20 março 2010

Limpar Portugal

Que bom seria se toda a nossa floresta pudesse viver da saúde que encontrei um dia destes, nos montados desta foto.
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Companhia das Lezírias
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Limpar Portugal das imundices dos pobres de espírito, que põem os seus interesses pessoais à frente da saúde do território, não é tarefa fácil, porque apesar da razoável cobertura sanitária autárquica, há quem insista em preferir olhar para o lado e descarregar o lixo que lhe vai na cabeça, onde bem entende. Um dia, veio da Estónia uma ideia, que como todas as coisas bonitas, é simples: por a sociedade civil a funcionar. O grupo restrito do Limpar Portugal teve o mérito de agarrar a ideia e levá-la à prática. Pelo caminho, ficam as discordâncias em muitos debates e reuniões, na forma como adaptamos o projecto a Portugal, que levou a que muitos como eu tenham perdido o entusiasmo inicial. Mas isso, foram as crises inevitáveis provocadas pela vontade de alguns que sonhavam o projecto de uma outra forma e era possível, pela abrangência, pelos meios, pelo risco na data etc. etc.

Vingou o formato de quem se empenhou inicialmente e o que importa é que hoje, apesar do tal risco provável de termos um dia chuvoso e desmobilizador para alguns, como este, aí estão 100 000 mil portugueses a vasculhar em 13 mil pontos de lixo a tentar fazer deste país uma coisa mais asseada. Aconteça o que acontecer hoje, já é uma vitória confrontar os poluidores com o lixo que fizeram e a boa vontade de tanta gente em evitar que isso volte a acontecer.

14 março 2010

Este Estado de coisas

Haverá muita gente a tentar entender qual é efectivamente a relação da importância que existe entre o inquérito que já dura há muito na Comissão de Ética - mais outro que se arrastará num triste espectáculo que não sabemos em que é que reforça a qualidade da nossa Democracia - e o conhecimento de saber, se afinal Sócrates sabia ou não sabia e qual era o formato dessa sabedoria na aquisição de uma parcela não maioritária de capital da TVI, pela PT, tudo patrocinado pela falência da protecção que o actual funcionamento da Justiça não garante. Entretanto, ligamos a TV e temos num directo em oito canais ao mesmo tempo durante mais de vinte minutos, uns senhores a discursar sobre o estado caótico da vida do seu partido. Um estranho aqui caído, que analise as prioridades do Parlamento português e da nossa Informação, ficará baralhado com a nossa agenda e sairá daqui dando razão ao tal governador romano, mas se cá voltar em pleno inquérito parlamentar verá mais do mesmo e nem acreditará. Também me questiono sobre isso e sobre a importância que cada um dá a cada episódio da vida nacional, mas que em questões tão fundamentais como estas, não deveria haver direito a gostos.

O que aqueles deputados estão a fazer, baralha e confunde os conceitos de Ética a este povo, porque a reduz àquele espectáculo e estou a vê-lo atónito, com um olhar no écran daqueles inquéritos a tentar descortinar de que lhe falam quando lhe falam de ética algumas caras que fazem as perguntas e muitas das que dão as respostas.

Indica-me a ética republicana que tenha cuidado com este discurso. Estou avisado disso e é matéria que não reproduzo, mas quando na caixa de correio nos caem email com vídeos que nos obrigam a comparações parlamentares como este: " O Parlamento sueco", dizendo que cada povo tem o parlamento que merece, e outros que nos falam no número excedentário dos nossos deputados e do orçamento para a nossa Assembleia, de quase 200 milhões de euros, é difícil não parar e olhar para trás e ver o motivo de tanto ruído. De facto, fulanizamos de mais os falhanços do nosso Estado, esquecendo que este é um edifício assente em três pilares, o Legislativo, o Executivo e o Judicial e são eles que estão doentes há muito tempo, mas fraca é também a cidadania de um povo que não consegue alterar este Estado de coisas.
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08 março 2010

Março marçagão...

assim é que não, e com esta manta d’água, os ossos ensopados e a tenda do espectáculo mediático montada, é melhor mudar de música:
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Link removido.

Reedição: Não há nada a fazer, o post foi editado com a Segunda Valsa de Shostakovich activada, numa altura em que a memória do pequeno Leandro não nos deixava sossegados. Esta vídeo, era uma espécie de afronta por cada vez que se abria o blog. Nem sempre acertamos no que fazemos, quando assim é o melhor é reconhecê-lo.

03 março 2010

Qual Ética?

Ouvir aquele deputado do PC dizer-nos que, “...os deputados não cedem à lei da rolha”, a propósito de um aparte na Comissão de Ética e depois, marcar a Balsemão: "...as diferenças que nos separam em termos de Comunicação Social", devem ter deixado um sorriso na cara de muitos portugueses. E o Bloco de Esquerda? Novamente de braço dado na defesa dos argumentos da deputada da Direita/PP? Desta forma, haverá muitos revolucionários a dar voltas no túmulo nos últimos tempos. Houve ainda aquele deputado - com uma interrogação na imagem - quem é ele? O homem quase se babava de risinhos de satisfação com as respostas da doutora. Como ele gozou o momento!

