02 junho 2010

Recomendo.

Mentiram-nos este tempo todo? do Tacci
Um parlamento rico num país cada vez mais pobre!... do Alexandre Castro
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Vida Artificial? II

A propósito da “Vida Artificial” tratada aqui mais abaixo, deve ser dito que este é um exemplo do cuidado que devemos ter quando abordamos uma qualquer matéria, baseados apenas nas notícias que nos caem na sopa, porque o mundo da Ciência de investigação é, apesar do escrutínio a que está sujeito pelos pares, um dos que mais propicia lacunas entre o facto, a notícia e a interpretação, por deficiências no circuito da divulgação não raras vezes intencionais, originando pela sua complexidade interpretações desfocadas.

Aconselho a que investiguem a que corresponde efectivamente esta “Vida Artificial” que se noticiou, porque já li por aí sobre o abuso do termo. Com as devidas diferenças faz lembrar aquela que nos deixou um dia a cabeça em água quando foi anunciada a Fusão Nuclear a Frio, por Martin Fleischmann e Stanley Pons, e ficamos em transe, mas por pouco tempo.

Deixo aqui parte de um texto que aconselho que leiam na totalidade, em De Rerun Natura, que fez parte da minha pesquisa sobre a notícia:

(...) “Hoje a sequência do ADN humano é de livre acesso muito graças ao esforço do consórcio público que divulgava os resultados da sequenciação no final de cada dia, à medida que os ia obtendo, fazendo cair a sequência no domínio público.

Mas, para os media e generalidade do público, a história que ficou foi a de que a Celera Genomics fez em dois anos o mesmo que o consórcio público fez em dez, e que talvez tenha havido um desperdício de fundos públicos numa estrutura ineficiente quando comparada com a agilidade de uma única empresa privada” (...)



30 maio 2010

A Bruna na bruma.

Entre o papel de Encarregado de Educação e de aluno da Escola de Mirandela, vou escolher o mais difícil.

Fez a Bruna Real polémica e recoloca novamente Mirandela no mapa, acrescentando à alheira o condimento picante que não tinha, despindo-se de preconceitos e apresentando os seus argumentos numa revista que tem de tudo, até ligações perigosas, e menos de Ciências da Educação, e não figura certamente nas bibliotecas das nossas escolas quanto muito, andará escondida debaixo do tampo de alguma carteira. Não quero fazer parte de facções e sobretudo não quero estar com os puritanos ou com os herdeiros longínquos dos pirómanos da Inquisição, mas verifico que em nome da defesa de uma liberdade individual da “professora” quase me fazem parecer mal que não entenda os direitos da Bruna. Ela pode fazer do corpo o que quiser porque terá para isso a explicação que lhe serve de forma a conviver com isso, mas também sabe que abriu uma caixa de Pandora, com as novas imagens de raio x que alunos e alunas vão passar a ter dela. Qualquer pai ou Encarregado de Educação saberá falar a uma filha ou um filho sobre a nudez de uma Bruna que se passeie na bruma de uma qualquer Praia do Meco, mas já sentirá engulhos ao justificar a “professora” e ao explicar-lhes as razões que estão por detrás da existência da revista e que são no fundo as que levaram a Playboy a fotografar a professora para a exibir daquela forma. As legítimas aspirações e uma certa vaidade da Bruna atraiçoaram a "professora”.

Os espanhóis, outra vez...

Os comentários ao ataque da Telefónica aos interesses da Portugal Telecom no Brasil, e à sua arrogante ameaça ao capital da operadora portuguesa através de OPA hostil, ameaçando Portugal com o terrível cenário da perda de uma empresa tecnológica tão estratégica, passando os comandos para Espanha e fragilizando ainda mais o nosso mercado de emprego, são unânimes e representam a melhor resposta aos iberistas porque os portugueses conseguem afinal saber de onde pode vir perigo.

No Jornal I diz-se: “A PT recusou de forma clara. E os espanhóis não entendem porquê. "Ficámos surpreendidos ao ver que rejeitaram a oferta", diz o CFO da Telefónica aos analistas”. Pois é, se os espanhóis não entendem, é porque pura e simplesmente não nos entendem, e o texto que segue, sobre o qual não faço um juízo de valor, vale o que vale, foi escolhido avulso de um fórum sobre a questão e pode representar muitos outros:

“É óbvio que a PT e o Estado Português têm de fazer tudo para impedir a venda da Vivo. Espanha tem estado a perder negócios nas suas ex-colónias da América Latina, sobretudo na Venezuela. Perante essas contrariedades, Espanha está apostada em tentar controlar os investimentos no Brasil, dificultando e tentando impedir lá os investimentos de Portugal.

O Brasil e Portugal são países irmãos que partilham a mesma língua e cultura. Em contraste com o caso Espanhol, Portugal deu a independência ao Brasil pacificamente. A independência de todas as ex-colónias espanholas na América Latina teve de ser conquistada pela força das armas. À Espanha não interessa que Portugal e o Brasil tenham boas relações económicas na zona porque isso tornaria Portugal num país com mais potencial do que a Espanha.

O Estado Português tem de ter muita cautela com Espanha. Todas as empresas portuguesas devem ser protegidas pela aquisição da maior parte das acções e pela blindagem dos estatutos. Essa é a única forma de conseguir manter a independência e soberania de Portugal.

Portugal tem de proteger o seu mercado dos investidores espanhóis e os portugueses devem punir os políticos que a troco de dinheiro e cargos de administradores, vendam empresas estratégicas portuguesas a Espanha.”

28 maio 2010

Pianistas...

“O Pianista” foi o filme que Cavaco escolheu ontem na Cinemateca Portuguesa no âmbito da Comemoração dos 100 anos da República. Enquanto discursava, por lá andava outra pianista catrapiscando as objectivas, a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, mas diria que com outras “pianistas” no sapato.

É que “A Pianista” Alexandra Simpsom, representou ontem mais uma derrota da Ministra, enquanto ex-responsável da AMEC (Orquestra Metropolitana de Lisboa), ao ter ganho em tribunal, cinco anos depois, um processo por ter sido despedida ilegalmente e pressionada a trabalhar programas inexequíveis. A procissão continua. Agora há que somar mais 80.000 Euros de indemnização e retorno da Alexandra às funções anteriores na Orquestra. Mas que a Ministra é bonita, isso é…

21 maio 2010

Vida Artificial?

