05 outubro 2011

Jardim não o é, só.

(REEDITADO)

Francisco Louçã pede, falando de Jardim, que “olhem para quem está atrás dele nas fotografias” quando discursa, e nem de propósito, havia por aqui uma colagem feita uns dias antes que estava para edição. Guilherme Silva, é um – ainda ontem o vi vomitar argumentos pró-Jardim numa entrevista em que nos ofendeu a todos quando inverteu todo este cambalacho da mentira madeirense, e entronizou Jardim – Jaime Ramos, o special one, é outro, aquele que está ali aflito em baixo, à direita, mas esse, já há muito que sabemos que nos fará um dia ter saudades de Jardim, como aqui disse. Não é difícil encontrar na história figuras cinzentas como esta que se retiram para segundo plano, para dali melhor actuarem, mas há mais, basta ver o filme. Os cegos já não são só os madeirenses, também por cá há muita gente vesga a sufragar tudo isto.

Alguém escreveu por aí que 36% dos madeirenses está dependente do Governo Regional, assim se explicam então os resultados eleitorais aqui indicados. Caberá então perguntar: teremos que pagar no próximo ano os desvarios que Jardim nos vai continuar a impor, ao estilo de paga e não bufes? Estaremos impossibilitados daqui, de dizer que não? Como nos podemos opor a isso e dizer que não pagamos? Os madeirenses insatisfeitos, podem sempre exigir a independência. E nós? Podemos exigir o quê?

Reedição:

Quando escrevi o post desconhecia esta caixa do Sol: “Guilherme Silva não exclui suceder a Jardim”. Pág. 10, Jornal Sol, 30/09. Fica assim clara a estratégia sistemática de defesa de Jardim e as razões que nos levavam a desconfiar da estranha argumentária deste cavalheiro: estão bem um para o outro. Mas talvez se deva saber mais sobre quem é Guilherme Silva. Vejamos nos links:

Hélder Spínola, um madeirense, diz aqui no DN: “PND faz contas à fortuna que Guilherme Silva ganha.” E reitera tudo aqui acusando de uma forma mais grave ainda.


E quase a propósito da situação anterior, aqui está ele outra vez em: “Advogados e Deputados” nesta extraordinária crónica de Marinho e Pinto, uma homem que os portugueses não podem deixar cair, pela falta que faz gente sem medo como ele.

Falta dizer que este “nobre” Deputado e “excelentíssimo” Advogado é sócio numa das mais importantes firmas de advogados da nossa praça. Como não quero dar-lhe publicidade, pesquise por conta própria. É este o sacrifício enorme e a abnegação com que alguns portugueses trabalham pela Pátria. Têm dúvidas quanto às alterações urgentes que o regime precisa?

04 outubro 2011

"Mundo de regalias oferecidas..."

Antes que me acusem do que quer que seja por trazer aqui este link, quero dizer que sou tanto contra o estilo deste título do Jornal Sol, como sou contra o processo que levou à formação destas regalias. As duas coisas não estão bem, e é preciso saber fazer as leituras. Uma lição os sindicatos devem saber tirar disto: há leituras posteriores que não vão conseguir evitar por aqueles que pagam os impostos. Das duas uma, ou lhes estenderam a passadeira para o espalhanço, ou se deixaram cativar por prebendas não convertíveis no pão que comem todos os dias que são agora contabilizadas como custos.

O Aluno, os Administradores e o Prémio.



28 setembro 2011

Portugal não é a Grécia, é a Madeira.

O título é do do Jornal de Negócios. Mas indo mais longe do que o que diz Pedro Santos Guerreiro, neste excelente texto que recomendo vivamente, acho que Jardim vai novamente ganhar as eleições na Madeira, e se for pelos números de 2007: “(…) eram, 231 606 votantes, destes, só 140 697 resolveram ir votar e 90 377 votaram em Jardim, ou seja, 39% dos madeirenses inscritos são os responsáveis(…)”, e parafraseando, os madeirenses que o escolherem só mostrarão o mesmo relativismo ético de muitos portugueses que elegem pessoas que “roubam-mas-fazem”, e digo eu, à maneira daquele traficante de droga, o Pablo Escobar que se protegia com os pobres que alimentava com migalhas. O total da população da Madeira é hoje 267.938 habitantes, há portanto cerca de 170.000 que não o escolheram e não podem ser considerados em termos eleitorais, eticamente inimputáveis, mas os outros são. Ah, isso são!

Imagem do excelente HenriCartoon.

27 setembro 2011

Merkel: "incluindo a perda de soberania" ?

Estamos ainda estupefactos ao ouvir a Sra. Merkel dizer hoje que é preciso agravar sanções ou mesmo retirar soberania às economias que falharem os critérios de estabilidade! Ora, sabemos como já abdicamos de soberania com a entrada na UE e depois no Euro, mas não sabemos exactamente onde quer chegar agora, de tal modo parece grave o que acaba de dizer. Mas ainda assim, não queremos que seja tão mau o julgamento e admitimos que possa haver um melhor esclarecimento daquelas declarações. Por exemplo: alguma perda de soberania temporária em prol dos organismos europeus, se isso fosse no sentido de reforçar os mecanismos de financiamento para desenvolvimento da solidariedade nas economias do Euro, isto seria como que um deficit de soberania virtuoso. Mas desconfio que não seja nada disto, e se assim for, é preciso quanto antes por as cartas na mesa para que não se passe da ofensa à acção com resultado grave para todos.

24 setembro 2011

Reagir ao Medo.

(Acabo de ver no Parlamento, Couto dos Santos, com uma tal vergonhosa cara de Touriga Nacional, tão alarvemente tinta, que não consigo esquecer os reflexos violáceos daquele riso provocatório e aparentemente avinhado, enquanto escrevo sobre a revolta de hoje, que não tem a ver com ele mas influencia sem que o queira).
 
Mais terrível do que o aumento do custo de vida que todos os dias nos é anunciado, é uma outra coisa bem mais grave que agora começa a aflorar e essa sim, vai gerar um terramoto social de consequências imprevisíveis.

