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12 agosto 2012

Os Submarinos e as Offshore

Quem negociou os submarinos? Quem seria atingido se os documentos da sua aquisição estivessem disponíveis para investigação? A quem interessou esse desaparecimento? É assim tão difícil?

Todos os dias lemos uma notícia que justifica a inevitabilidade da revolução. De uma revolução. De qualquer revolução. Querem outra? Vejam agora a questão da massa que estava nos paraísos fiscais. Alguma terá por detrás fuga aos impostos, mas muita pode ter na sua origem, não um crime fiscal, mas um crime civil, dado que a condição para o retorno foi pagar um impostozinho e não fazer perguntas, ou quando muito aceitar como fiel uma declaração de compromisso quanto a uma origem “limpa”. Assistimos à notícia deste retorno e ao seu atapetamento com uma descontração tal que a coisa se despenaliza à partida. Isto é hipotecar a honra. Estaremos a perder qualidades com a idade por empolar princípios básicos do comportamento de um Estado para com o cidadão? Se qualquer um de nós cometesse os crimes que originaram o empanturramento daquelas contas, criando assim ilicitamente novos milionários, poderíamos estar agora a cumprir por aí uma pena. Neste caso, porém, o Estado declina o exercício de uma das coisas mais básicas numa sociedade: a Justiça, aceitando a troca e assumindo claramente que sabe poder tratar-se de dinheiro manchado mas que nunca sabe em que medida a mancha é de sangue. Digam-nos que não estamos doidos, porque o que isto configura é o esboroamento do estado deste Estado. E coisas destas não se resolvem com eleições.

É que isto pode estar também a significar a legalização da entrada das luvas pagas na venda dos submarinos! Ou não? É a lavagem legalizada.

10 julho 2012

Já não é pela via democrática?

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Se disser que com esta Democracia já não vamos lá, e que só uma Revolução pode resolver a questão, talvez corra o risco de poder ser acusado de instigação à revolta e à insurreição pública etc. etc. Contudo, o rol de intervenientes que podemos imaginar nos links que seguem e que são responsáveis pelo estado do país, poderão continuar a depredação da nossa economia sem que ninguém os incomode. Este é um dos sintomas da doença da nossa democracia: eu que clamo pela Ética e pela Justiça posso ser condenado por incentivar a formas ilegais de o conseguir, mas não uma ilustre personalidade de colarinho branco que se governe à nossa conta por entre os buracos da lei, sugando-nos a vitalidade, vivendo tranquilamente não num resort em Cabo Verde, mas em qualquer mansão em Cascais com o dinheiro que nos roube. O recorte do CM de ontem e os vídeos que seguem são o exemplo de que chegamos ao fim da linha. Já não tenho dúvida que não é através do sistema eleitoral que conseguiremos alterar este estado de coisas. As emendas a fazer no país são de tal ordem que só um reset ao sistema pode possibilitar uma regeneração. O Medina diz ali num vídeo que ninguém pega nisto, nem Presidente da República nem ninguém, e a nossa estupefação é essa: estamos todos a chegar à mesma conclusão. Isto já não se faz pela via democrática, e é aqui que todos encalhamos pelo horror que temos a qualquer forma de ditadura. Mas qualquer coisa vai ter que acontecer antes que aconteça o que não queremos. E se uma ditadura for.

Vou parar. Mas por agora, pelos vários risco em que incorro escrevendo a quente. Entretenham-se a ouvir esse desfile de horrores, tendo presente que isso é a ponta do iceberg e que do resto nunca saberemos:

02 fevereiro 2011

Que raio de País é este?

É incrível isto que está a acontecer com o . Ricardo Sá Fernandes. Denunciando um acto corrupto, acabou por ser penalizado desta forma vergonhosa. Lido aqui e aqui.

Vamos ficar parados, ou será preciso vir para a rua, para nos defendermos de um sistema que nos ataca desta forma, protegendo este tipo de expedientes criminosos? O que andam a fazer os magistrados deste país? Sindicatos? Corporações? Para que queremos uma Justiça destas? Qual é a melhor forma de nos vermos livre dela? E deles? Não queremos esta Justiça. Não queremos estes Tribunais. Não queremos estas Magistraturas.

