16 março 2012

Recolha de Livros para Timor

A campanha começou no dia 1 de Março de 2012 e terminará no dia 15 de Abril. Os livros poderão ser entregues em qualquer estação dos CTT (continente), quase todo o tipo de livros (Gramáticas; Dicionários; Enciclopédias; Atlas; livros técnicos, romances de língua portuguesa etc..), em relação aos manuais escolares, só os de português e matemática. Vamos lá apoiar a excelente ideia desta ONG. É fácil: basta selecionar os livros e levá-los aos CTT, eles embalam e entregam.

11 março 2012

Camões e Abril

Há comemorações que nunca serão verdadeiramente sentidas na rua, por muito que um qualquer regime o decida por decreto. Festejar Camões com alegria e paixão, seja de bandeirinha ou copo de cerveja na mão, é coisa que nunca vimos e julgo que nunca veremos, porque o povo tem para alguns acontecimentos, memória, e como diria José Gil: Camões nunca se “inscreveu”, por muito respeito que tenhamos por um “dos maiores” da língua portuguesa – Pessoa tinha sobre esta classificação uma opinião muito interessante. Já o 25 de Abril não precisou de decreto, porque foi o povo que nas noites seguintes a 1974 saiu para a rua, e sem bandeirinhas nem copo na mão, passou a festejá-lo alegremente em improvisados passeios e encontros nas praças do país. É certo que o tempo é um grande regulador, e essa festa passou a sê-lo de uma forma mais tranquila, mas ainda, a maneira de vir à praça homenagear todos o que fizeram Abril, assim “inscrito”.

Não fosse a persistência de alguns, no exemplo seguinte, algumas, e esta festa popular de Abril em Lisboa – aqui foi 2011 - estaria há muito limitada a uma ou duas Freguesias que não a deixam morrer. Foi a persistência das herdeiras do espírito de Maria de Lurdes Pintasilgo, através da Associação Abril, que permitiu que todos os anos se celebre no Largo do Carmo o arraial que comemora aquela noite e aquele dia. A Câmara de Lisboa tem sido generosa, mas se não fosse a persistência e o empenho pessoal das dirigentes desta Associação, que forçam a isso, muitos sairiam à rua sem ter uma praça, onde de copo na mão pudessem cantar a Grândola. Cabe dizer que nem de outra maneira poderia ser, porque oficializar a organização seria contaminar a festa.

O Jardim de S. Pedro de Alcântara pode ser outra vez, este ano, a Praça da Canção, se houver o bom senso de não a dificultar, porque é preciso não deixar morrer uma das mais transversais festas políticas da nossa democracia. O programa será publicado aqui neste link.

09 março 2012

Que tal um Impeachment?

(REEDITADO)

Não estou a defender Sócrates, estou a manifestar a minha indignação por mais este flic-flac de Cavaco, no momento em que a sua imagem está em lixo e em que começa o julgamento Freeport.

Há por aí uma ou duas fotos de Cavaco com Sócrates, que são bem reveladoras do ódio subterrâneo que guarda na alma. Mas estas que tirei no debate com Manuel Alegre, revelam também do homem que está por detrás daquela máscara.

Cavaco não acerta uma e continua a manifestar os mais tristes sinais de ressabiamento e mesquinhez próprio dos fracos, dos que não se conseguindo impor por falta de elevação, têm necessidade constante de focar as luzes em si, numa caricatura que representa o estertor de um dos homens mais culpados pelo estado a que chegou o país, por ser afinal “também” um político e o que mais tempo de exercício tem no curricullum. Cavaco é um homem enleado nas teias que ele próprio criou, não havendo memória de um presidente com tanta nódoa na folha de serviço. Num país enxuto, nem poderia ter chegado a ser nomeado presidente, depois dos cambalachos detectados no BPN, em cuja ligação colheu duvidosas mais-valias ainda hoje mal explicadas, mas foi, embora com uma das mais baixas votações desde o 25 de Abril. Não fosse a ajuda por duas vezes, de um outro ego igualmente anormal: e ele não seria hoje presidente.

Reedição: Uma vez que este ataque é uma posição inusitada num Presidente da República ainda em exercício a um ex-Primeiro Ministro, logo a um partido político, não posso passar sem deixar aqui esta declaração de Cavaco/PR, em tempos, à TSF:

“(…) Há uma coisa que um PR nunca pode fazer, que é a de comentar em público a vida dos partidos políticos. Nunca o fiz, não faço, nem façarei (…)”  Nem fa-ça-rei! É-pá!!! Ouça no link.

07 março 2012

A "mania dos salários dos ricos"

Acabo de ver passar em rodapé numa TV, uma frase sem identificação do autor. “É preciso acabar em Portugal com a “mania dos salários dos ricos”. Alguém que a tenha ouvido nos pode esclarecer quem a disse? É que já tivemos um PM que nos dizia quando falávamos disto, que era inveja social. Quem será que veio agora dizer que é “mania” a nossa preocupação com as catroguices de quem escandalosamente se acha tranquilo “no seu valor de mercado”, quando a pobreza assola este país, e grassa a incerteza sobre o futuro dos jovens que deveriam estar a entrar no tal mercado em que estas bestas se alapam? Não é justo pensar-se que perante as evidências da falência de um sistema desenvolvido para perpectuar uma casta, que em alguma parte do nosso percurso nos deixámos enganar? O mundo está em recessão sim, mas principalmente porque as suas energias são há muito sugadas pelo egoísmo, que para não parecer tão mal lhe chamam ambição, quando comungam. Sendo ambição já é uma coisa boa… não é? Quem é que não deve ser ambicioso?