A criação da primeira forma de vida artificial, talvez se possa resumir deste modo: O criador determinou com um computador quais eram os pozinhos a colocar numa célula com vida "natural" para criar outra com vida artificial. Parece que resultou, porque depois de milhões de replicações do ADN invasor, nada restou da hospedeira, sobrevivendo unicamente uma coisa cuja vida foi programada artificialmente.
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Esta manipulação cheira a esturro, não pelos motivos que a Igreja Católica levanta mas porque o exemplo dos OGM’s já nos bastavam para hipotecar a biodiversidade na Terra. Esta descoberta, vai certamente começar a ser usada como todas, inicialmente, desconhecendo os perigos por detrás da sua aplicação ou aplicações porque os interesses económicos monstruosos vão encarregar-se de a por imediatamente a render. Com tanta ameaça sobre nós o que precisamos é de aventuras com retorno garantido e este parece de todos o menos certo, basta atentar nas palavras do criador: "Mudou o meu ponto de vista da definição de vida e do seu funcionamento". Curiosamente, a forma fria como nos olha é perturpadora.

15 maio 2010

Um balão a mirrar.




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Como podem os Oceanos estar há um mês a ser inundados de naftas sem que haja fim à vista numa solução eficaz, e não encontrarmos uma preocupação geral que esteja de acordo com a importância deste terrível desastre, nem vermos, pelo menos por cá, os media darem-lhe relevo face a outros títulos em agenda?

A exploração petrolífera nos oceanos em plataformas que descem tubos de sucção a milhares de metros de profundidade, é uma actividade de garantias pouco seguras como se viu agora, porque aquilo não deixa de ser uma gerigonça frágil perante as potentes forças da natureza a que está sujeita e se provou agora que é um enorme risco planetário. Nunca questionávamos os processos de segurança em caso de acidente nestas estruturas, porque achávamos que tudo estava pensado, e nestas, sempre achei que nos mecanismos de contenção de uma rotura, se recorresse a algum método de aproveitamento da física da natureza e não a um processo mecânico de válvulas degradáveis sujeitas a avarias e a homens sujeitos à asneira, porque um desastre a tantos metros de profundidade não iria lá ter reparadores de máscaras e garrafinhas de ar nas costas para o resolver.


Para além dos milhares de toneladas de crude a ser derramados diariamente desde o dia 20 de Abril - 800.000 litros durante 25 dias são 20 milhões de litros até agora, - e que se vão espalhar sem controlo levando a morte por onde passam, resta ainda um outro, que terá porventura a ver com a compensação da massa na crosta terrestre que é extraída das enormes bolsas de crude, através da injecção de água para o fazer subir e simultâneamente preencher os espaços vazios que ficaram. Quantas plataformas existem no mar a correr este risco? A Terra é cada vez mais, desde o evento da época industrial, um enorme queijo suíço, porque não paramos de a esventrar sempre mais fundo e neste processo, ainda um dia veremos nela o efeito de um balão a esvair-se.
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13 maio 2010

Despesa & Crescimento

a DAP
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Gráfico do DAP da Pedro Arroja, foi complementado com dados de leitura. Ambos lidos inicialmente no Corporações, aqui e aqui.
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Se insistirmos tocar num piano apenas teclas deprimentes, a nossa música não passará de tristes nocturnos. O mesmo se passa com as notícias do país se insistirmos em fixar-nos apenas nas dúvidas que temos pela frente. Isso pode servir alguns interesses políticos e à mudança das moscas, mas não servirá o interesse colectivo que é o que unicamente nos interessa.

Aqui ficam dois exemplos que não fazem normalmente parte dos grandes títulos. Um, que nos diz que o aumento da Despesa da Administração Pública foi a tradição na longa governação de Cavaco e depois, de Barroso e Santana, e outro, que é preciso ter esperança nas nossas capacidades, face às últimas notícias de crescimento económico. Fontes dos gráficos: Banco de Portugal e o Eurostat. Para melhor enquadramento da leitura, junta-se este:
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11 maio 2010

Caminhos...?

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No Império, todos levavam a Roma, hoje há alternativas. Não me importava se Cavaco tivesse dito que o fazia “…em nome dos portugueses”, quando falava para o Papa, mas já não gostei que tivesse dito que era “…em nome de todos os portugueses”. Mas faço votos para que a fantástica luz do Tejo o ilumine.

Entretanto...

"Uma professora do 1º ciclo, (…) admitiu ontem à direcção escolar ter dado "uns tabefes" a uma aluna com nove anos de idade, (…)

A direcção escolar aconselhou a professora a procurar ajuda médica, (…). E abriu um inquérito, do qual poderá resultar um processo disciplinar. A mãe da criança apresentou queixa na GNR (…)"

08 maio 2010

CIA: Erros & Tragédias

A história dos grandes Serviços Secretos está montada sobre enormes cemitérios, porque é recorrente nas suas actividades a eliminação física dos alvos que escolhem. Se já é um drama que a obtenção ou manutenção do poder se faça à custa da interferência na vida dos outros, maior ele é quando as suas actividades, baseadas em erros de observação, provocam hecatombes. Porque nunca saberemos a totalidade dessas verdades, é muito relevante que alguém tenha decidido contar-nos parte da história, com a edição em 2007, nos Estados Unidos, de um extraordinário livro: “História da CIA – Um Legado de Cinzas”, vencedor do “Book Award”, escrito por Tim Weiner, premiado com o prémio Pulitzer. É um livro nada abonatório da política dos Estados Unidos desde década de 40, porque nos relata com fidelidade os erros cometidos por aquela Agência, ao longo de 641 páginas, suportado noutras 200 de notas extra, por via das dúvidas, que remetem para 50 000 documentos e centenas de entrevistas a ex-agentes e directores da CIA.

Haveria para descrever, muitos exemplos de história que nos foi contada de outra forma, como a dos mísseis de Cuba, mas ainda só até meio da leitura do livro, não posso deixar de referir aquela que mais me impressionou. A tragédia do Vietname, como a do Iraque, partem de dois erros clamorosos de informação. A do Vietname foi detectada ainda a tempo, já com os aviões no ar, mas ninguém quis assumir e voltar com a palavra atrás. Está dito nas Pág. 306 a 311. No Iraque como já sabíamos, a história repete-se enganando meio mundo. Com ambas, alteraram a vida de milhões de seres humanos. Tinha razão o presidente Eisenhower quando desabafou que a Agência lhes tinha deixado “um legado de cinzas”.
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03 maio 2010

Gananciosos? Quem?!

A propósito deste grande texto de Daniel Oliveira, no Arrastão mas também no Expresso, Uns gananciosos, estes trabalhadores.

Quando isto era uma Monarquia, havia formalmente instituído uma divisão política e social formada pelo Clero, a Nobreza e o Povo. A Nobreza tinha sobre a populaça uma prioridade de tal ordem e tão injusta que acabou por levar à Revolução Francesa, com reflexos em todo o mundo e foi de tal forma, que hoje quando dizemos Idade Contemporânea é ao período que começou a partir da Tomada da Bastilha a que nos referimos. Era injusto, que por artes de um sistema de organização vindo do fundo dos tempos negros da Humanidade, o povo servisse a uma classe cheia de privilégios e direitos que lhes vinham agarrados ao umbigo.

