12 setembro 2010

Um bom Presidente

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Cavaco apareceu na politica tardiamente e com a frieza dos números que nada nos valeu, porque falhou, e vive na ilusão de que gerir um mandato presidencial é como estar no governo a controlar o orçamento de Estado, no qual acabou por deixar um dos maiores aumentos da despesa púbica. A Presidência da República é muito mais do que isso. Manuel Alegre é um cidadão de causas capaz de entender as nossas, e só com ele teremos a garantia de ver a Cidadania plenamente representada em Belém.

02 setembro 2010

Um governo (adop)ado

“Este processo chegou ao fim” disse hoje Laurentino Dias em conferência de imprensa, esclarecendo os jornalistas sobre as trapalhadas com a ADOP e Queiroz. O que se vai concluir daqui é que Sócrates resistiu a muito nos seus mandatos, não houve Freeport que não ultrapassasse, mas vai estranhamente acabar adopado pelas vaidades, prepotências e pequenos poderes legitimados por vínculo público que nos causam um asco que interfere com a forma como se analisa uma governação. As pessoas entendem quando a perseguição se interpõe nestas coisas e faz asneira, e Queiroz está agora para muitos a passar de vilão a vítima. Hortas com pedras no sapato, Sardinhas, Adops e Laurentinos vão ser os coveiros deste governo e isso não deixa de ser injusto para Sócrates, goste-se ou não dele. De facto, este "processo" chegou ao fim, mas foi da forma mais injusta porque não era por esta razão que Sócrates merecia ser penalizado.
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31 agosto 2010

As nossas Autoridades

A nossa relação com tudo que tenha a ver com autoridade é sempre um problema difícil com o qual convivemos muito mal. Sabendo disso quem nos governa, e de como aceitamos que o respeitinho é muito bonito, quando estrutura e atribui competências o melhor é começar logo pelo nome: Autoridade! É a Autoridade de Antidopagem de Portugal, Autoridade de Segurança Alimentar, Autoridade da Concorrência, Autoridade Florestal Nacional, Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Autoridade Nacional de Comunicações, Autoridade Nacional de Protecção Civil, Autoridade para as Condições do Trabalho, Autoridade para Serviços de Sangue, Autoridade de Gestão do PRODER, do PROMAR etc., etc. Não é Instituto, Centro, Departamento, não, é Autoridade! E estamos com sorte não ser Alta Autoridade. Alguém investido de poder numa estrutura assim criada, não é um técnico, um dirigente, não, é um representante da autoridade ou da alta autoridade. Uns parvos, uns bacocos, uns pacóvios, é o que somos! O que se espera então de uma Autoridade que depois de não ficar satisfeita com uma pena, por supostamente ter sido perturbada a concentração na sua autoridade, avoca um processo, formando depois decisões colectivas de pena que não poderemos deixar de considerar como decisões em causa própria? Como se resolve uma injustiça se a pena que assim resultar for igual àquela que sentimos quando somos apanhados pelos tradicionais caçadores de multa que nos levam a massa porque excedemos em meia dúzia de quilómetros a velocidade limite num sinal de 70 numa imensa recta do Alentejo?

Que raio de crime cometeu você Queiroz? Disse em tempos que era preciso dar uma vassourada, foi? E eles estão lá há anos, mesmo depois de Saltilho e da Coreia e vão de lá sair com uma choruda reforma? Ou tem gente que não gosta de si há muito e agora é uma autoridade? Recorra Carlos Queiroz! Recorra disto, e agora não me importo que seja lá para fora, porque o que está a acontecer consigo é o resultado da paranóia colectiva de quem tutela estas coisas da bola, e das mascambices á sua volta. A única coisa que não lhe perdoo foi aquele chá com Cavaco, mas se é por isso que está metido nesta camisa-de-onze-varas, como dizem mas não acredito, então mais vale por nisto uma tabuleta de vende-se!

29 agosto 2010

Ódios de estimação II

Uma entrevista de Duarte Lima a Judite de Sousa, já posterior á data da edição de um post que editei, e a leitura de dois artigos no Politeia aqui e aqui que recomendo, podem servir para compor esta reflexão, embora o acompanhamento das notícias possa ter a agravante de ser considerado de outra forma que não seja a simples curiosidade sobre o evoluir das investigações e das notícias sobre este caso intrigante.

25 agosto 2010

Braga verga Sevilha

O mau perder espanhol veio novamente á tona através da velha arrogância castelhana. Em Madrid não se perdoa que a segunda melhor equipa portuguesa possa derrotar a terceira ou quarta melhor equipa espanhola e vai daí, parte quase para a ofensa.

O facto é que este jogo foi um jogador português contra dois jogadores espanhóis, o resto eram estrangeiros, mas mesmo assim a imprensa espanhola não se coíbe de escrever depreciativamente, no sentido de desvalorizar o feito da equipa portuguesa, valorizando a sua derrota, que: “Uns brasileiros disfarçados de portugueses”. Ora, o Sevilha jogou com três franceses, dois argentinos, um costa-marfinense, um italiano, um brasileiro, um mali e finalmente dois espanhóis. O Braga jogou com sete brasileiros, um peruano, um nigeriano, um uruguaio e um português. Qual é a diferença nisto em termos nacionalidade dos dois países? Quase nada: 1 português contra 2 espanhóis, e é baseado nisto que nos querem fazer crer que o Braga era um misto internacional e o Sevilha uma equipa de espanhóis, desta forma, era para eles menos grave do que perderem com portugueses! Entende-se?

Mas têm que engolir em seco, era um treinador português contra um espanhol!
Imagem de: www.abola.pt
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24 agosto 2010

Conversa de circunstância


Há sempre leituras atrasadas por mais que vá lendo e só agora li este artigo do Dr. João Correia na Revista Ops de Março passado. Confesso que me espanta o que diz, quanto até os barómetros públicos confirmam sustentadamente o contrário. Admito que o tenha dito pela sua função de Secretário de Estado da Justiça, embora não devesse estar amarrado a isso porque o seu tempo no cargo é curto. Dou-lhe porém o beneficio da dúvida, porque o texto já tem cinco meses e este período foi fértil em disparates, mas o mal vem muito lá de trás e não é nada de novo nem de desconhecido. Além de mais contradiz-se quando acaba por elencar uma série de medidas a entrar imediatamente em vigor, embora faltando por lá muito para uma alteração profunda.

Não gosto deste tipo de conversa mole que nos mete os olhos pela cara dentro, é sempre preferível a verdade, primeiro, porque isso dá confiança às pessoas e elas vão voltar a ouvir quando se lhes falar, depois, ninguém gosta de ser enganado com conversa de faz de conta.
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23 agosto 2010

Ódios de estimação

de Sócrates a Duarte Lima.

