19 dezembro 2017

A todos os que acham que aqui cabem.

Ainda no espírito que vem com o Natal, cujas contradições com as minhas não religiosidades só existem para os ascetas da vigilância contemplativa religiosa ou política, diria que hoje poderia fazer como Álvaro de Campos,  quando escreveu aquela Ode Triunfal de uma só penada encostado a um móvel, que escreveria para cada um de vocês da mesma forma, familiares e amigos - os que se sintam destinatários possíveis - mas acordei demasiado tarde para um projeto desses porque vocês são ainda uns quantos, a escrita seria muita e nem o tempo que falta para o Natal me chegaria; e nem eu sou ao fim e ao cabo Fernando Pessoa para me desmultiplicar tanto. Sinto contudo, que cada um me merecia esse pedaço de texto que viria certamente com toda a verdade falar-vos das particularidades que me ligam, quer pelo laço familiar, quer pela amizade que me faz ter esta vontade de me dirigir a cada um da forma particular que merece. E estão cá todos, mesmo os que acham que não, porque se virem bem fiz parte da vossas vidas como vocês fizeram parte da minha. Os desacertos, se os houve, foram entretanto apagados do registo que daria o texto.

Fiquem portanto, os que sabem que não sou falso quando falo da amizade, com um pedido: cultivem a nossa amizade como quem trata de uma horta: dêem-lhe terreno fértil, retirem as ervas que só são daninhas nela mas não noutros lados, reguem quanto baste e deixem que a natureza faça o resto. Assim, permanecerão sempre naquela lista provável dos que um dia terão um texto escrito com a mesma veneta com que o Pessoa escreveu aquela Ode Triunfal.

Isto não foi uma ode, claro, nem era esse o objectivo, era apenas uma forma de vos dizer que poderiam ter tido hoje umas palavrinhas personalizadas de sintetização do meu afeto e em forma de balanço de amizades, porque todos teriam coisas positivas para ler mas que andei pouco atento e o Natal chegou, e a vida de reformado não dá pra tudo.

Um grande, grande abraço que só é natalício pela data, se não seria dos outros: os do texto particular que mereciam e não receberam afinal.

João, para uns. Grazina, para outros. Se sou para alguns apenas Graza, são excelentes candidatos que tenho sempre em conta.


Bom Natal para todos.

Adaptem o poema, obviamente, às nossas condições de amizade.




Try to remember the kind of September
When life was slow and oh, so mellow.
Try to remember the kind of September
When grass was green and grain was yellow.
Try to remember the kind of September
When you were a tender and callow fellow.
Try to remember, and if you remember,
Then follow.
Follow, follow, follow, follow, follow,
Follow, follow, follow, follow.
Try to remember when life was so tender
That no one wept except the willow.
Try to remember when life was so tender
That dreams were kept beside your pillow.
Try to remember when life was so tender
That love was an ember about to billow.
Try to remember, and if you remember,
Then follow.
Follow, follow, follow, follow, follow,
Follow, follow, follow, follow.
Deep in December, it's nice to remember,
Although you know the snow will follow.
Deep in December, it's nice to remember,
Without a hurt the heart is hollow.
Deep in December, it's nice to remember,
The fire of September that made us mellow.
Deep in December, our hearts should remember
And follow.

4 comentários:

Reinaldo Ribeiro disse...

Companheiro e amigo

Excelente texto e excelente poema! O teu texto versa sobre o que considero ser o mais importante na vida: A Amizade.
Apesar de ser Natal (mas o Natal é quando um homem quer...) deixo-te aqui o meu abraço sincero para todos os momentos.

Reinaldo

Graza disse...

É um lugar comum dizer que foi um privilégio conhecer alguém, mas no teu caso, não há como fugir ao lugar seja ele o que for, é mesmo um privilégio ser teu amigo, o que não é dificuldade nenhuma porque o mérito de os fazer é todo teu.

Mais um abraço Reinaldo.

Francisco Horta disse...

Um bom Natal 🎄 para ti também, meu querido cunhado. Abraço forte.

Graza disse...

Outro pra vocês. :)