Os tempos que agora vivemos, começam, pela atitude de alguns políticos e gestores a parecer-se com aqueles, porque espanta a desfaçatez com que uma classe de dirigentes se sente no direito de concentrar em si valor de tantos milhões pelo trabalho que produz, e ao mesmo tempo, inverter o raciocínio quando pensa nos trabalhadores, achando por outro lado que as suas escandalosas regalias salariais não podem ser mexidas quando o Estado precisa de todos. Perdem mesmo a vergonha e assumem-no dando a cara. Ora, esta presunção de pertença a uma casta é o equivalente ao período que antecedeu a Revolução Francesa, que para além de falar de Liberdade, falava também de Igualdade e Fraternidade. Quando vemos as hordas que começam a manifestar-se por essa Europa e a pô-la a ferro e fogo, é nisto que pensam, é este sentimento de injustiça que as atiça e revolta, e à luz da Comunicação Social esta realidade não é convenientemente explicada. Agora, outra vez, a tal Nova Classe que deixamos imergir por falta de informação, olha para esta gente com o mesmo espanto dos Nobres, quando começaram a rolar as cabeças numa das mais espantosas revoluções da Europa. Que se cuidem, estão demasiado expostos se a loucura tomar conta delas.

01 maio 2010

Maio. Que luta?

Reeditado (só o texto...)
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O 1º de Maio passa ruidoso entoando os velhos slogans, agora acrescido de reivindicações como a do passe social L 123 para o concelho de Cascais... Os panos são os mesmos ou repintados, os cabelos são mais brancos e o filme que corre já não empolga quem assistiu daqui a muitos Maios. A questão é, se podemos resolver isto desta forma? Existirá força civil que possa de outra maneira opor-se ao circo que deixamos montar? Se o poder já não é dos Estados mas desta economia de mercado que nos cerca, podemos dentro do sistema opor-lhe outra? Qual? E ela deixa? É que assistimos e deixamos que a palavra Socialismo, no seu mais puro sentido, fosse hipotecada, também por uma ganância de poder, – sobre o qual tão bem escreveu Jean-Paul Sartre – derivada dos desvarios totalitários próprios da espécie humana, e assim se impediu a alternativa de outro sistema credível de governança.

A solidariedade é mais uma palavra bonita que uns usam como alfinete de gravata, outros como broche na lapela. Mas há também os que não usam nada disto e suspiram por velhos modelos que nunca viram, inventando por sobrevivência moinhos de vento contra os quais investir, a cada hora.
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22 abril 2010

Abaixo a corrup...! Oops...

“O tal senhor, foi hoje absolvido no caso dos Parques e das Feiras da (ou, na?) tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa”... Isto vai em texto codificado, porque começa a ser perigoso exercer a cidadania falando ou escrevendo de corrupção em Portugal.

Inacreditável! Esta notícia é o desfilar da miséria da Justiça que temos e dos homens que a aplicam. Como podem desta forma pedir-nos respeito por quem a gere assim? Já não é possível ouvir a falsidade de quem declara o contrário, conforme lhe calham as simpatias ou os interesses. Se aquilo não foi aquilo, já tudo pode ser o que se quiser.

Alguém me tinha enviado esta semana um link de um trabalho notável da SIC sobre a corrupção, que acho que não devem mesmo deixar de ver, é este, “Corrupção: crime sem castigo”, e hoje, acabamos por ter esta notícia onde o homem é absolvido, e o que acaba por restar, pasme-se, é a condenação do cidadão Sá Fernandes que preferiu não receber uma pipa de massa em troca de fazer justiça, por, segundo o veredicto, ter difamado o tal senhor que queria dar a massa.

Agora que vamos comemorar a Revolução não podíamos aproveitar a boleia e pedir à tal menina, se ela aparecer… que não dê o tal cravo ao tal soldado, para ele não ter a veleidade de o espetar onde não deve?
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17 abril 2010

Abril foi bonito.

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25 de Abril 2010
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Cartaz do Arraial no Carmo, editado pela Associação Abril, gente que o comemora com o espírito certo, todos os anos, naquele Largo. Veja aqui o Programa para o dia 23 e 24.
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O 25 de Abril não é uma data consensual, porque nem todos viviam na mesma necessidade de liberdade. Para alguns, não existia constrangimento porque não precisavam de transgredir, adaptados que estavam a tantos anos de imposição de uma liberdade balizada. Cada um comemora esta data de acordo com o significado interior que lhe dá, mas para os mais novos temos até que admitir que é apenas mais um feriado político. Um dia, esta data deixará de ser a de uma forte e boa lembrança do dia em que um arrepio percorreu alguns, e lágrimas de contentamento caíram. Outros ficaram apreensivos e medrosos e terão havido os que trincaram os dentes de raiva.

Por mim, entro sempre na festa sem política, recordando que foi um dia em que respirei fundo, muito fundo, e me senti profundamente livre. Mas havia gente distraída que ficou de repente com o olhar no vazio, sem perceber o que lhe aconteceu. A estes, não podemos pedir-lhes que comemorem da mesma forma, andarão por aí, olhando-nos e tentando perceber o que nos move.

14 abril 2010

O que a gente ouve!

Fernando Ruas, autarca de Viseu, respondendo aos jornalistas no Congresso do PSD, de memória: “É naturalmente uma honra ter sido nomeado presidente da Mesa do Congresso, até por ter sido um cargo exercido por ilustres sociais-democratas, como o Dr. (…) o Dr. Dias Loureiro, o Dr. (…)” Oops! Vejamos alguns significados de ilustre: célebre, notável, famoso, insigne, nobre, distinto. Puxa! O que é preciso para ser classificado assim? Se não fosse aquela coisa do tal coiso do tal Banco, que adjectivo teríamos então?

11 abril 2010

Batata transgénica

Dia Internacional de Acção Anti-Transgénicos. Lembra-me a propósito esta cebração a 17 de Abril, às 15 horas, no Rossio, que passou despercebida a notícia desta infeliz autorização da Comissão Europeia: vamos agora correr o risco de ter batata transgénica à mesa, é a variedade Amflora, “concebida” pela alemã BASF, dizem que é para amido e para alimentação de animais – que nos servem depois de alimento - mas a seguir será para a fécula dos purés que vamos provavelmente dar às nossas crianças.
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Com isto, só posso considerar heróis os rapazes que escaqueiraram um dia uma plantação de milho transgénico, porque não restam outras armas. Não vejo na transgressão aos transgénicos alguma subversão ao Estado de Direito, porque entendo ser mais imperioso mostrar aos lobbies da indústria química e aos políticos que é tempo do cidadão ter uma palavra em questões tão relevantes de saúde e de precaução da contaminação da biodiversidade planetária, porque é terrível o desconhecimento geral sobre o cenário futuro do domínio da propriedade das sementes do planeta e do seu efeito no Homem a longo prazo, e o poder da indústria que se movimenta pela avidez do lucro não nos está a deixar fazê-lo de outra forma.