Cada ser humano é dotado nos seus comportamentos de atributos próprios que o distingue na convivência social com os outros. Nem todos reagem da mesma forma perante a virtude ou os defeitos com que os outros o confrontam, e não é linear que isso tenha a ver com inteligência ou cultura ou outro atributo pessoal, porque pessoas com os mesmos perfis reagem de forma distinta aos mesmos estímulos. É a diversidade de comportamentos própria do reino animal de que fazemos parte. Mas a aproximação ou o afastamento, o amar ou odiar o outro, pode passar muito por uma outra condição verificada que é a pertença a um mesmo grupo em sociedade. Esse factor pode na maior parte dos casos ser determinante na aceitação ou no aparecimento dos ódios de estimação.

Vem isto a propósito de Duarte Lima, tão falado agora por causa da morte da herdeira do património de Tomé Feteira. A história já anda por ai em toda a comunicação social e com ela, Duarte Lima vai passar um mau bocado. É o velho problema da suspeição que até agora não se colocava, mas que se alterou a partir deste fim-de-semana para a polícia brasileira.

Duarte Lima é para mim, um study case na questão que abordo inicialmente. Este político, foi há décadas atrás um dos que mais me fazia mudar de canal ou desligar o som. Foi o tempo em que era deputado do PSD e dirigia o jornal do Partido, o Povo Livre. Era uma figura execrável pelo ódio que destilava nas suas intervenções, o olhar arregalado, o tom inflamado na voz e o ódio a tudo o que cheirasse a vermelho, quase faziam de mim comunista para poder ser mesmo o oposto dele. O tempo passou, o senhor teve uma doença grave e de repente a vida ganhou para ele outro valor, o seu formato de comunicação mudou, o ódio desapareceu-lhe da cara, o discurso tornou-se o oposto do que ouvíamos. Passamos a saber que era “culto” musicalmente porque só ouvia música clássica, etc., etc. E é verdade que quando o ouvia recentemente, mesmo o ano passado em que fez parte da lista de um dos candidatos à liderança do PSD, o seu discurso passava sem me causar os arrepios de antigamente e até o apontava como o exemplo da mudança que a doença pode provocar nos nossos comportamentos.

Duarte Lima está agora metido numa alhada por via da sua condição de ter sido o último a ver a senhora Rosalina com vida. Não sei como reagiria eu na apreciação disto, se porventura tudo estivesse a acontecer nos tempos em que não podia com este homem. Seria como mais um Mário Crespo ou uma Guedes atazanado à perna de alguém e não estaria talvez aqui a fazer este post de reflexão sobre os nossos ódios de estimação.
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21 agosto 2010

Os nossos Juízes

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Diz António Martins, líder da Associação Sindical de Juízes. De (...) "Jorge Miranda, que defendeu a extinção dos sindicatos de magistrados, António Martins diz que “o disparate é livre e até os professores catedráticos têm direito a ele” (…) Com esta arrogância, são assim os nossos juízes, ou alguns, não sei se todos. Querem ser Poder, o terceiro do Estado, querem ser corporação, querem o direito sindical do varredor - sem desprezo pela profissão – e querem dependência hierárquica única do Presidente da República.

20 agosto 2010

Os nossos Procuradores


São estes os Procuradores da nossa Justiça. O que se passa na cabeça de um inquiridor - homem - para não aplicar, como entendia a Juíza - mulher - que deveria acontecer, uma medida de coação mais grave? Novamente a Justiça portuguesa de vento em popa.

16 agosto 2010

O Fogo e o Queijo

Acabo de ver as imagens dos bonitos recantos da Serra do Gerês e do Soajo, o Mezio, Bustelinhos, Soajo, tudo ardido. Aquilo que a vegetação não deixava ver, escondendo as belezas da serra como que para descobrirmos aos poucos, está a agora a céu aberto em diversos tons de cinza. As escarpas há tanto tempo preservadas pelo enraizamento das espécies autóctones estão agora prontas para o que der e vier nos próximos Invernos.

A imagem muda, e mostra-nos agora os cinzentos das pedras do Pico do Areeiro, na Madeira, como se aquilo fosse uma extensão dos fogos do Soajo e da Serra da Estrela. Um senhor aparece e vem dizer-nos que afinal os prejuízos das últimas enxurradas nada têm a ver com o destes fogos: que a calamidade era antes aquilo, pelo arrasamento que fez de décadas de preservação de espécies quase extintas, e que a solidariedade do Continente ia ser novamente necessária etc., etc., etc. O Norte e a Madeira estão agora feios. Portugal está mais pobre.

Cá como lá, fala-se de actividade criminosa, uns por tara e desequilíbrio, outros por interesse económico, outros porque os pastos são melhores depois de ardidos, mas sempre a mesma dificuldade da nossa Justiça na punição destes crimes.

O Verão de 1975, que a política veio a chamar de Verão Quente de 75, não o foi apenas por motivos políticos, aquele Verão foi mesmo o inicio da saga do fogo que até ali desconhecíamos daquela forma, qualquer estatística mostra isso: tudo começou naquele ano. Nessa altura fiz férias na zona de Arganil – Coja – Avô, e os naturais diziam-nos a medo e em surdina que sabiam quem eram os incendiários, eram gente que se passeava no Largo da Vila, no café Central e todos conheciam mas tinham medo de apontar o dedo. Eram gente perigosa ou com gente importante por trás. Para nós, eram o fruto do caciquismo local, ressabiados políticos que ainda hoje não deixa de ter a sua influência no meio rural. Não sei se nestes anos a receita é a mesma, mas sei que a partir de 1975, muitas indústrias sobrevivem à conta do fogo: a indústria da madeira e das máquinas para a indústria da madeira, a indústria imobiliária, a indústria do fogo que agora envolve meios colossais, a indústria do queijo, enfim, todo o emprego ligado a estas indústrias, são muitos interesses novos que não existiam e muitos loucos que persistimos em deixar andar à solta. O que podemos fazer nós para inverter isto?

Não sei, à falta de resposta imediata, vou deixar de comer queijo: quanto mais stock de serra curado houver, menos pasto é preciso.
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14 agosto 2010

Dinossauros no futebol


Acabo de ouvir que o dinossauro referido, ali à espreita - agora em rota de colisão com Carlos Queiroz - não o quer na Selecção, e pasmo de espanto. Como se atreve a isto, ele que não deveria ter sobrevivido ao caso Saltilho no México em 1986, e depois ao caso Coreia em 2002 e que é o rosto da ferrugem da organização do nosso futebol, não perceber que quem está a mais é ele e o estilo que representa como Vice-Presidente? Este processo assim, ainda é mais um nojo, goste-se ou não de Queiroz, e percebe-se agora porque é que as coisas se empolaram desta forma.

08 agosto 2010

Perguntar não ofende!

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Levando em conta o quanto tempo já leva esta degradação na Justiça, e porque o direito de fazer perguntas parece ser livre aqui ficam mais algumas:

- Há quanto tempo existe o Sindicato dos Magistrados do MP?
- Há quanto tempo persiste sustentadamente a degradação na Justiça?
- Há quanto tempo resiste a não achar que estas perguntas têm uma intenção?

05 agosto 2010

Um desafio ao Estado!

