04 setembro 2007

Transgredir nos Transgénicos?

Uma das questões que com frequência colocava quando era mais novo, era se algum dia perderia a vontade de questionar, aceitando sem discutir os menus que a sociedade conservadora me viria a impor. Tinha esse receio, porque sabia que alguma coisa de errado se passa no acomodamento infalível que espera cada geração.

É em nome dessa permanente centelha de alerta que me orgulho de não estar ao lado dos Portas ou das Confrarias do Bolo Rei deste país, a propósito da Invasão de Silves e das promissoras maçarocas que se perderam. Espero continuar a não ter receio de saber quando devo fazê-lo. Não são os pobres do Mundo que estão a impor os Transgénicos, como não são os pobres do Mundo que impõem a fome. Pelo menos por aqui, não me vou deixar anquilosar. A minha moral recusa a aceitação do politicamente correcto mas também nunca disse que era um alinhado. Envelheçam vocês sózinhos, se quiserem. Eu não tenho medo das Revoluções, só porque ...transgridem.
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Post Scriptum: Verde Eufémia. Que "terrorismo"?
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28 agosto 2007

Um Equívoco.

Caro Egas, em alguma coisa haveríamos de divergir. Interpretaste mal o sentido da minha posição em relação aos transgénicos, mas a culpa é certamente minha porque saíu assim de rajada sem grande preocupação de rever o que escrevi. Também me parece que a tua opinião passa muito pelo facto de ser a tua área de estudo que te leva a encarar com paixão o que fazes, sem te interrogares muito sobre outras vertentes do aproveitamento económico que é feito da área que investigas.

Diz-me, se uma comunidade rural distante e isolada, poderá desta forma – o dominio absoluto dos transgénicos - continuar a deitar semente à terra, colher o produto, reservar como sempre uma parte para a semente e voltar ao cultivo na próxima época de sementeira?

Diz-me, se não consideras haver no mundo excedentes agrícolas, mesmo antes dos transgénicos, sendo o problema da fome uma outra questão que não passa por aqui?

E diz-me, como homem de ciência, se devemos considerar que a selecção ou cruzamento das espécies de uma forma natural é o mesmo que a manipulação artificial dos seus genes?

22 agosto 2007

Pera Biológica







Informaram-me que a leguminosa que esteve em exibição antes desta fruta era Transgénica, por isso destruimo-la, ou melhor, incinerámo-la. Esta é fruta biológica. Tem é um bocadinho de bicho. Desta, eles gostam.





21 agosto 2007

Transgénicos na Broa

O vitupério, foi como se tivesse sido arrasada uma plantação de Bolo Rei - juro que fui atingido - pelo que deduzo, isto dos Transgénicos não é um problema transversal.

É esta irracionalidade que sinceramente me espanta no homem, quando se defendem as bandeiras que albergam a sacrossanta ambição que desgenera nos egoísmos incensados, e não nos verdadeiros valores da humanidade.

Pensar? Para quê? E é este ferrete que os impele a apoiar a Invasão do Iraque, mas estar contra a Invasão de Silves. Porquê?

Só porque sim. Digo, porque a propriedade era privada.

19 agosto 2007

Nem os bichos gostam!

Se os Transgénicos ao ar livre são estéreis, isto é, não produzem semente, quem passa a ser o detentor da semente alimentar da humanidade? Já se interrogou sobre isto? Não acha preocupante?Antes de condenar seja o que for nesta postura anti-transgénica, porque não se informa e não a debate com os seus? A minha pesquisa encontrou estas duas posições que considero relevantes sobre a forma como cada grupo vê a questão. São recortes dos textos, leia o resto e tire conclusões.
Um exemplo clássico é a incorporação artificial de genes para resistência a herbicidas, que leva a uma maior exposição do solo a fatores de erosão, poluição de alimentos e do ambiente, pelo simples objetivo de controlar os mercados de sementes e agroquímicos, explorando o comodismo de empresários agrícolas que só se preocupam em minimizar custos operacionais....”
“... Do ponto de vista agroecológico, o grande dano que a difusão de transgênicos traz para a biodiversidade é que, de forma semelhante aos híbridos - mas com potencial daninho muito superior, é o abandono pelos agricultores e instituições, das variedades, cultivares, raças e ecotipos tradicionais regionalmente adaptados por séculos de seleção, cujos genes, clones e sementes já foram em muitos casos estrategicamente patenteados ou colecionados nos bancos de germoplasma das mesmas empresas transnacionais proprietárias de transgênicos (Mooney, 1987; Koechlin et al., 2003). Um exemplo extremo desses objetivos monopolistas é o gene terminator que promove a produção de sementes estéreis tornando obrigatória a dependência do agricultor pela compra de sementes. A disseminação aleatória de genes do tipo terminator constitui a maior ameaça potencial à biodiversidade jamais provocada pelo homem....”
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13 agosto 2007

Porto Covo

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Um dia destes descobrimos que não valeu a pena termos o privilégio de ter uma costa destas.



