14 dezembro 2007

Ota ou Alcochete?

Poucos de nós terão o conhecimento necessário para ter em relação à localização de um aeroporto uma opinião incontornável. Opinar assim, pouco mais é do que, eu acho que.

Contudo, cada vez mais começa a parecer que a opção Ota não era a única possível, nem a mais barata, nem a mais aconselhável. A maior parte dos pareceres técnicos e opiniões começam a coincidir, porque as diferenças são enormes vistas de todos os ângulos, fazendo assim sentido aquela opção que todos achavam estranho não estivesse a ser equacionada, de cada vez que se olhava para aquela área tão plana e natural para a exigência de um projecto com aquelas necessidades. Alcochete é mais do que uma alternativa, começa a ser uma certeza difícil de descartar que ninguém perceberá se vier a ser chamado a pagar mais não sei quantos mil milhões pela diferença. Mas isto, posso ser eu também a achar que.

4 comentários:

Egas disse...

Visto que nestas questões do aeroporto opinar parece ser palavra de ordem, aqui fica o meu parecer:
Solução: PORTELA + 1 (sendo o 1 outro que não a OTA)
Estudo: Associação Comercial do Porto

Ora porquê "Portela+1"? Primeiro porque considerar o encerramento compulsivo a médio-prazo da Portela parece-me ser um péssimo erro de gestão. Nos últimos anos a Portela tem sido sujeita a obras de vulto no sentido de melhor dotar o aeroporto da capital, daí que o seu encerramento a médio-prazo implicaria a perda de todo o investimento feito até então e a não rentabilização do mesmo.

Segundo porque analisando todos os estudos feitos, parece-me que o desmantelamento gradual da Portela em simultâneo ao desenvolvimento a longo-prazo do novo aeroporto me parece ser a opção mais económica e rentável para o país.

Terceiro, porque considero que um Aeroporto mais perto da cidade (e país também!) que serve, apresenta um maior potencial e é mais convidativo. Digo-o enquanto utilizador de transportes aéreos, pois sempre que viajei de avião senti-me melhor servido quando passava por um aeroporto mais próximo da respectiva cidade.

Quarto, juntando o útil ao agradável, não posso deixar de dizer que é fixe chatear o Mário Lino que vive obcecado com a OTA. :p

Graza disse...

É assim mesmo Egas, todos temos direito a achar que, e além de mais também não gostei que ele me chamasse Tuaregue!

Raimundo Narciso disse...

Para a escolha da localização de um aeroporto o terreno ser plano ou não é dos últimos factores a considerar e o primeiro é o da sua influência no ordenamento do território, tendo em conta que o aeroporto é o núcleo criador de uma "cidade" à sua volta, da criação de dezenas ou centenas de empresas e de emprego para milhares ou dezenas de milhar de pessoas. Deverá o aeroporto ficar no centro da região mais populosa do país, de Lisboa a Leiria, como é a localização da Ota? Para servir de forma mais próxima, maís rápida e mais barata a maioria dos seus utentes e assim poupar a estes as centenas de milhões de km a mais em transportes terrestres até ao aeroporto, em 40 anos de uso?
Há as terraplanagens de milhões de m3 de terra necessários na Ota. Mas e em Alcochete? A pouca espessura da camada de terra que vai da superfície ao nível da água do maior aquífero de água potável da península vai obrigar a um isolamento rigoroso do terreno para que o aquífero não seja contaminado e a elevar em 3 metros a cota da zona aeroportuária o que quer dizer levar para lá milhões de m3 de terra. Na Ota é empurrar a terra das elevações para os baixios e em Alcochete? Será necessário ir buscá-la aonde? Claro que não se trata de um obstáculo sério. Serve apenas para relativizar a importância dos movimentos de terra na Ota.
O aeroporto em Alcochete além de incentivar muito a Lusoponte que assim cobrará mais uns milhões em portagens na travessia das pontes obrigará à construção de mais uma ou duas pontes e dificilmente resolverá a certas horas a fluidez de tráfego necessária.
Toda esta argumentação serve apenas para dizer que a escolha do aeroporto deve depender prioritáriamente de critérios políticos e que sendo factores que aqui indico tão insuficientes não chegam para um leigo no assunto ter uma opinião segura sobre a melhor opção.
A escolha de Ota ou de Alcochete vai depender provavelmente mais da força dos lobys que defendem os interesses imobiliários e outros de um e outro lado do que de razões de interesse das populações a servir.
Quanto à Portela pela poluição sonora e do ar e pelo perigo de acidente é da maior urgência acabar com ela e libertar finalmente as dezenas de milhar de lisboetas que todos os dias são prejudicados na sua saúde por terem um aeropotro no quintal.
Talvez que a solução de Alcochete seja a melhor mas a evidência resulta apenas do maior ruído (com efeitos eleitorais futuros) dos interessados no negócio e pouco interessados no suposto interesse nacional.

Graza disse...

Com a maior sinceridade lhe digo que sem clubismos, a solução que apoiarei será apenas aquela que melhores resultados der a Portugal. Leigos como eu, e a maior parte daqueles que opinam nesta matéria, podem deixar tentar-se por aquilo que para eles são evidências, e por isto, não podem ser acusados. Pior será se alguém estiver a tomar partido por opções que menosprezem as alterativas mais viáveis como solução final, porque aí é a Nação que estão a lesar. O problema, é que em qualquer dos casos se pode lesar a Nação, com ou sem propósito e não ser por isso condenado.

Agradeço-lhe a validade da contribuição que inclui até elementos de forte ponderão.