10 abril 2010

Primavera

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República, Superior, Conselho!

Por entre o desembaraçar do saco dos resíduos do jantar e um olhar para as notícias da TV, ainda consegui ouvir a nova estrela do PSD, Passos Coelho, no cenário estudado de mais um palco e no truque da já gasta “hora do telejornal”, propor com veemência para maior credibilidade, a criação de um Conselho Superior da República. Lavei as mãos da gordura da operação lixo e lavei dos ouvidos o som da proposta de mais um candidato a Salvador da Pátria. O molho do assado de peixe que antes fez as delícias da refeição, era-me agora quase nojo. Sabemos o que é a República, o que é Superior e o que é Conselho, são três palavras de topo numa classificação hierárquica, como cortinas pesadas, o que não sabemos é o que fazem elas junto a não ser, a tentativa de se propor com as três uma significância de grande calibre, e é através disso que descobrimos a razão da escolha dos termos da proposta, é a nova estratégia do leader: impressionar com a fachada porque a imponência convence, o povo não sabe se gosta mas é de boca aberta que reage perante ela. O deserto de ideias e alternativas de quem se propõe ter novas soluções para o país, vai produzir mais foguetório deste, mas o povo cai sempre. Querem ver? Ó patego, olh’ó balão!

07 abril 2010

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Valença sem vergonha.

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Aquelas poucas centenas de gente que se deixou arregimentar, são a vergonha da nossa cara, mas não os podemos descartar porque infelizmente falam português. Que atitude obscena este vergar de espinha mole perante o padrinho que a troco de um inconfessável jeitinho lhes vai provendo o sustento da família. Não há forma mais desonrosa de o conseguir! É isso que está no código genético do resto do país que assistiu impávido àquele espectáculo único na Europa. Por mim, nem precisam de guia de marcha, peguem na bandeira e … desandem!

02 abril 2010

As bandeiras da vergonha

Comissão de povo nenhum na Europa pediria a colocação de uma bandeira estrangeira às janelas das casas do seu país. Em Valença, Portugal, pediram. Tenho vergonha deles. Tenho muita vergonha deles.

A questão do convite da Comissão de Utentes do Centro de Saúde de Valença para colocação de bandeiras espanholas nas janelas, é uma afronta aos portugueses e o resultado do caciquismo que Abril não conseguiu vencer. Decidi pesquisar para saber quem é este fulano: Carlos Natal, que lidera com fulgor essa Comissão de Utentes porque, desde o célebre businão da Ponte, no qual viemos a saber depois que foi liderado por dois meliantes que acabaram presos, nunca mais me deixei enganar e atento agora melhor nestes actos, que acabam muitos por revelar desejos de protagonismo, lutas políticas e interesses pessoais, e não mais um exercício de Cidadania, porque esta, atribui ao cidadão um conjunto de direitos, mas igualmente um conjunto de obrigações. Ao incentivar desta forma ao desrespeito à Nação através da imposição no nosso país de um símbolo estrangeiro, como é a bandeira de um país, esta Comissão coloca a sua luta fora da legitimidade do acto de Cidadania, e no patamar da ofensa a todos os portugueses. Tenho até dúvida se não configura algum crime punível pelo convite que faz.

O resultado da pesquisa a este senhor diz-nos, que é deputado à Assembleia Municipal de Valença, eleito pelo PSD, como se pode ver na página da Câmara, aqui: “Assembleia Municipal > Composição … Carlos Natal, Paula Natal, (etc …)” Depois, como Jornalista e Director de jornal, escreve assim sobre si próprio, no seu próprio jornal.

É gente desta, que a gente boa de Valença anda a ouvir, capaz de os levar a cometer uma asneira que o resto do país não vai perdoar e pode estar a incentivar a alguma coisa que nos venha a lembrar a Guerra das Laranjas, com Espanha. Estamos a tempo de travar a loucura de gente impreparada que acaba por manipular as massas e por alguma razão se debate pelo protagonismo a que acha que tem direito, através da nossa revolta e do pedido oficial de responsabilidades a quem as tiver nisto, tanto mais que é um autarca eleito do Estado Português.

"Eu e os Meus Irmãos"

Quando em Dezembro passado, fiz este post: "Uma bola de futebol a sério" sobre um documentário de Cândida Pinto numa tabanca algures em Moçambique, estava longe de pensar que viria agora a ser um trabalho premiado no Festival Internacional de Grandes Reportagens e Documentários, em França. “Eu e os Meus Irmãos”, repetiu hoje na SIC Notícias, prémio para a melhor imagem, de Jorge Pelicano, o mesmo que assinou o “Ainda há Pastores”. Um documentário que me faz trazer o link, agora que está disponível AQUI. Parabéns a ambos pela sensibilidade.

30 março 2010

Luz sobre a Matéria

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O fascínio do mundo subatómico é fruto de perguntas sem resposta fácil, e um dia como o de hoje, é para todo o mundo da Ciência, especialmente o que se dedica à pesquisa da estrutura da matéria, um dia inesquecível, daqueles em que se acorda com a excitação da antecipação da descoberta que vai levar a novas perguntas e a novas pesquisas. Ficam aqui as notícias em directo do Centro de Controle do CERN, em Genebra, reportando os primeiros momento da experiência. Sabemos que vamos ficar com mais perguntas para as quais não temos a resposta imediata, mas esta, tem sido a força da ciência: livrar-nos de explicações religiosas que vogam ao sabor da religião que as dá.
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28 março 2010

Corte "de carrinho"?

Já vai por aqui dose a mais de futebol em relação aos temas do blog, mas a culpa é do Benfica. A questão agora é esta e há muito que a acho importante. Pergunto se concordam com aqueles lances de futebol em que a entrada se faz através da projecção de pés em riste e derrapagem controlada, escorregando pelo campo fora para desarmar o adversário, tirando-lhe a bola mas trucidando-lhe a seguir os ossos todos a partir dos artelhos? Eu não concordo, e acho até que é uma manobra que não deveria valer, primeiro, porque se trata de um jogo para praticar em pé e não deitado - á alentejano - e isso, é uma desvantagem para o desgraçado que vai malhar no chão por não dispor da mesma arma de sustentação do adversário que joga na horizontal. Depois, porque existe um grande risco de lesões e raramente o atingido fica em posição de poder disputar o lance ou defender-se, acabando por ser uma rasteira permitida ganhando sempre quem joga feio.

Veio isto a propósito daquele desarme infeliz do Carlos Martins ao jogador do Braga, que embora jogando a bola num lance considerado legal, acabou por enviar o adversário para o hospital e fazê-lo parar por seis meses. Nunca concordei com aqueles atropelanços, manobra a que chamam de carrinho, como se o relvado fosse uma pista de automóveis.

