08 outubro 2009

Justiça amuada.

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Parece ter havido polémica na inauguração do Campus da Justiça e o protesto de 17 juízes levou-os a não comparecer ao corte da fita. Passei agora no Parque das Nações para verificar porque razão houve tanto protesto, e francamente, duvido que haja outro sector em Portugal com o privilégio de ter um conjunto de edifícios com aquele nivel. Pelo que vi, aqueles juízes perderam mais uma oportunidade de dizer ao povo português que não são as prima donas que fazem deles. Esta atitute não pacifica e parece ser de facto uma agenda de confrontação com o outro pilar do Estado mas esse, nós podemos eleger e por essa razão o podemos sentir mais próximo. A foto e o quadro neste link, não dão a ideia total mas vale a pena ir ver.
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Os pombinhos camarários

Nem Costa nem Santana souberam ou quiseram resolver este grave problema de saúde pública e higiene urbana da cidade, que são as toneladas de cáca de pombo que caem anualmente sobre as nossas cabeças. O cidadão, que não dispõe da mesma protecção que o senhor presidente no largo da Câmara, continua entregue a si próprio, como quem diz, à justiça popular. Recursos disponíveis contra a invasão: uma pressão de ar; não travar e esparramá-los no asfalto; o trigo roxo; em desespero de causa tolera-se que o mais alucinado resolva com o pé que tiver mais à mão; dar uma morte assistida aos desgraçados adoentados que já andam meio mortos pelo passeio; e finalmente a arma poderosa deste vídeo. Mas um dia destes processo a Câmara Municipal de Lisboa por negligência.
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03 outubro 2009

Como funciona o fogo.

O link Youtube que reproduzo a seguir, foi-me enviado pelo outro Graza, o júnior, com a indicação de que era:
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Tem razão, Richard Feynman conseguiu isso porque era uma inteligência brilhante, daqueles que tudo quanto fazia era bem feito. Vaidoso das suas capacidades, mas até esse pecado se lhe perdoa. Não posso deixar de não acrescentar que foi um dos cientistas da nossa época que mais admiro, também pela sua fascinante personalidade. O livro cuja capa aqui reproduzo é um dos que considero no top da minha biblioteca. Sempre recomendável.
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01 outubro 2009

Rei morto, rei posto.

Este presidente já deu provas do que vale, precisamos de alguém com estofo e sentido de estado e já agora, que saiba um pouco mais de vulnerabilidades, já para não falar de Camões.

Manuel Alegre é a única solução lógica de um candidato abrangente da Esquerda.
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Que fique claro, se o PS avançar com Jaime Gama para candidato a Belém e preterir mais uma vez Manuel Alegre, vou engolir um sapo vivo e pela primeira vez abstenho-me. Alguém que se verga tão miseravelmente a Jardim, não se limitando a cumprimentos de circunstância mas a elogios deslavados, não tem estatura nem estrutura moral para ser P.R., ainda por cima apoiado por Lello’s & Ca.

Jorge Sampaio, foi um dos melhores Presidentes da República, mas esta repescagem diminui as potencialidades de um voto comum da Esquerda, porque é mais uma teimosia do PS e continua a ser uma afronta ao universo que votou Manuel Alegre.
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O PS, que teve uma das suas maiores derrotas da história, quando Alegre foi segundo contra Cavaco, ficando a uma unha negra, sem nenhum apoio partidário, que tenha agora juízo, pela sua teimosia temos hoje Cavaco em Belém, e garanto que quem apoiou Alegre não esquece o tratamento miserável a que foi sujeito.
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26 setembro 2009

Vão formatar-nos a sopa!

Quantos sabem o que é o Codex Alimentarius? Quantos sabem o que se passa por detrás de uma cortina que vai por em causa o futuro da alimentação humana como a conhecemos hoje, a nível planetário?

É obrigatória a leitura deste tema. Clique no link e veja esta transcrição preocupante, feita em Uivomania.
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23 setembro 2009

A Liberdade.

- Há quem não queira ser livre!

O seu a seu dono: a frase, foi uma constatação desanimada de Pedro Lomba, na RTP2, a propósito de uma sondagem que dava 75% de respostas a favor do voto obrigatório.

Há frases como tiros. E se este for no povo também um mecanismo a considerar, que explique o fascínio episódico das sociedades para formatos tirânicos de organização política que legitima as ditaduras? É como se no fundo, um medo maior de outra coisa, a Liberdade, não sei se a sua se a dos outros, mas tanto faz agora, se sobrepusesse a um tipo de medo reverencial ao ditador, tido normalmente como um salvador de pátrias.

Mas esses, serão sempre medos e coisas de berço mal tratadas, porque é isso que leva a que haja tanto sacripanta coberto pela legitimação do voto, sempre de botas bem lambidas.
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18 setembro 2009

(+) militantes (-) Partido

Segundo a Lusa, MFL sugeriu que o assunto da compra de votos “só surgiu por se estar em período de campanha eleitoral”. Ok pronto, é a politica à portuguesa, mas, isso só vale quando é o PSD a ser afectado? E depois não percebemos este só. “Só surgiu”?! Não lhe parece que este “” está ali para diminuir o acontecimento? Acha que deveria ser assunto para continuar a negligenciar fora da época de caça ao voto? É que segundo o DN reportando à revista Sábado, há seis anos que vem acontecendo isto: (...) "Aliás, houve um aumento exponencial de militantes sociais-democratas na distrital de Lisboa. Em seis anos, de 2002 a 2008, o número de militantes aumentou de 8326 para 14 082". A propósito da sextuplicação da secção E, a Sábado encontrou um exemplo de um militante, Felismino Vaz, que revela que "nunca pagou quotas nem sabe quem as paga" (...)
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Isto explicará um pouco aquela expressão que parece desvalorizar uma prática que pode ser punível com pena de prisão? Last but not least: aqui não há cartas nem fontes anónimas, há gente a dar a cara e não parecem ser infiltrados, estes cinco elementos são ou foram militantes. Resumindo, mais uma trapalhada com os tais dois habilidosos elementos da sua lista que contrariam aquele seu v da verdade.
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17 setembro 2009

Os militantes fazem o Partido.

“Pare com o TGV senhora ministra que o povo não aguenta. Pare, depois fazemo-lo nós.”
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A cena foi-me relatada por uma amiga e passou-se esta semana no Hotel Turismo, na Guarda. Manuela Ferreira Leite acaba a sua reunião/comício, os militantes dispersam, os jornalistas saem de cena, os carros dos repórteres abandonam o local, mas numa sala ao lado do Hall do hotel uma única equipa de televisão ficou mais tempo para afinar a reportagem para enviar para a estação, e a minha amiga consegue aperceber-se do valor atribuído pelos repórteres ao pedaço de gravação daquele apelo.