05 março 2012

Da importância do contexto na comunicação

(Reeditado)

Como se pode verificar, não fiz aqui a migração para a nova ortografia estabelecida pelo Acordo Ortográfico (AO) de 1990, nem decidi ainda o momento. Tanto quanto sei, decorre até 2015 um período de transição para que tenhamos tempo de nos adaptarmos, sendo até lá válidas as duas grafias. Tive na questão do AO alguma renitência inicial, resolvida depois de ponderação, ajudado pelo exemplo do que foi também a polémica da última revisão no tempo do Pessoa, hoje pacífica. Convenhamos que não tenho nesta matéria formação bastante para argumentar com o suporte com que vejo alguns fazê-lo, mas também o que mais vejo são exemplos dados por quem se nota que nem o leu, e se resulta como intoxicação, também diz da má-fé de muitos. Resolvi, assim, colocar a uma amiga da área das Letras a seguinte questão:

“Acabo de ouvir o Manuel Alegre e o Bagão Félix, na RTP, falarem sobre o Acordo Ortográfico, e porque tocaram num ponto que é uma dúvida que tenho desde o início: ou seja, o da evolução futura da língua, uma vez que é falada por tantos milhões de diferentes culturas, e tendo este AO sido agora feito com base na predominância da língua falada no Brasil onde a dominante evolutiva é de base oral, - forma evolutiva esta, ditada pela abrupta expansão do português motivado pela chegada do nosso Rei D. João, ao Brasil, que daqui partiu apressadamente não levando consigo manuais que tivessem permitido que essa evolução se fizesse na base correcta. E pergunto: Como se dará no futuro essa evolução? No final, e em tom depreciativo, o Bagão brincou depois com uma frase cacofónica: "Não me pelo pelo pelo de quem não para para reflectir." Ou seja: "Não me pélo pelo pêlo de quem não pára para reflectir." Como se desmonta isto?"

E aqui fica a resposta que eu teria dificuldade em dar com esta clareza:

"Quanto ao preconceito anti-acordo dos que lamentam a alegada cedência ao Brasil, deixa-me só dizer-te que se houvesse predominância pela oralidade brasileira, até que nem seria mau de todo para a preservação da língua portuguesa. Eles abrem as vogais, dizem todas as sílabas, enquanto nós, portugueses, sobretudo os da região de Lisboa, tendemos a fechar as vogais, correndo-se o risco de excessiva consonantização da língua... Os militantes anti-acordo gostam muito de arranjar essas frases improváveis para o descredibilizar. Não te esqueças de uma coisa: antes de aprender a ler, já falávamos. E os analfabetos que ainda há – cada vez menos, felizmente – não deixam de abrir ou fechar as vogais por elas se escreverem com ou sem acento." E aqui introduzo eu já um exemplo: “(fulana) é tola da tola!”. "Mais: o pessoal do Porto, mesmo com acento, diz o verbo cantar da mesma maneira seja no presente seja no passado... Até a Fátima Campos Ferreira, há tantos anos em Lisboa, continua a dizer falamos/falámos cantamos/cantámos da mesma maneira. E quanto à frase do Bagão Félix, não sei como é que ele disse o 2.º "pelo", mas o que mais ouço é as pessoas pronunciarem de forma igual ao “pêlo” de um animal, o que não está certo no português europeu, já que se deve fechar a vogal na contracção da preposição POR + o artigo O/A/OS/AS.

No caso das palavras homógrafas e homófonas, “antes e depois do AO” há o CONTEXTO, que em situações de comunicação real ajuda a desfazer ambiguidades. Vejamos, por exemplo: “as partes conseguiram um bom acordo” por contraponto a: “todos os dias acordo às 7.00h da manhã”. Mesmo sem acento, parece que ninguém terá dúvidas sobre como se pronuncia e qual o sentido e a função morfossintáctica da palavra “acordo” em cada uma das frases."

Parece assim que a questão do “contexto” não é tão desprezível para quem queira fazer entender-se e falar do AO sem condições prévias, nem a exibição de frases armadilhadas por inusitadas cacofonias.

Reedição: O link do vídeo com a opinião de José Saramago, foi deixado em comentários mas merece bem fazer parte do corpo do post:


03 março 2012

Um árbitro sindromizado

Não é que o benfiquista Pedro Proença seja um mau árbitro só porque não acerta nos jogos do seu clube. O que parece evidente é que se força no momento das decisões a contrariar a sua paixão clubista, acabando por ser o Benfica a pagar a conta desse escrúpulo, e que nesse síndrome de independência de que sofre, prefira antes ser acusado por errar por excesso de zelo do que por compadrio. Estão nesta matéria como peixe na água, a Comissão de Arbitragem que o nomeia, e os adversários do Benfica que o aceitam com um sorriso aberto, e só por má vontade se não percebe isto. É já uma questão humana. Não espanta assim vermos Pinto, um especialista em arbitragens, tecer-lhe elogios, mas é injusto assistirmos à conquista de galões de independência com prejuízo de terceiros.

Mas há na Justiça portuguesa, para circunstâncias anómalas, uma figura jurídica que se chama escusa de juíz, justamente para proteger circunstâncias em que o juiz se sente constrangido por razões que conflituem com a sua independência no veredicto. Parece claro que o seu historial já legitima o Benfica a pedir a sua não nomeação, se ele não pedir escusa.

01 março 2012

Porque não fui à manif:

Uma pesquisa neste blogue que devolva textos sobre a Esquerda, mostrará a coerência de que aqui não escrevo contra ela, salvo quando foi preciso deixar claro a discordância. Isso não invalida que não tenha de cada partido de Esquerda uma análise crítica em cada momento do seu desempenho. O que pretendo evitar sempre é dar trunfos à Direita, não alimentando campanhas. Ao contrário, custa-me assistir ao permanente ataque e ao digladiar constante por um eleitorado comum.

Os tempos que correm, estão entre nós a provocar inconformismo, e se há inquietação, há também dúvida quanto aos métodos de contestação a seguir. Sou naturalmente dos inquietos mas também dos que duvidam dos métodos, ainda que o pense numa luta permanente entre uma formação pessoal tolerante, e uma enorme tendência para aceitar falar de revoluções, com todos os custos que implicam.

O avançar da idade atribui nas tendências políticas de cada um, uma valorização extremada à estabilidade e à segurança, acabando por sedimentar opções políticas conservadoras dentro de cada espectro, à Direita e à Esquerda. Do que agora aqui importa é esse efeito na Esquerda. Ora, sabemos como a Direita tem horror ao que não pode controlar, e temos ouvido recentemente como tolera bem a luta dos que se mantêm dentro do quadro institucional vigente. O actual quadro sindical é dado até por eles, como exemplo, porque são com essa previsibilidade o melhor tampão a qualquer coisa que não querem que aconteça. A Esquerda é assim desta forma encurralada. Controlada. E é aqui que começa a minha falta de entusiasmo com o “desfile organizado de rua”, cujo último grande resultado verificado acaba por cair apenas na exibição do número, contando espingardas. Não quero sair à rua desta forma para ser apenas exibido como um número com o qual a Direita pode muito bem. Como nunca me obrigo a nada, porque detesto fazer o que não faço com vontade, prefiro a distância que me permite interpretar de outra forma.