27 março 2010

Confissões

O ex-jogador de futebol Fernando Mendes, resolveu numa atitude assinalável, falar e escrever sobre coisas que desconhecíamos que vão nos bastidores do nosso futebol e que resulta no engano do jogo actual em que nos têm feito acreditar. Tínhamos através do comportamento de alguns, a ideia de que alguma coisa não deveria andar bem nos balneários, porque há arruaceiros a quem só lhes falta espumar, afinal, há mesmo, porque é impossível um jogador ser tão afectado pela competição como aconteceu no último jogo entre o Benfica e o FCP. Aqui fica aquele depoimento neste vídeo YouTube.
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Lido aqui e aqui no Pátio das Conversas.

21 março 2010

SLB 3 - Bruno Alves 0

O problema da violência dentro dum rectângulo de jogo é, em termos do padrão de comportamentos sujeito ao escrutínio das nossas crianças, bastante mais grave do que os disparates que os infelizes e desmiolados adeptos fazem à volta dos estádios de futebol e das Estações de Serviço das nossas estradas. Vem isto a propósito do engulho que deve ter um pai assistindo com o filho a um jogo de futebol, com jogadores à batatada e um árbitro pelo meio, sem discordar. A violência que ocorre por aí a coberto da rivalidade entre clubes, todos condenam e a criança sabe assim que aqueles não são padrões de comportamento correctos, mas vendo Bruno Alves em Faro acabar aquele jogo e tantos outros que já acabou, como também acabou um tal Paulinho Santos, deve ter deixado qualquer criança confusa em relação ao que é a lisura no comportamento desportivo. Não sei o que se passa no balneário do FCP no final dos jogos que aquele jogador sempre consegue completar, mas pelos vistos, nada, porque continua igual a si mesmo. Assim, tenho medo dum jogador destes na equipa nacional no próximo Mundial, pelo mau resultado que pode vir dar.

Não terão sido os arruaceiros das nossas Estações de Serviço os filhos que têm assistido a estes espectáculos de futebol?

20 março 2010

Limpar Portugal

Que bom seria se toda a nossa floresta pudesse viver da saúde que encontrei um dia destes, nos montados desta foto.
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Companhia das Lezírias
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Limpar Portugal das imundices dos pobres de espírito, que põem os seus interesses pessoais à frente da saúde do território, não é tarefa fácil, porque apesar da razoável cobertura sanitária autárquica, há quem insista em preferir olhar para o lado e descarregar o lixo que lhe vai na cabeça, onde bem entende. Um dia, veio da Estónia uma ideia, que como todas as coisas bonitas, é simples: por a sociedade civil a funcionar. O grupo restrito do Limpar Portugal teve o mérito de agarrar a ideia e levá-la à prática. Pelo caminho, ficam as discordâncias em muitos debates e reuniões, na forma como adaptamos o projecto a Portugal, que levou a que muitos como eu tenham perdido o entusiasmo inicial. Mas isso, foram as crises inevitáveis provocadas pela vontade de alguns que sonhavam o projecto de uma outra forma e era possível, pela abrangência, pelos meios, pelo risco na data etc. etc.

Vingou o formato de quem se empenhou inicialmente e o que importa é que hoje, apesar do tal risco provável de termos um dia chuvoso e desmobilizador para alguns, como este, aí estão 100 000 mil portugueses a vasculhar em 13 mil pontos de lixo a tentar fazer deste país uma coisa mais asseada. Aconteça o que acontecer hoje, já é uma vitória confrontar os poluidores com o lixo que fizeram e a boa vontade de tanta gente em evitar que isso volte a acontecer.

14 março 2010

Este Estado de coisas

Haverá muita gente a tentar entender qual é efectivamente a relação da importância que existe entre o inquérito que já dura há muito na Comissão de Ética - mais outro que se arrastará num triste espectáculo que não sabemos em que é que reforça a qualidade da nossa Democracia - e o conhecimento de saber, se afinal Sócrates sabia ou não sabia e qual era o formato dessa sabedoria na aquisição de uma parcela não maioritária de capital da TVI, pela PT, tudo patrocinado pela falência da protecção que o actual funcionamento da Justiça não garante. Entretanto, ligamos a TV e temos num directo em oito canais ao mesmo tempo durante mais de vinte minutos, uns senhores a discursar sobre o estado caótico da vida do seu partido. Um estranho aqui caído, que analise as prioridades do Parlamento português e da nossa Informação, ficará baralhado com a nossa agenda e sairá daqui dando razão ao tal governador romano, mas se cá voltar em pleno inquérito parlamentar verá mais do mesmo e nem acreditará. Também me questiono sobre isso e sobre a importância que cada um dá a cada episódio da vida nacional, mas que em questões tão fundamentais como estas, não deveria haver direito a gostos.

O que aqueles deputados estão a fazer, baralha e confunde os conceitos de Ética a este povo, porque a reduz àquele espectáculo e estou a vê-lo atónito, com um olhar no écran daqueles inquéritos a tentar descortinar de que lhe falam quando lhe falam de ética algumas caras que fazem as perguntas e muitas das que dão as respostas.

Indica-me a ética republicana que tenha cuidado com este discurso. Estou avisado disso e é matéria que não reproduzo, mas quando na caixa de correio nos caem email com vídeos que nos obrigam a comparações parlamentares como este: " O Parlamento sueco", dizendo que cada povo tem o parlamento que merece, e outros que nos falam no número excedentário dos nossos deputados e do orçamento para a nossa Assembleia, de quase 200 milhões de euros, é difícil não parar e olhar para trás e ver o motivo de tanto ruído. De facto, fulanizamos de mais os falhanços do nosso Estado, esquecendo que este é um edifício assente em três pilares, o Legislativo, o Executivo e o Judicial e são eles que estão doentes há muito tempo, mas fraca é também a cidadania de um povo que não consegue alterar este Estado de coisas.
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08 março 2010

Março marçagão...

assim é que não, e com esta manta d’água, os ossos ensopados e a tenda do espectáculo mediático montada, é melhor mudar de música:
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Link removido.

Reedição: Não há nada a fazer, o post foi editado com a Segunda Valsa de Shostakovich activada, numa altura em que a memória do pequeno Leandro não nos deixava sossegados. Esta vídeo, era uma espécie de afronta por cada vez que se abria o blog. Nem sempre acertamos no que fazemos, quando assim é o melhor é reconhecê-lo.

03 março 2010

Qual Ética?

Ouvir aquele deputado do PC dizer-nos que, “...os deputados não cedem à lei da rolha”, a propósito de um aparte na Comissão de Ética e depois, marcar a Balsemão: "...as diferenças que nos separam em termos de Comunicação Social", devem ter deixado um sorriso na cara de muitos portugueses. E o Bloco de Esquerda? Novamente de braço dado na defesa dos argumentos da deputada da Direita/PP? Desta forma, haverá muitos revolucionários a dar voltas no túmulo nos últimos tempos. Houve ainda aquele deputado - com uma interrogação na imagem - quem é ele? O homem quase se babava de risinhos de satisfação com as respostas da doutora. Como ele gozou o momento!

