03 março 2010

Qual Ética?

Ouvir aquele deputado do PC dizer-nos que, “...os deputados não cedem à lei da rolha”, a propósito de um aparte na Comissão de Ética e depois, marcar a Balsemão: "...as diferenças que nos separam em termos de Comunicação Social", devem ter deixado um sorriso na cara de muitos portugueses. E o Bloco de Esquerda? Novamente de braço dado na defesa dos argumentos da deputada da Direita/PP? Desta forma, haverá muitos revolucionários a dar voltas no túmulo nos últimos tempos. Houve ainda aquele deputado - com uma interrogação na imagem - quem é ele? O homem quase se babava de risinhos de satisfação com as respostas da doutora. Como ele gozou o momento!

Se esta é uma pessoa doente que está ou esteve com uma depressão, vou ali e já venho. Como seria se não estivesse! Com que então o Rei de Espanha... uma cunhazita? Agora é que se entalou doutora! Uma coisa é certa: a mulher é execrável e não há jornalismo nem TV que precise dela.
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Dar dinheiro a Jardim?

Da Escuta à Bufaria

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Aí está em todo o seu esplendor, o resultado desastroso da actual campanha de delação em vigor a obnubilar tanta cabeça e que o Bastonário Marinho e Pinto, explica desta forma: A bufaria. Esse desastroso resultado é esta miserável capa do Jornal I, com um artigo de Paulo Pinto Mascarenhas. Aquilo que a nossa Judite e a Interpol não conseguiram porque os Americanos não quiseram identificar, conseguiu ele… e vai daí, denunciou a identidade do pseudónimo do autor do blog O Jumento! Isso mesmo, bufou à maneira do antigamente.
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É este o resultado da actual campanha da delação em vigor. Nesta altura da nossa aprendizagem democrática era impensável que uma histeria destas tomasse conta da cabeça de tanta gente sensata. Depois, chegam arrivista destes, que sem se darem conta e confundindo-se neste frenesim, num passo de mágica ficam à porta do mais puro dos fascismos. Não tenho dúvida, o momento é grave, não por ser o Sócrates, o Crespo ou a TVI, mas pelos limites que gente de Esquerda está a pisar, em conluio circunstancial com a Direita tão deslumbrada com o voto, como com o aumento da dotação orçamental para o Partido por via de mais um voto na próxima legislatura, ofuscada por pobres e minguadas vitórias como se fossem a sua última batalha. Se daqui resultasse algum ensinamento popular, teria ao menos valido a pena, mas como se vê é este o resultado porque falta sustentação ética. Mas foi brilhante a reacção de revolta da blogosfera. Uma chapelada a todos eles.

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02 março 2010

À atenção dos Iberófilos

O protecionismo espanhol já era conhecido há muito, mas a nossa eterna tolerância ao desrespeito espanhol escondeu isso no discurso oficial e admitiu-o, levando para o facto de ser uma característica castelhana, como se a união europeia fosse um vínculo de sentido único. Só agora, alguém com responsabilidades denuncia o resultado que nos remete para comportamentos antigos nas relações de Espanha com Portugal. As exportações para Espanha levaram um rombo de mais de quatro mil milhões de euros… só em apenas dois meses!

Um dia, virá aí novamente o rei dizer que gosta muito de nós, dá mais umas palmadinhas, vergamo-nos oficialmente e os nossos camionistas voltam a ser impedidos de entrar na outra Europa e a ter que alinhar à força. A nossa economia forçada a viver de perna aberta e os portugueses de cabeça na Lua a comprar produto espanhol e a exigir ordenado português. É urgente exigir da EU o respeito pelas regras do jogo e a nós a privilegiar a exportação para outros mercados, é urgente uma consciência nacional. Começo a ter inveja dos Bascos.
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26 fevereiro 2010

A RTP2 previu tragédia

Não é a solidariedade actual com a tragédia da Madeira que me faz acreditar que viramos uma página com Jardim. Os problemas vão reaparecer pelas exigências que vai agora fazer, para manter o modelo de ocupação da Ilha que ele decidiu que era o melhor, mas cujas graves lacunas os links que seguem mostram que não era, porque anteciparam em dois anos com rigor incrível o que aconteceu agora, e pode voltar-se a repetir se o modelo não for modificado.

Jardim já provocou há muito, danos irreparáveis na relação da Madeira com o Continente e muito mais em sentido inverso, porque tantos anos de jardinismo deixaram marcas e em alguns de nós muito pouca vontade de contribuir para um peditório que tem neste modelo suicida o seu objectivo. Exceptuo nesta disponibilidade o carinho que nos merecem os pobres madeirenses despojados de vidas e haveres, ainda que sejam os mesmo do Chão da Lagoa. Vejam se não é verdade esta c
atástrofe anunciada no programa:
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25 fevereiro 2010

Os profetas do Fim

Estes discursadores da tanga parecem não entender que Portugal tem há muito um endémico problema estrutural, é sabido, basta conhecer um pouquinho da história. Não fomos para mares desconhecidos por sermos ricos e vivermos aqui felizes, foi aliás esse isolamento entre o Oceano e Espanha, que sempre nos fez de tampão à Europa, que nos obrigou a saltar. Enquanto isso, a Europa distanciava-se ainda mais tratando da sua cultura e desenvolvimento humano. Nós, acabávamos aquela aventura tolamente exangues. À entrada pobres no início do século, juntamos o efeito das guerras e os 50 anos de obscurantismo de Salazar. É assim que finalmente chegamos á massificação do ensino em 1974. Tínhamos na altura um atraso estimado de 50 anos em relação á Europa. Isto foi há 36 anos. Culpar agora Soares, Cavaco, Guterres, Barroso ou Sócrates de todos aqueles erros incrustados na cultura de um povo, é um mero exercício de retórica política. Basta olharmos para este discurso dos nossos profetas do Fim e para o comportamento individual de cada um de nós, plasmado por aí nesses ódios de estimação e nesta caça às bruxas, para percebermos que é com estas nossas limitações que temos tentado ser iguais aos povos a que nos queremos igualar. Quanto pior, melhor, desde que ganhe eu e percam os outros, é assim há muito tempo, é esta a nossa estranha forma de sermos portugueses.
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24 fevereiro 2010

A irresponsabilidade de MFL


Com Ferreira Leite e o PSD, não precisamos de Almunias nem de Agências de Rating para nos dar cabo do canastro.

O que nós ouvimos!

Uns anjinhos:
Alguém disse na TV, quanto à proposta da Procuradora Cândida de Almeida para que se escutem os Magistrados para proteger o segredo de justiça: “O que é estranho não é o que disse a Procuradora Cândida de Almeida, o que é estranho é o que disse o Presidente do Sindicato dos Magistrados, ao estranhar aquelas declarações, segundo ele, porque não é admissível que haja violação do segredo de justiça por Magistrados.” Claro. Que não é admissível sabemos nós.