Perguntou-me depois interessada na conclusão, se tinha ouvido aquilo reportado nos jornais de campanha para saber se no estúdio se tinha dado o mesmo valor àquele episódio. Não pude confirmar! Que pena tive não poder concluir a sua investigação. Se alguém ouviu, ajude.
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16 setembro 2009

MFL chama o azar.

Juro que ouvi isto ontem na rádio. MFL respondendo à pergunta de uma jornalista, sobre uma sua declaração antiga, esclareceu: “O que eu disse em tempos foi que como o azar me persegue, se um dia for Ministra da Defesa, os espanhóis invadem Portugal”.

Entendamo-nos. Nem os espanhóis querem que venha a ser Ministra da Defesa, nem nós queremos alguém no governo que chame tanto o azar como a Senhora. Fique quieta por favor.
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14 setembro 2009

O voto e o patriotismo.

Uma coisa é estar-se agora contra o TGV, tendo estado a favor há 5 anos e também, perceber que na unicidade do termo Iberismo, em vez do Luso-Espanhol, há uma tendência para o desvirtuamento da nossa matriz, funcionando sempre como um catalisador de hegemonias indesejáveis, até pela desproporção territorial se não houvessem outras a ter em conta. Outra questão é, em campanha eleitoral, chamar à liça o patriotismo como argumento, misturando com independência económica e outros. Não me recordo que alguma vez um líder partidário tenha utilizado tão desesperada e abusivamente este sentimento, pelo qual deveria haver mais respeito. Está a valer tudo e a perder-se a vergonha!
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12 setembro 2009

“Fuck them”. Que se fodam

(Reeditado, devido a estas declarações emitidas 12 horas após este post)
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Eles que se fodam! Dr. Manuela Ferreira Leite e Dr. Cavaco, foi mais ou menos isto traduzido que saiu daquela boca que mais parece de charroco, que é a do vosso elogiado João Jardim, esse “democrata” eleito pelos democratas da Madeira, que os vossos democratas do PSD de Lisboa tanto admiram. Fuck them! Eles que se fodam! Assim, tal qual, mas é preciso referir que a tradução de inglês para português daquele pronome dá para as várias situações consoante o género que faz a critica: Fuck them <> Fodam eles - Fodam elas - Fodam os - Fodam as - Fodam lhes, e por aqui me fico que até já me sinto mal.
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Alberto João e a subserviência dos políticos laranja às suas provocações enojam como enoja o elogio de Manuela Ferreira Leite ao arejamento que lá sentiu, depois de andar no continente com falta de ar. O povo da Madeira pode ter o conceito de democracia que bem entender, respirar o ar que mais gostar e escolher quem quiser para o governar, mas nós temos o direito de exigir que o Estado e os portugueses do Continente não sejam permanentemente mal tratados. A raiva que se detecta em cada máscara imbecil quando se refere aos continentais e que a grande maioria dos madeirenses sufraga, deveria levar-nos a ir mais longe e de uma vez por todas acabar com as dúvidas deixando de estar sobre chantagem permanente, perguntando-lhes de uma forma clara o que querem: Autonomia com respeito e sem sobrancerias, ou Independência para darem largas ao seu apoio ao mestre sem algum constrangimento democrático? Não sou o primeiro a sugerir isto, já por cá alguém disse o mesmo. O que já não suportamos é que as audiências que ouvem aquilo o façam também com um sorriso acéfalo que só recupera a capacidade na hora do voto. Basta!

A Madeira terá cerca de 250 mil habitantes, a parte restante dos verdadeiros democratas seria aqui sempre bem acolhida como já demos provas disso em 1975.
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Reedição: Até na forma como coloca a questão, invertendo-a, se vê o carácter deste homem. Se os madeirenses perderem a autonomia não ficando a ganhar com a independência, a Alberto João e ao PSD devem pedir responsabilidades, porque todo o seu percurso e discurso apontavam neste sentido. Mas foi pena que as coisas não tivessem ficado claras mais cedo, é que assim teriam sido os transmontanos a beneficiar do nosso apoio.
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07 setembro 2009

Limpar Portugal!

Lido de outra forma a frase pode ter outras conotações, mas trata-se efectivamente de uma limpeza às lixeiras do nosso país. É uma cópia do que aconteceu na Estónia em Maio de 2008 e que um grupo decidiu levar à prática também em Portugal. Veja neste link: Let’s do it Estónia, como foi feito.

As utopias só existem porque nós não as concretizamos. Para inverter, eu e mais uns quantos estamos a cumprir a nossa parte, se o objectivo falhar o que contou foi o tal caminho para lá chegar... Não é? Deixe a política à porta e inscreva-se aí sem medos, e no dia 20 de Março de 2010, observe o resultado:
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05 setembro 2009

Coisas da Guedes

(Reeditado)
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04 setembro 2009

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TVI: interferência externa?

Mais tarde ou mais cedo aconteceria, e o incidente talvez seja o primeiro depois de Olivença. Aqui está finalmente a razão porque mostrei o meu incómodo com a aquisição da TVI por espanhóis. Com este episódio do cancelamento do tão aberante telejornal da Sexta, em período eleitoral, a empresa que detém a TVI, interfere na vida política portuguesa. Para percebermos o ridículo, digam-me se os espanhóis permitiriam que de Portugal saísse uma ordem para calar uma TV em Espanha.

Mas tão ridículo como isto foram as reacções oportunistas a que assistimos, porque em vez de protestarem com as interferências externas na nossa Comunicação Social, distraíram-se todos tolamente no mesmo acto necrófago não parando para pensar que isto só lhes interessava a eles e não ao PS. A ética perde todo o sentido quando num naufrágio só alguns cabem na prancha. A seguir, virão as acusações de vitimização e um lume brando preparado para tudo, etc. etc. Esta forma de fazer política pouco faz por nós, mas nós pouco fazemos para lhes dizer que merecemos melhor. Uns chamam-nos Invejosos Sociais, outros, trazem-nos cordatamente atrelados pela ânsia do voto.

A reter: Se “seria suicídio político retirar o Jornal antes das eleições” e se dizem que a PRISA anda em guerra há muito com o PSOE, o que pode querer dizer este estúpido acto de gestão? Uma coisa é certa, é uma aberração estarmos na expectativa que uma empresa espanhola se digne dar-nos explicações sobre o que anda fazer com a nossa Comunicação Social.
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01 setembro 2009

Promulgo!

