25 julho 2006

Eu vim de longe...(Re-editado)

O post editado ao início da manhã de hoje, sobre a reforma atribuída a Manuel Alegre, foi removido.

Mais do que um juízo sobre a justeza da lei em vigor para estes casos, o que estava em causa era aquela reforma, a indicação de que ela tinha origem na RDP e o tempo de trabalho efectivo. Foi assim que a notícia apareceu e foi ouvida logo pela manhã e ninguém podia ficar-lhe indiferente. O que é grave, é como tudo isto acontece, e porque é que tudo isto acontece. Será despiciendo que na lista apareça RDP? E sê-lo-á também que o Correio da Manhã se lance em parangonas sem indagar o que estava a dizer? E porque é que o assunto é tão melindroso que gera logo este frisson? Ou é o consenso geral de consciências pouco tranquilas sobre a nova lei em vigor?

De qualquer forma fui mais uma vez enganado pelo mau jornalismo. Pouco me importa quem enganou o jornalista porque só lhe competía confirmar o que escrevía. Por mim que também escrevi, tive Manuel Alegre algumas horas sobre suspeita, embora só declarasse assumir a divergência se tudo aquilo se confirmasse. Devo por isso desculpas a Manuel Alegre e é o que estou a fazer. Ao Correio da Manhã só lhe compete repôr a verdade nas mesmas letras garrafais, caso contrário é um jornal mentiroso.

16 junho 2006

Estúpidos por natureza?


Quando alguém refere que o povo português é estúpido por natureza, ou que um determinado comportamento advém da nossa estupidez natural, confesso que não gosto de ouvir. Os povos francês ou espanhol não são espertos por natureza e nós, também pela mesma natureza, estúpidos. Há tanto por detrás da existência de um povo, tantas situações culpadas pelo seu actual estado cultural, às quais é alheio que é uma injustiça classificar a geração em uso, de estúpida.

Os comportamentos ditos, estúpidos, de um povo, devem ser lidos, em primeiro lugar, à luz das razões pelas quais não conseguiu ainda atingir esse estado de desenvolvimento social e cultural que lhe permita outros mais urbanos, por falências e/ou outros abandonos ancestrais, mas nunca por uma questão de natureza. Como parte que sou deste povo, não me sinto nem um pouco mais estúpido que o espanhol ou o belga e recuso aceitar que os meus filhos não estejam agora em pé de igualdade com a concorrência europeia. Mas os seus avós, esses, coitados, passaram as passas do Algarve!...

14 junho 2006

As Doenças dos Pombos - II


A Câmara Municipal de Lisboa é impotente para resolver o problema da proliferação de pombos na cidade. Têm que declará-lo. De outra forma o cidadão está a ser enganado por omissão da gravidade do problema.

Se os pombos estivessem como outrora apenas confinados ás praças da cidade, resultaria a política actual de lhes dar os anticoncepcionais caríssimos com que a Câmara os mima. Assim não resulta. Dizem que fazem capturas! Se as fazem nunca as vi, não chegam e aqui na minha zona não é. Talvez seja na Praça do Municipio e no Terreiro do Paço. Só não vê quem andar distraído. Entretanto, alguém vai esfregando as mãos com este negócio de dar milho aos pombos. Cada vez me sinto mais rodeado destas aves pestilentas e poluidoras. Felizmente morreram agora mais uns quantos borrachos afogados nas floreiras vazias do prédio do lado, mas vão lá ficar a criar bicho e varejeiras. Lisboa é já referida no Brasil devido a esta perfomance. Uma das provas do abandono de uma política de controlo também pode ser encontrada no site da CML, em que esta última notícia data já de 2003...


Um dia destes, um amigo saíu de casa e apareceu com uma pistola de pressão de ar para fazer justiça pelas próprias mãos. Uma família não consegue vender a casa que habita para fugir aos pombos, porque invadiram o andar ao lado e ninguém quer vizinhos destes. É o desespero a tomar conta das pessoas. Os protectores destas aves terão assim tanto poder neste país? Haverá algum lobby das protectoras dos animais?

Pode ser que nos corredores da Câmara se desconheça a gravidade! Poupo-lhes a pesquisa, aqui está a papinha:

- Quand les pigeons portent la mort – Nouvelles CSN.
- Pigeons – tameside.gov.uk
- Pigeon diseases and pests – essortement.
- Lista de Doenças – Carlos Fonseca
- Os Piolhos e a Maternidade – Jornal Público.
- Pombos: a nova praga das metrópoles – Universidade de Pernambuco.
- Pombos também podem transmitir a gripe aviária - Itapetininga.
- Controlo Preventivo de Pombos – Câmara de Loures.
- Bonitinhos e Perigosos – São Paulo.
- Pombos e Doenças – Confederação de Criadores de Aves do Brasil.
- Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias.
- Bio Saúde – Brasil.
- Sábio – São Paulo.

12 junho 2006

Solidariedade na Música.


Estes músicos: “Ao Encontro da Música” estão desesperados, falam de prepotências e reclamam a nossa atenção e a de responsáveis que deveriam olhar para a aplicação das suas ajudas de outra forma. Os processos na Justiça parecem acumular-se e fazem petições: http://www.PetitionOnline.com/Prelude/petition.html denúncias que merecem ser divulgadas, porque alguns dinheiros que suportam aquela Orquestra são também nossos impostos, senão vejam: são promotores - instituições que contribuem com dinheiro para a sua viabilização - as seguintes entidades públicas, pelo que lemos na sua página oficial:

" Fundadores: Câmara Municipal de Lisboa; Ministérios da Cultura; da Educação; do Trabalho e Solidariedade Social; da Ciência Tecnologia e Ensino Superior; da Segurança Social da Familia e da Criança; Secretaria de Estado da Juventude; Instituto do Turismo de Portugal.

Promotor Extraordinário: Montepio Geral.
Promotores Nacionais: Caixa Geral de Depósitos; Câmara Municipal de Cascais.
Patrocinadores: EDP; Banco Santander Totta.
Promotores Regionais: Câmaras Municipais de: Alcácer do Sal, Alcochete, Azambuja, Barreiro, Caldas da Rainha, Lourinhã, Mafra, Moita, Montijo, Oeiras, Palmela, Sesimbra, Sintra e Torres Vedras."

Não há quem vá lá ver o que se passa e o que anda aquela Direcção a fazer depois dos desvarios anteriores? Ou é por estarmos em Portugal e isto insere-se nos padrões normais da aferição da gestão da cousa pública? Quando entra na nossa gestão, o rigor? Os Ministros, os Presidentes de Câmara, os Secretários, os Administradores sabem disto? Como diria o Vitor: Um nojo!


