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31 janeiro 2011
27 janeiro 2011
Rescaldos
(…) “mas, Manuel Alegre não tem razão! Os resultados que hoje obteve não são culpa do Homem e do Político que é mas, isso sim, da dinâmica criada pelos partidos que o apoiaram...” (…)
É preciso que Alegre tenha lido textos como este e este porque é fundamental que saiba que a culpa não foi sua, e nenhum nós aceita que o diga a não ser por respeito à elegância do jogo democrático no discurso da noite das eleições.
Antes, Salgado Zenha, Lopes Cardoso e outros, e agora Manuel Alegre, foram homens íntegros demais, para que a forma como foram tratados não ofusque definitivamente a imagem de alguém que se imagina o monarca de uma República que não lhe pertence. É aqui que deveremos começar a pesquisar as razões que lavaram à eleição por duas vezes de um dos mais tristes e pálidos Presidentes da República Portuguesa, porque recuso aceitar que o culto à personalidade interfira de forma tão desastrada no regime republicano em que acredito. A culpa tem de facto um rosto, mas nunca o de Manuel Alegre.
É preciso que Alegre tenha lido textos como este e este porque é fundamental que saiba que a culpa não foi sua, e nenhum nós aceita que o diga a não ser por respeito à elegância do jogo democrático no discurso da noite das eleições.
Antes, Salgado Zenha, Lopes Cardoso e outros, e agora Manuel Alegre, foram homens íntegros demais, para que a forma como foram tratados não ofusque definitivamente a imagem de alguém que se imagina o monarca de uma República que não lhe pertence. É aqui que deveremos começar a pesquisar as razões que lavaram à eleição por duas vezes de um dos mais tristes e pálidos Presidentes da República Portuguesa, porque recuso aceitar que o culto à personalidade interfira de forma tão desastrada no regime republicano em que acredito. A culpa tem de facto um rosto, mas nunca o de Manuel Alegre.25 janeiro 2011
Ao discurso rancoroso
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dizemos:
(...) "Não foram 5 contra 1, Sr. Presidente, foram dois milhões, duzentos e sessenta mil contra dois milhões, duzentos e trinta mil (numeros redondos)."
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“Serão necessários muitos "Campos Pequenos" para nos castigar e toda esta gente não tem medo. Já antes não teve medo, quando combateu outros para que o Sr. candidato pudesse agora ter sido eleito Presidente da República.” (...)
Luís Novais Tito no: Alegro Pianíssimo.
dizemos: (...) "Não foram 5 contra 1, Sr. Presidente, foram dois milhões, duzentos e sessenta mil contra dois milhões, duzentos e trinta mil (numeros redondos)."
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“Serão necessários muitos "Campos Pequenos" para nos castigar e toda esta gente não tem medo. Já antes não teve medo, quando combateu outros para que o Sr. candidato pudesse agora ter sido eleito Presidente da República.” (...)
Luís Novais Tito no: Alegro Pianíssimo.
24 janeiro 2011
O voto branqueado.
. Estive num jantar com amigos com a televisão pelas costas. Porque me bastava saber se havia ou não segunda volta. O detalhe do que aconteceu vi depois no bom artigo de Henrique Sousa. Eles revelaram a triste realidade que constatei no jantar. Ao meu lado estava um amigo, um tradicional votante de esquerda, uma pessoa esclarecida. Votou em branco... Tive que abrir o Alegro para lhe mostrar com o quadro que fiz para este post, o logro em que caiu. Confessou-me que num jantar onde esteve discutiram a questão e a conclusão era que votariam em branco. Verifico agora que houve mais 175 363 brancos e nulos do que em 2006. Contribuiu assim com a falta de informação que assumiu, para a vergonha que é voltarmos a ter esta máscara de cera na presidência por mais cinco anos. Quando fiz aquele quadro em Excel foi por sentir que havia gente baralhada pela confusão que por aí foi lançada com e-mails fraudulentos e que nunca vi desmontados pela Comunicação Social. O próprio esclarecimento da CNE foi insípido e deixou quase tudo na mesma. Cavaco clama vitória com menos meio milhão de portugueses a apoiá-lo do que em 2006, porque houve portugueses que se enganaram, outros que foram enganados e outros que gostaram de ser enganados. Tenho pena que não sejam chamados a pagar a factura apenas os que gostaram de ser enganados, mas lamento que o meu país seja ainda a triste realidade escancarada nas declarações acéfalas de tantos e calculistas de alguns. Chego á conclusão que faço parte de uma elite da qual também fazem parte os brancos e nulos. E quer se queira, quer não, terão que ser as elites a perguntar o que é que leva um país a ter um presidente eleito apenas com 23% dos seus eleitores. Éramos quase 10 milhões de inscritos e pouco mais de 2 milhões impuseram-nos este homem por cujo perfil se babam. Fica um novo quadro que nos mostra que não é democrático não levar em conta a opinião de quem não tem lá um candidato que lhe sirva, porque isso, também é uma opinião.