Um dia destes perdemos definitivamente a paciência e desistimos. Este é um exemplo.




Há uma dúzia de anos que a àrea aqui assinalada da vila está naquele estado miserável de laxismo, abandono, incúria e incompetência autárquica, prejudicando tudo e todos com nuvens de pó e lama o ano inteiro! Não há razão que possa justificar tamanho atentado à qualidade de vida dos munícipes e do turista que ano após ano, observa atónito a nossa incapacidade de organização e gestão urbana.

Averiguação posterior: Lendo esta entrevista no Jornal O Primeiro de Janeiro entende-se melhor este processo kafkiano e percebe-se como aquele fatalismo é o alimento que tem mantido aquela asneira.


05 agosto 2007

Baixa Pombalina

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Paulo-Guilherme (d'Eça Leal) - Col. Particular


Recuperar a Baixa de Lisboa exige do poder um terramoto de acções, estatura executiva com nervo e suficiente capacidade para as impor. Sem habitação e qualidade compatível, o comércio nada pode para suster o abastardamento da nobreza da cidade. Sugestões apontadas como soluções de emergência não vão ser aproveitadas pela politica do: eu é que mando.

Vejo tudo demasiado cinzento e sem rasgo, enquanto Lisboa definha.
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04 agosto 2007

O Espírito Crítico

Por falta de academia ou qualquer outra, nem sempre tenho capacidade para determinar de imediato a qualidade da obra que observo ou me detém. Tento ser honesto nunca me enganando a mim próprio nem enganando os outros. Sigo, quando assim é, as sensações que me despertam a obra e é através delas que me guio na sua interpretação. A vida ensinou-me que há coisas que pela sua complexidade e requinte precisam de aprendizagem ou maturação na observação, para chegarmos até elas e paradoxalmente, nestas inclui-se muitas vezes a Simplicidade, tal é por vezes o seu poder mimético.

Aquilo que a memória do meu sistema sensorial me traz recorrentemente, acaba por ser só o que interpretou e é isso que verdadeiramente me importa.

É assim, através da impressividade que me deixam as sensações do contacto com a obra, que faço a ponte sobre lacunas culturais, fazendo delas a minha medida padrão. Mas prefiro assim, a correr o risco de ficar com a sensação de ter armado aos cágados.


26 julho 2007

Uma Vida num Dia...


Alcar-do Algarve (Tuberaria Major)


O imenso trabalho que dei pela descoberta do nome da flor que só tem um dia de vida, que é única no Mundo e é da Ria Formosa no Algarve, tem que ser devidamente agradecido ao Zé e à Glória que através de amigos da Universidade lá souberam do que quería falar e não sabía. E souberam mais: esta raridade vai ter distinção a partir de 22 de Setembro num evento em Tavira, numa amostra fotográfica especial.

Obtido o nome, consegui decobri-la no excelente album do fotógrafo Valter Jacinto, de Faro. É esta que aqui vai. A aposta agora é ver o stress de uma vida concentrado num dia. Quem sabe se um dia não a reencarnamos? O desafio está feito, porque a vida também se faz de pequenos nadas.

24 julho 2007

Almada vs. Os Dantas

A explicação para Portugal desconhecer ainda hoje Almada, Souza-Cardoso, Pessoa e aquela geração de ouro, deve-se ao seu vanguardismo ainda hoje. Foi merecido Vitor, acoplar a mensagem do seu post a este final do Manifesto Anti-Dantas, pelo que faço consigo uma frente comum, pela lembrança de Almada e Mário Viegas, dois dos maiores vultos da cultura portuguesa.

O Jardim Botânico


O Jardim Botânico da Faculdade de Ciências, tem sido nos últimos anos votado a um tratamento injusto e os lisboetas não estão a dar conta disso. A àgua já não corre no Verão naquele jardim como corria e as àrvores estão sujeitas a securas cíclicas. A falta de humidade que é patente e lhe tira o brilho que já teve, parece ter a ver com o facto do Jardim depender da Reitoria da Faculdade e esta não poder suportar o elevado custo da sua manutenção, porque o sistema antigo tem enormes roturas e não chegando a àgua ao lago em baixo, não é reaproveitada, tornando a factura da àgua, bastante dispendiosa porque é paga à tarifa doméstica. Esta situação não produz efeitos imediatos para além da pobreza visivel no Verão, mas está seguramente a comprometer o futuro daquela colecção tropical e daqui a uns anos o mal já está feito. É urgente que os amigos daquele parque denunciem a situação porque ele está suficientemente escondido para não darmos conta do que está a acontecer. Você pode apoiá-lo não o esquecendo e alertando. Leve os mais novos, dê-lhes uma máquina fotográfica e façam reportagem no Borboletário.






21 julho 2007

Renego Saramago - II

“... Luis Amado, disse ontem à agência Lusa que discorda da integração de Portugal em Espanha,...”