11 junho 2006

Logo veremos.


Não houve muitos 10 de Junhos como este. Os portugueses querem, mas Angola também merece. Logo veremos...

Post-Scriptum: Venceu a experiência, mas foi bonito ver os Angolanos em festa, sem mágoa. Agora, até ao fim também vou ser Angolano...

31 maio 2006

Anedotas e Comunicação

Obrigado pela tua lembrança de mais um e-mail sobre o tema, O Código de Carrilho, mas com a sanha que para aí vai sobre a questão Carrilho tens que ser mais despachado, senão, chegas atrasado e não trazes novidade. Como vez está a bater certo, os lobos estão a encarregar-se do cerco e sabem como fazê-lo porque o terreno é fértil, (esta do fértil, juro que só não é para ti, porque te dou mais do que o benefício da dúvida). Mas olha, o anedotário não me inquieta, só quando me sinto a fazer parte de maiorias é que me questiono. Neste momento as piadas e anedotas estão a fazer o mesmo circuito dos salões que fizeram as do grande Samora Machel que como sabes era apenas um enfermeiro que mal tinha a 4ª classe e tiveram o grande mérito de encher o ego a tanto incapaz. Nessa altura, também estive sempre em minoria e que porra de orgulho que eu tenho nisso, João! Que mal me sentiria hoje se me tivesse deixado ir na onda maioritária da vacuidade das anedotas. E como tu “os” conheces e “as” conheces bem, são os mesmos, porque como diz o outro: eles replicam-se. Tem por isso cuidado João, com as más companhias... Por mim sossega, porque bandeiras, só com causas, nunca pelos homens.

Desta não desisto, enquanto não souber de que falamos. Ou seja, não falo de publicidade em que é a minha leitura que com alguma subjectividade, faz o produto (o candidato). Ou quando sou eu que me deixo ou não seduzir pelas alterações que são aplicadas ao produto (o candidato) e me fazem aceitá-lo, ou não, melhor do que a outros. A publicidade ri-se para nós, diz-nos que está lá, engana-me mas eu tenho a consciência disso se quiser. Não. Não falo “dessa” comunicação, no sentido em que eu falo é a outra, aquela que me dá o produto de uma forma manhosa, isto é, a sua intervenção finge não estar lá, foi subreptícia, escondeu-se, não me deixou a possibilidade de ver a diferença e gostar ou não, deu-me um produto já alterado com apenas uma via de aceitação. Não aparece no produto para não lhe tirar a credibilidade. E tu achas que “aquela" publicidade também é “esta comunicação”?


30 maio 2006

O Dr. Silva Lopes responde!

O Dr. Silva Lopes leu neste blog, o post “Os Apaniguados” e deu a resposta assim preto no branco: " (...) há que por em causa o que são os direitos adquiridos das reformas milionárias" (injustos privilégios adquiridos, sublinho eu), ele próprio, diz, põe a reforma dele em causa com este processo, mas terá que ser feito. Haverá um grande problema constitucional é certo, mas esta bomba terá que ser lançada.

Finalmente, isto está a ser dito neste momento, publicamente, num programa de grande audiência, Os Prós e Contras na RTP1. Não são os pobres reformados que têm audição e qualificação para dizer uma coisa destas. É por isso uma grande declaração dado que vem de um economista respeitado que todos têm de saudar agora, já que não a saudaram quando fui eu a fazê-la aqui, desta forma: "(...) A questão para mim é em termos nacionais tão grave que só a penso em termos retroactivos: Quem? Como? Quando? E Quanto? Desafio os poucos que aqui vêm, a debater esta questão." Parabéns ao Dr. Silva Lopes pela coragem de se arrojar a dizer aquilo que nenhum dos que lá andam se atreve a propor.

29 maio 2006

Quem os põe na ordem?

Era uma ilha tranquila com tudo para ser possível descansar do bulício de Faro e Olhão. Pelas duas da tarde, a refracção fazía ondular a imagem da paisagem para onde quer que se olhasse. As crianças não aguentavam os ares fortes e os corpos cedíam também ao torpor necessário para o carregamento de energias.

Sería assim, até aparecer sempre àquela hora o mesmo energúmeno a exibir alarvemente os seus dotes de novo rico, com uma potente mota d’àgua. O som propagava-se numa ressonância tal que entrava dentro das casas com a última ondulação que morria ali no cascalho. A Ilha acordava. Os bébés recomeçavam as lamúrias e a tarde tinha sempre um início de pesadêlo. Umas quantas centenas de pessoas eram desta forma privadas do sossego que procuravam, apenas pelo divertimento de "um" só indivíduo. Não havía lei que o proibísse.

A mesma lei que não poíbe que motas invandam as albufeiras que abastecem as populações de àgua, permitiu hoje, não só importunar quem descansava, como enviar para o fundo da barragem, com a ondulação, dois jovens que preferiam o desporto mais ecológico da canoa.

Quem legisla sobre isto? Como pode um só indivíduo provocar tanto incómodo sem lesgislação especifica que o contrarie. É que aquilo não é um desporto de massas, é uma brincadeira canalha de meia dúzia que devería estar bem confinada e com regras apertadíssimas para não disputar os mesmos espaços e não conflituar com muitos milhares de pessoas.

23 maio 2006

Centrais de Comunicação?!...

Se há sistemas perversos de comunicação social que funcionam com o objectivo de conduzir a opinião pública, diria melhor, acarneirar a opinião pública, através da quase totalidade dos orgãos de difusão dessa comunicação social, no sentido do interesse particular de quem lhes encomenda esse serviço, e, se nos querem fazer crer que se deve aceitar que a informação e a comunicação possam estar assim entregues a essa espécie de mercenarismo que tanto vende gato como lebre, em função da moeda que recebe, em vez de resultar da luta quotidiana do jornalista pela notícia, beneficiando assim o consumidor final com a verdade dos factos, esta sim verdade dos factos, então, eu tenho o direito de exigir que o meu país crie, ou mantenha orgãos de comunicação social: Imprensa, Rádio e TV, livres da esfera privada, onde seja interdito esse serviço, e seja considerado crime o lobby de qualquer caixeiro viajante da informação e comunicação, que eu, como pagador de impostos tenho o direito de exigir: Isenta!

21 maio 2006

A Madeira

Adriano Moreira, Freitas do Amaral, Mota Amaral, Veiga Simão, são todos politicos que fizeram a sua transicção do antes, para o depois do 25 de Abril, integrando naturalmente as suas idiossíncrasias no regime democrático, diríamos de uma forma brilhante. Assim foi porque possuíam efectivamente temperamentos democráticos, cada um com a sua própria matriz.