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Publicado também no Alegro Pianíssimo.
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21 janeiro 2011
"É pior a emenda..."
"Costuma dizer-se que "as sondagens são o que são"... de qualquer modo, o que me preocupa é a tendência portuguesa para, por um lado, tentar penalizar o que considera causas do seu descontentamento e, por outro lado, a ainda deficitária interiorização da ética republicana que grassa na sociedade portuguesa. O que quero dizer com isto? Simplesmente que os portugueses, numa tentativa de penalização do governo e, consequentemente, do PS, podem projectar na votação no seu principal opositor a manifestação do seu "castigo"... o raciocínio é demasiado simplista e transporta em si próprio alguma perversidade que só os mais ingénuos podem descurar, para gáudio dos que fruirão desta decisão. Porque, na verdade, o exercício desta forma de acção significa que, para efeitos de provocação de um desagrado imediato ao partido do governo, os portugueses preferem não equacionar o futuro, recusando pensar nas consequências dos seus actos! De facto, se houvesse hábitos reflexivos na opinião pública, a hipótese de um cenário em que se altere a conjuntura parlamentar por via de eleições legislativas, seria colocada e a consciência de que as alternativas económicas à actual governação não são, nesse mesmo cenário, do interesse público, os cidadãos iriam perceber que votar Cavaco Silva é contribuir para legitimar um caminho que será muito mais penoso para Portugal do que o que actualmente trilhamos. Por outro lado, por razões que se prendem com a cultura democrática relativamente incipiente nas populações menos alfabetizadas, menos informadas e menos politizadas, a representação social do Presidente da República é ainda o que resta do que, entre nós, legitima o "apadrinhamento social" e a "lógica do favor" em prejuízo da "cultura do mérito" - razão pela qual a mudança presidencial se processa, no nosso país e ainda que num regime democrático, por desistência do cargo, seja por limite de mandatos ou por vontade própria... como se a essa figura coubesse uma "intocabilidade"entendida de forma ainda próxima de concepções religiosas medievais em que o poder se associava ao "sagrado"! Ganha aqui sentido a expressão "nem para si próprios sabem ser" porque esta forma de pensar aproxima a sociedade daquilo que as pessoas mais temem: o empobrecimento e o autoritarismo!... e, como sabemos, apesar de se dizer que "a vingança serve-se fria", a verdade é que a vingança nunca é a melhor forma de resolvermos os problemas!"
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Texto de Ana Paula Fitas no: Alegro Pianíssimo.
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Bom texto Ana Paula, no sentido em que tem pano para mangas e dizer muito de forma sintética não é fácil. Desde a deficitária interiorização da ética que grassa, até à vingança que se serve fria, há todo um cenário enquadrável numa questão que tem a ver com a tendência para o carneirismo do povo português, mesmo quando a Esquerda triunfa com Soares ou Sampaio, e é isso que me preocupa, porque, das duas uma, ou isto é vingança das corporações ou geral, ou é o efeito de seguimento do rebanho que também pode ter estado presente com os outros dois. É que quando o efeito da vingança praticado por pessoas esclarecidas pode dar CAVACO, o eucalipto secador de uma floresta que não gostamos, fica a dúvida se não será antes o do rebanho a funcionar.