Se a Segurança Social que Cavaco promulgou nos vai ficar mais cara.
Se as grandes e imorais reformas de milhares não são tocadas.
Se há gente que garante pensões douradas com meia dúzia de anos de trabalho.
Se temos que descontar uma vida para obter resultados muito inferiores àqueles.
Se a existência de regimes especiais de S. Social nos medem em portugueses de 1ª e 2ª.
Se até há um economista que aceita a redução da sua pensão por achá-la injusta.
Se quem faz as leis não altera isto, fazendo beneficiar-se em causa própria.
Se o Banco de Portugal e outros que tal metem nojo.
Se somos um enorme Conselho de Administração que se auto-remunera e promove.
Se são os pobres e a classe média que pagam esta luxúria, sem poder intervir.
Se o nosso protesto político não resulta, tirando uns e pondo outros.
Se os partidos do poder sabem que não o fazemos, porque fazemos disto futebol.
Se apesar disto, sabendo isto, vamos votar para vomitar a seguir.
Se eles sabem que a Democracia é uma garantia para ...“legislar”.
Se os cidadãos não se organizam fora do sistema.
Se o sistema não permite que o cidadão intervenha fora dele.
Se os media estão conluiados com estes poderes sem rosto.
Se nós conhecemos o rosto dos homens destes poderes.
Se antecipando os efeitos não actuamos nas causas, por inacção, ou não.
Só há uma solução:

Revolução!...

Entretanto, para amesquinharem os nossos sentimentos de revolta, descobriram o palavrão mais execrável desde o 25 de Abril, chamam-nos: Invejosos Sociais.
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31 agosto 2009

E se isto for verdade - II?

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O facto de não fazer coro com correntes das quais se aproveita algum desleixo cívico, não impede um olhar atento sobre outros argumentos. Quando há personae non gratae envolvidas, pior ainda!...
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28 agosto 2009

142


Castelos na areia

De regresso, e na retoma ao habitual café matinal, lá volto à realidade:

- Então, leu a Visão da semana passada?
- Não!
- Gestor do Citigroup compra castelo na Alemanha com bónus de 100 milhões de Dólares por resultados obtidos em 2008!
- !... 2008?

Pesquisada a notícia, aqui está ela também numa revista brasileira: Isto é Dinheiro, com o título, Eu sou o senhor do castelo. Este eu, é um tal Andrew Hall.

Fica com isto claro, que foi uma veleidade acreditar que a recente crise mundial motivada pela especulação e pela ganância, seria aproveitada para rectificar a forma como este mundo anda governado. Porque este grupo aproveitou das medidas de emergência que o povo americano está agora a pagar, não deixa de ser mais uma aberração que o Tesouro norte-americano tenha aprovado aquele bónus. A pior dúvida quanto à crise que advirá da forma como esta for tratada, já não é no quando, mas no quanto grave ela será. Viremos certamente a ter saudades desta.

Não esqueça no entanto de verificar a forma curiosa como se achou que o este Hall mereceu aquele dinheiro: o aumento do peço do crude acima dos US$ 145 o barril com a perturbação das economias de todo o mundo.
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Cá está, tinham razão! Onde está Obama?

22 agosto 2009

As falésias

(Reeditado)
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A Direita conseguiu com o desastre da Ponte de Entre-os-Rios, através de uma asquerosa campanha da Comunicação Social, o desgaste de António Guterres que levou à derrota estrondosa nas autárquicas que se seguiram. Delas tirou Guterres as devidas ilações e deu lugar a quem viesse fazer melhor, e tivemos depois o famoso discurso da tanga com a fuga para Bruxelas. Aí está mais um desastre quase a jeito antes de eleições. Corro os jornais e vejo já por lá as comparações e o nome de Sócrates. Veremos.
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Foi uma familia feliz inteira que ali ficou. Isto deveria servir para nos por todos de acordo quanto à gestão destes problemas, é que até as falésias constituidas por maciços graniticos sucubem, quanto mais as areníticas.

Curiosamente, continuamos a ver dois dias depois pessoas encostadas às falésias, confiando que aquela não vai cair naquele dia. Vimos também uma TV dizer que continuam por apurar “as causas” da tragédia. Só espero que não se lembrem de começar a deitar abaixo todas as falésias do país. Vamos deixá-las cair naturalmente, tirando deste exemplo, mas não o único, as devidas conclusões. Vamos monitorizar o que for possível, alertar de acordo com os riscos, mas não façamos da nossa indiferença ou do nosso desconhecimento a responsabilidade de alguém.

O que menos nos falta nestas alturas são engenheiros-de-obras-feitas. Era uma expressão da minha mãe.
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21 agosto 2009

O cavalo Lusitano

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Devemos à Coudelaria de Alter do Chão (Alto-Alentejo) o apuramento desta extraordinária raça de cavalos. Lá, chamamos-lhe o Alter Real. Este chama-se Merlin e é uma pelagem rara, o Palomino, uma das mais bonitas que se conseguem e é o resultado do cruzamento de um alazão com um albino, pertence agora a João Moura, mas este vídeo foi feito quando pertencia a Pablo Mendoza. Veja o que ele faz, esqueça por agora o que fazem com ele.

18 agosto 2009

À atenção dos Iberistas



Com armas e tudo?! E a feira era nossa?! Isto seria impensável em Espanha. Primeiro, porque os portugueses têm outra forma de relacionamento com os espanhóis no que repeita a vizinhança, segundo, porque os espanhóis não o permitiriam no seu território ou não seriam moles a resolver o assunto. O que me parece grave, é que os tais apelos iberistas parecem estar a fazer o seu caminho do outro lado. Onde está Saramago?!

17 agosto 2009

E se isto for verdade?

"Existe vontade clara de o calar. Ex-policia quer acusar..." Que Justiça vai fazer justiça numa causa destas? Que segurança temos de não estar a ser vítimas daquela omertà de que falava Lídia Jorge no seu livro, Combateremos a Sombra? Não é preocupante esta dúvida? Não tenhamos medo de interrogar, temos esse direito: o que quer realmente dizer “internamento compulsivo” se não há problemas do “foro psiquiatrico”?

14 agosto 2009

Fado quase perdido

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Todo o património musical tem na sua história perdas por falta de registo em cada momento. Um quase exemplo disso foi o que sucedeu com o fadista António dos Santos, do qual só existem algumas recuperações num único CD, ou de outra forma nada mais teríamos para ouvir porque foi avesso a deixar gravado muito daquilo que cantou. Atitude censurável se vista por aqueles que agora gostariam de ouvir mais esta forma soberba de cantar, mas que acaba por enriquecer esta personagem tão pouco conhecida, do qual tenho uma ideia vaga e só há algum tempo redescobri. Este fado que dá o nome ao CD e recomendo, só pode ser apresentado por link devido a restrições YouTube. Clique no link e desligue o som residente do blog se ali estiver à direita:


12 agosto 2009

Devaneios monárquicos

Quanto ao episódio do roubo da bandeira da Câmara de Lisboa e troca pela monárquica, na fachada dos Paços do Concelho, parecem haver claramente duas grandes formas de abordar a questão. Uma, que valoriza essa pretensa vertente mais inócua (!) e divertida. Há muitos neste grupo a bater com a mão na barriga divertidos, e outros esfregando as mãos por servir bem a sua causa. A outra, é a dos que acham que não é o direito sucessório de uma linhagem familiar que deve definir o regime da nação: República ou Reino e consideram isto, uma operação de mau gosto com a agravante de ter sido potenciada pela ajuda de meios de divulgação detentores de informação única e privilegiada.