Quando o Ministro diz que "concorda" ou "discorda" com qualquer coisa, pressupõe que existe a questão sobre a qual toma posição, admitindo assim o debate e a existência dela, ao entrar nele. Não é possível em termos institucionais ter uma opinião oficial sobre um “não assunto”. Opinar é tomar partido, é legitimar a sondagem. O que leva então o Ministro de Portugal ao paradoxo e a pronunciar-se nos termos tão absurdos de um “discorda”, auto mandatando-se e admitindo deste modo a oficialidade da existência da questão?

Imagine que lhe chamam filho da p.... Faz sentido vir a público declarar que não é filho da p...? Não. Quanto muito partia era os cornos a alguém e acabava assim a tentativa de ligitimar a existência da questão. Ou não? Há coisas que não se discutem, como a nossa honra.

18 julho 2007

Renego Saramago – I

Li estarrecido no jornal “Metro” de hoje: “...O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Amado, disse ontem à agência Lusa que discorda da integração de Portugal em Espanha, defendida pelo escritor José Saramago. O prémio Nobel português defendeu, numa entrevista publicada no passado domingo no “Diário de Notícias”, que Portugal deveria tornar-se numa provincia de Espanha e integrar um país que se chamaria Ibéria. ...” (sublinhados meus)

Em Espanha existe uma causa e uma ETA. Em Portugal, por enquanto, só há uma, a causa....

Estou perfeitamente atónito e quase me apetece desistir da defesa do país em que acredito ainda, tal o nojo por estas “personalidades” que ajudei a dignificar, bramindo contra os odientos Laras dos consulados Cavaco, os tais que lhe vedaram então o acesso há Europa. Vejo agora que não saíu. Desertou. O que agora diz, ajuda a perceber a acrimónia que se sentia sempre que falava de nós. E eu estranhava de facto o exagero daquela continuada cruzada contra os Laras, porque quase me sentia atingido. Afinal, falava mesmo de nós! Não falava dos Laras que eu tanto maltratei. Era mesmo de nós! Passou-se para o outro lado, o que vive com o trauma histórico mal resolvido de ter o mapa ratado num canto e não sabe explicar isso às criancinhas, e estará agora a defender interesses que não são seguramente os nossos! Vamos ter que voltar a isto até porque outro lá em cima diz: discorda... Discorda! Então não anda tudo louco? Vocês estão a ler o mesmo que eu? Ninguém se ofende com gente assim na familia que vai lá para fora vergar-se desta forma?

17 julho 2007

Entretanto,

ouvi um grito de mulher e vidros a cair. Cheguei à varanda, vi uma rapariga loura prostrada numa viatura, um meliante no chão, policia e populares. Desci para conferir. Era a Mena, a moça do restaurante. O meliante era o sem-abrigo que todos os dias vemos e dorme aqui na soleira do nosso prédio. Esperou por ela e avançou sobre o carro com uma chave inglesa envolta em panos. Deixou-a maltratada e com sorte, com vida. Foi levado algemado pelo polícia que com sorte passava na esquina durante o giro do seu turno privado a um Banco. Já estou curioso por conhecer o próximo inquilino daquele cobiçado lugar. Oxalá venha um pacífico. Tivemos sorte hoje neste lado de Lisboa.

15 julho 2007

Outra vez? Não sabiam?...

Uma vergonha! Como apoiante de Helena Roseta aguardava ouvir a sua declaração na TV mas devido à avaria da TV Cabo em Arroios só conseguia a TVI. E foi nesta que com espanto. vi António Costa seguir a mesma estratégia das Presidenciais, quando distraidamente se sobrepuseram a Manuel Alegre. Agora, provavelmente argumentando outra vez que não sabia, desatou a falar sobre a parte final do discurso de Helena Roseta, local onde a TVI não voltou e nada mais consegui ver. Senti uma profunda revolta, levantei-me e calcei os sapatos para ir protestar não sei onde!...

Começamos bem Tónho. Mas isto terá consequências porque acredito não sou único.

Cena seguinte: Carmona, da mesma forma e com a mesma desfaçatez deu o devido troco à má educação, à falta de civismo e principios democráticos que estão a centrifugar as minhas incrustações de apego à familia socalista, falando também sobre as declarações de António Costa.

Hoje, por mais este reiterado e patético episódio, praticado por uma familia que não tinha como arruaceira nos principios, sinto-me definitivamente a descolar. Talvez sejam os meus fortes anseios de liberdade a não pactuar com estas estranhas reincidências. O que verdadeiramente me espanta é que não entendam quanto mal estão a fazer a si próprios, provocando-me naquilo que é para mim mais fundamental: os meus principios
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Berardo e o CCB

Berardo tem o CCB a arder. Nunca como hoje vi o povão a olhar para arte moderna, por vezes estarrecido e intrigado com quadros em branco, outras tacteando mesmo a obra para lhe conhecer a textura. Fotografias e flashadas permitidas como nunca tinha visto numa exposição. Uma coisa é certa, por este lado Berardo está a ganhar a aposta, porque não é este Povo que tenho visto na fila das bilheteiras. O que ele está a fazer não é Arte, é negócio? Concordo, mas o que faz também o artista com a sua arte, não é negócio? No fundo, e contráriamente aos arremedos de mecenato de alguns banqueiros, ele não se limitou a comprar algumas obras para decorar os gabinetes e as salas de alguns Bancos, para lhes chamar Colecção Particular, ele comprou a colecção inteira.