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Fica a dúvida.
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A capacidade de incentivo
e mobilização de um Presidente da República é, a par da defesa intransigente da letra e do espírito da Constituição, uma das qualidades mais importantes a reter numa escolha eleitoral. Ouvindo ontem à noite Manuel Alegre no Coliseu, ficamos com as certezas reforçadas em relação à convicção de que será neste momento de crise o presidente que precisamos, porque é ele, por comparação com todos os outros o único capaz de elevar o espírito e mobilizar como foi capaz de fazer levantar das cadeiras quem esteve naquela sala. Passou por lá uma forte corrente de ânimo na qualidade e na grande força das suas palavras. Não é o espírito assustador e medroso de Cavaco que vai conseguir mover quem quer que seja, ao contrário, dará porventura com tanto derrotismo vontade de emigrar.
Considerando os Presidentes da República pelo seu desempenho Jorge Sampaio foi um dos melhores presidentes que tivemos, mas Alegre vai destacar-se pela sua capacidade de incitamento para acção, conjuntamente com a firmeza das convicções que tem, do que vai defender em Belém. Infelizmente, as televisões amplificam o folclore à volta das campanhas, mas cumpririam melhor o serviço público a que deveriam estar obrigadas, se nos dessem uma melhor ideia do que cada um deles diz e defende. Pena que os portugueses não tivessem podido ouvir a força daquele incentivo, porque nós saímos de lá com a convicção de que somos capazes. É esta capacidade que valoriza e se espera de um leader.
Considerando os Presidentes da República pelo seu desempenho Jorge Sampaio foi um dos melhores presidentes que tivemos, mas Alegre vai destacar-se pela sua capacidade de incitamento para acção, conjuntamente com a firmeza das convicções que tem, do que vai defender em Belém. Infelizmente, as televisões amplificam o folclore à volta das campanhas, mas cumpririam melhor o serviço público a que deveriam estar obrigadas, se nos dessem uma melhor ideia do que cada um deles diz e defende. Pena que os portugueses não tivessem podido ouvir a força daquele incentivo, porque nós saímos de lá com a convicção de que somos capazes. É esta capacidade que valoriza e se espera de um leader.
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Publicado também em: Alegro Pianíssmo.
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20 janeiro 2011
A folha dos candidatos
Em certo sentido, ainda bem que o período eleitoral é em si mesmo escrutinador do perfil de cada candidato. É normal que se pretenda saber mais do que a lei obriga ou é simplesmente depositado no Tribunal Constitucional, porque os cargos em disputa são de uma enorme responsabilidade perante a nação e a ética do candidato deve ser um exemplo.
Confrange por isso, em relação a Cavaco, ter como argumento de defesa, não uma resposta mas uma pergunta: “… mas porque razão aparecem agora com estas estórias?” como faz Guilherme Silva, o paladino do Alberto João no continente, como se o facto de só aparecerem agora fosse despenalização automática. É harakiri numa pergunta naif. Em relação aos casos que Cavaco tem que explicar aos portugueses, muito ou quase tudo se fica a dever ao período eleitoral, se Guilherme sabia, nós desconhecíamos totalmente a existência daquelas questões, sabíamos apenas de uma casinha Mariani. Fazer crer que o património e a sua aquisição não devem ser esclarecidos tendo no caminho os homens que trafulharam no BPN/SLN, só mesmo num país onde a ética não é para ser levada a sério.
Ao contrário, foi triste verificar os esforços para descobrir alguma coisa onde pegar em Alegre. As diferenças são abissais. Nesta matéria, Alegre elevou-se a um patamar que Cavaco nunca alcançará porque a história pode ser reescrita, mas nunca alterada. Até nisto, Manuel Alegre é um exemplo e será a garantia que os portugueses melhor têm de que será um melhor Presidente da República.