A excepção foi esta espécie de ave rara – cada vez mais rara, porque os povos esclarecidos vão acabando com elas – do Alberto Jardim. Uma certeza eu tenho, não conseguiria viver na Madeira com este espécimen e rodeado por aquela cáfila de lambedores. Deve ser tremendo e penoso, quase uma dor, de angústia, para alguém com um elevado espírito de cidadania ter que conviver com aquela manápula que paradoxalmente (ou não) estende àquelas tubas ululantes e rudes.

Lembro-me que a minha descoberta do Estranho Estrangeiro, começou com uma invectiva que fiz às gentes da Madeira, ao configurar o Jardim, naquele povo, esquecendo um pouco que também não o admito que o façam ao povo do Continente, tal a impressão que me causavam os uivos selváticos daquele êxtase do Chão da Lagoa. Mas são assim os povos, os mesmos que depois lincham os ditadores, ainda ululantes e rudes.

Mas este homem não está isolado a fazer aquilo, os seus pares do PSD no Continente prestam-lhe vassalagem, os seus nomes já lhe estão colados, já não o podem negar um dia. Sempre que vão à Madeira, lançam a rede a mais um voto, numa prostação só possível pelos nossos brandos costumes e por haver por aí muita gente de espinha mole, a mesma que se deixou humilhar pela protecção de Lord Beresford e pela ocupação dos Filipes. Continua a faltar-nos a capacidade colectiva de dizer: Basta!

Considero por isso que os links que vou fazer mais uma vez, só podem ser enquadrados nesta espécie de luta comum de paladinos pela cidadania e liberdade, primeiro, que a democracia virá depois.

Com a minha enorme solidariede, se a quizer aceitar Vitor e a promessa de que erguerei um dia a minha taça de champanhe no dia da sua “libertação”.

(...) “É imperioso, pela preservação de alguma sanidade democrática, denunciar Jardim e sequazes, impondo restrições à fruição iníqua da justiça.” (...)
(...) “Mas o problema radica na alienação estúpida e estupidificante desta massa pastosa que deifica Jardim (...)”
(...) “perfilando-se entre os seus devotos membros homens como Nuno Rogeiro que, após uma visita à Madeira, exaltou a obra de Jardim, num paradigmático indício da leviandade pestilenta que vitima todos os viandantes que se deleitam com a opulência da “Madeira Nova” (...)
(...) “Na Madeira, há famílias escorraçadas das suas casas devido ao progresso galopante e cego. Um progresso com a conivência da justiça, representada por uma figura de olhos vendados. Naturalmente. “ (...)

20 maio 2006

Manuel Maria Carrilho


Vou na página 76/207 do livro “Sob o signo da verdade” de M. M.Carrilho e tenho estado a contrariar a enorme vontade de, antes de concluir a leitura, deixar o meu testemunho do que me pareceu que aconteceu. Também eu entendo que houve uma operação sibilina, porque eu vi o mesmo que todos viram e a desproporção entre o que vi e o eco que me chegava era um verdadeiro absurdo.

Desde muito cedo, aprendi a leitura das entrelinhas do que se ía dizendo na nossa comunicação social em geral. Foi no regime anterior em que ía comparando os factos que vivia, com o relato deles. Não sou por isso influenciado por editoriais e artigos de opinião dos novos escribas que quanto melhor se portam melhor o dono os recompensa. Nesta questão de Carrilho, fui sobressaltado um dia com este telejornal. Para além do gáudio demonstrados ali, confirmava-se a evidente falta de isenção daquele telejornal, perante aquele candidato. Mas o livro acrescenta agora mais, e vem revelar que também aqui, Portugal está doente. O que se diz é grave – e não o tendo como invenções do ex-candidato – isto vem confirmar alguma coisa já pressentida antes. Somos de facto um país pequeno para tantos a comer do mesmo saco: há consaguinidade no nosso jornalismo. Felizmente apareceram os blogs como alternativa, porque cada vez mais não sabia o que comprar para ler. Está a acabar a época da ética no grande jornalismo. Querem um exemplo? A primeira página do Jornal Independente da semana passada: “Mais um livro do Carrilho”, a leitura que se induz é: “Mais um livro do car_lho”. Foi assim que muitos de nós lemos a parangona. Ontem mesmo, em duas dessas revistas que aparecem hoje e dasaparecem amanhã, lá estavam os editoriais soêzes e despeitados, porque se lhes está a tocar na capelinha.

Não deixa no entanto de ser preocupante que muitos portugueses não respeitem a autonomia que cada um quer por na sua vida. Se não se afinar pelo mesmo acorde, aqui d’El Rei! Estrangeirismos! Um alvo a abater! Se acarneirarmos, não sairmos da fila, seremos gente respeitável. Continuamos deficitários do pensamento autónomo que nos pode desenvolver. Se publicamente nos confrontamos com uma onda cretina qualquer, existe o medo, o tal do José Gil, e não somos capazes de ousar, porque a nossa autonomia é imberbe. Não defendo Carrilho por contraponto disto, mas porque sinto verdadeiramente que o que se passou e está a passar é mais grave do que à partida parece. Parabéns Prof. Manuel Maria Carrilho pela coragem de ter dito o que muitos não conseguem. Leia-se, Medeiros Ferreira, aqui: O fim da Idade da Inocência.

Quem emitiu opinião sem ler o livro, pelo menos até esta página, deveria fazer um acto de contrição e arranjar “coragem” para o ler. E depois, só depois, dizer se concorda ou não que o país esteja neste estado jornalístico.


19 maio 2006

Rebanhos e Pastores

Subject: ARROIOS: Uma resposta.
cota de colares has sent you a link to a weblog:
Penso ser nova maioria. Não aparece qualquer nome, o têxto tem erros, nada se diz sobre quem construiu esta situação. Mobilização anónima procurando juntar um rebanho.Onde anda o pastor?

João!

Fui buscar esta tua resposta, depois do email que acabas de me enviar sobre o Subsistema de Saúde dos Jornalistas. Mais uma vergonha! Quase todos os dias vamos sabendo coisas que não vinham a público. Depois de mais esta, achas que faz sentido falar em rebanho e perguntar onde anda o pastor? Precisamos de um pastor para alguma coisa?! Vai novamente ver o post anterior, porque antes do email dos Jornalistas já eu perguntava o mesmo que aquele email perguntava sem saber ainda do problema: "...Quem pode falar e intervir não o faz, sabem porquê? Porque o objectivo é chegar lá, e depressa." Era isso mesmo que eu queria dizer também, João. Viste alguma central de alguma coisa preocupar-se com as rendas e agora com estes escândalos? Os Jornalistas?! Mas que jornalistas? Que jornais? Que independência? João! Não andam todos preocupados em manter o emprego? Quem lhes paga o soldo? Quem se vai meter na boca do lobo? Ou talvez seja melhor ouvir o que o Carrilho quer dizer? E vocês preocupados com as regras desta democracia de caca, João? Desculpa a falta de decoro, mas há dias em que a injustiça ao povo, me inviesa o espírito e o esbarrar constante com a evidência de que é imparável este esquema de permanente atropelo terceiro mundista, me fazem muito mal, com tudo isto a passar ao lado do cidadão comum e não vendo forma destes processos se deixarem de perpectuar, porque, pura e simplesmente: “não existem". Oh João não me fales de rebanhos e de pastores, o que nós precisamos é de alguém que espante os rebanhos e desanque os pastores.