A jactância:
Alberto João Jardim, numa declaração circunstancial de resignação, na primeira pessoa do singular: “Porque eu não estou para andar à porrada com a Natureza”. É a jactância consubstanciada num simples pronome.

Assumindo culpas?:
Hugo Velosa do PSD, num Telejornal, falando sobre a tragédia da Madeira e a resposta do Governo e do resto do país: “O que está para trás, está para trás. Agora parecem ser possíveis novos consensos. Está a admirar-me a reacção da solidariedade nacional”
Ai está? Ou há frases que expõem as entranhas? Está a admirar-se porquê? Pois. Não esteja tão seguro de que o que está para trás, está para trás, porque há tolerâncias que são promiscuidades.
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Afinal havia outraaa...

Ferreira Leite confirma que sabia do negócio PT/TVI . A propósito desta falhada tentativa de aquisição, até eu “estava de acordo com a operação porque era trazer de Espanha para Portugal um activo da comunicação social que era importante por causa das guerras com a Telefónica no Brasil", conforme disse aqui, quando me regozijei com o falhanço da OPA da Telefónica sobre a PT: "para mim, ver Telefónica e Santander juntos, não era certamente pelos nossos bonitos olhos... Depois, como "falta cumprir-se Portugal", ver o negócio no Brasil ser alienado à Telefónica, era outra forma de não se cumprir."
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Mas o confronto político achou que legítimos interesses de defesa de mercado e por outro a protecção de valiosos conteúdos produzidos em língua portuguesa que iriam ficar nas mãos da espanhola Telefónica, para os utilizar na disputa com a PT no mercado do Brasil, era controlo da Comunicação Social, só por causa de uma caldeirada de charroco. Se me tivessem feito a pergunta há quatro anos, eu próprio teria concordado com esta “manobra cabalística” da PT, que parece transparecer tinha mais e insuspeitos adeptos.
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Esta edição do DN esclarece muito do que foi afinal o negócio PT/TVI, vale a pena ler.
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22 fevereiro 2010

Calúnias a pataco

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Afinal, “Perestrello desconhecia Figo”. O CM lido no CC.

Isto, não é liberdade de imprensa, é servirem-se dela. Não é a liberdade de expressão, é a libertinagem na expressão e muito menos jornalismo sério, assim, é de sarjeta e não é merecido o pão que se ganha desta forma. É urgente que a Justiça retire a estes escribas a pica com que falam, de quem não gostam, de modo a que possamos acreditar outra vez no que lemos, porque desde que vi a notícia que tenho em má nota Marcos Perestrello. Desabafei impropérios contra este jovem por vê-lo naqueles cambalachos, e se não fosse ler por acaso este post, assim ficaria como ficarão muitos portugueses. Já nos bastam os maus e os corruptos, mas assim, não é justo, é indigno e merecia penalização também porque o desmentido que o Correio da Manhã faz só é colocado na 28ª página, sem correspondência com a gravidade da suspeição lançada, e nestas questões da honra, não há desculpa.
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Quantos mais estarão a ser vítimas da liberdade que o fanatismo político por detrás da notícia exige, para esses fins? Confesso a minha desilusão com tudo isto, e com tantos que não entenderam o país de Abril que imaginei.

21 fevereiro 2010

Jardim até na tragédia.

Claro que sim, hoje somos todos madeirenses, apesar de sermos obrigados a engolir o fel do ódio, até na tragédia. Isto é apenas a notação de uma primeira provocação. Agora foi assim: "Precisamos da ajuda de todos, de todos! Há momentos que não são para brincar à política. Seria miserável (!) que fosse quem fosse, viesse brincar à política..." Alberto João Jardim ouvido na RTP no dia do temporal.

Foi este o tom de provocação e ameaça com que se nos dirigiu. É preciso estofo para ir ajudar sem ter que o mandar à merda. Terão os madeirenses capacidade para imaginar como se sentem os seus irmãos continentais ao serem convocados desta forma?

19 fevereiro 2010

Guedes, Crespo, Judite etc.

Veja-se o favor político neste caso exemplar encontrado aqui, no Câmara Corporativa. Três canais, três pivots e três pares de jarras. É disto que se queixa a Direita. O que estaria acontecer se fossem três jornalistas afectos à Esquerda? Existe há muito um excesso na Comunicação Social sim senhor, mas esse excesso está no controle total dos media pela Direita por via dos proprietarios desses meios. Vital Moreira no CC: “Se existem perigos, eles vêm da excessiva concentração empresarial e da consequente limitação do pluralismo nos media privados.” . Esta é que é a verdade e é triste ver o PCP e o BE alinhar, por uma estratégia de voto, num cenário que altera esta realidade.
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17 fevereiro 2010

Desobediência civil!

Proponho a “desobediência civil aos jornalistas” como resposta ao desafio à “desobediência civil dos jornalistas” proposto por Joaquim Vieira, ex-Provedor do Público.

É que isto é mais uma forma do corporativismo que nos minou e com o qual a Democracia se está a debater cada vez mais, porque é o sistema de organização que melhor se resguarda da solidariedade necessária na construção de uma sociedade mais participada. É o egoísmo de uma classe profissional sobre as outras na imposição e defesa das suas actuações e interesses. Começamos a ter cada vez mais dificuldade na solidariedade às excepções quando elas se perpectuam em interesses próprios.

Não é difícil saber em que se traduzirá a nossa desobediência civil: é deixá-los ficar a escrever para que cada vez mais os jornais sejam oferecidos na caixa de um super mercado ou posto de combustíveis. Não somos obrigados a tomar como boas as regras que um qualquer Vieira nos quiser passar a impor, através das suas interpretações do que é interesse público, confundindo-as com interesses profissionais privados. Isto é o convite à barbárie se legitimado a todos. Vamos fazer como se diz aqui no Jumento: "tratar o cão com o pelo do cão".
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16 fevereiro 2010

Pela Democracia

“É urgente esclarecer que a direita controla a comunicação social não se inibindo de sistematicamente distorcer a verdade, lançar torpes campanhas de difamação e, uma vez que controla toda a informação tem a desfaçatez de se armar em vítima. A direita está a levar à prática, aqui e agora, a máxima de Goebels, "uma mentira mil vezes repetida acaba por ser tomada como verdade". É urgente acabar com este estado de coisas que está efectivamente a corroer a democracia.”

Este é o comentário nº 1573 da Petição pública que está a decorrer com o nome “Pela Democracia, nós tomamos partido”, que não é o mesmo que tomar Partido, e você pode sempre escolher dizer que “Subscreve sem ser um apoio incondicional ao PS e a Sócrates, mas um manifesto contra esta forma de fazer jornalismo e fazer escutas que não gostaria de voltar a ver instituídas em Portugal.” O que está a acontecer é um novo formato de golpe de Estado em Democracia.