Sei que isto não é pacífico, mas somos um país pequeno que precisa destas polémicas para alimentar muita gente, é como dizía José Gil “...Em Portugal nada acontece, “não há drama, tudo é intriga e trama”...”. Alimentamos com os nossos gostos telenoveleiros as nossas distracções do que é essencial.
Olhem, com o balanço que venho, até eu me permito brincar à arte com a arte dos outros. Aqui vai...


14 julho 2007

Lisboa numa fase histórica



Das quatro radiais de acesso à Baixa, a única que Lisboa considerou como porta de entrada principal, foi a Av. da Liberdade. A outra, a Av. Almirante Reis, que faz a ligação natural do tráfego ao Norte, foi sempre considerada porta de serviço, entrada menor. Santa Apolónia e o Cais do Sodré foram portas de acesso local do tráfego de origem marítima e industrial. Um incauto que entre por qualquer uma destas três, cai de repente no Rossio/Terreiro do Paço sem se dar conta disso, e sem que o aprumo urbano o acompanhe em crescendo, de tal forma tem sido a pouca importância que Lisboa deu a estas três vias de acesso ao coração da cidade, a Baixa Pombalina.

Foi o resultado histórico da incúria acumulada na construção da cidade, depois do que fez o Marquês de Pombal, e da ausência de grandes visionários que tivessem sobreposto o seu trabalho. Houve até tempos recentes em que a Câmara tinha como arquitecto do que se projectava para Lisboa, um desenhador, rabiscando algumas coisas de tal forma que algumas delas tiveram que ser desmanteladas. O Martim Moniz, tem lá duas ainda em pé, e como dizia João Soares, a única solução é o camartelo.

Era fundamental que tivesse havido ao longo dos tempos, um perímetro e uma radialidade de salvaguarda dos projectos urbanos e da construção de má qualidade, assim, a única coisa que se salvou, descontando honrosas excepções, foi o que fez o Marquês de Pombal, mas infelizmente, está a chegar ao fim.

Por outro lado, Lisboa está numa fase histórica única, precisa de ser repensada porque são novas as questões que se põem. São o esvaziamento pelo suburbano, a deslocação dos serviços e do emprego, a desertificação habitacional do centro, o envelhecimento e a diminuição de habitantes, o novo aeroporto e “ai Jesus” o que vai ser daquele espaço, as megalomanias de utilização comercial – Parque Mayer - encravadas em colinas a proteger, a Frente Ribeirinha, a perda da competividade como porto marítimo, etc. etc.

13 julho 2007

Um brilho engandor





A Baixa Pombalina denuncia há muito tempo um brilho enganador, resultado de um processo de degradação lento.







Recuperar vai demorar muito, mas o processo de emergência poderá passar de facto pela aceleração do tratamento caso a caso, prédio a prédio, para evitar a derrocada total.

Há brilhos e silêncios enganadores no interior daquela Baixa, mas ainda é possível, se não vier a ser palco de penachos e oportunismos.
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Crédito da foto inferior ao Caitas

08 julho 2007

SOS Terra - Live Earth 2007

A mudança começa em cada um de nós, mesmo contra os responsáveis pelos pelouros da higene urbana de qualquer Câmara.

O ano passado ofereci ao prédio em que habito, três contentores para reciclagem do seu lixo. A Câmara de Lisboa, escudada em rigores que não usa noutras circunstâncias, recusou oferecer-nos os do modelo que tem em uso noutros bairros da cidade.

A questão era simples, os inquilinos, salvo honrosas excepções, depositavam todo o seu seu lixo no contentor do lixo comum, porque os ecopontos estão a alguma distância. A partir dali uma ou duas vezes por semana a nossa porteira vai generosamente deixar na reciclagem o lixo já devidamente separado.

Só com empenho individual e com a denúncia pública dos erros, conseguiremos, não emendar porque o mal já está feito, mas atenuar o declínio de qualquer coisa de muito mau que aí vem.


26 junho 2007

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Melhorar o Arraial

A má experiência do ano passado numa das noites de Santos Populares num local onde não devia ter comido sardinhas nem bebido sangria, levou-me a partir dali a achar que seria possível fazer com que esta forma tradicional de fazer arraiais pudesse ser melhorada sem lhes tirar o cariz popular que os caracterizam.

A minha proposta, deixando que tudo ocorra no seio da iniciativa popular, apela no entanto para uma “entidade” que publicamente evidenciasse as boas práticas da oferta, sem imposições e sem perda da genuinidade dos festejos de cada bairro, de cada rua ou de cada pátio. Os bons exemplos distinguidos passariam a ser emitados pelo resto da comunidade. Essa distinção, tendo já o prémio de ser pública, não precisaria de outros prémios para não distorcer o carácter popular da mesma, funcionando mais como um motivo de orgulho para a zona ou para o promotor, não invalidando que não fosse criada uma atestação (uma espécie de bandeira azul) passada pela entidade que acompanhou e aconselhou nos festejos.