Pode não vir a propósito, mas é Almada. Serve: “(...) Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida.
Não chegam, não duro nem para metade da livraria.Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido.
No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas muito bem vestidas de quem precisa salvar-se.
Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa – salvar a humanidade.”

18 maio 2006

Luto Nacional: 22 e 23 Maio

Quanto ao Luto Nacional, já percebemos que há quem queira tirar partido, porque não há ninguém a assumir a convocação, porque não se conhece a cabeça, porque é um método perigoso, porque a democracia deve estar vigilante, blá, blá, blá, blá.
Pois é. E se for aí uma dessas conhecidas reivindicações corporativas? Já há alguém a assumir a convocação! Já se conhece a cabeça, aliás, as cabeças! E o método já não é perigoso, porque a democracia está vigilante e já me podem vir democráticamente ao bolso! E neste caso quem vigiou a democracia perante esta pressão corporativa? Ninguém. Aliás terá até algumas ajudas de outros sectores de onde se auto-alimenta. E a Imprensa e a Comunicação Social não deu uma ajuda?

Ao contrário, os Silenciosos, estão sem defesa alguma, porque não têm central que lhes assuma a convocação, porque não tem chefe, logo não há cabeça, porque o método é classificado de perigoso por isso, por não terem central, por não terem cabeça, blá blá.

Quem aproveita, aproveita alguma coisa. Esqueço o sujeito, a minha preocupação é o complemento directo. E acho infame que todos achem que os motivos para a Luto se justificam, mas não valem porque não se conhece a cabeça.

Não virei reacionário, já me preocupo é pouco se alguma mal vier para a democracia, porque estou farto de vê-los encherem-se com a afronta que é inicarem contratos de trabalho com 15 e 17 anos de avanço prá reforma, sobre esta maioria silenciosa de inertes. O povo não sabe, porque também muito do que estamos a saber é recente e quando souber já têm o saco vazio. E depois, a rectroactividade só vale se for para fornicar o povo.

Quem pode falar e intervir não o faz, sabem porquê? Porque o objectivo é chegar lá, e depressa.

17 maio 2006

Delgado & Mondlane

Eu era pequeno, mas lembro-me que a Ditadura o fazia passar por um mau português. Quando visitou o seu amigo António Figueiredo, jornalista da BBC em Londres e este o avisou dos perigos que corria, Delgado respondeu-lhe:

- Ninguém dá a vida, só dou o que me resta da vida...

Premonitório. Pouco tempo depois, era assassinado em Espanha, às mãos de Casimiro Monteiro o mesmo esbirro que assassinou Eduardo Mondlane, o primeiro organizador da libertação de Moçambique.

Há homens que vivem para morrer com o privilégio desta dignidade. Outros, viscosos de nascimento, lá morrem. Só morrem!

13 maio 2006

Momentos únicos.


Dois dias de Música nas Catedrais.

O Grupo Coral “The Sixteen”: um dos melhores do mundo. Os Claustros dos Jerónimos: uma das mais bonitas filigranas de pedra.


Uma comunhão visual e musical excepcional.


Foi de borla. E estava assim.

10 maio 2006

Uma resposta.

Acabo de receber um email de envio múltiplo que se configura como resposta ao que foi escrito nos dois posts anteriores. Trata-se de uma convocatória para um Luto Nacional dia 22 e 23 de Maio, dando mais exemplos escandalosos dos valores envolvidos neste fartar vilanagem nacional. Forma de manifesto ao arrepio do que entendo deva ser a participação cívica na cousa pública. Fico por isso empalado entre as minhas éticas e as faltas de ética de quem permitiu que isto fosse posssível, por vezes, parecendo fazer lei com proveito próprio. Há muita gente estupefacta a não perceber como é possível alterar este estado de coisas, porque o sorvedouro nacional continua de bica aberta. Mesmo que algo venha a ser alterado o que já foi feito é suficientemente grave para os nossos bolsos. Preocupo-me pelos meus níveis de revolta e antevisão do patamar que pode atingir noutros extratos sociais menos dados ao debate. Poucas vezes, como agora, senti desde Abril que há um ovo de serpente em gestação. Estou a aderir a uma maioria silenciosa? Incrível.

29 abril 2006

"Os Apaniguados"

É urgente tratar esta questão: Uma coisa são os normais e justos direitos adquiridos, aqueles que dizem respeito á persistente e difícil vida de trabalho, ao longo no nosso período activo. Outra, são os anormais e injustos privilégios adquiridos, mordomias chorudas, claro! Á luz do Direito que muitas vezes anda torto, porque legislar é fácil mas bem é difícil, estará tudo direito. A Justiça pode assim continuar de olhos vendados que o assunto não é com ela. Sendo então impossível apelar para provedores de justiça em Direito torto, qual é o patamar possível? Nenhum? Ou é rasgar a cartilha e voltar ao ponto zero? Quem é capaz de abordar aqui nesta blogos esta Utopia? A questão para mim é em termos nacionais tão grave que só a penso em termos retroactivos: Quem? Como? Quando? E Quanto? Desafio os poucos que aqui vêm, a debater esta questão. Não aqui, porque a visibilidade urge e a questão merece mais do simples comentários. Digo de outro modo, quem tem coragem de deitar pedra montanha abaixo? De outra forma é guerra de alecrim e mangerona. Sugiro-vos o título: “Os Apaniguados”.

No seguimento de post anterior, Oligarquias & Sinecuras, aqui fica mais um dos exemplos de gente como – no Tugir - impaciente com o rebanho de pacientes em que nos tornamos:

(...) ” Blasfemo, quando penso nesta cambada de eleitos a mastigarem coisas que lhes não pertencem, coisas que geriram mal durante décadas, coisa de onde desviaram milhões dos propósitos a que se destinavam, coisas de onde pagaram (e pagam) ordenados e mordomias chorudas a apaniguados e que vêm agora, com a cara de pau de quem não tem responsabilidades, passar a factura a todos que, ao longo de uma vida de trabalho, sempre contribuíram com parte do seu ordenado para aforro da reforma.” (...)

