27 dezembro 2006

Que Educação? Qual opção?

É tarde mas ainda a tempo. A Revista sobre política educatica “Pontos nos ii", merece-me esta referência ao não lhe ter sido permitida a 12ª edição, a de Dezembro.

Já aqui disse que as questões relacionadas com a Educação e Ensino neste país, são de tal forma determinantes para a viabilidade do contexto de nação que pretendemos alcançar, que nesta fase de muita incerteza face aos resultados que rapidamente precisamos alcançar, todos devem estar atentos para exigir que não se abrande o ritmo de alteração qualitativa dos resultados.

O aparecimento de uma revista nesta área, ocupando um espaço próprio, tinha todo o sentido e começaria a dar resultados no tempo próprio para estas matérias. A evolução e a experiência fariam com que outras dinâmicas de crescimento provavelmente se juntassem ao seu espaço inicial.

Exigem-se nestes projectos gente independente, de pensamento autónomo mas também entidades proprietárias sem vícios na matéria, caso contrário ninguém consegue mexer ou contribuir com nada. Infelizmente parece que foi isto que aconteceu. Quem leu os onze números daquela revista viu como ali se debateu o Ensino, sem constrangimentos e sem medo, coisa que vai sendo rara. Debater também é contestar, mas houve alguém que achou que numa sociedade séria ninguém contesta e vai daí:

“...Saiu Novembro e Dezembro ficou pronto. Mas...Na passada sexta-feira, 24, o ozalid da edição que devia estar amanhã nas bancas veio para revisão final. Na segunda, 27, quando as jornalistas foram introduzir as emendas, todos os registos informáticos haviam sido limpos. Durante o fim-de-semana, a administração apossou-se indevidamente da edição de Dezembro da Pontos nos ii e impediu a sua publicação. Dessa edição constava uma entrevista de fundo a Jerónimo de Sousa, um editorial muito crítico sobre Sócrates e uma Mensagem aos Leitores e aos Colaboradores, que narrava com mais detalhe o que acima fica escrito.O anterior são os factos. O que se segue é a minha opinião....”

Parte corpo central do comunicado do Prof. Santana Castilho, Director da revista, no Jornal Público de 4 de Dezembro.

A Texto Editora, estranhanente sucumbiu e afinou por outros valores, mas assim nunca mais lá chegamos. Porque não são meia dúzia de iluminados fechados num Ministério, ainda que bem intencionados que detêm a chave do problema, é da confrontação do conhecimento das teorias que nasce a opção, caso contrário, nem há opção.

23 dezembro 2006

Um Natal seco e farto.

Era um Natal húmido de temperatura suave com uma névoa engrossada quase chuva. Já tudo recolhera e os retardatários para a ceia tinham chegado. Procurava em vão onde pudesse comprar tabaco. No início da calçada estava um cachorrito preto, de pelo liso meio molhado que me interpelou sobre qualquer coisa, com a inclinação da cabeça o espevitar das orelhas e um abanar do rabo. Dei-lhe apoio moral com um toque na cabeça que agradeceu, trocamos um olhar e lá ficou à espera de alguém que lhe respondesse. O nevoeiro, era agora chuva muito fina. A última tentativa para o tabaco era nos cafés do jardim público. A rua era comprida e pouco iluminada por candeeiros antigos iguais aos que se furtavam ao Villaret, no filme . Das janelas vinha claridade que ajudava a marcar espaços iluminados na rua e as pedras borrifadas reflectiam os escassos pontos de luz. Já caminhava há algum tempo quando atravessei a rua e olhei para trás reparei na silhueta do cachorrito refletida nas pedras de basalto preto gastas pelo tempo, já quase seixos redondos. Aquele pobre tinha-me seguido durante todo aquele tempo. Aproximei-me dele. Das casas vinha o som abafado do “Twelve days of Christmas” de Harry Belafonte. Desta vez não me interpelou, baixou a cabeça, julgo que num sinal de submissão. O pelo lustroso e limpo estava a ceder e começava a ficar encharcado. Voltei a fazer-lhe uma festa, agora com a palma da mão e disse-lhe mentalmente que não o podia levar. Parece ter confirmado aquilo que já sabia e lá ficou parado.

No regresso, sem tabaco e já molhado ía decidido a dar-lhe uma consoada seca e farta, mas a última conversa foi para ele decisiva. Deve ter continuado a sua busca de um coração mais mole naquele dia.


Não fosse a solidez das minhas convicções e perguntaria: Quem seria aquele cão que me pôs à prova e ainda hoje passados tantos anos me aparece sempre nas minhas memórias de Natal? Se ele voltar algum dia, terá com certeza um Natal seco e farto.

22 dezembro 2006

Agora, obstruimos.

Primeiro, um juíz espanhol faz cair sobre a Banca portuguesa o anátema de: bla bla bla bla bla bla... ( Parece que apenas 5% dos montantes “passados” reportam a um Banco português, mas só se baixou o tom do escarcéu e falou baixinho depois de isto ser uma evidência pública e assim foram poupados inicialmente os Bancos espanhóis, por onde passaram os outros 95%...).

Depois, um deputado espanhol ataca os Transportes portugueses de: bla bla bla bla bla...
Agora, vem num jornal: "...O grupo espanhol Ferrovial denunciou o Estado português junto das instituições da União Europeia por alegada obstrução da concorrência no sector da construção e obras públicas, refere a imprensa espanhola".

- Mas a Somague era a maior empresa de construção nacional. Agora é espanhola.
- Mas cada vez mais vemos placas de empresas espanholas na construção das obras nacionais.
- E os Bancos espanhóis (Totta) remodelam só com nomes de empresas de construção espanholas.
- E o Corte Inglês não deve ter levado um prego nacional.
- E a Praça, até é praça de Espanha!
- E São Sebastião não é português, já é todo de Espanha!
- Os carros vão ser construidos em Espanha!
- E a porra da cebola tresanda a cebola de Espanha! Ainda por cima invadiram o Metro e dizem-nos para sorrir que estamos em Espanha!...
- Apesar da evidência conhecida, de todos saberem que na Europa o país com maior blindagem à concorrência exterior tem sido a Espanha, ainda querem mais de nós?

Mas o que querem não damos. Nem que se fodam...

19 dezembro 2006

Está em onde?



No Metropolitano de Lisboa:

- SORRIA! ESTÁ EM ESPANHA.

Numa campanha publicitária destas, não há objectivos ou falhas que não sejam observados à lupa.

(Em Portugal) é uma mensagem subliminar.

De mau gosto.







17 dezembro 2006

Será que vem quem tem...?

Convido-vos a ir espreitar este debate: “Não vem quem não tem...”, sobre uma questão levantada à volta do tratamento da Língua Portuguesa, em Portugal e no Brasil.

Emana dali uma imcompreenção e zombaria brasileira que não é nova, e que só atribuo aos pruridos da velha questão colonial, que entendo mas não aceito.

Para além do problema de fundo, a Lingua, ressalta outro não menos importante, que passa pela relação entre brasileiros e portugueses que mais recentemente venho detectando. Chamou-me à atenção para isto, o conhecimento que tenho de um caso de ódio visceral que um brasileiro, casado com uma amiga portuguesa, tem aos portugueses. É que quem ler aquele debate verificará que andam por ali afectos pouco confessáveis.

Os portugueses sempre lidaram com os brasileiros de coração aberto, mas vou verificando que ou não têm isso em conta, ou a conhecida chacota com a anedota do português é mais um indício, este sim, da falta da sua apregoada humildade. O problema que ali se colocou não passará também muito pela infidelidade nestas relações?

Um bravo aos cavaleiros da Língua Portuguesa: SAM, Ricardo, Duarte Temtem e Vítor Sousa que tão apaixonadamente a defenderam. Mas não deixem de ir espreitar as “preciosidades” deste senhor Alencar.

Incúrias camarárias.


Abuso. Usurpação. Falta de civismo. Benevolência. Inércia. Ou “Licença de Ocupação da Via Pública” ? Que importa?!

Ninguém se importa.

A qualidade de vida de uma cidade não se mede pelos projectos que se prometem, mas pelas obras que se fazem ou pelas asneiras que não se permitem.




14 dezembro 2006

O Estado em causa.

A TSF hoje, reportando ao Correio da Manhã :

"... Em declarações a este diário, Pinto Monteiro acrescentou que só teve conhecimento destas denúncias no domingo após ter lido uma notícia no jornal, frisando que considera que estas pressões são «muito graves», pois colocam em causa o próprio Estado....”

