24 abril 2012

Ao lado dos militares


É difícil entender este Partido Comunista. Esta atitude contra a decisão da Associação 25 de Abril, que entendeu não comemorar oficialmente o 25 de Abril, transferindo essa oficialidade para a rua, é do mais básico sectarismo, porque, o seu problema não é que esta decisão desvalorize “o dia”, conforme dizem, porque é até demasiado óbvio que esta decisão até o reforça, o seu problema volta a ser o mesmo: os pintos debaixo das asas, e é este calculismo, o mesmo que os faz descer o Chiado com meia dúzia de bandeirinhas para desvalorizar outras ações de Esquerda, que faz dele o partido fossilizado em que há muito se tornou. É uma tristeza esta forma cinzenta de fazer política, e não entendo que quem neles acredita não se revolte com esta contenção a que é obrigado. Como é possível que a liberdade de ação assim cortada não lhes salte do peito?

23 abril 2012

Es.cola da Fontinha



Este texto não é d'hoje mas é atual, parece que foi escrito para o que acaba de acontecer na Es.cola da Fontinha, mas na verdade tem quase um ano. São coisas destas que cada vez mais justificam a refundação desta Democracia, nem que para isso se tenha que falar da aberração do povo que somos quando não se levanta de podões e forquilhas na mão para repor a decência no Estado.

19 abril 2012

3º Prémio

 (Reeditado)
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3º Prémio
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Ando para aqui às voltas com as definições de uma estética não aristotélica engendrada por Fernando Pessoa e vejam onde ele nos leva: “Assim como na política e na religião, assim na arte. Há uma arte que domina captando, outra que domina subjugando. A primeira é a arte segundo Aristóteles, a segunda a arte como eu a entendo e defendo…”. Juro que não vos quero dominar de forma nenhuma e muito menos por subjugação! Se for assim, é melhor tentar deixar de ser artista, ou então, não ligarmos ao Pessoa que ele tinha momentos de lógica em que dava a volta a ele próprio.

Embora vos parece que já aqui coloquei esta foto, não é bem verdade, esta foi obtida na mesma sessão mas num outro momento. É uma outra foto. Decidi concorrer com ela ao 2º Concurso de Fotografia no âmbito do Festival Cravos de Abril e conseguiu-se mais um prémio que fica a valorizar o portfólio deste blogue. Vejam aqui as restantes fotos a concurso.

Reedição: Seria injusto com o membro do Júri, o fotógrafo José Gema e o jornal "A Bola" se não deixasse nota da publicação que fizeram aqui do acontecimento.
 

15 abril 2012

Abril e a Primavera Global PT

Reeditado

A propósito do Festival Cravos de Abril que a Associação inicia no dia 20, Sexta-feira, aqui, diria o seguinte: O sistema iníquo que acabou por triunfar depois de Abril, tudo fará para que cada vez menos o povo se junte em celebrações destas, à volta de simbolos de que não gosta. Começam por ter vergonha dos cravos, depois não os usam na lapela, sempre que podem não decoram com eles o Parlamento, até que o povo os esqueça.

De vermelho, só querem mesmo a passadeira dos corredores dos gabinetes que estendem aos amigos da alta finança e lhes permitem funcionar com um pé no parlamento - na política - e outro cá fora na defesa dos interesses de quem lhes paga. São tantos os exemplos, que acabamos por perder o respeito à regra de que atacar os políticos é favorecer o jogo reacionário que espreita os descontentamentos do povo. Ouçamos o que diz Marinho e Pinto dos grandes gabinetes de advogados e da nossa ministra da Justiça, e o que diz agora Paulo Morais, aqui.
 
Mas atenção, nunca como hoje depois do 25 de Abril, se verificou tanta movimentação cívica como está a acontecer por aí em diversas plataformas de activismo, como aqui. Ainda não é totalmente percetível, mas está. Não tenho bem por certo se são as redes sociais que o favorecem, se a crise que o potencia, mas inclino-me para a generosidade dos jovens – que quase surpreende - face à crise a que assistem. É por isto que temos que considerar criminosa qualquer carga policial sobre eles. Estou convencido que se assistissem à preparação dos seus eventos, perderiam a vontade de levantar um bastão. Eles estão a multiplicar-se em actividades, mas curiosamente é na diversidade de ações que o fazem. Não é em torno de um projeto único, fazem-no com uma vantagem nesse formato, solidários entre eles. Isso permite-lhes a focalização, em vez da dispersão.

O outro exemplo dessas movimentações, é dado pelos mais veteranos que à sua maneira se vão motivando, uns, ou, porque não estive lá, provavelmente nenhum, não sei, só eles saberão em que representou mais a sua participação para além da homenagem, mas certamente que à sua maneira - digo sem o espírito que os impeliu na juventude – se mostram ainda resistentes por aquilo em que combateram, seja em almoços do Tengarrinha ou em Festivais da Abril no S.Pedro de Alcântara, ou na multiplicação das filiais Zeca Afonsos pelo país, o que é também um sinal de incomodidade. Mas o apelo que lhes faço, é que saibam entender que também já foram vanguardas, e as vanguardas de ontem não têm que ter sido melhores do que as de hoje, as perceções erradas que existem é o tempo que as provoca. Vamos por de lado os sectarismos. Vamos apoiar estes jovens, eles não são um bando de arruaceiros, são gente do melhor que há e têm os maiores corações do mundo. É por isso que estou a acreditar neles e apoio a construção da sua Primavera Global PT, aqui, uma imanação deste evento maior à escala global no dia 12 de Maio.

13 abril 2012

O golpe em Bissau: Apelo Urgente!