Confrange por isso, em relação a Cavaco, ter como argumento de defesa, não uma resposta mas uma pergunta: “… mas porque razão aparecem agora com estas estórias?” como faz Guilherme Silva, o paladino do Alberto João no continente, como se o facto de só aparecerem agora fosse despenalização automática. É harakiri numa pergunta naif. Em relação aos casos que Cavaco tem que explicar aos portugueses, muito ou quase tudo se fica a dever ao período eleitoral, se Guilherme sabia, nós desconhecíamos totalmente a existência daquelas questões, sabíamos apenas de uma casinha Mariani. Fazer crer que o património e a sua aquisição não devem ser esclarecidos tendo no caminho os homens que trafulharam no BPN/SLN, só mesmo num país onde a ética não é para ser levada a sério.
Ao contrário, foi triste verificar os esforços para descobrir alguma coisa onde pegar em Alegre. As diferenças são abissais. Nesta matéria, Alegre elevou-se a um patamar que Cavaco nunca alcançará porque a história pode ser reescrita, mas nunca alterada. Até nisto, Manuel Alegre é um exemplo e será a garantia que os portugueses melhor têm de que será um melhor Presidente da República.
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Publicado também em: Alegro Pianíssimo
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19 janeiro 2011
Dia 20, às 16:00 no Chiado
O país acordou com uma sondagem manhosa de surpresa, mas que não é mais do que um inquérito feito a apenas 170 pessoas. Se não vejam a ficha técnica que nos diz alguma coisa mas não tudo: foram feitas 802 entrevistas mas só acederam a responder 22,6%, 170 respostas. Depois, só sabemos que esses 802 eram maiores de 18 anos, mas não sabemos a faixa etária dessas 170 respostas, porque, sendo chamadas para telefones fixos, está bem de ver qual é a faixa etária que está em casa o dia inteiro a atender telefones: idosos, reformados e reformadas, cujo pendor conservador se acentua. Isto não corresponde a nada, e no dia 23 veremos se não se configura como uma fraude que deveria merecer tratamento. Vamos descer o Chiado e dar já a resposta:
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16 janeiro 2011
Melhor que uma onda
Em complemento do que foi dito aqui e aqui, e porque também não vi ainda imagens do maior comício da campanha, aqui fica este vídeo que conclui com imagens no Teatro Gil Vicente, em Coimbra.
Mas há qualquer coisa nele que gostaria que fosse notado. É extraordinário, podermos ver nestas imagens, como os apoiantes estão ali sem rótulo na lapela com grande entusiasmo, uma coisa impensável há pouco noutro cenário, com outro protagonista. Há um ambiente neste novo apoio que não me canso de exaltar, porque não se reporta apenas às tradicionais hostes de um partido. Talvez esteja a chegar o tempo de todos humildemente aprendermos mais um pouco. Talvez. Convido-vos a ver para comprovar. Confesso que ficarei desiludido se o meu país não estiver atento no dia 23.
Mas há qualquer coisa nele que gostaria que fosse notado. É extraordinário, podermos ver nestas imagens, como os apoiantes estão ali sem rótulo na lapela com grande entusiasmo, uma coisa impensável há pouco noutro cenário, com outro protagonista. Há um ambiente neste novo apoio que não me canso de exaltar, porque não se reporta apenas às tradicionais hostes de um partido. Talvez esteja a chegar o tempo de todos humildemente aprendermos mais um pouco. Talvez. Convido-vos a ver para comprovar. Confesso que ficarei desiludido se o meu país não estiver atento no dia 23.
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Publicado também aqui
14 janeiro 2011
Uma aldeia estranha.
Começa a ser dificil justificar tudo com a estória do “mísero” professor. Senão, veja aqui:
Não é estranho tudo isto? Seremos assim todos tão crédulos, trouxas, para acharmos que a ligação a esta gente e aos negócios que estão por aí visíveis é uma coisa inócua? Ou estas ligações serão um estranho caso de naifismo político? Não haverá por aí uma metade mais um de portugueses que vá votar e diga basta a este tipo de honestidades? Vamos aplicar à Presidência da República a receita de Oeiras de Gondomar de Felgueiras? E então a ética, que nos diz que um Presidente da República tem que ter no seu histórico outra capacidade de fazer amigos e não se deixar envolver pelas suas teias?