Comecei mal o dia: “... pois colocam em causa o próprio Estado.”

A notícia queimou-me com o abanão que dei no café matinal! Mas é claro, o Estado fica mais uma vez em causa com estas cenas que envergonham a Justiça e o Estado! Não estou hoje com a força anímica suficiente para verter aqui todas as correlações onde me levaram estas declarações, mas não quero deixar de dizer apenas que me vieram à memória flashes das quantas vezes este pobre Estado foi posto em causa nos últimos tempos, por questões provavelmente mais graves, sem que se tenha ouvido sobre isso alguma declaração de quem quer que seja com responsabilidades na Justiça.

Este senhor Procurador poderá ser alheio a tudo isso e não está com este meu espanto a ser cruxificado por nada, deu até alguns bons indicios iniciais ao tocar na parte mole da ferida da Justiça. Mas, senhor Procurador, o Estado está a ser colocado em causa há muito tempo, como exemplo: foi preciso termos passado da hipótese grevista no Terceiro Poder da nação, para as “pressões”, para o Estado já ter passado a estar colocado em causa?

Mas repito para que não restem dúvidas: colocam mesmo em causa o próprio Estado. Aquele que nós concebemos.

09 dezembro 2006

Colonização. Pontos de vista.

Colónia, … conjunto de individuos duma nacionalidade estabelecidos em país estrangeiro.

De um modo geral há a tendência para que saído da sua terra o colono queira ganhar raízes na terra que vai ocupar, tornando-o um individuo conservador e pouco crítico em relação aos valores de respeito pelos direitos naturais das populações autóctones.

Resposta ao comentário de aafonso.sousa em 06/09/06, na página Memórias de Telémaco A. Pissaro

Disse o Sousa: “…Essa burguesia colonial é, grosso modo, de origem popular. Foram emigrantes pobres que saindo do meio rural português, sem outra formação que não fosse o trabalho rural, encontraram nas colónias promoção social. Esta burguesia não conheceu verdadeiras relações de trabalho. Trabalho forçado — conhecido por «contrato» — e criados, foi tudo com que aprenderam a lidar. Nas colónias portuguesas — conheci bem o caso de Angola — a maior parte da mão-de-obra intensiva era recrutada compulsivamente por «contrato»…””… É este o paradigma das relações de trabalho que alguns ainda têm e outros deixaram em herança aos filhos e netos”.

Porque o que li neste comentário não foi nada daquilo que vivi entre 1955 e 1961, acho que devo deixar o meu testemunho, desapaixonado, porque me parece que a este tempo de distância já deveria haver mais debate do que discussão acalorada.

Cada um de nós verá sempre o problema em função dos prejuizos morais e materiais que teve. Ninguém apagará o rancor e a mágoa de alguém a quem arrancaram pedaços de si próprio através do desventramento sacrílego e desumano da familia e portanto, da sua vida. Mas também por muita simpatia que se tenha pela emancipação dos povos – e eu tenho – não podemos cair na apologia da barbárie que corre ao lado das guerras oficiais, como forma de conquistar direitos pelos quais se cometem crimes. Nestas questões traumáticas só o tempo e a história conseguirão fazer prevalecer a luz mais certa para observar os factos. Mas independentemente da afectação que cada um teve, é preciso procurar formas de leitura das suas vivências para construir o que mais se aproxime da realidade. Não vale a pena pegar a molho para dizer que a realidade foi exactamente aquela que se pretende demonstrar, quando diz por ex.: “...Trabalho forçado...e criados, foi tudo com que aprenderam a lidar”

Antes de abordar a minha experiência africana, não quero deixar de referir um texto que encontrei na net e que considero exemplar sobre o que foi a Colonização Portuguesa em termos agrícolas. Podem encontrá-lo aqui:
http://www.ipbeja.pt/pubol/Artigo.pdf, com destaque particular para a página 7 que é aquela que mais me diz respeito.

Em 1955, com a idade de 6 anos, saí do Alentejo com os pais, um irmão de 8 anos e um primo de 18. A família vendeu os activos de um pequeno negócio comercial e agricola e com uma pequena verba aventurou-se com um pequeno apoio logístico do governo para fixação numa aldeia de colonato. Fomos daqui com cerca de 30 famílias de Freixo-de-Espada-à-Cinta continuar o Colonato da Cela que tinha acabado de nascer. As famílias que foram comigo eram de facto pobres. Uma maior formação escolar do meu pai veio a determinar que fosse eleito à sua revelia, regedor da aldeia. Aquela era gente rude mas boa. Gente que lá porque caía em Àfrica não ía a pedido de uma qualquer alegação futura, desatar a virar-se do avesso só porque não estava em Trás-os-Montes. A tal promoção social, que diz o Afonso Sousa que encontraram, foi a do trabalho que nem mouros, porque a porra da terra e a forma como o colonato foi arquitectado não davam para mais nada.

Devo referir antes de continuar que fui encontar de facto populações nativas de uma humildade, respeito e reverência para connosco, verdadeiramente surpreendentes, pelo menos para mim. O seu respeito era tal que não se cruzavam comigo num caminho que não fosse numa posição de cedência de passagem reverencial, o que confesso, me criava embaraço.

A nossa exploração agricola foi inteiramente desenvolvida pela família, e em circunstâncias nenhumas foi admitida mão de obra nativa, a prova está no relato que ipbeja faz na sua página assinalada em cima:“…Não era autorizada a chamada utilização de”braço negro”, e quantas vezes ela era necessária…

Mais tarde, pela falência da experiência da colonização agrícola e depois de se ter gasto o pecúlio que se levou da Metrópole, não restou outra alternativa que não fosse mudar de vida. O pai, pela a sua formação escolar, arranjou trabalho adequado na Vila de Santa Comba. Aí, a situação mudou ligeiramente, porque na vila, fora do Colonato, já era permitido admitir empregados e recordo-me que se resistiu durante bastante tempo aos pedidos de emprego que todos os dias batiam à porta. Por fim, o meu pai cedeu e um moço três ou quarto anos mais velho que nós, ajudava em casa e acabava por brincar connosco a maior parte do tempo. A imagem de o ver subir às àrvores, pegar numa espécie de cigarra à qual tirava as asas, e meter boca abaixo, não me saía da cabeça à hora do jantar.

Até aqui a minha experiência africana passava em qualquer Tribunal dos Direitos do Homem. Ou não?

Luanda foi a próxima etapa da família. O pai consegue o emprego de encarregado geral numa empresa de amiantos e fibrocimento. Passei então a viver a 8 Km de Luanda na estrada do Cacuaco. Aquilo eram já instalações fabris de grande emprego de operários, maioritáriamente negros. Eram empregados normais que marcavam o ponto como aqui. Excepto quando recebíam a semanada, era um sarilho... eu ouvia o meu pai aflito porque a balda era geral, apareciam alguns dias mais tarde a dizer que tinha morrido o tio ou a prima, que já tinham “matado” no mês anterior. Mas não me recordo que isso despoletasse perseguições futuras. O meu pai era uma pessoa de que sempre me hei-de orgulhar. Quando saía das aulas do Liceu Salvador Correia de Sá, fazia a descompressão espreitando a laboração da fábrica até que uma estridente sirene mandava toda aquela gente para os balneáreos – os melhores que vi na época - de onde saíam todos a cheirar àquele sabonete de glicerina americano horrível, o Lifeboy. Dia sim dia não, o Matias, que era um venerável chefe de turno, homem muito calmo, vinha à nossa residência que ficava no perímetro da fábrica e aprendia aí com o meu irmão as primeiras letras e os primeiros números. Ía fazendo os seus progressos descontando a dificuldade de aprendizagem que era natural. Um dia, em Janeiro de 1961, deixou de vir. E nunca mais veio.

Até que veio o fatídico Fevereiro de 1961. O Matias, porque queria outra coisa para a sua terra, parece que engrossou as fileiras de um movimento de libertação. Não acredito que o Matias tenha pegado numa catana para esventar meninos, mas não lhe perdoo, em nome do tratamento exemplar que lhe demos que tenha deixado os seus amigos fazê-lo. Alguns dias depois, para nossa protecção, porque estávamos isolados, montámos guarda noturna, potentes alofotes nas cercas, metralhadoras FBP no quarto, dormida por turnos e uma viatura com chaves na ignição e portões abertos. A vida assim era complicada, percebemos que ainda que boa gente, eles não queriam que lá ficássemos. Lembro-me de me despedir do meu cãozito a chorar porque ele percebeu logo de manhã que alguma coisa de trágico ía acontecer na vida dele.