(...) “ E, no maldito engarrafamento desta manhã, perdido nestes pensamentos enquanto os alarves do costume passavam pela faixa de segurança e os mais espertos aproveitavam qualquer distracção para se encaixarem na fila ultrapassando os que já lá estavam, meditava na legião de pacóvios que somos, no rebanho paciente em que nos tornámos, no incompreensível sentir de um povo que acha bem que todas as Tias de Cascais que nunca trabalharam na vida, consigam ter uma reforma fraudulenta como se tivessem sido mulheres-a-dias (...)”


Leia o resto.

27 abril 2006

Oligarquias & Sinecuras

Comemorar o 25 de Abril a ouvir um presidente debitar um discurso, cujo objectivo nunca seria convencer quem o elegeu e por ele está convencido, mas antes, alargar a sua base através da vacuidade de alguns temas alvo, muito ao gosto de ouvidos desavisados permeáveis a tudo o que soe à inefável caridadezinha portuguesa, é confrangedor.

Comemorar o 25 de Abril a abrir emails com listas de personalidades de todas as àreas deste país, que se reformam, aposentam e ausentam, com anos de trabalho de avanço que lhes oferece o cálculo de pensões milionárias sem terem vergado a mola, e perceber agora que por isso não denunciaram o ardil, porque também dele viriam a usar, assim como outros a seguir, até ao próximo email que receber, leva-me a pensar se não é legítimo classificar isto de actuação de governação e legislaçao com dolo, numa determinada fase da nossa história recente.

Qual Povo, e quando, pode outra vez prover justiça, ou revolução, porque não, que dê esperança pelo menos enquanto dure?

Valham-nos alguns pensadores que nos garantem que a ancilose não tolhe todos. O Vitor Sousa do Estranho Estrangeiro vai desculpar-me mais este corta e cola, mas é urgente o desassossego. Vá lá ler o resto.

(...) “O torpor cívico vigente, com o exílio da cidadania – deportada para territórios jurídicos – é o sustentáculo deste Portugal corroído e brumoso, onde as clivagens entre a política e o povo se adensam, ameaçando a irreversibilidade devido ao consabido hábito. Tornou-se, efectivamente, habitual a vociferação larvar contra os “políticos” – avaliados como pantagruélicos parasitas e nutridores da “fartar vilanagem” –, Homens que, açambarcando a “política”, deverão deter o exclusivo da responsabilidade. Todavia, o povo toldado limita-se a forjar um subterfúgio involuntário, procurando a ilibação que não concedo”.(...)

(...) “Os mesmos compungidos dissimulados que exortam à participação cívica como elemento detersivo para a “democracia” resgataram da abulia popular condições que conferiram resiliência aos seus pousos e sinecuras.” (...)

(...) “A exequibilidade da Democracia exige actividade mental. Princípio basilar da participação física que se evade à esterilidade. O povo não gosta de pensar. Ponto final.” (…)

25 abril 2006

Homenagem à Galiza.

Pude finalmente dizer a um Galego a força que teve o gesto daquela Galeguita que apanhava na praia o crude do Prestige. Era preciso dizê-lo e tinha que ser a um Galego, só ele poderia perceber e transmitir àquela menina o tremendo significado que tiveram as desculpas que serena, mas convictamente apresentou ao povo português, pelo comportamento desgraçado do governo espanhol. Ainda hoje me sensibiliza e me lembra o arrepio na pele, a enorme lucidez daquela jovem que sózinha e atolada no lodo, deu uma lição da grandeza e da razão de ser o povo de Espanha que melhor nos compreende e aceita.

Intervenho sempre com força aqui, em defesa do Povo da Galiza, sempre que se utiliza o termo de galego num sentido depreciativo, pela tremenda injustiça que se faz ao melhor dos povos de Espanha. Foi para Portugal que emigraram quando Espanha e Franco os esquecía e a vida era por lá dura. Têm hoje merecidamente numa das melhores colinas uma das melhores Casas de Juventude de Lisboa. Portugal e Galiza nunca estiveram de costas voltadas, pelo contrário, os bailaricos e Reveillons na sua antiga Casa na Rua da Madalena foram a prova disso. E estiveram comigo a comemorar Abril.


Aqui sim se justica o: Nuestros Ermanos.


20 abril 2006

"A Lista"


Desculpa amigo, mas sei que “mais biscoito menos biscoito” compreenderás o que digo, embora, e também com toda a honestidade que me reconhecerás, me interrogue se não quero com isto limpar imagens incómodas. Tenho por hábito sempre, mais dúvidas que certezas.

Não tenho, por estranho que pareça, curiosidade em ver a lista dos deputados faltosos à recente votação da Páscoa na Assembleia da República e pouco me importa quem faz parte do rol.

Que está lá gente que não gostaria que estivesse, é um facto, mas o problema não é uma questão individual, é antes um comportamento colectivo, primo dos abomináveis comportamentos corporativos que tanto mal nos trazem. Não vejo que essa lista tenha outro interesse que não valor regimental para os serviços da Assembleia e para a necessária pedagogia.


Sabes? É no fundo como nos tempos de escola: já não vale quando temos que apontar o dedo. A partir daí, perderemos também nós um pouco do sentido da Ética e da postura vertical que nos enforma.

19 abril 2006

O Progrom de Lisboa


Não editei post, mas entrei em comentários que podem deixar ideia errada sobre a minha posição nesta iniciativa.

Independentemente dos “porquês” respondidos ou não, estarei sempre reverente perante memória de qualquer vítima, como inquieto pelo esquecimento de qualquer culpado.


Cada um reverencía à sua maneira. Estive lá, sem vela. Mas lembrei-me outra vez de Timor.

18 abril 2006

A Ética em Debate.


Há poucos anos atrás Portugal embasbacou com a Ética como se tivesse descoberto a palavra. De repente, encheu com ela o discurso redondo e de circunstância, parecendo ser possível que a palavra por si, só, pode mudar qualquer sujo comportamento humano.

Foi moda de tal forma que até a Moda o assumiu, aparecendo com marcas de roupas e sapatos, aproveitando ao limite a exploração de um dos mais nobres comportamentos em sociedade.

Mas tal como a Moda não se compadece com o tempo, a palavra definhou, o discurso arredondou-se com outras formas e a Ética deixou de ser moda.

Até hoje. Depois das férias da Páscoa, no nosso Parlamento, os nossos Deputados debatem-se agora novamente com estas questões da Ética....

Boa discussão.

15 abril 2006

Tróia - O último reduto.











Tróia. 1º dia de praia.
Até com chuva encanta.










