07 fevereiro 2008

Os Nossos Senhores - II

O que disse Joel Costa neste link do post anterior pode ser o resumo do que vemos escrito aqui na blogosfera e por aí nas tais conversas de café que o outro senhor não gosta, ou seja, começa a ser preocupante a sintonia entre muita gente de diversos quadrantes.

Nunca como agora desde o 25 de Abril achei que alguma coisa pode vir a correr mal. Este fosso que se cava entre nós, não é já só uma questão de ricos e pobres, é agora uma fratura entre Eles e o Povo e o que é grave, a meu ver, é que andam todos distraídos, parecendo não perceber que temos agora mais informação da injustificação dos seus ganhos escandalosos, excepto quando o secretismo que envolve os seus rendimentos não o permite. Chamo a atenção para aquela questão do vencimento anual do Governador do BP, comparada com a dos EUA. Alguma coisa deve ser feito e quando penso nestas injustiças vejo até efeitos rectroactivos para correcção dessas aberrações. É impossível a Nação e a democracia suportarem indefinidamente este estado de coisas, a que alguém chamou de “fartar vilanagem”, sem que isso não traga outras consequências. Mas Eles continuam calados e parece haver um pacto de silêncio. O cidadão começa a não entender e a revoltar-se com a discrepância entre as suas misérias e o suporte das injustiças a que é forçado. Os acontecimentos que íam incendiando França há pouco tempo são o aviso de algo que pode explodir de outra forma se não for acautelado. No nosso caso, qualquer alteração política mesmo que justificada num quadro reformador, pode fazer perder a paciência e num dado momento ser aproveitada e potenciadora. A prudência não é acabar com o fogo, prudente é não lhe chegar a pólvora. O que começa a ser preocupante já não é a situação do povo é o autismo dos nossos senhores, mas cuidado, de todos!

3 comentários:

Ricardo S disse...

Cara Graza,
o problema é precisamente o ponto que referiu mesmo no fim: é de todos.
Para mim, o mais preocupante de tudo, mesmo mais que os próprios abusos, é a inexistência de alternativa, pois são todos iguais.
E digo que não existe alternativa, porque não considero a anarquia um sistema (se é que é mesmo um sistema) minimamente aceitável e fiável.
O que fazer? Estaremos condenados a este estado de coisas?
Cumprimentos.

Graza disse...

Ricardo S, não é relevante que me tenha trocado o género, a assinatura é apenas uma brincadeira feita com o meu apelido. Sou um Graza :)

Depois de editar este post, alguém me chamou a atenção para um artigo no Expresso desta semana, que não li mas vou tentar ver, escrito por um General (?) que face a tudo isto parece que preconiza a possibilidade de um levantamento social (?). Como não li não sei se foi e em que sentido foi escrito, mas assim sendo, o meu post parece não ter preocupações isoladas.

Ricardo S disse...

Mil desculpas, CARO Graza. My fault...