Se esta é uma pessoa doente que está ou esteve com uma depressão, vou ali e já venho. Como seria se não estivesse! Com que então o Rei de Espanha... uma cunhazita? Agora é que se entalou doutora! Uma coisa é certa: a mulher é execrável e não há jornalismo nem TV que precise dela.
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Dar dinheiro a Jardim?

Da Escuta à Bufaria

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Aí está em todo o seu esplendor, o resultado desastroso da actual campanha de delação em vigor a obnubilar tanta cabeça e que o Bastonário Marinho e Pinto, explica desta forma: A bufaria. Esse desastroso resultado é esta miserável capa do Jornal I, com um artigo de Paulo Pinto Mascarenhas. Aquilo que a nossa Judite e a Interpol não conseguiram porque os Americanos não quiseram identificar, conseguiu ele… e vai daí, denunciou a identidade do pseudónimo do autor do blog O Jumento! Isso mesmo, bufou à maneira do antigamente.
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É este o resultado da actual campanha da delação em vigor. Nesta altura da nossa aprendizagem democrática era impensável que uma histeria destas tomasse conta da cabeça de tanta gente sensata. Depois, chegam arrivista destes, que sem se darem conta e confundindo-se neste frenesim, num passo de mágica ficam à porta do mais puro dos fascismos. Não tenho dúvida, o momento é grave, não por ser o Sócrates, o Crespo ou a TVI, mas pelos limites que gente de Esquerda está a pisar, em conluio circunstancial com a Direita tão deslumbrada com o voto, como com o aumento da dotação orçamental para o Partido por via de mais um voto na próxima legislatura, ofuscada por pobres e minguadas vitórias como se fossem a sua última batalha. Se daqui resultasse algum ensinamento popular, teria ao menos valido a pena, mas como se vê é este o resultado porque falta sustentação ética. Mas foi brilhante a reacção de revolta da blogosfera. Uma chapelada a todos eles.

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02 março 2010

À atenção dos Iberófilos

O protecionismo espanhol já era conhecido há muito, mas a nossa eterna tolerância ao desrespeito espanhol escondeu isso no discurso oficial e admitiu-o, levando para o facto de ser uma característica castelhana, como se a união europeia fosse um vínculo de sentido único. Só agora, alguém com responsabilidades denuncia o resultado que nos remete para comportamentos antigos nas relações de Espanha com Portugal. As exportações para Espanha levaram um rombo de mais de quatro mil milhões de euros… só em apenas dois meses!

Um dia, virá aí novamente o rei dizer que gosta muito de nós, dá mais umas palmadinhas, vergamo-nos oficialmente e os nossos camionistas voltam a ser impedidos de entrar na outra Europa e a ter que alinhar à força. A nossa economia forçada a viver de perna aberta e os portugueses de cabeça na Lua a comprar produto espanhol e a exigir ordenado português. É urgente exigir da EU o respeito pelas regras do jogo e a nós a privilegiar a exportação para outros mercados, é urgente uma consciência nacional. Começo a ter inveja dos Bascos.
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26 fevereiro 2010

A RTP2 previu tragédia

Não é a solidariedade actual com a tragédia da Madeira que me faz acreditar que viramos uma página com Jardim. Os problemas vão reaparecer pelas exigências que vai agora fazer, para manter o modelo de ocupação da Ilha que ele decidiu que era o melhor, mas cujas graves lacunas os links que seguem mostram que não era, porque anteciparam em dois anos com rigor incrível o que aconteceu agora, e pode voltar-se a repetir se o modelo não for modificado.

Jardim já provocou há muito, danos irreparáveis na relação da Madeira com o Continente e muito mais em sentido inverso, porque tantos anos de jardinismo deixaram marcas e em alguns de nós muito pouca vontade de contribuir para um peditório que tem neste modelo suicida o seu objectivo. Exceptuo nesta disponibilidade o carinho que nos merecem os pobres madeirenses despojados de vidas e haveres, ainda que sejam os mesmo do Chão da Lagoa. Vejam se não é verdade esta c
atástrofe anunciada no programa:
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25 fevereiro 2010

Os profetas do Fim

Estes discursadores da tanga parecem não entender que Portugal tem há muito um endémico problema estrutural, é sabido, basta conhecer um pouquinho da história. Não fomos para mares desconhecidos por sermos ricos e vivermos aqui felizes, foi aliás esse isolamento entre o Oceano e Espanha, que sempre nos fez de tampão à Europa, que nos obrigou a saltar. Enquanto isso, a Europa distanciava-se ainda mais tratando da sua cultura e desenvolvimento humano. Nós, acabávamos aquela aventura tolamente exangues. À entrada pobres no início do século, juntamos o efeito das guerras e os 50 anos de obscurantismo de Salazar. É assim que finalmente chegamos á massificação do ensino em 1974. Tínhamos na altura um atraso estimado de 50 anos em relação á Europa. Isto foi há 36 anos. Culpar agora Soares, Cavaco, Guterres, Barroso ou Sócrates de todos aqueles erros incrustados na cultura de um povo, é um mero exercício de retórica política. Basta olharmos para este discurso dos nossos profetas do Fim e para o comportamento individual de cada um de nós, plasmado por aí nesses ódios de estimação e nesta caça às bruxas, para percebermos que é com estas nossas limitações que temos tentado ser iguais aos povos a que nos queremos igualar. Quanto pior, melhor, desde que ganhe eu e percam os outros, é assim há muito tempo, é esta a nossa estranha forma de sermos portugueses.
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24 fevereiro 2010

A irresponsabilidade de MFL


Com Ferreira Leite e o PSD, não precisamos de Almunias nem de Agências de Rating para nos dar cabo do canastro.

O que nós ouvimos!

Uns anjinhos:
Alguém disse na TV, quanto à proposta da Procuradora Cândida de Almeida para que se escutem os Magistrados para proteger o segredo de justiça: “O que é estranho não é o que disse a Procuradora Cândida de Almeida, o que é estranho é o que disse o Presidente do Sindicato dos Magistrados, ao estranhar aquelas declarações, segundo ele, porque não é admissível que haja violação do segredo de justiça por Magistrados.” Claro. Que não é admissível sabemos nós.

A jactância:
Alberto João Jardim, numa declaração circunstancial de resignação, na primeira pessoa do singular: “Porque eu não estou para andar à porrada com a Natureza”. É a jactância consubstanciada num simples pronome.