Um tesouro da natureza à nossa porta.
Vá e não deixe que estraguem.

13 abril 2006

Livros & Hipermercados.

Livraria Buchholz - Piso inferior - R. Duque de Palmela em Lisboa, desde 1943.

Que tipo de sociedade deixamos criar que nos amputa dos valores e referências que não queremos perder?

Recuso a aceitar a mistura de couves e batatas com a venda de livros, por isso, não os compro em hipermercados. As livrarias foram desde sempre a casa do livro, e são ainda um espaço mágico de que os sentidos aproveitam. Sabemos das condições leoninas que as editoras têm que suportar para estar presentes nessas superficies comerciais para não perderem por ausência. As livrarias, estão, como outros sectores do comércio a aguentar esse embate injusto. Compete-nos assegurar que elas vencem, pagando um pouco mais por isso. O leitor ganha mais uns cêntimos, quando compra o livro com o chouriço, mas perde a qualidade que lhe dá a entrada no ambiente fantástico de uma casa dedicada à cultura do livro, como esta

12 abril 2006

Educação e Jogo do Pau.


E ainda na Educação, volto para dizer que acabo de comprar este livro, tais foram as boas referências que li sobre ele:

O 'EDUQUÊS' EM DISCURSO DIRECTO
De NUNO CRATO - GRADIVA

A Gradiva e Nuno Crato são dois bons motivos para ler para arriscar o que digo. Esta crítica no Público, de Desidério Murcho, é um exemplo: (...) Este livro é urgente, é fundamental. Enquanto Nuno Crato e outros professores e intelectuais deste calibre não tomarem as rédeas da educação no nosso país, continuaremos um país rasca – bom para poucos, mas há custa de muitos.“
É animador ver tanta gente por fora a reflectir esta questão nacional.

11 abril 2006

Sobre a Educação Nacional


É por ser tão determinante para um melhor futuro do que este presente, que em matéria de Educação e Ensino, deveríamos estar todos mais atentos e fiscalizadores. Sem ser uma paixão, é, desde que fui encarregado de educação, uma área que acompanho com outra atenção, por me ter apercebido que os portugueses, todos, de um modo geral, delegam e desleixam.

Uma boa forma de o fazer pode muito bem ser esta, de estar informado com o que a comunidade destes saberes anda a discutir, no sentido de forçar as mudanças de qualidade, através deste debate público e não em circuito fechado, onde as ideias correm o risco da consanguinidade e até aqui elas andaram mesmo nesse pecado. É por isso que volto a esta Revista de Política Educativa do Público e da Têxto Editora que vai no quarto número e a mostrar que a lacuna que existía, está a começar a ser preenchida.

Aqui fica à atenção de Governantes, Professores, Alunos, Educadores e a si também, porque já é tempo de acreditar que não somos menos capazes que outros, temos é outros vícios, e esses curam-se.

(...) A economia de mercado é incortonável. Mas a sociedade de mercado é indesejável. O Governo não distinguiu esses conceitos, tomou por guião o valor implacável do dinheiro e denegou os valores sociais que enunciou para ser eleito. Vivemos, assim, no híbrido, sem ideologia nem ideias, que não sejam cortar e retroceder.
Não foi para isto que se fez o 25 de Abril. (...)


Do Editorial da Pontos nos ii de hoje. Prof. Santana Castilho



08 abril 2006

Todos podem Pintar (Part. II)


Quando disse em dois posts abaixo, que todos podem pintar, não disse que todos podem fazer Arte.

Mas “arte”, significa também “habilidade” e quem demonstrar alguma habilidade em algum ofício é candidato a entrar nessa escala da gradação. Pode é não sair da base da escala, mas isso é outro problema que não convem tratar agora!...

Quero com isto dizer que se experimentar e conseguir, entra na escala que o(a) pode levar a “artista”!... Consegui convencê-lo(a)?... Não?!

Então veja lá se um dos exemplos da experiência que fiz, em forma de cópia inacabada de um Rio Mississipi de C.Stricker, não passa?!...
Ficamos por aqui que isto já foi imodéstia a mais! Vá lá, pegue nuns pincéis e divirta-se!

Actualização: Nem de propósito, aqui fica parte de um texto de Ana Vieira de Castro, da revista XIS, do Jornal Público, de hoje:

“Mais tarde ou mais cedo, todos pecebemos qual é o nosso maior talento e tentamos investir nele. A aposta nesse primeiro talento parece certa e natural, mas hoje em dia sabemos que a inteligência fica potenciada se conseguirmos desenvolver os chamados segundos talentos. Os especialistas em comportamento e motivação que identificaram a Inteligência Emocional (IE), classifica-na como a forma mais completa de inteligência. A IE define-se como o largo espectro de talentos e capacidades que todos temos. Racionais, relacionais, afectivos, artísticos e por aí adiante. Por sermos todos dotados de muito mais do que um talento, vale a pena identificar os outros e cultivá-los.”

O Prof. Adriano Moreira


Gosto de ouvir o Professor Adriano Moreira. Sou suspeito porque a minha laicidade e republicanismo divergem muito da sua matriz, o que poderia ser um obstáculo, mas não é. Quanto muito, pelo fascínio que me exerce pode, humildemente, abonar da qualidade do seu discurso e da sua sabedoria. A portugueses com este perfil, deveríamos considerá-los uma reserva da Nação, independentemente do gosto pelas suas opções políticas. A sublimação dos seus conhecimentos já não lhe permite a imposição agressiva de qualquer doutrinamento e é por isso que distingo, e aceito sem dificuldades, o que no seu discurso faz parte da estrutura da sua formação política.

Entretanto, nos canais televisivos somos bombardeados por criadores de factos que nos metem os olhos pela cara dentro, nos azucrinam os ouvidos e que mais não fazem do que respeitar interesses que encapotadamente representam, alguns até parece, ingenuamente, é engano, porque sabem sempre de que lado acaba por vir a cenoura.

Almada Negreiros, Vitorino Nemésio, Torga, Agostinho da Silva, Emídio Guerreiro e outros, - são um exemplo, não uma comparação - hoje arrependemos-nos de não tê-los ouvido mais e termos pouco registo. O Professor Adriano Moreira, ainda aí está com saúde e uma lucidez invejável, como demonstrou o fim de semana passado na TSF, no programa Directo ao Assunto, a propósito da emigração e dos problemas dos repatriados do Canadá.

Crédito de imagem à Universidade Católica Portuguesa.

05 abril 2006

A propósito de Bordallo.



