01 maio 2010

Maio. Que luta?

Reeditado (só o texto...)
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O 1º de Maio passa ruidoso entoando os velhos slogans, agora acrescido de reivindicações como a do passe social L 123 para o concelho de Cascais... Os panos são os mesmos ou repintados, os cabelos são mais brancos e o filme que corre já não empolga quem assistiu daqui a muitos Maios. A questão é, se podemos resolver isto desta forma? Existirá força civil que possa de outra maneira opor-se ao circo que deixamos montar? Se o poder já não é dos Estados mas desta economia de mercado que nos cerca, podemos dentro do sistema opor-lhe outra? Qual? E ela deixa? É que assistimos e deixamos que a palavra Socialismo, no seu mais puro sentido, fosse hipotecada, também por uma ganância de poder, – sobre o qual tão bem escreveu Jean-Paul Sartre – derivada dos desvarios totalitários próprios da espécie humana, e assim se impediu a alternativa de outro sistema credível de governança.

A solidariedade é mais uma palavra bonita que uns usam como alfinete de gravata, outros como broche na lapela. Mas há também os que não usam nada disto e suspiram por velhos modelos que nunca viram, inventando por sobrevivência moinhos de vento contra os quais investir, a cada hora.
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22 abril 2010

Abaixo a corrup...! Oops...

“O tal senhor, foi hoje absolvido no caso dos Parques e das Feiras da (ou, na?) tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa”... Isto vai em texto codificado, porque começa a ser perigoso exercer a cidadania falando ou escrevendo de corrupção em Portugal.

Inacreditável! Esta notícia é o desfilar da miséria da Justiça que temos e dos homens que a aplicam. Como podem desta forma pedir-nos respeito por quem a gere assim? Já não é possível ouvir a falsidade de quem declara o contrário, conforme lhe calham as simpatias ou os interesses. Se aquilo não foi aquilo, já tudo pode ser o que se quiser.

Alguém me tinha enviado esta semana um link de um trabalho notável da SIC sobre a corrupção, que acho que não devem mesmo deixar de ver, é este, “Corrupção: crime sem castigo”, e hoje, acabamos por ter esta notícia onde o homem é absolvido, e o que acaba por restar, pasme-se, é a condenação do cidadão Sá Fernandes que preferiu não receber uma pipa de massa em troca de fazer justiça, por, segundo o veredicto, ter difamado o tal senhor que queria dar a massa.

Agora que vamos comemorar a Revolução não podíamos aproveitar a boleia e pedir à tal menina, se ela aparecer… que não dê o tal cravo ao tal soldado, para ele não ter a veleidade de o espetar onde não deve?
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17 abril 2010

Abril foi bonito.

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25 de Abril 2010
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Cartaz do Arraial no Carmo, editado pela Associação Abril, gente que o comemora com o espírito certo, todos os anos, naquele Largo. Veja aqui o Programa para o dia 23 e 24.
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O 25 de Abril não é uma data consensual, porque nem todos viviam na mesma necessidade de liberdade. Para alguns, não existia constrangimento porque não precisavam de transgredir, adaptados que estavam a tantos anos de imposição de uma liberdade balizada. Cada um comemora esta data de acordo com o significado interior que lhe dá, mas para os mais novos temos até que admitir que é apenas mais um feriado político. Um dia, esta data deixará de ser a de uma forte e boa lembrança do dia em que um arrepio percorreu alguns, e lágrimas de contentamento caíram. Outros ficaram apreensivos e medrosos e terão havido os que trincaram os dentes de raiva.

Por mim, entro sempre na festa sem política, recordando que foi um dia em que respirei fundo, muito fundo, e me senti profundamente livre. Mas havia gente distraída que ficou de repente com o olhar no vazio, sem perceber o que lhe aconteceu. A estes, não podemos pedir-lhes que comemorem da mesma forma, andarão por aí, olhando-nos e tentando perceber o que nos move.

14 abril 2010

O que a gente ouve!

Fernando Ruas, autarca de Viseu, respondendo aos jornalistas no Congresso do PSD, de memória: “É naturalmente uma honra ter sido nomeado presidente da Mesa do Congresso, até por ter sido um cargo exercido por ilustres sociais-democratas, como o Dr. (…) o Dr. Dias Loureiro, o Dr. (…)” Oops! Vejamos alguns significados de ilustre: célebre, notável, famoso, insigne, nobre, distinto. Puxa! O que é preciso para ser classificado assim? Se não fosse aquela coisa do tal coiso do tal Banco, que adjectivo teríamos então?