Onde anda agora Teresa Caeiro e os arautos de campanha que se preocuparam com um pequeno texto de autor já justificado?
Onde anda agora Teresa Caeiro e os arautos de campanha que se preocuparam com um pequeno texto de autor já justificado?
12 janeiro 2011
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Os ARROIOS
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Os arroios são rios guris...
Vão pulando e cantando dentre as pedras.
Fazem borbulhas d'água no caminho: bonito!
Dão vau aos burricos,
às belas morenas,
curiosos das pernas das belas morenas.
E às vezes vão tão devagar
que conhecem o cheiro e a cor das flores
que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam
e onde parece quererem sestear.
Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção
como a nossa se recebêssemos o miraculoso encontrão
de um Anjo...
Mas nem nós nem os rios sabemos nada disso.
Os rios tresandam óleo e alcatrão
e refletem, em vez de estrelas,
os letreiros das firmas que transportam utilidades.
Que pena me dão os arroios,
os inocentes arroios...
Vão pulando e cantando dentre as pedras.
Fazem borbulhas d'água no caminho: bonito!
Dão vau aos burricos,
às belas morenas,
curiosos das pernas das belas morenas.
E às vezes vão tão devagar
que conhecem o cheiro e a cor das flores
que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam
e onde parece quererem sestear.
Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção
como a nossa se recebêssemos o miraculoso encontrão
de um Anjo...
Mas nem nós nem os rios sabemos nada disso.
Os rios tresandam óleo e alcatrão
e refletem, em vez de estrelas,
os letreiros das firmas que transportam utilidades.
Que pena me dão os arroios,
os inocentes arroios...
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Mário Quintana (Baú de Espantos)
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Uma gentileza da Lupe, que tomo como gesto de homenagem ao Arroios e agradeço.
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07 janeiro 2011
Um Alegro na campanha
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O alheamento generalizado da coisa pública é o alimento dos emperramentos que nos entorpeçam, esta, é uma consciência que tenho cada vez mais presente. Foi por isso que aceitei o convite de um grupo de cidadãos para participar no:
O alheamento generalizado da coisa pública é o alimento dos emperramentos que nos entorpeçam, esta, é uma consciência que tenho cada vez mais presente. Foi por isso que aceitei o convite de um grupo de cidadãos para participar no:.
Um novo blogue de apoio á Candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República. A minha liberdade nunca ficará refém porque esse é um compromisso que Alegre estabelece sem ter que o dizer. Convoco-vos por isso a algum desassossego, porque o país está a precisar de mais empenho de todos. Participem acedendo ao blogue e entrando no debate, ou da melhor forma que a vossa consciência ditar, mas sobretudo, não deixem que este país seja apenas feito pelos outros.
04 janeiro 2011
Uma sugestão
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Se tiver curiosidade, ele vai agora expor obras inéditas em Lisboa, nas Belas Artes (SNBA) em 13 de Janeiro.
Manuel Amado
Conheci a pintura de Manuel Amado através de uma grande tela algures em Lisboa, e depois numa exposição individual no Palácio Galveias. Esse tempo correspondeu a um período em que eu próprio, através de experimentações que vinha fazendo, descobria que afinal muito da simplificação da pintura se reduzia á interpretação da luz. Manuel Amado e a sua forma de pintar está assim ligado a descobertas que fiz por conta própria que levaram a que a partir dali, até a própria natureza era interpretada de outra forma, como se dispusesse de dois códigos para isso. Entenderá isto melhor quem decidir aventurar-se.
Se tiver curiosidade, ele vai agora expor obras inéditas em Lisboa, nas Belas Artes (SNBA) em 13 de Janeiro.
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02 janeiro 2011
31 dezembro 2010
Exorcizando a crise!