Meu caro Afonso Sousa, o mundo não é a preto e branco. Os valores por que pauto a minha vida encontro-os na vertente social dos partidos de esquerda, mas não é qualquer cartilha que me fará ter leituras a preto e branco do que se passou em Àfrica. Claro que houve erros, desde logo porque Àfrica já existia antes dos Europeus lá chegarem. E é aqui que começa o equívoco.

Permita-me que discorde profundamente de si é que pela memória da integridade e ética dos meus pais não poderia deixar de lhe dizer que eles nunca foram os burgueses malteses que o Afonso aqui trouxe e que não há revolução nenhuma que não plante também a sua burguesia.

07 dezembro 2006

Ramalho Eanes

Confesso é para mim um tema incómodo.

Primeiro achei-lhe perfil de Salazar em 1975. Depois, votei nele para Presidente da República. Mais tarde achei que Mário Soares não terá andado bem com ele, não sei ainda se, mais por desejo de protagonismo de Soares, do que mérito de Eanes. Aos poucos fui-me desiludindo. Os últimos braço-dado com Cavaco foram o ponto final. Mas isto, não deixa de fazer com que Eanes não seja para mim um questão incómoda para discutir.

Nem de propósito, um email recebido esta semana, dá-me uma ajuda na leitura do livro de cabeceira do momento: Os Espanhóis e Portugal, de José Freire Antunes. Diz-nos o amigo Alexandre:

"Ramalho Eanes – Doutoramento (Opus-Dei)


Em defesa da instituição Presidente da República, alguém já afirmou que o General Eanes não se deveria ter exposto a um exame universitário, principalmente numa universidade estrangeira e, ainda por cima, acrescento eu, da Opus Dei. A ser verdade que ele não pertence nem nunca pertenceu, como afirmou, a esta instituição secreta da Igreja Católica, obscenamente ligada ao regime de Franco e aos seus crimes contra os democratas e republicanos espanhóis, e actualmente um dos grandes sustentáculos financeiros do Vaticano, a par do Santuário de Fátima, a escolha da universidade, a ter de fazer-se, teria de ser outra.


Se, pelo contrário, o General pertence ou pertenceu à Opus Dei, encobrindo a sua filiação, tal como o rigoroso secretismo da seita impõe aos seus membros, e escolheu a Universidade de Navarra em conformidade com esta sua identificação, então a opacidade de alguns comportamentos políticos está explicada. Não nego ao General Eanes, como não nego a qualquer cidadão, o direito às suas opções ideológicas, políticas e religiosas. Mas, exijo aos detentores dos altos cargos da República, quer os do presente, quer os do passado recente, uma postura de transparência em relação a eventuais ligações com organizações secretas, cuja história não as recomenda. E a Opus Dei não é uma organização recomendável.

Alexandre de Castro"


E diz então J. F. Antunes no seu livro: “...O Opus Dei edificou uma rede escolar, com destaque para a Universidade de Navarra (Pamplona)...”. Diz também que para a cerimónia de canonização de Escrivá de Balaguer, foram como representantes de Portugal para além de Mota Amaral o antigo presidente da Republica Eanes e a mulher, entre outros.

Confirma-se assim e eu desconhecia, a origem e orientação da Universidade de Navarra e as proximidades de Eanes à Opus, ou ao que tem a ver com a Opus. Isto não incrimina Eanes de nada, mas definitivamente confirma que Eanes foi para mim durante algum tempo, um engano.

02 dezembro 2006

41

Carmona, o loteamento e o TGV

"Carmona contra Carmona"

"Quando era ministro das Obras Públicas Carmona Rodrigues definiu o traçado do TGV. Um traçado que agora ‘inviabilizou’ na qualidade de presidente da Câmara, autorizando um empreendimento de 1133 fogos em Lisboa, no local onde passa a linha do comboio de alta velocidade." (...) Primeira página do Semanário Sol deste fim de semana, veja o resto da notícia.

Como eu, muito portugueses terão dúvidas acerca do TGV, sim ou não, mas não é com actores destes que ficamos esclarecidos, pelo contrário, cada vez mais baralhados.

01 dezembro 2006

1º de Dezembro de 1640



D. Antão Vaz de Almada

Foi o anfritrião dos conjurados.

E foi aqui que tudo começou.


Palácio da Independência
(Soc. Histórica da Independência de Portugal)




IBERISMO

A expressão "Iberismo" significa a tendência para integrar Portugal num todo peninsular. Tratando-se de um aspecto de carácter político sendo, por isso, uma questão que não tem existência ao nível popular, pois que a massa da Nação há muito deu provas de não sentir qualquer desconforto com a independência e constituir já uma individualidade tão fortemente estruturada que só manisfesta espanto ou indignação perante o artificialismo do problema.



Recebido por email, hoje: Rafael Valladares, historiador espanhol, no seu recente livro sobre a independência de Portugal, diz:

"Quando digo a alguém que em Portugal não gostam que a companhia aérea espanhola se chame Ibéria, porque Ibéria é toda a península, eles ficam surpreendidos, porque pela primeira vez compreendem que Ibéria não é um nome justo. Ou, quando se pede a uma criança para desenhar um mapa de Espanha, ela desenha a Península Ibérica, e temos que lhe dizer que é preciso separar Portugal. Mas são actos inconscientes."

28 novembro 2006

Vamos ao cinema.

Pensava eu ainda num editorial que acabava de ler sobre uma quinzena de cinema francês que ocorreu em Lisboa e da enorme alegria com que o autor estava a encontar gente com a mesma avidez daquele cinema, quando recebi um link num email que se configurava como um ataque gaulês bem orquestrado. E se foi, foi bem feito, porque me pôs a ouvir música – ouça aqui - e a falar de cinema francês. A minha actual apatia ao cinema também deve ter a ver com o enjoo a esta cultura anglo-saxónica que até das distribuidoras parece ter-se apoderado. Também tenho saudades de Claude Chabrol, de Truffaut, Godard, Alain Resnais e de curiosidade em saber quem os substituiu.

26 novembro 2006

Continente vs. Metrópole

Fiz a minha juventude em Angola, nos confins do continente Africano na década de 50/60. Mais própriamente no Colonato da Cela, a aldeia chamava-se Vimieiro e a vila era Santa Comba, ou Santa Comba Dão. Portanto havia por ali muito Salazar. Como Angola era uma colónia portuguesa, eu tinha vindo da Metrópole, eu era um colono. Se eu estava a fazer alguma coisa mal feita juro que não dava por nada. Política nem sabia o que era, vagamente podia achar política àquela atitude insubmissa, muito recta e muito justa do meu pai que nem ao padre desculpava aqueles sermões poeirentos e imobilistas. A palavra colono – naquilo em que tradicionalmente ela arrasta de conservadorismo e desprezo pelos direitos naturais das populações autóctones - só nos assentava em cima porque nos tinham distribuido uns enormes chapéus de cortiça forrados a pano branco, para parecermos mesmos colonos, à légua. Vivi os piores momentos da minha vida, desterrado, com uma saudade que quase matava e com a dúvida angustiante se algum dia voltaria para Portugal . Para Portugal.

Metrópole, veio depois quando começaram as aulas. A partir daí o meu Portugal passava a ser a Metrópole e não foi fácil porque volta e meia tínhamos que por a mão na boca porque queria sair o Portug... Convivo por isso sem complexos e pacíficamente com o termo porque ele só valia para definir aquela terra que eu adorava. Primeiro, porque colono com aquela carga só os outros me podiam ver e depois porque todos fizemos parte daquele regime mas nem todos pertenceram à União Nacional. Os termos valem por isso o que valem. Encontro nisto uma enorme relatividade porque assim como um tiro põe debaixo da cama um soldado stressado, algumas palavras podem trazer pelo mesmo mecanismo memórias incómodas e nestes casos, o problema pode não ser do tiro ou da palavra mas do soldado ou da memória, embora reconheça que o inverso também é verdade e o soldado possa desatar aos tiros e a memória a incomodar muita gente.

25 novembro 2006

Amadeo na Gulbenkian.


“... Se cada um se fiasse no caminho que nos aconselham nada de mais se fazia, pois que eles, os outros, só sabem indicar-nos as suas proprias pisadas.”