Nunca soube até hoje a cor política do Sindicato dos Magistrados, dia em que estalou o verniz na Justiça por via da má relação com o seu superior hierárquico, o Procurador-Geral da República e não fiz nenhum esforço nesse sentido porque queria continuar a olhar o seu comportamento sem preconceitos políticos, porque já me bastava não concordar com a bizarra existência desta Associação. Hoje fica mais claro pela exclusão de uma cor política, a do Governo, mas continuo com dúvidas porque me chegam indícios de sinal contrário.

Procuro assim saber do nexo da existência deste sindicato e ao que vou verificando não é nada pacífico para muitos a sua existência, ainda por cima para funcionar nos moldes em que tem actuado. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judicial, não podem ser entendidos como empresas privadas de construção de condomínios, são Estado. Como é então possível termos uma classe que já é intocável na sua autonomia a partir do momento em que sai do Centro de Estudos Judiciários e veste a toga, passando a terceiro Poder do Estado sem que os tenhamos elegido, exigir mais poder extra pela via da institucionalização da sua corporação, para ainda por cima se dedicar a uma espécie de actuação política? Não consigo entender a sua existência e os seus desafios, nem entender tanto poder concentrado a escapar pelos dedos do único soberano: nós, o povo!
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Leituras obrigatórias entre muitas: Garcia Pereira, Corporações aqui, aqui e aqui

01 agosto 2010

De Sócrates a Queiroz

Sempre que aquele jornalista, o Batista, falava de Queiroz, intrigava-me aquela forma virulenta porque era preciso detestar muito o seleccionador para ser tão agressivo. Não me espantou por isso a notícia de que tinham chegado a vias de facto. Nunca mais o ouvi, mas já tem substituto à altura na TV, e na Imprensa o circo está montado.

Mas temos agora uma questão mais grave entre Queirós e Luís Horta, por causa dos testes anti-doping, e pelo desenvolvimento só poderia ter a ver com velhas questões pessoais. Mas a opinião pública, com a ajuda do cerco montado por alguma Comunicação Social já lhe faz o enterro. E se tudo tivesse a ver com revanches e estúpidas demarcações de território? Ora aqui está uma explicação no DN: “(...) Não sei se houve alguma motivação especial, mas sei que existe um contencioso entre Carlos Queiroz e Luís Horta há muitos anos", afirmou António Simões. Mas o alvo a abater pela turba, com alguns jornalistas à cabeça, é agora Carlos Queiroz, mesmo antes de ser ouvido. É preciso continuar a vender.

Entretanto...

Há mundos mais perigosos. No canal Odisseia passam imagens sobre a realidade da falsa partilha de território entre de judeus e palestinianos que faz de nós gente sortuda. Ainda me está na retina e nos ouvidos a conversa daquele judeu, que mostrava a realidade do seu colonato ao jornalista. Uma terra que bastava olhar, dizia ele, para ver as potencialidades que tinha para receber mais judeus cumprindo assim o sonho, porque aquela terra lhes tinha sido prometida por Deus. Era alguém que tinha vindo de Brooklyn ou algo assim, há uns anos, e dizia com a maior descontracção que não percebia como podiam “outros” (os palestinianos) achar que aquilo era terra que lhes pertencesse. Ouvido com um olhar em forma de lupa quântica, aquele homem não era mais do que um conjunto de átomos indiferenciados, igual a tantos outros, a merecer a nossa atenção para entender o que nos queria dizer. Mas retirado o filtro, damos com um horroroso ser humano alienado, não tanto pelo ódio, mas pelo mais escabroso sentimento de posse, ampliado pela religião e por aquele espírito sionista que lhe permite, de arma na mão, vedar o acesso dos “outros” à terra que sempre viram e a única que conheceram. Este homem é colonizador, conservador e reaccionário, porque foi este o espírito que o Sionismo - principio fundador do Estado de Israel - introduziu na Palestina no inicio do século passado, forma encontrada para trazer alguém de Brooklyn e usurpar aos “outros” o território onde sempre viveram, porque achavam que ele era uma dádiva de Deus. Esta gente não vai abrir mão de um palmo de terra, pelo contrário, mas os "outros" não vão desistir de lutar pelo direito a tê-la. Esta história não vai acabar bem, é uma certeza, é a conclusão que se tira.

30 julho 2010

27 perguntas?

Eu dava-lhes a falta de tempo para fazer as 27 perguntas! Primeiro, chamava o COPCON, metia-os todos no Campo Pequeno e carimbava-lhes a testa com uma tinta indelével: tatuava-os! Depois de presos e carimbados tirava-lhes a carteira, adicionava um dígito de controlo ao Bilhete de Identidade para não poderem ser reciclados na Justiça e soltava-os. E até que voltássemos a ter novos operadores formados para servir a Democracia que conquistamos em Abril, íamos passando bem sem eles e sem a bosta da justiça que fazem, até lá, instaurávamos uma lei excepcional draconiana que nos pusesse a coberto dos criminosos mais afoitos e só depois poríamos de pé o edifício da Justiça.

Acabei de ouvir o João Semedo do BE e fico estarrecido. Semedo ter-se-á definitivamente deixado apanhar por um despeito que tolda qualquer espírito.

Vídeos visto em primeira mão no: Câmara Corporativa

Sem título

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29 julho 2010

A vitimização

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Para a Comunicação Social, que em grandes parangonas tanto insinuou as implicações de Sócrates no caso Freeport, a importância de ver agora um PM fora desse cenário não é a mesma, quando os destaques de primeira página são assim tão pequenos e envergonhados como estes, ou não existem.
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Deve concluir-se daqui que a reposição da verdade não tem o mesmo valor de uma denúncia? Ou que não vende? Mas tão grave como as insinuações e os ataques foram as acusações de vitimização aos seus movimentos de reacção, porque veladamente visavam o seu empalamento.

20 julho 2010

Constituição: Toque a rebate!

É este novo PSD que alguns descontentes enquadrados por corporativismos egoístas se preparam para levar a governo: “O PSD pretende retirar «tendencialmente gratuito» na Saúde e “sem justa causa” na proibição dos despedimentos.” É o tradicional ataque da Direita à Constituição antes de governar. Já vem de longe.

A concretizar-se este golpe de Estado constitucional, como lhe chama António Arnaut, da revolução que fizemos e do que conquistámos pouco nos resta, ou por outra, resta-nos o Parlamento, estes Deputados e os Partidos que temos e por enquanto, Cavaco. Estamos cada vez mais pobres.

17 julho 2010

A CPLP e a Guiné Equatorial

A propósito da hipótese da possível admissão da Guiné Equatorial na CPLP, é conveniente esclarecer que na existência de uma comunidade tem que verificar-se a presença de alguns valores comuns identitários, em torno dos quais se decide e se montam os compromissos comuns. Ao estabelecer que existe uma integração sem esses valores reunidos, podemos chamar-lhe o que bem entendermos, e também lhe podemos chamar comunidade porque não? Mas nunca a teremos efectivamente concretizada dessa forma.