REEDITADO: Atenção, este post foi reeditado devido à libertação de Aly Silva.

O jornalista António Aly Silva foi preso esta manhã em Bissau, pouco depois de ter deixado no seu blogue Ditadura do Consenso este "Apelo dramático à comunidade internacional" (é devido também um apelo dramático para que nada aconteça ao Aly e para que ele possa imediatamente ser restituído à liberdade. É PRECISO PARTILHAR ISTO!).


 
Vamos fazê-lo todos. Entrem no link do blogue e façam-se Seguidores.

Iniciativa lida originalmente no Facebook de: António Costa Santos.

Reedição: Conforme pode ser lido na página do Aly, ele próprio acaba de anunciar que foi libertado.

Daqui de Lisboa vai um abraço solidário Aly, e parabéns pela coragem na defesa da Liberdade que te faz escrever.

Acordem! Não falta emprego.

Advogo a criação de um Tribunal Penal que criminalize as ofensas que um governante faça ao povo, no exercício das suas funções:


“Não falta emprego, falta é gente para trabalhar”

Assunção Cristas seria a primeira candidata. Isto é uma ofensa que exige desculpas públicas. Veja no link.

01 abril 2012

"PRIMAVERA GLOBAL PT"

1º COMUNICADO DE IMPRENSA da “PRIMAVERA GLOBAL PT”

A Primavera Global PT convoca os orgãos de comunicação social para uma conferência de imprensa que vai realizar no dia 2 de abril de 2012, pelas 18H00, no Largo do Chiado em Lisboa.

A Primavera Global PT sairá à rua no dia 12 de Maio de 2012 (12M de 2012), com um programa de acção que será mais tarde divulgado, associando-se ao protesto Global Spring que decidiu fazer de Maio de 2012 o mês dos dias globais de acção.

A Primavera Global PT é composta por cidadãos, activistas, colectivos, movimentos sociais que, em conjunto, de forma pacífica, na sua diversidade e autonomia, querem encontrar soluções e construir novos modelos de organização à escala humana, mais sustentáveis e mais democráticos. E fazem-no descentralizados e autonomamente mas convergentes em vários pontos do país onde este apelo de indignação e mudança se faça sentir.

O 12M de 2012 surge um ano após o 12 de Março de 2011, data histórica para a indignação em Portugal, em que se organizou uma das maiores manifestações da história recente. O 12 de Março de 2011 foi o rastilho de mobilização cidadã que incendiou várias cidades da Europa, sobretudo após o 15 de Maio em Espanha, seguindo também o impulso vindo das revoltas no mundo árabe. O ano de 2011 ficou, depois, marcado pelo dia de protesto mundial de 15 de Outubro. Do Japão ao Brasil, dos EUA à Europa, o chamado movimento d@s Indignad@s saiu à rua, manifestou-se, exigiu ser ouvido. O ano ficou também assinalado pela ocupação de Wall Street, em pleno coração do sistema financeiro global, dando origem ao movimento Occupy. Em paralelo e em concertação, inúmeros colectivos locais, de transição, de bairro ou movimentos sociais tematizados organizavam-se propondo alternativas.

A Primavera Global PT pretende dar voz e visibilidade a todas estas iniciativas e propostas de mudança de um modo de tratar o planeta e as pessoas que está a produzir danos e descontentamento.

A Primavera Global PT realiza a sua próxima reunião aberta no dia 14 de Abril de 2012, pelas 10H00, na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa.

Primaveira Global PT

Lido aqui:  https://www.facebook.com/groups/293430970724610/

25 março 2012

A vingança serve-se fria

(Reeditado)

Estranhei a recente preocupação dos nossos juízes quanto a  irregularidades detectadas nos gastos de 14 (catorze) ministros do governo anterior. Catorze! Nada menos. Não que não ache não haver por lá alguns que seriam bem capazes disso, até de mais, mas… esta eficiência, agora. Esta preocupação inusitada. Esta nova cruzada que um remédio assim deve corresponder a mal maior. De repente: - Aqui d’el Rei, e os nossos juízes, quais Robin dos Bosques, vão-se a eles! Não. Não cheira bem. Estamos a viver uma época estranha, até nestas inusitadas questões. O Ricardo, que escreve bem sobre estas coisas, escreveu assim sobre isto, aqui, aqui e aqui: (…) “Como esperam que as pessoas confiem que decidam com base apenas na prova, quando em público destilam ódio pessoal e político? Será que o juiz político e os restantes sindicalistas não percebem que com isto apenas estão a destruir a réstia de credibilidade que a Justiça tem na opinião pública?” (...). Não nos pasma esta atitude porque já há muito se assiste ao à vontade com que estas coisas acontecem na nossa Justiça, sem que ninguém diga, como quando as luzes se apagaram: - Alto e para o baile que apalparam as mamas à minha filha! Triste é também a forma como as notícias se dão e nos entram em casa, porque o que fica é o eco de tudo isto. E a Esquerda, interesseira, assiste muda a este desfile. Sócrates, com todos os defeitos que teve, teve a ingenuidade de meter a mão no vespeiro: saiu-lhe caro. Meteu-se com gente errada. Mete medo uma Justiça assim. Dirigida. Tenho esperança que um dia, olhando para trás, possamos achar isto estranho, como achamos os trapinhos que vestiam os nossos avós naquelas fotografias amarelas a sépia, e possamos perguntar: como foi possível que as coisas se tivessem passado assim um dia? Não abdico, da utopia se quiserem, de ter uma Justiça cega. Mas cega! E é que olhando bem para eles, parecem estar convictos na farpela que vestem.