Logo, vamos beber á saúde dos familiares e amigos que temos e nos querem bem, porque sem eles a nossa vida era um deserto, por muito que as ausências se instalem. Eles merecem bem esse brinde mesmo não estando presentes.
A ti que reconheceste a garrafa, um obrigado especial, ela vai melhorar muito o brinde, e o Serra...
30 dezembro 2010
Alegre e a Cidadania.
O apelo que Manuel Alegre sentiu para manter a sua candidatura nas presidenciais de 2006, apesar do candidato lançado posteriormente ter sido Mário Soares, foi porventura um dos actos de Cidadania mais importantes na vida política portuguesa recente, porque partiu da justa reclamação dos direitos de um cidadão exemplar, com os quais veio a colidir depois a determinação oficial do seu partido. Isto é tanto mais importante quanto sabemos que a Democracia só vinga e se mantém como sistema saudável, se os cidadãos exercerem com grande virtude os seus direitos. Manuel Alegre fê-lo com uma convicção muito forte, tão forte que foi o cimento agregador de quem não se queria confinar no espartilho partidário que circunstancialmente não soube ler o sentimento dos cidadãos, que por uma razão igualmente forte quiz sentir a politica nas suas mãos, através daquele acto. A lisura deste processo pode ser comprovada no blog Alargar a Cidadania que dinamizou a campanha e foi um êxito neste novo formato de apoio, do qual a Candidatura extraiu um livro para memória futura.
Esta questão deixou marcas, porque parecia ser a primeira vez que a cidadania era exercida no país, tal era a convicção com que cada um participou. Aquele êxito não passou depois despercebido e até Cavaco não resistiu, e alguns tempos depois a cidadania era uma palavra que lhe saltava em cada discurso. Mas cada um é para o que é, e entretanto calou-se.
Não é de estranhar agora o comentário do Dr. Fernando Nobre sobre Alegre, a Cidadania e os apoios partidários, e porque Fernando Nobre não desconhece o histórico das duas candidaturas de Alegre está a ser injusto, parecendo querer apropriar-se do termo, por muito que se lhe reconheça a sua actuação na outra área da cidadania global solidária. Manuel Alegre não inventou a cidadania, claro, não reclama isso, mas foi entre nós, em termos políticos, quem melhor recuperou para o cidadão a consciência imperiosa do seu exercício. Este mérito, já ninguém o pode tirar, eu testemunho isso.
29 dezembro 2010
Bancos e Sociedades Secretas.
A propósito do vídeo editado neste post, um e-mail perguntava se alguém tinha dúvidas sobre o “papel dos Bancos” e dos Illuminati no controlo mundial. Não deveremos ter dúvidas do papel dos Bancos, como não deveremos ter de que o poder das sociedades secretas se equivalerá sempre entre elas no controlo de umas pelas outras. Não parece que o mundo possa ser tomado de assalto mais ou menos velado, pela influência de alguma Maçonaria, Opus, ou Illuminatis. Elas continuarão com certeza a influenciar mas onde tudo se vai jogar é na "ambição" do homem, porque ninguém vai conseguir dizer ás hordas de descamisados do mundo que o padrão de desenvolvimento da Humanidade tem que mudar e que já não vão ter direito ao mesmo número de automóveis, frigoríficos e televisões que os outros tiveram ao mesmo tempo que assistimos a acumulações bizarras de riquezas individuais, muitas delas conseguidas através do rótulo de serviço público, pagas pela fome de quem os serve. É nessa ambição do homem, a mesma que o fez crescer até aqui, que estará também a sua decadência. E quando o homem transfere as suas ambições para um agente que as ponha em prática de forma mais eficaz, o problema complica-se, porque aí, a ambição deixa de ter o seu rosto e reaparece sem ele no tal papel dos Bancos e dos restantes agentes que como uma bola de neve sem controlo específico, que não seja o da ambição por mais lucro, levarão a Humanidade a novas e graves rupturas. É este monstro sem cabeça, voraz por lucros exponenciais, que o neo-liberalismo colocou em marcha a nível mundial, alimentado pela tão incensada ambição do homem que verdadeiramente preocupa, não são as sociedades secretas. Tomáramos nós que tudo isto fosse obra de uma teoria de conspiração, talvez fosse mais fácil de combater.