A Petição: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1319
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12 fevereiro 2010

Com as unhas de fora

Isto que se diz no Pátio das Conversas, é a Direita com as unhas de fora desesperada. Imagine-se a força com que virá se quebrarmos nós na defesa deste Estado de Direito. Ver a Manuela M. Guedes fazer aquelas dementes declarações no re-lançamento das crónicas já lidas do Crespo, com a grande ex-comunista e agora tia, Zita Seabra e aqueles dois Juízes do Sindicato dos Magistrados a assistir, mete medo, mas apenas por saber que eles se estão a servir da liberdade de expressão e não a usá-la.

10 fevereiro 2010

Os amigos de Crespo

Contou-me um amigo escandalizado, a conversa que acabava de ouvir ao Ex-Bastonário do Advogados, António Pires de Lima, no Jornal das Nove da SIC Notícias d’hoje, do já inefável Mário Crespo. Afirmou ele algures na conversa, que:

- (*) (…) Aquele senhor Sócrates é um aldrabão de feira, e

- (…) Não aconselho ninguém a investir neste momento em Portugal.

Nem mesmo um qualquer desvario próprio da sua idade deveria ser desculpa para deixar este cavalheiro a ofender e a rir alarvemente. Como é possível? Depois, recorrendo à política da terra queimada, fala daquela forma do investimento em Portugal sem ser interpelado por essa conversa? Que jornalismo é este em que só conta a conversa reaccionária e se despreza a informação? Como se deixa passar uma conversa contrária aos interesses nacionais? Com azeiteiros destes não precisamos de Almunias nem de agências sabotadoras da nossa credibilidade internacional e é intolerável que aquele tortuoso “jornalista” se desfaça em risinhos de contentamento pelas declarações de mais um convidado que serviu perfeitamente a sua persecutória agenda. É uma tristeza.

As necessidades de Jardim

Dez bons exemplos descobertos aqui no Câmara Corporativa do que faz Jardim ao nosso dinheiro, numa boa reportagem de José Teles. Veja em cada link o exemplo das fortes necessidades de endividamento que convenceram o nosso Parlamento.

08 fevereiro 2010

ASFIXIA DEMOCRÁTICA

"A SÍNDROME" - Tragédia em 1 Acto.

Estudos apontam para que esta seja uma patologia adquirida em períodos de falta do exercício do poder. Dá-se como exemplo vulgar os afogamentos que ocorrem a partir do momento em que o nadador se apercebe que está a nadar fora de pé. É um “ar” que lhes dá! Começam a chapinhar e vão-se por aí abaixo que nem tordos! Os tordos não sabem nadar.
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SOCORRO! ESTOU ASFIXIADO. TIREM-ME DAQUI PARA FORA,

TRAGAM-ME O DANTAS, UM ANTÓNIO FERRO, O CAVACO,

MAIS O JARDIM, O RAMOS E O GUILHERME,

COMO ESTOU ATÉ O LARA ME SERVE.

OLHEM, O NOSSO LOUREIRO TAMBÉM. ELE VEM.


AH! O NOSSO LOUREIRO, QU'É DELE?... E DO OUTRO TAMBÉM?

INGRATO! INGRATOS TODOS! INGRATOS!

SOCORRO! Ó D'ASTRANJA, ESTOU ASFIXIADO.

Sai de cena. Não!...Não sai de cena! Fica a perorar à boca do palco agarrado à cortina de olhar em alvo em posição de Louva-a-Deus.

Acto 1, cena II
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07 fevereiro 2010

Das Escutas aos Despojos

Não escrevo sobre estas escutas, nem sobre as supostas que existem e virão a conta gotas escorrendo por aí como baba, porque vivi no fascismo português, tenho memória e ética, e um nojo enorme pelos biltres que se prestam a levantar do outro lado a cavilha. Acreditei um dia que seria uma prática que nunca mais veria em Portugal, enganei-me, e o que é grave é que a mesma Democracia que foi por elas sufocada, não as trate com a impiedade que merecem. Hoje as escutas, amanhã a tortura, haverá em cada momento um herdeiro genético do Pide que não caçamos, com estrutura moral para se servir dos resultados dessa actividade, obtido nas catacumbas do equivalente quartel de uma qualquer Nova Legião. Mesmo que ele seja Juiz, porque juízes também o eram nos sinistros Tribunais Plenários e a Democracia ainda não se soube livrar deles. Tenho medo porque há quem goste. Tenho medo porque há quem não se importe. Tenho medo sobretudo, porque à crianças na sala e elas sim, a ouvir sem querer e a ser deformadas pela pouca vergonha que vai na cabeça de cada adulto.

Retive do Haiti um relato: o da espoliação selvagem dos haveres dos cadáveres enquanto se procedia à sua remoção. O nojo humano comunado com o Diabo. Aqui, o fogo já se pegou, o país está arder e no saque dos salvados que são o voto, há homens sérios que tapam a cara para não ficar na foto.
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Não sou supersticioso mas ficou-me destas coisas um único tique: não apanho do chão moedas de tostão. São uma oferta do Diabo.

06 fevereiro 2010

O seu a seu dono

Tenho-me referido a Luís Delgado quando dou um exemplo dos jornalistas comissários que me obrigam a fazer zap. Com tanta boa prestação, acabou mesmo nomeado para dirigir a Lusa. Mas devo da mesma forma destacar-lhe as boas performances quando as ouço e curiosamente anda agora mais profissional. Disse ele numa mesa redonda na SIC-N:

- Meus senhores temos que ser justos com eles (PS), nós estávamos aqui há um ano a pedir-lhes: “Meus senhores deixem lá o deficit, injectem dinheiro no mercado, salvem as famílias, as pessoas, e não podemos agora estar aqui a falar que o deficit é nove. Que fosse nove ou dez ou onze, o importante foi salvar as coisas”

O filme da crise ainda não acabou, mas há muita gente a precisar de vê-lo de principio. E ali a tia Avilez meteu a viola no saco.
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05 fevereiro 2010

A Turquia e a Honra...

Acabo de ler em rodapé na TV: "Menina enterrada viva na Turquia para defesa da honra da familia". É esta Turquia que acham que deve alguma vez fazer faz parte da Europa?

Solidariedade


"É uma página negra para a laicidade"

Numa atitude igual à do fascismo islâmico onde a religião é um dever público e não um direito privado, O JUIZ ITALIANO LUIGI TOSTI É AFASTADO DAS SUAS FUNÇÕES. Impedem-no de exercer, por não acatar uma circular de Mussolini.
A Europa só terá voz para combater qualquer forma de fascismo de Estado se entre nós for coerente.
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Alerta visto no Ponte Europa.

04 fevereiro 2010

Ainda o Crespo

O grande Mário é isto!

Mário by himself.

Liberdade de Expressão ou liberdade de “Informar”?