Há símbolos da nação, que têm que ser preservados de manipulações equivocas, por isso, existe legislação que se adequa de forma a não passar por brincadeira o que lá no fundo se pretende seja sério. É aqui que aparece Alberto João para baralhar tudo isto, depois do avacalhamento que já fez de vários órgãos de soberania. Os planos não são muito diferentes. Veremos como são tratados.
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11 agosto 2009

Discursos positivos

Ver um dirigente desportivo referir-se ao seu adversário mais directo, o Benfica, da forma correctíssima como fez José Eduardo Bettencourt, do Sporting, ainda que isso corresponda a uma espécie de correcção de discursos anteriores, deveria ser um exemplo a seguir por todos os incendiadores das lides da bola. Há muito que não via uma postura destas, quando valorizou como um bom indicativo para o futebol que o Benfica tivesse reunido 62 000 adeptos num jogo de apresentação no seu estádio. Disse que era bom ver este entusiasmo à volta do Benfica e que era bom para todos. O que quero fazer ressaltar e valorizar com isto, é o valor deste discurso positivo e sem rancores, apesar de adversários. Que bom seria que todos os outros o seguissem neste bom exemplo, entre eles Dias Ferreira, o seu azedo e intragável comentador dos programas da bola. Mas veja-se aqui o primarismo da reacção de alguns adeptos.

06 agosto 2009

O Charuto

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O recente julgamento de dinheiros na Suíça e a passagem de charutos, fez lembrar-me poses como esta. Barriga bem nutrida, peitaça empertigada e no charuto a infalível necessidade da exibição, ou de lucros ou vertigem de poder. Na cara, um sorriso descarado que nos põe trouxas e incomoda, a outros obriga a respeito canino e a alguns, social ou politicamente dependentes, até medo. Apesar da permanente ligação entre estes homens e a fumaça, e a fumaça e outros fumos, o mal só pode estar nos homens, não acredito que seja algum aditivo ou defeito dos charutos.
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Aceitam-se palpites, quantos são?
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04 agosto 2009

Mais uma laranja...

Isaltino disse que o seu mal foi ter acreditado em pessoas que não devia. (!...) Pergunta-se: Se tivesse acreditado nas pessoas que devia, o que saberíamos hoje? Nada?

Quer se queira quer não, foi muito tempo a laranjas podres, não é uma conclusão forçada, é uma evidência constante que só peca por tardia.

03 agosto 2009

A música portuguesa

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A criatividade humana é surpreendente em vários domínios. Quando pensamos que já tudo foi dito ou feito, haverá sempre uma última forma de grande qualidade para nos surpreender. A música não foge à regra e as recuperações de canções portuguesas só têm dignificado o nosso panorama musical pela grande qualidade com que são feitas. Este é o mais recente exemplo, com um excelente arranjo e uma portentosa interpretação. Há já algum tempo que a música portuguesa vem atingindo a maioridade e é tempo de reconhecê-lo. É pena que uma das montras mais visíveis em termos mediáticos seja a do desfile festivaleiro anual. Retiro provisoriamente o som residente para o poder confirmar. Passado o período provisório terá que activar este som e desactivar o residente.
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01 agosto 2009

Abrenúncio Salamanca!

(Reeditado por alteração da fonte)
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Tinha para edição mais um texto que envolvia a nossa relação com Espanha, quando intervenientes na polémica – a Universidade de Salamanca - fazem renascer, outra vez em simultâneo com uma visita oficial, a de Juan Carlos à Madeira, a questão Ibérica, publicando duvidosas sondagens sobre quem é contra ou a favor. Aqui no Alcatruz por exemplo, diz-se que se elas fossem feitas em casa de Saramago dariam 100%!... Porém, um dos mais bem fundamentados escritos sobre o tema que encontrei, escrito já em 2006, por Miguel Urbano Tavares Rodrigues, está aqui neste link: O fantasma do Iberismo volta a ser agitado.

Passaram três anos e tudo o que ali se diz está agora mais agravado, o que prova a validade da argumentação deste comunista que respeito. Leiam porque acho obrigatório.

Mas convêm também conhecer o outro lado e saber um pouco mais sobre alguns notáveis iberista portugueses. Veja-se Oliveira Martins, neste extremado resumo de Carlos Fontes.


Tenho para mim que há nesta questão do Iberismo uma mãozinha secreta e invisível. É que há demasiadas coincidências que se têm simultâneamente verificado e os governos PS estão nisto atolados. Influência póstuma de Oliveira Martins?! Pouco me importa em que parte do espectro político se enquadra este meu anti-iberismo, porque a questão é transversal, mas sei que esta nuvem que vai-e-vem, mais reforça o meu conceito de Pátria.

No artigo que tenho para edição, existe curiosamente a mesma preocupação com alguns comportamentos e distracções nacionais, por isso, junto
mais este link oportuno, não deixando de referir o problema da denominação Ibéria, para designar uma companhia de aviação unicamente espanhola, enquanto que nenhum país nórdico se apropriou do termo Scandinavian (SAS), para fazerem uma companhia comum: juntaram-se três, a Dinamarca, Suécia e Noruega. Como se vê, para a Espanha a Ibéria são eles. Curiosamente eu também acho que sim, por isso é que nunca me senti Ibérico.

Leiam aquele grande texto de Miguel Urbano Rodrigues, se querem saber porque razão esta questão não se põe nas nossas relações pessoais só ao nível da simples discordância, mas num outro patamar superior, bem mais preocupante para a paz nacional.
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30 julho 2009

Martinho da Arcada

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Se Lisboa tivesse estado mais atenta ao seu património, não teria perdido tanto dos lugares emblemáticos que fizeram parte da sua história e que são tão procurados por quem quer saber um pouco mais sobre nós.

Não sei se o Martinho da Arcada está agora envolvido nesse risco, como alerta o seu proprietario, a propósito do desassossego que é a passagem dos transportes colectivos à sua frente que lhe tiram também a dignidade, mas sei isso sim, que é tempo de mudarmos de atitude e estarmos atentos aos perigos que cercam os lugares que nos restam como este, como o Nicola, a Brasileira do Chiado ou a Vesailles. Enterrar a cabeça na areia e fingir que não se vê só porque são negócios privados é um erro, aqueles lugares são história, são património vivo, pertença da cidade. Pessoa não nos perdoaria.