Quanto mais for este o seu desempenho na Justiça, maior será o enorme fosso que os separa da Sociedade Civil e isso, não se resolve com mais subsídios & prebendas que o país é pobre e aviltava mais o nobre papel de julgar. Isto só facilitará a tarefa um dia destes. Que terá que ser radical. Acredito.
 
Reedição: Não posso deixar de reeditar para deixar o link do texto de Miguel Sousa Tavares, ainda por via do Legalices. Leia aqui no Câmara Corporativa.

16 março 2012

Recolha de Livros para Timor

A campanha começou no dia 1 de Março de 2012 e terminará no dia 15 de Abril. Os livros poderão ser entregues em qualquer estação dos CTT (continente), quase todo o tipo de livros (Gramáticas; Dicionários; Enciclopédias; Atlas; livros técnicos, romances de língua portuguesa etc..), em relação aos manuais escolares, só os de português e matemática. Vamos lá apoiar a excelente ideia desta ONG. É fácil: basta selecionar os livros e levá-los aos CTT, eles embalam e entregam.

11 março 2012

Camões e Abril

Há comemorações que nunca serão verdadeiramente sentidas na rua, por muito que um qualquer regime o decida por decreto. Festejar Camões com alegria e paixão, seja de bandeirinha ou copo de cerveja na mão, é coisa que nunca vimos e julgo que nunca veremos, porque o povo tem para alguns acontecimentos, memória, e como diria José Gil: Camões nunca se “inscreveu”, por muito respeito que tenhamos por um “dos maiores” da língua portuguesa – Pessoa tinha sobre esta classificação uma opinião muito interessante. Já o 25 de Abril não precisou de decreto, porque foi o povo que nas noites seguintes a 1974 saiu para a rua, e sem bandeirinhas nem copo na mão, passou a festejá-lo alegremente em improvisados passeios e encontros nas praças do país. É certo que o tempo é um grande regulador, e essa festa passou a sê-lo de uma forma mais tranquila, mas ainda, a maneira de vir à praça homenagear todos o que fizeram Abril, assim “inscrito”.

Não fosse a persistência de alguns, no exemplo seguinte, algumas, e esta festa popular de Abril em Lisboa – aqui foi 2011 - estaria há muito limitada a uma ou duas Freguesias que não a deixam morrer. Foi a persistência das herdeiras do espírito de Maria de Lurdes Pintasilgo, através da Associação Abril, que permitiu que todos os anos se celebre no Largo do Carmo o arraial que comemora aquela noite e aquele dia. A Câmara de Lisboa tem sido generosa, mas se não fosse a persistência e o empenho pessoal das dirigentes desta Associação, que forçam a isso, muitos sairiam à rua sem ter uma praça, onde de copo na mão pudessem cantar a Grândola. Cabe dizer que nem de outra maneira poderia ser, porque oficializar a organização seria contaminar a festa.

O Jardim de S. Pedro de Alcântara pode ser outra vez, este ano, a Praça da Canção, se houver o bom senso de não a dificultar, porque é preciso não deixar morrer uma das mais transversais festas políticas da nossa democracia. O programa será publicado aqui neste link.

09 março 2012

Que tal um Impeachment?

(REEDITADO)

Não estou a defender Sócrates, estou a manifestar a minha indignação por mais este flic-flac de Cavaco, no momento em que a sua imagem está em lixo e em que começa o julgamento Freeport.

Há por aí uma ou duas fotos de Cavaco com Sócrates, que são bem reveladoras do ódio subterrâneo que guarda na alma. Mas estas que tirei no debate com Manuel Alegre, revelam também do homem que está por detrás daquela máscara.

Cavaco não acerta uma e continua a manifestar os mais tristes sinais de ressabiamento e mesquinhez próprio dos fracos, dos que não se conseguindo impor por falta de elevação, têm necessidade constante de focar as luzes em si, numa caricatura que representa o estertor de um dos homens mais culpados pelo estado a que chegou o país, por ser afinal “também” um político e o que mais tempo de exercício tem no curricullum. Cavaco é um homem enleado nas teias que ele próprio criou, não havendo memória de um presidente com tanta nódoa na folha de serviço. Num país enxuto, nem poderia ter chegado a ser nomeado presidente, depois dos cambalachos detectados no BPN, em cuja ligação colheu duvidosas mais-valias ainda hoje mal explicadas, mas foi, embora com uma das mais baixas votações desde o 25 de Abril. Não fosse a ajuda por duas vezes, de um outro ego igualmente anormal: e ele não seria hoje presidente.

Reedição: Uma vez que este ataque é uma posição inusitada num Presidente da República ainda em exercício a um ex-Primeiro Ministro, logo a um partido político, não posso passar sem deixar aqui esta declaração de Cavaco/PR, em tempos, à TSF:

“(…) Há uma coisa que um PR nunca pode fazer, que é a de comentar em público a vida dos partidos políticos. Nunca o fiz, não faço, nem façarei (…)”  Nem fa-ça-rei! É-pá!!! Ouça no link.