11 abril 2010

Batata transgénica

Dia Internacional de Acção Anti-Transgénicos. Lembra-me a propósito esta cebração a 17 de Abril, às 15 horas, no Rossio, que passou despercebida a notícia desta infeliz autorização da Comissão Europeia: vamos agora correr o risco de ter batata transgénica à mesa, é a variedade Amflora, “concebida” pela alemã BASF, dizem que é para amido e para alimentação de animais – que nos servem depois de alimento - mas a seguir será para a fécula dos purés que vamos provavelmente dar às nossas crianças.
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Com isto, só posso considerar heróis os rapazes que escaqueiraram um dia uma plantação de milho transgénico, porque não restam outras armas. Não vejo na transgressão aos transgénicos alguma subversão ao Estado de Direito, porque entendo ser mais imperioso mostrar aos lobbies da indústria química e aos políticos que é tempo do cidadão ter uma palavra em questões tão relevantes de saúde e de precaução da contaminação da biodiversidade planetária, porque é terrível o desconhecimento geral sobre o cenário futuro do domínio da propriedade das sementes do planeta e do seu efeito no Homem a longo prazo, e o poder da indústria que se movimenta pela avidez do lucro não nos está a deixar fazê-lo de outra forma.

10 abril 2010

Primavera

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República, Superior, Conselho!

Por entre o desembaraçar do saco dos resíduos do jantar e um olhar para as notícias da TV, ainda consegui ouvir a nova estrela do PSD, Passos Coelho, no cenário estudado de mais um palco e no truque da já gasta “hora do telejornal”, propor com veemência para maior credibilidade, a criação de um Conselho Superior da República. Lavei as mãos da gordura da operação lixo e lavei dos ouvidos o som da proposta de mais um candidato a Salvador da Pátria. O molho do assado de peixe que antes fez as delícias da refeição, era-me agora quase nojo. Sabemos o que é a República, o que é Superior e o que é Conselho, são três palavras de topo numa classificação hierárquica, como cortinas pesadas, o que não sabemos é o que fazem elas junto a não ser, a tentativa de se propor com as três uma significância de grande calibre, e é através disso que descobrimos a razão da escolha dos termos da proposta, é a nova estratégia do leader: impressionar com a fachada porque a imponência convence, o povo não sabe se gosta mas é de boca aberta que reage perante ela. O deserto de ideias e alternativas de quem se propõe ter novas soluções para o país, vai produzir mais foguetório deste, mas o povo cai sempre. Querem ver? Ó patego, olh’ó balão!

07 abril 2010

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Valença sem vergonha.

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Aquelas poucas centenas de gente que se deixou arregimentar, são a vergonha da nossa cara, mas não os podemos descartar porque infelizmente falam português. Que atitude obscena este vergar de espinha mole perante o padrinho que a troco de um inconfessável jeitinho lhes vai provendo o sustento da família. Não há forma mais desonrosa de o conseguir! É isso que está no código genético do resto do país que assistiu impávido àquele espectáculo único na Europa. Por mim, nem precisam de guia de marcha, peguem na bandeira e … desandem!

02 abril 2010

As bandeiras da vergonha

Comissão de povo nenhum na Europa pediria a colocação de uma bandeira estrangeira às janelas das casas do seu país. Em Valença, Portugal, pediram. Tenho vergonha deles. Tenho muita vergonha deles.

A questão do convite da Comissão de Utentes do Centro de Saúde de Valença para colocação de bandeiras espanholas nas janelas, é uma afronta aos portugueses e o resultado do caciquismo que Abril não conseguiu vencer. Decidi pesquisar para saber quem é este fulano: Carlos Natal, que lidera com fulgor essa Comissão de Utentes porque, desde o célebre businão da Ponte, no qual viemos a saber depois que foi liderado por dois meliantes que acabaram presos, nunca mais me deixei enganar e atento agora melhor nestes actos, que acabam muitos por revelar desejos de protagonismo, lutas políticas e interesses pessoais, e não mais um exercício de Cidadania, porque esta, atribui ao cidadão um conjunto de direitos, mas igualmente um conjunto de obrigações. Ao incentivar desta forma ao desrespeito à Nação através da imposição no nosso país de um símbolo estrangeiro, como é a bandeira de um país, esta Comissão coloca a sua luta fora da legitimidade do acto de Cidadania, e no patamar da ofensa a todos os portugueses. Tenho até dúvida se não configura algum crime punível pelo convite que faz.