É preciso dizer antes que somos um povo com capacidades de sofrimento que não nos enobrecem. Isto não é fácil de ler nem de escrever, mas é uma verdade histórica que nos persegue. Salazar sabia-o. Por muitas padeiras que a nossa ficção reinvente, a verdade é que aturámos aqui espanhóis durante décadas e os ingleses que nos salvaram dos franceses, submeteram-nos por um período tão vexatório que ainda hoje a nossa história o omite. É nos brandos costumes que temos que procurar essa dificuldade em reagir colectivamente, a mesma que inquina o nosso desenvolvimento.
 
A nova cruzada é agora o aproveitamento da crise para um processo maquiavélico de trituração das pessoas como antes não víamos e se colectivamente não nos opusermos, isso vai ser feito à escala de um grande descalabro. Os novos Liberais, estão a fazê-lo aproveitando o nosso medo, o medo que se instalou, o medo de perder o emprego, a pensão, a casa, a saúde, a educação dos filhos, resumindo, a vida segura como a conhecíamos. O paradoxo é que estes obreiros são curiosamente os representantes dos coveiros que aqui nos trouxeram, ou seja, geraram no seio deste sistema esta crise e dela se servem agora, para fazer o que nunca antes se atreveram, nem nós sonhávamos. Têm-nos reféns pelo medo porque sabem que é esse medo que nos impede de lhes entrar casa dentro por se recusarem a contribuir como nós para este esforço nacional. Ameaçam-nos: "Eles não podem ser incomodados, se não fogem!"

Quando, como hoje, está a ser anunciada a possibilidade de um patrão poder despedir se estiver de mau humor, mentindo com um contrato por objectivos, dando a empregadores sem escrúpulos o poder de criar sobre milhões de trabalhadores e as suas famílias uma instabilidade laboral, cujas consequências desconhecemos, diz bem do drama em que estamos metidos. A seguir, virá a nova lei dos despejos na habitação e por aí fora. Tudo em nome do sacro santo capital, e da subserviência aos mercados sem rosto que a política já não controla.

Quando se experimentam medidas cortando nas contribuições patronais para a Segurança Social, que é parte do fundo das nossas pensões - o suporte psicológico de quem vai deixar de trabalhar - potenciando assim o lucro das empresas julgando que elas vão a correr criar postos de trabalho, das duas uma, ou é intenção deliberada para arruinar o Estado Social que conquistamos, ou é ingenuidade pura. Qualquer uma das opções diz bem do drama em que estamos metidos.

A única coisa que temos que temer é o medo, e eles estão mais uma vez a jogar no nosso medo, mas isso, depende de aceitarmos as condições de humilhação que o neoliberalismo desregulador nos impõe, e que novos movimentos em formação começam a enfrentar. Acredito que essa história de resistência e contestação se fará também por cima dos caducos sectarismos vigentes, mas bem instalados, que nos espartilham entre as bíblias lambidas, embora saibamos que virão depois para a foto final.

(A mim, retirem-me o bom vinho de tostão que bebo com gosto, se algum dia me apresentar naquelas cores)


20 setembro 2011

Chiça prà “pièce de resistence”

Há no dia a dia da fala dos portugueses excesso de estrangeirismos insuportáveis quando temos na Língua Portuguesa termos com a mesma significação, não tanto pela pressão que exercem porque o futuro de uma Língua viva será sempre o produto do que os seus falantes fizerem dela mas, porque estes modismo em doses maciças, lhe reduzem não só a plasticidade fazendo dela uma caixa de ressonância de outras, como revelam muitas vezes falsos sinais de erudição a roçar o pedantismo.

O caso mais recente é o da pièce de resistence que todos os dias ouvimos agora. Gostaria de saber quem foi o importador, não para o causticar, porque esse poderá ter sido o único a fazê-lo bem, mas para conhecer este estranho mecanismo da propagação virulenta de termos estrangeiros, como se tivessem acabado de ser descobertos. Ficam desta questão salvaguardados, os termos técnicos e científicos e os que não têm correspondência, alguns dos quais virão até um dia a ser definitivamente incorporados, mas por dá cá aquela palha aplicar galicismos, anglicismos e outros, sem nenhum propósito que não seja o do exibicionismo puro, deveria fazer-nos pensar enquanto parte dos muitos milhões de falantes da Língua por esse mundo.

17 setembro 2011

A Relatividade e a Madeira.

Quando nos espantam os argumentos que enaltecem a obra de Jardim na Madeira, deveríamos dar como exemplo a Teoria da Relatividade de Einstein porque, observar o desenvolvimento da Madeira através de uma óptica parada no tempo, é desonestidade intelectual ou política, ou estupidez pura. Também por cá no inicio da década de setenta ainda havia gente descalça, não tínhamos automóvel, um bilhete de eléctrico custava 7 tostões, menos de metade do valor daquela moedinha escura de 1 cêntimo que nos atrapalha os bolsos, e a maior parte dos portugueses não conhecia o Algarve. Se queremos aferir da velocidade ou qualidades relativas do outro, temos de fazê-lo também do veículo que nos transporta à nossa velocidade constante, e não parados na estação, se o não fizermos é óbvio que nos parece que o outro vai disparado. A argumentação canhestra e desonesta de alguns, tem escondido isto por táctica eleitoral e tem servido de cobertura a todo este desvario. Ainda ontem José Luis Arnaut o papagueou em comentários na TV e é destes branqueamentos que Jardim tem aproveitado.

16 setembro 2011

Ainda à solta?









Quem o prende? Cavaco Silva não é, foi lá e escondeu-se. Jaime Gama, o tal bacoco do Bokassa, não é. Guilherme Silva, o seu famigerado defensor no continente, também não. Passos Coelho e os anteriores foram o seu apoio. Depois, os madeirenses eram em 2007, 231 606 votantes, destes, só 140 697 resolveram ir votar e 90 377 votaram em Jardim, ou seja, 39% dos madeirenses são co-responsáveis pela eleição do seu bem amado líder e por este descalabro que o povo português conheceu hoje estarrecido, porque vai ser chamado a pagar, depois de ter pago durante anos os deficits orçamentais que obrigavam a por o taxímetro a zero antes de fazer-se o orçamento da nação. Mas p****, não é justo! Não é justo e temos o direito de romper-lhe os tímpanos. Deveríamos até ter o direito de nos furtar ao pagamento daquela dívida na parte que corresponde à desses co-responsáveis idiotas, porque toda a conduta deste carroceiro ao longo de anos foi a da confrontação com o povo português, para quem já fomos o pior na sua boca e a quem eles achavam muita graça no Chão da Lagoa. Para o PSD, ele era só carinhosamente truculento, um dos seus enfant terríble.