O espírito de liberdade que reclamo não me tem permitido o enfileiramento partidário, porque me baliza as opções, - excepto em ocasiões pontuais onde alguma utopia me pareça fazer caminho. Estive aqui na rua com estes, com empenhamento, e também aqui no Parlamento, mas também colaborei e fiz parte desta força cívica e voltei a integrar esta, e estarei sempre onde as cores da Esquerda se misturarem sem sectarismos, e sou por essa razão um fortíssimo opositor dos que fazem a desmobilização à Esquerda, não libertando os seus, ou criando vergonhosas iniciativas paralelas com o mesmo fim, apenas e só para que não haja desvios nos fiéis. Como podem depois pedir-me que os acompanhe, quando o objectivo, visto desta forma, não deixa de passar a ser mais um record para o livro dos números? Não sei se vale a pena referir a quem esta acusação é feita, porque ela é por demais, óbvia.

É assim, numa quase transversalidade política que apela a um ponderado pragmatismo, que melhor me sinto a exercer a cidadania que reclamo. Bem sei que esta reflexão não se enquadra nas bíblias políticas em uso, e que a transposição da Democracia para a organização política das sociedades tem outras formas mais exequíveis de se porem em prática, se bem que ande a precisar de uma urgente refundação, mas antes de considerarem a minha uma forma bizarra, preferia que a vissem antes como uma derivação nem sempre muito fácil de explicar.

29 fevereiro 2012

Como sonhei com a Troika.

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Era ali que tomava o café das manhãs e o refresco nas tardes de Verão, e com o Charles acabava a zurzir nas catroguices deste país. Mas o efeito conjugado da crise com uma renda usurária, puseram fim a mais um estabelecimento na cidade. Virá outro empresário incauto com o qual o proprietário não terá contemplações porque para ele só há uma coisa sagrada: o sacrossanto “valor de mercado”. O mesmo que uma grande instituição do país com um vasto património imobiliário, diz que é o que lhe serve de base para os seus arrendamentos ainda que as lojas estejam meses e anos sem aluguer, apenas e só porque “não é sua política baixar os preços dos arrendamentos”. E assim se faz o valor de mercado em Lisboa.

Podemos desenhar o que vemos mas com um esforço de memória também o que sonhamos, e foi o que aconteceu. Talvez com a crise a fundir os neurónios, acabei por levar isto para uma noite de sonhos, e o Café amplo e asseado virou num tugúrio estranho e claustrofóbico. Aquele sonho/pesadelo transformou os dois empregados, em três mulheres muçulmanas, ou ciganas, não sei bem o que eram, que apenas me fitavam sem responder aos meus pedidos. Porquê três? Só encontro uma razão: tr <> troika.

26 fevereiro 2012

"O meu valor de mercado"?

Desculpem o desabafo, mas estou hoje demasiado sensível ao meu empobrecimento, o mesmo a que vocês estão também a ser sujeitos, numa despromoção social que é mais preocupante porque não é linear e é reveladora desta nossa índole de pategos, que qualquer razoável vendedor de banha da cobra engana. Poderia ilustrar este espírito reverencial perante os embustes na nossa história como povo, de outra forma, mas o que agora me ocorre é o da parte inicial deste excelente vídeo que encontrei no Alpendre da Lua, e que recomendo.

Deixámos criar nesta democracia uns mostrengos, que não sendo individualmente culpados da débâcle, servem perfeitamente como exemplo dos vendedores que na rua nos ofereciam um mundo de bugigangas para nos levarem finalmente a comprar a banha da cobra. Como na parábola das varas de vime, não são culpados isoladamente, mas são-no totalmente quando juntos. Estamos a empobrecer mas há uma casta que medra à custa do regime e nele vive alapada, como aquela praga resistente que tenho ali a definhar a planta do jardim. Começa a parecer-me que a solução não passa por aniquilar a praga, mas a fonte que a alimenta.

Hoje, somos um país acatrogado, mas já fomos num tempo de visões de oásis, um país acadilhadoaloureirado e isaltinado por indecorosas faltas de ética, nunca bastantes para impedir este povo de parar na rua para ouvir o banha da cobra. São resquícios, talvez da forma diferente como em Portugal ocorreu o feudalismo, porque nos outros é trauma que não se nota, ou ainda outra coisa mais remota. É este tremendo autismo social que continua a prestar reverencialmente tributos indecorosos a estes mostrengos, e continua a permitir que alguém, com um descaramento canalha, avinhado nas cores e cuspindo pentelhos, esfregue na cara deste povo imbecilizado, o seu rótulo: “o meu valor de mercado”.

O seu valor de mercado?… Desculpem, mas visto assim este é um povo de merda.

16 fevereiro 2012

Defender a casa com a própria vida...

Fixem-lhe o nome e o ar de beata: Assunção Cristas.



De passagem ouço ainda falar da mobilidade geográfica forçada dos funcionários públicos, etc., etc. O que é isto?! Não estaremos na orla de qualquer coisa muito perigosa? Isto não será um ovo se serpente em gestação. Sente-se.

A vida começa assim a valer pouco para alguns quando a honra é mercantilizada com este desprezo por quem governa. Até um dia… E que seja breve.

10 fevereiro 2012

Schulz num take à Bergman

Mais do que aquilo que disse o alemão Martin Schulz, sobre Portugal, perturba o silêncio dos outros que o ouviam. São os pensamentos não expressos, os olhares atentos e as palavras não ditas. Atentem no vídeo. Por muito que queiramos fugir ao preconceito de ver neles alemães, esta é uma leitura que se nos impõe pela força da imagem, parecendo que o realizador nos quis levar através delas a uma conclusão. Se quis, conseguiu, porque foi essa a que tiramos. Pode o senhor argumentar agora que estamos a fazer juízos de intenção, mas o facto é que uma imagem vale mais do que mil palavras. Ingmar Bergman, por exemplo, conduzia-nos pelos silêncios. Ali há também subentendidos, pensamentos contidos por diplomacia, e isso, foi o que mais perturbou nesta intrusão na política portuguesa, porque disse tanto ou mais do que ele quis dizer.