E o que vai você fazer de seguida para denunciar isto? Nada?

22 abril 2010

Abaixo a corrup...! Oops...

“O tal senhor, foi hoje absolvido no caso dos Parques e das Feiras da (ou, na?) tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa”... Isto vai em texto codificado, porque começa a ser perigoso exercer a cidadania falando ou escrevendo de corrupção em Portugal.

Inacreditável! Esta notícia é o desfilar da miséria da Justiça que temos e dos homens que a aplicam. Como podem desta forma pedir-nos respeito por quem a gere assim? Já não é possível ouvir a falsidade de quem declara o contrário, conforme lhe calham as simpatias ou os interesses. Se aquilo não foi aquilo, já tudo pode ser o que se quiser.

Alguém me tinha enviado esta semana um link de um trabalho notável da SIC sobre a corrupção, que acho que não devem mesmo deixar de ver, é este, “Corrupção: crime sem castigo”, e hoje, acabamos por ter esta notícia onde o homem é absolvido, e o que acaba por restar, pasme-se, é a condenação do cidadão Sá Fernandes que preferiu não receber uma pipa de massa em troca de fazer justiça, por, segundo o veredicto, ter difamado o tal senhor que queria dar a massa.

Agora que vamos comemorar a Revolução não podíamos aproveitar a boleia e pedir à tal menina, se ela aparecer… que não dê o tal cravo ao tal soldado, para ele não ter a veleidade de o espetar onde não deve?
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09 maio 2008

Corrupção e Hipocrisia

A propósito do que disse Bob Geldof em Lisboa numa conferência do Expresso e do BES sobre o Desenvolvimento Sustentável, e quanto ao mal estar que por aí vai com Angola, por causa disso, Lopo Xavier disse assim no programa Quadratura do Circulo, na SIC Noticias. De memória:

"...Há dois tipos de hipocrisia nesta questão das relações dos estados com os países onde há corrupção. Uma, é a do tipo dos países grandes como a França, em que essa relação se faz de uma determinada forma com os países onde há problemas de direitos humanos e a outra, é a dos pequenos países como o nosso, com necessidades desse relacionamento. Mas a mim este tipo de relação e dependência faz-me muita confusão...."

Tanto quanto percebi, há duas formas: uma que é assim assim e outra que é a má? Será que foi isso que quis dizer? Uns dirão, je m’en fiche, je m’en fous, je m’en merde, por interesses, e os outros dirão, estou-me nas tintas ou um palavrão pior, por necessidades? Em que é que está a diferença na hipocrisia? É boa a que é determinada pela de superioridade económica e má a que é determinada pela necessidade de novos mercados? Se é a mesma, nem havia necessidade de fazer destrinças.

Se percebi mal Xavier, desculpa lá pá, mas se leres este blogue deixa o esclarecimento.

26 fevereiro 2008

Um mal-estar diferente.

Ferreira Fernandes, escreveu no DN: “Olha a novidade: ele há mal-estar...” leia o link.

Caro Ferreira Fernandes, todos percebemos o que diz e não queremos aqui medir a intensidade do mal-estar de cada época, o que me parece é que desta vez haverá diferenças substanciais em relação às épocas anteriores. Em qualquer uma delas, esse povo de então, teve menos consciência dos seus direitos democráticos e a evolução cultural e política é hoje uma realidade bem diferente. Assim, a forma como hoje me revolto tem por base um reconhecimento mais amplo das injustiças que sobre mim são exercidas, do que em qualquer uma das épocas a que refere. E talvez pela primeira vez o alvo não seja exactamente o Poder, nesse sentido lato, ou pelo menos, não aquele que o exerce no momento, mas antes o conjunto difuso de uma classe dominante que entendeu poder atribuir a si própria regras de auto-remuneração e progressão vitalícias que escandaliza os portugueses de cada vez que têm que pagar mais imposto, para a sustentação dessa ostentação. Não é por uma questão de inveja, mas nunca como hoje nos sentimos tão revoltados com a capa de corporativismo silencioso que encobre muitas destas aberrações. E este corporativismo é bem mais perigoso porque ele ancorou para sua protecção noutras corporações, cobrindo assim várias áreas onde o silencio é a melhor forma de protecção de classe. Junte-lhe agora o percepção e o conhecimento que hoje temos face àquelas épocas, do amiguismo e corrupção e ainda a falta de xelindró para toda essa gente que nos entra em casa pela TV e veja a enorme diferença que pode haver nesse “ele há mal-estar...” que escreveu.
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25 fevereiro 2008

