10 dezembro 2009

Portugal profundo

Em tempos fui pró regionalização e não sei bem porquê, porque isto de regiões é coisa que não pensamos todos os dias de forma a termos uma opinião tão formada. Acho que acreditei mesmo que era possível não multiplicar as estruturas que suportamos e por aí pululam, de forma a que não começassem a haver por aí mais esposas de presidentes e de vice-presidentes, de chefes de gabinete de presidentes e respectivas Secretárias, e mais secretárias e cadeiras novas de espaldar e up grade das frotas automóvel, assim à maneira da nossa Assembleia e do seu presidente peixe-de-águas-profundas. Naquele tempo alimentava-me um espírito que entretanto me parece ter-se perdido, e começo agora a descrer em regionalizações ao ver gente recuperar o tema depois de falhar o assalto ao poder, de tantos apitos e sacos às cores, contas na Suíça e mais estes exemplos edificantes que junto no link. Agora, atormenta-me pensar que estes homens poderiam candidatar-se um dia e mandar calar ou arrotundar uma região inteira.
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08 dezembro 2009

Manuel Alegre


Mário Soares teima em não ter o final político que merecia. Não precisava de continuar esta senda. Uma pena. Ver no Jornal I.
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"Uma bola de futebol a sério"

Era uma reportagem nas tabancas algures em Moçambique, com os filhos órfãos da guerra. Falavam da responsabilidade dos rapazes mais velhos, agora o amparo dos mais novos, depois dos pais morrerem com sida. Do cultivo da terra e da subida arriscada aos coqueiros que agora lhes competia. Das contenções em namoros, porque não havia mais ninguém para apoiar a família se “houvesse problema”. Da moça quase criança que à força virou mulher com uma pequena criança nos braços, filha do desconhecimento “dessas coisa dos tempo”. Das crianças descalças que jogavam felizes com uma bola de trapos da cor do pó vermelho dos pés, e declaravam com um grande sorriso aberto “que o que mais queriam era mesmo uma bola de futebol a sério!”. A repórter, virando-se para aquele rapaz meio criança, tutor daquela gente, ainda pergunta:

- E o que é que vos faz falta?

- Ah sim! Nada. Nada nada. Tá tudo bom. Tudo bom. Numa introspecção, distante, onde provavelmente já não estavam para ele os repórteres, disse uma vez mais olhando o chão:
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- Tá tudo bom.
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A espanholização da política

António Vitorino em entrevista a Judite de Sousa, a propósito dos recentes episódios entre Oposição e Governo: “Estamos a caminho da espanholização da politica”.

Ou, casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão? Eu quero tudo menos espanholizar-me. Tenham lá então juízo.

07 dezembro 2009

O Clima em Copenhaga

Vigílias por um acordo sobre as medidas para combater as alterações climáticas vão ser realizadas por todo o mundo no próximo dia 12. Esta equipa de http://www.avaaz.org/ colocou em marcha uma campanha a nível mundial. Veja o quê: Vigília por um Acordo.

Cavaco: "Autoritarismo gelado"

(...) "Agora, sustentado por uma absurda evasiva protocolar, não compareceu na grande homenagem à memória de Melo Antunes. A justificação brada aos céus. Estavam presentes três antigos Presidentes da República, demonstrando que a questão central, o tributo a Melo Antunes, evocava o sentido dos valores e a magnitude de uma Revolução que determinava a defesa desses valores. O dr. Cavaco virou as costas. E a Associação 25 de Abril, cansada de ambiguidades e de escusas disparatadas a quatro convites destinados a memórias semelhantes, a Associação decidiu nunca mais solicitar a presença do dr. Cavaco. Há, portanto, um corte de relações entre uma instituição que simboliza a Revolução de 1974 e os seus heróis, e um indivíduo que, casual e episodicamente, é Presidente da República."(...)
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Leia o resto do artigo de Batista Bastos justamente indignado no JN.

05 dezembro 2009

Os Dubais de areia.


Li algures: Cidade-símbolo do capitalismo árabe está à beira de tornar-se uma cidade fantasma. Em tempos, uma amiga enviou-me um pps com fotos maravilhosas de um empreendimento algures no deserto, com canais de água cristalina, lagos com ancoradouros em estilo veneziano, embarcações de recreio onde era possível antever sortudos desta vida, gente dourada pelo sol esquecida das coisas que nem tem que fazer. Respondi-lhe, com a primeira imagem que a minha memória fez, lembrando-me da mensagem final do filme: “O planeta dos macacos”. Via tudo aquilo como uma construção na areia que um dia a lei da entropia converteria fatalmente noutra ordem planetária, quando as areias chegassem para secar aqueles desvarios, ou o desentendimento entre os homens o tornassem num deserto igual ao do filme. Depois, foi também a certeza que a loucura financeira a que assistíamos que suportava tudo aquilo, era como uma espécie de encantamento próprio das miragens da sede no deserto, e continha a prova que seria tudo mais efémero do que parecia. Foi mais ou menos esta a resposta.