A ideia é que com pequenas intervenções e aconselhamentos se consiga com relativa facilidade corrigir hábitos enraizados que não faz sentido esperar que seja o tempo a mudá-los. São os alguidares de àguas turvas, o peixe maltratado antes de assado e o trapo sujo que vira pano. Mas também, a comunidade que não é chamada a ter outros cuidados no tratamento da sua zona, da sua banca, da sua porta, janela, estendal etc.. Os nossos bairros populares têm aquela condição especial para a festa da proximidade entre os cidadãos. Torná-la mais urbana, através de cuidados de que hoje se nota a falta, não a mataria, pelo contrário talvez a recolocasse de outra forma no roteiro turítico interno e externo. Melhorar é possível, mas parece haver quem não saiba como.

24 junho 2007

O Pátio D. Fradique




A página dos “Cidadãos por Lisboa” tem vindo a recolher testemunhos escritos ou fotográficos de assuntos de interesse relevante para a cidade na óptica de quem os coloca. Numa dessas rúbricas, “ Lisboa – “ foram colocadas duas fotos do Pátio D. Fradique que é a zona de acesso pelo lado Nascente do Castelo de S. Jorge.

Como aquelas fotos me surpreenderam e desconhecia totalmente a entrada da zona Oriental, fui investigar. Vou exagerar a reportagem porque acho que a situação justifica. Pasmei de surpresa! Como é possível que Autarcas e Governos sucessivos tenham permitido a manutenção daquela degradação e que aquela seja uma entrada para um dos mais importantes monumentos de Lisboa e um dos mais visitados em Portugal. Enquanto lá estive não havia um visitante que não levasse uma foto de recordação. Um verdadeiro escândalo a precisar que os Lisboetas peçam responsabilidades imediatas. Aqui fica também a denúncia da vergonha para aqueles que não se calam com o prestígio internacional de Portugal nesta altura de Presidências Europeias.







































Averiguação posterior:

Houve uma tentativa em 2003 de tratar a questão do pátio, mas como vemos foi rejeitada. Uma maioria PPD + CDS na CML votou contra!...
Reunião de Câmara de 19 de Fevereiro de 2003







22 junho 2007

O Maestro

Bem sei que isto assim deixa de ser generalista por se repetir nas mesmas propostas, mas há momentos em que me importa mais denunciar ou apoiar publicamente as causas a que dou relevância, do que o enquadramento ou a diversidade do que devo trazer aqui, frete que nunca me farei.

Por isso aqui vai um testemunho tão comunicacional como só este Maestro consegue ter. Ele tem de facto o dom da comunicação.
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17 junho 2007

APL. Privados do Tejo




Para manterem a sua importância as cidades têm que vencer barreiras que não existiam quando a sua localização as tornou estratégicas. Ao longo do tempo modificam-se algumas condições, natural ou artificialmente, que lhes fazem perder o valor que as levou à prosperidade. É exemplo desta modificação natural a cidade de Santarém e a perda da navegabilidadade do rio, tão usada por várias civilizações. Mas também nos tempos modernos se têm criado obstáculos à evolução da forma como tinham sido criadas. E é exemplo desta modificação artificial a cidade de Lisboa e a ocupação da sua zona oriental pelo desenvolvimento industrial e a respectiva necessidade de transportes ferroviários que levou à criação da linha férrea de Sta. Apolónia a Vila Franca. Se juntarmos depois o aparecimento da linha do Cais do Sodré a Cascais, verificamos que foi criado pelas duas linhas um arco de estrangulamento à plena fruição das suas margens que levou quase ao abandono da sua zona ribeirinha.

Resta agora uma zona compreendida entre Sta. Apolónia e o Cais do Sodré, como a única livre de linha férrea e portanto a única disponivel para uma utilização mais dinâmica da zona do rio. Ou melhor, restava, porque é exactamente para aqui que se pretende transferir o cais dos grandes cruzeiros que inclui o levantamento de uma barreira de construções de apoio ao novo porto que envolve o condicionamento quase total daquela zona.