08 março 2012

07 março 2012

A "mania dos salários dos ricos"

Acabo de ver passar em rodapé numa TV, uma frase sem identificação do autor. “É preciso acabar em Portugal com a “mania dos salários dos ricos”. Alguém que a tenha ouvido nos pode esclarecer quem a disse? É que já tivemos um PM que nos dizia quando falávamos disto, que era inveja social. Quem será que veio agora dizer que é “mania” a nossa preocupação com as catroguices de quem escandalosamente se acha tranquilo “no seu valor de mercado”, quando a pobreza assola este país, e grassa a incerteza sobre o futuro dos jovens que deveriam estar a entrar no tal mercado em que estas bestas se alapam? Não é justo pensar-se que perante as evidências da falência de um sistema desenvolvido para perpectuar uma casta, que em alguma parte do nosso percurso nos deixámos enganar? O mundo está em recessão sim, mas principalmente porque as suas energias são há muito sugadas pelo egoísmo, que para não parecer tão mal lhe chamam ambição, quando comungam. Sendo ambição já é uma coisa boa… não é? Quem é que não deve ser ambicioso?

05 março 2012

Da importância do contexto na comunicação

(Reeditado)

Como se pode verificar, não fiz aqui a migração para a nova ortografia estabelecida pelo Acordo Ortográfico (AO) de 1990, nem decidi ainda o momento. Tanto quanto sei, decorre até 2015 um período de transição para que tenhamos tempo de nos adaptarmos, sendo até lá válidas as duas grafias. Tive na questão do AO alguma renitência inicial, resolvida depois de ponderação, ajudado pelo exemplo do que foi também a polémica da última revisão no tempo do Pessoa, hoje pacífica. Convenhamos que não tenho nesta matéria formação bastante para argumentar com o suporte com que vejo alguns fazê-lo, mas também o que mais vejo são exemplos dados por quem se nota que nem o leu, e se resulta como intoxicação, também diz da má-fé de muitos. Resolvi, assim, colocar a uma amiga da área das Letras a seguinte questão:

“Acabo de ouvir o Manuel Alegre e o Bagão Félix, na RTP, falarem sobre o Acordo Ortográfico, e porque tocaram num ponto que é uma dúvida que tenho desde o início: ou seja, o da evolução futura da língua, uma vez que é falada por tantos milhões de diferentes culturas, e tendo este AO sido agora feito com base na predominância da língua falada no Brasil onde a dominante evolutiva é de base oral, - forma evolutiva esta, ditada pela abrupta expansão do português motivado pela chegada do nosso Rei D. João, ao Brasil, que daqui partiu apressadamente não levando consigo manuais que tivessem permitido que essa evolução se fizesse na base correcta. E pergunto: Como se dará no futuro essa evolução? No final, e em tom depreciativo, o Bagão brincou depois com uma frase cacofónica: "Não me pelo pelo pelo de quem não para para reflectir." Ou seja: "Não me pélo pelo pêlo de quem não pára para reflectir." Como se desmonta isto?"

E aqui fica a resposta que eu teria dificuldade em dar com esta clareza:

"Quanto ao preconceito anti-acordo dos que lamentam a alegada cedência ao Brasil, deixa-me só dizer-te que se houvesse predominância pela oralidade brasileira, até que nem seria mau de todo para a preservação da língua portuguesa. Eles abrem as vogais, dizem todas as sílabas, enquanto nós, portugueses, sobretudo os da região de Lisboa, tendemos a fechar as vogais, correndo-se o risco de excessiva consonantização da língua... Os militantes anti-acordo gostam muito de arranjar essas frases improváveis para o descredibilizar. Não te esqueças de uma coisa: antes de aprender a ler, já falávamos. E os analfabetos que ainda há – cada vez menos, felizmente – não deixam de abrir ou fechar as vogais por elas se escreverem com ou sem acento." E aqui introduzo eu já um exemplo: “(fulana) é tola da tola!”. "Mais: o pessoal do Porto, mesmo com acento, diz o verbo cantar da mesma maneira seja no presente seja no passado... Até a Fátima Campos Ferreira, há tantos anos em Lisboa, continua a dizer falamos/falámos cantamos/cantámos da mesma maneira. E quanto à frase do Bagão Félix, não sei como é que ele disse o 2.º "pelo", mas o que mais ouço é as pessoas pronunciarem de forma igual ao “pêlo” de um animal, o que não está certo no português europeu, já que se deve fechar a vogal na contracção da preposição POR + o artigo O/A/OS/AS.

No caso das palavras homógrafas e homófonas, “antes e depois do AO” há o CONTEXTO, que em situações de comunicação real ajuda a desfazer ambiguidades. Vejamos, por exemplo: “as partes conseguiram um bom acordo” por contraponto a: “todos os dias acordo às 7.00h da manhã”. Mesmo sem acento, parece que ninguém terá dúvidas sobre como se pronuncia e qual o sentido e a função morfossintáctica da palavra “acordo” em cada uma das frases."

Parece assim que a questão do “contexto” não é tão desprezível para quem queira fazer entender-se e falar do AO sem condições prévias, nem a exibição de frases armadilhadas por inusitadas cacofonias.

Reedição: O link do vídeo com a opinião de José Saramago, foi deixado em comentários mas merece bem fazer parte do corpo do post:


03 março 2012

Um árbitro sindromizado

Não é que o benfiquista Pedro Proença seja um mau árbitro só porque não acerta nos jogos do seu clube. O que parece evidente é que se força no momento das decisões a contrariar a sua paixão clubista, acabando por ser o Benfica a pagar a conta desse escrúpulo, e que nesse síndrome de independência de que sofre, prefira antes ser acusado por errar por excesso de zelo do que por compadrio. Estão nesta matéria como peixe na água, a Comissão de Arbitragem que o nomeia, e os adversários do Benfica que o aceitam com um sorriso aberto, e só por má vontade se não percebe isto. É já uma questão humana. Não espanta assim vermos Pinto, um especialista em arbitragens, tecer-lhe elogios, mas é injusto assistirmos à conquista de galões de independência com prejuízo de terceiros.