“... Ninguém deixa de fazer uma obra de arte intensa por falta de técnica, mas por falta de outra coisa que se chama temperamento.”


amadeo de souza cardoso


Mesmo para quem não atribui à Pintura o relevo que ela lhe deveria merecer é fundamental ir ver esta exposição única de Amadeo de Souza Cardoso, na Gulbenkian.
Deveria fazê-lo em visita guiada – possível por marcação - porque há muito a saber sobre o que vê e sobre outras questões relacionadas com este injustiçado pintor - injustiçado, porque não compreendido cá, à época, porque viveu muito pouco tempo, tendo morrido aos 31 anos e porque a história da arte não lhe reservou ainda o lugar a que tem direito, com circunstâncias da sua morte a terem contribuido para esconder do mundo o seu vanguardismo durante tanto tempo . De facto, foi a sua própria companheira que tão desgostosa com o seu repentino desaparecimento e apossada de uma inconsolável saudade de Amadeo reteve a sua obra durante bastante tempo só tendo cedido em meados do século XX. Este, parece ser um dos inigmas que explica o facto de Amadeo não ocupar o lugar que lhe é devido, porque só se pode valorizar o que se conhece e Amadeo esteve escondido, enquanto a história da arte escalonava aqueles com quem privou e conviveu. Por tudo isto o nosso Picasso não tem ainda o lugar que merece, mas são exposições destas que farão com que finalmente o mundo o conheça.



"...Amadeo de Souza Cardoso é a primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX!».

Almada Negreiros


Crédito de imagem a: "O Abelhudo" da Escola EB 2, 3 de Amarante.

24 novembro 2006

Ninguém vai preso.

Queria dizer aqui coisas bonitas para ajudar por esta via a melhorar a auto estima deste país, mas todos os dias temos novos folhetins que não nos permitem descansar. Não é o povo que nos entristesse, mas estes vilões que ingénuamente mandata. Ora vejam esta agora, da aprovação do loteamento para a zona de Marvila, aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa (Carmona Rodrigues + PSD) numa zona em que, como diz Sá Fernandes “uma barbaridade urbanística” que “só a violação do PDM já era argumento para chumbar”, quanto mais as novas realidades que entretanto se lhe acrescentaram.

Vou tentar que lá consigam chegar se tiverem paciência para seguir as minhas instruções para acesso à planta do PDM:

- Acedam a este link de: Plantas.
- A seguir façam Open para o download de plantas.
- Façam Close numa pequena janela que abriu.
- A seguir com um duplo clique abram o ficheiro Acrobat: Servidões.pdf.
- Vai construir-se uma planta que podem ampliar e verão que a zona azul-mar desde o Aeroporto até ao rio é: Zona de Protecção da Terceira Travessia do Tejo.

Aquilo está lá pintado no PDM, havia instruções no processo do loteamento de que eram terrenos destinados à nova Ponte e vai daí aquele senhor atribui uma indemnização possível ao promotor do loteamento, a sair dos nossos bolsos se a ponte avançar, que pode chegar aos 60 milhões de euros ( ! ). Assim, do pé prá mão, dá cá!... O que é que vocês chamam a isto? E quem faz isto o que é que merece? E será preciso esperar pelo desfecho para por alguém a rir-se, mas preso, sem direito a caução de liberdade? Se o não fizerem, mais uma vez se comprova: Portugal é um problema de Justiça.

Mas não, amanhã o povo continua sereno, não dá por nada, os responsáveis vão ter o desplante de justifcar a operação em telejornais, com o mesmo riso sarcástico, haverá Agências de Comunicação e Imobiliárias a fazer passar outra vez a mensagem, os amigos laranjas virão dizer que sim senhor, a culpa é do Governo e é justo indemnizar o esforço dos empresários nestas situções que querem fazer alguma coisa por este país.

Mais informação aqui na edição electrónia do Diário de Notícias.

21 novembro 2006

Portal Galego da Língua

Como se pode ver há Galegos atentos ao que vamos escrevendo em Portugal sobre a Galiza. Não é por acaso, é porque eles são a melhor gente de Espanha. Esses sim quase nossos irmãos. Basta ouvi-los.

19 novembro 2006

Novamente a Madeira.


O problema está hoje um pouco atenuado porque a última crise do turismo lançou o alerta, mas quem não se lembra de ir ao Algarve e sentir pela forma do trato que não era o turista preferido por ser nacional?

Estive na Madeira em 1976 e também lá me fizeram sentir, atónito que era um "continental". Hoje, desconheço com que mimos seria recebido, embora não me falte curiosidade.

Sempre que ía nas férias grandes ao Alentejo não deixava de ser um lisboeta e lá estava aquele anátema sobre o forasteiro peneiroso, vindo daquela metrópole que muitos nem conheciam. Presumo que existirão por essas aldeias europeias a mesmas segregações em relação às suas metrópoles. É por esta espécie de preconceito, por um lado e o desenvolvimento económico alavancador da economia por outro que se verifica em todos os países o mesmo fenómeno da disputa de cidade principal, capital do estado, por outra segunda cidade. Consoante o ponto de vista, uns dirão que é a força centrípeta que exercem sobre o resto da nação e outros que é mais uma força centrífuga. A querela já vem de longe e vai continuar. Pinto da Costa dá-nos todas semanas um murro no estômago a este propósito e juro-vos que nos apanha sempre distraídos, primeiro, atónitos depois e confusos ainda hoje.

Vem isto a propósito, do problema que começa a ser a Madeira, não só porque Jaime Ramos vai fazer-nos saudades do Alberto João, como pela exploração dos tais ressentimentos inerentes à nossa condição de metrópole que uma capital acaba por ser e que se agudizaram depois de 1974. O “problema” Algarve, Madeira, Alentejo ou FCP não existe em Lisboa, só existe porque nos fazem tropeçar nele construindo o alçapão à nossa frente. Bastaria que me enganasse agora no “m” e escrevesse Metrópole, a palavra deixasse de ter o seu principal significado e passasse a ter a do tempo do “botas” e estaria o caldo entornado.

É verdade que as coisas já não estavam bem políticamente com tanto ataque desconchavado e despropositado, sempre heroicamente suportados no continente, apenas com o único intuito de manter no fio da navalha o nível de qualquer negociação de verbas. Mas começo também agora a sentir de outros sectores a intolerância de demasiado prurido no ar que legitíma o discurso alarve e gafanhoteiro que temos ouvido. Estarão todas estas décadas da específica democracia madeirense a conseguir objectivos não confessados? Conseguirão os madeirenses guindar a heróis insulares figuras como um Alberto João e um Jaime Ramos? Seria uma pena. Por duas boas razões: uma, pela infelicidade óbvia que seria ter figuras daquelas a iniciar uma galeria de retratos oficiais e outra pela injustiça que estariam a cometer com o Povo Português que não teria culpa de nada.

Ainda a propósito, recomendo a leitura no Público deste Sábado de mais uma especificidade daquela democracia. Mas foi tudo jogo limpo!

Banca, Transportes & Mais?

A Banca portuguesa e espanhola comparadas, são assim como David e Golias, mas esta semana um juiz espanhol acusa a Banca portuguesa de ... bla bla bla bla.
Os transportes rodoviários espanhóis e portugueses, são como o gato e o rato, mas esta semana um deputado espanhol acusa os Transportes portugueses de ... bla bla bla bla.
Ibéristas! Precisam de mais mimos?
O azeite português que se cuide, porque o crime do óleo de kolza fez-lhes mal à reputação.

14 novembro 2006

As melgas ao ataque?!

Ainda não vi nenhuma referência na Comunicação Social ao facto de, pelo menos na zona de Lisboa, muitas pessoas terem sido afectadas neste fim de semana, com picadas de insectos que só se duvida que tenha sido um mosquito vulgar porque grande parte dos alvejados foram perfurados através do vestuário ( ?! ), como eu próprio. Há duas noites que tenho dificuldade em dormir não havendo pomadinha que resulte com estas picadas estranhas. Alguém explica o que foi?

11 novembro 2006

A depredação dos mares.

Texto de participação enviado ao O Livro do Mar.

É preciso entender os bens naturais do planeta como meios para a subsistência e sobrevivência da Humanidade, mas finitos, num determinado contexto. Compete-nos pois velar pelo bom equilibrio das riquezas postas à nossa disposição. Desse entendimento, deve fazer parte a convicção de que uma coisa é a colheita dos frutos disponíveis sem colocarmos em risco todo o equilibrio que levou milénios a construir e outra, é a depredação do meio ambiente, de tal forma que em meia dúzia de anos de plena União Europeia os resultados estão á vista, pelo menos nos mares da Europa.