Mil cento e treze milhões de euros não é um jardim, é uma densa floresta de desonestidade nas contas. Aquele povo hipotecou com a sua falta de atenção cívica o seu futuro, não só por esta razão, mas ainda porque o modelo que Jardim escolheu para o seu desenvolvimento não é saída em lado nenhum do mundo. Uma armadilha está montada para deflagrar todos os dias nas próximas décadas e também não é justo o ónus de impopularidade que vai recair sobre quem pegar nas contas a seguir. Os responsáveis estão aí. São conhecidos.

Entretanto, Jerónimo não encontra melhor comentário do que criticar quem procura um ajuste de contas com Jardim. O que é isto? Um piscar de olhos ao eleitorado que vai desertar de Jardim, que cairá melhor para o lado de quem tiver com ele alguma compaixão? Ou obnubilação pura e simples que ofusca os alvos? É este sectarismo que nunca fará este PC ser consequente: aproximar-se da área da governação. Por vezes, parece até preferir este modelo. O problema não é Jardim: é “quem procura ajuste de contas”…Voilá!

13 setembro 2011

O fim de uma união.

À atenção da Senhora Merkel, dos alemães, dos europeus, e dos governantes portugueses de espinha mole.

O comissário europeu da Energia, o alemão Oettinger, propôs na sexta-feira num jornal alemão, que as bandeiras dos países endividados fossem colocadas a meia haste nos edifícios da União Europeia. Assim, e sem vergonha. Era de delatores como este que fugíamos na escola. Ofensas pessoais são uma coisa, outra, são ofensas a um povo através dos seus símbolos, e desconhecer isto, é revelador de uma tortuosa estrutura mental. Este crápula ofendeu descaradamente os países envolvidos.

Por cá, já era tempo de conhecermos reacções, para além das de Rui Tavares, mas só silêncio e cobardia, a mesma que usam nos desaforos de Jardim.

O que este alemão propõe à boa maneira nazi é vexar, sujeitar à reprovação pública, marcar com ferrete. Desculpem, mas isto lembra a sinalização às casas onde viviam judeus e é lamentável não estarem a existir consequências.

Ainda que venham reacções ou demissões, o mal que permitiu esta proposta vai permanecer para ter outras erupções, e esta Europa que pareceu um dia possível parece agora cada vez mais inviável, ela não pode construir-se com gente desta, nem nós nos sentimos bem com eles à mesa. É o fim da ilusão, não tanto por via da pressão dos incumprimentos, mas por esta falta de sentido de construir um caminho comum.

12 setembro 2011

Já só chega para 9 meses?

Este título é alarmista e não deveria ser escrito assim, embora a notícia esteja bem estruturada.

Mas se é alarmista na forma, é por outro lado preocupante e com razão por uma destas questões: “(…) porque o actual governo decidiu utilizar os excedentes da segurança social que anteriormente iam para este fundo para pagamento de despesas correntes (…)” e é por sabermos da qualidade de algumas despesas correntes do Estado que torna esta notícia mais alarmante. No Jornal I, d'hoje.

09 setembro 2011

Ali Babá e os 40 comparsas.

Foi este o título com que Louçã quis caricaturar Jardim num recente discurso, mas Jardim não gostou de se ver extrapolado e vai processá-lo por isso. Na verdade, nem ele é o Ali, nem aqueles comparsas são quarenta. Jardim já foi aparentado a Idi Amim, a Bokassa, a ogre de banda desenhada, mas não resistiu desta vez a ser comparado a uma figura de ficção literária. Bokassa, Amim, ogre, ainda vá, agora Ali Babá?

Este episódio recentra Jardim, novamente no pior, porque da primeira coisa que os continentais de boa índole se lembrarão é dos desaforos a altas instituições do país, ditas em formato carroceiro a que o PSD chama hipocritamente de truculento, e ainda, porque revela da sua falta de cultura ao não conhecer aquela figura do conto árabe. Mas há esperança que o juiz o seja, para não achar a comparação uma ofensa. É que a figura daquele conto era um pacato e honesto lenhador, como diz aqui Schehrazad: (...) "possuía gostos modestos e era trabalhador, tornou-se lenhador e dedicou-se a uma vida de trabalho. No entanto, soube viver com economia. Devido às duras lições que a vida lhe dera, conseguiu juntar algum dinheiro, empregando-o prudentemente, primeiro na compra de um burro, depois de dois e em seguida de três" (...) Vol. 5, de As Mil e Uma Noites, de Amigos do Livro Editores

O facto de Ali Babá ter tido a sorte de se ter livrado dos 40 meliantes que o queriam liquidar, conseguindo por outro lado ficar-lhes com o tesouro, nunca fez dele o homem mau a que Jardim julga ter sido comparado. Se esta estória for lida em tribunal, Jardim terá dificuldade em dizer qual é o parágrafo ofensivo da sua honra, a menos que seja pela questão do “mouro”…

Ora, se Louçã comparou Jardim a - erradamente - um homem bom – digo erradamente porque não tenho dele a imagem de um cidadão merecedor do meu enternecimento – como pode o juiz penalizar Louçã por ter sido àquele pacato cidadão persa? Só se for através de algum subentendimento, mas inválido em questões jurídicas. Os 40 ladrões, esses sim, eram homens maus e como sabemos comparsas, mas comparsas uns dos outros, não de Ali! E o que Ali Babá fez, com outras ajudas, foi, em legítima defesa, liquidá-los quando estes o queriam ver morto. O que não sabemos, no deslindar daquela frase/discurso, é qual era a atribuição que Louçã dava à relação entre Ali Babá e os 40 comparsas, mas ficamos mais baralhados quando é Jardim que parece alterar agora essa ligação, supondo-os amigos. É fácil perceber a contradição em que cai Jardim, mas Louçã que é um rapaz inteligente, não tem culpa que Jardim não tenha lido as estórias da Schehrazad, e tenha antes uma consciência tão transparentemente pesada que o faz atolar-se em subentendimentos, (subentender = supor; admitir mentalmente), mas isso é um problema dele.

Por mim, apelo para que o direito à indignação se manifeste, apoiando Louçã perante mais esta manobra de diversão.