Bordallo Pinheiro e Fontes Pereira de Melo

A propósito da tertúlia de amanhã sobre Raphael Bordallo Pinheiro, abri ao acaso o seu Álbum das Glórias, reeditado em 2003, pela Frenesi, e saiu na excelente caricatura do Sr. Fontes, que vem acompanhada de um bom texto de Guilherme de Azevedo. Este não é o mais representativo da crítica mordaz daquele período, mas dá-nos uma boa indicação do ambiente de sátira social e política com que Bordallo e os amigos se divertiram:

(...) O Sr. Fontes é um parlamentar hábil e um estadista inteligente. Pôs-se à frente da sociedade portuguesa no último quartel do século XIX, e deixa-a ir para onde ela muito bem quer, para a glória ou para a bancarrota, sem a contrariar nos seus desígnios. Tem sobretudo a suprema ciência de lhe saber fazer as vontades. Ela não tem a compreensão dos seus destinos, o sr. Fontes deixa-a viver nesta doce ignorância. Ela não gosta de pagar mais décimas, o sr. Fontes pede emprestado aos vizinhos. Ela gosta da marcha cadenciada dos porta-machados, o sr. Fontes proporciona-lhe paradas.


É uma espécie de pai benigno que, levando o seu menino a passeio, se mostra complacente até ao ponto de, quando ele se deita no chão, pedir um vintém emprestado a um vizinho, indo a uma loja comprar dois bolos para conseguir que o pequeno se levante.


Quando estes meninos birrentos possuem a inefável dita de ter um papá que se chama Pombal ou Bismarck, o mais que conseguem, quando se deitam teimosamente no caminho, não é apanhar dois bolos, é abiscoitar dois açoites. (...)

Só peço ao amigo João que não se sirva do "abiscoitar dois açoites" e o branda como sua carta de alforria para discussões posteriores, e que não me estrague o post com divagações sobre o método, sabendo sempre que democracia é democracia mas que também ainda não conhece o expoente máximo do meu poder censório, neste blog.

04 abril 2006

Todos podem Pintar.

Uma entrada em comentários em À Rédea Solta obriga-me ao desenvolvimento em forma de post, pelo seu alongameto. A propósito do que diz Isabel Magalhães: Hundertwasser quer, com esta imagem executada com uma simplicidade extrema, demonstrar que todo o mundo pode pintar. Acrescento-vos eu o que aconteceu comigo: Um dia decidi levar à prática o que era uma enorme vontade desde os tempos de escola. Peguei umas telas, uns quantos tubos de óleo, uns pincéis finos de pelo de marta e num fim de semana sem meninos, ataquei apoiado numa JB e ao som de Roy Orbison, porque o que pintava tinha muito a ver com os sons do California Blue. A surpresa foi mais para mim do que para os outros. Acabava de resolver o tal problema de todos: ...e depois na Reforma como vai ser? Garanto-vos que não há actividade que mais nos preencha e absorva do que a pintura. Tudo depende depois do que se pretende, se é Pintar ou fazer Pintura, mas isso também passa pelo nível em que cada um se quizer ou puder situar.

Deixo aqui um extrato do livro de História de Arte, editado pela Gulbenkian que poderá dar uma ajuda a alguns dos intervenientes.


(...) “Mas o nascimento da obra exige, na última fase a participação de um público, sem o qual não se realizará plenamente. O artista não cria simplesmente por mera satisfação pessoal – deseja que a sua obra receba a aprovação dos outros. De facto, é essa esperança que de início o impele a criar, e o processo criador só ficará completo quando a obra encontar um público. No fundo as obras de arte existem mais para ser apreciadas do que discutidas.

Talvez consigamos resolver o paradoxo se compreendermos o que é para o artista o seu “público”. Não se trata de público como entidade estatística, mas sim do seu público. Importa-lhe mais a qualidade do que a quantidade. No mínimo, podem bastar-lhe uma ou duas pessoas, cuja opinião ele aprecie acima de outra qualquer. Se puder convencê-las pela sua obra, sente-se estimulado para prosseguir, sem elas descrê da sua vocação. Houve artistas de grande categoria que tiveram apenas um grupo restrito de apreciadores. Praticamente nunca venderam as suas obras ou tiveram oportunidade de as expor publicamente, mas continuaram a criar graças ao apoio moral de alguns amigos. Esses casos são raros, evidentemente. Em regra, os artistas também precisam de arranjar patronos – os mecenas – que lhes comprem as obras, juntando assim o amparo financeiro ao moral. Mas, para o artista, esses protectores são sempre “público” e não “clientela” (...)


Toda agente pode pintar, foi também aquilo que passei a dizer a partir dali.

01 abril 2006

26 março 2006

Lisboa em baixa.


Ninguém viu?!... Ou viram e deixaram?

Será mesmo decoração da grade anti-roubo?






Rua do Ouro

24 março 2006

A tibieza cívica.

Imaginem-se a ler o Almada. Façam-no com o poder declamatória que tiverem e a força interior da vossa convicção:

“...e não sonego a exasperação e a fúria que a tibieza cívica das turbas me infundem. A culpa da pútrida política madeirense é do povo, que entroniza lapuzes,...”

“...A política, se se emancipasse aos partidos, poderia encontrar um antídoto para as suas maleitas - ou doença ingénita?...”


Não é, mas parece!... Portugal só regenera com outro Almada, porque isto está cheio de Dantas. Experimentem nova leitura do texto do Vítor, porque cada palavra é uma intenção.

23 março 2006

Também não sou democrata!

Dou-vos um pequeno excerto do Estranho Estrangeiro mas por favor leiam tudo. Desesperos destes, resultam da espera do eco que não chega, pelo autismo de um povo. Uma sociedade não pode desperdiçar impunemente as suas mais valias intelectuais, sem cair num enorme buraco negro do tempo de onde só sai penalizada. O pagamento, vai ser em futuro desfasado por atrasos e desencontros com outros. E como nós já conhecemos esta história e não aprendemos com ela... Mas também pode ser o prenúncio de que alguma coisa boa pode estar para acontecer. É que o fruto quando está maduro, cai.

"...Portugal assistiu ao assomo denodado de um ávido de depuração, Manuel Alegre, acompanhado por outros que, conscientes da inexorabilidade dos partidos, compreendem a necessidade de libertar a cidadania, imergindo-a nas águas balsâmicas das origens conceptuais. Estou disposto a declarar a minha dissidência cívica, assumindo uma anarquia específica. Recordar-me de que contribuo, com impostos, para a subsistência e fausto daqueles lapuzes motiva-me, num lampejo de demência, a desejar o cárcere, como penalização pela fuga às obrigações sociais. Que nojo! "


A única razão pela qual não me importaria de ver desancar nos continentais, seria a que remete para as conveniências que os "lapuzes" daqui, têm tirado dos desmandos dessa "cabotinagem" daí, sorrindo alarves e complacentes, mas atolados na bostas desses "títeres". Você é um espectáculo Vitor, permita-me o adjectivo. Burrifemos então na Democracia, mas não abandone o povo da Madeira.Talvez um dia hajam leis e tribunais capazes de tratar dessa gente, à maneira de Thomas More.