Tudo visto aqui, no Pátio das Conversas


Reedição: Aqui no Câmara Corporativa também há matéria suficiente para se ficar com uma ideia do que se passou, veja-se este sobre a Crespologia... Ou esta repescagem de um texto de Cintra Torres. Também por lá descobri que Crespo é testemunha da Guedes e do Moniz no famoso processo da TVI. Tudo se conjuga.
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02 fevereiro 2010

"Pulhices" e "Palhaçadas"

As palhaçadas e as pulhices que estão a envolver Mário Crespo começam a feder. Tenho visto entrevistas que pela raiva subjacente ou pela besuntice babada lhe definem o carácter por detrás da máscara. Não sou obrigado a levar com comissários de outros interesses, travestidos de ingénuos jornalistas e nenhuma destas "palhaçadas" e "pulhices" são inócuas.

Há muito que me habituei a saber ler e ouvir a Comunicação Social e teria que estar eu num manicómio se colocasse as Guedes e os Crespos na galeria dos que contribuíram alguma vez para isso. Parece que vai estar nas jornadas parlamentares do CDS/PP... Fará lá falta por certo, vai ter o seu banho de afecto, mas não é disto que o Jornalismo precisa nem é assim que vai sobreviver.
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Reedição: Ou se quiserem, ele é um bom jornalista, como Jardim é considerado um bom político, o Pinto da Costa um bom dirigente desportivo ou Toy um bom cantor. Há audiências e gostos para tudo, eu é que não sou obrigado a alinhar pelo gosto comum e ninguém me pode proibir de o confessar. Fica pois a confissão. E daí?
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29 janeiro 2010

Desenhadores urbanos

Desenho 2


Descobri os Urban Sketchers pelo Tacci, no Portugal, Caramba! e depois fui vê-los a Torres Vedras. Valeu a pena. É a arte do desenho numa das suas formas mais simples, despida de outros constrangimentos o que lhe confere um interesse especial. Naquela forma de diários gráficos, mas também literários, estavam lá umas largas centenas de desenhos em blocos de diversos tamanhos que nos falam da forma como cada um registou um determinado momento do dia. Sempre tive alguma inveja desta gente de traço fácil. Resta-me a persistencia.

E tu Caitas? Faz aí um Mini em derrapagem controlada que eu por mim só me atrevo a isto ... mas fica-te como desafio!
P.S. Mas olha, cuidado, este bloco era um chinês barato, aguenta aguarela mas é mata- borrão para tinta.
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25 janeiro 2010

O que eles lêem.

No programa Plano Inclinado da Sic Notícias, Medina Carreira: - Olhe ando a ler uma biografia de Goebbels...

Mário Crespo: - E eu ando a ler Norman Mailer (ou Miller) que inclui uma parte da biografia de Hitler onde ele diz que os grandes problemas se resolvem por si. Contrariamente á ideia que temos dele de, centralismo...

É pá... isso não são leituras depressivas?!
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21 janeiro 2010

Opinto dourado

Não devíamos ter ido a correr para o YouTube ouvir o que disse o presidente Pinto, mais o Pinto dos árbitros, o Teles do jornais, o Jacinto do apito, o Araújo da fruta, e toda a gente honrada daquela “genial chantagem”, porque não é uma actividade saudável, é subterrâneo como foram aquelas conversas que minaram os alicerces do nosso futebol durante todos estes anos. Mas pronto já está, nada a fazer, fica uma enorme tristeza por ficarmos ainda mais desiludidos com estes actores, ainda activos e até elogiados do nosso futebol. Não foram penalizados pelo que ouvimos e podendo agora sê-lo pela opinião pública, resta-lhes a fuga para a frente da queixa-crime, e do fumo com Apitos de outras cores, assim à maneira do fedelho que leva um tabefe e quer correctivo igual para os que riem. Uma miséria porque, conseguem apesar de tudo ter audiências.

20 janeiro 2010

A medalha do Santana

Dizer que meteu pena o episódio da condecoração com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo é o pior que lhe podemos fazer, mas deixar passar como um louvor fingindo como a Ordem daquela medalha, é que não fazia sentido.

Se quisermos saber o nexo que tudo fez, basta ver o filme da agraciação, as duas conversas de circunstância e os ares compungidos que rodearam tudo aquilo. Não fomos nós que inventamos ou recreamos o ambiente, foram os presentes que deram ao acto o tom que realmente teve.

Um prémio, deve ter como critério de atribuição a distinção num determinado feito e não uma atribuição “por tradição”, independentemente da qualidade com que se concluiu. Parece óbvio que isto esvazia o sentido de qualquer prémio e a ser este o critério, esvazia o sentido de qualquer Ordem, e de qualquer cruz.

14 janeiro 2010

Aos haitianos

É um simples cravo mas representou a esperança da renovação, e foi assim que sempre o vi. Uma renovação que não era só política, era também esperança noutra vida onde cabiam todos os sonhos. Neste momento, vocês não precisam de flores bem sei, precisam de tudo, mas sobretudo precisam para não sucumbir: de Esperança, até que o mundo chegue, vos agarre e perceba que não vale a pena andar em desvarios perante tanta força que não domina e esta, foi um impacto igual ou superior a trinta bombas atómicas!
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Tenho esperança que algum destes infernos a que a Humanidade está sujeita - mas mais uma vez e sempre, os pobres – a despertem para a evidência de um maior valor: o da vida humana. Quem sabe se não foram vocês os escolhidos para essa prova final? Mas acredito que um dia acontecerá. É por isso que vos trago em vez das nobres flores de circunstância para os que foram, este cravo que fiz, enquanto me lembrava da grande esperança de vida que ele representa em cada Primavera. Não acredito que persista a cobardia dos que vão achar que alguém se vai importar com vocês, porque este é um assunto de cada um de nós: delegar é não fazer e nunca foi tão fácil participar.

12 janeiro 2010

Há Pinto na costa!

Quando hoje ouvi a notícia, achei que era ainda uma repetição desta outra, mas não, era mesmo Pinto outra vez, desbragado, parecendo aceitar muito mal que a sua equipa não vá à frente da classificação na Liga. Não passou uma semana e volta a inflamar as hostes com esta espécie de gritos de guerra. É de recear pelo dia em que o FCP - para não o confundir com o Porto – deixe de ganhar campeonatos e não sei se não serão de temer reacções mais graves acicatadas por este fogo posto permanente, porque alguma gente da bola, tem na bola razões que a razão desconhece. Tão grave como isto, é que haja políticos que por aritmética de votos não consigam resistir ao fascínio do futebol.