07 setembro 2011

206

206

A crise e a solução.

Descobrimos com frequência soluções tão óbvias para alguns problemas, que estranhamos sempre o seu aparecimento tardio. É como na procura da perfeição, da estética, da harmonia, descobrimos sempre que é na simplicidade da solução que a vamos encontrar. Esta por exemplo, como ninguém se tinha ainda lembrado? É tão óbvio não é?

E a crise, não terá por aí uma solução destas enquanto não mudamos de saltos, digo, de paradigma? Ou não há vontade de a encontrar? É que quando há um crime a primeira pista a seguir deve recair sobre quem aproveitou com ele.

06 setembro 2011

O Medo, o Passos e o Portas.

Se alguma crise esta crise arrasta, ela é em mim, esta dificuldade em escrever o que penso sem que sinta a compulsão para apagar o que “digo”, por achar tudo já fora do tom da notícia, ou da evolução que ela toma a cada hora. Parece tudo conectado por uma estranha velocidade nos acontecimentos, não só cá dentro, lá fora também, ou sobretudo. Já não sei. Mas também não sei, se são os efeitos desta era da comunicação que os nossos cérebros não incorporam ainda nos processos que vão ditar a nossa evolução futura. E é isso que preocupa: a nossa dificuldade em acompanhar o ritmo.

Por agora, e antes de perder efeito, aqui vai: Aquela conversa do Passos sobre o “incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal”, poderia ser tomada como o emblema do tipo de um Primeiro-Ministro que não deveríamos ter escolhido para nos governar nesta crise: não era nada disto que precisávamos agora! Mas esse discurso – contraditoriamente, de incentivo à arruaça - merece ser visto à luz deste, do Portas, sobre a “onda de greves sistemáticas”,  porque ficamos sempre sem saber se este foi uma ajuda do parceiro da coligação, ou uma lição a um Primeiro-Ministro principiante e acagaçado! O drama, é estarmos a assistir a estas prestações em directo.

31 agosto 2011

Da crise à humilhação.

 - Não, não concordo, isto é humilhante para as pessoas, sabe? Por exemplo, na Tabacaria lá do bairro, ou no café que tem quiosquezinho ou assim, locais de maior proximidade onde as pessoas compram os passes, vão ter que expor ali a sua vida ao vizinho! Isto não deveria ser possível. Foi mais ou menos este o comentário de uma transeunte entrevistada na TV, perante a obrigatoriedade da amostra do IRS na compra do Passe Social.

O que sabe desta honra aquele Ministro naif, que ameaça a vida das pessoas com o ar despudorado mais cândido e sorridente, até provocatório, que já vi num ministro? Ter que sobreviver, suportando em silêncio privações, mesmo sendo considerado classe média, já é difícil, mas sujeitar esses portugueses ao vexame de abrirem a sua vida privada aos outros, tendo que exibir publicamente os seus ganhos, é que não deveria ser possível. Estão a tornar tudo mais penoso ainda, depois de nos terem dito que não viabilizavam um PEC porque ele era violento para a vida dos portugueses.

29 agosto 2011

Reduzir custos, e... saúde!

Ouvi recentemente na SIC a Dra. Pilar Vicente fazer-nos um diagnóstico simples quanto às recentes medidas de Paulo Macedo, o novo Ministro da Saúde, para reduzir custos na saúde. Esta médica cirurgiã chefia os serviços de consulta externa do Hospital de S. José e é, pela qualidade e entrega com que exerce, um exemplo de honestidade profissional.

A Dra. Pilar avisa que estas medidas vão atingir gravosamente os doentes, quando cortarem nas horas extras que os profissionais são obrigados a prestar, exactamente por falta deles, assim como no corte dos meios complementares de diagnóstico convencionados. Sugere que se veja antes quanto gasta o serviço público nas disfunções provocadas por tanta chefia intermédia e improdutiva nos serviços hospitalares, dizendo que no seu hospital seriam poupadas algumas centenas de milhares de euros. Disse, que no anterior modelo, os directores clínicos reuniam directamente com a administração do hospital e faziam com isso uma gestão sem intermediação. Hoje, está criada uma barreira sucessiva de administradores que são uma inutilidade cara e ineficiente e representam elas sim uma enorme gordura no orçamento da saúde. Ao mesmo tempo, foram entregues serviços a empresas externas que representaria uma enorme redução de custos se fossem desempenhados pelos quadros dos hospitais, porque no fundo, acabam por ser eles a fazer com que os serviços funcionem.

Temos por enquanto duas evidências: a formação do Ministro Paulo Macedo não é medicina, e o que a Dra. Pilar diz é a análise de alguém com um profundo conhecimento do que se passa num hospital. Tirem disto, conclusões.

19 agosto 2011

A divisão do Parque das Nações.

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Salvaguardando os justos interesses das populações locais, ponderados sempre pelos do interesse geral, o que importa aos portugueses nas questões da administração local do espaço público é que ele seja gerido convenientemente e não paralisado por disputas que tenham a ver com a perda de influência de alguns actores, normalmente por receio de perda de receita autárquica.

Vem isto a propósito do novo mapa da reforma administrativa do Concelho de Lisboa, em que o Parque das Nações é um caso emblemático dos jogos de interesses. Na proposta PS/PSD que diminui de 53 para 24 o número de freguesias, lá está a manutenção do Parque das Nações dividido novamente entre as autarquias de Lisboa e Loures! Vejam-se aqui os limites a vermelho.


Assim como sou pela implosão dos condomínios fechados pela segregação urbanística que arrastam com sua concepção, também sou contra a acusação miserabilista de novo-riquismo que se faz a quem tenha uma visão de conjunto e organização para aquele Parque, que antes era este caixote de lixo a céu aberto e que pela forma como foi concebido merece ser administrativamente uma parcela indivisa no território e não uma manta de retalhos. Este problema amplifica-se agora com a decisão deste governo de encerrar a Parque Expo, e é mais uma razão contra o seu retalhamento administrativo.

