que não concordavam com a abolição do seu sistema de contas secretas. Pudera!
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Assim temos vivido, aceitando aqueles sistemas a funcionar, considerando que eram perigosos esquerdistas os que se atreviam a questionar a forma legal de manutenção daqueles paraísos da riqueza. Hoje, parece começar a haver algum pudor e um incómodo de que estejam a fazer parte da nossa história. Vale mais tarde do que nunca. Os Suíços e os países que fechavam os olhos a estas imoralidades vão ter que fazer uma reciclagem aos seus conceitos de ética e vão descobrir outras formas de se governarem na vida. Se não aproveitarmos agora para a mudança, a próxima não será uma crise, será uma catástrofe planetária.

26 março 2009

Invejosos Sociais

Como se diz aqui, Invejosos Sociais, é o que somos! É a nova moda. Mas não é apenas Sócrates a classificar-nos desta forma, anda até mais gente a não gostar que nos indignemos com o escândalo dos vencimentos anuais dos nossos gestores! Começam a perder a vergonha por esse discurso. Também João Marcelino por exemplo, diz no DN: “Este clima de puritanismo é nefasto. É mais uma razão para desgostar os bons quadros e promover a inveja mesquinha” Assim mesmo, tal qual!... É claro que enroupa a crónica com outra conversa mais soft, mas: ”puritanismo nefasto”, “desgostar os bons quadros” e “inveja mesquinha”?. Com gente desta cá, e AIG’s nos States, começo a duvidar que esta civilização dê volta a esta crise gerada no egoísmo dos sistemas neoliberais que nos impuseram e em cuja solução recusam agora colaborar, dizendo que somos nada mais nada menos do que: invejosos. São estes peitos inchados de vento, sumidades que acham que diferenças de vencimentos de 450 para 40.000 euros/mês estão correctas e se justificam neste mundo em estertor.

Não há sistema democrático que consiga repor alguma decência nisto, e é isso que é preocupante. A única via possível quando as massas se fartarem teria que fazer tábua rasa do Direito. O problema, é que as massas podem mesmo não se importar de prescindir por algum tempo de um Estado de Direito, ou mais grave: nem tenham tão pouco possibilidade de se importar com isso. Quanto a mim, apenas e só, porque também elas pagariam a factura. Perante tanto egoísmo, já estou assim.

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24 março 2009

Quem lhes corta o pio?

O exemplo do Portugal triste que não quero está aí pasmado nas reacções mais absurdas a uma falta mal assinalada, apesar de corriqueira nos fins de semana da bola. Por causa disto, já houve trolha, pela primeira vez deitada fora uma medalha numa prova oficial, e pela primeira vez reclamada a sua não aceitação, há demissões na direcção da Liga, há treinadores que choram, há dirigentes em desespero por não conseguirem ganhar o troféu de que foram os maiores impulsionadores, há um senhor Dias Ferreira na TV a reclamar que o clube não castigue o jogador que agrediu o árbitro, este senhor é para além de comentador residente, advogado (?!), ex-dirigente do Sporting, irmão de sangue da família laranja, mas para mim sobretudo, incendiário desportivo com declarações destas e outras que lhe costumamos ouvir. De repente, lembro-me que o Sporting tem como ídolo o único jogador português que agrediu violentamente um treinador nacional, e foi recebido no estádio em delírio. Não deve ser por acaso. Há ainda, en passant, um árbitro ameaçado de morte e há um clube pateticamente em histeria: o Sporting. Que exemplo ou sinal acha um clube destes estar a dar da nossa imagem, sobretudo aos jovens que gostam de futebol? Toda a gente viu o que aconteceu, só o Sporting não. Coisas recentes aconteceram ao Benfica, ao Braga, ao Rio Ave e a outros. O árbitro errou e veio depois de visionar o lance reconhecer isso mesmo. Eu próprio, só depois de rever a imagem confirmei que apesar da inflexão do braço, que engana os árbitros, a bola só é jogada afinal com o peito. Erradamente induzido pelo alarido apitou, e a confirmação só veio afinal do outro árbitro que também foi enganado pela dinâmica do lance. O Sporting parece agora, perante o exagero das suas reacções descabeladas, assentar as suas lamurias no facto de não ouvir uma palavra de dirigentes, particularmente do Benfica. Coisa estranha esta, o poder de acalmia reclamado!
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Entretanto as Juves, os Boys e os Ultras vão-se alimentando do veneno destilado pela irresponsabilidade destes senhores que ganham balúrdios com o futebol que supostamente deveriam defender. Quem lhes corta o pio?
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22 março 2009

