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10 maio 2008

Desenvolvimento ou PIB?

Será que nos Indicadores de Desenvolvimento Humano que referi aqui, a Onu não se esqueceu de incluir a Esperança de Vida, nas Condições Sociais. Verifique-se então mais esta, de como a Madeira é a região nacional com menor esperança de vida. Lá se vão outra vez as virtualidades do PIB.

28 abril 2008

Madeira: Desenvolvimento ou PIB?

Quando olhamos o desenvolvimento de Portugal hoje, não temos bem a percepção do que éramos há 34 anos. Amigas francesas que aqui estiveram analisaram-me essa mudança de que nem sempre nos damos conta. Apontaram-me aquilo que as deixou perplexas, porque diziam-me, nunca pensaram vir encontrar um país tão modificado. Respondi-lhes que para alguma coisa deveriam ter servido os biliões que temos recebido da UE, por muito desbaratados que eles tenham sido, ainda deram para alguma coisa. Essas alterações terão sido reflectidas também nas estatísticas e corrigidas as enormes diferenças que apresentávamos face aos nossos parceiros europeus. Por exemplo, a taxa da nossa mortalidade infantil, um indicador do desenvolvimento humano, que estava em 1975 em 38,9%, era já em 2006 de 3,3% (!), sendo a melhor a da Suécia, com 3,1%. Devemos considerar isto brilhante sobre qualquer ponto de vista, porque é uma das mais baixas do Mundo. Isto demonstra que analisar o desenvolvimento de um país ou região não pode ser apenas pelo efeito visual do betão, fontanários ou rotundas. Há uma realidade subterrânea do desenvolvimento que não se capta assim.

Vem isto a propósito das loas tecidas por Cavaco e Jaime Gama, a Jardim e ao desenvolvimento da Madeira. Também ali, o efeito dos Fundos Europeus, por se tratar de uma região ultra-periférica, acabou por funcionar. Era o que nos faltava que não tivesse sido assim! Ou onde estariam então de outra forma tantos milhões? Não sei se Cavaco e Gama se sentiam ainda no país saído da revolução quando se espantaram com a evolução da Madeira. Einstein falou sobre a relatividade e mostrou-nos como devemos olhar para estas coisas, ou escolhemos observar a velocidade do comboio parados na estação e temos uma medida, ou a observamos de outro que o acompanhe em paralelo e obtemos outra. A que se referiam? Estavam na estação ou também iam de viagem? Valorizaram todos os itens do Índice do Desenvolvimento Humano? Não sei. Um não viram por certo, foi a sua mortalidade infantil que era de 7,9% em 2003, quase três vezes superior à dos Açores com 2,9%. Devem ter olhado para o PIB porque não falam de outra coisa, mas com olhos vesgos porque, como se diz aqui no Quintus: “...É que se a Madeira se destaca agora da média do PIB nacional não é porque esteja efectivamente mais rica do que a média, sobretudo porque as grandes, extensas e graves áreas de pobreza na ilha são sobejamente conhecidas, é porque o famigerado Offshore da Madeira catapulta para a estratosfera os rendimentos supostos dos ilhéus,...” e eu acrescento que com tanta condição natural não à PIB que resista à verba do turismo.

Ir à Madeira olhar para uma ilha betonada e para esta qualidade de PIB é esquecer que o Índice de Desenvolvimento de qualquer região do planeta se deve fazer por critérios internacionais iguais para todos. Aqui vão eles e são mais do que um:

Indicadores do Desenvolvimento Humano

Condições sociais
- Taxa de mortalidade infantil
- Esperança de Vida (Indicador colocado aqui a posteriori. Ver explicação aqui)
Empregabilidade
- Taxa de desemprego
- Proporção da população entre os 25 e 59 anos com ensino superior
- Patentes <> População Activa
Padrão de Vida
- PIB (mas !) em paridade de poder de compra, por habitante.
Factores Culturais
- Rácio de Emprego entre Homens e Mulheres
- Mortes Acidentes Viação
- Nascimentos cujas mães estão entre 40 e 49 anos.

31 março 2008

Vassalagem? Pior que isso!

A urbanidade e o respeito às instituições da República - aos quais Jardim já faltou e a todas, PR Sampaio incluído – até têm códigos de declarações de circunstância para esse efeito. O que Gama disse, foi tudo menos circunstancial, e de tal forma que me esforço ainda por entender a razão para aquele desbocamento. Os portugueses não lhe levariam a mal que fizesse como diz Ricardo aqui, uma declaração inócua, mas daquela forma, das duas três: ou estava a ser tremendamente sarcástico e os burros somos nós, ou então a desdizer-se convictamente mas isso, pressuponha quase uma conversão política. Como não acredito na primeira e a segunda é pouco provável, só resta a mais ignóbil: o rastejamento, o medo, a atitude sabuja, cobarde, a que faz os vencidos não merecerem o respeito de ninguém, quanto mais dos vencedores, e aqui Jardim ganhou sem se mexer. Para além disso, os portugueses interrogam-se e confundem-se sobre a substância do pensamento dos mais altos representantes da Nação. É mais necessário e menos grave saber que não pensam como nós, do que não saber como pensam efectivamente. Uma verdadeira borrada a que o encobrimento do PS e o gáudio dos representantes de Jardim no Continente me dão vontade de desenhar um grande falo no próximo boletim de voto.
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30 março 2008

Protesto contra Jaime Gama

(Reeditado)
Depois de acabar de ouvir no telejornal Jaime Gama rasgar-se em sebosos e escabrosos elogios a Alberto João Jardim, não me resta outra forma que declarar que a partir de agora o Presidente da Assembleia da República passou a ser para mim, personna non grata naquela cadeira institucional. Aquilo, foi simplesmente, rastejar. Aquilo, é o que aqui combato permanentemente, porque é ainda um dos atavios que arrastamos de épocas de subjugação feudal de que ainda não nos livramos, pelos antecedentes históricos que nos marcaram. Prestei de imediato ao PS Madeira, via PS Lisboa a minha solidariedade:
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“Caros Madeirenses.
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Não sou militante PS, nem nunca fui noutro partido, mas debato-me pelo socialismo e pela cidadania. Estou em estado de choque. A minha revolta é do tamanho da distância que nos separa. Como é possível ir um histórico socialista à Madeira enterrar uma faca nas costas de todos os que têm sofrido com a luta desigual que travam contra a manipulação, o caciquismo, e o carroceirismo nessa ilha?

Estou inteiramente solidário com a vossa tristeza (presumo), porque de outra forma não devem ter encarado tamanha traição. Não me custa reconhecer méritos a ninguém, mas ainda acredito que a história desse homem seja um dia mais bem contada. Mas para isso é preciso que vocês continuem contra ventos, a levar luz à acefalia que tomou conta de tanta gente.”
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P.S. - E é tanto mais estranho, quanto é verdade, como diz o dirigente do PS/Madeira António Rosa, que Gama comparava em 1992 João Jardim, ao auto-proclamado Imperador Bokassa, da República Centro Africana!... A Democracia e o Socialismo (o PS já não sei) dispensam políticos com esta espinha dorsal.
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Caso não tenham ouvido, leiam a fartura por aqui: Diário Digital, O Sol, TSF, TVNet, Jornal da Madeira, DN Online etc....
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