12 agosto 2011

Que Revolução (Texto II)

Todos sabemos que existe por detrás dos distúrbios no Reino Unido uma causa próxima que teve como detonador um falso problema. É sempre assim, é coisa já vista noutras perturbações, isto não é um fenómeno difícil de tipificar. A Esquerda tem sobre estes acontecimentos um discurso mais ou menos unânime, e até mesmo em alguma Direita encontramos franjas com uma abordagem próxima, embora saibamos que é uma área onde os seus egoísmos não deixam ter um discurso que Cristo aprove. Dizer que esta questão da marginalização, a que politicas erradas votam comunidades inteiras a transformarem-se em ghettos perigosos prontos a rebentar de raiva, é uma coisa, outra, é apresentarmos à cabeça antes de discutir os distúrbios, esse argumento para os justificar porque, aqueles jovens que roubaram outro a quem foi partido o maxilar numa agressão, simulando ajudá-lo para depois o abandonarem à sua sorte, ou os outros que acabaram por matar um pacato cidadão que defendia os seus haveres, estão naquela mesma “festa da pilhagem” em que estava aquele professor primário, agora saqueador, e ainda a filha de um milionário que foi apanhada a roubar gadgets, ou seja, o produto dos saques não era propriamente uma fúria por sacos de arroz ou de farinha.

Estes jovens estão revoltados com a sua situação, e a sua situação é uma questão política. Tragam então esta luta para o campo da cidadania, que pode ser também a rua sim! Mas para podermos aderir e ajudar a transformar o seu vandalismo execrável porque vazio, numa causa nobre e justa em que nos possamos rever e acreditar. Talvez seja tempo de toda a Esquerda rever um pouco o seu discurso para não correr o risco de baralhar tanta cabeça tonta. É que os riscos são desta forma imensos, e uma das piores derivas é a perda de objectivos. Esta, não é ainda a Revolução e se vamos precisar de ajuda, esta não é certamente.

Reedição:

Se houve alguma utilidade imediata nos distúrbios no Reino Unido, foi para já o enorme debate que estão a gerar. Aqui por exemplo: no Politeia, A Nossa Candeia, Arrastão, Ladrões de Bicicletas e em muitos que contiuamos a ler. Se isto é consequente ainda não sabemos. Sabemos para já que eles acirraram nas sociedades mais conservadoras, mais desconfianças, o que não é bom. Mas também sabemos, devido à importância daquele país, que foi uma das maiores montras que se abriu para visibilidade deste problema em sociedades como a nossa. Nesse sentido e talvez paradoxalmente ao que escrevi em cima…cumpriram parcialmente a função, e assim sendo é coisa estranha, por haver no dito alguma contradição.

09 agosto 2011

Que Revolução? (Texto I)

Recebido por email, de autor identificado, cujo nome reservo para que a avaliação seja feita pelo seu conteúdo e não pela autoria. Apenas o título do post é meu. A publicação, não significa a concordância ou não com o que foi escrito, é apenas um contributo entre outros prováveis:

"Os latinos são tidos como gente violenta.

E na verdade há também violência no Sul, e nos latinos em particular, até porque o que vemos acontecer em Londres acontece em “bairros multiculturais”, isto é, em bairros que de multiculturais pouco têm, pois a predominância é de cidadãos e cidadãs de origens múltiplas, com latinos também, claro, mas com muito poucos do Reino Unido, e que são tomados como tal, multiculturais, pelos britânicos, por neles viverem – demasiado predominantemente, estrangeiros.

No entanto, a violência que explodiu em Londres, em consequência desta Global Crise, como vimos também na televisão, envolveu ainda os “típicos britânicos” também.

Os pobres claro, não os britânicos ricos, ou classe média.

O que também é característico de sociedades onde a explosão social acontece quando a governação, mesmo que democrática, ou precisamente porque democrática, se desinteressa dos Mais Carenciados, pensando neles somente numa lógica Caritativista e não de Redistribuição dos Rendimentos e Insercionista.

Eis a temida violência a chegar.

(Recordam-se que a violência, na II Globalização veio da Grã Bretanha, da Alemanha e da França…?)

Porque ela, a violência, se espalhará, claro, por todos os países em crise, como se vê já na Grécia e em Espanha.

Uns dirão – eis a Luta de Classes a chegar ao rubro!

Eu direi recordando Marx, eis a Revolta a aquecer, mas sem que da Revolta nasça uma consciente Luta de Classes…

Porque o que vemos acontecer são movimentos ainda demasiado inorgânicos para que sejam realmente a Luta de Classes a explodir.

Na verdade, nada vejo a acontecer de sério nos países pobres…

No entanto, na verdade, a Revolta está aí, até num “País Avançado”, “Rico”.

Eis o resultado de uma Crise económica e social gerida em lógica neo liberal, a sério e não propagandística!

Mas esta violência, feita de ataques a lojas e de pegar fogo a edifícios podres de mal tratados, resolve?

Alguns dir-me-ão – mas não vês também o confronto com a Polícia?

Bem, e eu respondo, então os pequenos lojistas, e os detentores de edifícios abandonados e até a Policia, são – o inimigo de classe?

Ridículo não acham?

Um prédio a menos, uma televisão a mais numa casa de um pobre, resolverá – o quê?

O direito à Revolta é Justo, e basta recordar o INDIGNAI-VOS de Stéphane Hessel, o tal Manifesto, que aconselho veementemente a que seja lido, e que vendeu em 4 meses mais de um milhão e trezentos mil exemplares, para termos a certeza da Justeza desta Revolta.

Como também da sua Ineficácia, a continuar assim.

Porque esta Revolta não toca na essência do Poder e porque esta Revolta alimenta somente as Fúrias Conservadoras, e os Medos, em partes essenciais das Comunidades, tal qual sucedeu no pós 1929, de onde nasceram os nazismos e os fascismos que impuseram a II Guerra Mundial!

Há que travar esta Revolta?

Pergunta estúpida pois estas Revoltas não se travam, elas acontecem e têm de ser entendidas.

Eu não estou sequer em Londres para entender o cerne do fenómeno social e, sinceramente, esta comunicação social que temos em nada ajuda a entender o mesmo.

O que sei é que esta Revolta descerá também até Portugal, talvez com menos impacto, talvez com menos influencia nas Pessoas, em numero, mas descerá!

É o mais que simples efeito de imitação – se eles fazem….

Alguma Esquerda dirá – que venha esse tal efeito imitação.

Eu direi, ou prevenimos o mesmo, dando-lhe uma função social e política, ou o mesmo de nada servirá.

E essa função social e política significa pôr o dedo onde doerá mais.