Cada país tem o seu meio ambiente próprio e é nele soberano. Nenhum outro pode nele intervir sem criar o conflito e esta foi sempre uma razão pela qual se disputaram guerras. Contudo, há bens naturais comuns á Humanidade que estão temporáriameente de passagem ou em depósito em alguns países. Sendo próprietários deles hoje, poderão já não o ser amanhã. Os glaciares, a àgua, o ar, os peixes, são bens naturais próprios de cada meio ambiente mas enquanto lá estiverem, deixá-lo-ão de o ser quando se moverem para outro lado. Passarão depois a ser bens naturais proprietários de toda a Humanidade. Isso implica que cada país seja responsável pela boa salvaguarda desses bens enquanto estiverem da sua posse, implicando que a sua devolução seja feita nas condições ambientais de boa preservação desses bens.

Este, é um exemplo. Não acho admissível que se tenham subsidiado e deixado construir verdadeiras frotas de fábricas flutuantes de arrasto dos mares que rápidamente exauriram os recursos que temporáriamente estavam à sua guarda, como se lançaram na limpeza dos seus fundos, pertença de toda a humanidade. Para quê? Para a sua subsistência ou sobrevivência? Não. Apenas para a criação de excedentes de pesca que vendem para todo o mundo e vemos por aí espalhados em abundância por arcas frigoríficas, alguns perdendo validade. Paralelamente, verificou-se o desaparecimento por asfixia, da pesca que melhor tratava esses recursos em termos da sua preservação. É por isso tremendamente injusto para os países que não enveredaram por essas políticas de depredação do meio que se venha agora penalizá-los outra vez pelos erros que esses piratas dos mares cometeram. Há países com muitas responsabilidades também pelo enorme excesso de consumo de espécies em fase de crescimento que nem chegam à idade adulta, como as Angulas, “Jaquinzinhos”, “Petinguinhas”, Choquinhos minúsculos, parece que proibidos em Portugal há muito, mas não noutros países. Impede-se assim que as espécies completem os seus ciclos normais de procriação e de libertação de mais sustento para a humanidade! Parece claro que a política Europeia de pescas foi um falhanço para a Europa e para a Humanidade porque criou desiquilibrios intracomunitários e potenciou a depredação dos mares da Europa e do resto do mundo. Este efeito depredador, cujo o único motivo é a ganância pelo lucro rápido e fácil, dá-se da mesma forma na Agricultura, onde se estão a verificar desastres ecológicos pela contaminação dos lencóis freáticos e desagregação dos solos, com efeitos sobre as águas e por arrasto sobres os mares.


A Humanidade deve poder impor formas de contenção da exploração dos recursos sempre que elas sejam motivadas pela ganância desmesurada de depredar mais e mais depressa que o vizinho. E a própria sociedade deveria ser mais alertada para quem o faz e como o faz.

10 novembro 2006

Queixa contra Iberista!

Em causa declarações proferidas em Abril em Santiago de Compostela.
Queixa na Procuradoria contra ministro Mário Lino por defender iberismo.

Começo a sentir-me acompanhado, ao ver que ainda há portugueses dispostos a honrar este país, enquanto descendentes do “Vasconcelos” vão deitando contas à jorna e procurando bastardos parentescos e servilismos a um povo do qual nunca tivemos um sinal de amizade. Sempre que para aqui olhou, foi com o olhar da cobiça, da exploração e da conquista. Só não percebem e aceitam esta nova estratégia, pessoas que não sentem o conceito de Pátria e é isso que me causa estranheza. Pergunto até, face ao nosso lugar nos rankings, se não é esta ausência de valores patrióticos que nos vai corroendo e emperrando.

Subscrevo inteiramente esta queixa na Procuradoria, porque ela se configura contra todos os traidores que perfilam estes designios e é preciso mostrar aos nossos filhos que esta não é uma geração abastardada, de outra forma, perderão um conceito com muitos séculos de história. Veja a notícia aqui no Público de ontem.

07 novembro 2006

Ó Mar salgado, ...

Vai debater-se o Mar no Algarve por causa da futura unificação das políticas marítimas da UE. Quando se debateram as pescas, sabem quem ganhou e quem perdeu?! Então vejam lá se ficam outra vez de pantufas a assitir. Se não puder ir, ajude daqui:

04 novembro 2006

Os cubanos e o português.

O entusiasmo da iniciativa inédita naquele continente, do ensino da lingua portuguesa, num pobre país africano, por técnicos cubanos, para irradicar o analfabetismo e a pobreza, não pode deixar de nos questionar!

Ouça outra vez, os Sinais de Fernando Alves, TV Escola, fazendo a tal operação de colocar som e clicar no sinal audio.

36

01 novembro 2006

Último argumento.

“E agora, a Lisboa!... A Lisboa!...”

Este foi o incitamento que o generais franquistas fizeram no final do jantar de comemoração da vitória de Franco, na guerra civil espanhola!...(segundo o Dr. Mário Soares na SIC, esta semana).

Não sabiam? Eu também não. Mas é a história daquela época que não nos foi toda contada. E se foi assim, farão mais sentido “as costas voltadas” durante tanto tempo. Salazar sabia os perigos que corria. Perante estes reprimidos desejos dos vencedores da guerra civil, pela direita franquista, agora conhecidos, quem são então as elites dos valorosos portugueses que se põe a jeito?



27 outubro 2006

Ser português

Não sei se Manuel Alegre vai gostar desta cópia integral do seu editorial na página do MIC, mas é urgente dar esta leitura já aqui, não vá o leitor apressado não querer aceder via link. Fico no entanto mais tranquilo por verificar que a reincindêcia dos meus post sobre estas iberisses, não era um desalinho meu. Afinal não pifei!

Do blog oficial do M!CPortugal:

Editorial
Ser português
Franco e Salazar celebraram o Pacto Ibérico. Mas as duas ditaduras, apesar do Pacto ou por causa dele, puseram os dois países de costas um para o outro. Nunca Portugal e Espanha estiveram tão separados como durante a vigência das duas ditaduras. Com o advento da democracia e a adesão à CEE, Portugal e a Espanha passaram a fazer parte do mesmo espaço económico e político. As relações entre os dois países são hoje relações de boa amizade e cooperação. Nos últimos dias, alguém teve a triste e sombria ideia de iniciar uma série de sondagens perguntando aos portugueses se gostavam que Portugal fizesse parte da Espanha. É uma pergunta fora do tempo e contra a História. E sobretudo contra aqueles que ao longo de oito séculos fizeram de Portugal uma das mais velhas nações da Europa, mais antiga mesmo que o actual Estado espanhol. Que ideia está por detrás de tal pergunta? Como me recuso a admitir que o sentimento patriótico só exista à volta da selecção nacional de futebol, não posso deixar de manifestar a minha estranheza por uma pergunta a que a História há muito já respondeu, desde aquela “primeira tarde portuguesa” de que falou Alexandre Herculano até aos nossos dias. A intensificação dos laços económicos entre os dois países não leva à dissolução de Portugal nem à fusão dos dois Estados. Já dizia o poeta Afonso Duarte: “E cá mesmo no extremo ocidental / De uma Europa em farrapos, eu / Quero ser europeu. Quero ser europeu / Num canto qualquer de Portugal.” Foi sempre nos momentos mais difíceis que uma parte da elite e o povo fizeram Portugal. E foi sempre nesses momentos que uma boa maioria das elites dominantes optou por Castela. Ser português, dizia Oliveira Martins, é e sempre foi um acto de vontade. Como afirmei no meu Contrato Presidencial, “temos que voltar a dizer com orgulho a palavra Pátria e dar-lhe um sentido de modernidade e de futuro”.


Manuel Alegre, Presidente do Conselho de Fundadores do MIC

Há lutas que precisam de um fio condutor e este editorial é uma pérola de ajuda que este blog não podia desperdiçar. Obrigado Manuel Alegre por este e pelos poemas que na minha juventude fizeram também o fio condutor de protesto de alguns encontros clandestinos.

26 outubro 2006

Desliguei a TVI.

A Prisa anuncia lançamento de OPA sobre a Media Capital. No Público de hoje.

Por mim não há problema, com a entrada da Prisa já tinha cortado o piu à TVI. O problema é que eles sabem que a maioria não sabe que o que vê, já não é português ou que pouco se rala com isso.


Sei que este povo acordará um dia, mas vai ser trágico, porque vai ser tarde. Foi sempre assim, quando acordou viu que se tinha deixado enganar. Às vezes apetece dizer: povo de .... Mas seria um erro, porque a culpa continua a não ser sua, apesar do ingénuo alheamento sobre quem controla o que se lhe diz.

