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07 julho 2013

A propósito da Alemanha: Pessoa e Unamuno.


“Pessoa terá desconfiado, como Miguel de Unamuno, e como outros críticos, do intuito e do alcance da proposta de Lorenzo em prol de uma “armonia ibérica”. Num artigo publicado a 7 de Junho de 1917, em España. Semanário de la vida nacional, Unamuno defende que a proposta de harmonia luso-espanhola se baseia numa grande admiração pela Alemanha, ou melhor, pelo seu tipo de imperialismo, e que essa proposta facilitaria que Portugal fosse, mais tarde, anexado a Espanha, apesar da aparente neutralidade espanhola perante a guerra. Unamuno defende, pois, a independência política da República portuguesa, como também o fará Pessoa, e propõe uma “unión moral” que nasça da “soberania popular”, convertendo, assim, as pequenas nações em símbolos de resistência ao imperialismo de conquista de índole alemã. Pessoa, como Unamuno, realça também o papel que as pequenas nações podem cumprir no âmbito dos mais desmedidos sonhos e expansão imperialista (texto nº 9 [97-1])”. in Fernando Pessoa. Ibéria – Introdução a um Imperialismo Futuro, Edição de Jerónimo Pizarro e Pablo J.P. López, da Ática. (Pág. 14),

28 abril 2008

La Rioja: A vergonha.

A partir de hoje La Rioja fica manchada como a região demarcada do famoso vinho espanhol, onde durante alguns anos puderam trabalhar, nas famosas vinhas e olivais, em formato de escravatura milhares de portugueses, oriundos de franjas da nossa sociedade com baixa escolaridade, toxicodependência e alcoolismo, sem que ninguém se tenha aparentemente apercebido disso. Foram maus embaixadores da nossa dignidade, mas são nossos, e devemos assumir a sua defesa com a mesma veemência com que defendemos os bons. Para um cidadão espanhol que não teve de cruzar-se com o problema, admito, mas para os beneficiários a quem o trabalho interessou é que já é difícil de entender tanto desconhecimento. Depois, a questão começou por ser assinalada desde 2005 e provavelmente já existia antes, estamos em 2008! Foi preciso deixar correr tanto tempo de crime a céu aberto para intervir? Quem andou também aqui a falhar e não teve pressa? Nós, ou eles? Como é possível tanto alheamento e aproveitamento da tragédia humana? Não haverá aqui mais por explicar?