Quem é então o Inimigo Principal, nos dias de hoje?

Os que se aproveitam desta IV Globalização para enriquecerem mais ainda, para desestruturarem o adquirido social de protecção dos Mais Carenciados e de Solidariedade no seio da Comunidade, enfim, os que já escreveram que éramos PIGS, que as Agencias de Notação são a verdade de hoje, que os Estados têm de desaparecer das áreas económica e social, que a participação se resume ao voto periódico e que a Informação e o saber é só para alguns!

Como atacar esse Inimigo Principal?

Lá onde lhe dói mais, como diria alguém que tem ainda e sempre o meu respeito.

Nas Nações Unidas, no Parlamento Europeu, em todas as Instâncias Internacionais de Poder.

Exigindo Democracia Local e Global, Participação Local e Global, Regulamentação Local e Global.

Lutando nas Ruas e Praças claro, porque a Praça é do Povo como os Céus são do Condor, como dizia o Poeta brasileiro, mas de olhos onde está o Poder e não de olhos onde está a barriga, as televisões, os edifícios abandonados.

Porque se pusermos os olhos aí, dividir-nos-emos.

A violência de Londres é somente um alerta – há cada vez mais quem esteja mais zangado!

Mas não é a via.

A violência de Londres chegará claro a Lisboa, se a via assumida até agora, a dos cortes orçamentais cegos, continuar, mesmo que em muitos casos os cortes sejam mais que justificados.

Mas o aumento dos Transportes, o esvaziar do programa das Novas Oportunidades, não se explicam com um - porque sim!

Até porque se viu já que no ultimo trimestre o Desemprego, com a governação socialista, já estava a baixar, pouco mas a baixar.

Como se viu também que a cedência aos capatazes Agencias de Notação continua, e está instalada até em Washington, em Obama!

Que nos viu até como exemplo a citar, imaginem, sendo certo que não é por acaso – já fomos, nós CPLP, Império, e fomos o 1º Império na 1ª Globalização!

E acentuo, se os Estados baqueiam na sua função protectora dos e das Cidadãs que deveriam proteger, estes terão o direito à Autoprotecção!

Ora os Estados estão a fraquejar, as elites estão a vergar, pelo que há que procurar alternativas em nós Cidadãos.

Mas de forma consciente e não ficando na ridícula Revolta do televisor que levamos da loja para casa sem pagar!

Ou na estrita manifestação de rua contra um Governo que não manda no cerne do problema, pois estamos já na IV Globalização e não na Revolução Industrial!

E não resisto em terminar este texto com uma citação do já referido Manifesto Indignai-vos de Stéphane Hessel, do final deste mesmo Manifesto, “…nós os veteranos dos movimentos de Resistência e das forças combatentes da França Livre (1940-45), que não há duvida que “o nazismo foi vencido, graças ao sacrifício dos nossos irmãos e irmãs da Resistência e das Nações Unidas contra a barbárie fascista. Mas esta ameaça não desapareceu completamente e a nossa fúria contra a injustiça mantém-se intacta…E é por isso que continuamos a apelar a “uma verdadeira insurreição pacifica contra os meios de comunicação de massas que só apresentam como horizonte à nossa juventude uma sociedade de consumo, o desprezo pelos mais fracos e pela cultura, a amnésia generalizada e a competição renhida de todos contra todos””.

04 agosto 2011

Vamos evitar esta tragédia?

Acabo de ouvir no programa Antena Aberta, da Antena 1, (clique no programa do dia 4 de Agosto) uma confissão preocupante. Este programa, que tem como convidado o Padre Lino Maia, da CNIS, está a tratar hoje dos reflexos da crise na sobrevivência de alguns portugueses. Por entre vários testemunhos, um, destacou-se pela ameaça que fez em directo: um ouvinte que diz ter 62 anos, e está com uma depressão e sem dinheiro para se tratar, tem uma esposa de 50 anos e um filho de 20 a estudar. A esposa que se debate com um cancro, teve que pagar 70 euros aos Bombeiros pelo transporte para os tratamentos. Com um orçamento familiar de 412 euros, o homem pergunta como é possível encarar a vida. Diz-se uma pessoa de honra e de palavra. Diz que já fez emails para várias instituições sem resposta. Avisa-nos que se não obtiver resposta no prazo de uma semana, irá com um garrafão de cinco litros de gasolina para a porta do Ministério da Solidariedade Social e se imolará pelo fogo… Assim, em directo. O locutor não lhe permitiu continuar mas disse-lhe que o assunto com certeza ser resolvido. Temo que no programa não se tenha a sensibilidade de atribuir a esta confissão a credibilidade que nos deve merecer um aviso destes. Bem sei que estes problemas não se resolvem com caridadezinha, mas há situações de limite a que é obrigatório estender a mão. Eu começo por aqui, e pelo links deste post, pelo  Facebook, e pelo eco junto dos meus contactos, quem sabe possamos chegar a tempo de evitar uma tragédia que avaliando pelo tom me pareceu de levar em conta.

26 julho 2011

O norueguês (Den norske)

Passado o choque inicial, é tempo de analisar a brutalidade do atentado à bomba e o massacre na ilha norueguesa, não tanto no seu efeito imediato, mas no horror da arquitectura dos projectos que estão na cabeça daquele jovem. Projecta no seu livro a matança de 400 mil europeus, dos quais 10 mil e tal em Portugal, não por usarmos bigode, mas por sermos responsáveis pelo multiculturalismo e pela progressão do islamismo na Europa, etc. etc.