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Almada no Restelo

Sendo Almada Negreiros para este blog, uma referência como português, artista plástico, escritor e vanguardista sempre, em qualquer tempo, tudo quanto a ele diga respeito merece o devido destaque.

Na recente polémica com a Casa de Alcolena ao Restelo, onde um valioso património estava em vias de ler levantado e que foi tão bem denunciado pelo Cidadãos por Lisboa, faltava-me o essencial, saber do que falávamos e a isso não havia maneira de ter acesso.

Uma intervenção na página dos CPL, esclareceu-me a dúvida e é justo dizer aqui que afinal estava tudo muito bem documentado com fotografias de Paulo Cintra, na proposta apresentada pelos CPL para salvar aquele valioso espaço. Aqui fica o acesso neste link, para os Cidadãos por Lisboa. Veja o rico património que estava em causa.
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18 março 2009

Carta a um amigo

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...nessa altura, não havia carta que não fizesse sem a abertura da garrafa que continha os restos poupadíssimos de um velho Calvados que daí trouxe. Os restos foram-se, o perfume esfumou-se, mas uma das últimas garrafas vazia ficou, como vês, e preserva ainda a memória de uma das coisas mais bonitas que temos, a amizade. Conclusão: há coisas que resistem à falta de rega!

Preciso dizer-te o que falta mais?
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Foi a partida

"... no principio era o verbo". Era o começo! Mas se a eficácia prometida se perdeu, não foi por culpa do Arroios mas pelo movimento que dependia dos outros, esses, ficaram sentados e nós partimos sozinhos. Olhamos em frente e empenhamo-nos em Ítaca. De vez em quando, vão passando caminheiros mais lestos que nos renovam a esperança e validam a viagem. Obrigado a eles.
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14 março 2009

Sobreiros, outra vez?!

(Reeditado)
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Depois daquele, foram mais este e este atentados em Setúbal e agora, mais este com umas centenas deles em Almeirim, ocorrências com poucos dias de intervalo, tão próximas que até parece que umas estão a encorajar as outras. Já não sei o que pense deste país em que as leis se suspendem para voltarem a valer depois ao sabor dos interesses ocasionais e locais, nem sei o que pense acerca desta fúria assassina com os sobreiros. Só encontro uma explicação: Ninguém pagou ainda com o pelo na prisão aqueles atentados, e quando há penalizações elas cobrem as mais valias geradas. Só pode ser isto. De outra forma ninguém arriscaria ficar uns tempos à sombra misturado com meliantes sujeito a vir de lá a pegar de empurrão. Só quando isso acontecer os sobreiros deixarão de cair. Mas confesso, gostava de ver alguns a sair de lá de rabo assado.
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Reeditei o post, porque mal sabia que enquanto incluía o link do assunto de abertura deste texto, ele voltaria a estar na ordem do dia. Vejo agora num telejornal e confirmo aqui no JN que há ainda quem tenha o mesmo entendimento e sinta a mesma revolta pela forma como tudo isto se faz em Porugal. Mas está dificil, como pode ler!
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12 março 2009

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Setúbal vs. Sobreiros

Quando os autarcas de Setúbal não encontram outra forma de gerir um município, ou atrair investimentos para a região que não seja à custa da desmatação do concelho, arrancando sistematicamente sobreiros, uma árvore protegida, como já o deixaram fazer aqui, por razões comerciais, está chegada a altura de dar lugar a outros que o consigam fazer sem ter que vender os dedos juntamente com os anéis. Agora, foi autorizado o abate de mais de uma centena de árvores para instalação do centro de aprovisionamento de uma empresa comercial!... Repito, comercial, sim, porque comércio até parece ser aquilo que mais falta faz neste país. Já fui a favor da regionalização, mas cada vez me convenço mais que autarcas destes sem freio, hipotecariam o resto do país.
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10 março 2009

Arruaceirismo na A.R.