09 janeiro 2010

Pinto dá à costa

O que foi que nós fizemos agora? O ambiente dos futebois andava sossegado, talvez pelos atrasos na conclusão dos processos a decorrer na Justiça. Valia o facto do Pinto ter as suas declarações limitadas pelo tribunal evitando assim as suas habituais alarvidades, com as acusações a Lisboa, aos mouros e a tudo o que pareça vermelho mais-ao-diabo-que-o-carregue. Acabou a proibição e voltou a falar para dizer que “Portugal era um país pequeno de mais para ser dividido em dois” assim, sem mais... Não acho que Jardim e Pinto resistissem muito tempo na marquesa de um bom psiquiatra, porque têm tiques que revelam um qualquer complexo, conflitos interiores que causam aqueles distúrbios e os levam à mania da perseguição. São pessoas afectadas no recôndito do ego. O Alberto, com a fanfarronia e o exibicionismo de rei sol, pode dizer o quiser porque todos o consideram inimputável, o outro, acorda da quarenta a que a Justiça o obrigou para voltar a pegar na espada e no elmo para se espadeirar contra moinhos que não existem, quanto mais os fantasmas que representam.

Esta necessidade de manter vivo um inimigo, é o truque velho que qualquer ditador ayatola ou manipulador tem que sustentar, para dominar as massas. Neste caso, tudo começa com Pedroto, quando este falou do “centralismo”, que não era nada mais nada menos do que o Porto não ganhar campeonatos há duas décadas, mas resultou, porque ao arranjar uma boa equipa que começou a vencer, a culpa passou para o povo a ser do “centralismo” e a partir daí se começou uma campanha de animosidade contra Lisboa. Qualquer lisboeta sente a injustiça desse tratamento, embora esteja a mudar, mas por força de serem empurrados para a guerra por esse tratamento iníquo. O ego deste Pinto foi desde esses tempos alimentado com esse ódio e não conseguirá agora viver sem ele porque foi com esse alimento e nesse clima que cresceu, daí que todas as semanas tenha necessidade de o manter e falar a despropósito do Benfica e de Lisboa. Valham-me os bons amigos que tenho no Porto para que tanto eu como eles não confundamos o Porto com o Pinto e Lisboa com os mouros.

Vejam o que se diz aqui no Pátio das Conversas e que lembra muito bem a forma como este cavalheiro está no futebol. Ganhar, é para ele uma questão de sobrevivência, o problema é que com esse estilo ele arrasta e aliena nessa vertigem uma cidade.

05 janeiro 2010

Homenagem a Lhasa de Sela

(Reeditado)

"La Fontera

Hoy vuelvo a la frontera
Otra vez he de atravesar
Es el viento que me manda
Que me empuja a la frontera
Y que borra el camino
Que detras desaparece

Me arrastro bajo el cielo
Y las nubes del invierno
Es el viento que las manda
Y no hay nadie que las pare
A veces combater despiadado
A veces baile
Y a veces...nada

Hoy cruzo la frontera
Bajo el cielo
Bajo el cielo
Es el viento que me manda
Bajo el cielo de acero
Soy el punto negro que anda
A las orillas de la suerte "


Entre tanto drama humano merecedor da nossa atenção, desfocado pelo abastardamento da repetição de imagens, retive apenas nestes primeiros dias do ano uma história, a de Lhasa de Sela, uma cantora que mal conheci. Ela talvez representasse um produto de experiências, interrogações e caminhos paralelos aos da minha juventude. Cantora conhecida como “Nómada”, era filha de pais hippies, dos verdadeiros, pai mexicano e mãe norte-americana, de nacionalidade canadiana, não teve escola até aos treze anos aprendendo apenas com os ensinamentos da mãe. Viveu uma infância maravilhosa, segundo ela, parece que por não ter a responsabilidade que tinham as outras crianças. Livre de drogas diz, que foi talvez porque em casa não era fruto proibido, por muito polémico que isto possa ser. Considerava-se uma cidadã sem pátria. Fica uma simples homenagem nesta sua música e na entrevista a Carlos Vaz Marques na TSF em 2005.

04 janeiro 2010

Saúdem-no como Arte.

Falámos daquele homem hoje à refeição. Já não me lembro se lhe respondi na primeira vez que me saudou quando passei por ele de carro, mas seguramente que o fiz na vez seguinte e sempre em todas as outras, porque há um apelo enorme naquela figura humana que sem nos conhecer, nos presenteia com um enorme sorriso e nos saúda de braço no ar, sempre que passamos por ele no Restelo ou na Avenida Fontes Pereira de Melo, como que lembrando-nos a prioridade a dar ao melhor da espécie humana: os afectos. Ele é para quem passa, uma provocação boa ou má, uma indiferença, talvez uma irritação para alguns, e essas, são contradições de uma obra de arte.

Vejamos então aquele homem de quem não conhecemos a história, como a obra de arte na qual o próprio escultor se tornou, como uma instalação pública montada fora da galeria, arte urbana, cumprindo um dos objectivos principais da arte: interpelar-nos. Cumpre-nos devolver-lhe o capital que nela investiu, tornando-o num caso ímpar: o de uma obra que nos agradece a apreciação através dela própria, em si mesma, o autor.

“A arte não tem, para o artista, fim social. Tem, sim, um destino social, mas o artista nunca sabe qual ele é, porque a Natureza o oculta no labirinto dos seus desígnios.” (...) Fernando Pessoa .

22 dezembro 2009

O Povo e a Música

Disse um dia que tinha inveja deste povo, seria antes que gostaria de ter tido um povo ou uma nação que tivesse tido a oportunidade de produzir cultura desta forma. Perguntavam-me no email que recebi com o link do vídeo que segue: “E nós o que temos? O Toni Carreira e agora o filho?” Não, não são as audiências do Toni que preocupam, até porque as salas com grandes clássicos, começam a ter as suas audiências, do que tenho pena é que lá muito para trás na nossa história esse despertar para as ideias, as artes e a cultura não tenha acontecido. É portanto um deficit na nossa evolução histórica. Mas não podemos ser severos, porque quer se queira quer não, é também um problema geográfico: tivemos sempre na Espanha um tampão entre nós e a cultura europeia, enquanto os Iluministas e outros arejavam a Europa séculos atrás. Compete-nos agora correr atrás do tempo e tornar o nosso futuro povo um amante de cultura capaz de produzir um dia a sua obra e quem sabe gostar de cantá-la assim.
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16 dezembro 2009

O postal de Natal

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Imaginem que o receberam porque foi feito da forma menos virtual possível, ele existe mesmo. Foi comprado, manuseado, escrito, fotografado e agora colocado aqui para fazerem dele, vosso. Um abraço a todos. Deixo-vos esta belíssima voz da Jana Mashonee, cantando na Língua nativa Navajo.
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14 dezembro 2009

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Erros caros.


Parece continuar a haver gente a insistir no mesmo erro em relação às Presidenciais, ao esquecer que foi este Manuel Alegre, só, sem apoios oficiais, com as animosidades internas apontadas para ele, contando apenas com os portugueses como eu que pensaram por si não delegando em ninguém essa responsabilidade, suportando do seu bolso uma campanha apoiada em muita contribuição individual, sendo constantemente afrontado pelos seguidistas de Sócrates e Soares hoje premiados no Governo, que por uma unha negra não obrigou Cavaco a uma segunda volta. Sabe porquê? Porque foi capaz de nos falar da CIDADANIA de uma forma que os adeptos do discurso oficial não ousam porque têm medo dela, medo que os centrifugue. Há uma nova esperança na força do discurso de Alegre e isso não faz quem quer só faz quem pode. Obama confirma isto. É pois com espanto que continuo a assistir a este tipo de análise, mas se não é já alguma estratégia de demolição eleitoral, é pelo menos um déjà vu com uma desastrosa derrota, reeditavel com qualquer-um-peixe-de-águas-profundas que venham a pescar.