Quando se trata de povos, há um cimento agregador que vai além da Língua, mas que só ela potencia. Querer inverter a filosofia que está na base desta CPLP que acredito que vai ser um fórum onde nos vamos entender, pode ser a introdução de um elemento desagregador, por introduzir valores não reconhecidos. Não é por acaso que esta Comunidade foi quem mais celebrou a libertação de Timor como nação. Nem se trata do medo de colocar em risco a sua credibilidade, apenas para facilitar movimentações no xadrez político internacional das lideranças corruptas daquele país, mas porque a base da sua constituição, feita à sombra da Língua portuguesa, passou também a transcendê-la, porque foi ditada pelos afectos que só a convivência histórica possibilita. Os povos da CPLP não entenderão as razões da entrada de um país que não reúne os valores através dos quais nos entendemos: a Língua, a história, os afectos.
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13 julho 2010

A (des)regulação capitalista

A leitura seguinte no Politeia é obrigatória, porque o neo-liberalismo vai atacar com mais força apoiado nas tais hordas de descamisados, induzidas de que o vizinho lhes rouba a mísera côdea do dia e porque é precisa a nossa preparação para defendermos os valores da solidariedade que não cabem nas avaras cartilhas do lucro a qualquer preço, nem no sectarismo doentio que desmobiliza qualquer luta. A clareza com que J.M.Correia Pinto, continua a reflectir sobre a actualidade portuguesa face ao futuro na/da Europa merece uma visita, apesar do extenso link que deixo:
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Ou ainda este e mais este.
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12 julho 2010

Saudades coloniais?

Mário Crespo, o tal do “Palhaço”, para Mira Amaral: - E Angola, ainda poderá voltar a ser o eldorado que já foi?

Mira Amaral: - (!) Não gosto dessa expressão. O que lhe posso dizer é que...” etc. etc.

Que palhaçada é esta pá? Ainda estás no tempo do botas?

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09 julho 2010

Silêncios criminosos

No Ponte Europa está um grito que honra uma parte da nossa civilização: a que é representada pelo Ateísmo.

Parece existir um pacto de não ingerência das religiões nas interpretações malévolas que cada uma faz do “livro”, em nome não sei de que principio, mas é de tal forma lavado que o único grito que se ouve é o dos Ateus. Os crimes contra a Humanidade são mais graves quando se despem dos ódios que infestam a besta humana e se travestem da justiça religiosa dos seus demónios interiores. A prova, é que o mundo não está neste momento a gritar em o uníssono.

05 julho 2010

Portugal? Sim! Mas...

Não fosse a firmeza com que Sócrates justificou o veto do Estado à venda da Vivo aos espanhóis, na entrevista de ontem ao El País, que deveria merecer o aplauso e o apoio de todos, independentemente dos ódios de estimação de cada um, e ficaríamos humilhados pelo comportamento dos accionistas portugueses, o BES e a Ongoing. Depois de vermos Cavaco titubear na Republica Checa, temos um Primeiro-Ministro a não se acobardar e não nos deixar de cócoras perante a arrogância castelhana e algumas declarações humilhantes a nosso respeito pouco consentâneas com uma política de boa vizinhança. Mas sabemos que é um esforço que não se pode pedir a alguns, porque na política, como na igreja, o dogma é a razão que encosta cada um à sua barricada. Gostei de ver Sócrates defender Portugal desta forma tão firme no El País.

Mas causa perplexidade o estranho comportamento de alguns portugueses quando se trata de apoiar Portugal por oposição a outros. No Politeia, J.M. Correio Pinto, desabafa neste excelente texto, assim:
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01 julho 2010

Nem bom vento ...

(Reeditado)
Bem sei que o capital não tem pátria, mas este trás o rótulo castelhano na testa e está a chegar com os maus ventos que mais uma vez nos vieram de um mau casamento! Não lhes vendemos a VIVO, nem os queremos as escutar na PT e queremos que Bruxelas olhe para as golden share dissimuladas que vão pela economia mais blindada da Europa, como o atestam os empresários portugueses. Vamos mandá-los guardar os caramelos, a Zara, a Repsol e os Pina Mouras que os representam e morrerão com o nosso desprezo, mas lutar pela defesa dos sectores estratégicos do país e pela supremacia do Estado em questões fundamentais. Se ainda têm dúvidas, o Iberismo é isto: a falta de respeito pela escala da nossa economia e a provocação que se faz aos portugueses através desta estratégia de polvo. Aí está ele, para já, obrigando o nosso Estado a uma atitude que foi ridicularizada pelos amigos das Lehmans Brothers e quejandos, os mesmos arautos que deixaram passar as más práticas financeiras que lançaram o caos nas finanças mundiais e obrigaram os povos a pagar as suas aldrabices. Entretanto, alguém nos chamou aí de colonialistas? Isso era mais a puta-que-os-pariu! Não acham? Para mim o nível do insulto é igual.
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Reedicção I: A arrogância e o cinismo britânico veiculados através do Financial Times, esquecem que se houve quem colonizasse e saqueasse pelo mundo fora foram os ingleses e os seus piratas. Nas Malvinas (Falklands) e na Ilha de Santa Helena não consta que tenha nascido um único inglês imberbe de geração espontânea, como nasce uma flor, no entanto, são território de onde não querem tirar a pata. Chegamos tarde à descolonização para mal dos nossos pecados, mas mesmo assim acabamos por lutar por uma atribuição honrosa e a prova é a excelente relação que temos com os novos países irmãos, o que não admitimos é que nenhum escroque o ponha em dúvida e cole rótulos que nos ofendem a honra.
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Reedicção II: Há argumentos que não podem ser ignorados. Se estamos a discutir e a refazer a Europa à face dos precalços que, provavelmente, ainda bem lhe aconteceram, antes de estar definitivamente concretizada, então é tempo de ouvir tudo o que ainda não foi dito. Leia no Ponte Europa: "PT - a "golden chair" e "PT/Telefónica & Mecado(s)"

28 junho 2010

Soares, acabou hoje!

Talvez não seja oportuno escrever desta forma sobre Mário Soares, mas já não se aguenta, estamos fartos de ter que aceitar que aquele ego desmesurado não tolere a existência de quem lhe faça sombra. Foi primeiro o ético Salgado Zenha, do melhor que o PS teve, foi depois a sua confrontação com o integro Ramalho Eanes, foi ainda o atropelo à candidatura do histórico Manuel Alegre acabando humilhado pela sua ganância por mais um mandato, e finalmente, a confirmação do seu despeito com o apoio disfarçado a Fernando Nobre. Afinal os rumores daquela noite de apresentação da candidatura de Nobre sempre se confirmam. Soares revela mau carácter com este namoro que existe apenas para criar dificuldades a Alegre. Agora, já não se importa que não haja ideologia por detrás do candidato, coisa que sempre privilegiou. Também eu reconheci aqui qualidades a Nobre mas acho-as uma insuficiência, de um ponto de vista até um abuso delas nesta candidatura a P.R. Andar às palmadinhas a Nobre seria caricato se não revelasse um carácter que sempre neguei que existia nele quando me convenciam do contrário.