Assumindo culpas?:
Hugo Velosa do PSD, num Telejornal, falando sobre a tragédia da Madeira e a resposta do Governo e do resto do país: “O que está para trás, está para trás. Agora parecem ser possíveis novos consensos. Está a admirar-me a reacção da solidariedade nacional”
Ai está? Ou há frases que expõem as entranhas? Está a admirar-se porquê? Pois. Não esteja tão seguro de que o que está para trás, está para trás, porque há tolerâncias que são promiscuidades.
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Afinal havia outraaa...

Ferreira Leite confirma que sabia do negócio PT/TVI . A propósito desta falhada tentativa de aquisição, até eu “estava de acordo com a operação porque era trazer de Espanha para Portugal um activo da comunicação social que era importante por causa das guerras com a Telefónica no Brasil", conforme disse aqui, quando me regozijei com o falhanço da OPA da Telefónica sobre a PT: "para mim, ver Telefónica e Santander juntos, não era certamente pelos nossos bonitos olhos... Depois, como "falta cumprir-se Portugal", ver o negócio no Brasil ser alienado à Telefónica, era outra forma de não se cumprir."
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Mas o confronto político achou que legítimos interesses de defesa de mercado e por outro a protecção de valiosos conteúdos produzidos em língua portuguesa que iriam ficar nas mãos da espanhola Telefónica, para os utilizar na disputa com a PT no mercado do Brasil, era controlo da Comunicação Social, só por causa de uma caldeirada de charroco. Se me tivessem feito a pergunta há quatro anos, eu próprio teria concordado com esta “manobra cabalística” da PT, que parece transparecer tinha mais e insuspeitos adeptos.
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Esta edição do DN esclarece muito do que foi afinal o negócio PT/TVI, vale a pena ler.
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22 fevereiro 2010

Calúnias a pataco

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Afinal, “Perestrello desconhecia Figo”. O CM lido no CC.

Isto, não é liberdade de imprensa, é servirem-se dela. Não é a liberdade de expressão, é a libertinagem na expressão e muito menos jornalismo sério, assim, é de sarjeta e não é merecido o pão que se ganha desta forma. É urgente que a Justiça retire a estes escribas a pica com que falam, de quem não gostam, de modo a que possamos acreditar outra vez no que lemos, porque desde que vi a notícia que tenho em má nota Marcos Perestrello. Desabafei impropérios contra este jovem por vê-lo naqueles cambalachos, e se não fosse ler por acaso este post, assim ficaria como ficarão muitos portugueses. Já nos bastam os maus e os corruptos, mas assim, não é justo, é indigno e merecia penalização também porque o desmentido que o Correio da Manhã faz só é colocado na 28ª página, sem correspondência com a gravidade da suspeição lançada, e nestas questões da honra, não há desculpa.
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Quantos mais estarão a ser vítimas da liberdade que o fanatismo político por detrás da notícia exige, para esses fins? Confesso a minha desilusão com tudo isto, e com tantos que não entenderam o país de Abril que imaginei.

21 fevereiro 2010

Jardim até na tragédia.

Claro que sim, hoje somos todos madeirenses, apesar de sermos obrigados a engolir o fel do ódio, até na tragédia. Isto é apenas a notação de uma primeira provocação. Agora foi assim: "Precisamos da ajuda de todos, de todos! Há momentos que não são para brincar à política. Seria miserável (!) que fosse quem fosse, viesse brincar à política..." Alberto João Jardim ouvido na RTP no dia do temporal.

Foi este o tom de provocação e ameaça com que se nos dirigiu. É preciso estofo para ir ajudar sem ter que o mandar à merda. Terão os madeirenses capacidade para imaginar como se sentem os seus irmãos continentais ao serem convocados desta forma?

19 fevereiro 2010

Guedes, Crespo, Judite etc.

Veja-se o favor político neste caso exemplar encontrado aqui, no Câmara Corporativa. Três canais, três pivots e três pares de jarras. É disto que se queixa a Direita. O que estaria acontecer se fossem três jornalistas afectos à Esquerda? Existe há muito um excesso na Comunicação Social sim senhor, mas esse excesso está no controle total dos media pela Direita por via dos proprietarios desses meios. Vital Moreira no CC: “Se existem perigos, eles vêm da excessiva concentração empresarial e da consequente limitação do pluralismo nos media privados.” . Esta é que é a verdade e é triste ver o PCP e o BE alinhar, por uma estratégia de voto, num cenário que altera esta realidade.
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17 fevereiro 2010

Desobediência civil!

Proponho a “desobediência civil aos jornalistas” como resposta ao desafio à “desobediência civil dos jornalistas” proposto por Joaquim Vieira, ex-Provedor do Público.

É que isto é mais uma forma do corporativismo que nos minou e com o qual a Democracia se está a debater cada vez mais, porque é o sistema de organização que melhor se resguarda da solidariedade necessária na construção de uma sociedade mais participada. É o egoísmo de uma classe profissional sobre as outras na imposição e defesa das suas actuações e interesses. Começamos a ter cada vez mais dificuldade na solidariedade às excepções quando elas se perpectuam em interesses próprios.

Não é difícil saber em que se traduzirá a nossa desobediência civil: é deixá-los ficar a escrever para que cada vez mais os jornais sejam oferecidos na caixa de um super mercado ou posto de combustíveis. Não somos obrigados a tomar como boas as regras que um qualquer Vieira nos quiser passar a impor, através das suas interpretações do que é interesse público, confundindo-as com interesses profissionais privados. Isto é o convite à barbárie se legitimado a todos. Vamos fazer como se diz aqui no Jumento: "tratar o cão com o pelo do cão".
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16 fevereiro 2010

Pela Democracia

“É urgente esclarecer que a direita controla a comunicação social não se inibindo de sistematicamente distorcer a verdade, lançar torpes campanhas de difamação e, uma vez que controla toda a informação tem a desfaçatez de se armar em vítima. A direita está a levar à prática, aqui e agora, a máxima de Goebels, "uma mentira mil vezes repetida acaba por ser tomada como verdade". É urgente acabar com este estado de coisas que está efectivamente a corroer a democracia.”

Este é o comentário nº 1573 da Petição pública que está a decorrer com o nome “Pela Democracia, nós tomamos partido”, que não é o mesmo que tomar Partido, e você pode sempre escolher dizer que “Subscreve sem ser um apoio incondicional ao PS e a Sócrates, mas um manifesto contra esta forma de fazer jornalismo e fazer escutas que não gostaria de voltar a ver instituídas em Portugal.” O que está a acontecer é um novo formato de golpe de Estado em Democracia.

A Petição: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1319
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12 fevereiro 2010

Com as unhas de fora

Isto que se diz no Pátio das Conversas, é a Direita com as unhas de fora desesperada. Imagine-se a força com que virá se quebrarmos nós na defesa deste Estado de Direito. Ver a Manuela M. Guedes fazer aquelas dementes declarações no re-lançamento das crónicas já lidas do Crespo, com a grande ex-comunista e agora tia, Zita Seabra e aqueles dois Juízes do Sindicato dos Magistrados a assistir, mete medo, mas apenas por saber que eles se estão a servir da liberdade de expressão e não a usá-la.