08 fevereiro 2012

Um hino na serenidade e na voz

Ouçam mesmo, porque Cohen merece bem a homenagem destes breves minutos. Ele é seguramente neste registo de voz, um dos melhores que nos acompanha há já tanto tempo.


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04 fevereiro 2012

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TAHRIR SQUARE
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Faz um ano esta solidariedade em Lisboa. Se as dúvidas eram umas, hoje são outras porque a inquietação de Tahrir parece persistir com outras formas, noutras cidades, por outras razões. Ou pelas mesmas?

Jamie Cullum in Concert

Esteve em Cascais e cantou que se fartou. Coisas que a gente perde quando anda por aí distraído. Notei-o na banda sonora do Gran Torino. Vi-o hoje na RTP2. Que grande músico.



Ou aqui e aqui

03 fevereiro 2012

O Vasco, a capelinha e o Acordo

(Reeditado)
Se o Ministro da Cultura, Viegas, já afirmou que o Acordo Ortográfico se mantém, é para implementar e essa obrigatoriedade é para o Estado, a partir de 2012, como se compreende que Vasco Graça Moura tenha na sua primeira grande decisão conhecida à frente do CCB, mandado suspender o seu uso naquela casa, inactivando até os suportes informáticos de ajuda existentes? Argumenta que a obrigatoriedade da sua implementação é para eles a partir de 2014, por se tratar de uma entidade de direito privado, mas como aceitar, que estando o Estado vinculado se coloque de fora dessa obrigação uma casa como esta, onde é fundador de referência, apenas porque o seu novo inquilino foi um dos mais acérrimos opositores do Acordo? Que imagem daremos da nossa cultura quando temos cada um a decidir no seu feudo de acordo com convicções pessoais? Ouvindo entretanto a veemência com que VGM justificou a sua decisão, diria até que ele tem em relação à medida que tomou, a certeza da cobertura por tutelas superiores. Não me surpreenderia. Que eu aproveite todos os limites da implementação do AO para me sentir mais confortável com a aplicação das novas regras, entende-se, o que não se percebe é termos entidades deste relevo a darem estas tristes imagens da forma como nos organizamos, num domínio tão importante como a Língua em que nos entendemos.

Terá sido exactamente daquele local que outro velho do Restelo bramou sem consequências contra a aventura, mas o seu espírito deve ter ficado por ali a pairar para que vindouros mediúnicos o encarnem no momento de decisões importantes, voltando sempre a mesma ladainha. Por muito Direito que lhe assista não ser pró-Acordo, não tem contudo o de ser "anti", no exercício das suas funções oficiais, só porque ganhou a sua capelinha. Foi assim Graça Moura no CCB: à primeira cavadela, minhoca! Promete.

Reedição:
Uma mensagem amiga alertou-me para o facto do Viegas não ser Ministro. Sim, agora reparo que nunca me pareceu Ministro, embora o tivesse promovido mais levado pela importância que atribuo à pasta do que ao empastado. Afinal ele é só Secretário de Estado. Bem feito para ele que não lhe bastou tanto polimento aos corredores do poder a que paulatinamente se foi chegando. Aqui fica a ressalva.

29 janeiro 2012

Manipulação Mediática


Faço hoje, de dois amigos, editores do blogue, num tema que merece sempre atenção. São duas respostas que recebi a um email que enunciava as “10 Estratégias das Técnicas de Manipulação Mediática", segundo Noam Chomsky.

Diz o Paulo, numa reflexão enriquecida por uma vida na Normandia onde se nota a marca da construção em Língua Francesa:

“É evidente que como dizes “o sistema” consegue elaborar modos de comunicação extremamente eficazes, muito bem refletidos e como sempre o Zé Povinho engole tudo sem se dar conta daquilo que come...

No entanto eu acho que foi sempre assim em relação à classe dominante, que teve sempre muitas ideias para manter o seu poder. Só que em certas alturas era pela força e pelo terror que acalmavam os ímpetos do povo que aspira à liberdade e à dignidade.

Hoje o assunto é muito mais complicado. Quer dizer que a evolução das diferentes formas de comunicação, nomeadamente a evolução das tecnologias informáticas, Net, redes ditas sociais e sobretudo a evolução no que diz respeito à manipulação das massas pela “comunicação”, alcançou um nível muito complexo e que não está ao alcance do primeiro borra-botas.

E nesse esquema, entreter as massas com mil merdas sem interesse (sem interesse para alguns, mas interessante para outros), faz que, efectivamente tudo é feito para não “perder” tempo a pensar!

Havia um provérbio que dizia: atenção: “PENSAR OU REFLETIR, JÁ QUER DIZER DESOBEDECER!” Isto não significa que não há resistências e outros modos de fazer frente. Mas é claro também, que é cada vez mais difícil. E é mais difícil e complexo, porque as propostas de alternativas ao governo deste mundo, desta Europa, destes países, destas regiões, destes distritos, destas cidades, destes bairros, destas pessoas, não oferecem nada de estimulante, nada de horizontes “ensoleillés”, nada que tenha a ver com os projetos e as ideologias que se transformaram em ilusões e desenganos eternamente entretidos como o paraíso, como se um dia pudéssemos atingir a paz, a calma e a fraternidade entre os humanos...Tudo é recuperável no objectivo de “marchandise” de dar dinheiro, do ter e do ser, ninguém ou muito poucos se preocupam…o poder da comunicação é sem igual, actuelment… é difícil escolher e não cair em emboscadas…tudo ou quase é pervertido…o desenvolvimento do individualismo foi tal, que as normas e os valores de ontem não têm nada a ver com a evolução da sociedade de hoje! Enfim... quando falas do “sistema”, o que significa um termo generalista que não diz a quem temos a ver, é simplesmente a classe dominante, os grandes patrões deste mundo, os detentores do funcionamento da finança, dos especuladores e sobretudo daqueles que sabem que o dinheiro deve sempre ir buscá-lo lá onde ele está, quer dizer “chez les pauvres”… e como há cada vez mais pobres eles têm ainda mais dinheiro a recuperar e mantêm-se e entretêm-se “tranquilamente” a precaridade e a paz social!!... Às vezes há revoltas, e mesmo revoluções… estás a ver o que deram as revoluções da “primavera árabe”? como te disse tudo se recupera!....Isto é um bate papo que poderia ser o suporte duma “soiré” aqui nas terras de Normandia onde espero que este ano tenha o prazer de vos acolher!!... E apesar desta visão realista e desencantada, o principal é resistir de uma certa forma, manter o espírito “en eveil” e preservar aquilo que conseguimos alcançar: a dignidade e o prazer de conservar grandes amigos como nós somos.”
 