Estava, antes de ler mais este desenvolvimento da notícia, a pensar como o mundo não está nunca a salvo de tresloucados como este, que nos podem lançar nas trevas da guerra, porque, as ideias deste jovem, tem na grande parte dos países mais poderosos do mundo, representantes eleitos pela democracia de onde aproveitam as suas fragilidades para ir conseguindo os votos que vão sedimentando ideias malucas na cabeça tola de tantos milhões de parvos que por aí andam. E não se pense que cativam indigentes de rua, não, é mesmo gente de boas práticas sociais, comem com garfo, usam lindíssimos óculos escuros, são rigorosos na educação, enfim, gente do “melhor”. Para ele, em Portugal só se safariam os do CDS/PP. Aquela gente, predisposta a atender as prédicas dos mentores que as orienta politica e religiosamente, é um perigo, como o foi na Alemanha, naquele período a que podemos chamar de pré-nazismo, mas que apesar de tudo não foi tido em conta e leva os alemães a dizer que não sabiam nada do que se passava. Dir-me-ão que agora a Democracia é suficiente para estancar projectos destes, pois, mas os Le Pen’s, os Bossi’s etc., já estão praticamente a fazer parte de governos eleitos, ou seja, eles estão dentro da Democracia tecendo a estrutura, e o resultado está à vista na cabeça deste Breivik, cujo único erro talvez tenha sido ter perdido a paciência, e ter provavelmente estragado os planos a outros que estão pacientemente à espera do momento. E se acham que isto são horrores que só acontecem aos outros, lembro os anteriores incidentes com portugueses na Irlanda, as mais recentes manifestações dos finlandeses e a nossa inclusão numa lista simpática de PIIGES e agora, o nosso lugar na lista deste mafarrico. Receio que se eles vierem por aí a baixo, nem os do CDS/PP se safem, porque nem todos são louros como a Teresa Caeiro. Já vi negros de carapinha loura, mas claro, neles não dá... mas em mim, talvez passe! Desde que não fique à Roberto Leal...


Reedição:

24 horas depois da edição deste texto, lê-se em rodapé no telejornal na SIC-N que: Eurodeputado italiano admite simpatizar com as ideias de Breivik. É Mário Borghezio, precisamente da Liga de Bossi. Confirma-se: é um erro vermos esta tragédia como um mero incidente.

23 julho 2011

Um homem de utopias

Escrever, como qualquer outra actividade mais ou menos criativa, não é coisa a que possamos dedicar-nos forçando a vontade de o fazer. Por isso, resisto sempre que posso a fazê-lo como uma tarefa imposta. O intervalo, depois de tanto o que por aí se passou com motivos de sobra para opinar, é agora quebrado apenas pela simples vontade de vos falar de um amigo: Alípio de Freitas. Ou por outra, não sou eu que o vou fazer, é ele próprio através da entrevista que deu ao João Almeida no programa Quinta Essência, da Antena 2. Tenho a honra de o considerar um amigo mais ou menos recente porque o Alípio é assim: pessoa que tem o mérito de fazer amizades. Soube coisas novas nesta entrevista, não porque o Alípio se nos furte a falar da sua vida, mas porque no seu perfil não cabe essa necessidade constante de mostrar a folha de serviço. A retoma da escrita foi assim por agora por causa de “uma vida que dava um livro”: a do Alípio.

Faria mais sentido escrever sobre a bomba e o massacre numa ilha da Noruega? Talvez, mas perante a perplexidade desta realidade, prefiro as utopias consolidadas do Alípio.


Parte 2

30 junho 2011

Combater com... a alma!

Um repórter interrogando uma jovem que combatia na trincheira de uma praça de Atenas:
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- What are you doing?
- We are fighting. This is a war, a war of people. We are people, they are people.
- But, they have guns!
- Yes!
- And you have no guns!
- Our guns are our souls…


Há nesta resposta a indicação de um mundo que afinal (r)existe. O Maio de 68 continua por aí com o melhor do que foram os seus princípios. Por muito que custe a alguns é preciso continuar a acreditar nos jovens.

25 junho 2011

202

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202

Os Nacionais Oportunismos - II

Fui à fruta à horta “nacional” do Belmiro. Numa das bancas centrais contei quinze variedades de fruta, apenas três eram nacionais e destas três, os figos estavam lado a lado com figos iguais espanhóis, (in)justa concorrência. Algumas placas de preços informam a origem, outras, dificultam-nos a vida e mandam-nos “Ver rótulo”, foi o caso destes pêssegos: espanhóis de origem com o código nacional 560. Se formos na conversa de comprar nacional pelo código de barras, não estaremos por vezes a ser meio enganados? Digo meio, porque admito que estes melocotones espanhóis tenham adquirido a nacionalidade e virado pêssegos portugueses através de alguma manipulação de embalamento, ou coisa assim. Cuidado com o Código 560…

23 junho 2011

Portugueses: Alegrai-vos! Há afinal uma crise.

Mas cuidado!



Foi este neo-liberalismo que incentivou os egoísmos fomentadores da exploração do ser humano, e verificando-se agora a falência dessa política, teima em não reconhecer que falhou também como alternativa de um sistema politico-económico para a humanidade. Caiu um muro, mas levantaram-se muitos outros, incentivados pela ganância da exploração do El dorado. Poderiam ao menos as religiões servir para alguma coisa, mas nem para isso, ou são o ponto de partida para o desentendimento entre os homens e guerras intestinas, ou vivem acocoradas à sombra dos poderes que legitimam, pela não denúncia.

O homem poderia tentar resolver este conflito, originado pelo D.Camillo ou Peppone que existe em cada um de nós, antes da barbárie não tomar definitivamente conta do mundo, mas é já tarde, porque ninguém conseguirá falar sobre o egoísmo humano a um subnutrido. As hordas de famintos só não o fizeram já porque está a começar pelos mais desvalidos e indefesos, mas chegará um dia aos que conseguirão por o mundo num reboliço. Cuidem-se! Não haverá condomínio fechado seguro.

19 junho 2011

O Mito da "Renda Congelada"


Clique para continuar a ler este bom texto de Nuno Serra, no Ladrões de Bicicletas, sobre o falso problemas do "gelo das rendas". Ele que me desculpe o quantidade de link, mas  a causa justifica.

Os Nacionais Oportunismos.