Mas há na Justiça portuguesa, para circunstâncias anómalas, uma figura jurídica que se chama escusa de juíz, justamente para proteger circunstâncias em que o juiz se sente constrangido por razões que conflituem com a sua independência no veredicto. Parece claro que o seu historial já legitima o Benfica a pedir a sua não nomeação, se ele não pedir escusa.

01 março 2012

Porque não fui à manif:

Uma pesquisa neste blogue que devolva textos sobre a Esquerda, mostrará a coerência de que aqui não escrevo contra ela, salvo quando foi preciso deixar claro a discordância. Isso não invalida que não tenha de cada partido de Esquerda uma análise crítica em cada momento do seu desempenho. O que pretendo evitar sempre é dar trunfos à Direita, não alimentando campanhas. Ao contrário, custa-me assistir ao permanente ataque e ao digladiar constante por um eleitorado comum.

Os tempos que correm, estão entre nós a provocar inconformismo, e se há inquietação, há também dúvida quanto aos métodos de contestação a seguir. Sou naturalmente dos inquietos mas também dos que duvidam dos métodos, ainda que o pense numa luta permanente entre uma formação pessoal tolerante, e uma enorme tendência para aceitar falar de revoluções, com todos os custos que implicam.

O avançar da idade atribui nas tendências políticas de cada um, uma valorização extremada à estabilidade e à segurança, acabando por sedimentar opções políticas conservadoras dentro de cada espectro, à Direita e à Esquerda. Do que agora aqui importa é esse efeito na Esquerda. Ora, sabemos como a Direita tem horror ao que não pode controlar, e temos ouvido recentemente como tolera bem a luta dos que se mantêm dentro do quadro institucional vigente. O actual quadro sindical é dado até por eles, como exemplo, porque são com essa previsibilidade o melhor tampão a qualquer coisa que não querem que aconteça. A Esquerda é assim desta forma encurralada. Controlada. E é aqui que começa a minha falta de entusiasmo com o “desfile organizado de rua”, cujo último grande resultado verificado acaba por cair apenas na exibição do número, contando espingardas. Não quero sair à rua desta forma para ser apenas exibido como um número com o qual a Direita pode muito bem. Como nunca me obrigo a nada, porque detesto fazer o que não faço com vontade, prefiro a distância que me permite interpretar de outra forma.

O espírito de liberdade que reclamo não me tem permitido o enfileiramento partidário, porque me baliza as opções, - excepto em ocasiões pontuais onde alguma utopia me pareça fazer caminho. Estive aqui na rua com estes, com empenhamento, e também aqui no Parlamento, mas também colaborei e fiz parte desta força cívica e voltei a integrar esta, e estarei sempre onde as cores da Esquerda se misturarem sem sectarismos, e sou por essa razão um fortíssimo opositor dos que fazem a desmobilização à Esquerda, não libertando os seus, ou criando vergonhosas iniciativas paralelas com o mesmo fim, apenas e só para que não haja desvios nos fiéis. Como podem depois pedir-me que os acompanhe, quando o objectivo, visto desta forma, não deixa de passar a ser mais um record para o livro dos números? Não sei se vale a pena referir a quem esta acusação é feita, porque ela é por demais, óbvia.

É assim, numa quase transversalidade política que apela a um ponderado pragmatismo, que melhor me sinto a exercer a cidadania que reclamo. Bem sei que esta reflexão não se enquadra nas bíblias políticas em uso, e que a transposição da Democracia para a organização política das sociedades tem outras formas mais exequíveis de se porem em prática, se bem que ande a precisar de uma urgente refundação, mas antes de considerarem a minha uma forma bizarra, preferia que a vissem antes como uma derivação nem sempre muito fácil de explicar.

29 fevereiro 2012

Como sonhei com a Troika.

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Era ali que tomava o café das manhãs e o refresco nas tardes de Verão, e com o Charles acabava a zurzir nas catroguices deste país. Mas o efeito conjugado da crise com uma renda usurária, puseram fim a mais um estabelecimento na cidade. Virá outro empresário incauto com o qual o proprietário não terá contemplações porque para ele só há uma coisa sagrada: o sacrossanto “valor de mercado”. O mesmo que uma grande instituição do país com um vasto património imobiliário, diz que é o que lhe serve de base para os seus arrendamentos ainda que as lojas estejam meses e anos sem aluguer, apenas e só porque “não é sua política baixar os preços dos arrendamentos”. E assim se faz o valor de mercado em Lisboa.

Podemos desenhar o que vemos mas com um esforço de memória também o que sonhamos, e foi o que aconteceu. Talvez com a crise a fundir os neurónios, acabei por levar isto para uma noite de sonhos, e o Café amplo e asseado virou num tugúrio estranho e claustrofóbico. Aquele sonho/pesadelo transformou os dois empregados, em três mulheres muçulmanas, ou ciganas, não sei bem o que eram, que apenas me fitavam sem responder aos meus pedidos. Porquê três? Só encontro uma razão: tr <> troika.

26 fevereiro 2012

"O meu valor de mercado"?

Desculpem o desabafo, mas estou hoje demasiado sensível ao meu empobrecimento, o mesmo a que vocês estão também a ser sujeitos, numa despromoção social que é mais preocupante porque não é linear e é reveladora desta nossa índole de pategos, que qualquer razoável vendedor de banha da cobra engana. Poderia ilustrar este espírito reverencial perante os embustes na nossa história como povo, de outra forma, mas o que agora me ocorre é o da parte inicial deste excelente vídeo que encontrei no Alpendre da Lua, e que recomendo.