Acabei por trazer de lá aquela pequena brochura, que nos ajuda a perceber melhor o valor do espaço que desde 1782 viu passar e serviu de pouso a tanta da nossa cultura. É dele que retiro o excerto de uma carta totalmente imaginária de Fernando Pessoa a Ophélia Queirós, escrita por António Tabucchi em 2004: "(...) gostaria que a Ophelinha ficasse à minha espera sentada na mesa ao lado, (...) A Ophelinha sente-se com as costas para a parede à sua mesa; eu sentar-me-ei da mesma maneira à minha. (...) Tenho uma coisa muito importante para lhe dizer, uma coisa de que a Ophelinha vai gostar com certeza. Mas é indispensável fingir que não nos conhec
emos. Só nós sabemos que fingir é conhecer-se..."

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27 julho 2009

Marinho e Pinto na Abril

O Bastonário Marinho e Pinto, dá mais uma prova do seu empenho na Justiça aceitando este convite para um pequeno debate, sem luzes da ribalta, no fim da tarde de amanhã dia 28 às 18h00, na Abril, na R. de S. Pedro de Alcântara, 63 – 1º Dto. - Metro do Chiado, uma pequena associação que desde a campanha de Lourdes Pintasilgo à Presidência da República se dedica a promover o desenvolvimento social e a cidadania. Vale a pena ir, porque é motivador ouvir uma pessoa como ele falar da Justiça. A sala é pequena não se atrase.

Quem aqui vem, sabe quanto já escrevi sobre ele mesmo antes de ser bastonário, e é com agrado que descubro novos textos de apoio como este do Alpendre da Lua. Leia no link a sua entrevista ao Expresso.
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21 julho 2009

Superbe! - II

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Porque é uma alegria ver amigas decidir meter mãos à obra e obterem resultados destes, fica mais uma confirmação do que disse aqui.

Encore une fois, merci Cloclo.
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18 julho 2009

Cidadãos por Lisboa na CML

O "acordo coligatório” dos Cidadãos por Lisboa, com a candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa, é não só uma mais valia para a cidade como para a candidatura do PS. Todos reconhecem que Helena Roseta marcou nestes dois anos a diferença no estilo a que estávamos habituados. Basta entrar na página oficial dos CPL para se verificar como foram importantes as suas acções.

Não foi no entanto uma decisão fácil, porque este Movimento recusa entrar no calculismo dos jogos partidários. Quem ali está fartou-se do espartilho do modelo actual de participação cívica, nos partidos, onde a liberdade é claustrofóbica, e dificilmente volta a alinhar naqueles jogos. Mas o importante para os Cidadãos por Lisboa no momento da decisão, foi a governança da cidade, e a possibilidade de vir a ser desgovernada pela populismo de Santana Lopes, ficando a sobrevivência do Movimento suspensa do que vier a acontecer no próximo futuro.

Mas para que se perceba que não foi uma assimilação pelo PS, aqui ficam os termos do acordo. Mais uma vez a Esquerda não se entende e continua a preferir o estatuto de oposição, mostrando assim falta de coragem para agarrar a gestão da coisa pública. Alguma vez terá que ser, não? Ou só lá vão em maioria?
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17 julho 2009

Jardim é "ilegal"

O PSD nasceu como sabemos de figuras que se moviam no interior do regime que o 25 de Abril derrotou. Podemos discutir a intensidade do fascismo na sua fase final, mas era ainda a mesma ditadura que nos subjugou durante 50 anos, e foi de lá que vieram os fundadores do PPD/PSD, entre os quais Alberto João Jardim. Se alguns refizeram o percurso e são gente da nossa Democracia, este, parece viver ressabiado no nosso sistema, porque lhe sai com frequência por entre os dentes serrados daquele pensamento, o muito do ódio que lhe vai na alma. Com o antigo regime conviveu todo o tempo, sem que se lhe conheça algum protesto, bem pelo contrário, talvez exista no nosso arquivo histórico alguma inscrição na célebre União Nacional, o Partido do regime.

Alberto João fez parte daquela miséria, porém, só começamos a vê-lo como “democrata” quando este caciquismo independentista incendiava a Madeira, com um certo ódio aos contenentais e cujo cheiro ainda senti quando lá estive em 1977. Jardim é perigoso porque a cobardia de alguns sectores nacionais atingiu níveis vergonhosos. O PPD/PSD torna-se co-responsável nestas declarações por não se demarcar das alarvidades do seu fundador. E o descaramento dos seus líderes é tanto que com o próprio comentário às declarações, as defendem.

Jardim não sabe interpretar a Constituição, porque ainda não percebeu que por questões como esta, deveria ser ele a estar ilegal.
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16 julho 2009

Santana Lopes já reza

De mãos e olhos em alvo para o tecto do estúdio, terminou assim a sua entrevista na RTP1: “Os próximos dois anos serão assim, se Deus Nosso Senhor quiser, a trabalhar em Lisboa”.

Claro, já faltava a ajuda divina. Para tudo é preciso uma fezinha, homem. Reze!
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02 julho 2009

Pinho e Bernardino

Ainda hoje me interrogo sobre aquelas dúvidas que Bernardino Soares do PCP tinha, sobre se a Coreia do Norte não era uma democracia. A culpa é minha que não procurei esclarecer-me e é agora que vou ter que fazê-lo. Se não o fiz foi porque não tive essa curiosidade, não me interessou saber, dei como certo, e deixei provavelmente que o deputado fosse queimado em lume brando injustamente. Bastou-me aquela declaração, e como não vi rectificação da mesma, fiquei por ali, provavelmente com um juízo de intenções errado, que é o que mais detesto que me façam.

Mas não deixei de considerar que o simples facto de ser dito, era uma espécie de ofensa à Democracia, a minha. Bernardino disse isto por palavras, não disse isto por gestos e mesmo que o dissesse, tenho dúvidas que o presidente da A.R. viesse defender a honra da Democracia ofendida pelos manguitos e remelguisses do deputado. Mas Bernardino pegou agora na luva branca e num pretenso cheque dado ao clube de futebol dos trabalhadores das minas, e zás! Atirou-o com epítetos à cara do Ministro Pinho. Pobre do “Cenoura”, um rapaz brilhante como ele, do pouco que lhe conheço da vida, com quem acho que foi cometida uma tremenda injustiça de análise, por massacre, só possível porque somos este país assim, incapaz de reconhecer o mérito se ele vier sem bandeiras agarradas, que não atingiu no BES a posição que teve por acaso, nem chegou a Ministro por orbitar na política, levar assim de um Bernardino aquele epíteto, é obra.

Todos temos pensamentos e actos que fazem os nossos momentos baixos da vida. Não me peçam que considere mais grave o de um que os de outro. O ser humano é assim mesmo: imperfeito.
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30 junho 2009

Informação faz de conta...