Não podemos continuar a fingir, Soares acabou hoje. Acabou porque é imoral utilizar o seu lado cândido para nos enganar ao debitar argumentos que não cabem em justificações pueris nem estratégias inócuas. Estava lá Victor Ramalho para tornar tudo mais claro, embora nos digam que as coincidências existem. A mentira é a arma dos fracos. Ele pode gostar de Nobre mas gostará muito mais que Alegre não venha a ser Presidente da República. É uma evidente atitude de mesquinhez que o devia envergonhar perante uma leitura mais isenta e homens assim não merecem fazer parte da galeria dos bons.

Um outro ex-P.R. já disse: “O meu apoio a Manuel Alegre é natural”. Viva então Jorge Sampaio! Rasguei o cartão, Soares acabou hoje.

25 junho 2010

O Mathis e o Embaixador

Parabéns Senhor Embaixador por ter escrito esta carta ao Mathis, ela enche-nos de orgulho:

(...)
Pode discutir-se se a escola é o lugar mais indicado para andar com as camisolas da nossa seleção, mas, aos teus amigos de cá, deves lembrar que foi a Revolução Francesa, aquela que está na bela "La Marseillaise", que ensinou o mundo a lutar pela liberdade, a defender a igualdade entre todos e a demonstrar a nossa fraternidade perante os outros. (...) Ler na integra no blogue "duas ou três coisas" do nosso Embaixador em França, Francisco Seixas da Costa, o resto desta maravilhosa carta ao pequeno Mathis, proibido de entrar na escola vestido com a camisola da selecção portuguesa.

O discurso da tanga.

Neste momento, só alguém com deficiência mental não sabe o que se passa a nível económico e financeiro em Portugal e na Europa. Primeiro, porque esta é uma crise diferente das episódicas e as pessoas estão a ser directamente afectadas depois, porque os níveis de analfabetismo já não são os que Cavaco julga, as pessoas já lêem e já sabem interpretar uma notícia que ouvem. Não é preciso andar a berrar para o exterior a anunciar as nossas dificuldades. Mas Cavaco é mesquinho, quando foi à Republica Checa levar com um pano encharcado ficou-se cobardemente sem uma resposta à altura do desaforo do presidente checo, em vez de defender a honra do país, mas vem agora bater no ceguinho, como aqueles putos que se vingam nos mais novos quando levam nas fuças. Ele é irresponsável. É irresponsável porque sendo economista sabe como funcionam os mercados, vir na pele da primeira instituição da nação fazer um discurso como este que acaba de fazer, só pode ser arrogância, vaidade, mesquinhez, campanha eleitoral ou estupidez.

21 junho 2010

Saramago

Um dia acharia estranho não ler aqui uma referência simples que fosse à morte de Saramago. É nesse sentido que o faço, não que subscreva o formato de texto obrigatório, mas como nestas ocasiões as palavras são de circunstância e tendem para o lugar-comum o melhor é poupá-las para se sobreporem a qualquer texto laudatório.

O rescaldo das cerimónias impõe a questão do homem confrontado com estas homenagens. Ele sabia que seria inevitável este processo que agora vai começar a transcender a sua vida e que já não estaria cá para evitar aproveitamentos e promoções pessoais, penduradas no brilho com que alguns ou algumas ornamentam os discursos fúnebres pejados de alegorias e frases feitas: “...Deus tinha fé em Saramago”, “Não há palavras, Saramago levou-as todas”, ele sabia-o, mas só em vida se lhes poderia opor.

Quanto ao caso Cavaco, esqueçam-no, porque Saramago aceitou que não estivesse presente nas cerimónias e concedeu-lhe que tivesse uma última atitude digna, porque acha que qualquer homem tem sempre esse último direito a preservar a sua honra, ou o que sobre dela. Estar presente, seria sujeitar-se neste último encontro a uma luta patética pela sua dignidade e isso, nem Saramago quereria. Mas concordo que o pior serviço que se pode fazer à sua obra é politizá-la, porque ambos são já de um património mais vasto e estão a caminho na universalidade. Só o Vaticano continua preso aos seus demónios. Se houver Deus, acredito que salvará aquela Igreja um dia.
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09 junho 2010

Isto é obra de quem?

Começo a não ter culpa do tema ser recorrente, mas as provocações é que são muitas. Do programa Sociedade Civil, na RTP2, a Fernanda Freitas faz um espaço de debate interessante face à exaustão dos temas já tratados porque é diário, mas não há bela sem se não, e desta vez o tema foi este: "União Ibérica: ficção ou realidade?" O programa tem um blog onde pode interagir-se deixando comentários e era este o texto:

Ó Fernanda Freitas para além do tema até o texto é horroroso e foi redigido por alguém que se denunciou com ele, então: “Ambos os países vêem…”? Ou antes “Ambos os inquiridos vêem…”? É que eu sou português e não vejo nada disso! E porquê a frase: “Mas o que une mais portugueses e espanhóis…”? E não “Mas o que une mais os inquiridos portugueses e espanhóis…” Isto não é tendencioso?!

Aqui, pode ser visto o programa on-line a partir de amanhã dia 10 de Junho. É preocupante esta “agenda” que alguém está a fazer passar nos media com impunidade, porque não vejo intervir uma Instituição nacional que vele pela nossa independência! Ou não há? Tanto quanto parece, do lado de Espanha a origem está em Salamanca, e do lado de cá parece haver um cheiro a sociedade secreta. Mas será? Atentem agora no último parágrafo do blog: (…) Que cedências seriam feitas? Que língua se aprenderia na escola? (…) Já chegamos a este patamar! Uma riqueza, não é? Até custa crer que Saramago ande acompanhado desta gente. Mas anda! Segundo os artífices da “sondagem” Barómetro Hispano-Luso, (!!!) a uma taxa de crescimento de 5,6% ao ano, dentro de 9 anos todos os portugueses querem a união. Ora porra – que eu sou alentejano e lá não é asneira - só perguntaram aos descendentes do Vasconcelos? Uma União Anti Qualquer Coisa ou de Caça, precisa-se urgente!

02 junho 2010

Recomendo.

Mentiram-nos este tempo todo? do Tacci
Um parlamento rico num país cada vez mais pobre!... do Alexandre Castro
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Vida Artificial? II

A propósito da “Vida Artificial” tratada aqui mais abaixo, deve ser dito que este é um exemplo do cuidado que devemos ter quando abordamos uma qualquer matéria, baseados apenas nas notícias que nos caem na sopa, porque o mundo da Ciência de investigação é, apesar do escrutínio a que está sujeito pelos pares, um dos que mais propicia lacunas entre o facto, a notícia e a interpretação, por deficiências no circuito da divulgação não raras vezes intencionais, originando pela sua complexidade interpretações desfocadas.

Aconselho a que investiguem a que corresponde efectivamente esta “Vida Artificial” que se noticiou, porque já li por aí sobre o abuso do termo. Com as devidas diferenças faz lembrar aquela que nos deixou um dia a cabeça em água quando foi anunciada a Fusão Nuclear a Frio, por Martin Fleischmann e Stanley Pons, e ficamos em transe, mas por pouco tempo.