O resultado da pesquisa a este senhor diz-nos, que é deputado à Assembleia Municipal de Valença, eleito pelo PSD, como se pode ver na página da Câmara, aqui: “Assembleia Municipal > Composição … Carlos Natal, Paula Natal, (etc …)” Depois, como Jornalista e Director de jornal, escreve assim sobre si próprio, no seu próprio jornal.

É gente desta, que a gente boa de Valença anda a ouvir, capaz de os levar a cometer uma asneira que o resto do país não vai perdoar e pode estar a incentivar a alguma coisa que nos venha a lembrar a Guerra das Laranjas, com Espanha. Estamos a tempo de travar a loucura de gente impreparada que acaba por manipular as massas e por alguma razão se debate pelo protagonismo a que acha que tem direito, através da nossa revolta e do pedido oficial de responsabilidades a quem as tiver nisto, tanto mais que é um autarca eleito do Estado Português.

"Eu e os Meus Irmãos"

Quando em Dezembro passado, fiz este post: "Uma bola de futebol a sério" sobre um documentário de Cândida Pinto numa tabanca algures em Moçambique, estava longe de pensar que viria agora a ser um trabalho premiado no Festival Internacional de Grandes Reportagens e Documentários, em França. “Eu e os Meus Irmãos”, repetiu hoje na SIC Notícias, prémio para a melhor imagem, de Jorge Pelicano, o mesmo que assinou o “Ainda há Pastores”. Um documentário que me faz trazer o link, agora que está disponível AQUI. Parabéns a ambos pela sensibilidade.

30 março 2010

Luz sobre a Matéria

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O fascínio do mundo subatómico é fruto de perguntas sem resposta fácil, e um dia como o de hoje, é para todo o mundo da Ciência, especialmente o que se dedica à pesquisa da estrutura da matéria, um dia inesquecível, daqueles em que se acorda com a excitação da antecipação da descoberta que vai levar a novas perguntas e a novas pesquisas. Ficam aqui as notícias em directo do Centro de Controle do CERN, em Genebra, reportando os primeiros momento da experiência. Sabemos que vamos ficar com mais perguntas para as quais não temos a resposta imediata, mas esta, tem sido a força da ciência: livrar-nos de explicações religiosas que vogam ao sabor da religião que as dá.
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28 março 2010

Corte "de carrinho"?

Já vai por aqui dose a mais de futebol em relação aos temas do blog, mas a culpa é do Benfica. A questão agora é esta e há muito que a acho importante. Pergunto se concordam com aqueles lances de futebol em que a entrada se faz através da projecção de pés em riste e derrapagem controlada, escorregando pelo campo fora para desarmar o adversário, tirando-lhe a bola mas trucidando-lhe a seguir os ossos todos a partir dos artelhos? Eu não concordo, e acho até que é uma manobra que não deveria valer, primeiro, porque se trata de um jogo para praticar em pé e não deitado - á alentejano - e isso, é uma desvantagem para o desgraçado que vai malhar no chão por não dispor da mesma arma de sustentação do adversário que joga na horizontal. Depois, porque existe um grande risco de lesões e raramente o atingido fica em posição de poder disputar o lance ou defender-se, acabando por ser uma rasteira permitida ganhando sempre quem joga feio.

Veio isto a propósito daquele desarme infeliz do Carlos Martins ao jogador do Braga, que embora jogando a bola num lance considerado legal, acabou por enviar o adversário para o hospital e fazê-lo parar por seis meses. Nunca concordei com aqueles atropelanços, manobra a que chamam de carrinho, como se o relvado fosse uma pista de automóveis.

27 março 2010

Confissões

O ex-jogador de futebol Fernando Mendes, resolveu numa atitude assinalável, falar e escrever sobre coisas que desconhecíamos que vão nos bastidores do nosso futebol e que resulta no engano do jogo actual em que nos têm feito acreditar. Tínhamos através do comportamento de alguns, a ideia de que alguma coisa não deveria andar bem nos balneários, porque há arruaceiros a quem só lhes falta espumar, afinal, há mesmo, porque é impossível um jogador ser tão afectado pela competição como aconteceu no último jogo entre o Benfica e o FCP. Aqui fica aquele depoimento neste vídeo YouTube.
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Lido aqui e aqui no Pátio das Conversas.