E o Alexandre:

“Hoje a "Comunicação" já é uma ciência, com metodologias próprias, e onde se estudam os fenómenos comunicacionais espontâneos e os perversamente provocados. Alia-se, por sua vez, às técnicas de marketing, para vender sabonetes e presidentes da República, como dizia o outro, o Rangel. E a democracia começou a degradar-se, quando os políticos aderiram a estes processos."

Resistir, manter o espírito “en eveil”, foi a razão deste post.

22 janeiro 2012

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Reflexões sobre o Impeachment

Reeditado

Para além das razões formais que podem levar ao impedimento definitivo de um Presidente da República, deveriam existir também razões de ordem moral. Isto é, o presidente de um país não pode apenas parecer que é honesto e moralmente são, tem efectivamente que sê-lo.

Cavaco é um dos políticos há mais tempo no activo e isso faz dele co-reponsável nas razões do estado deste Estado e a ser comedido nas asneiras que balbucia vezes de mais. Vir queixar-se publicamente que não lhe chegam as pensões que aufere para governar a casa, quando auferiu em 2011, segundo o Jornal I, pensões no valor de 140.000 euros, quando há portugueses a debater-se já ao nível da sobrevivência, é moralmente reprovável por todas as razões, e em simultâneo, uma afirmação da sua incompetência e de que é um péssimo gestor, um mau economista num orçamento tal fácil, ou então, não sei se pior, está a mentir-nos, mas seja o que quer que for, é mais um prego na credibilidade pessoal e política que quanto a mim nunca teve. Este homem é e sempre foi, enquanto político, uma fraude que a Direita soube vestir ao jeito pimba para vender nesta feira poeirenta em que o país de vez em quando se torna e que nos envergonha quando escolhe assim.

Leitura recomendada: A revolta e a piedade, de José António Barreiros.

Reedição: Faltou dizer que li pela primeira vez a utilização do termo impeachment ao Presidente da República, um termo do léxico norte-americano adaptado à nossa Constituição, no Legalices, por Ricardo Sardo, pelo que aqui ficam os links: Pode? e Belemgate, para leitura obrigatória das reflexões, também jurídicas, sobre esta questão.

19 janeiro 2012

Que dia histórico!


De facto, é um dia histórico este… mas por isto: Ricciardi, um banqueiro, a dizer que “Este é o governo mais corajoso da democracia em Portugal”. Esta é ou não a melhor forma de dizer dos direitos que foram defendidos? Assim sendo, está tudo dito. Não podia o governo ter pior ajuda, porque se alguém tinha dúvidas, ouvindo este senhor, sabemos quem foi defendido. E se o que este senhor disse não é mais do que uma opinião, por que razão não pode Otelo ter direito a ter a sua, e eu a minha? que é esta: Têm dúvidas de que isto não vai acabar bem?

Imagem retirada do Ponte Europa.

18 janeiro 2012

Contributos para uma Revolução - II

A alteração feita por este governo à lei das rendas implementada pelo PS que permitia a mudança mas tinha ainda alguma zona de protecção ao inquilino, vai causar um desequilíbrio que potencia qualquer coisa de socialmente muito grave. Todos se assustaram com o que disse Otelo, e vai agora ser inquirido, não tanto pela opinião que manifestou mas antes, pelo peso e pelo medo que vai em muita consciência. Mas o que ele disse cabe bem aqui, e é simples: o desemprego é endémico, o tecido social está em ruptura, há famílias em desespero por alteração de estabilizadores, e os atingidos por esta lei das rendas são basicamente idosos pobres, facto que pode ver-se na quebra de 40% em 10 anos de contratos anteriores a 1990, quebra que seria maior ainda nos próximos 10 anos, logo, um grande factor a ter em conta na resolução do problema por essa via.

Essas alterações vão provocar a maior instabilidade nos bairros pobres, e a população assim atingida que tem ainda uma rede familiar, não vai assistir impune à desonra da família pelo despejo e esvaziamento das suas vidas, removidas provavelmente para subúrbios onde já não ganharão raízes. A Cristas, vai mexer nesta área com a tranquilidade que a ausência de um opositor permite, porque os idosos não têm capacidade reivindicativa, e o terrível engano pode estar na facilidade com que se pode legislar nestas circunstâncias. Não foi por acaso que esta pasta foi empurrada para o PP e o seu rosto seja o de uma caloira com sede de apresentar serviço. Não tenhamos dúvida, a infelicidade conjugada com outros factores de desencanto que essa alteração vai criar, vai ser insuportável e vai gerar uma rede de solidariedade na revolta que será um rastilho perigoso.

E tudo isto porque não foram capazes - ou não quiseram - fazer uma coisa muito simples: legislar na agilização do despejo dos prevaricadores faltosos ao pagamento das rendas, retirando assim esse entulho da argumentaria dos proprietários, o que pode configurar que é coisa que dá até jeito para funcionar como arma de arremesso. E dessa forma incluem todos os que cumprem e têm contratos legais que agora mandam rasgar.

Destaque: Jornal de Negócios de 27/12/11

15 janeiro 2012

Alerta na Coudelaria de Alter

O ano começou fértil em asneira que é como quem diz, mais do mesmo e o mesmo motivo para a indignação. Escolho para recomeçar, o relevo ao que pode estar a passar-se com os cavalos de Alter de Chão.
 
Chamou-se Coudelaria Nacional, agora é a Fundação Alter Real. Salvou o cavalo lusitano através de uma grande persistência no apuramento da raça, apesar das tormentas por que passou, mas debate-se novamente com a tendência para a asneira de quem gere estas coisas sem sair do gabinete, fazendo pairar novamente nuvens sobre ela avaliando pelo que diz o Presidente da Câmara, aqui no Jornal I. Há para mim uma questão que preocupa: a Coudelaria é um património valiosíssimo sob vários pontos de vista e não sei porque digo isto, mas o facto de o seu modelo ser uma fundação, preocupa. Admito que seja um preconceito e uma injustiça para as grandes fundações do país, mas não tranquiliza ver alguns interesses ligados a patrimónios nacionais com este valor. Se lhe adicionarmos ainda o facto de a presidência pertencer à cobiçada Companhia das Lezírias, temos melhor noção dos riscos em causa.