Deixo aqui parte de um texto que aconselho que leiam na totalidade, em De Rerun Natura, que fez parte da minha pesquisa sobre a notícia:

(...) “Hoje a sequência do ADN humano é de livre acesso muito graças ao esforço do consórcio público que divulgava os resultados da sequenciação no final de cada dia, à medida que os ia obtendo, fazendo cair a sequência no domínio público.

Mas, para os media e generalidade do público, a história que ficou foi a de que a Celera Genomics fez em dois anos o mesmo que o consórcio público fez em dez, e que talvez tenha havido um desperdício de fundos públicos numa estrutura ineficiente quando comparada com a agilidade de uma única empresa privada” (...)



30 maio 2010

A Bruna na bruma.

Entre o papel de Encarregado de Educação e de aluno da Escola de Mirandela, vou escolher o mais difícil.

Fez a Bruna Real polémica e recoloca novamente Mirandela no mapa, acrescentando à alheira o condimento picante que não tinha, despindo-se de preconceitos e apresentando os seus argumentos numa revista que tem de tudo, até ligações perigosas, e menos de Ciências da Educação, e não figura certamente nas bibliotecas das nossas escolas quanto muito, andará escondida debaixo do tampo de alguma carteira. Não quero fazer parte de facções e sobretudo não quero estar com os puritanos ou com os herdeiros longínquos dos pirómanos da Inquisição, mas verifico que em nome da defesa de uma liberdade individual da “professora” quase me fazem parecer mal que não entenda os direitos da Bruna. Ela pode fazer do corpo o que quiser porque terá para isso a explicação que lhe serve de forma a conviver com isso, mas também sabe que abriu uma caixa de Pandora, com as novas imagens de raio x que alunos e alunas vão passar a ter dela. Qualquer pai ou Encarregado de Educação saberá falar a uma filha ou um filho sobre a nudez de uma Bruna que se passeie na bruma de uma qualquer Praia do Meco, mas já sentirá engulhos ao justificar a “professora” e ao explicar-lhes as razões que estão por detrás da existência da revista e que são no fundo as que levaram a Playboy a fotografar a professora para a exibir daquela forma. As legítimas aspirações e uma certa vaidade da Bruna atraiçoaram a "professora”.

Os espanhóis, outra vez...

Os comentários ao ataque da Telefónica aos interesses da Portugal Telecom no Brasil, e à sua arrogante ameaça ao capital da operadora portuguesa através de OPA hostil, ameaçando Portugal com o terrível cenário da perda de uma empresa tecnológica tão estratégica, passando os comandos para Espanha e fragilizando ainda mais o nosso mercado de emprego, são unânimes e representam a melhor resposta aos iberistas porque os portugueses conseguem afinal saber de onde pode vir perigo.

No Jornal I diz-se: “A PT recusou de forma clara. E os espanhóis não entendem porquê. "Ficámos surpreendidos ao ver que rejeitaram a oferta", diz o CFO da Telefónica aos analistas”. Pois é, se os espanhóis não entendem, é porque pura e simplesmente não nos entendem, e o texto que segue, sobre o qual não faço um juízo de valor, vale o que vale, foi escolhido avulso de um fórum sobre a questão e pode representar muitos outros:

“É óbvio que a PT e o Estado Português têm de fazer tudo para impedir a venda da Vivo. Espanha tem estado a perder negócios nas suas ex-colónias da América Latina, sobretudo na Venezuela. Perante essas contrariedades, Espanha está apostada em tentar controlar os investimentos no Brasil, dificultando e tentando impedir lá os investimentos de Portugal.

O Brasil e Portugal são países irmãos que partilham a mesma língua e cultura. Em contraste com o caso Espanhol, Portugal deu a independência ao Brasil pacificamente. A independência de todas as ex-colónias espanholas na América Latina teve de ser conquistada pela força das armas. À Espanha não interessa que Portugal e o Brasil tenham boas relações económicas na zona porque isso tornaria Portugal num país com mais potencial do que a Espanha.

O Estado Português tem de ter muita cautela com Espanha. Todas as empresas portuguesas devem ser protegidas pela aquisição da maior parte das acções e pela blindagem dos estatutos. Essa é a única forma de conseguir manter a independência e soberania de Portugal.

Portugal tem de proteger o seu mercado dos investidores espanhóis e os portugueses devem punir os políticos que a troco de dinheiro e cargos de administradores, vendam empresas estratégicas portuguesas a Espanha.”

28 maio 2010

Pianistas...

“O Pianista” foi o filme que Cavaco escolheu ontem na Cinemateca Portuguesa no âmbito da Comemoração dos 100 anos da República. Enquanto discursava, por lá andava outra pianista catrapiscando as objectivas, a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, mas diria que com outras “pianistas” no sapato.

É que “A Pianista” Alexandra Simpsom, representou ontem mais uma derrota da Ministra, enquanto ex-responsável da AMEC (Orquestra Metropolitana de Lisboa), ao ter ganho em tribunal, cinco anos depois, um processo por ter sido despedida ilegalmente e pressionada a trabalhar programas inexequíveis. A procissão continua. Agora há que somar mais 80.000 Euros de indemnização e retorno da Alexandra às funções anteriores na Orquestra. Mas que a Ministra é bonita, isso é…

21 maio 2010

Vida Artificial?

A criação da primeira forma de vida artificial, talvez se possa resumir deste modo: O criador determinou com um computador quais eram os pozinhos a colocar numa célula com vida "natural" para criar outra com vida artificial. Parece que resultou, porque depois de milhões de replicações do ADN invasor, nada restou da hospedeira, sobrevivendo unicamente uma coisa cuja vida foi programada artificialmente.
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Esta manipulação cheira a esturro, não pelos motivos que a Igreja Católica levanta mas porque o exemplo dos OGM’s já nos bastavam para hipotecar a biodiversidade na Terra. Esta descoberta, vai certamente começar a ser usada como todas, inicialmente, desconhecendo os perigos por detrás da sua aplicação ou aplicações porque os interesses económicos monstruosos vão encarregar-se de a por imediatamente a render. Com tanta ameaça sobre nós o que precisamos é de aventuras com retorno garantido e este parece de todos o menos certo, basta atentar nas palavras do criador: "Mudou o meu ponto de vista da definição de vida e do seu funcionamento". Curiosamente, a forma fria como nos olha é perturpadora.

15 maio 2010

Um balão a mirrar.




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Como podem os Oceanos estar há um mês a ser inundados de naftas sem que haja fim à vista numa solução eficaz, e não encontrarmos uma preocupação geral que esteja de acordo com a importância deste terrível desastre, nem vermos, pelo menos por cá, os media darem-lhe relevo face a outros títulos em agenda?

A exploração petrolífera nos oceanos em plataformas que descem tubos de sucção a milhares de metros de profundidade, é uma actividade de garantias pouco seguras como se viu agora, porque aquilo não deixa de ser uma gerigonça frágil perante as potentes forças da natureza a que está sujeita e se provou agora que é um enorme risco planetário. Nunca questionávamos os processos de segurança em caso de acidente nestas estruturas, porque achávamos que tudo estava pensado, e nestas, sempre achei que nos mecanismos de contenção de uma rotura, se recorresse a algum método de aproveitamento da física da natureza e não a um processo mecânico de válvulas degradáveis sujeitas a avarias e a homens sujeitos à asneira, porque um desastre a tantos metros de profundidade não iria lá ter reparadores de máscaras e garrafinhas de ar nas costas para o resolver.