Lisboa continua navegável e não deixou de ter amarração, basta subir ou descer para se encontrar zona do rio já interdita pela linha e aí refazer o porto. Mas nós somos assim, permanentemente embevecidos pela cultura do pato bravo: quanto mais raro mais valioso, melhor para construir e cimentar. Ninguém nos perguntou se queriamos definitivamente aquela zona transfornada num espécie de condomínio fechado. O processo já está em andamento e parece que ninguém deu por isso, mas também é verdade que poucos dos que souberam, reagiram e são sempre os mesmos a fazê-lo:

“De Miguel Sousa Tavares, no Expresso:
Pois então, lá vamos outra vez. A distinta Administração do Porto de Lisboa (APL) está lançada em mais uma tentativa de nos roubar parte do Tejo. Agora é o projecto do novo terminal de passageiros de paquetes em Santa Apolónia. Um muro de construções de oito metros de altura por seiscentos de comprido (!), que inclui centros comerciais e hotel. Também na zona do Cais do Sodré está a nascer, a uma velocidade incrível, uma construção maciça, em cima do rio, e que vai quase até ao Terreiro do Paço, eliminando uma zona de jardim, de passeio e de vista. Suponho que seja também obra do porto de Lisboa, uma vez que nenhuma placa no local indica do que se trata e eu já sei que, à beira-rio, do Parque das Nações a Algés, mandam esses senhores e ninguém tem mão neles.
Este porto de Lisboa é verdadeiramente um «case study» de pirataria impune. Têm ao seu dispor a melhor de todas as zonas da cidade de Lisboa: 13 quilómetros de frente de rio — um luxo em qualquer cidade do mundo. São terrenos do domínio público marítimo, isto é, terrenos públicos,” ...

Leia o resto aqui no Instante Fatal.

16 junho 2007

Televisão sem rigor

A propósito das Televisões que temos e do tendencioso jornalismo que praticam, os diagnósticos estão feitos. Somos ainda uma democracia insipiente porque é exercida por um povo que foi privado dela durante longos anos e os mais novos educados enquanto dávamos os primeiros passos nessa aprendizagem, sofrendo estes de uma espécie de efeito hereditário. Se relacionarmos dez princípios básicos que deveriam enformar os nossos comportamentos, teríamos inicialmente estes quatro: a Ética, a Integridade, a Responsabilidade, o Respeito à Lei.

Atendendo ao comportamento da Televisão e sendo os jornalistas que a dirigem, que a fazem, nenhum destes profissionais tem estes quatro principios iniciais como base. O que temos visto de discriminação na cobertura das candidaturas à Câmara de Lisboa em desfavor de alguns candidatos é o exemplo flagrante da falta de pudor instalada. Não venham porém com o discurso habitual como se fossem intocáveis quando são acusados, nem agitem a costumeira defesa corporativa, porque não estão acima de classe profissional nenhuma em Portugal. Bem sei que têm também um patrão que lhes nutre o sustento, mas então, não respondam com a falsa indignação quando lhes apontamos as vergonhas por estas formas de fazer jornalismo.Há muitas questões em Portugal com falta de Provedores com poder, esta, é uma delas e para mim, de Justiça. Exemplos:

Helena Roseta denunciou hoje na SIC Notícias a profunda discriminação no tratamento noticioso das actividades da campanha. Entre 4 e 11 de Junho, esta candidatura teve 15 minutos, quando as restantes tiveram cerca de 40, à excepção de Sá Fernandes ( 1 hora ) e Carmona ( 1 hora e 45m ).

No caso concreto da TVI, desde o dia 4 de Junho e até ao dia 13, todos os noticiários omitiram as acções desta candidatura. No entanto, a opção editorial levou a que os candidatos António Costa e Sá Fernandes aparecessem em notícias com uma duração acumulada de oito minutos e dois segundos. Registamos ainda que foi anulado, por indicação da direcção da TVI, um convite já por nós aceite para participar num programa dessa estação.

Leia o resto em Cidadãos por Lisboa.


09 junho 2007

Movimento Zona Ribeirinha

A zona ribeirinha é intocável! A Câmara só cedeu as margens do rio junto à cidade para o desenvolvimento da actividade portuária, ponto final. Se houverem alterações radicais que motivem reduções excepcionais desses espaços, estes só têm que ser devolvidos a Lisboa e a nenhuma outra entidade pública ou privada. É necessário levantar a voz, sair do casulo e acompanhar pessoas como Helena Roseta que estão a levantar o seu protesto e a propor soluções que beneficiem “todos” os lisboetas e não só alguns.

Na sua campanha Helena Roseta está a defender as seguintes propostas:
um plano de bacia, com uma gestão integrada, para o estuário do Tejo, que deverá ser proposto ao Governo; o lançamento de um concurso internacional de ideias para novas soluções urbanas que permitam ligar, com percursos públicos, pontos da parte antiga da cidade com o rio, vencendo a barreira do comboio e da rede viária; e uma nova entidade gestora, com a presença da APL e da Câmara Municipal, para gerir o território ribeirinho, que deve manter-se como domínio público mas conseguir conciliar a vocação portuária de Lisboa com as possibilidades de lazer que devem ser estar associadas à zona ribeirinha.

A APL – Associação do Porto de Lisboa, é uma entidade de direito privado para a qual os cidadãos não votam, logo, não tem o direito de mexer em nada que altere radicalmente a visibilidade que Lisboa quer ter do seu rio, ainda que a coberto ou embrulhado num projecto nacional. É preciso acordar antes que o mal esteja feito. Alguém tem de pegar nesta bandeira de forma a poder juntar os cidadãos que queiram lutar por isto. A APL tentou no tempo de Cavaco Silva com o POZOR, mas encontrou um Miguel Sousa Tavares decidido a impedir a asneira. A APL está novamente a tentar e aprendeu com o erro anterior que as coisas têm que ser feitas com outro cuidado e vai concerteza apanhar Lisboa distraida. É a Lisboa que compete urbanizar a cidade.