Deixámos criar nesta democracia uns mostrengos, que não sendo individualmente culpados da débâcle, servem perfeitamente como exemplo dos vendedores que na rua nos ofereciam um mundo de bugigangas para nos levarem finalmente a comprar a banha da cobra. Como na parábola das varas de vime, não são culpados isoladamente, mas são-no totalmente quando juntos. Estamos a empobrecer mas há uma casta que medra à custa do regime e nele vive alapada, como aquela praga resistente que tenho ali a definhar a planta do jardim. Começa a parecer-me que a solução não passa por aniquilar a praga, mas a fonte que a alimenta.

Hoje, somos um país acatrogado, mas já fomos num tempo de visões de oásis, um país acadilhadoaloureirado e isaltinado por indecorosas faltas de ética, nunca bastantes para impedir este povo de parar na rua para ouvir o banha da cobra. São resquícios, talvez da forma diferente como em Portugal ocorreu o feudalismo, porque nos outros é trauma que não se nota, ou ainda outra coisa mais remota. É este tremendo autismo social que continua a prestar reverencialmente tributos indecorosos a estes mostrengos, e continua a permitir que alguém, com um descaramento canalha, avinhado nas cores e cuspindo pentelhos, esfregue na cara deste povo imbecilizado, o seu rótulo: “o meu valor de mercado”.

O seu valor de mercado?… Desculpem, mas visto assim este é um povo de merda.

16 fevereiro 2012

Defender a casa com a própria vida...

Fixem-lhe o nome e o ar de beata: Assunção Cristas.



De passagem ouço ainda falar da mobilidade geográfica forçada dos funcionários públicos, etc., etc. O que é isto?! Não estaremos na orla de qualquer coisa muito perigosa? Isto não será um ovo se serpente em gestação. Sente-se.

A vida começa assim a valer pouco para alguns quando a honra é mercantilizada com este desprezo por quem governa. Até um dia… E que seja breve.

10 fevereiro 2012

Schulz num take à Bergman

Mais do que aquilo que disse o alemão Martin Schulz, sobre Portugal, perturba o silêncio dos outros que o ouviam. São os pensamentos não expressos, os olhares atentos e as palavras não ditas. Atentem no vídeo. Por muito que queiramos fugir ao preconceito de ver neles alemães, esta é uma leitura que se nos impõe pela força da imagem, parecendo que o realizador nos quis levar através delas a uma conclusão. Se quis, conseguiu, porque foi essa a que tiramos. Pode o senhor argumentar agora que estamos a fazer juízos de intenção, mas o facto é que uma imagem vale mais do que mil palavras. Ingmar Bergman, por exemplo, conduzia-nos pelos silêncios. Ali há também subentendidos, pensamentos contidos por diplomacia, e isso, foi o que mais perturbou nesta intrusão na política portuguesa, porque disse tanto ou mais do que ele quis dizer.

08 fevereiro 2012

Um hino na serenidade e na voz

Ouçam mesmo, porque Cohen merece bem a homenagem destes breves minutos. Ele é seguramente neste registo de voz, um dos melhores que nos acompanha há já tanto tempo.


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04 fevereiro 2012

225

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225
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TAHRIR SQUARE
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Faz um ano esta solidariedade em Lisboa. Se as dúvidas eram umas, hoje são outras porque a inquietação de Tahrir parece persistir com outras formas, noutras cidades, por outras razões. Ou pelas mesmas?

Jamie Cullum in Concert

Esteve em Cascais e cantou que se fartou. Coisas que a gente perde quando anda por aí distraído. Notei-o na banda sonora do Gran Torino. Vi-o hoje na RTP2. Que grande músico.



Ou aqui e aqui

03 fevereiro 2012

O Vasco, a capelinha e o Acordo

(Reeditado)
Se o Ministro da Cultura, Viegas, já afirmou que o Acordo Ortográfico se mantém, é para implementar e essa obrigatoriedade é para o Estado, a partir de 2012, como se compreende que Vasco Graça Moura tenha na sua primeira grande decisão conhecida à frente do CCB, mandado suspender o seu uso naquela casa, inactivando até os suportes informáticos de ajuda existentes? Argumenta que a obrigatoriedade da sua implementação é para eles a partir de 2014, por se tratar de uma entidade de direito privado, mas como aceitar, que estando o Estado vinculado se coloque de fora dessa obrigação uma casa como esta, onde é fundador de referência, apenas porque o seu novo inquilino foi um dos mais acérrimos opositores do Acordo? Que imagem daremos da nossa cultura quando temos cada um a decidir no seu feudo de acordo com convicções pessoais? Ouvindo entretanto a veemência com que VGM justificou a sua decisão, diria até que ele tem em relação à medida que tomou, a certeza da cobertura por tutelas superiores. Não me surpreenderia. Que eu aproveite todos os limites da implementação do AO para me sentir mais confortável com a aplicação das novas regras, entende-se, o que não se percebe é termos entidades deste relevo a darem estas tristes imagens da forma como nos organizamos, num domínio tão importante como a Língua em que nos entendemos.

Terá sido exactamente daquele local que outro velho do Restelo bramou sem consequências contra a aventura, mas o seu espírito deve ter ficado por ali a pairar para que vindouros mediúnicos o encarnem no momento de decisões importantes, voltando sempre a mesma ladainha. Por muito Direito que lhe assista não ser pró-Acordo, não tem contudo o de ser "anti", no exercício das suas funções oficiais, só porque ganhou a sua capelinha. Foi assim Graça Moura no CCB: à primeira cavadela, minhoca! Promete.