Vem este comentário que deixei no Pátio das Conversas a propósito daquele ditado popular, que é nem mais nem menos do que o convite à zaragata. Se eu não reagir como um árabe ou como um cigano a um qualquer desaforo, quer pelo meu estado de espírito, pela minhas diferenças culturais, sociais, religiosas etc., em relação ao provocador, a minha família já não é boa porque eu decidi não reagir? Eu posso reagir a um desaforo pelo direito que tenho de me indignar, nunca porque a minha família é boa ou má. Um exemplo típico é aquele em que num ambiente de trabalho ficam todos suspeitos pelo desaparecimento de uma carteira e os mais assanhados decidem lavar a honra quando a vítima insinua que a suspeita recai no colectivo. Nessa altura, estes samurais são os primeiros de que suspeito!

Tenham juízo, não metam as nossas boas famílias nos nossos desentendimentos, e já nem no Japão há samurais a fazer espichar sangue, o mundo e a nossa civilização evoluíram nesta matéria. Ainda faltam os árabes e os ciganos, mas haverão de lá chegar.
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06 março 2009

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Afinal a história repete-se!

"In "Chinatown, Africa", Vanguard correspondent Mariana van Zeller travels to Angola to investigate China's rapidly growing presence in Africa. While many welcome China's investment, others see reason for concern. Chinatown, Africa is revealing look at a growing superpower's adventures abroad"

Uma amiga fez chegar-me um email/catástrofe cujo conteudo se pode adivinhar neste primeiro parágrafo: “A crise econômica atual e uma futura guerra civil nos Estados Unidos vão impulsionar a divisão da maior potência do planeta em repúblicas que ficarão sob influência de diversos países. A opinião é do analista russo Igor Panarin, um ex-agente da KGB que atualmente lidera a formação de diplomatas no Ministério das Relações Exteriores, em Moscou. Apesar de improvável, sua tese vem ganhando espaço na mídia russa nas últimas semanas....”

Da forma como tudo é previsto, diria que o ex-agente tem mais perfil de vidente do que analista, mas como tinha visto um dia antes a excelente reportagem de Mariana van Zeller, do link de introdução, fez-me pensar na reconfiguração geo-estratégia mundial em curso, com novas potencias a emergirem, como a China, e resolvi responder-lhe desta forma, complementada com aquele vídeo.

“Não custa nada revermos a história que estudamos porque aí vamos encontrar as respostas. Se atentarmos na ascensão e queda dos maiores e mais bem organizados impérios que a humanidade já viu, facilmente chegamos à conclusão que qualquer império tem um tempo de vida útil. Não é assim difícil de antever que o império americano não vai durar para sempre, porque a dinâmica do seu desenvolvimento pode ter transportado também o germen da sua implosão. Sempre foi assim: nascimento, apogeu e queda, como a vida dos seres à face da Terra. Não tenho dúvidas que um dia isso acontecerá, não sei é quando, e a fragmentação motivada por egoísmos internos pode ser uma das formas. Não esqueça, e já escrevemos sobre isso, é o egoísmo humano o nosso calcanhar de Aquíles. A emergência de outras potências ainda com muito por explorar, a China por exemplo, que consegue por nos confins de Àfrica trabalhadores seus a "ajudar" países africanos por troca de minérios, trabalhando em condições quase infra-humanas, ajuda nesse dequilibrio de poderes. No fundo é a reedição do que os americanos fizeram pelo mundo, noutros moldes, indicando que afinal a história se repete, porque os homens fazem sempre as mesmas asneiras.“
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03 março 2009

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Agora, é proteccionismo.