Se esta é uma pessoa doente que está ou esteve com uma depressão, vou ali e já venho. Como seria se não estivesse! Com que então o Rei de Espanha... uma cunhazita? Agora é que se entalou doutora! Uma coisa é certa: a mulher é execrável e não há jornalismo nem TV que precise dela.
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Dar dinheiro a Jardim?

Da Escuta à Bufaria

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Aí está em todo o seu esplendor, o resultado desastroso da actual campanha de delação em vigor a obnubilar tanta cabeça e que o Bastonário Marinho e Pinto, explica desta forma: A bufaria. Esse desastroso resultado é esta miserável capa do Jornal I, com um artigo de Paulo Pinto Mascarenhas. Aquilo que a nossa Judite e a Interpol não conseguiram porque os Americanos não quiseram identificar, conseguiu ele… e vai daí, denunciou a identidade do pseudónimo do autor do blog O Jumento! Isso mesmo, bufou à maneira do antigamente.
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É este o resultado da actual campanha da delação em vigor. Nesta altura da nossa aprendizagem democrática era impensável que uma histeria destas tomasse conta da cabeça de tanta gente sensata. Depois, chegam arrivista destes, que sem se darem conta e confundindo-se neste frenesim, num passo de mágica ficam à porta do mais puro dos fascismos. Não tenho dúvida, o momento é grave, não por ser o Sócrates, o Crespo ou a TVI, mas pelos limites que gente de Esquerda está a pisar, em conluio circunstancial com a Direita tão deslumbrada com o voto, como com o aumento da dotação orçamental para o Partido por via de mais um voto na próxima legislatura, ofuscada por pobres e minguadas vitórias como se fossem a sua última batalha. Se daqui resultasse algum ensinamento popular, teria ao menos valido a pena, mas como se vê é este o resultado porque falta sustentação ética. Mas foi brilhante a reacção de revolta da blogosfera. Uma chapelada a todos eles.

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02 março 2010

À atenção dos Iberófilos

O protecionismo espanhol já era conhecido há muito, mas a nossa eterna tolerância ao desrespeito espanhol escondeu isso no discurso oficial e admitiu-o, levando para o facto de ser uma característica castelhana, como se a união europeia fosse um vínculo de sentido único. Só agora, alguém com responsabilidades denuncia o resultado que nos remete para comportamentos antigos nas relações de Espanha com Portugal. As exportações para Espanha levaram um rombo de mais de quatro mil milhões de euros… só em apenas dois meses!

Um dia, virá aí novamente o rei dizer que gosta muito de nós, dá mais umas palmadinhas, vergamo-nos oficialmente e os nossos camionistas voltam a ser impedidos de entrar na outra Europa e a ter que alinhar à força. A nossa economia forçada a viver de perna aberta e os portugueses de cabeça na Lua a comprar produto espanhol e a exigir ordenado português. É urgente exigir da EU o respeito pelas regras do jogo e a nós a privilegiar a exportação para outros mercados, é urgente uma consciência nacional. Começo a ter inveja dos Bascos.
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26 fevereiro 2010

A RTP2 previu tragédia

Não é a solidariedade actual com a tragédia da Madeira que me faz acreditar que viramos uma página com Jardim. Os problemas vão reaparecer pelas exigências que vai agora fazer, para manter o modelo de ocupação da Ilha que ele decidiu que era o melhor, mas cujas graves lacunas os links que seguem mostram que não era, porque anteciparam em dois anos com rigor incrível o que aconteceu agora, e pode voltar-se a repetir se o modelo não for modificado.

Jardim já provocou há muito, danos irreparáveis na relação da Madeira com o Continente e muito mais em sentido inverso, porque tantos anos de jardinismo deixaram marcas e em alguns de nós muito pouca vontade de contribuir para um peditório que tem neste modelo suicida o seu objectivo. Exceptuo nesta disponibilidade o carinho que nos merecem os pobres madeirenses despojados de vidas e haveres, ainda que sejam os mesmo do Chão da Lagoa. Vejam se não é verdade esta c
atástrofe anunciada no programa:
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25 fevereiro 2010

Os profetas do Fim

Estes discursadores da tanga parecem não entender que Portugal tem há muito um endémico problema estrutural, é sabido, basta conhecer um pouquinho da história. Não fomos para mares desconhecidos por sermos ricos e vivermos aqui felizes, foi aliás esse isolamento entre o Oceano e Espanha, que sempre nos fez de tampão à Europa, que nos obrigou a saltar. Enquanto isso, a Europa distanciava-se ainda mais tratando da sua cultura e desenvolvimento humano. Nós, acabávamos aquela aventura tolamente exangues. À entrada pobres no início do século, juntamos o efeito das guerras e os 50 anos de obscurantismo de Salazar. É assim que finalmente chegamos á massificação do ensino em 1974. Tínhamos na altura um atraso estimado de 50 anos em relação á Europa. Isto foi há 36 anos. Culpar agora Soares, Cavaco, Guterres, Barroso ou Sócrates de todos aqueles erros incrustados na cultura de um povo, é um mero exercício de retórica política. Basta olharmos para este discurso dos nossos profetas do Fim e para o comportamento individual de cada um de nós, plasmado por aí nesses ódios de estimação e nesta caça às bruxas, para percebermos que é com estas nossas limitações que temos tentado ser iguais aos povos a que nos queremos igualar. Quanto pior, melhor, desde que ganhe eu e percam os outros, é assim há muito tempo, é esta a nossa estranha forma de sermos portugueses.
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24 fevereiro 2010

A irresponsabilidade de MFL


Com Ferreira Leite e o PSD, não precisamos de Almunias nem de Agências de Rating para nos dar cabo do canastro.