Depois, quem tutela estas questões governa como uma tropa fandanga de incapazes, julgando cumprir a função por aparecer em mangas de camisa na Comunicação Social. Contra este modo de tomar conta, tem valido a resistência das instituições, como agora a Coudelaria de Alter, que vão apesar de tudo sobrevivendo à negligência, impondo-se galhardamente a tanta asneira, nada podendo porém contra interesses que não são os seus. O Alentejo dificilmente encontrará um pólo com mais valor do que os cavalos que cria desde 1748 e Portugal deveria ter outra atenção com a mais antiga coudelaria do mundo.

Imagem da Fundação Alter Real

01 janeiro 2012

Bom 2012

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Foi um Reveillon doméstico minimizando gastos, e a foto é do arquivo pessoal reportada ao foguetório do ano passado, fazendo de conta que é deste. Tenham vocês Saúde e um Bom € Ano, e não se fiem em mim porque vou andar por aí em € dieta.

30 dezembro 2011

O Crespo...


...é um mééééééééérrrrrrdas!

… é uma reacção incontida - vim directamente do sofá prá’qui – porque não aguento andar há muito assistindo pasmado à subserviência e ao medo com que cada entrevistado mais ou menos mediático se acagaça perante o lado pidesco que lhe detecta no interrogatório, e os leva à sabujice da anuência, culminado com uma entrevista à Ministra (a da elevação da Virgem ao céu) Cristas - e que até é vejam bem… “democraaata”! “cristããã” meu deeeus!…- e este chorrilho televisivo dá-me ironicamente uma enorme felicidade: saber que não frequento felizmente os mesmos templos de limpeza de almas desta gente. Que nojo! São-no de tal forma que nos encostam a radicalismos que não queremos por respeito à nossa formação tolerante. Toleraaante! Não disse cristããã! Esse cristã, que lhes enche a boca e esvazia a alma e se aproveita do nome de um homem que não escolheria hoje por nada uma cruz para ir morrer por gente desta.

28 dezembro 2011

Contributos para uma Revolução

(Reeditado)

As revoluções não morrem, permanecem apenas em estados letárgicos para eclodirem quando se altere de forma insustentável o equilíbrio de forças que une as sociedades ao poder que elegeram ou lhes foi imposto. Mexer sem cuidado em alguns desses equilíbrios, pode, sem que menos se espere, desencadear a eclosão da fúria e da revolta. Foi assim que assistimos com espanto a revoluções que começaram pela morte de um vendedor de rua, ou o espancamento de um jovem, ou a prisão de um delinquente. Esse estado de equilíbrio não é mensurável, é imperceptível porque a revolta é dia-a-dia abafada individualmente em cada um, até um dia. E há de facto um dia, um dia como aquele que vemos muitas vezes na natureza ser o da eclosão simultânea de cada ser. Mistérios da Vida. Gestações cronometradas. Algumas dão sinais, outras espantam pela acção consertada da regeneração que empreendem. O seu êxito depende depois de factores externos, umas vezes favoráveis outras adversas, mas em maior ou menor grau garantiram a renovação.

Da mesma forma, as revoluções não acabam enquanto existirem razões que as justifiquem, ou seja, a regeneração das sociedades autistas à realidade humana que as cerca, criada pelos seus egoísmos. Não serão estas 100 mil famílias, inquilinas de avançada idade, a quem o governo, interpondo-se numa atitude inédita, vai obrigar a rasgar contratos de arrendamento feitos de boa fé, que farão a revolução, mas serão, quando começarem a ser desenraizados pelo desalojamento das acções de despejo que vão seguir-se, mais uma parte dos que estão prontos a aceitá-la, e vão estar certamente na primeira fila quando chegar o momento de atirar as pedras e a tralha que estiver à mão.

Destaques: Jornal de Negócios de 27/12/11

Reeditado para deixar uma reflexão sobre o tema. Um artigo de Daniel Oliveira, no Expresso: http://aeiou.expresso.pt/escrever-direito-por-linhas-direitas=f595853


23 dezembro 2011

Queiroz ganhou!

Perdeu o Horta, perdeu a ADoP, perdeu o Sardinha, perdeu o Laurentino, perdeu o Madail e perdeu este incompetentíssimo dinossauro. Perdeu o futebol português e perdeu Portugal 56 181 francos suíços, porque em Portugal é ao contrário: perdem os manfios mas quem paga somos nós. Mas não deveriam ser os responsáveis pela maldade e incompetência a pagar a factura? E o Horta continua em funções? E o patrão não o processa pelos custos? Carlos Queiroz foi vítima de um processo sórdido, um estúpido conluio, também porque houve uma corrente comunicacional contra ele. Pessoas que considero foram incapazes de distinguir as amarguras das estratégias de jogo, da armadilha que uma vingança mesquinha ajudou a montar e lhe arruinou a reputação. Um labéu assim, não há indemnização que indemnize. Parabéns Carlos Queiroz por isto porque o tribunal sentenciou que afinal é você que é a pessoa de bem.

21 dezembro 2011

Fujam! Emigrem!

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O postal de Natal deveria ficar aqui neste lugar até que a estrutura das filhoses indicasse que a Festa tinha acabado. Mas a falta de vergonha, reiterada em declarações sucessivas por este governo - quanto ao conselho aos portugueses para emigrarem -, e a vergonha que sinto por estar assim representado, obriga-me a interromper as Boas Festas. Foi primeiro um Secretário qualquer, depois o Primeiro-Ministro Passos, logo socorrido pelo amigo/estratega Relvas, e agora foi o euro deputado Rangel a sugerir “… a criação de uma Agência nacional para gerir esse processo”. Fica desta forma claro que não é falta de jeito para comunicar, é mesmo estratégia. É uma nova estratégia! Como é possível? Numa altura em que é preciso motivação, quem nos dirige abdica e diz que não vale a pena! Começa a parecer experimentação na área da psico-social, ou seja, sucedendo a um governo que apostava no optimismo mas esquecia o realismo político, a receita por oposição seja o pessimismo dos braços caídos e o alerta geral como forma de amedrontar, no fundo, a estratégia de um povo dócil para melhor aplicar as receitas. O que está a ser levado à prática é o figurino sempre apregoado pelas teorias conservadoras, que agora podem aplicar de mão beijada.