19 março 2006

Lisboa a saque.

Este é apenas um exemplo dos muitos atentados que estão a cometer-se no Bairro do Restelo, em Lisboa. Este bairro que hoje não seria possível, foi um dos bons legados das políticas de urbanização do antigo regime. Durante bastante tempo não se deixou alterar-lhe as características o que fez dele, quanto a mim, um sucesso em termos habitacionais. Mas apareceram agora os novos ricos, patos bravos que a avaliar pelo gosto com que destroem muros originais onde cresciam buganvilias e outras sebes, mereciam antes desfrutar da qualidade de uma qualquer Zona J. Quem investiga isto? Como é que se deixa fazer se ninguém concorda, à excepção dos patos bravos que o fazem? Não há uma figura na lei que se chame “ o bem comum “ que permita a sua destruição? O direito adquirido pode sobrepor-se a ele? E se pode, deve?

De tal forma choca que pode perguntar-se: ...e é legal construirem-se estes bunkers descaracterizando desta forma uma zona que é de todos? Quantos metros podem ter os bunkers? O que os patos bravos quiserem?

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa tem conhecimento destes atentados urbanísticos? E se tem, não manda lá um camartelo? Ou a cidade é de quem pode?

Os meus parabéns aos habitantes que preservam as caraterísticas deste bairro, mas incentivo-os a criar uma estrutura que os defenda e denuncie os novos bárbaros, sejam eles quem forem e tenham o poder que tiverem.

17 março 2006

O Monsanto condenado?


Cresci, brincando na Serra do Monsanto nos dias longos das férias grandes, descendo o vale entre Campo d’Ourique e a serra, subindo pela fonte da Pimenteira, onde a sede acabava na palma da mão e nos enganavam as amêndoas de tão amargas que eram. Aquilo era mesmo uma serra à mão ali ao pé. Com o velho Parque Infantil, o tiro ao alvo e as bolas de ténis, estava criado o nível suportável de pressão urbana. Depois, vieram os aterros e as estradas, à expansão do pouco que existia juntaram-se valências que ela não precisava. Até um Casino, lembram-se? Há zonas que começam a ser um caos de parqueamento automóvel e churrasco. O contínuo apelo à utilização das instalações criadas e projectadas começam a deixar-lhe antever um triste fim. É uma questão de opção: Ou queremos como está e travamos, ou, o pouco mais que admitirmos é para criarmos a última colina urbanizada de Lisboa. Eu, voto na serra.

12 março 2006

Sampaio não esteve aqui.

" Exibido ficou o fracasso organizativo de todos nós, a cegueira ética das nossas prioridades, a mediocridade dos nossos resultados, a indigência extrema com que nos enrolamos ao som do cacarejo de bichas odientas, matronas ressabiadas e emproados de diversas boçalidades."

Pois é Susana , ali faltou Sampaio. E só mudaremos isto quando curarmos a cegueira ética das nossas prioridades, o nosso povo se deixe de reverências imerecidas e ele próprio tome consciência de que tem de pegar o touro pelos cornos.

...E a Doutora, prostituíu-se?

Carlos Pinto Coelho no seu melhor, no programa Directo ao Assunto da TSF, para uma activista, a propósito da legalização/regulamentação da "indústria do sexo":

" - A minha pergunta é estritamente profissional: E a Doutora, prostituíu-se?
- Não!
- Passemos então Directos ao Assunto..."

09 março 2006

Xanana e o Benfica.


“ Eu chá no tenho pelavras queraaamba... eu só póxo dijer, gooooooooooooollloooooo!....”

Foi assim Xanana a festejar o golo do Benfica contra o Liverpool, no jantar informal nos Negócios Estrangeiros.

A minha especial admiração por Xanana é uma caso especial. Julgo que terá a ver com uma espécie de transferência de valores que projectei para Xanana e que com tudo o que aconteceu se foram sublimando na sua figura.

Ele foi de alguma forma a projecção do meu “Che”, o daquela juventude que existe em nós e representa o altruismo na luta contra tiranias e injustiças.

Ele foi um paladino da liberdade porque era por isso que lutava. O seu povo não queria a paz que lhe impunham.

Ele foi da selva aos corredores do poder, a representação e o triunfo da humildade.

Nele se representou a injustiça do abandono pela humanidade, pelo seu alheamento durante tanto tempo.

Nele acabou por se representar a justiça do apoio da humanidade às causas nobres da emancipação dos povos, apesar do seu acordar tardio.

Também, porque durante anos sofri com a sua luta e prisão como se fosse um povo inteiro em clausura e sofrimento.

E porque fico sempre K.O., quando em África ou em Timor se comemora desta forma uma vitória portuguesa.

E porque, queramba! Xanana é do Benfica...


Crédito da imagem à Voz do Seven

07 março 2006

Bifurcações "democráticas"

Defensor da liberdade de expressão, como este, que expõe à luz as bifurcações "democráticas" existentes na Madeira, merece mais do que um comentário. Aquele povo é que não o está a merecer. Leia este: Títeres e dissidentes do Estranho estrangeiro...

06 março 2006

Coincidências.


No mesmo dia em que o Governo anunciava o início de uma campanha internacional para promover a utilização da nossa rolha de cortiça, onde se vão gastar uns milhões, não é que pela primeira vez na vida, o plock que me saíu da garrafa que abri, era do plástico emborrachado desta “rolha” aqui ao lado?!... Até pareceu mau agoiro! E não pensem que era vinho da U.E. produzido em Espanha! Era português: selo de garantia do Vinho do Douro, Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, D.O.C., maduro tinto 2004. Produzido e engarrafado por uma S.A. de S. João da Pesqueira. O nome, omito porque o objectivo não é esse.

Não seria melhor o Governo fazer uma campanha cá dentro? Não gastava tanto dinheiro, depois, punha os portugueses a ser os primeiros a defender a qualidade de um produto nacional que anda a ser atacado por campanhas de intoxicação ecológica. No fim fez-se justiça: para uma surrapa de vinho, uma trampa de rolha de plástico. Ainda bem que assim foi, ganhou o sobreiro e a cortiça.

05 março 2006

Portugal mal tratado.


Advogo a criação de uma Comissão junto da P.R., com poderes para retirar da exposição pública o simbolo da representação nacional, sempre que esteja feito em condições de degradação e abandono. Estas imagens ultrajam a memória do estandarte roto noutras batalhas.




Rua Braamcamp