05 junho 2007

Sem palavras


UN Earth Summit 1992


Desconhecia o brilhante discurso desta jovem. Isto foi em 1992, já passaram 15 anos. Ouçam. É obrigatório.

30 maio 2007

Helena e Eduardo Lourenço

Para se perceber o que foram as resistências e contra-correntes dos opinadores instituidos que a campanha de Manuel Alegre teve de vencer, atente-se na leitura do que escreveu Helena Roseta nas páginas 107 a 109 do livro Conseguir o Impossível, sobre o comentário final do Prof. Eduardo Lourenço, na Visão nº 673 de 26/01/06, e, modéstia à parte, aquilo que também eu disse neste post Unanimismos Bons e Maus, como resulado da minha revolta perante uma análise completamente toldada de Eduardo Lourenço, do que tinha acabado de acontecer.

Helena Roseta põe agora também a nu, com o exemplo de Ségolène Royal que Eduardo Lourenço vai buscar, a incongruência das análises do Professor que se contradiz completamente..

Resisto à transcrição, vale a pena ler.

Jornalismo Duvidoso

Aqui fica a denúncia. Também vi o que este anónimo disse neste comentário. Outra vez a SIC!...

Hoje, no noticiário da 1H da SIC Notícias, António Costa abriu com cerca de 8 minutos as notícias sobre os candidatos Fernando Negrão, Sá Fernandes e Ruben de Carvalho, no total, não chegou aos 8 minutos. Dos restantes candidatos nem falaram. Entendo que esta situação deve ser denunciada, denúncia que ganha mais significado numa campanha com custos custos controlados e onde o período legalmente disponível para a Campanha é curto, ficando sobretudo prejudicados os candidatos independentes.

Isto é um dejá vu das Presidenciais. Depois admirem-se de Conseguirmos o Impossivel.

26 maio 2007

Conseguir o Impossível

Já cá está!.

Foi uma experiência nova. Sabia que era possível se quiséssemos acreditar, partindo para a aventura nesta causa sem apoios partidários, apenas com a força das nossas convicções. Mobilizámo-nos, também aqui na net, com uma coordenação exemplar que se baseou apenas em recusar o protagonismo e fizemos isto contra as poderosas máquinas partidárias que do meu ponto de vista, arrasámos. Curiosamente, não deixei de pertencer à familia política onde sempre encontrei os meus valores. Uma nova forma de estar na política é possível, dá trabalho porque exige pensamento autónomo, é preciso é não ter medo disso.

Gostei de me ver lá dentro. Obrigado.

...e retomado



Chris Normam há mais de 30 anos.

Balanço Interrompido

Não há quem não deixe ficar as palavras, na esperança que elas funcionem como a deriva das sementes que se preservam, enquanto não encontram um meio para libertar a vida que contêm. Todos nós esperamos encontrar para elas, um fim.

Porque não tenho razões para duvidar da brincadeira e porque esta vida anda demasiado bacambúzia, aqui ficam cinco sementes de blogues com tomates que igualmente se debatem por causas nobres:

Doca do Tempo

Estranho Estrangeiro

20 maio 2007

Intervalo para Balanço



Todos temos na vida um momento de Balanço.

Porque recuso Sinatra, troco pela interpretação de Paul Anka.

19 maio 2007

Zoro e Fernando Alves

Marc Zoro, próxima aquisição do Benfica, motivou esta extraordinária crónica de Fernando Alves nos Sinais da TSF em 2005, e que na altura aqui destaquei em Futebol vs. Racismo, vai ter o conforto de ser aplaudido num dos maiores clubes de futebol do Mundo e quem sabe, senti-lo como um gesto humano de redenção pela barbárie daquele ano.

Uma nova força cívica

Como é possível um Partido desconhecer ou descartar uma força cívica destas no seu interior?


Em nome de que princípios democráticos e de uma matriz de Esquerda em que o PS acenta, se dispensa uma força tão mais activa do que a sua tradicional base de apoio?


Quando percebe o PS que há já um imenso número de portugueses que aspira implementar novas formas de participar cívicamente?


Virá mais tarde apanhar a "palavra", como já se vai ouvindo e tentar fazer crer que também está atento à aspiração de cidadania dos portugueses, para enclausurar depois tudo nos mesmos velhos processos?

E aí, não será tarde de mais?



17 maio 2007

Afinidades Cívicas

Dito isto aqui, eu arriscaria que há também uma validação das nossas novas convicções, através do teste por que passam nessas afinidades, como se isso resultasse numa espécie de aprendizagem que nos permite da mesma forma fazer parte de uma familia politica, sem o sufoco da falta de liberdade que este sistema não resolve.

