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08 maio 2011

O cresponalismo

Um jornal lê-se, se o quisermos comprar. Uma estação de rádio ouve-se, se a sintonizamos, mas um canal de televisão impõe-se, quer queiramos quer não, porque há sempre um aparelho ligado onde quer que estejamos. É por isso dramático termos que continuar a ouvir as mesmas vozes do antes da crise, porque os mesmos sons evocam os mesmos cenários e nós queremos mudar até de móveis. O Plano Inclinado na SIC já nos deprimia antes da vinda do FMI, mas continuar a ouvir ainda a voz de Mário Crespo a perorar, agora em conjecturas com uma entrevistada, explorando o simbolismo de um hipotético efeito catalisador não sei de quê, que sobre o actual momento nacional se abateria se tivéssemos entre nós um casal tão feliz como foi a Snu e o Sá Carneiro, (!) é demasiado para ouvir, demasiado mesmo quando não temos acesso ao botão do comando para fazer zap e o som nos chega sem autorização vindo da outra sala. Para isto, já nos bastou o casamento real. É um arrepio o odor que exala deste formato de “jornalismo”. Uma nojice de que o FMI não nos livrou.

17 fevereiro 2010

Desobediência civil!

Proponho a “desobediência civil aos jornalistas” como resposta ao desafio à “desobediência civil dos jornalistas” proposto por Joaquim Vieira, ex-Provedor do Público.

É que isto é mais uma forma do corporativismo que nos minou e com o qual a Democracia se está a debater cada vez mais, porque é o sistema de organização que melhor se resguarda da solidariedade necessária na construção de uma sociedade mais participada. É o egoísmo de uma classe profissional sobre as outras na imposição e defesa das suas actuações e interesses. Começamos a ter cada vez mais dificuldade na solidariedade às excepções quando elas se perpectuam em interesses próprios.

Não é difícil saber em que se traduzirá a nossa desobediência civil: é deixá-los ficar a escrever para que cada vez mais os jornais sejam oferecidos na caixa de um super mercado ou posto de combustíveis. Não somos obrigados a tomar como boas as regras que um qualquer Vieira nos quiser passar a impor, através das suas interpretações do que é interesse público, confundindo-as com interesses profissionais privados. Isto é o convite à barbárie se legitimado a todos. Vamos fazer como se diz aqui no Jumento: "tratar o cão com o pelo do cão".
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