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13 dezembro 2012

“Exigir aos partidos de esquerda uma tomada de posição"

(REEDITADO)


“Isto é um Golpe”. “Vamos ficar parados?”

A estas suas duas provocações, eu respondo com um desafio.

Uma grande parte do país, incluindo parte dos que votaram no actual Governo e mesmo alguns que têm sido seu arauto, está estarrecida com a venda ao desbarato das “jóias da Coroa” (Nicolau Santos dixit) que ainda restam: TAP, ANA e Rádio e Televisão públicas. Os negócios são claramente o euromilhões para quem compra, e a ruína para o país.

No caso da Comunicação Social pública, junta-se-lhe a descarada vontade de controle da informação que passaria a ser transmitida à população, o que de forma alguma podemos permitir e me leva a esta proposta.

Há uns meses, 3 amigos, sem que o imaginassem, criaram a oportunidade para agregar multidões na extraordinária manifestação de 15 de Setembro, que destruiu a tentativa de criar a TSU.

Cada vez mais, há quem afirme que o que se está a passar é intolerável e não estão dispostos a prescindir de uma comunicação social isenta quanto possível. Essa posição tem de ficar clara desde já e, assim, estas vozes têm de exigir aos partidos de esquerda uma tomada de posição pública que, previna desde já os eventuais compradores que o próximo Governo anulará o negócio sem qualquer contrapartida, dado que o actual não tem, neste momento, legitimidade para assumir tais compromissos em nome de um povo que já não representa (vide as manifestações, greves e sondagens). Tal como foi derrotada a introdução da TSU, os cidadãos e os partidos que os representam, podem impedir a privatização dos canais públicos de comunicação social. E é isso que queremos.”
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Nota: Nem todos os portugueses que têm internet estão registados numa qualquer rede social. É o caso de uma amiga que mantenho anónima, e me fez chegar o apelo que deixo em cima, fazendo eu apenas de intermediário na publicação, embora responsável por ele como editor.

Reedição: A primeira vez que fui confrontado com esta exigência foi quando a sua autora me manifestou a intenção de escrever sobre ela. Com entusiasmo, ouvi ontem à noite num canal de TV, Ana Gomes, do PS, fazer uma declaração manifestando o desejo que o partido declare antecipadamente que reverterá a situação quando chegar ao governo. Parabéns à autora do texto: foi precursora.

31 agosto 2012

RTP, Touradas e Serviço Público

“Assegurar uma programação variada, contrastada e abrangente, que corresponda às necessidades e interesses dos diferentes públicos”. É assim que começa a relação dos termos contratuais de prestação de serviço público da RTP.


O Passos disse que confessa que não sabe o que é a definição de serviço público, não espanta, porque ele não sabe muita coisa que nós sabemos. Se por essa questão ele nos pode chamar histéricos, como chamou, nós podemos chamar-lhe parvo. Sou porém dos que entende que o conceito de serviço público não se encerra naqueles programas entediantes de livros que fazia o agora Secretário da Cultura Viegas, e por essa razão iniciei o texto com aquela definição do contrato RTP.

Fui em tempos figadalmente anti touradas, mas reparei mais tarde que o era por questões relacionadas com um preconceito: a relação do universo dos touros com uma certa aristocracia; a relação com as franjas da Direita mais reacionária; a relação com o que de mau existe na “cultura marialva” porque nem tudo nela tem que ter esse estigma, enfim, por coisas destas era anti touros. Hoje sou neutro. A razão da mudança deve-se ao facto de ter entendido que o assunto é mais transversal do que entendia, e ter levado em consideração que não tinha o direito de me impor - daquela forma - a séculos de uma relação de convivência de uma grande parte do território português e das suas gentes, com os touros, de tal forma que fazem hoje parte da sua cultura.


Sabemos que tem sido a evolução do homem a por termo a coisas que hoje consideraríamos um absurdo. Já matámos elefantes para lhes tirar marfim, baleias para extrair o óleo, bonitos animais para golas de casaco, enfim, barbaridades. Mas continuamos a cometer outras: os animais no circo onde levamos as criancinhas; a forma como empilhamos frangos em criação para levar ao churrasco; a barbaridade na engorda dos gansos para lhes extrair o fois gras, enfim, coisas que um dia não serão assim. Entendo que também as touradas serão um dia coisa do passado, mas será a nossa evolução que vai determinar o fim dessa cultura. Por enquanto, quer queiramos quer não, elas fazem parte da cultura de uma vastíssima região em Portugal e Espanha. Os ribatejanos e os alentejanos que o digam. Se há um público, há um direito, o mesmo direito que concedemos às minorias que gostam dos entediantes programas de livros do Viegas. Outra coisa é o empenhamento que cada um deve ter na causa anti touradas para forçar a tal evolução. Se a transmissão de uma tourada pode ser serviço público? Porque não? Não se enquadra nos “interesses dos diferentes públicos”? Cada um é depois livre de escolher o que vê.

25 julho 2012

O desmantelamento da RTP


Se eu fosse o desmantelador de um serviço público como a RTP, aquilo que faria era exatamente isto: “Presidente da RTP ganha mais que o Primeiro Ministro”, é que desta forma consigo montes de gente revoltada contra as exceções atribuídas a estas sumidades. Medidas destas facilitam o trabalho, porque o que eles querem é não ter oposição pública à venda do nosso património. Querem o povo ferozmente contra a RTP, a TAP. as ÁGUAS etc, e para isso, estas medidas que atribuem às aves raras que as dirigem um estatuto divino, são a melhor forma de o conseguir: revoltam a populaça e criam mais deficit que justifique a venda. Eu próprio, já estou para aqui a vociferar mais com os homens de mão do assalto do que com quem devia. Não tenhamos dúvida: isto faz parte de um processo de desmantelamento. Isto é uma pulhice. Isto é uma afronta aos 50% dos jovens portugueses que não conseguem tão pouco ter um emprego quanto mais ter uma profissão. Fosse eu jovem e cada vez mais veria no horizonte uma solução radical para este país. Mas estou nisso ao seu lado.

24 julho 2008

Eduardo Moniz: TVI vs RTP

A propósito da vitória da RTP na transmissão dos jogos da Liga de 2008/2009: “A RTP é o braço armado do Governo”. E ele, é o braço armado de quem? Por mim entre portugueses e espanhóis não tenho dúvidas. E vocês?