Quanto aos jornalistas, não me diga que não são preferíveis os independentes, ainda que estagiários, a efectivos dependentes, a mercenários em outsourcing ou a agenciados, convenientemente bem pagos. As Agências ... claro.
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10 dezembro 2009

Portugal profundo

Em tempos fui pró regionalização e não sei bem porquê, porque isto de regiões é coisa que não pensamos todos os dias de forma a termos uma opinião tão formada. Acho que acreditei mesmo que era possível não multiplicar as estruturas que suportamos e por aí pululam, de forma a que não começassem a haver por aí mais esposas de presidentes e de vice-presidentes, de chefes de gabinete de presidentes e respectivas Secretárias, e mais secretárias e cadeiras novas de espaldar e up grade das frotas automóvel, assim à maneira da nossa Assembleia e do seu presidente peixe-de-águas-profundas. Naquele tempo alimentava-me um espírito que entretanto me parece ter-se perdido, e começo agora a descrer em regionalizações ao ver gente recuperar o tema depois de falhar o assalto ao poder, de tantos apitos e sacos às cores, contas na Suíça e mais estes exemplos edificantes que junto no link. Agora, atormenta-me pensar que estes homens poderiam candidatar-se um dia e mandar calar ou arrotundar uma região inteira.
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08 dezembro 2009

Manuel Alegre


Mário Soares teima em não ter o final político que merecia. Não precisava de continuar esta senda. Uma pena. Ver no Jornal I.
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"Uma bola de futebol a sério"

Era uma reportagem nas tabancas algures em Moçambique, com os filhos órfãos da guerra. Falavam da responsabilidade dos rapazes mais velhos, agora o amparo dos mais novos, depois dos pais morrerem com sida. Do cultivo da terra e da subida arriscada aos coqueiros que agora lhes competia. Das contenções em namoros, porque não havia mais ninguém para apoiar a família se “houvesse problema”. Da moça quase criança que à força virou mulher com uma pequena criança nos braços, filha do desconhecimento “dessas coisa dos tempo”. Das crianças descalças que jogavam felizes com uma bola de trapos da cor do pó vermelho dos pés, e declaravam com um grande sorriso aberto “que o que mais queriam era mesmo uma bola de futebol a sério!”. A repórter, virando-se para aquele rapaz meio criança, tutor daquela gente, ainda pergunta:

- E o que é que vos faz falta?

- Ah sim! Nada. Nada nada. Tá tudo bom. Tudo bom. Numa introspecção, distante, onde provavelmente já não estavam para ele os repórteres, disse uma vez mais olhando o chão:
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- Tá tudo bom.
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A espanholização da política

António Vitorino em entrevista a Judite de Sousa, a propósito dos recentes episódios entre Oposição e Governo: “Estamos a caminho da espanholização da politica”.

Ou, casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão? Eu quero tudo menos espanholizar-me. Tenham lá então juízo.

07 dezembro 2009

O Clima em Copenhaga

Vigílias por um acordo sobre as medidas para combater as alterações climáticas vão ser realizadas por todo o mundo no próximo dia 12. Esta equipa de http://www.avaaz.org/ colocou em marcha uma campanha a nível mundial. Veja o quê: Vigília por um Acordo.

Cavaco: "Autoritarismo gelado"

(...) "Agora, sustentado por uma absurda evasiva protocolar, não compareceu na grande homenagem à memória de Melo Antunes. A justificação brada aos céus. Estavam presentes três antigos Presidentes da República, demonstrando que a questão central, o tributo a Melo Antunes, evocava o sentido dos valores e a magnitude de uma Revolução que determinava a defesa desses valores. O dr. Cavaco virou as costas. E a Associação 25 de Abril, cansada de ambiguidades e de escusas disparatadas a quatro convites destinados a memórias semelhantes, a Associação decidiu nunca mais solicitar a presença do dr. Cavaco. Há, portanto, um corte de relações entre uma instituição que simboliza a Revolução de 1974 e os seus heróis, e um indivíduo que, casual e episodicamente, é Presidente da República."(...)
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Leia o resto do artigo de Batista Bastos justamente indignado no JN.

05 dezembro 2009

Os Dubais de areia.


Li algures: Cidade-símbolo do capitalismo árabe está à beira de tornar-se uma cidade fantasma. Em tempos, uma amiga enviou-me um pps com fotos maravilhosas de um empreendimento algures no deserto, com canais de água cristalina, lagos com ancoradouros em estilo veneziano, embarcações de recreio onde era possível antever sortudos desta vida, gente dourada pelo sol esquecida das coisas que nem tem que fazer. Respondi-lhe, com a primeira imagem que a minha memória fez, lembrando-me da mensagem final do filme: “O planeta dos macacos”. Via tudo aquilo como uma construção na areia que um dia a lei da entropia converteria fatalmente noutra ordem planetária, quando as areias chegassem para secar aqueles desvarios, ou o desentendimento entre os homens o tornassem num deserto igual ao do filme. Depois, foi também a certeza que a loucura financeira a que assistíamos que suportava tudo aquilo, era como uma espécie de encantamento próprio das miragens da sede no deserto, e continha a prova que seria tudo mais efémero do que parecia. Foi mais ou menos esta a resposta.

Receio não me ter enganado, porque as más notícias sobre aqueles exageros, agora, os financeiros, estão a chegar mais rápido do que o previsto e a antecipar-se até a chegada das areias e do capim das dunas, apressando o agravamento da crise que ainda não quisemos resolver. Decididamente, montamos mal este mundo porque não o fizemos com sustento. Fontes aleatórias: aqui, aqui e etc.
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02 dezembro 2009

Aula sem cadernos

Estes, são exemplos de vida que valem a pena conhecer, e esta aula uma forma tão elevada de como podemos falar sobre eles, ou melhor, como nos podem ajudar, se utilizados desta forma tão empenhada e conseguida. Não me importava de ter sido aluno nesta aula do Jad:
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01 dezembro 2009

Hino da Restauração

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A charanga irrompia na rua em alvorada de estridentes metálicos, por aquelas noites frias do negro azulado de Dezembro, antecipando uma aurora ainda meio adormecida, tocando o hino da Restauração, quase roçando a janela do quarto onde eu ainda criança, dormia, alheio àquela manifestação patriótica. Era assim, com aquela genuinidade, que naquela vila do norte do Alentejo se comemorava o 1º de Dezembro, evocando a memória da madrugada em que nos livramos do domínio Filipino em 1640.