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Tenho mantido no blog um link residente e fiz aqui e aqui apelos para o Movimento 560, por entender que os portugueses têm abusado de adquirir produto estrangeiro, baseados numa realidade que foi verdade há muito, mas que não faz sentido hoje, porque o que fazemos internamente em nada fica a dever ao que vem de fora e são muitos os exemplos da superação, conforme disse no post Made in Portugal. Mas são agora vários os amigos que me enviam emails com um pps: “Compre produto nacional – compre código de barras 560”. Ora, é precisamente neste momento que deveremos moderar esta atitude por confirmar-se como uma medida proteccionista que em nada ajudará: se não comprarmos estrangeiro, e o estrangeiro não comprar ao estrangeiro, ficaremos certamente todos a jogar ao pau com os ursos. Retiro assim provisoriamente aquele link, voltando depois da crise, para vos lembrar que a mão de obra nacional deve ser apoiada.
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28 fevereiro 2009

Faianças Borbalo Pinheiro

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"Salvaguardar o espólio e a fábrica Bordalo Pinheiro e contribuir para a definição de uma estratégia que reposicione a marca Bordalo Pinheiro são alguns dos pedidos endereçados numa carta aberta ao primeiro-ministro, José Sócrates, pela artista Joana Vasconcelos, pela empresária Catarina Portas ou pelo presidente do Centro Português de Design, Henrique Cayatte, entre outras personalidades ligadas às artes e ao design, “As notícias recentes e inquietantes sobre o futuro da Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro obrigam-nos neste momento a manifestar-nos publicamente. Por preocupação com um património histórico único e em defesa da obra de um artista que desde finais do séc. XIX integra o imaginário nacional”, pode ler-se no documento. A carta pode também ser subscrita em:"


Recebido por email. Imagem Wikipédia.
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23 fevereiro 2009

Oscars!...


- Não trago discurso, faltam-me as palavras e não sei se estarei à altura desta aposta! Para não falhar vou manter-me assim por aqui, surfando a mesma onda virtual, porque foi assim que aqui cheguei: piano se va lontano!
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21 fevereiro 2009

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Seres Decentes

"Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si. O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber. Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira. O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor. Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros. Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro. ..." Continue a ler no link do texto.
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Este post vem com atraso mas não posso deixar de editá-lo. Não é por divergir do pensamento político de Ramalho Eanes que vou deixar de sublinhar o extraordinário comportamento ético que teve o ano passado e que aqui bem realçou nesta boa crónica Fernando Dacosta na Revista Tempo Livre, do INATEL. Chamou-lhe Seres Decentes, o título não é meu.
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16 fevereiro 2009

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Karl Marx

(Reeditado)
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..."Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado". Em "O Capital", 1867.
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Com muitas dúvidas e poucas certezas, só me resta reflectir sobre o que se passa e tentar pesquisar e saber sem complexos, o que significa efectivamente o momento que vivemos. E é preocupante:

”... Pessoas no mundo inteiro foram sacudidas pelos eventos dos mercados financeiros. Agora estão procurando por respostas e, como não as acham em nenhuma das teorias económicas oficiais, dominantes, eles se voltam para o único que previu o que está acontecendo hoje, o Marxismo!...”. Leia o resto do artigo no link.
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Nota: Este post faltaria à verdade, se não dissesse que foi editado porque tem por base o email que mais vezes me foi repetido num único dia, pelos amigos. Poucos não me fizeram chegá-lo hoje e se o fizeram, é porque também eles têm poucas certezas.
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15 fevereiro 2009

As "pressões"

Os delegados do Sindicato dos Magistrados do MP vieram agora numa moção queixar-se de pressões. Perguntados sobre que pressões, ninguém esperaria que as concretizassem, mas se é destas questões que falamos, fará sentido utilizar um termo como “pressões” para nos deixar ficar a todos preocupados?:

..."Entretanto, questionado pela TSF, o secretário-geral do sindicato recusou-se a dizer em concreto a que «pressões» a moção se referia, afirmando apenas que têm a ver com notícias recentes e que podem inclusive tratar-se de «situações imaginadas» que, «uma vez noticias, são suficientes para criar pressão»"....

Ora bolas!...
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12 fevereiro 2009

Sobreiros ou Shoppings?

