28 agosto 2007

Um Equívoco.

Caro Egas, em alguma coisa haveríamos de divergir. Interpretaste mal o sentido da minha posição em relação aos transgénicos, mas a culpa é certamente minha porque saíu assim de rajada sem grande preocupação de rever o que escrevi. Também me parece que a tua opinião passa muito pelo facto de ser a tua área de estudo que te leva a encarar com paixão o que fazes, sem te interrogares muito sobre outras vertentes do aproveitamento económico que é feito da área que investigas.

Diz-me, se uma comunidade rural distante e isolada, poderá desta forma – o dominio absoluto dos transgénicos - continuar a deitar semente à terra, colher o produto, reservar como sempre uma parte para a semente e voltar ao cultivo na próxima época de sementeira?

Diz-me, se não consideras haver no mundo excedentes agrícolas, mesmo antes dos transgénicos, sendo o problema da fome uma outra questão que não passa por aqui?

E diz-me, como homem de ciência, se devemos considerar que a selecção ou cruzamento das espécies de uma forma natural é o mesmo que a manipulação artificial dos seus genes?

2 comentários:

Egas disse...

Agora é que me tramaste :p

Mas parece-me que também eu tive dificuldade em explicar-me bem.

Claro que para uma comunidade rural como a que mencionas a utilização de transgénicos não é, nem nunca será a solução.
Penso apenas que a utilização de transgénicos é uma das soluções, tal como o melhor aproveitamento e distribuição de mantimentos.
Por forma a manter a biodiversidade não devemos negar e proibir os transgénicos mas antes saber saber definir espaços onde culturas transgénicas possam ser cultivadas e taxas para esses mesmos produtos.

É também possível que determinado ramo da investigação científica se encontre subaproveitado economicamente. Mas a ciência é por natureza multidisciplinar e a verdade é que para cada grande descoberta há 5 ou 6 vezes mais desaires e fiascos. Tentar forçar e direccionar a comunidade científica afigura-se-me como algo extremamente perverso e perigoso.

E para finalizar uma pergunta um tanto ou quanto filosófica: até que ponto toda a intervenção humana pode ser considerada natural? Não será toda a actividade transformadora artificial?

Graza disse...

Sou óbviamente um indefectível da Ciência, nem é isso que está ou esteve em causa.

Tu saberás onde se aplica com sucesso e segurança qualquer descoberta da tua àrea cientifica, o que tu já não podes é controlocar a taxa com que se aplica da tua descoberta. Não é pelo facto da manipulação do nuclear poder levar-nos à bomba que não é possível defender a utilização para outros fins úteis à Humanidade. E ninguém está a forçar ou a direccionar a comunidade científica sendo o pior que pode advir como argumento, e vais desculpar-me, mas é essa reação quase corporativa. Claro que há outra actividade transformadora artificial, mas se soubessemos o que sabemos hoje, muita trnsformação teria sido feita noutros moldes.

Caro Egas, não queiras então levar-me para caminhos onde a minha formação não chega, porque a transformação de que falamos não é tão abrangente assim, trata-se apenas de transformar, ou não, semente em semente e deixar essa tarefa e a detenção dessa patente aos desígnios primordiais da natureza ou, como advogas, ao dos monopólios mundiais da indústria química.