03 fevereiro 2013

Cadê os Movimentos Sociais?

(Reeditado)


Onde estão os Movimentos e os Partidos agora? A preparar mais uma enchente no Terreiro do Povo ou na Praça José Fontana? E o que fazem os idosos com essa performance do génio revolucionário dos nossos ativistas e militantes? Não seria nestas alturas que deveríamos estar? Na hora? Quando as coisas estão a acontecer? Porquê deixar para um dia em que já tudo se passou? Ou é porque somos um país de proprietários que só precisam da minha solidariedade quando for para defender os seus interesses corporativos? São autismos destes que estão a começar a afastar-me da participação. Um dia destes mando tudo à fava e cozinho as minhas utopias sozinho.

Mobiliizem-se p****! Porque uma coisa é fazer uma nova lei de arrendamento que regulamente os despejos, outra é um ataque aos idosos como este que está a ser feito, e eles como já se viu pelas filas que fazem na AIL e na DECO não têm capacidade de mobilização. Ou não é na ação que se vê a solidariedade, e isso não é só para ficar na bíblia?

Comunicado da AIL - Associação dos Inquilinos Lisbonenses:

DIA 7 DE FEVEREIRO DE 2013 (Quinta) - 17.00 HORAS
CONCENTRAÇÃO DE INQUILINOS NA PRAÇA DO COMÉRCIO
FRENTE AO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, DO MAR, DO AMBIENTE E DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO. INQUILINOS CONTRA A APLICAÇÃO DA NOVA LEI DO ARRENDAMENTO URBANO EXIGEM A REVOGAÇÃO DA LEI”
 

https://www.facebook.com/associacaoinquilinoslisbonenses

3 comentários:

Graza disse...

Comentário recebido de um amigo, via email. Pela profundidade que lhe deu, aqui fica:

“Sabia da convocatória da manifestação, através de um mail da "Liberalização da Rendas", recebido ontem.
A AIL está assoberbada de trabalho. Todos os dias aparecem inquilinos a pedirem-lhe ajuda, fazendo uma bicha indeterminável. Os funcionários, advogados e dirigentes não têm mãos a medir. Por isso, se justifica que falhe qualquer coisa.
Eu comungo da sua preocupação, Grazina. A concentração vai ser um fiasco. Se o Grazina passar pela AIL, vai perceber porquê. Os mais prejudicados com esta lei são idosos, muito pouco formados e informados, muitos analfabetos, que nem sequer sabiam que esta lei estava a ser forjada, desde o ano passado. É desolador ver aquele quadro humano, que, de certa maneira, caracteriza a sociedade portuguesa atual. Aqueles, a quem o problema não os afeta, estão-se nas tintas.
Eu julgo que já falei com o Grazina do que eu classifico de egoísmo grupal ou sectorial. As pessoas só reagem quando a crise lhes caiem em cima da cabeça. E se esse problema de grupo for entretanto resolvido, saltam fora. Foi o que aconteceu com os professores universitários, que se calaram por 50 milhões de euros, que o ministro foi sacar às verbas do ensino básico e secundário, para transferir para o ensino universitário.
Por outro lado, existe um outro problema mais grave, que está a preocupar-me. A desmobilização, o desânimo e o conformismo.
Ontem, a propósito da boutade do gajo do BPI, escrevi a um amigo assim:
O que mais preocupa, é que a direita, com o abrandamento das manifestações populares, está a arrancar em força para impor rapidamente o seu plano, sabendo de antemão que o PS, se vier a ser governo, apenas fará "retoques" (palavra de Seguro) ao que já estiver estabelecido. O PS ainda não se demarcou do memorando com a troika, que assinou. Ele tem de ser desmascarado no parlamento e na rua, em relação a esta situação dúbia e ambígua. O euroseguidismo do PS faz parte da sua matriz, desde Mário Soares.

O problema passa pelo PS, pois, enquanto o PS não passar para o lado de cá, é impossível mudar a situação. Mas a cúpula do PS é aquilo que o espetáculo degradante de António Costa exibiu.
O PCP apenas tem a força sindical e organizacional. O BE já não sei bem o que é. E, todos os outros grupos de protesto, que se formaram, não têm organização, plano, nem ideologia.
Há pois um taticismo partidário paralisante. Nenhum partido quer perder votos, nas eleições que se avizinham. Entretanto, a direita vai impondo o seu plano com êxito, e as massas estão adormecidas e quase resignadas.
Neste momento, falta a Portugal uma liderança carismática, personalizada ou partidária. Falta uma liderança da do estilo da de Humberto Delgado, ou de um MDP/CDE de 1969, que aglutine o descontentamento e em que se esbata a fidelidade partidária. E essa liderança só pode apontar um caminho: emendar o erro da cega e acrítica adesão à causa europeia, que começou por nos dar muito, para, agora nos tirar tudo. Foi, na realidade, uma gigantesca armadilha, que a maioria das pessoas ainda não percebeu, pois vive na ingénua e infantil ilusão de que a Europa é um espaço de solidariedade e de fraternidade entre os países, quando na realidade, é um espaço de negócio, dominado pelos mais ricos e poderosos. Por isso, eu só ouço os dirigentes a falar de mercados, de dívida e de juros.
Um abraço

Rogério Pereira disse...

Apetecia comentar a parte em que está à beira da rendição, e de atirar a toalha ao chão...

Apetecia comentar o comentário

Mas apenas lhe deixo o dito: A pressa e o desanimo são irmãos, filhos da mãe Descrença e do pai Ocioso

Graza disse...

Obrigado Rogério, mas se interpreto o seu não ter pressa nem desânimo, como “paciência”, diria que ela pouco vale a quem vai viver os dramas que se imaginam com a sua habitação na fase final da vida. Já estão a acontecer coisas e muitas delas não vão ter cobertura mediática. Essa atitude não é recomendável a quem já passou a fase luta táctica: agora têm as armas apontadas.