Reedição:
Uma mensagem amiga alertou-me para o facto do Viegas não ser Ministro. Sim, agora reparo que nunca me pareceu Ministro, embora o tivesse promovido mais levado pela importância que atribuo à pasta do que ao empastado. Afinal ele é só Secretário de Estado. Bem feito para ele que não lhe bastou tanto polimento aos corredores do poder a que paulatinamente se foi chegando. Aqui fica a ressalva.

29 janeiro 2012

Manipulação Mediática


Faço hoje, de dois amigos, editores do blogue, num tema que merece sempre atenção. São duas respostas que recebi a um email que enunciava as “10 Estratégias das Técnicas de Manipulação Mediática", segundo Noam Chomsky.

Diz o Paulo, numa reflexão enriquecida por uma vida na Normandia onde se nota a marca da construção em Língua Francesa:

“É evidente que como dizes “o sistema” consegue elaborar modos de comunicação extremamente eficazes, muito bem refletidos e como sempre o Zé Povinho engole tudo sem se dar conta daquilo que come...

No entanto eu acho que foi sempre assim em relação à classe dominante, que teve sempre muitas ideias para manter o seu poder. Só que em certas alturas era pela força e pelo terror que acalmavam os ímpetos do povo que aspira à liberdade e à dignidade.

Hoje o assunto é muito mais complicado. Quer dizer que a evolução das diferentes formas de comunicação, nomeadamente a evolução das tecnologias informáticas, Net, redes ditas sociais e sobretudo a evolução no que diz respeito à manipulação das massas pela “comunicação”, alcançou um nível muito complexo e que não está ao alcance do primeiro borra-botas.

E nesse esquema, entreter as massas com mil merdas sem interesse (sem interesse para alguns, mas interessante para outros), faz que, efectivamente tudo é feito para não “perder” tempo a pensar!

Havia um provérbio que dizia: atenção: “PENSAR OU REFLETIR, JÁ QUER DIZER DESOBEDECER!” Isto não significa que não há resistências e outros modos de fazer frente. Mas é claro também, que é cada vez mais difícil. E é mais difícil e complexo, porque as propostas de alternativas ao governo deste mundo, desta Europa, destes países, destas regiões, destes distritos, destas cidades, destes bairros, destas pessoas, não oferecem nada de estimulante, nada de horizontes “ensoleillés”, nada que tenha a ver com os projetos e as ideologias que se transformaram em ilusões e desenganos eternamente entretidos como o paraíso, como se um dia pudéssemos atingir a paz, a calma e a fraternidade entre os humanos...Tudo é recuperável no objectivo de “marchandise” de dar dinheiro, do ter e do ser, ninguém ou muito poucos se preocupam…o poder da comunicação é sem igual, actuelment… é difícil escolher e não cair em emboscadas…tudo ou quase é pervertido…o desenvolvimento do individualismo foi tal, que as normas e os valores de ontem não têm nada a ver com a evolução da sociedade de hoje! Enfim... quando falas do “sistema”, o que significa um termo generalista que não diz a quem temos a ver, é simplesmente a classe dominante, os grandes patrões deste mundo, os detentores do funcionamento da finança, dos especuladores e sobretudo daqueles que sabem que o dinheiro deve sempre ir buscá-lo lá onde ele está, quer dizer “chez les pauvres”… e como há cada vez mais pobres eles têm ainda mais dinheiro a recuperar e mantêm-se e entretêm-se “tranquilamente” a precaridade e a paz social!!... Às vezes há revoltas, e mesmo revoluções… estás a ver o que deram as revoluções da “primavera árabe”? como te disse tudo se recupera!....Isto é um bate papo que poderia ser o suporte duma “soiré” aqui nas terras de Normandia onde espero que este ano tenha o prazer de vos acolher!!... E apesar desta visão realista e desencantada, o principal é resistir de uma certa forma, manter o espírito “en eveil” e preservar aquilo que conseguimos alcançar: a dignidade e o prazer de conservar grandes amigos como nós somos.”
 
E o Alexandre:

“Hoje a "Comunicação" já é uma ciência, com metodologias próprias, e onde se estudam os fenómenos comunicacionais espontâneos e os perversamente provocados. Alia-se, por sua vez, às técnicas de marketing, para vender sabonetes e presidentes da República, como dizia o outro, o Rangel. E a democracia começou a degradar-se, quando os políticos aderiram a estes processos."

Resistir, manter o espírito “en eveil”, foi a razão deste post.

22 janeiro 2012

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Reflexões sobre o Impeachment

Reeditado

Para além das razões formais que podem levar ao impedimento definitivo de um Presidente da República, deveriam existir também razões de ordem moral. Isto é, o presidente de um país não pode apenas parecer que é honesto e moralmente são, tem efectivamente que sê-lo.

Cavaco é um dos políticos há mais tempo no activo e isso faz dele co-reponsável nas razões do estado deste Estado e a ser comedido nas asneiras que balbucia vezes de mais. Vir queixar-se publicamente que não lhe chegam as pensões que aufere para governar a casa, quando auferiu em 2011, segundo o Jornal I, pensões no valor de 140.000 euros, quando há portugueses a debater-se já ao nível da sobrevivência, é moralmente reprovável por todas as razões, e em simultâneo, uma afirmação da sua incompetência e de que é um péssimo gestor, um mau economista num orçamento tal fácil, ou então, não sei se pior, está a mentir-nos, mas seja o que quer que for, é mais um prego na credibilidade pessoal e política que quanto a mim nunca teve. Este homem é e sempre foi, enquanto político, uma fraude que a Direita soube vestir ao jeito pimba para vender nesta feira poeirenta em que o país de vez em quando se torna e que nos envergonha quando escolhe assim.