Receio não me ter enganado, porque as más notícias sobre aqueles exageros, agora, os financeiros, estão a chegar mais rápido do que o previsto e a antecipar-se até a chegada das areias e do capim das dunas, apressando o agravamento da crise que ainda não quisemos resolver. Decididamente, montamos mal este mundo porque não o fizemos com sustento. Fontes aleatórias: aqui, aqui e etc.
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02 dezembro 2009

Aula sem cadernos

Estes, são exemplos de vida que valem a pena conhecer, e esta aula uma forma tão elevada de como podemos falar sobre eles, ou melhor, como nos podem ajudar, se utilizados desta forma tão empenhada e conseguida. Não me importava de ter sido aluno nesta aula do Jad:
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01 dezembro 2009

Hino da Restauração

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A charanga irrompia na rua em alvorada de estridentes metálicos, por aquelas noites frias do negro azulado de Dezembro, antecipando uma aurora ainda meio adormecida, tocando o hino da Restauração, quase roçando a janela do quarto onde eu ainda criança, dormia, alheio àquela manifestação patriótica. Era assim, com aquela genuinidade, que naquela vila do norte do Alentejo se comemorava o 1º de Dezembro, evocando a memória da madrugada em que nos livramos do domínio Filipino em 1640.

Talvez tenham sido os actos de coragem daqueles músicos ao percorrerem as ruas geladas do 1º de Dezembro, que me incutiram o espírito que guardo por este país. Confesso-me um patriota, saudável, mas sem medos: patriota. Sendo que pátria, é a terra onde a pessoa nasce ou nação a que pertence.

Neste vídeo, em Elvas, ninguém parece saber a letra do hino, nem sei se a que existe é original, mas a que cantávamos não é recomendável reproduzir aqui...
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29 novembro 2009

A Igreja

Não é só a falta de consenso no valor da obra de arquitectura da nova igreja em Belém, o qual sabemos que só o tempo devolve, ou não, quando outras análises noutra época pesarem na sua avaliação, que me leva a discordar em absoluto do projecto - também, por não lhe reconhecer nenhum vanguardismo especial digno de crédito - mas, as razões que estranhamente parece não terem pesado na ideia estapafúrdia de colocar ali e naquele ponto alto, mais uma igreja. São tantas as razões que escolher um começo é difícil, mas desde logo, o porquê da coligação de Direita que governava Lisboa à época, ter oferecido tão valiosos terrenos à Igreja, naquela zona. Depois, o da ostentação que é sempre coisa incompatível com a mensagem do inspirador da Igreja mas a que esta pouco liga, sabendo que o projecto vai custar três milhões de euros, que não existem ainda, dizem-nos, um pouco em forma de choradinho. Depois, porque em termos urbanísticos é um desastre e em termos simbólicos há nela muitas contradições. Lisboa, não tem falta de locais de culto católico e aquela zona já possui os suficientes, do que Lisboa precisa são projectos e obras de carácter social, para uma população cada vez mais pobre, envelhecida e amendigada, mas a isto a Igreja fala-nos de resignação. Belém já começou a ser escavada para dar lugar a mais este espavento da Igreja Católica, não sei se iremos a tempo. Abecassis e Santana Lopes estão-lhe associados.

Enquanto as religiões não se impuserem pela prática diária junto dos povos e pelo despojar de atavios magnânimos, arquitectónicos e cenográficos com que esmagam a pequenez dos fiéis seguidores, nunca serão religiões sérias, no sentido em que o grande valor da sua existência deveria ser exclusivamente a mensagem em si, bastando apenas isso como método de captação e não buscá-lo pelo efeito que deixa sideradas as ovelhas ao contemplarem as suas obras megalómanas. É esse jogo perverso de imposição de imagem que aniquila a seriedade de muitas religiões. Veja aqui o projecto.
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27 novembro 2009