Para além dos milhares de toneladas de crude a ser derramados diariamente desde o dia 20 de Abril - 800.000 litros durante 25 dias são 20 milhões de litros até agora, - e que se vão espalhar sem controlo levando a morte por onde passam, resta ainda um outro, que terá porventura a ver com a compensação da massa na crosta terrestre que é extraída das enormes bolsas de crude, através da injecção de água para o fazer subir e simultâneamente preencher os espaços vazios que ficaram. Quantas plataformas existem no mar a correr este risco? A Terra é cada vez mais, desde o evento da época industrial, um enorme queijo suíço, porque não paramos de a esventrar sempre mais fundo e neste processo, ainda um dia veremos nela o efeito de um balão a esvair-se.
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13 maio 2010

Despesa & Crescimento

a DAP
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Gráfico do DAP da Pedro Arroja, foi complementado com dados de leitura. Ambos lidos inicialmente no Corporações, aqui e aqui.
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Se insistirmos tocar num piano apenas teclas deprimentes, a nossa música não passará de tristes nocturnos. O mesmo se passa com as notícias do país se insistirmos em fixar-nos apenas nas dúvidas que temos pela frente. Isso pode servir alguns interesses políticos e à mudança das moscas, mas não servirá o interesse colectivo que é o que unicamente nos interessa.

Aqui ficam dois exemplos que não fazem normalmente parte dos grandes títulos. Um, que nos diz que o aumento da Despesa da Administração Pública foi a tradição na longa governação de Cavaco e depois, de Barroso e Santana, e outro, que é preciso ter esperança nas nossas capacidades, face às últimas notícias de crescimento económico. Fontes dos gráficos: Banco de Portugal e o Eurostat. Para melhor enquadramento da leitura, junta-se este:
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11 maio 2010

Caminhos...?

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No Império, todos levavam a Roma, hoje há alternativas. Não me importava se Cavaco tivesse dito que o fazia “…em nome dos portugueses”, quando falava para o Papa, mas já não gostei que tivesse dito que era “…em nome de todos os portugueses”. Mas faço votos para que a fantástica luz do Tejo o ilumine.

Entretanto...

"Uma professora do 1º ciclo, (…) admitiu ontem à direcção escolar ter dado "uns tabefes" a uma aluna com nove anos de idade, (…)

A direcção escolar aconselhou a professora a procurar ajuda médica, (…). E abriu um inquérito, do qual poderá resultar um processo disciplinar. A mãe da criança apresentou queixa na GNR (…)"

08 maio 2010

CIA: Erros & Tragédias

A história dos grandes Serviços Secretos está montada sobre enormes cemitérios, porque é recorrente nas suas actividades a eliminação física dos alvos que escolhem. Se já é um drama que a obtenção ou manutenção do poder se faça à custa da interferência na vida dos outros, maior ele é quando as suas actividades, baseadas em erros de observação, provocam hecatombes. Porque nunca saberemos a totalidade dessas verdades, é muito relevante que alguém tenha decidido contar-nos parte da história, com a edição em 2007, nos Estados Unidos, de um extraordinário livro: “História da CIA – Um Legado de Cinzas”, vencedor do “Book Award”, escrito por Tim Weiner, premiado com o prémio Pulitzer. É um livro nada abonatório da política dos Estados Unidos desde década de 40, porque nos relata com fidelidade os erros cometidos por aquela Agência, ao longo de 641 páginas, suportado noutras 200 de notas extra, por via das dúvidas, que remetem para 50 000 documentos e centenas de entrevistas a ex-agentes e directores da CIA.

Haveria para descrever, muitos exemplos de história que nos foi contada de outra forma, como a dos mísseis de Cuba, mas ainda só até meio da leitura do livro, não posso deixar de referir aquela que mais me impressionou. A tragédia do Vietname, como a do Iraque, partem de dois erros clamorosos de informação. A do Vietname foi detectada ainda a tempo, já com os aviões no ar, mas ninguém quis assumir e voltar com a palavra atrás. Está dito nas Pág. 306 a 311. No Iraque como já sabíamos, a história repete-se enganando meio mundo. Com ambas, alteraram a vida de milhões de seres humanos. Tinha razão o presidente Eisenhower quando desabafou que a Agência lhes tinha deixado “um legado de cinzas”.
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03 maio 2010

Gananciosos? Quem?!

A propósito deste grande texto de Daniel Oliveira, no Arrastão mas também no Expresso, Uns gananciosos, estes trabalhadores.

Quando isto era uma Monarquia, havia formalmente instituído uma divisão política e social formada pelo Clero, a Nobreza e o Povo. A Nobreza tinha sobre a populaça uma prioridade de tal ordem e tão injusta que acabou por levar à Revolução Francesa, com reflexos em todo o mundo e foi de tal forma, que hoje quando dizemos Idade Contemporânea é ao período que começou a partir da Tomada da Bastilha a que nos referimos. Era injusto, que por artes de um sistema de organização vindo do fundo dos tempos negros da Humanidade, o povo servisse a uma classe cheia de privilégios e direitos que lhes vinham agarrados ao umbigo.

Os tempos que agora vivemos, começam, pela atitude de alguns políticos e gestores a parecer-se com aqueles, porque espanta a desfaçatez com que uma classe de dirigentes se sente no direito de concentrar em si valor de tantos milhões pelo trabalho que produz, e ao mesmo tempo, inverter o raciocínio quando pensa nos trabalhadores, achando por outro lado que as suas escandalosas regalias salariais não podem ser mexidas quando o Estado precisa de todos. Perdem mesmo a vergonha e assumem-no dando a cara. Ora, esta presunção de pertença a uma casta é o equivalente ao período que antecedeu a Revolução Francesa, que para além de falar de Liberdade, falava também de Igualdade e Fraternidade. Quando vemos as hordas que começam a manifestar-se por essa Europa e a pô-la a ferro e fogo, é nisto que pensam, é este sentimento de injustiça que as atiça e revolta, e à luz da Comunicação Social esta realidade não é convenientemente explicada. Agora, outra vez, a tal Nova Classe que deixamos imergir por falta de informação, olha para esta gente com o mesmo espanto dos Nobres, quando começaram a rolar as cabeças numa das mais espantosas revoluções da Europa. Que se cuidem, estão demasiado expostos se a loucura tomar conta delas.

01 maio 2010

Maio. Que luta?