10 fevereiro 2010

Os amigos de Crespo

Contou-me um amigo escandalizado, a conversa que acabava de ouvir ao Ex-Bastonário do Advogados, António Pires de Lima, no Jornal das Nove da SIC Notícias d’hoje, do já inefável Mário Crespo. Afirmou ele algures na conversa, que:

- (*) (…) Aquele senhor Sócrates é um aldrabão de feira, e

- (…) Não aconselho ninguém a investir neste momento em Portugal.

Nem mesmo um qualquer desvario próprio da sua idade deveria ser desculpa para deixar este cavalheiro a ofender e a rir alarvemente. Como é possível? Depois, recorrendo à política da terra queimada, fala daquela forma do investimento em Portugal sem ser interpelado por essa conversa? Que jornalismo é este em que só conta a conversa reaccionária e se despreza a informação? Como se deixa passar uma conversa contrária aos interesses nacionais? Com azeiteiros destes não precisamos de Almunias nem de agências sabotadoras da nossa credibilidade internacional e é intolerável que aquele tortuoso “jornalista” se desfaça em risinhos de contentamento pelas declarações de mais um convidado que serviu perfeitamente a sua persecutória agenda. É uma tristeza.

As necessidades de Jardim

Dez bons exemplos descobertos aqui no Câmara Corporativa do que faz Jardim ao nosso dinheiro, numa boa reportagem de José Teles. Veja em cada link o exemplo das fortes necessidades de endividamento que convenceram o nosso Parlamento.

08 fevereiro 2010

ASFIXIA DEMOCRÁTICA

"A SÍNDROME" - Tragédia em 1 Acto.

Estudos apontam para que esta seja uma patologia adquirida em períodos de falta do exercício do poder. Dá-se como exemplo vulgar os afogamentos que ocorrem a partir do momento em que o nadador se apercebe que está a nadar fora de pé. É um “ar” que lhes dá! Começam a chapinhar e vão-se por aí abaixo que nem tordos! Os tordos não sabem nadar.
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SOCORRO! ESTOU ASFIXIADO. TIREM-ME DAQUI PARA FORA,

TRAGAM-ME O DANTAS, UM ANTÓNIO FERRO, O CAVACO,

MAIS O JARDIM, O RAMOS E O GUILHERME,

COMO ESTOU ATÉ O LARA ME SERVE.

OLHEM, O NOSSO LOUREIRO TAMBÉM. ELE VEM.


AH! O NOSSO LOUREIRO, QU'É DELE?... E DO OUTRO TAMBÉM?

INGRATO! INGRATOS TODOS! INGRATOS!

SOCORRO! Ó D'ASTRANJA, ESTOU ASFIXIADO.

Sai de cena. Não!...Não sai de cena! Fica a perorar à boca do palco agarrado à cortina de olhar em alvo em posição de Louva-a-Deus.

Acto 1, cena II
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07 fevereiro 2010

Das Escutas aos Despojos

Não escrevo sobre estas escutas, nem sobre as supostas que existem e virão a conta gotas escorrendo por aí como baba, porque vivi no fascismo português, tenho memória e ética, e um nojo enorme pelos biltres que se prestam a levantar do outro lado a cavilha. Acreditei um dia que seria uma prática que nunca mais veria em Portugal, enganei-me, e o que é grave é que a mesma Democracia que foi por elas sufocada, não as trate com a impiedade que merecem. Hoje as escutas, amanhã a tortura, haverá em cada momento um herdeiro genético do Pide que não caçamos, com estrutura moral para se servir dos resultados dessa actividade, obtido nas catacumbas do equivalente quartel de uma qualquer Nova Legião. Mesmo que ele seja Juiz, porque juízes também o eram nos sinistros Tribunais Plenários e a Democracia ainda não se soube livrar deles. Tenho medo porque há quem goste. Tenho medo porque há quem não se importe. Tenho medo sobretudo, porque à crianças na sala e elas sim, a ouvir sem querer e a ser deformadas pela pouca vergonha que vai na cabeça de cada adulto.

Retive do Haiti um relato: o da espoliação selvagem dos haveres dos cadáveres enquanto se procedia à sua remoção. O nojo humano comunado com o Diabo. Aqui, o fogo já se pegou, o país está arder e no saque dos salvados que são o voto, há homens sérios que tapam a cara para não ficar na foto.
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Não sou supersticioso mas ficou-me destas coisas um único tique: não apanho do chão moedas de tostão. São uma oferta do Diabo.

06 fevereiro 2010

O seu a seu dono

Tenho-me referido a Luís Delgado quando dou um exemplo dos jornalistas comissários que me obrigam a fazer zap. Com tanta boa prestação, acabou mesmo nomeado para dirigir a Lusa. Mas devo da mesma forma destacar-lhe as boas performances quando as ouço e curiosamente anda agora mais profissional. Disse ele numa mesa redonda na SIC-N:

- Meus senhores temos que ser justos com eles (PS), nós estávamos aqui há um ano a pedir-lhes: “Meus senhores deixem lá o deficit, injectem dinheiro no mercado, salvem as famílias, as pessoas, e não podemos agora estar aqui a falar que o deficit é nove. Que fosse nove ou dez ou onze, o importante foi salvar as coisas”

O filme da crise ainda não acabou, mas há muita gente a precisar de vê-lo de principio. E ali a tia Avilez meteu a viola no saco.
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05 fevereiro 2010

A Turquia e a Honra...

Acabo de ler em rodapé na TV: "Menina enterrada viva na Turquia para defesa da honra da familia". É esta Turquia que acham que deve alguma vez fazer faz parte da Europa?

Solidariedade


"É uma página negra para a laicidade"

Numa atitude igual à do fascismo islâmico onde a religião é um dever público e não um direito privado, O JUIZ ITALIANO LUIGI TOSTI É AFASTADO DAS SUAS FUNÇÕES. Impedem-no de exercer, por não acatar uma circular de Mussolini.
A Europa só terá voz para combater qualquer forma de fascismo de Estado se entre nós for coerente.
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Alerta visto no Ponte Europa.

04 fevereiro 2010

Ainda o Crespo

O grande Mário é isto!

Mário by himself.

Liberdade de Expressão ou liberdade de “Informar”?

Tudo visto aqui, no Pátio das Conversas


Reedição: Aqui no Câmara Corporativa também há matéria suficiente para se ficar com uma ideia do que se passou, veja-se este sobre a Crespologia... Ou esta repescagem de um texto de Cintra Torres. Também por lá descobri que Crespo é testemunha da Guedes e do Moniz no famoso processo da TVI. Tudo se conjuga.
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