O que nós ouvimos!

Uns anjinhos:
Alguém disse na TV, quanto à proposta da Procuradora Cândida de Almeida para que se escutem os Magistrados para proteger o segredo de justiça: “O que é estranho não é o que disse a Procuradora Cândida de Almeida, o que é estranho é o que disse o Presidente do Sindicato dos Magistrados, ao estranhar aquelas declarações, segundo ele, porque não é admissível que haja violação do segredo de justiça por Magistrados.” Claro. Que não é admissível sabemos nós.

A jactância:
Alberto João Jardim, numa declaração circunstancial de resignação, na primeira pessoa do singular: “Porque eu não estou para andar à porrada com a Natureza”. É a jactância consubstanciada num simples pronome.

Assumindo culpas?:
Hugo Velosa do PSD, num Telejornal, falando sobre a tragédia da Madeira e a resposta do Governo e do resto do país: “O que está para trás, está para trás. Agora parecem ser possíveis novos consensos. Está a admirar-me a reacção da solidariedade nacional”
Ai está? Ou há frases que expõem as entranhas? Está a admirar-se porquê? Pois. Não esteja tão seguro de que o que está para trás, está para trás, porque há tolerâncias que são promiscuidades.
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Afinal havia outraaa...

Ferreira Leite confirma que sabia do negócio PT/TVI . A propósito desta falhada tentativa de aquisição, até eu “estava de acordo com a operação porque era trazer de Espanha para Portugal um activo da comunicação social que era importante por causa das guerras com a Telefónica no Brasil", conforme disse aqui, quando me regozijei com o falhanço da OPA da Telefónica sobre a PT: "para mim, ver Telefónica e Santander juntos, não era certamente pelos nossos bonitos olhos... Depois, como "falta cumprir-se Portugal", ver o negócio no Brasil ser alienado à Telefónica, era outra forma de não se cumprir."
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Mas o confronto político achou que legítimos interesses de defesa de mercado e por outro a protecção de valiosos conteúdos produzidos em língua portuguesa que iriam ficar nas mãos da espanhola Telefónica, para os utilizar na disputa com a PT no mercado do Brasil, era controlo da Comunicação Social, só por causa de uma caldeirada de charroco. Se me tivessem feito a pergunta há quatro anos, eu próprio teria concordado com esta “manobra cabalística” da PT, que parece transparecer tinha mais e insuspeitos adeptos.
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Esta edição do DN esclarece muito do que foi afinal o negócio PT/TVI, vale a pena ler.
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22 fevereiro 2010

Calúnias a pataco

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Afinal, “Perestrello desconhecia Figo”. O CM lido no CC.

Isto, não é liberdade de imprensa, é servirem-se dela. Não é a liberdade de expressão, é a libertinagem na expressão e muito menos jornalismo sério, assim, é de sarjeta e não é merecido o pão que se ganha desta forma. É urgente que a Justiça retire a estes escribas a pica com que falam, de quem não gostam, de modo a que possamos acreditar outra vez no que lemos, porque desde que vi a notícia que tenho em má nota Marcos Perestrello. Desabafei impropérios contra este jovem por vê-lo naqueles cambalachos, e se não fosse ler por acaso este post, assim ficaria como ficarão muitos portugueses. Já nos bastam os maus e os corruptos, mas assim, não é justo, é indigno e merecia penalização também porque o desmentido que o Correio da Manhã faz só é colocado na 28ª página, sem correspondência com a gravidade da suspeição lançada, e nestas questões da honra, não há desculpa.
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Quantos mais estarão a ser vítimas da liberdade que o fanatismo político por detrás da notícia exige, para esses fins? Confesso a minha desilusão com tudo isto, e com tantos que não entenderam o país de Abril que imaginei.

21 fevereiro 2010

Jardim até na tragédia.

Claro que sim, hoje somos todos madeirenses, apesar de sermos obrigados a engolir o fel do ódio, até na tragédia. Isto é apenas a notação de uma primeira provocação. Agora foi assim: "Precisamos da ajuda de todos, de todos! Há momentos que não são para brincar à política. Seria miserável (!) que fosse quem fosse, viesse brincar à política..." Alberto João Jardim ouvido na RTP no dia do temporal.

Foi este o tom de provocação e ameaça com que se nos dirigiu. É preciso estofo para ir ajudar sem ter que o mandar à merda. Terão os madeirenses capacidade para imaginar como se sentem os seus irmãos continentais ao serem convocados desta forma?