A Praça Pública

Quando editei aqui o post Os nosso senhores – II, com desenvolvimento nos seguintes, estava longe de pensar que em tão pouco tempo teria uma espécie de eco vindo de tantos lados e o facto de não estar só torna a preocupação ainda maior. Primeiro foi o General Garcia Leandro que cometeu apenas o pecado na forma como o disse, depois foi Manuel Alegre que o sublinhou, ouviram-se depois mais vozes e agora vem a SEDES pela voz de Henrique Neto, dizer mais ou menos o mesmo.

O que torna aquela minha preocupação diferente é que ela não é de carácter político, ou seja, não acho que seja concretamente por causa desta ou da anterior política, é mais grave, porque é sentir que os portugueses estão finalmente a perceber - e nalgum sentido perigosamente - que estão a ser vítimas de uma casta de senhores que deixaram criar e que os tornaram portugueses de segunda. Não estão a achar justo que dos seus fracos proventos saiam as contribuições que vão suportar os tais vencimentos e auto-promoções, as mordomias e aposentações que durante estes anos de democracia criaram para si, sem que o povo desse conta, com o tal argumento de que os bons têm que ser pagos, enquanto nos vão afundando em todas as estatísticas competitivas.

Com a Internet vamos agora sabendo tudo o que a Comunicação Social, não quer, não pode ou não deixa dizer, e grave é sabermos que não está na classe política a ajuda. Sabemos agora como se pode ter um vencimento altíssimo incluindo outras mordomias e como se pode acumular com três pensões do Estado que rendem mais 10.000,00 Euros mensais, quase 120.000,00 Euros/ano. Mas não são os jornais que o podem dizer. Nenhum português entende e pode aceitar, no momento em que lhe falam de Segurança Social para o penalizar, que isto possa ser normal e que não tenha que ser alterado. O povo só entende que racionar, é tirar onde há excesso.

Gerando-se depois nas pessoas um sentimento de impotência para poder alterar isto e todas as corrupções que por aí vão e que agora sabem que atinge em cheio partidos e políticos, e não havendo a habitual válvula de escape da greve, a situação é para ser tomada em conta, é a minha leitura das entrelinhas do tempo que o diz, disso não tenho dúvidas.

Mas noto já outros sinais de mal estar que alguns estão a dar conta, porque se ouve já o discurso queixoso preparador, até a Comunicação Social, referindo o ”populismo”, a “difamação” e ai Jesus, o cair na “praça pública”! O tal medo da praça pública pois é, o único local que o povo tinha como referência da Justiça quando os senhores lha negavam. Mas não deveria ser antes quem não deve não teme?
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20 fevereiro 2008

Dolo ou má fé vs. Desleixo

“Pese embora não tenha havido dolo ou má fé... tenha antes havido desleixo”.

Foi desta forma que um dirigente do PSD comentou o caso do financiamento indirecto ao partido, por uma empresa de construção que pagou a factura da Agência de Comunicação nas eleições no valor de 233.415 mil Euros. Claro que sim, mas quem duvida? Nós somos lá gente para duvidar das vossas altruistas intenções? E lá estão outra vez as tais adoráveis empresas de Comunicação, aquelas que nos vêm explicar as coisas porque nós somos imbecis e não percebemos. O Tribunal Constitucional deu uma vassourada e correu tudo com multas que vão dos 10.000 aos 600.000 Euros. Ninguém pestanejou! Será que os ganhos cobriram os custos?