Leitura recomendada: A revolta e a piedade, de José António Barreiros.

Reedição: Faltou dizer que li pela primeira vez a utilização do termo impeachment ao Presidente da República, um termo do léxico norte-americano adaptado à nossa Constituição, no Legalices, por Ricardo Sardo, pelo que aqui ficam os links: Pode? e Belemgate, para leitura obrigatória das reflexões, também jurídicas, sobre esta questão.

19 janeiro 2012

Que dia histórico!


De facto, é um dia histórico este… mas por isto: Ricciardi, um banqueiro, a dizer que “Este é o governo mais corajoso da democracia em Portugal”. Esta é ou não a melhor forma de dizer dos direitos que foram defendidos? Assim sendo, está tudo dito. Não podia o governo ter pior ajuda, porque se alguém tinha dúvidas, ouvindo este senhor, sabemos quem foi defendido. E se o que este senhor disse não é mais do que uma opinião, por que razão não pode Otelo ter direito a ter a sua, e eu a minha? que é esta: Têm dúvidas de que isto não vai acabar bem?

Imagem retirada do Ponte Europa.

18 janeiro 2012

Contributos para uma Revolução - II

A alteração feita por este governo à lei das rendas implementada pelo PS que permitia a mudança mas tinha ainda alguma zona de protecção ao inquilino, vai causar um desequilíbrio que potencia qualquer coisa de socialmente muito grave. Todos se assustaram com o que disse Otelo, e vai agora ser inquirido, não tanto pela opinião que manifestou mas antes, pelo peso e pelo medo que vai em muita consciência. Mas o que ele disse cabe bem aqui, e é simples: o desemprego é endémico, o tecido social está em ruptura, há famílias em desespero por alteração de estabilizadores, e os atingidos por esta lei das rendas são basicamente idosos pobres, facto que pode ver-se na quebra de 40% em 10 anos de contratos anteriores a 1990, quebra que seria maior ainda nos próximos 10 anos, logo, um grande factor a ter em conta na resolução do problema por essa via.

Essas alterações vão provocar a maior instabilidade nos bairros pobres, e a população assim atingida que tem ainda uma rede familiar, não vai assistir impune à desonra da família pelo despejo e esvaziamento das suas vidas, removidas provavelmente para subúrbios onde já não ganharão raízes. A Cristas, vai mexer nesta área com a tranquilidade que a ausência de um opositor permite, porque os idosos não têm capacidade reivindicativa, e o terrível engano pode estar na facilidade com que se pode legislar nestas circunstâncias. Não foi por acaso que esta pasta foi empurrada para o PP e o seu rosto seja o de uma caloira com sede de apresentar serviço. Não tenhamos dúvida, a infelicidade conjugada com outros factores de desencanto que essa alteração vai criar, vai ser insuportável e vai gerar uma rede de solidariedade na revolta que será um rastilho perigoso.

E tudo isto porque não foram capazes - ou não quiseram - fazer uma coisa muito simples: legislar na agilização do despejo dos prevaricadores faltosos ao pagamento das rendas, retirando assim esse entulho da argumentaria dos proprietários, o que pode configurar que é coisa que dá até jeito para funcionar como arma de arremesso. E dessa forma incluem todos os que cumprem e têm contratos legais que agora mandam rasgar.

Destaque: Jornal de Negócios de 27/12/11

15 janeiro 2012

Alerta na Coudelaria de Alter

O ano começou fértil em asneira que é como quem diz, mais do mesmo e o mesmo motivo para a indignação. Escolho para recomeçar, o relevo ao que pode estar a passar-se com os cavalos de Alter de Chão.
 
Chamou-se Coudelaria Nacional, agora é a Fundação Alter Real. Salvou o cavalo lusitano através de uma grande persistência no apuramento da raça, apesar das tormentas por que passou, mas debate-se novamente com a tendência para a asneira de quem gere estas coisas sem sair do gabinete, fazendo pairar novamente nuvens sobre ela avaliando pelo que diz o Presidente da Câmara, aqui no Jornal I. Há para mim uma questão que preocupa: a Coudelaria é um património valiosíssimo sob vários pontos de vista e não sei porque digo isto, mas o facto de o seu modelo ser uma fundação, preocupa. Admito que seja um preconceito e uma injustiça para as grandes fundações do país, mas não tranquiliza ver alguns interesses ligados a patrimónios nacionais com este valor. Se lhe adicionarmos ainda o facto de a presidência pertencer à cobiçada Companhia das Lezírias, temos melhor noção dos riscos em causa.

Depois, quem tutela estas questões governa como uma tropa fandanga de incapazes, julgando cumprir a função por aparecer em mangas de camisa na Comunicação Social. Contra este modo de tomar conta, tem valido a resistência das instituições, como agora a Coudelaria de Alter, que vão apesar de tudo sobrevivendo à negligência, impondo-se galhardamente a tanta asneira, nada podendo porém contra interesses que não são os seus. O Alentejo dificilmente encontrará um pólo com mais valor do que os cavalos que cria desde 1748 e Portugal deveria ter outra atenção com a mais antiga coudelaria do mundo.

Imagem da Fundação Alter Real

01 janeiro 2012

Bom 2012

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Foi um Reveillon doméstico minimizando gastos, e a foto é do arquivo pessoal reportada ao foguetório do ano passado, fazendo de conta que é deste. Tenham vocês Saúde e um Bom € Ano, e não se fiem em mim porque vou andar por aí em € dieta.