O cúmulo de tudo isto é podermos ouvir dos seus apoiantes, a justificação de que este governo está por contraposição apenas a ser “sincero”, e chegados a este argumento, constatarmos que é nessa atitude das massas imbecilizadas que se tem justificado sempre o triunfo e a perpetuação de tanta autocracia ao longo dos tempos. Não sabemos onde vai dar isto, sabemos apenas que não é a primeira vez que amadurecendo a acefalia desses apoios, alguém vai tirar o devido proveito.

18 dezembro 2011

O Postal de Natal

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As culturas podem ser permeáveis à música por ser uma linguagem universal, mas devemos incentivá-las a não se deixarem aniquilar nos idiomas em que sempre se entenderam. Rejeitar os maus efeitos desta forma de aculturação é lutar por esse preciosíssimo património imaterial da Humanidade. Poderia ficar aqui por exemplo uma canção em galego, mas porque gosto de ouvir esta bonita “índia” cantar na Língua Navajo, aqui fica uma versão do Holly Night, numa árvore rabiscada para os amigos. Ela chama-se Jana Mashonee. Bom Natal a todos.

Cesária excluiu-nos

Cesária Évora veio um dia a um programa de televisão, e o Herman esforçava-se para lhe arrancar a descontracção que permitisse aquela conversa dos afectos, mas Cesária permanecia insensível mais ainda para além daquela sua postura altiva não permitindo o êxito da entrevista, até que nos deu um murro no estômago respondendo a uma pergunta, quando disse: “A minha segunda pátria é França”. Não foi o conteúdo do que disse mas a forma pontiaguda que lhe deu. Começava assim a fazer sentido a dificuldade do Herman. Não foi o facto de ter tido êxito em França, foi a sua passagem em Portugal no Verão Quente de 1975, numa altura atribulada sua e da vida do nosso Abril que parece tê-la afastado de nós. Que ela preferisse os franceses por a terem adoptado, é normal, porque foi ali que triunfou internacionalmente, mas que se tenha definitivamente posto de candeias às avessas connosco que a ouvíamos desde jovem, é que nunca aceitei. Saramago estava zangado com Portugal, o institucional, mas os portugueses estavam fora dessa amargura. Por que raio não quis a Cesária aceitar o nosso afecto?

Reedição por ressalva no título: "excluiu-nos" e não "exclui-nos".

17 dezembro 2011

Uma Ministra conflituosa

Todos nós conhecemos na vida pessoas que estragam comportamentos profissionais por não conseguirem livrar-se das suas frustrações, complexos e outras infelicidades, e os transportam para constantemente colidirem com os outros. Quando assim é, damos com os rancorosos, vaidosos e maus carácter que enferneziam a vida a cada um. Pessoas assim têm alguma coisa a não correr bem consigo.

A forma como a Ministra da Justiça está a tratar a análise dos pagamentos feitos aos advogados que prestam apoio judiciário aos necessitados de apoio jurídico sem condições económicas, é verdadeiramente indigna, mesquinha e revoltante. Veja aqui no Legalices a demonstração disso. Quem puser os olhos no seu comportamento neste caso, perceberá que é um comportamento estranho, parecendo contaminado pelo ódio e pelo despeito motivado por azedumes pessoais e por um preconceito intolerável contra os advogados “pobres” – pobres no sentido em que são os não instalados na praça – apesar das tentativas de colaboração da Ordem no sentido limpar a lista dos flagrantes casos de má interpretação de ocorrências.

O nome destes jovens advogados está estupidamente a ser posto em causa, porque, dizer que se é advogado a prestar apoio judiciário passa a ser um injusto rótulo no cartão de visita. Assim o resto da classe se aperceba da solidariedade que é devida a estes mal tratados e ofendidos, porque se torna claro que os perdedores serão todos se não estiverem em bloco na defesa deste ataque à honra e prestígio da profissão, por uma senhora que trouxe para a relação com os advogados, via Ordem, o estilo da birra e o tique mimado – como aquelas proeminentes rugas verticais denotam -. Ora, não conseguir despir-se desses atavismos para exercer um dos cargos mais importantes da governação do país, pode ser a ruína num sector em cacos. Não sei até se o nível de ofensas não seria passível de uma outra atitude, por parte dos ofendidos. Esta Ministra não presta porque é rancorosa, convencida, arrogante, mimada e elitista. Tia!

15 dezembro 2011

Gente (des)Norteada


A década de 70/80 foi um período caracterizado pela influência de um certo tipo de caciquismo de base empresarial retrógrada, disseminado por uma onda vitoriosa de Direita de alguma forma instilada pelo medo do comunismo e influência do PCP, e vivíamos num ambiente de uma espécie de vergonha da nossa produção do Sul, face à do Norte. O argumento que nos era arremessado pelas cliques reaccionárias dominantes, como forma de aplacar veleidades reivindicadoras, era de que no Norte é que se trabalhava, no Norte é que estava a riqueza e a produção, no Norte não se reivindicava por nada. O Norte era “boa gente”, o Sul era uma “chusma” de calões. Enfim, o Norte era moda. O Norte até tinha a maior densidade de Ferraris do mundo por metro quadrado. No Sul, o representante de uma empresa do Norte achava estranho o valor da minha remuneração face aos valores que poderia ganhar no Norte, com menos problemas fiscais e menos trabalho nessas justificações. Mas nestas análises ficava de fora daquele quadro de desenvolvimento regional, as condições laborais globais daquelas costureirinhas e a sua consciência delas. O que aquele reaccionarismo pretendia era só já jogar povo contra povo, o do Sul contra o do Norte, pelo apoucamento de um, contra a exaltação do outro. Foram os períodos de florescimento dos Jardins e dos Pintos.

Entretanto, veio a crise dos têxteis e do calçado… e a miséria no Vale do Ave e etc.
 
Agora, o reaccionarismo volta, mas do Norte, e vai sendo moda condenar o Sul pelo centralismo e pelo roubo de verbas. Mais uma vez, o provincianismo medíocre joga regiões contra regiões, apenas e só para aplacar raivas que vai incompreensivelmente destilando.