O PS não percebeu ainda a mais valia de ter um Movimento de reflexão como este e com estas virtualidades e lá vamos ter outra vez o tal Sr.da Silva aos saltos num comício, invectivando nestas autárquicas como o fez nas presidenciais, esquecendo que daqui a mais dois ou três anos já ninguém se lembra do Sr. Silva e ao contrário, a nossa memória guardará quem tiver estatuto para isso.

12 maio 2007

"Cidadãos por Lisboa"

"A candidatura Cidadãos por Lisboa é um espaço de cidadania aberto à participação de eleitores, movimentos de cidadãos e associações cívicas, culturais e sociais, com o objectivo de intervir nas eleições intercalares de 2007 para a Câmara Municipal de Lisboa.

A lista de candidatos Cidadãos por Lisboa não depende de nenhum partido político.
A lista Cidadãos por Lisboa, encabeçada por Helena Roseta, terá de ser proposta por 4000 eleitores recenseados em Lisboa. Cada eleitor só pode ser proponente de uma única lista de cidadãos. Para ser proponente da candidatura, preencha a declaração de propositura e envie para: “Cidadãos por Lisboa” Apartado 27032, EC D. Luís I, 1201-950 Lisboa"

Sede da Candidatura (R. das Portas de Stº Antão, 84-90)

11 maio 2007

António Costa?!...

António Costa?! Está melhor qualificado para a gestão autárquica do que a Bastionária da Ordem dos Arquitectos, que por inerência profissional e do cargo está envolvida em questões urbanísticas e já tem experiência autárquica?! Foi por este nome que o PS não respondeu à proposta de Helena Roseta?

A tão propalada determinação de Sócrates prepara-se para ser outra vez "teimosia" e reeditar o cenário das Presidênciais. Mas ainda está a tempo.

10 maio 2007

07 maio 2007

Os ganhadores da Direita.

REEDITADO, por um esquecimento imperdoável.
É verdade que a Esquerda tem andado a lember as feridas de algumas derrotas, mas vejam os representantes das últimas vitórias da Direita:

Isaltino Morais
Valentim Loureiro
Santana Lopes
Carmona Rodrigues
Cavaco Silva
João Jardim & Jaime Ramos
Informação complementar confirmada no Google, leva-me a incluir este digno representante da Covilhã:

Somos um povo estranho!...

03 maio 2007

Democracia, política e verdade


Remeto-os obrigatóriamente para esta leitura, porque é imperdível!



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Ségolène ao ataque

Lá como cá preferia um presidente com as capacidades humanas de indignação perante a injustiça. Segoléne mostrou-o aos 54 minutos do debate, numa situação perfeitamente justificada quando atacou Sarkozy sobre uma medida de Educação. O ser humano foi dotado com qualidades e defeitos que temos o direito de conhecer na sua plenitude, quando se trata de uma escolha tão importante. Contra a importância da fachada e do hermetismo opõe-se a da postura humana aberta e da transparência. Contra um candidato com um olhar no presente opõe-se uma presidente com espírito de futuro, e a França e a Europa precisam disso.

02 maio 2007

"As Mãos Sujas"

A propósito do debate que aqui vai no Ponte Europa.

O PSD do Continente não poderá nunca lavar as mãos desta vergonha. Este estígma vai ficar-lhe colado como imagem de marca, quer queira quer não, porque haverá uma altura em que vai querer tirá-la de cima, mas aí será tarde e não consentiremos. Eles são no Continente o “advogado” de Alberto João Jardim e é bom que um dia não o esqueçam.

Condenar um povo é mais complicado, porque os povos que exaltam estes figurões são os mesmos que os enforcam. Os povos são nos momentos analisados, os culpados, mas nunca o são de todo. Há motivos históricos que estiveram na base dos seus atrasos cívicos e culturais que a evolução se encarrega de alterar e por vezes essa evolução vem de forma rápida – revolução - e revoltar no nosso dicionário significa indignar. Os portugueses por exemplo, tiveram essa aprendizagem que julgo que a Madeira não teve com a mesma expressão, no primeiro 1º de Maio. Alguns dias antes, ninguém sabia o que era a felicidade que naquele dia tinham estampada no rosto. No caso da Madeira, temos que esperar o tempo deste povo perceber o arremedo de democracia em que anda. Faz pena ver a forma como aquelas pessoas respondem perante uma câmara de televisão e numa grande parte nota-se o comedimento e o calculismo das respostas, é uma sociedade manietada, dependente dos engodos que Jardim lhes tem dado, só quando perceberem que Jardim os tem usado como bonifrates da sua interpretação de democracia, os madeirenses se indignarão, mas nessa altura Jardim já cá não estará, e ter-se-à encarregue de semear por aquelas cabeças laranjinhas a forma de continuar a fazer aquele teatro de saltimbancos. Lamento profunda e sinceramente, porque eu não conseguiria, pelos verdadeiros democratas que têm que viver a claustrofobia daquele cerco.

Por enquanto, só nos resta ir comendo banana da Madeira em vez da Venezuela, para que o produto não vá apodecendo por aí, e o déficit seja maior.