27 dezembro 2010
Os pobres ... e os de espírito.
Ajudar os pobres será sempre um acto comedido para que com ele não se fira a dignidade do ser, nem se retirem proveitos indevidos. Ao atingirem os níveis a que Cavaco os está a elevar, apadrinhando até o casamento de um ex-sem-abrigo, com Televisão e muita Comunicação Social, tornam-se falsos, eleiçoeiros, nojentemente pimbas, mas mais grave: indecorosos.
Cavaco não sabe, porque foi dos que nunca cantou com José Barata Moura: andava entretido a preencher a ficha para ficar bem na fotografia da polícia política. Preocupa-me um país que pode promover esta espécie de autismo ao permitir que um arquétipo destes nos represente como nação.
24 dezembro 2010
Memórias de Natal
Era um Natal carregado de humidade com uma névoa engrossada, quase chuva, mas de temperatura amena. Já tudo recolhera a suas casas e os retardatários para a ceia lá de casa tinham chegado. Procurava em vão uma última taberna onde pudesse comprar tabaco. No início da calçada estava parado um cachorrito preto, de pelo liso, meio molhado, que me interpelou sobre qualquer coisa inclinando a cabeça o espevitar das orelhas e um abanar do rabo. Dei-lhe apoio moral com um toque suave na cabeça que agradeceu, trocamos um olhar, e lá ficou como que á espera de alguém que lhe desse outra resposta que não aquela. O nevoeiro era agora chuva muito fina. A última tentativa que tinha para encontrar tabaco era nos cafés do centro do bairro, no jardim público. A rua era comprida e pouco iluminada por candeeiros antigos, iguais àqueles que se furtavam ao João Villaret, no tal filme já mil vezes visto. Das janelas das casas vinha uma claridade que ajudava a marcar alguns espaços iluminados na rua e as pedras borrifadas pela grande humidade reflectiam esses escassos pontos de luz. Já caminhava há algum tempo quando ao atravessar a rua olhei para trás e reparei na silhueta do cachorrito reflectida nas pedras de basalto preto gastas pelo tempo, já quase seixos redondos. Aquele pobre tinha-me seguido até ali durante todo aquele tempo. Aproximei-me dele. Das casas ouvia-se o som abafado do Twelve days of Christmas de Harry Belafonte. Desta vez não me interpelou, baixou a cabeça, julgo que num sinal de submissão. O pelo lustroso e limpo estava a ceder e começava a ficar encharcado. Voltei a fazer-lhe uma festa, agora com a palma da mão e disse-lhe mentalmente que não o podia levar. Parece ter confirmado no gesto aquilo que já sabia, e lá ficou parado.
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No regresso, sem o tabaco que não consegui comprar e já molhado, ia decidido a dar-lhe uma outra consoada, mas a última conversa parece ter sido para ele decisiva. Deve ter continuado a sua busca por um coração mais mole naquela noite.
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Não fosse a solidez das minhas convicções e perguntaria: Quem seria aquele cão que me pôs á prova e ainda hoje passados tantos anos me aparece sempre nas minhas memórias de Natal?
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Se ele voltar algum dia, juro que terá um Natal seco e farto.
Se ele voltar algum dia, juro que terá um Natal seco e farto.
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21 dezembro 2010
Vistas do Banco de Portugal
Os pilares em que me apoiei para tirar estas fotos são do Banco de Portugal. Nas minhas costas, na porta aqui ao lado, entrava até há bem pouco tempo Vítor Constâncio, top ten a nível mundial na remuneração entre governadores dos Bancos centrais.
Que paradoxo. Seremos o único país da Europa, e entre os primeiros no mundo, onde possamos conjugar duas realidades tão escandalosamente contrastantes uma da outra, e elas podem muito bem servir para ilustrar o país que muitos teimam em manter.
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