Uma das questões nacionais a que mais sou sensível é a que põe portugueses contra portugueses e mina a velha unidade e a solidariedade do povo português. Não pretendo fazer deste blogue nenhuma caixa de ressonância dando tempo de antena a portugueses que vivem avinagrados no ódio e nos egoísmos regionais, mas é um mau serviço que prestamos ao país se deixarmos passar, os discursos dos Jardins, dos Pintos e dos Fieis servidores de mentes com graves complexos por resolver. Hoje encontrei aquele.

12 dezembro 2011

Sonhos inconfessáveis


O ogre da ilha tem um sonho que não confessou, e sente-se constantemente atacado porque fala na “resistência de cada dia” a que são obrigados. Como sabemos que o ataque não é por bandos de cagarras transformados em hordas, será porventura pelos tais colonialistas continentais. Pobres madeirenses. Não os sabíamos por essa razão em sofrimento. Sabíamos sim do espartilho claustrofóbico em que alguns dos seus mais esclarecidos habitantes se encontram, o que transforma em degredo a partilha de uma ilha tão bonita, que assim vira um deprimente rochedo. Ora, em 1974 não aproveitaram a oportunidade, e também não nos parece que existisse de resto algum dossier em aberto, ao contrário, receberam até com tranquilidade os ditadores depostos. E até podia dar-se o caso de se sentirem confortáveis com “aquele” tipo de colonização. Não? Seria assim como que uma colonização “amiga”. Ah! mas nós por cá não gostávamos deles nem da colonização que faziam. Mas o 25 de Abril fez-se também por essa razão: o fim da colonização. A descolonização pode ocorrer por duas formas: pela retirada do colonizador, ou pela conquista da independência por uma qualquer via, a diplomática ou a das armas. Jardim já nos conhece, sabe que a última coisa que queremos é que algo de mal aconteça ao povo da Madeira. As armas ficam assim de fora, e a nossa retirada sem sermos convocados a isso, seria considerada um abandono. Resta a via diplomática. Basta então de chantagem. Decida-se, e pergunte. Força! Porque considerar-nos colonialistas, ofende-nos na ordem de grandeza imediatamente a seguir a filhos da puta, e desaforos destes à nossa honra deve ser uma instância superior a resolver. Um dia destes convocamos para isso o Presidente de República que nos saiu em rifa, se não tiver nele medrado definitivamente o autismo a que alguns traços velados apontam, para, definitivamente não vermos o arremesso constante de um povo contra o outro que ele faz com a indignidade de uma besta.

04 dezembro 2011

Hoje, também eu sou ateniense!

O Professor Sampaio da Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, disse um dia destes de cabeça erguida, de uma forma eloquente e generosa: “Sinto-me ateniense e grego, e não cidadão deste mundo, um mundo de manajeiros, de tecnocratas sem rosto, de ‘mãos invisíveis’ que ninguém controla”. Era também nesta forma altiva que gostaria de ver o outro professor exibir-se lá fora, e não com a arrogância parola com que diz que “Portugal não é a Grécia”, como se estivesse a ensinar geografia a meninos no seu economês requentado! Os gregos não merecem esta conversa da treta, como nós não merecíamos o desaforo do presidente checo que ele não soube conter, ou mais recentemente o dos finlandeses, e é com esta falta de solidariedade em efeito dominó que se está a desconstruir a Europa, que a bem dizer nunca esteve. Os alemães, têm outra vez uma estratégia e têm outra vez colaboracionistas, gente descartável, trânsfugas mais repugnantes para eles do que os vencidos de onde vêm.

01 dezembro 2011

A Independência às urtigas?

  
Os países tomam para seu dia nacional aquele em que o povo colectivamente melhor se revê, associado de um modo geral a factos de relevo que tenham sido de exaltação nacional. Os franceses têm o 14 de Julho comemorando o dia da tomada da Bastilha. E que dia! Os britânicos, pela razão da sua própria constituição não têm um dia específico, têm vários que celebram o dia dos países que constituem o Reino Unido. Os alemães instituíram o 3 de Outubro, Dia da Unidade Alemã, pela sua reunificação. Os americanos, o tão celebrado 4 de Julho, Dia da Independência. Na Rússia celebram o seu dia em 12 de Junho, pela Declaração de Soberania do Estado Russo. Os Espanhóis, pela dificuldade que têm devido à sua unidade como país, têm o 12 de Outubro, Dia da Hispanidade que celebra a chegada de Colombo às Américas. O Brasil celebra a sua Independência no dia 7 de Setembro, etc.
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Nós temos o 10 de Junho, Dia de Portugal, que é apenas o dia que celebra a morte de um poeta, o maior é certo, mas por muito que Camões nos valha, não deixa de ser apenas o da morte de um português que morreu na miséria e abandonado por uma nação que não o soube reconhecer em vida. O povo não soube durante muito tempo que ele morreu naquele data, e ainda hoje muita gente não saberá, sendo por isso uma data que nunca se inscreveu na memória colectiva. É com Salazar que este dia começa a ser celebrado como sendo o Dia da Raça, hoje alterado para Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Mas não deixa de ser uma data forçada com a qual o povo não se identifica, foi-lhe imposta, e para todos os efeitos uma data que o povo não viveu, e é nesses factos que radica a razão da genuína comemoração de um dia. É um dia que o povo não o canta na rua. Talvez seja por isso que ele continua a ser uma seca comemorativa. O 5 de Outubro, Dia da República, vai infelizmente sendo o mesmo, e talvez pelo período que a nação atravessou nos tempos que se seguiram, se tenha ofuscado para o povo o valor desta data, mas deve continuar a ser comemorado. O 1º de Dezembro, Dia da Restauração da Independência é um dia ainda na memória do povo, porque, ainda hoje nas vilas mais recondidas do Alentejo a alvorada se faz com a charanga da vila a acordar toda a gente tocando o Hino da Restauração. Aqui e aqui. Eu não o esqueço porque acordava estremunhado com o ribombar da banda ainda bem de madrugada. A República, tem erradamente deixado cair esta data por ela ser afecta aos Monárquicos, mas é um disparate que o faça por essa razão, e deve continuar a ser uma data a preservar como feriado, por celebrar o restauro da nossa Independência, coisa que me faria passar a guerrilheiro urbano se algum dia a voltássemos a perder.
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Que me desculpem os bons amigos espanhóis que tenho, este post nunca lhes foi dedicado, é antes, aos outros “espanhóis” que o povo gostaria de expulsar de Portugal.