Estou farto de patriotas que levam o tempo a lamentar-se do país que afinal esmifram, e se arvoram em comendadores esforçados, sempre de ajuda desinteressada.
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A operação publicitária da horta na Avenida da Liberdade, teve qualquer coisa de oportunista que não gostei. Ao Belmiro, já não comprava o jornal, agora, vou deixar de comprar as batatas. Cheguei a sair dos seus hipers sem cebolas por não as terem portuguesas e vêm agora com esta operação de maquilhagem falar do apoio à produção nacional. Ele distribuiu aquelas verduras aos pobrezinhos e ao mesmo tempo os produtores de leite foram impedidos de distribuir leite com a marca Continente cujo objectivo era mostrar que o leite Continente não era leite nacional. Não o conseguiram porque a polícia impediu, mas havia aqui em casa o yogurte de que junto a imagem que prova que os seus produtos lácteos são maioritariamente de outras origens que não Portugal, como se vê pelo símbolo ES, apesar do código de barras ser 560 (Portugal)

Nem Belmiro, nem Soares dos Santos a partir de agora. A dúvida é saber o que haverá no bairro que tenha resistido à hegemonia que o faz cantar de poleiro como se fosse um salvador de pátrias. Se o abraço da foto com os dentes em ops! não representa o seu contentamento por poder vir a despedir em breve sem justa causa, representa certamente o ressabiamento de quem não perdoou OPA’s mal sucedidas! Para que precisamos nós de troikas daquelas se temos patrioikas destes? Governe-se com as elites que abraça, porque vou passar a comprar no bairro e a contribuir para recuperar os empregos que destrói com a sua hegemonia, ainda que isso me acarrete um custo e que o merceeiro da zona seja afinal tão reaccionário como ele.

O nosso sangue pró lixo.

Quando não apetece escrever, uma solução é remeter para o que outros disseram bem:


09 junho 2011

Cavaco "quer"?



A predisposição dos portugueses para aceitar paternalismos que em situações de crise abrem portas a autoritarismos perigosos, pode ser expressa na forma como esta notícia é dada. Entre o que disse Cavaco em Castelo Branco e o que lemos e ouvimos por aí, vai uma diferença assinalável. Pela forma como a notícia foi dada apetece-nos dizer que Cavaco pode querer em casa dele, não em nossa casa, e isso seria injusto para Cavaco, porque não foi esse o sentido do seu discurso. Houve por isso, na origem, algum(a) zeloso(a) que decidiu que seria assim que a notícia deveria ser difunda. Algum(a) admirador(a) mais cavaquista que Cavaco, que não deveria pôr-se a alterar o sentido dos discursos do Presidente da República e a provocar em nós estas reacções.

06 junho 2011

O 5 de Junho de 2011

Relevos: Pergunta a jornalista a Sócrates (de memória): “Com esta derrota receia o aparecimento de novos processos judiciais?” A estupefacção só não terá mais relevo porque vai funcionar a protecção da corporação a esta jornalista. Mas foi sintomática a protecção imediata de Pires de Lima do CDS, dizendo que a encenação não permitia que os jornalistas colocassem as perguntas. O mote está dado para o período que aí vem. Patético: Fernando Nobre. Verdadeiramente patético: Fernando Nobre. Ausências: O Dr. Soares? Presenças: Manuel Alegre. Mau agoiro: O protagonismo de António José Seguro. O Futuro: A Esquerda vai continuar a comer-se a si própria, esquecendo que o ódio é o pior caldo de qualquer cultura. Conclusões: Não foi com o meu que a Direita venceu, mas contem comigo para a luta, embora seja tarde para mudarem agora de alvo, mas é sempre tempo. É assim que entendo a Esquerda, sem ódio nem sectarismo.

05 junho 2011

Cavaco "apela" e Passos "espera"...

O que quer isto dizer? Isto é conversa inócua à boca das urnas? Cavaco faz “forte apelo” para que todos cumpram “dever” e Passos diz que “Espero que o apelo do Presidente seja ouvido”, no entanto, é Garcia Pereira que vai ter problemas com a CNE por violação das regras. Tem razão camarada, depois do comportamento da Comunicação Social consigo e de outros que gostaríamos de ter ouvido, esta Democracia é mesmo de fachada, porque não pode haver mais sonsice do que o apelo de Cavaco e o aproveitamento do Passos. Estamos no limite do absurdo? Talvez, mas este “negócio” movimenta  dinheiro, não são amendoins e se as mensagens subliminares existem e são perigosas porque pervertem e se furtam às regras da comunicação formal, há que tirar disso as consequências. Das duas, uma: ou se pode fazer campanha ou não se pode andar enganar o pagode. É que nem sempre que Cavaco abre a boca é para papar bolo-rei. Se for em dia de eleições o desejo implícito nos seus convites só podem querer dizer uma coisa: read in my eyes, not on my lips, e não vejo nisto menos delito no que o que disse Garcia Pereira. Se é conversa da treta, dispensamos. Ou falam todos ou não fala ninguém!

03 junho 2011

Como Portas decidiu o meu voto.

Estava decidido não fazer aqui definições de estados d’alma nestas eleições, mas à semelhança de muitos, gostaria que estivessem a acontecer outras coisas entre nós, como não ser impunemente que se vê efmizar o país sem querer reflectir essa angústia nos políticos de serviço.

Sabem como busco as utopias que possam fazer-nos mudar de paradigma, e como procuro caminhos que sejam compatíveis entre essa busca, e a gestão organizada do regime que vivemos de forma a que não nos faltem horizontes de segurança. Esta Democracia já não nos representa, o que nós queremos mesmo, é participar nela. Esta, é aliás uma luta antiga que já me fez derivar por toda a Esquerda.

Mas chegamos ao momento da decisão e acabo de ouvir Portas dizer que há dezasseis deputados em disputa entre o CDS e o PS. Se ainda tinha as dúvidas motivadas pela recusa da Esquerda em levar aos abutres do FMI o meu protesto, elas acabaram aqui: Manuel Alegre não pode ser trocado por uma indecisão minha. Entre Portas e Alegre, não tenho a mais pequena dúvida. O meu voto não pode servir os intuitos da política que Portas representa. Há quem não o entenda, mas isso não entendo eu. O meu medo mesmo é da Direita. Tenham paciência.

01 junho 2011

A Renegociação da Dívida...

“Portugal terá eventualmente que renegociar a dívida.” Nogueira Leite junta-se assim ao BE e ao PCP, mas por razões distintas. Não é que eu não ache que não deva renegociar, mas só um cego não entende a estratégia. São duas numa: mais uma bicada no PS e a preparação do terreno para o seu falhanço na governação, se forem governo. Se tiverem que renegociar no futuro, a razão nunca será desta forma deles, ficam assim de mãos limpas para asneira de três em pipa. Donde: se quisermos renegociar a dívida… Hum!

Post Scriptum: Estava a tomar este Nogueira por panhonha, mas a jogada é de mestre, são afinal três em um, é que é também um apelo velado aos apoiantes da renegociação da dívida… Isto é o vale tudo, com escafandro!