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Os Pombos

"Sendo a prevenção um dos aspectos a atender, enquadra-se nesta perspectiva a proibição da sua alimentação, que constitui contra-ordenação punível com coima." (n.º 1, artº. 60º do Regulamento de Resíduos Sólidos da Câmara Municipal de Lisboa). Onde pára a nossa Polícia Municipal? No Brasil já aconteceu isto, veja:
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As doenças dos pombos que convém saber:
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INFECCIOSAS:
BACTERIANAS - Salmonelosis ou Paratifosis, Cólera, Corízia, Ornitosis, Micoplasmosis.
VIRÓSICAS (Vírus) - New Castle ou Paramixovirus, Adenovirus, Herpes, Diftero, Viruela.
MICÓTICAS (Fungos) - Aspergilosis, Cadidiasis ou Muguet.
PARASITÁRIAS:
INTERNOS - Coccidiosis, Ascaridiosis, Capilariosis, Teniasis.
PROTOZOARIOS - Plasmodiosis ou Malária, Haemoproteosis, Trichomoniasis.
EXTERNOS - Piolhos, Ácaros, Dipteros (Moscas), Carraças.

25 novembro 2009

Esclareçam-nos!

Fazendo aqui o papel do cidadão comum, o da rua, dos transportes, do café, diria que não me preocupa nada que Penedos tenha saído da REN e o porquê é óbvio: já o culpamos! … Ainda que não seja assim, e assumindo-nos todos, os Invejosos Sociais de que fala Sócrates, classificamos os proventos destes gestores, excessos de um sistema profundamente injusto, que baixa a estima que temos por estas classes incomuns.

Se este advogado diz isto depois de ver 50 anos de decisões judiciais, não deveremos interrogar-nos sobre o que quer o senhor dizer? Das duas três, ou o advogado está a perder faculdades, ou a jogar o seu capital de confiança junto de nós de uma forma tão arriscada, ou alguma coisa de profundamente errado está a assistir. Como homem da rua é mais uma curiosidade com que fico e uma investigação a fazer por conta própria, uma vez que não nos vai restando Comunicação Social que possamos encarregar disso, como podemos ver aqui.

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24 novembro 2009

Tenho medo...

“Tenho medo de uma sociedade que não tem medo de escutar. Nesse sentido Mário Crespo, tenho medo.” Era assim que os seus entrevistados de ontem, Saldanha Sanches e Paula Teixeira da Cunha poderiam bem ter respondido, quando você queria insistentemente que eles entrassem na sua campanha do Medo. Você quer fazer acreditar as pessoas, que há Medo, quer levá-las a dizer o que faz parte da sua agenda. Está a ser patético e os seus objectivos são indisfarçáveis.

Remeto-o de os olhos fechados e ouvidos tapados para VPV, no Público. Lido em primeira mão no Pátio das Conversas: (…) "A oposição acusa Sócrates de não dar explicações ao país sobre o que alegadamente disse na escuta a Armando Vara. Não percebe, ou percebe demasiado bem, que a mais leve explicação abriria um precedente perigoso. Dali em diante, o primeiro boato com uma aparência de plausibilidade forçaria o primeiro-ministro a justificar, como culpado presuntivo, cada movimento e cada palavra, que directa ou indirectamente transpirasse para a televisão ou para a imprensa. O Governo acabaria por se transformar, como de resto já se transformou, numa feira contínua e num escândalo gratuito. É inteiramente legítimo tentar remover Sócrates de cena. Não é legítimo, nem recomendável arriscar nessa querela a própria integridade do regime." Como vê Mário Crespo até o inefável VPV escreve assim.

Apanhemos quaisquer Sócrates ou Cavacos se eles forem sacripantas, mas sem que isso ponha em causa uma coisa mais fundamental, a nossa liberdade e o direito a não ser escutados em manobras de diversão manipuláveis por qualquer mente sem escrúpulos, quanto à devassa da nossa privacidade. Isso, mete mais medo do que os seus Medos.

21 novembro 2009

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Os Comentadores e Sá Pinto

Rui Moreira diz: “Sim, porque o Ricardo Sá Pinto é uma pessoa benquista no nosso futebol. As pessoas gostam dele…”.

Rui Oliveira e Costa: “Menos o Artur Jorge, não?! … Ahhh ah ah ah ah”.

Rui Moreira: "Ah sim claro! ... Ah ah ah ah".

Sá Pinto, foi aquele jogador que por não ter sido seleccionado, se lançou um dia em cima do seleccionador Artur Jorge ao soco e ao pontapé, quando este estava de costas a falar com alguém. Como prémio, foi recebido em Alvalade por uma multidão ululante, e é agora o director desportivo e já distribui sorridente, autógrafos às criancinhas.

Paulo Bento diz isto dele: “Por minha vontade Sá Pinto não trabalharia no futebol”. Atenção, não é no Sporting, é no futebol! Das duas uma, ou Paulo Bento não é o homem integro que todos conhecem, ou o outro não é mesmo flor que se cheire. Estou mais tranquilo. Julguei que era exagero meu.