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19 maio 2008

Carod Rovira

O Vice-Presidente da Catalunha Carod Rovira afirmou em Barcelona que a Espanha ainda não assumiu que Portugal é um Estado independente e diz que Madrid pretende manter uma tutela paternalista e uma atitude de imperialismo doméstico sobre Portugal, mas também acusa alguns dirigentes portugueses de historicamente sempre terem tido um complexo em relação a Espanha. É notícia da Lusa, está em todos os jornais mas veja aqui, no Público de hoje.

Não é segredo que existe neste blogue uma certa vertigem anti-Ibérica. Ela é sobretudo justificada pelo que considero ser a fabricação de um conceito que não existe. Não me sinto ibérico. O Iberismo não existe, apesar de haver gente afanosamente a demonstrá-lo. Há relações que só os povos podem construir. Sabemos, quando lá vamos, como os espanhóis nos ignoram e isso tem razões históricas. E por muito que alguns aqui não gostem que se diga, é com os Galegos, pela força da origem linguística que essa forte relação existe.

Admito que esteja certo no que diz, Carod Rovira. Que tenha utilizado isso em proveito próprio numa espécie de dividir para reinar é outra questão, mas não estará longe da razão, e também o tenho dito aqui de outra forma. É por isso que acho que os Iberismos são apenas uma via de sentido único, porque é o centralismo espanhol que absorve totalmente este conceito que só serve para inchar Castela secando o resto. O problema é que continuam a haver portugueses a facilitar tudo isto, mas é agora um espanhol que nos desvenda um pouco das suas conversas em família e que muitos cá não aplaudem. Os espanhóis nunca emendarão o seu relacionamento com Portugal porque isso lhes está na massa do sangue há nove séculos e sempre que emendaram foi em proveito próprio. Como diz Rovira lembrando a história, valeram-nos também em 1640 as revoltas na Catalunha e na Biscaia, para que Filipe III se tivesse voltado para aquele lado, caso contrário, seríamos nós hoje uma Catalunha espanhola, o mal destes foi a nossa sorte. Mas não é por estas declarações servirem apenas os interesses independentistas de Rovira que devemos tapar os ouvidos e assobiar para o lado.

Não tanto a propósito, mas veja-se aqui o que estão a fazer ao Galego e a justa reacção que começa a haver perante as últimas alterações introduzidas no ensino do Castelhano e o desespero de 90% de adultos com mais de 65 anos quem vêem a sua Língua materna ser falada apenas por 10% dos seus jovens.

26 abril 2008

Canções da Galiza

Sou seguramente descendente Celta porque é neste som que me revejo, longe de qualquer Flamenco ou Sevilhana por onde se ficaram os Iberos. E reparem, canta quase em Português. É Galego:
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Nota: Pesquisado a partir de uma referência do Alexandre de Castro.

18 abril 2008

Patrimónios Imateriais

Se a questão da matriz linguística comum do Galaico Português existe, há que olhar para ela. Vejamos estes links:
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Por embaraçosa que seja para nós a questão, já nos basta Olivença. Se os Galegos não querem perder o seu património estão no seu direito: O Galego e a CPLP, fonte Wikipédia.

A minha infância foi passada em África em conjunto com famílias de Trás-os-Montes, e no convívio assimilei algum sotaque daquela região. Uns anos mais tarde, regresso a Portugal e numa visita a uma aldeia da Galiza revivo a minha juventude numa taberna ouvindo os proprietários falar-me num idioma que eu entendia como o português que ouvi dos meus amigos em África, tal era a semelhança entre aquele Galego e o nosso Português da raia Transmontana.

Mais tarde em Lisboa fui comprovando que nós éramos para os Galegos um pouco mais do que o vizinho Portugal. Nós éramos o país de acolhimento dos tempos duros de Franco, em Espanha. A Juventude da Galicia era a Associação onde em Lisboa fazíamos as nossas tardes de convívio e reveillons, e as Adegas Mó e Dão, na Rua dos Sapateiros, eram as Casas de Pasto onde depois de uns anos de ausência o galego Sérgio não se esqueceu do Xenhor Xoão e me cumprimentou na mesma forma efusiva e bonacheira. Tenho, talvez por isso com os Galegos uma empatia que não tenho nem sinto com os seus irmãos Castelhanos, mas sei que esse problema não passa só por mim e também já é tarde para me desfazer em esforços.

O património dos povos não é apenas o material representado pelas suas pedras ou edificações mas sobretudo o imaterial, como a sua Língua ou Dialectos. Deixá-los morrer é perder raízes históricas importantes também para a humanidade e devemos protegê-los como se protege qualquer vestígio arqueológico. Sinto por isso que os Galegos ao insistirem em não querer perder a sua raiz linguística merecem o respeito das instâncias internacionais onde todos estamos representados.