26 setembro 2007

O Rugby Português

Devido ao perigoso constrangimento geográfico da Nação, a única forma da Lingua Portuguesa se ter tornado Pátria foi ter descoberto o Mar.

Não sei bem a que propósito digo isto, mas sei, por contra ponto que é o que me impede, de entre outras coisas, ser Iberista e de me arrepiar com as lágrimas que correram hoje na cara daquele jogador de rugby a cantar o Hino Nacional.

Um orgulho! Perante isto que medalha os pode merecer?


Post Scriptum: Não deixe de ir ver os comentários na página da Federação, onde podemos ver elogios como estes:
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2 comentários:

Egas disse...

Ola Graza,
Sou tal como tu um apreciador de Rugby e não posso negar que a presença da Selecção Nacional no Campeonato Mundial me alegrou imenso ao longo deste último mês.
Sobretudo aquele jogo com a Nova Zelândia. Ver a nossa Selecção defrontar os reis do Rugby foi de um enorme prazer, mesmo tendo em conta o avolumado resultado.

Contudo, vou agora desempenhar o papel de advogado do diabo deixando aqui à tua consideração um artigo da autoria de João Miguel Tavares publicado ontem no DN.

"QUEM JÁ NÃO ATURA ELOGIOS AO RÂGUEBI LEVANTE A MÃO

Mais uma palavra elogiosa sobre a selecção portuguesa de râguebi e a sua paixão pela pátria e o seu amadorismo tão profissional e o seu extraordinário esforço e como devemos estar todos tão orgulhosos e como eles são um exemplo para nós - e eu regurgito. A sério. Se os elogios parvos tivessem açúcar estávamos todos diabéticos.

Agradecia que os admiradores do râguebi não me imaginassem já a ser violentamente placado contra um muro de cimento. Juro por todos os santinhos que nada tenho contra a modalidade. Gosto muito de ver os jogos e quase me comovo com a haka neozelandesa. Mas para tudo existe uma medida certa. Sim, os rapazes portugueses são esforçados. Têm o seu mérito. Parecem simpáticos na televisão. Não são dados a peneiras como os tipos do futebol. E cantam o hino nacional com um tal entusiasmo que se Louis Pasteur fosse vivo ainda os vacinava. Mas daí a transformá-los nos maiores heróis da Nação só porque andam num campeonato do mundo a perder os jogos todos (e por muitos) é capaz - digo eu - de ser um bocadinho exagerado.

Dir-me-ão: "Ah, e tal, são amadores, passaram muitos anos a lavar as suas próprias camisolas, e veja onde eles chegaram." Até pode ser. Embora, tendo em conta os estratos sociais de onde vem a maior parte daquela rapaziada, seja bem mais provável que tenha sido a dona Mariazinha ou a menina Svetlana a lavar-lhes a camisola. Mas passemos ao lado das questões de classe, ainda que elas expliquem muita coisa. O certo é que, mesmo tendo em conta os objectivos (modestos) anunciados, a selecção ainda não cumpriu nenhum. Contra a equipa da Escócia os portugueses queriam perder por menos de 30 e encaixaram 56-10. Contra a Nova Zelândia queriam que os All Blacks não chegassem aos 100 pontos e perderam por 108-13. Contra a Itália nem percebi qual era o objectivo e levaram 31-5.

Mas o mais extraordinário é que, percam por quantos perderem, os "lobos" têm sempre garantidas umas festas na cabeça por parte da comunicação social. Título do Público após o 31-5: "Ficou a sensação que era possível derrotar a Itália." Ficou a sensação, ficou. Eu às vezes também tenho a sensação que podia jogar melhor à bola que o Messi. Que podia ser mais esperto que o Bill Gates. E que a Nicole Kidman podia perfeitamente sussurrar-me ao ouvido: "Ao pé de ti, o Tom Cruise é um badameco." São sensações. Não costumo é puxá-las para título de jornal. Mas, de quando em quando, a Pátria dá nisto: elege os seus heróis, fecha as cortinas do pensamento, e chora muito a ouvir o hino nacional. É esquisito. Mas é assim."

Graza disse...

"...Sim, os rapazes portugueses são esforçados. Têm o seu mérito. Parecem simpáticos na televisão..."

Desculpa Egas, mas quem é João Miguel Tavares? Conheces? Eu, juro que é a primeira vez que leio o seu nome. Ainda por cima o homem não vomita, regurgita! Coitado.

Era o que faltava, que me viessem agora em nome de uma qualquer cartilha de comportamentos, controlar a sinceridade da minhas emoções, passando a debitá-las em função da regra. Já eram esperados comentários destes, e eles vêm normalmente de quem tem que pôr-se em bicos de pés para ser ouvido.

Salvaguardando os perigos do Fátima, Futebol e Fado, continuo a não perceber que haja quem não goste desta fugazes felicidades de um Povo.