O Sobreiro, símbolo da floresta mediterrânica e a âncora da preservação do frágil habitat do montado alentejano e a única que juntamente com a azinheira dá àquelas pobres terras a nobreza de não se resignar perante a dureza com que suporta os rigores do tempo ao longo de séculos, foi hoje barbaramente atacado com um desprezo chocante, em Setúbal. Não lhe tinha já bastado este crime e a doença que o mina, que se tenta combater, e teve agora mais este atentado. Foram hoje começadas a ser arrancadas, serradas, 1331 árvores, algumas com mais de cem anos, para que uma empresa imobiliária, mais uma, implante ali um Centro Comercial, mais um, com casinhas à volta, e que a Câmara de Setúbal, o Ministério do Ambiente e o da Agricultura, consideraram projecto de suficiente interesse nacional para que justificasse esta barbaridade.

Defendi Sócrates na campanha do Freeport, pelas razões aqui apresentadas, mas não entendo desta vez como foi capaz de admitir que um Centro Comercial com um aldeamento à volta é de suficiente interesse nacional. Depois, a vilania do promotor que manda atacar aquelas árvores à pressa sabendo que pode chegar a qualquer hora a ordem de suspensão do abate, pelo recurso interposto pela Quercus é revoltante, é criminoso e aqui tem a comunicação social uma tarefa útil: traga cá para fora todos os nomes dos actores envolvidos nesta peça para os conhecermos e fixarmos os seus nomes. Não haverá por aí uma lei que prenda gente desta, ainda que armados da lei?

Reedição: Esta miséria fede tanto que me fez truncar o interesse do projecto. É interesse público e não nacional, ou seja, um interesse subalterno na galeria dos interesses. Pior ainda. Mas devo esclarecer que, relendo o que escrevi, utilizei uma palavra para classificar os intervenientes que não me orgulho de ter escrito. Rectifico assim sem grande custo, o erro que eu próprio detectei.
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10 fevereiro 2009

O correio electrónico

A praga das correntes de email que não devemos quebrar, os falsos alarmes e outros convites e falcatruas que originam spams e nos complicam a caixa do correio, deveriam merecer um pouco mais da nossa atenção. A partir de uma certa altura em que fui submerso por eles e em que eu próprio ridiculamente caí, decidi começar a investigar para responder aos remetentes com a evidência das falsidades. Passou a ser também um jogo divertido: investigação electrónica. Tenho desmontado as coisas mais absurdas, e até com extrema facilidade, desde o alerta para leis que não existem em Portugal porque se reportam ao Brasil, ao escárnio de aberrações urbanísticas supostamente em Portugal, mas que se referem a outros países, a meninos e meninas desaparecidas que já apareceram há anos, reclamações sobre falsos débitos nas facturações da EDP e muitas outras situações, têm agora no meu computador uma pasta dedicada para dar resposta imediata.

Sem querer dar lições, porque sou apenas um utilizador sem pretensões, sugiro a consulta ao mais simples que encontrei: WIKIPÉDIA, para sabermos naquilo em que colaboramos quando não somos prudentes no uso que fazemos do correio electrónico.

Cartoon de Matson retirado daqui: Castelo de Marfim
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08 fevereiro 2009

Odisseia no espaço

Gostaria de viver a mesma experiência daquele astronauta que andou fora da nave suspenso no espaço, não tanto para ficar esmagado com a beleza e claridade indescritível que envolve a Terra durante o dia, ou com o escuro profundo da noite e que segundo ele nenhuma câmara conseguirá captar, mas para saber o que aconteceria ao olhá-la de cima e vê-la reduzida a um grande pião a rolar lento à minha volta. Algum efeito irreversível teria, a avaliar pela forma como aquele astronauta americano, olhando depois cá de baixo para o espaço perguntou intrigado: This me really happened?

O que acontecerão às nossas convicções políticas e religiosas? Que evolução se produzirá do nosso pensamento? Fico sempre com a sensação que estiveram noutro patamar da nossa evolução ou vieram do futuro, pela impressão com que ficam da nossa dimensão neste Universo. Por enquanto, ele começa no nosso umbigo.