Talvez tenham sido os actos de coragem daqueles músicos ao percorrerem as ruas geladas do 1º de Dezembro, que me incutiram o espírito que guardo por este país. Confesso-me um patriota, saudável, mas sem medos: patriota. Sendo que pátria, é a terra onde a pessoa nasce ou nação a que pertence.

Neste vídeo, em Elvas, ninguém parece saber a letra do hino, nem sei se a que existe é original, mas a que cantávamos não é recomendável reproduzir aqui...
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29 novembro 2009

A Igreja

Não é só a falta de consenso no valor da obra de arquitectura da nova igreja em Belém, o qual sabemos que só o tempo devolve, ou não, quando outras análises noutra época pesarem na sua avaliação, que me leva a discordar em absoluto do projecto - também, por não lhe reconhecer nenhum vanguardismo especial digno de crédito - mas, as razões que estranhamente parece não terem pesado na ideia estapafúrdia de colocar ali e naquele ponto alto, mais uma igreja. São tantas as razões que escolher um começo é difícil, mas desde logo, o porquê da coligação de Direita que governava Lisboa à época, ter oferecido tão valiosos terrenos à Igreja, naquela zona. Depois, o da ostentação que é sempre coisa incompatível com a mensagem do inspirador da Igreja mas a que esta pouco liga, sabendo que o projecto vai custar três milhões de euros, que não existem ainda, dizem-nos, um pouco em forma de choradinho. Depois, porque em termos urbanísticos é um desastre e em termos simbólicos há nela muitas contradições. Lisboa, não tem falta de locais de culto católico e aquela zona já possui os suficientes, do que Lisboa precisa são projectos e obras de carácter social, para uma população cada vez mais pobre, envelhecida e amendigada, mas a isto a Igreja fala-nos de resignação. Belém já começou a ser escavada para dar lugar a mais este espavento da Igreja Católica, não sei se iremos a tempo. Abecassis e Santana Lopes estão-lhe associados.

Enquanto as religiões não se impuserem pela prática diária junto dos povos e pelo despojar de atavios magnânimos, arquitectónicos e cenográficos com que esmagam a pequenez dos fiéis seguidores, nunca serão religiões sérias, no sentido em que o grande valor da sua existência deveria ser exclusivamente a mensagem em si, bastando apenas isso como método de captação e não buscá-lo pelo efeito que deixa sideradas as ovelhas ao contemplarem as suas obras megalómanas. É esse jogo perverso de imposição de imagem que aniquila a seriedade de muitas religiões. Veja aqui o projecto.
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27 novembro 2009

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Os Pombos

"Sendo a prevenção um dos aspectos a atender, enquadra-se nesta perspectiva a proibição da sua alimentação, que constitui contra-ordenação punível com coima." (n.º 1, artº. 60º do Regulamento de Resíduos Sólidos da Câmara Municipal de Lisboa). Onde pára a nossa Polícia Municipal? No Brasil já aconteceu isto, veja:
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As doenças dos pombos que convém saber:
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INFECCIOSAS:
BACTERIANAS - Salmonelosis ou Paratifosis, Cólera, Corízia, Ornitosis, Micoplasmosis.
VIRÓSICAS (Vírus) - New Castle ou Paramixovirus, Adenovirus, Herpes, Diftero, Viruela.
MICÓTICAS (Fungos) - Aspergilosis, Cadidiasis ou Muguet.
PARASITÁRIAS:
INTERNOS - Coccidiosis, Ascaridiosis, Capilariosis, Teniasis.
PROTOZOARIOS - Plasmodiosis ou Malária, Haemoproteosis, Trichomoniasis.
EXTERNOS - Piolhos, Ácaros, Dipteros (Moscas), Carraças.

25 novembro 2009

Esclareçam-nos!

Fazendo aqui o papel do cidadão comum, o da rua, dos transportes, do café, diria que não me preocupa nada que Penedos tenha saído da REN e o porquê é óbvio: já o culpamos! … Ainda que não seja assim, e assumindo-nos todos, os Invejosos Sociais de que fala Sócrates, classificamos os proventos destes gestores, excessos de um sistema profundamente injusto, que baixa a estima que temos por estas classes incomuns.

Se este advogado diz isto depois de ver 50 anos de decisões judiciais, não deveremos interrogar-nos sobre o que quer o senhor dizer? Das duas três, ou o advogado está a perder faculdades, ou a jogar o seu capital de confiança junto de nós de uma forma tão arriscada, ou alguma coisa de profundamente errado está a assistir. Como homem da rua é mais uma curiosidade com que fico e uma investigação a fazer por conta própria, uma vez que não nos vai restando Comunicação Social que possamos encarregar disso, como podemos ver aqui.

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24 novembro 2009

Tenho medo...

“Tenho medo de uma sociedade que não tem medo de escutar. Nesse sentido Mário Crespo, tenho medo.” Era assim que os seus entrevistados de ontem, Saldanha Sanches e Paula Teixeira da Cunha poderiam bem ter respondido, quando você queria insistentemente que eles entrassem na sua campanha do Medo. Você quer fazer acreditar as pessoas, que há Medo, quer levá-las a dizer o que faz parte da sua agenda. Está a ser patético e os seus objectivos são indisfarçáveis.

Remeto-o de os olhos fechados e ouvidos tapados para VPV, no Público. Lido em primeira mão no Pátio das Conversas: (…) "A oposição acusa Sócrates de não dar explicações ao país sobre o que alegadamente disse na escuta a Armando Vara. Não percebe, ou percebe demasiado bem, que a mais leve explicação abriria um precedente perigoso. Dali em diante, o primeiro boato com uma aparência de plausibilidade forçaria o primeiro-ministro a justificar, como culpado presuntivo, cada movimento e cada palavra, que directa ou indirectamente transpirasse para a televisão ou para a imprensa. O Governo acabaria por se transformar, como de resto já se transformou, numa feira contínua e num escândalo gratuito. É inteiramente legítimo tentar remover Sócrates de cena. Não é legítimo, nem recomendável arriscar nessa querela a própria integridade do regime." Como vê Mário Crespo até o inefável VPV escreve assim.

Apanhemos quaisquer Sócrates ou Cavacos se eles forem sacripantas, mas sem que isso ponha em causa uma coisa mais fundamental, a nossa liberdade e o direito a não ser escutados em manobras de diversão manipuláveis por qualquer mente sem escrúpulos, quanto à devassa da nossa privacidade. Isso, mete mais medo do que os seus Medos.

21 novembro 2009

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Os Comentadores e Sá Pinto

Rui Moreira diz: “Sim, porque o Ricardo Sá Pinto é uma pessoa benquista no nosso futebol. As pessoas gostam dele…”.

Rui Oliveira e Costa: “Menos o Artur Jorge, não?! … Ahhh ah ah ah ah”.

Rui Moreira: "Ah sim claro! ... Ah ah ah ah".