23 outubro 2006

Um nojo de gente.

Eu não vos disse isto aqui num post do dia 8, um pouco mais abaixo?: "...Eu fico completamente atónito quando vejo meia dúzia de cretinos comandarem não sei de onde os cordelinhos para que todos os dias estejam a sair artigos “fabricando” teorias traidoras de supostos desejados Iberismos...” ou ...Não me espanta se amanhã der com mais dois artigos bacocos no jornal...”

Esta caixa com a pergunta: Concordaria com uma eventual união entre Portugal e Espanha?
1-Sim

2-Não

volta hoje, desta vez meus senhores, na edição do jornal público ponto clix ponto pt! Isto já deu sondagem pública, debate televisivo há três semanas, já saíu nos jornais e estas azémolas voltam à carga com a ressequida questão, para retomar o debate, como se estivessemos na sala do Jardim de Infância a beber ensinamentos já persuadidos pelas perguntas.

Quase um milénio de existência de país - que sofreu pelo meio as suas piores vergonhas com a presença de Espanhóis, Franceses e Ingleses - não vos deu para herdarem espinha dorsal suficiente? Antes de se interrogarem sobre a mais valia de uma eventual venda da vossa honra pelo encaixe de uma boa moeda, já se perguntaram quantos povos no mundo se darão às subserviências que demonstram com a colocação da vossa pergunta, mesmo se for ùnica? A impertinência da questão é tanto para a demonstração do Sim quanto para a demonstração do Não. Ela nunca é pertinente, independentemente do que se queira ou não demonstrar.

O rebate destas questões leva-me sempre a imaginar como seria a vida daqueles soldados que com o medo dos sabres renegavam à luta dos seus, vivendo depois ao lado do inimigo, como cão agachado, uma vida de remorsos. Um nojo de gente.

21 outubro 2006

Os Sinais, a Pobreza e o Guinness.

Entre o banho e a barba, vale a pena ouvir nas manhãs da TSF, a crónica: Sinais, de Fernando Alves. É um jornalista atentíssimo que nunca pega os seu temas pela rama. Vale a pena passar aqui e ouvir algumas do arquivo. Escolhi esta. Ponha som e clique no sinal audio ou arquivo.

15 outubro 2006

World Press Photo


Defendo que a fotografia não deixará de ser nunca o maior meio de difusão de qualquer mensagem a uma escala maior. Porque eterniza qualquer acção pela suspensão do momento, beneficia de maior portabilidade e difusão e é verdade que uma imagem vale sempre mais do que mil palavras.

Este prémio, existe há 61 anos, tendo sido instituido em Amesterdão em 1955, por um grupo de membros de uma união de repórteres fotográficos e tornou-se numa meritória organização sem fins lucrativos que apoia projectos educacionais e outros, por todo o mundo. Estas suas exposições, são vistas por mais de dois milhões de pessoas todos os anos, em 45 países. Está no CCB e embora o olhar dos fotógrafos seja diverso, não deixa de resultar num documento impressionante de denúncia de todos os tipos de violentações. A não perder.


09 outubro 2006

Ser solidário.

Há um rolo compressor neo-liberal que se alimenta dos egoísmos naturais escodidos em todas as sociedades para dele tirar proveito, sobrevivendo-lhe. (Egoísta, ... pessoa que apenas trata de si e dos seus interesses). É neste afã para o qual o cidadão incauto é levado e empurrado, que ele passa de vítima, a predador, alimentando assim ad aeternum esta bestialidade nas relações humanas.

Nunca hipotecando a minha liberdade de pensamento ou os pragmatismos circunstanciais que me impuser, estarei sempre no local mais próximo onde esta luta possa ser travada. Já há algum tempo tem sido por aqui, mas não me é dificil reconhecer que o género humano me tem surpreendido.Fico de armas e bagagens não deixando que as dúvidas me empurrem para fora de qualquer luta.

Moção Solidariedade e Cidadania:

Em formato PDF.

Em Petição Electrónica.

08 outubro 2006

Iberistas. Quem são?

Não foram sempre as motivações económicos de Espanha em relação a Portugal que estiveram na base dos “iberismos” passados e que tanto mal nos causaram, em guerras com Castela e em domínios Filipinos não desejados? Alguma vez aconteceu, desde a fundação do Condado Portucalense que o povo português se tivesse virado para Castela de braços abertos, cheio de motivações afectivas, pedindo uma união? Eu fico completamente atónito quando vejo meia dúzia de cretinos comandarem não sei de onde os cordelinhos para que todos os dias estejam a sair artigos “fabricando” teorias traidoras de supostos desejados Iberismos. Não me espanta se amanhã der com mais dois artigos bacocos no jornal tecendo loas à porra do interesse económico pelo qual comandam a suas vidas, como base de partida para se sentirem aurorizados a falar em nome do povo português, reclamando a oportunidade do Iberismo. Termo tão vago. Tão oco do sentido de nação que só o podem achar justificado pela configuração geográfica que encerra. Quando o termo “Ibero-...“ aparece, é sempre Espanha que lá está. Nós, é acidente, é forçar abrangências que a história tem negado. Só algum tipo de castração da honra poderá aceitar que se deixe colocar a questão.

Alvin Tofler explicou bem no seu livro "A Terceira Vaga", quando escreveu sobre a evolução das sociedades, como seria esta questão da emergência dos nacionalismos. Fez previsões, extrapolando a partir de resultados que se vinham consistentemente verificando. Hoje existem mais nações no mundo do que há cem anos. E ainda não ficamos por aqui. Olhem os Bascos, os Galegos, os Corsos, e tantos que neste momento querem justamente não ter que partilhar os seus destinos juntos, porque a diferença os incomoda. Então porque razão insistem meter-me em casa gente que não convido? Espanha está a sofrer a violência porque há gente que gosta de exibir a sua própria bandeira. Na Galiza também se queixam de séculos de ostracismo e de aculturação e limpeza do seu dialecto próprio. Quem fizer algo mais, corre o risco ser considerado terrorista. É bom que se vá sabendo entre nós os nomes de quem defende, envergonhadamente, ou apoia projectos suicídas destes. Em Portugal só há uma coisa que me fará clandestino: a defesa do meu país. Chamem-me agora chauvinista, nacionalista, patrioteiro. Não me chamem é depois terrorista.

07 outubro 2006

A função de professor?!

"... Acresce que, em Portugal, a escola se tornou, sem meios humanos e materiais para tal, um espaço multifuncional: aulas, dinamização social e cultural, apoio social, despiste de casos de diversas disfunções, acolhimento multiétnico, integração do indivíduo na sociedade, ocupação de tempos livres, ... Relegando um discurdo de vitimização, é pertinente clarificar e fundamentar a amplitude da função de professor na actualidade."

Extrato do artigo, "E se, porventura, o ME tivesse razão?", do Prof. João V. Faria, da Revista Pontosnosii, de Outubro.

Deveríamos estar um pouco menos pessimísta quanto à resolução dos problemas da Educação e Ensino, porque não me parece que alguma vez o assunto tenha sido tão debatido na praça pública como agora. Pode ser, infelizmente, por termos tocado no fundo, mas esse não é sempre o ponto de partida de qualquer reviralho?

O debate está a fazer-se todos os dias, e é agenda embora nem sempre pelos melhores motivos. Nasceu uma revista que lhe é inteiramente dedicada, que procura ouvir os melhores especialistas, a comunicação social escrita apoia como nunca, a questão entra-nos em casa todos os dias e o que é importante é que o assunto esteja a sair dos muros da escola, para depuração. Espera-se que lá volte e aí, com serenidade, sem arrogâncias e ambiguidades, todos possam e saibam dar o seu melhor contributo para a mais digna tarefa que uma nação tem: a Educação e o Ensino.


04 outubro 2006

"Teoria" e "Filosofia"

Noam Chomsky, escreveu com grande coragem sobre a auto-censura americana nomeadamente no problema do Médio Oriente e mostrou-me uma face que eu desconhecia da grande nação da Liberdade. Mas também andou aqui em demandas filosóficas interessantes.

02 outubro 2006

Solidariedade com os Músicos

Parabéns a vocês, excelentes músicos do Hot Club de Portugal e da Orquestra Metropolitana de Lisboa que no Grande Auditório do CCB, se misturaram e nos deram Jazz servido de uma forma clássica no Dia Mundial da Música. E parabéns a vocês, porque lhe dedicam em estudo uma boa parte da vossa vida, num país que não o reconhece e não vos vai dar o retorno. É por isso injusto que este dia não seja mais vosso do que nosso.

