





Pude finalmente dizer a um Galego a força que teve o gesto daquela Galeguita que apanhava na praia o crude do Prestige. Era preciso dizê-lo e tinha que ser a um Galego, só ele poderia perceber e transmitir àquela menina o tremendo significado que tiveram as desculpas que serena, mas convictamente apresentou ao povo português, pelo comportamento desgraçado do governo espanhol. Ainda hoje me sensibiliza e me lembra o arrepio na pele, a enorme lucidez daquela jovem que sózinha e atolada no lodo, deu uma lição da grandeza e da razão de ser o povo de Espanha que melhor nos compreende e aceita.


Livraria Buchholz - Piso inferior - R. Duque de Palmela em Lisboa, desde 1943.


Gosto de ouvir o Professor Adriano Moreira. Sou suspeito porque a minha laicidade e republicanismo divergem muito da sua matriz, o que poderia ser um obstáculo, mas não é. Quanto muito, pelo fascínio que me exerce pode, humildemente, abonar da qualidade do seu discurso e da sua sabedoria. A portugueses com este perfil, deveríamos considerá-los uma reserva da Nação, independentemente do gosto pelas suas opções políticas. A sublimação dos seus conhecimentos já não lhe permite a imposição agressiva de qualquer doutrinamento e é por isso que distingo, e aceito sem dificuldades, o que no seu discurso faz parte da estrutura da sua formação política.
Bordallo Pinheiro e Fontes Pereira de Melo
Este é apenas um exemplo dos muitos atentados que estão a cometer-se no Bairro do Restelo, em Lisboa. Este bairro que hoje não seria possível, foi um dos bons legados das políticas de urbanização do antigo regime. Durante bastante tempo não se deixou alterar-lhe as características o que fez dele, quanto a mim, um sucesso em termos habitacionais. Mas apareceram agora os novos ricos, patos bravos que a avaliar pelo gosto com que destroem muros originais onde cresciam buganvilias e outras sebes, mereciam antes desfrutar da qualidade de uma qualquer Zona J. Quem investiga isto? Como é que se deixa fazer se ninguém concorda, à excepção dos patos bravos que o fazem? Não há uma figura na lei que se chame “ o bem comum “ que permita a sua destruição? O direito adquirido pode sobrepor-se a ele? E se pode, deve?