Sá Pinto, foi aquele jogador que por não ter sido seleccionado, se lançou um dia em cima do seleccionador Artur Jorge ao soco e ao pontapé, quando este estava de costas a falar com alguém. Como prémio, foi recebido em Alvalade por uma multidão ululante, e é agora o director desportivo e já distribui sorridente, autógrafos às criancinhas.

Paulo Bento diz isto dele: “Por minha vontade Sá Pinto não trabalharia no futebol”. Atenção, não é no Sporting, é no futebol! Das duas uma, ou Paulo Bento não é o homem integro que todos conhecem, ou o outro não é mesmo flor que se cheire. Estou mais tranquilo. Julguei que era exagero meu.

19 novembro 2009

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Queiroz ... muito que fazer!

“… Muitos abutres falavam antes destes jogos, mas agora não têm mais carne para comer…”. Foram declarações de Eduardo, Guarda-redes da Selecção Nacional a uma Televisão.

Digo muito que fazer, não tanto pelo que vimos no jogo contra o inferno bósniohersegovino, mas pelo inferno que é a falta de nível de jogadores que chegam à Selecção e se acham craques com direito à bimbalhice e aleivosia. “… Muitos abutres falavam…”? Quem se julga Eduardo? Com que direito fala daquela forma, sobre quem não esteve de acordo com a forma como a equipa vinha perdendo pontos? Olha Eduardo, escrevo isto desta forma, mas fui dos que sempre apoiou a Selecção e este seleccionador, mas de repente, e com isto, deste-me uma veneta e acabaste por me fazer lembrar uma coisa que já estava esquecida: foi quando te precipitaste que nem um abutre nas tristes cenas das agressões à entrada do túnel no Braga, contra o Cardoso e o Benfica, quando ele apaziguava todos. Assim, Carlos Queiroz vai ter mesmo muito que fazer, porque um style desses não vem só de berço, e nós não queremos gente reles na Selecção.
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14 novembro 2009

Refugos na TVI - (Reeditado)

A Pide não escutava por motivos criminais, não andava a saber o que cada um falava porque o seu zelo se estendesse à prevenção do crime. A Pide escutava puramente por motivos políticos. A Pide só queria saber o que cada um dizia politicamente, não me consta que os criminosos tivessem a Pide à perna.

Ora: “O presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, decidiu, ontem, sexta-feira, anular e destruir as escutas telefónicas do processo Face Oculta em que intervém o primeiro-ministro, José Sócrates, à conversa com Armando Vara. (...) O presidente do STJ terá considerado as escutas nulas e irrelevantes do ponto de vista criminal.”. Lido no JN. É um juiz, e logo o presidente deles, que o diz: “... do ponto de vista criminal” que é isso que lhe interessa e está em causa, porque as escutas neste Estado de Direito só são permitidas em investigações criminais e com moldura penal superior a três anos, e não em investigações políticas. O que alguns arautos da defesa do Estado de Direito reclamam è a sua subversão pela via das alterações pontuais em função dos seus interesses políticos, esquecendo que a abertura a esse voyerismo é o principio que pode vir a legitimar a coisa mais execrável num regime político: a escuta segredosa ao cidadão. Isto deixa-me um arrepio no pelo, mas pelos vistos não deixa a todos. E vi ontem alguns na TVI, o José Manuel Fernandes, pois claro, e um artista com um ar muito pouco recomendável António Ribeiro Ferreira, sobre o qual descobri esta pérola de veneração a Bush, tendo-o descoberto nesta e nesta onde o pode conhecer. É com arautos destes que o jornalismo e a Direita vão fazendo o seu caminho, e é uma pobreza que a televisão promova o seu fel, unicamente à cause de Sócrates.
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Reediação depois da audição do "Contraditório", na Antena 1:
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Um dos riscos que se corre quando se escreve a quente, é o de laborar num raciocínio errado, e esse foi um risco corrido neste post. Mas vi as reacções de alguns políticos a este problema e cada vez mais, e por isso, me sinto melhor no raciocínio autónomo sem precisar de correias de transmissão política. Remeto-vos para este programa da RDP, o Contraditório, com Carlos Magno, Luis Delgado e Ana Sá Lopes.

Diz Carlos Magno: “Há coisas que um cidadão não faz, não faz pelas pernas abaixo e não comenta escutas.” De memória, dizem eles, e até o inefável Luis Delgado, entrou neste acordo de conversa: “Quem colocou as escutas cá fora cometeu um crime. Repugna-me que alguém seja quem seja, esteja a ser escutado. Como diz o Bastonário Marinho e Pinto, até um arguido e o seu advogado tem o direito a não ser escutados, quando alguém está a escutar, deve parar logo ali.
Vejam lá o que isto dá: aqui há coisa de um mês andávamos todos preocupados a discutir porque o Presidente estava a ser escutado, afinal era Sócrates que andava a sê-lo há quatro meses. Provavelmente andamos todos a ser escutados isto é uma sociedade inquisitorial pidesca, soviética, própria de regimes ditatoriais etc. etc. “
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Direi mais: é preciso registar os nomes de quem está a dar apoio ou concorda com a isto porque não é gente de confiança para alguma vez ter acesso aos destinos deste país.

Clique no link daquela conversa, e depois no botão de áudio para ouvir, porque raramente lhe sugiro coisa que não mereçam ser ouvidas.
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11 novembro 2009

Encerrada temporariamente

Buchholz. Ou o seu epitáfio?

Ia à Livraria Buchholz, na Rua Duque de Palmela, comprar um livro, mas a indicação à entrada provocou o desalento que aqui me trouxe. Por baixo da reentrância da porta de vidro já se acumulavam folhas amarelas de Outono, que me acentuaram a melancolia neste S. Martinho, talvez ainda pela falta de água-pé e duas castanhas. Não comprava ali há algum tempo porque o meu circuito na cidade mudou e este intervalo foi fatal. A Buchholz não aguentou o momento que aqui antecipei há dois anos atrás, em Livros & Hipermercados, e ela passa agora nesta história, pelo dilaceramento real do corpo que um dia fez parte da cultura da cidade.

Somos todos culpados! Porque já misturamos a leitura com as couves, quando a mercantilizamos no hiper por mais ou menos um euro. Uma livraria com aquela história entra em qualquer classificação que façamos de património cultural ou imaterial, só a gestão das cidades não parece ver isso. Aceitam-se propostas que salvem as livrarias, desde que não incluam a mistura de livros com chouriço. Os hipermercados secaram as cidades - todo o comércio nas cidades - e elas nasceram mesmo por essa razão. É no comércio que está a sua génese, e a alteração deste padrão de organização humana está já a provocar roturas das quais nos vamos queixando, sem nos apercebermos bem de quê. Depende de nós, já que os poderes que atibuimos à livre concorrência também estão aí para se servirem apenas de nós. Vai morrer mais um pedaço da cultura da cidade sem que ninguém dê o alerta.