01 outubro 2006

O Envelope 9 - II

Reforçando o que disse aqui, sobre o Envelope 9 e porque não li o Público de ontem, remeto para a oportuna transcrição que Eduardo Pitta faz em CITAÇÃO, 48 no seu blog Da Literatura, do artigo do Dr. António Marinho e Pinto.

Estão implícitas duas enormes chapeladas. Mais uma ao Dr. Marinho e Pinto pelo seu denodo na defesa das causas que caem nestas opacidades, o que deve merecer de todos nós um enorme apoio, porque neste país não há quem queira correr riscos em defesa da verdade e da justiça. A outra, aos atentos desta blogosfera como agora Eduardo Pitta que rápidamente fez o Citação, 48.

30 setembro 2006

Solidariedade na Música - II


Acompanho há algum tempo este blog que se debate com um problema que pode à priori parecer uma questão menor, mas talvez merecesse um olhar mais atento.

Parece tratar-se de uma questão de boa ou má gestão num estabelecimento de ensino e divulgação da música que tem fortíssimos apoios de instituições da Republica, cujos efeitos só estarão a ser mensurados num curtíssimo prazo, em função de mais ou menos concerto, mais ou menos aluno, mais ou menos resultado e poderem estar a ser camuflados aos avaliadores que decidem a continuação das ajudas, outros actos de gestão que como uma bomba relógio se reflectirão fatalmente num happy end.

A prepotência de alguém que entrou para por em ordem os problemas financeiros, está a resultar, em valores que ainda não são conhecidos, de indemnizações a pagar por muitos processos já em tribunal de despedimentos à la carte, de tal monta, que venha quem vier, só poderá vir para um triste fim.


A ser assim, será justo pedir que venha outra Direcção alheia a tudo isto para ter que varrer os cacos? Não é mais meritório ficar esta a colher os maus frutos que semeou, com a vantagem de não ir fazer estragos noutro lado? Uma das coisas que mais indigna o meu espírito de cidadania é o campeamento da impunidade e da prepotência dos pequenos ditadores deste país, onde se brinca demasiado com a definição entre a negligência e o dolo.

29 setembro 2006

Os cus de Serralves

O moço ouviu dizer que para fazer Arte tinha que ser, provocatório e vanguardista. E pelos vistos em Serralves há gente sensível ... as estas provoações. Não alinho normalmente no coro dos ofendidos com as provocação da Arte, de outra forma, estaríamos a entrar no Renascimento, mas não é a fotografar rabos, digo cus, ânus (!), porque os rabitos até podem ser bem fotogénios ou artísticos, ou a bosta seu produto, que me fazem alinhar no coro seguidista de vanguardismos envergonhados.

Almada dava cabo deles, expunha os ossos da sua formação artística ao sol. Nunca mais queriam fotografar cus.


Só fui uma vez a Serralves, mas perdi-me nos seus exteriores que são bem bonitos. Desconheço a sua orientação artística, mas para mim, esta dos cus é uma fraude. Porque ter como objectivo primeiro, esse sentimento geral de rejeição (que não polémica) do público, àquela amostra, é muito curto para o considerar Arte.


Por mim, está rejeitado, porque enojado.

26 setembro 2006

Academia das Ciências de Lisboa


Apesar de amigos, nem todos temos na mesma medida, uns sobre os outros, o mesmo grau de influência, sem que isso diminua o valor das nossas amizades. Mas apenas, porque a uns nos assemelhamos mais, do que a outros, em termos de gostos pessoais. É assim natural, levarmos mais em conta uma opinião sobre um livro, um filme, um trabalho, a uns, do que a outros, porque a nossa convivência arrumou cada um no seu lugar específico.

- Tio, “tens” que ir ver! É uma sala do outro mundo! Que coisa linda!


E fui no dia seguinte.


Devo confessar a minha “não especialidade” em muita coisa, até mesmo a comer caracóis. Mas a este hiato, entre o conhecimento nos anos idos do liceu, da criação da Academia Real das Ciências, por D. Maria I e a redescoberta em 2006 da Academia das Ciências de Lisboa, não sei o que lhe chame. Mas ali está, não onde foi criada, mas quase, na rua do mesmo nome, no bonito Convento de Jesus, com uma biblioteca portentosa de valor, com mais de um milhão de espécies que incluem a antiga biblioteca do Convento com os seus valiosíssimos livros e manuscristos.


Obrigado Cristina Graza, porque se não fosses tu, não teria tido o privilégio de ter estado naquela soberba sala e sentido o silêncio mágico que aqueles livros quase impõem.


http://www.acad-ciencias.pt/ , mas vamos voltar.




Fotografia obtida directamente do catálogo da Academia.

23 setembro 2006

O Envelope 9


O Ministério Público acusou os jornalistas de crime de acesso indevido a dados pessoais.

Ouviram o Dr. António Marinho Pinto, hoje, na SIC Notícias, quanto à questão do famoso Envelope 9? Ouviram-no falar na Lei da Rolha? Viram a frontalidade e a coragem com que afronta o enquistamento da malsanidade na Justiça e nos procedimentos das hierarquias superiores, das nossas Magistraturas e Procuradorias? Sabem que foi por frontalidades destas que este senhor acabou por ter que sair em tempos da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados? E que pena que eu tenho que a Ordem não tivesse escolhido uma figura destas para a representar e dignificar? Portugal precisa urgentemente de gente com vontade de combater e desancar até ao osso, porque nos estão a por cinzentos.

- Isto é a dissolução do Estado. Disse. E ela pode muito bem começar pela Justiça, de tal forma são os exemplos mais comezinhos. A nossa Justiça esclerosou numa consanguinidade fatal. Precisa urgentemente da sua revolução. É isso Dr. António Marinho Pinto.

20 setembro 2006

Os Pombos e as suas merdas.


São responsáveis por isto, quem faz e quem permite que se faça. Isto é assim há muito tempo, mesmo no centro do passeio da maior avenida de Lisboa, em frente da minha porta. O alimento e a àgua são postos directamente em cima da calçada, durante o dia e à vista de todos. Só a incuria camarária e a cobardia de todos quantos aqui vivem não consegue ver. Desculpem, mas é tudo uma bosta.

17 setembro 2006

Uma verdade inconveniente

De vez em quando há um americano que não se conforma, ganha coragem e abala a credibilidade com que aquele país tenta fazer-se passar aos olhos da humanidade. Foram as revelações que um dia o Dossier Anderson nos trouxe sobre o derrube de Allende, no Chile, é o cineasta Michael Moore que tem que brincar para denunciar, é Noam Chomsky que escreve sobre as verdades que os americanos não têm acesso, através da auto censura dos seus próprios média. Agora, foi o ex-Vice Presidente Al Gore a fazer excelente comentário no filme “Uma verdade inconveniente” e a denunciar a irresponsabilidade do poder americano em matéria ambiental. O filme é obrigatório e é urgente ver, mesmo por quem ache ter já suficiente formação sobre o Ambiente.

No seguimento disto, esta semana, o programa "60 minutos" da SIC, fez revelações verdadeiramente preocupantes sobre a censura directa (a mesma que nós tivemos em ditadura, lembram-se?) de um Secretáro de Estado do Ambiente a trabalhos que iríam ser publicados por um dos cientistas mais importantes a nível mundial, em matéria de Ambiente. Esse censor era apenas um advogado que tinha sido o representante do lobby das petrolíferas.

As imagens em exibição são dramáticas e a maior parte são vistas pela primeira vez. Temos dez anos para estabilizar os indices e os seguintes para inverter a situação, caso contrário, teremos a destruição totalmente visívil nesta geração. Mesmo que não acredite, vá ver. Oxalá seja exagero.


Entre nesta página: www.climatecrisis.net e dê uma olhada no extracto do filme.


Dez coisas que pode começar por fazer:

Clique na imagem para aumentar. O cartaz do filme indica alguns pequenos passos que multiplicados farão alguma diferença.


Seja parte da solução e não pense que está só nesta iniciativa, há muita mais gente preocupada. Aprenda mais e torne-se activo.

Prepare-se para que lhe chamem fundamentalista. Foi o que o pai Bush chamou a Al Gore em campanha eleitoral, por causa de Quioto...

Espalhe a mensagem.


.

10 setembro 2006

Borboletas? Porque não?!


