ARROIOS

"...s. m. pequena corrente de àgua não permanente; regato"

Cesária excluiu-nos

Cesária Évora veio um dia a um programa de televisão, e o Herman esforçava-se para lhe arrancar a descontracção que permitisse aquela conversa dos afectos, mas Cesária permanecia insensível mais ainda para além daquela sua postura altiva não permitindo o êxito da entrevista, até que nos deu um murro no estômago respondendo a uma pergunta, quando disse: “A minha segunda pátria é França”. Não foi o conteúdo do que disse mas a forma pontiaguda que lhe deu. Começava assim a fazer sentido a dificuldade do Herman. Não foi o facto de ter tido êxito em França, foi a sua passagem em Portugal no Verão Quente de 1975, numa altura atribulada sua e da vida do nosso Abril que parece tê-la afastado de nós. Que ela preferisse os franceses por a terem adoptado, é normal, porque foi ali que triunfou internacionalmente, mas que se tenha definitivamente posto de candeias às avessas connosco que a ouvíamos desde jovem, é que nunca aceitei. Saramago estava zangado com Portugal, o institucional, mas os portugueses estavam fora dessa amargura. Por que raio não quis a Cesária aceitar o nosso afecto?

Reedição por ressalva no título: "excluiu-nos" e não "exclui-nos".

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4 Comments:

At 6:33 PM, Blogger Rogério Pereira said...

Sem ironia lhe digo que não me admiro. Hoje já há quem, inconfessadamente, admita outros países como primeira Pátria... Falo da Alemanha, claro

 
At 6:27 PM, Blogger Graza said...

Quem nos dera que fosse pelos motivos da Cesária. :)

Saudações.

 
At 11:46 AM, Anonymous Anónimo said...

Também eu estou zangado com portugal... Porque mantenho forçadamente uma família na minha casa e ainda por cima tenho que pagar pelo privilégio... Havendo neste momento 5 milhões de portugueses zangados com Portugal.
Ricardo Corte-Real (Sydney)

 
At 7:37 PM, Blogger Graza said...

Ricardo:

Não teremos nunca forma de saber o que é estar zangado e quantos o estão com Portugal. Sabemos que há portugueses que não gostam por uma razão ou por outra de Portugal, mas muitos manifestam essa animosidade desapontados com quem nos tem governado e na forma como colectivamente não nos coordenamos, projectando erradamente esse estado de espírito contra o país.

Presumo que o seu ressentimento tenha a ver com o Arrendamento. Na verdade quando falamos dos males que a governação de Salazar nos trouxe, esse é um dos males que deve ser lembrado, porque, o facto, é que Salazar só conseguiu manter o país que tivemos durante 50 anos, porque o empobrecimento a que vetou o país teve que ser conseguido à custa de artificialismos como esse. Recomendo a leitura do que diz aqui Daniel Oliveira sobre esta questão, melhor do que eu:
http://aeiou.expresso.pt/escrever-direito-por-linhas-direitas=f595853

E não se zangue com o país, lute antes pela mudança

Saudações.

 

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