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07 fevereiro 2009

Pardelhas

Entretanto, as crianças da Aldeia de Pardelhas levantam-se às seis horas da manhã para poder estar às oito na Escola em Mondim de Basto, a 30 km de distância e chegam a casa já de noite com os ténis e calças ensopadas do dia inteiro, apenas porque têm que andar ao ritmo dos horários dos transportes colectivos camarários.

05 fevereiro 2009

Serenade

Ouvi hoje esta Serenade de Franz Schubert que está aqui em fundo musical, e vai depois ficar em link como homenagem que faço ao padre que nos dava a disciplina de Canto Coral e Religião e Moral, no Liceu Salvador Correia, em Luanda, onde nos reunia no ginásio em horas extras, para ensaiar músicas como esta para a festa anual. Bom homem, dedicado ao que fazia, alguma coisa me transmitiu de bom, mas não conseguiu deixar semente germinável da doutrina que o movia. Traí os seus ensinamentos e alguns dos seus mandamentos, mas não a boa memória que tenho dele, daqueles momentos e desta Serenade.
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03 fevereiro 2009

Todos podem pintar - III

Um dos maiores problemas que uma inesperada inactividade profissional coloca, motivada por desemprego, reforma ou outra questão, é o preenchimento desse vazio, através de alguma coisa que o compense. Para além de actividades físicas alternativas cada um deveria em tempo útil programar esse período de outra forma. Todos nós teremos certamente uma descoberta a fazer dado que: “Mais tarde ou mais cedo, todos percebemos qual é o nosso maior talento e tentamos investir nele. A aposta nesse primeiro talento parece certa e natural, mas hoje em dia sabemos que a inteligência fica potenciada se conseguirmos desenvolver os chamados segundos talentos. Os especialistas em comportamento e motivação que identificaram a Inteligência Emocional (IE), classificam-na como a forma mais completa de inteligência. A IE define-se como o largo espectro de talentos e capacidades que todos temos. Racionais, relacionais, afectivos, artísticos e por aí adiante. Por sermos todos dotados de muito mais do que um talento, vale a pena identificar os outros e cultivá-los.”

Por mim, bem ou mal, já não tenho mãos a medir como vêem! Falta-me é tempo!...

Salve o DN

Afinal são os dois! Começa assim a petição: "Cerca de quatro mil cidadãos já tinham subscrito, ontem, 2 de Fevereiro, os manifestos públicos em defesa do "Jornal de Notícias" e do "Diário de Notícias", os dois jornais centenários atingidos pela intenção do Grupo Controlinveste de proceder ao despedimento colectivo de 123 trabalhadores, 61 dos quais são jornalistas ao serviço do JN, do DN e ainda do "24 Horas" e de "O Jogo".
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Assine aqui: Petição para salvar o Diário de Notícias. E se ainda não assinou esta, assine agora: Petição para salvar o Jornal de Notícias.
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01 fevereiro 2009

Freeport?! Duvido.

A defesa que faço de qualquer figura acusada na praça pública, tem mais a ver com o espírito de confiança que o implicado me transmite, do que simpatias pessoais, ou do seu desempenho público. É uma questão transversal ao seu posicionamento político, pelo menos no meu caso, como já se percebeu aqui, em relação ao caso Freeport. Desse modo, não seria por um jornal implicar Cavaco em qualquer falcatrua que me poria a duvidar a sua honra. Tenho naturalmente muitas dúvidas sobre os desvios que Sócrates imprimiu ao PS, mas não o vejo no papel em que anda a ser metido. E este benefício da dúvida, é um crédito de confiança que não consigo alterar sem motivos fortes para isso, e não é este jogo mediático de meios de Comunicação Social à beira da falência que me farão ver as coisas doutra forma. Não vou fazer aqui uma ronda pelos blogues que o consideram culpado antecipadamente, porque para isso já basta o que nos entra em casa a toda a hora embrulhado como notícia. Sigo antes o rasto de quem anda a escrever no sentido inverso. Veja nos links a seguir se desta forma não lhe parece que o caso Freeport tem andado a ser mal contado:
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