Reeditado (só o texto...)
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O 1º de Maio passa ruidoso entoando os velhos slogans, agora acrescido de reivindicações como a do passe social L 123 para o concelho de Cascais... Os panos são os mesmos ou repintados, os cabelos são mais brancos e o filme que corre já não empolga quem assistiu daqui a muitos Maios. A questão é, se podemos resolver isto desta forma? Existirá força civil que possa de outra maneira opor-se ao circo que deixamos montar? Se o poder já não é dos Estados mas desta economia de mercado que nos cerca, podemos dentro do sistema opor-lhe outra? Qual? E ela deixa? É que assistimos e deixamos que a palavra Socialismo, no seu mais puro sentido, fosse hipotecada, também por uma ganância de poder, – sobre o qual tão bem escreveu Jean-Paul Sartre – derivada dos desvarios totalitários próprios da espécie humana, e assim se impediu a alternativa de outro sistema credível de governança.

A solidariedade é mais uma palavra bonita que uns usam como alfinete de gravata, outros como broche na lapela. Mas há também os que não usam nada disto e suspiram por velhos modelos que nunca viram, inventando por sobrevivência moinhos de vento contra os quais investir, a cada hora.
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22 abril 2010

Abaixo a corrup...! Oops...

“O tal senhor, foi hoje absolvido no caso dos Parques e das Feiras da (ou, na?) tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa”... Isto vai em texto codificado, porque começa a ser perigoso exercer a cidadania falando ou escrevendo de corrupção em Portugal.

Inacreditável! Esta notícia é o desfilar da miséria da Justiça que temos e dos homens que a aplicam. Como podem desta forma pedir-nos respeito por quem a gere assim? Já não é possível ouvir a falsidade de quem declara o contrário, conforme lhe calham as simpatias ou os interesses. Se aquilo não foi aquilo, já tudo pode ser o que se quiser.

Alguém me tinha enviado esta semana um link de um trabalho notável da SIC sobre a corrupção, que acho que não devem mesmo deixar de ver, é este, “Corrupção: crime sem castigo”, e hoje, acabamos por ter esta notícia onde o homem é absolvido, e o que acaba por restar, pasme-se, é a condenação do cidadão Sá Fernandes que preferiu não receber uma pipa de massa em troca de fazer justiça, por, segundo o veredicto, ter difamado o tal senhor que queria dar a massa.

Agora que vamos comemorar a Revolução não podíamos aproveitar a boleia e pedir à tal menina, se ela aparecer… que não dê o tal cravo ao tal soldado, para ele não ter a veleidade de o espetar onde não deve?
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17 abril 2010

Abril foi bonito.

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25 de Abril 2010
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Cartaz do Arraial no Carmo, editado pela Associação Abril, gente que o comemora com o espírito certo, todos os anos, naquele Largo. Veja aqui o Programa para o dia 23 e 24.
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O 25 de Abril não é uma data consensual, porque nem todos viviam na mesma necessidade de liberdade. Para alguns, não existia constrangimento porque não precisavam de transgredir, adaptados que estavam a tantos anos de imposição de uma liberdade balizada. Cada um comemora esta data de acordo com o significado interior que lhe dá, mas para os mais novos temos até que admitir que é apenas mais um feriado político. Um dia, esta data deixará de ser a de uma forte e boa lembrança do dia em que um arrepio percorreu alguns, e lágrimas de contentamento caíram. Outros ficaram apreensivos e medrosos e terão havido os que trincaram os dentes de raiva.

Por mim, entro sempre na festa sem política, recordando que foi um dia em que respirei fundo, muito fundo, e me senti profundamente livre. Mas havia gente distraída que ficou de repente com o olhar no vazio, sem perceber o que lhe aconteceu. A estes, não podemos pedir-lhes que comemorem da mesma forma, andarão por aí, olhando-nos e tentando perceber o que nos move.

14 abril 2010

O que a gente ouve!

Fernando Ruas, autarca de Viseu, respondendo aos jornalistas no Congresso do PSD, de memória: “É naturalmente uma honra ter sido nomeado presidente da Mesa do Congresso, até por ter sido um cargo exercido por ilustres sociais-democratas, como o Dr. (…) o Dr. Dias Loureiro, o Dr. (…)” Oops! Vejamos alguns significados de ilustre: célebre, notável, famoso, insigne, nobre, distinto. Puxa! O que é preciso para ser classificado assim? Se não fosse aquela coisa do tal coiso do tal Banco, que adjectivo teríamos então?

11 abril 2010

Batata transgénica

Dia Internacional de Acção Anti-Transgénicos. Lembra-me a propósito esta cebração a 17 de Abril, às 15 horas, no Rossio, que passou despercebida a notícia desta infeliz autorização da Comissão Europeia: vamos agora correr o risco de ter batata transgénica à mesa, é a variedade Amflora, “concebida” pela alemã BASF, dizem que é para amido e para alimentação de animais – que nos servem depois de alimento - mas a seguir será para a fécula dos purés que vamos provavelmente dar às nossas crianças.
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Com isto, só posso considerar heróis os rapazes que escaqueiraram um dia uma plantação de milho transgénico, porque não restam outras armas. Não vejo na transgressão aos transgénicos alguma subversão ao Estado de Direito, porque entendo ser mais imperioso mostrar aos lobbies da indústria química e aos políticos que é tempo do cidadão ter uma palavra em questões tão relevantes de saúde e de precaução da contaminação da biodiversidade planetária, porque é terrível o desconhecimento geral sobre o cenário futuro do domínio da propriedade das sementes do planeta e do seu efeito no Homem a longo prazo, e o poder da indústria que se movimenta pela avidez do lucro não nos está a deixar fazê-lo de outra forma.

10 abril 2010

Primavera

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República, Superior, Conselho!

Por entre o desembaraçar do saco dos resíduos do jantar e um olhar para as notícias da TV, ainda consegui ouvir a nova estrela do PSD, Passos Coelho, no cenário estudado de mais um palco e no truque da já gasta “hora do telejornal”, propor com veemência para maior credibilidade, a criação de um Conselho Superior da República. Lavei as mãos da gordura da operação lixo e lavei dos ouvidos o som da proposta de mais um candidato a Salvador da Pátria. O molho do assado de peixe que antes fez as delícias da refeição, era-me agora quase nojo. Sabemos o que é a República, o que é Superior e o que é Conselho, são três palavras de topo numa classificação hierárquica, como cortinas pesadas, o que não sabemos é o que fazem elas junto a não ser, a tentativa de se propor com as três uma significância de grande calibre, e é através disso que descobrimos a razão da escolha dos termos da proposta, é a nova estratégia do leader: impressionar com a fachada porque a imponência convence, o povo não sabe se gosta mas é de boca aberta que reage perante ela. O deserto de ideias e alternativas de quem se propõe ter novas soluções para o país, vai produzir mais foguetório deste, mas o povo cai sempre. Querem ver? Ó patego, olh’ó balão!

07 abril 2010

166

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Valença sem vergonha.

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Aquelas poucas centenas de gente que se deixou arregimentar, são a vergonha da nossa cara, mas não os podemos descartar porque infelizmente falam português. Que atitude obscena este vergar de espinha mole perante o padrinho que a troco de um inconfessável jeitinho lhes vai provendo o sustento da família. Não há forma mais desonrosa de o conseguir! É isso que está no código genético do resto do país que assistiu impávido àquele espectáculo único na Europa. Por mim, nem precisam de guia de marcha, peguem na bandeira e … desandem!