Primeiro, fizeram as delícias da nossa infância, mais tarde renovam-nos a esperança em cada ciclo que nascem. Eu não sabia que tinhamos tanta espécie em Portugal e muitas mais coisas interessantes ficamos a saber através do conhecimento destas criaturas lindíssimas, na única estufa de borboletas ibéricas, no Jardim Botânico, da Universidade de Lisboa.

Em Portugal nascem e mantêm-se projectos destes apenas pela carolísse de alguns - Tagis e Parque Biológico Gaia - pelo que merecem todo o nosso apoio. Este, deve ser um exemplo. Para já, foi um só dia, uma espécie de pré inauguração, em 11 de Novembro volta a abrir portas, nessa altura já terão nascido outras espécies e a pequenada vai gostar de ver borboletas numeradas a voar. Leu bem, tem número!...

Um único reparo: não seria possível no Jardim Botânico arranjar mais espaço para tão merítória iniciativa?

06 setembro 2006

República ou Monarquia?


Súbditos ou Cidadãos?

Apesar disto, um dia será entronizado pelos seus pares republicanos, também do continente. Hoje, assobiam e disfarçam, amanhã vão disputar a fila na cerimónia, porque sabem que a memória do povo é curta.

Já não posso ver charutos. Todos eles o exibem. O último digno de que me lembro, foi o de Churchil.

De quem é o defeito? Deles ou do charuto?

02 setembro 2006

28

Comprar Português


(...) " É fundamental apoiar a produção nacional!

Os portugueses vivem hoje num clima de crise, desde o desemprego, à nossa fraca economia,é certo que quem mais sofre somos nós, mas o que certamente muitas vezes não nos passa pela cabeça é que podemos ter uma certa culpa nesta grave situação. Frequentemente, quando vamos às compras, tentamos ir à procura do produto mais barato, mas o que agora é barato, pode vir a curto prazo, a tornar-se muito caro para todos nós. Desde a mais pequena especiaria ao peixe que comemos, o nosso mercado está inundado por produtos fabricados no estrangeiro. Tendo normalmente esses países uma economia mais forte que a nossa, conseguem vender os seus produtos a um preço mais baixo e, desta forma, somos levados, a comprá-los. Mas, quando o fazemos, estamos a contribuir para um maior crescimento das exportações desses fabricantes estrangeiros e, sem dúvida, por vezes, a tirar postos de trabalho no nosso país. Quando não compramos produtos nacionais e compramos artigos estrangeiros, os nossos fabricantes são obrigados a subir o preço dos seus produtos para compensar as quebras de produção. Ora se os produtos concorrentes já eram mais baratos na origem, isto faz com que os nossos fiquem ainda mais caros. E sendo mais caros, ninguém os compra. Toda esta situação leva posteriormente ao encerramento de muitas empresas e consequentemente ao crescimento do desemprego." (...)

Vá ler o resto porque há mais informação útil.

30 agosto 2006

Mais um Vasconcelos.

Portugal entregou o negócio das eólicas a uma parceria portuguesa GALP/EDP e fez muito bem. A Iberdrola espanhola representada pelo português Pina Moura, ex-ministro, ex-comunista, ex-solicialista ( ? ), - preferia que ex-português - diz que fez muito mal.

Haverá em Espanha algum espanhol, testa-de-ferro, a defender os negócios portugueses, como nós temos em Portugal, portugueses, a defender desta forma, os negócios espanhóis? O orgulho espanhol aceitaria estar a atacar intereses espanhóis desta forma, para favorecer Portugal? A Galp que o diga na sua entrada em Espanha... Que raio de povo somos que se vende e aceita lutar contra a sua matriz com tanta leviandade? Espanha tem na sua história algum pulha de um miserável Miguel de Vasconcelos espanhol que tivessem arremessado pela janela fora? Que corja de filhos de Camões interesseiros saímos que arrastamos a Pátria a tribunal para promover os interesses fiduciários de Cervantes? Isso não lhes mete nojo? Asco? Este senhor não é um borra botas qualquer! É um viaipi! Foi Ministro de Portugal! E pode ser? Poder, pode, mas está certo? Veriam alguma vez um ex-ministro espanhol – Javier Solana por ex: - levar Espanha a tribunal para defender uma empresa portuguesa? Assim já é caricato? É também esta espinha mole colectiva que nos impede o rasgo. A honra não importa, o que é preciso é prover o sustento. Com esta lembrei-me do: Feios, Porcos e Maus...

27 agosto 2006

27

... e eu hoje acordei assim:

Felizmente, vamos vendo cada vez mais, convencidos galos de crista pagar pelas seus abusos. A prepotência e os desmandos exercidos sobre a cobertura de um qualquer quadro legal, são normalmente fatais: criam-lhes a sensação de impunidade eterna. Alguns, sobrevivem-lhe quase uma vida, mas um dia chega a hora... Gosto de os ver sair dos tribunais de cara tapada!

26 agosto 2006

Um anti-blogs

Nada tenho contra as conversas de escárnio em voga nas nossas TV’s e até acho que a crítica mordaz, responsável e inteligente é necessária para mantermos activa a nossa capacidade de rirmos de nós mesmos. Mas num dia destes, dei com um Sr. Pina, na SIC , num desses programas de “Comédia” e numa das suas entradas o homem desconchava-se em ataques soêzes ao Bomba Inteligente, a propósito do sentido figurado, de como de uma forma engraçada e brincalhona a autora nos diz que acorda, e exibía as fotos como prova do “crime”. Não sou assíduo daquele blog mas reconheço-lhe uma marca distinta e uma forma muito particular de aqui andar e dizer as coisas e até bastante mais qualidade e inteligência naquilo que faz, do que o trabalho do Sr. Pina, naquele programa.

De novo, num zap acidental voltei a vê-lo, quando desancava o blog do novo Presidente da Liga de Clubes, pouco importa se com razão, mas desta vez atirando-se às razões que levam as pessoas a fazer blogs, inferindo que são razões de vaidade pessoal, narcisismos e defeitos afins. Nesta lógica, a partir de hoje quem cantar é vaidoso? Quem pintar é narciso? Quem escrever tem manias e quem "comediar" tem a mania que é palhaço?

Este Sr. Pina não tem blogs mas tem flops e a demonstrar a sua incapacidade para justificar o seu tempo de antena, está o ataque cretino à Sr. Maria Cavaco Silva, por quem não morro de amores mas que respeito. Desta vez, exibiu então um jornal onde a senhora dizía: “... Não contassem com ela para ficar atraz do marido, mas sempre ao seu lado...”. Serviu-se depois, para ilustrar a chacota àquela declaração, de figuras de um qualquer Kama Sutra com as diversas posições laterais do acto sexual, fazendo depois o mesmo com outra primeira dama europeia e outra vez mais figuras, agora de rectaguarda e outra vez mais deboche. Aqui está a qualidade do trabalho do Sr. Pina.

Uma estação televisiva não é um blog com meia dúzia de leitores e as audiências são incomensuravelmente maiores do que as entradas nestes blogs, logo, a qualidade daquilo que diz o Sr. Pina, deveria ser incomensurável face ao que dizem os blogs, mas não é, fica até muito por baixo. Haverão razões por detrás desta sua aversão blogosférica? Alguém explica?

23 agosto 2006

Um momento.


From: Zé -

" Não digas que esta não é bonita?. Olha bem para ela e perde um minuto. A meditar... A ver o encanto da natureza... Olha, não sei o quê! Encanta-me esta calma que a foto me transmite. "

From: Graza -

Concordo contigo. Quanto ao ”encanto” e ao “não sei o quê” não será porque fizeste os teus primeiros nove meses de vida neste elemento? A água e a música não são um dos elementos mais usados em terapias para induzir a um determinado estado? Neste caso, a água está tão calma, o pato vai tão suave e a ondulação tão macia que te deixam a possibilidade de imaginares o ritmo que quiseres: lento, ou muito lento. Até o facto de o patinho não perceber que estava a ser observado ajuda à não perturbação. A fotografia eterniza aquele momento. Este, é um exemplo de como o vídeo nunca a substituirá, nesta função. Tenta imaginar a cena em movimento!... Já passou!... Não tiveste tempo de interiorizar o que quer que fosse.

Crédito da foto ao meu amigo Zé que vive desterrado nas areias do sul.



17 agosto 2006

02 agosto 2006

Férias Normais




Não tenham pressa, chega a tempo.

PS: Um dia destes arranjo-vos um postal das "Ilhas Malucas" para armar também ao pingarelho... Qual é a taxa do juro?... É a nomal?