A propósito, o tal senhor José Luis Arnaut, o das Rendas que andava afanosamente nervoso e ruborizado na conclusão da Lei dos Despejos (vidé. Proprietários – Imobiliárias – Construção) e que também não andava a legislar em causa própria, viu nesta questão do financiamento ilícito o seu processo arquivado pelo Tribunal Constitucional. Aleluia, faça-se justiça!

- Desta já nos safemos...
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12 fevereiro 2008

Mais ecos.

As desigualdades na distribuição da riqueza e na distribuição dos sacrifícios são muito grandes...”

E o Kaos disse a propósito do Prós e Contras na RTP e da prestação arrasadora de Paulo Morais sobre a corrupção, que deixou todos de boca aberta:

“...Gostava que nem sempre fosse assim e por isso peço a todos que se inicie um corrente de indignação, um não calar as nossas vozes aqui, na rua, em todo o lado onde seja necessário. Temos que lhes mostrar que ou eles mudam isto (o que não acredito), ou temos de ser nós a ir lá e correr com eles (parece-me cada dia mais urgente). Assim as coisas não podem continuar”

Mas cuidado, é preciso perceber que a gravidade do que se passa não é assim no imediato de ordem política, nem o problema é Sócrates, a questão é bem mais funda como se percebeu no programa Prós e Contras, isto é, quem vier a seguir não tem capacidade para mudar um sistema que afinal está legal!.. . As mudanças que Portugal precisa estão quase ao nível do arrasar para construir de novo, porque ninguém vai abrir mão dos privilégios adquiridos legalmente. As situações aberrantes foram sendo criadas aos poucos, paulatinamente, profissionalmente, sem que tenhamos dado por isso fomos sendo roubados. Com a Justiça neste estado, até mesmo o arrasar para construir, está votado ao insucesso com este guião e os mesmos actores. Quando um artista ganha mais não sei quantos milhares que o seu homólogo americano e nos vem falar da contenção salarial por causa da porra do déficit das contas, e não sente vergonha por isso, não há política nova que resulte. Só mesmo fazendo tábua rasa de tanta mordomia que o país não tem capacidade de suportar, conseguiriamos E a corrupção? E os direitos de superficíce já conquistados? E as reformas douradas? Poderão mudar se mudarmos as moscas? O mal está feito! Que Estado de Direito pode mudar este paradigma? Só se os levarmos todos a tribunal com o argumento de que andaram todos a legislar em causa própria.

11 fevereiro 2008

Um eco estranho.

Depois de editar aqui “Os nossos senhores – II”, um amigo alertou-me para o facto do texto ir ao encontro de um artigo que o General Garcia Leandro publicou nesse último Expresso. Como não sou comprador do jornal não tive oportunidade de o ler, e só agora, depois de MSTavares ter comentado o assunto e a questão estar a ser debatida, é que o consegui ver aqui na net. Um excerto do que escreveu o general:
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“... Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.

Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.

Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.

É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria. ...”

Talvez estejamos a empolar o que ele escreveu acabando a leitura por ser condicionada por esta postura de salvador de pátrias que o general nos apresenta, quando diz que já foi convidado. Daquela forma, cheira mesmo a maiorias silenciosas de muito má memória, porque aquela espécie de paternalismo de alguns militares os portugueses dispensam, embora muitos tenham saudade. Rectifique lá o que escreveu General, porque o Senhor sobreviveu ao 25 de Abril e fica-lhe mal confessar-nos que teve esses convites.
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Mas aquele texto deixou-me um pouco incrédulo, porque o carácter premonitório do meu post tinha em dois ou três dias um eco estranho, dado que foi escrito sem o conhecimento daquela notícia. O que então disse, e em muito é semelhante, foi apenas o resultado da leitura que faço do momento social e não político que vivemos, feito mais com os sensores da pele do que com outros sentidos. Não nego que me causou desconforto aquele eco e também por verificar que há quem pense que o que escrevi, pode ocorrer. É alarmismo? Antes seja, porque sou o primeiro a querer estar errado.
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