Quando estas ondas de vitória se levantam à Direita, há um complexo que tolhe a Esquerda. Recuso admitir que o PS seja um partido de Direita, e que não possa nas circunstâncias que disse anteriormente ter o meu apoio, porque uma coisa são os desvarios momentâneos que Sócrates lhe imprimiu, outra é o seu passado histórico. Manuel Alegre, Edmundo Pedro e outros, sofreram justamente por ser de Esquerda. Neste sentido, e porque ficaram vulneráveis as defesas por esse lado, não é por estar na moda malhar em Sócrates que terei de calar, alinhando nesta farsa que a Direita e alguma imprensa vem cavalgando. A Direita prepara o seu rega bofe no poder e pelos vistos tudo vale, mas uma critica deve ter como suporte um motivo concreto, e não a acefalia de um ruidoso foguetório.

O exemplo da desconstrução desta táctica pode ver-se aqui no Pátio das Conversas, veja-se como o Correio da Manhã apresentou aquelas notícias. Abra os links para o C.M. e veja a falsa informação através de fotografias de Sócrates, a despropósito. Este tipo de informação, é ainda mais grave porque usa de técnicas dissimuladas de campanha surda, não assumida, maquiavélica. Há leitores, que por algum tipo de iliteracia são incapazes de fazer as suas próprias leituras, mas jogar com isso, é fazer com que eles nunca passem do nível que o jornal tem. O jornalismo dos futebóis é melhor e mais sério do que este, o que é estranho é o seu director não ter aprendido lá grande coisa com ele.
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29 junho 2009

Porque votarei PS

As origens deste blog remontam ao período difícil em que Santana Lopes e José Luís Arnaut queriam à força implementar a Lei dos Despejos no arrendamento urbano. Estaríamos hoje a viver momentos conturbados se aquele par tivesse continuado e concluído a lei. Mas estão aí outra vez, Santana chegará à Câmara (por estranho que pareça) se a Esquerda não tiver juízo, e Arnaut que atravessou o deserto já é visto ao lado de MFL e não tenho dúvida que farão sangue nesta matéria se lá chegarem. Arnaut reconheceu mesmo ter a sua família muitos bens em propriedade urbana, e eu acrescento que era escandalosa a pressa e o nervoso com que tentava finalizar aquela lei antes de sair, parecendo legislar em causa própria.

No Expresso, li sobe a manutenção da posição do PS nesta matéria, e isso, é para mim motivo para afirmar que se for mantida esta coerência não terei dúvidas em votar PS na próxima consulta. Isto não é um apelo despudorado, é cada um a fazer pela sua vidinha estando farto de ser trouxa, e porque não vi nenhum dos outros partidos colocar-se ao lado dos inquilinos quando tivemos as calças nas mãos. O que vi foi uma colagem através de algumas sessões públicas para manter votos e a imprensa, com o Público à cabeça, a ser a representação do Sector Imobiliário, movido por elevados interesses publicitários.

Como se sabe, aos Proprietários não chegam os 60 000 fogos devolutos que mantêm em Lisboa em pousio especulativo, reclamam ainda a liberalização total do arrendamento, apesar de já poderem alugar pelo preço que quiserem e pelo prazo que entenderem. Sobre isto respondeu agora o PS: “Decisivo é dar prioridade à reabilitação e colocar prédios devolutos no mercado de arrendamento. Não é uma estratégia facilitar o despejo de idosos”, afirmou o secretário de Estado da Administração Local. Eduardo Cabrita que reagiu assim às propostas da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP) de que os contratos de arrendamento antigos caduquem em três anos. Leram bem: caduquem, o sublinhado é meu... É esta oportunidade que espreitam com uma vitória da Direita.

“Há um compromisso do Partido Socialista de, no início da próximo mandato legislativo, reavaliar a aplicação da lei do arrendamento face ao regime jurídico da reabilitação urbana”

E um leitor comentou desta forma:

Recuperar os imóveis e aumentar rendas NÃO, a ALP não quer. Especular, com um bem de consumo de primeira necessidade, que ficou velho, podre, caduco e ultrapassado com o tempo, em que a única coisa que mudou para melhor foi a localização, SIM a ALP quer, claro.

(Atenção que o conceito de rendas antigas da ALP engloba rendas que para muitos até serão relativamente recentes)

Mas indo ao encontro da ideia da ALP de que os contratos de arrendamento antigos caduquem em três anos. Porque não, dentro de três anos também caducarem as escrituras de compra de todos os prédios e andares antigos e, estes serem vendidos em hasta publica na condição de serem efectivamente recuperados? (Uma escritura não é mais que um contrato)

No Expresso Primeiro Caderno de 27Jun2009.
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28 junho 2009

Património sem uso

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Lisboa tem enormes espaços com os quais não sabe interagir, nem eles servem Lisboa nem a cidade lhes serve para alguma coisa. São jardins antigos, tapadas muradas que os lisboetas não descobriram, ou sabem que naquele estado de nada lhes valem. A Tapada das Necessidades é um deles. Entre muros velhos e altos, pertença do Ministério dos Negócios Estrangeiros, vai-se degradando de ano para ano sem intervenções nem melhoramentos, pouco atractivo e sub-utilizado, mais a caminho de ser tomado por maus espíritos do que próximo de alguma alma que o salve.


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26 junho 2009

Irregularidades eleitorais ...

... em Portugal?
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A gravidade da questão é de tal ordem para a democracia que não a podemos encarar de ânimo leve. António Vilarigues mostra-se preocupado no Público de hoje, com o facto de terem sido detectadas diversas irregularidades no distrito de Viseu, e pelos exemplo que deu, bastante graves e em grande número, sem que se tenha lido, ouvido, ou visto na Comunicação Social alguma referência a estes factos. Segundo ele a questão toma outros contornos nas autárquicas, onde as disputas se fazem ombro a ombro. Perguntou muito a propósito, que tendo aquilo acontecido nos 24 concelhos do distrito de Viseu, só o tenha acontecido naquele distrito? O distrito de Viseu é mesmo uma excepção nacional? Eu acho que não, logo, estamos perante um assunto muito sério. A quem compete fiscalizar isto, ao STAPE, aos Governadores Civis ou aos presidentes da xunta? Acreditem que se lhes colocarmos a questão, todos vão limpar a água do capote e ninguém é responsável. O mesmo de sempre.

Fui numa destas últimas eleições delegado de uma candidatura nas mesas de voto, porque há experiências e responsabilidades cívicas que devemos assumir e isso, serviu-me para detectar que podem existir fragilidades, porque a perpetuação de sistemas de funcionamento podem levar à sua fadiga, e pude aí verificar que há gente que já se movimenta demasiado à vontade nos meandros locais dos actos eleitorais. Por que razão não há uma maior rodagem de elementos novos nas assembleias de voto? Por que se repetem ano após ano esses elementos e nas mesmas mesas? O facto de o frete ser bem pago pode ser uma razão, mas isso melhora a qualidade do acto?
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24 junho 2009

Patch Adams

(Reeditado)
Uma troca de comentários neste post levou a que Uivomania editasse o link desta fabulosa entrevista de Patch Adams. Desculpem o espanto, serei talvez o último a conhecê-lo, mas não tenho o hábito de me fazer entendido quando não sou. Este homem é fabuloso! Para o convencer a ver os vídeos todos, veja os dois primeiros minutos do 10º vídeo, para ficar com uma ideia do ser humano que vai conhecer.

Preferi deixar aqui todos os links para o filme porque no Youtube estão editados duas séries da entrevista não coincidentes em cada parte.

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Uma pesquisa às suas actividade levou-me à página da sua instituição: The Gesundheit Institute. É justo que se divulgue e se visite, porque sonhos de pessoas como estas não podem deixar-se morrer.
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22 junho 2009

José Eduardo Moniz? - II

Tínhamos razão para ter ficado admirados com a candidatura de um jornalista a presidente do Benfica.
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Só podia ser promoção pessoal ou coisa igualmente má. Mas os espanhóis, desta vez não fui eu que inventei!... Alguém os trouxe com essa operação. Veja.
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O que foi curioso ao longo da história, é que estes portugueses estiveram sempre convencidos de estar a prestar um serviço à Pátria. Neste sentido, foi e é injusto saírem pela janela!
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19 junho 2009

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A oportunidade das lutas.

Custa dizer isto, porque sabemos que alguns empresários aproveitam a maré para tirar ganhos ilegítimos, mas deixa-me confuso o problema da recusa do acordo laboral pelos trabalhadores na Auto Europa, numa altura em que recebemos email com fotografias de filas intermináveis de automóveis novos alinhados em portos, aerogares, terminais ferroviários e até autódromos por esse mundo fora, aguardando quem os compre, e numa altura em que assistimos à fusão das grandes marcas para evitar a catástrofe. A diferença que gerou a recusa foi de apenas uma centena de trabalhadores que votou o não acordo. Não sabemos que tipo de trabalhadores fez a diferença, qual é a sua consciência política, profissional e cívica, mas a avaliar pelos vv de vitória à saída do plenário, pela firme determinação como defendem os seus postos de trabalho devem ser gente mais corajosa e esclarecida do que eu, embora saiba que esta é uma velha questão que entronca com a luta e a firmeza dos trabalhadores, mas também com a solidariedade forçada e sofrida dos que não têm emprego e gostariam de ter, e olham de fora estas lutas com outros olhos.

Se a Auto Europa falhar como falhou a Quimonda, não teremos todos, os que vamos pagar esses enormes prejuízos que olhar para a coragem e para esclarecimento daquela centena de trabalhadores com outros olhos? Ou então, a responsabilidade de um qualquer grupo de cem trabalhadores de uma PME, pode ser considerada em termos nacionais, igual à de cem trabalhadores na Auto Europa? Isto não são certezas, são dúvidas.
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17 junho 2009

José Eduardo Moniz?

A oposição a Luís Filipe Vieira no Benfica, propõe José Eduardo Moniz, da TVI, para encabeçar a lista à presidência nas próximas eleições. Como é isto possível?!... O futebol faz perder o tino a muita gente. Miguel Sousa Tavares, nos antípodas futeboleiros, é um exemplo disso.

Ponderando bem...também a mim faz! Só tenho um remédio: fazer-me sócio para ver se consigo evitá-lo. Até pago para isso. José Eduardo Moniz?!...
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14 junho 2009

Melhorar o Arraial - II


Disse aqui há dois anos que era possível melhorar as Festas dos Santos Populares, mas a evolução vai no mau sentido. Verifica-se que o aproveitamento dos profissionais do torresmo e do courato estão a matá-las e a fazer delas um evento sem graça e sem matriz, que tinha tudo para ser um postal típico de Lisboa. Ver estranhos aos bairros populares entrar por ali para fazer comércio, todos ao molho, numa algazarra igual à que montam nos arredores dos estádios de futebol, é desvirtuar tudo. Competiria à Câmara disciplinar, impor regras, formatar até o que fosse possível, chamar os moradores ou os seus representantes e empenhá-los, apelar ao asseio de tudo aquilo, à decoração, dar efectivamente o ar popular que as fez nascer excluindo o que já não toleramos agora, e não a oferta do cenário que vi entre o Limoeiro e o Largo da Graça, o mesmo que podemos ver amanhã ou depois numa qualquer feira sem um pingo de tradição. Não é destes Santos Populares que tenho boas memórias, e quem nos visita leva uma imagem distorcida da origem de tudo isto.
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A sardinha cresceu!

Talvez tenham ido para zonas privilegiadas onde não vou e alguém se esteja a lambusar com a fartura, o facto, é que não tenho encontrado aquela sardinha média saborosa que se come num filete de cada lado. Agora, são enormes peixões de 20 cm que têm pelo menos a vantagem de não cair nos intervalos da grelha, e mais do que isso, o facto de terem tido a oportunidade de dar o seu contributo para o aumento dos cardumes. É uma lamento que atenuo, com a satisfação disto ser o resultado de algum controlo na preservação da espécie. Oxalá seja. Talvez pró ano tenha mais sorte...

08 junho 2009

O Voto

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No debate que reaparece sobre a obrigatoriedade do voto, face ao alheamento do cidadão, e porque é da retirada de um direito que se trata, sou também dos que não concorda que me obriguem a votar, porque o meu voto é também para que isso nunca me seja imposto, embora saiba da existência subentendida de um compromisso com a democracia. É nesta simplicidade de organização política que me revejo e nunca deixei por isso de dar o meu apoio votando, porque uma coisa que não admitiria era ser acusado de não ter remado quando me foi pedido, passando a ser um indesejável peso morto, por rebelião ou inacção, tanto faz. O paradoxo, é que a perfeição da democracia que reclamo, é mesmo aquela que me dá o direito de não a exercer, mas que faz ao mesmo tempo com que recuse ser pária na cidadania, caso faça da minha ausência a forma sistemática de participar.

Na noite de todas as vitórias que lavou tristezas, também eu ganhei, era o que faltava! ... Mas entre tanta leitura e euforia trocaram a minha intenção de voto, se é que votei. Somos um país de ganhadores, mas pouco sabemos o que fazer com as vitórias.

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05 junho 2009

Um Planeta à deriva


“Uma verdade Inconveniente“ de Al Gore foi um marco na luta contra as alterações climáticas, porque massificou o debate através do seu mediatismo. Tem por isso um lugar específico nesta luta.

Mas hoje, Dia Mundial do Ambiente, "HOME – O Mundo é a nossa casa" foi um outro contributo inestimável para esta luta com este filme de Yann Arthus-Bertrand e Luc Besson, porque lhe acrescenta a Fotografia, para além de outras formas de garantir o impacto, como a divulgação simultânea em 60 canais de televisão mundiais a exibição em telas gigantes em vários países. Foi seguramente o melhor que vi em TV. Uma qualidade excepcional aquela forma de olhar com a câmara, sem Photoshop no final, apenas a escolha das melhores horas solares, os melhores ângulos, regulações, contrastes, saturações, tudo do melhor que vi. Cada nova cena que aparecia eram fotografias de pódium. É um filme para rever porque vai aparecer aí em formato e duração de cinema. Aconselho vivamente a verem nesse formato, agora com este alerta para a qualidade fotográfica.
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O link para o filme: HOME – O Mundo é a nossa casa
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Uma referência especial para o Fernando Alves, dos Sinais, na TSF, porque foi dele que ouvi o elogio ao que poderia vir o ser o filme, e sem o qual não vos teria antecipadamente convidado.
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O que têm em comum:

Cavaco Silva, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Daniel Sanches, Miguel Cadilhe, Rui Machete, Amílcar Theias, Arlindo de Carvalho, Briosa e Gala, Joaquim Coimbra etc.?

Nada. Dizem. Porque é abusivo ligar um Partido a eles, só porque eles estão ligados a um Partido. Vamos lá a ter maneiras!

Claro que é tudo gente honesta. Cavaco não sendo o meu presidente, é o nosso presidente, é o que temos, e se há um crédito que lhe dou é o da honestidade. O problema não sendo esse, é outro: é serem muitos, do mesmo naipe, na mesma jogada!... É como jogar à sueca e sair-nos uma rodada só de trunfos. Sorte? Azar? Talvez, mas é garantida a desconfiança sobre a próxima rodada de cartas! Não?
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02 junho 2009

Interesses, inveja, política.

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Finalmente os portugueses deram com Marinho e Pinto. Porém, apontar-lhe como defeito exactamente aquilo que acho que é a sua virtude, é tornar a concordância à volta do seu discurso num diálogo de surdos, porque não basta concordar acrescentando um “mas”, ao contrário, é precisamente esse “mas” a mais valia. Marinho e Pinto teve o condão de estiolar o sacro santo discurso desta falsa sociedade que impõe o tom de voz à razão, e o polimento do comportamento como verniz social ao suor que a força da verdade cria, isto, está ele finalmente a fazer com coragem, porque tem sido o arremesso dessas regras de meninos de coro bem comportados que tem castrado qualquer discurso de revolta. Em Portugal e nos portugueses, há ainda uma sociedade bafienta, retrógrada e conservadora, onde o engravatamento e o pedantismo se impõem surdamente como medos sociais para os acarneirar, para que outra espécie de sordidez verbal exista noutros moldes em circuito fechado. E é também nas erupções dos malfadados corporativismos das nossas classes profissionais que ele se manifesta, quer sejam médicos, magistrados, jornalistas, professores ou as tias da Quinta da Marinha, onde só se entra com santo e senha. Mas preparem-se, ele continuará a ser atacado por essa Direita elitista e mais estranho, é sê-lo também por gente ligada à Esquerda com ataques despudorados que mais parecem ciumeira. Sabem os que vos digo? Contra o castramento da revolta que nem pecisa de armas, viva a Maria da Fonte, porque o que mais temos são Cabrais. Aqui fica Baptista-Bastos, no DN Opinião em 27 de Maio, que pergunta: Quem tem medo de Marinho e Pinto?

"Não pode deixar de causar perplexidade os ataques de que Marinho Pinto (ou Marinho e Pinto) tem sido alvo. Ele não fala baixinho, não sussurra, não vive dos seus próprios venenos, e em nada contribui para garantir a quietude das águas palustres. Vai-nos revelando, com estremecedor vozeirão e gestos a condizer, que muitos componentes da sociedade portuguesa, criminais e legais, estão imbricados uns nos outros. E tem exigido que sejam submetidas a controlos reais algumas veneráveis instituições e suas actividades peculiares.

Não me parece que Marinho Pinto haja sido tocado pela desonestidade, pela indecência, pela indignidade, ou movido por interesses cavilosos. Querem-no brunido, direitinho, ajeitado, dentro da esquadria: um artesão formal da aplicação das leis e seu complacente vigilante. Ele é, definitivamente, o contrário dessa banalização precaucionista que atingiu todo o tecido social e garantiu a instauração da indiferença, do abandono cívico e, finalmente, da coisificação do medo.

As velhas classificações foram recuperadas do pó dos armários ideológicos: populista, esquerdista radical, chavezista; e apontado, acriticamente, à execração popular, entre maliciosas meias-frases, silêncios ambíguos e sorrisos equívocos. O homem fala alto e grosso, enfrenta situações perigosas porque, nitidamente, está a mexer em áreas historicamente inamovíveis e diz-nos de uma justiça, na sua opinião "miserável" e desprovida dos "valores mais elementares."

O discurso do bastonário da Ordem dos Advogados exige uma reflexão profunda e uma discussão alargada, não o aluvião de injúrias e de insultos de que ele tem sido objecto. Na minha opinião, o que Marinho Pinto tem vindo a afirmar quebrou uma espécie de solidariedade aldeã, ou seja: aquilo que nos era apresentado como poderoso bloco, inabalável na coesão, sem ferrugem e sem mácula, um dos pilares da democracia, não passava de uma farsa avariada. Ele tem ou não razão? Ele mente ou diz a verdade? Ele é, ou não, um homem sério? Conhecem-se-lhe desígnios menos claros do que os sabidos da opinião pública? A exigência ética que proclama é a afirmação individual de um combate ou a máscara de uma fatal incoerência?

O problema complica-se, ainda mais, quando se evoca a "cadeia" da justiça, tal como a compreende o comum dos mortais. Contudo, o comum dos mortais é diariamente confrontado com a desconstrução do que deveria ser o grande edifício democrático.

Dizem que ele acusa sem nomear. Mas, os que dizem, nomeiam-no sem rigorosamente o acusar de coisa alguma. Convém interrogarmo-nos sobre o que nos não tem sido dito."

Post-Scriptum: Não sei se reparam, já restituiram o braço e a arma à Maria da Fonte!...

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31 maio 2009

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Serralves em festa

Fui em tempos a Serralves e no mesmo dia à Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, ver uma exposição única e irrepetivel do nosso naturalista Souza Pinto. Serralves e a Gulbenkian transpiram sossego, ambiente e cultura. Serralves é lindíssima. Serralves está neste momento a fazer “uma directa”: festa non stop durante 40 horas. Muita festa! Mas imagino o que seria neste momento, se Serralves oferecesse àquela gente – quem sabe quantos, pela primeira vez a vê-la – a festa desta exposição:


Não posso deixar de pensar naquilo (a arte (!) obviamente) sempre que falo agora de Serralves. Não sou um vanguardista – até porque verdadeiros, há poucos – estou apenas preparado para os interpretar, porque se há uma coisa que não quero é perder-me no caminho, e porque quero estar no grupo dos que conseguiram ver antes. Mas parece que esse condão nem sempre passa por mecenatos.

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